*          1.1       Princípio. Diferente de Mateus e Lucas, Marcos não contém uma narrativa do nascimento de Jesus. O "princípio" (cf. Gn 1.1; Jo 1.1) é identificado com o ministério de João Batista (cf. At 1.22) e com as profecias do Antigo Testamen

to, anunciando a vinda de João Batista.

 

evangelho. Um termo de comunicado e correspondência política ou pessoal, que significa "boas novas". Os gregos usavam esta palavra para referir eventos tais como o nascimento de um imperador ou uma grande vitória militar.

 

de Jesus Cristo. Esta frase pode ser entendida ou como "a respeito de Jesus Cristo", ou como "da parte de Jesus Cristo". O Evangelho é “a respeito” de Jesus Cristo, mas é também "da parte" dele (Rm 1.9; 1Co 9.12; 2Co 10.14). O Evangelho de Marcos reivindica autoridade divina e se oferece como a palavra de Cristo através de seus apóstolos, à Igreja (cf. Ap 1.1).

 

Filho de Deus. Marcos apresenta a Jesus, no começo do seu Evangelho, como o divino e eterno Filho. Ver notas em 13.32; 14.36; 15.39, cf. Rm 1.3.

 

*          1.2       está escrito. Colocando aqui esta citação do Antigo Testamento, Marcos procura mostrar o progresso orgânico da revelação sob o controle do divino Senhor da História. Se o Antigo Testamento é o início e a fonte do Evangelho, o Evangelho revelado através de Jesus Cristo é a interpretação final e inspirada do Antigo Testamento.

 

na profecia. Ver referência lateral. A citação é uma cadeia de textos (Êx 23.20; Ml 3.1; Is 40.3), referentes a mensageiros que Deus tem enviado como meio de preparação.

 

*          1.4       João. As citações do Antigo Testamento colocam João Batista na pré-planejada história do trato de Deus com seu povo segundo a Aliança.