*          9.1       com poder o reino de Deus. Ver referência lateral. A vinda do reino “com poder” parecia estar associada com a ressurreição de Jesus, desde que será testemunhada por alguns “dos que aqui se encontram” e é também descrita como uma “vinda com poder” (Rm 1.4). A transfiguração, que se segue a esta expressão, é um cumprimento intermediário e imediato das palavras de Jesus, uma vez que antecipa a manifestação do poder da ressurreição e da glória divina. Ver nota em Mt 16.28.

 

*          9.2       Seis dias depois. Em Êx 24.16, “seis dias” é também o período de preparação para receber a revelação e testemunhar uma visão da glória divina

 

Pedro, Tiago e João. Estes três podem representar os Doze, exatamente como Pedro sozinho pode (8.29; Mt 16.18; At 2.14).

 

a um alto monte. Ambos Moisés (no Sinai, Êx 24) e Elias (em Horebe, 1Rs 19), foi dada a visão da presença teofânica de Deus no alto da montanha.

 

transfigurado. Lit., “mudou de forma”. Este verbo grego é usado por Paulo para descrever a presente obra do Espírito na vida interior do crente (Rm 12.2; 2Co 3.18). Aquela obra será completada quando este mesmo Espírito der “vida a vossos corpos mortais”, como quando ele ressuscitou Jesus dentre os mortos (Rm 8.11), e como aqui, na momentânea glorificação de Jesus. Ver nota teológica “A Transfiguração de Jesus”, índice.

 

*          9.4       Elias com Moisés. A transfiguração liga a antiga Aliança à nova, ligando diretamente Moisés e Elias, representantes da Lei e dos Profetas, com Jesus e seus apóstolos, mensageiros da completa redenção.

 

*          9.5       façamos três tendas. Pedro, talvez, deseje capturar e prolongar a glória, de modo a evitar o sofrimento do qual Jesus já tinha falado (8.31-33).

 

*          9.7       Este é o meu Filho amado. A declaração celestial é um ponto alto da divina revelação concernente à identidade de Jesus. Exatamente como Deus tinha se revelado na teofania do Sinai, como “o SENHOR Deus compassivo, clemente e longânimo e grande em misericórdia e fidelidade” (Êx 34.6), assim, agora, ele se revela como quem  fala através do seu amado Filho (Jo 1.17; 3.16; Hb 1.2).

 

a ele ouvi. Esta frase representa uma repreensão a Pedro bem como uma declaração concernente à autoridade do Filho, como revelador e profeta da nova aliança. Estas palavras ecoam Dt 18.15, e identificam Jesus, como o grande profeta semelhante a Moisés.

 

*          9.9       ordenou-lhes... que não divulgassem. Ver nota em 1.34 e 8.30.

 

até ao dia em que o Filho do homem ressuscitasse dentre os mortos. O testemunho público e aberto à glória de Jesus é para ser reservado para depois da plena realização da redenção.

 

*          9.10     que seria o ressuscitar dentre os mortos. A confusão dos discípulos surge da expectação judaica, de uma ressurreição geral, nos últimos dias, mas não de uma ressurreição individual, no meio da história.

 

*          9.12     Elias, vindo primeiro. Ainda que João Batista não seja Elias pessoalmente ressuscitado dentre os mortos (6.14-16, cf. Jo 1.21), Jesus ensina que Elias foi, em verdade, o tipo no Antigo Testamento que prefigurava o ministério de João Batista (cf. Lc 1.17).

 

*          9.13     e fizeram com ele. Exatamente como Elias sofreu nas mãos de Acabe e Jezabel (1Rs 19.1-10), assim João Batista sofreria nas mãos de Herodes e Herodias (6.18, nota). Se João, que restaurou todas as coisas por chamar o povo ao arrependimento e à piedade foi posto à morte, deveria ser surpresa (v.12) se o Filho do homem sofresse a mesma sorte?

 

*          9.17     possesso de um espírito mudo. A possessão demoníaca é claramente distinta de uma doença comum (7.31-37), ainda que em ambos os casos a pessoa não possa falar. Compare 1.24, 25; 5.2-15.

 

*          9.19     Ó geração incrédula. A impaciência de Jesus com a falta de fé dos discípulos e a frustração com a cena geral de descrença e incapacidade, quando ele retorna do monte da Transfiguração, é uma reminiscência da descida de Moisés do Monte Sinai, ao encontrar descrença e infidelidade no arraial dos israelitas (Êx 32).

 

*          9.25     a multidão concorria. A situação é ainda volátil. O cego entusiasmo da multidão coloca Jesus num dilema: quer ministrar compassivamente ao sofrimento do povo, sem comprometer o plano global da redenção.

 

eu te ordeno. O poder espiritual de Jesus leva o demônio a gritar (v. 26). Ver “Demônios”, em Dt 32.17.

 

*          9.28     em particular. Ver nota em 8.32.

 

*          9.31     ensinava os seus discípulos. Freqüentemente, Jesus dá prioridade ao treino dos Doze. Jesus repete, visando dar ênfase e por causa da lição ainda não aprendida, aquilo que ele tinha ensinado anteriormente em 8.31.

 

*          9.33     em casa. Ver nota em 2.1.

 

*          9.34     qual era o maior. Dada a importância de honra naquela sociedade, uma tal preocupação desempenhava um significativo papel na mente do povo (cf. 10.35-45). Jesus está introduzindo uma revolução neste modo de pensar, sem destruir a noção de hierarquia funcional. Ver nota em 5.37.

 

*          9.35     chamou os doze. Outra vez, os Doze são chamados à parte (3.14), e a posição de liderança deles é explicitamente reconhecida.

 

Se alguém quer ser o primeiro. Jesus não está atacando a posição de liderança, mas está mostrando o modo de essa liderança ser exercida (isto é, como “último e servo de todos”). Este princípio é exemplificado pelo próprio Jesus, que “não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (10.45). A maneira abnegada de Jesus cumprir o seu papel Messiânico, que é o primeiro e mais importante no reino, oferece o padrão para seus discípulos em todos aqueles papéis secundários, que eles podem desempenhar no reino de Deus.

 

*          9.36     uma criança. Lit. “infante”. A dignidade concedida por Deus a todo ser humano é exemplificada pela criança. Este mais fraco dos seres humanos deve ser servido do mesmo modo, como são servidos os maiores (9.35, nota).

 

*          9.38     o qual não nos segue. Esta frase não nega que o homem fosse um seguidor de Jesus; ele estava expulsando demônios em nome de Jesus. Provavelmente, a frase signifique que esse homem não reconhecia a autoridade dos Doze. Sem tirar a prerrogativa dos Doze, porém, e percebendo o orgulho e exclusivismo deles (9.35, nota; 10.35-45), Jesus se recusa a condenar aquele de quem os discípulos estão falando. Ao invés disso, ele ensina que o apoio e a comunhão de todos os que defendem sua causa devem ser gratamente reconhecidos.

 

*          9.41     que vos der... em meu nome. Todos os atos de misericórdia, de cuidado e de cura feitos em nome de Jesus (isto é, com o entendimento, ação e propósito de servi-lo) são eternamente reconhecidos como evidência de verdadeiro discipulado.

 

*          9.42     quem fizer tropeçar. “Pequeninos” pode referir-se às crianças (v. 36) ou aos crentes considerados insignificantes (v. 39). Comprometer a fé daqueles de pequena importância para o mundo, por exemplo, através do uso egoísta e inconsiderado de poder (v. 35, nota), exige a mais severa punição (v. 43).

 

*          9.43     corta-a. Esta admoestação deve ser entendida como uma espécie de exagero empregado na linguagem para atingir a um objetivo (cf. vs. 45-47). Jesus está falando das difíceis renúncias de hábitos pecaminosos. Ver nota teológica “Inferno”, índice .

 

*          9.44-46. Ver referência lateral. Os versículos 44 e 46 não aparecem em alguns dos mais antigos manuscritos, mas a frase é encontrada também no v. 48.

 

*          9.49     salgado com fogo. O sal é associado com o sacrifício em Lv 2.13; Ez 43.24. O dito pode significar que, por contraste com o fogo da destruição — de que acabara de falar — os crentes perseverarão através do fogo e serão purificados por ele.

 

*          9.50     Tende sal em vós mesmos. A figura do sal descreve o verdadeiro discipulado. O sal tem a função de preservar. Jesus está falando aos seus discípulos para usar a humildade e o serviço para preservar a paz da igreja, ao invés de dividi-la pelo desejo de ser grande (v. 34).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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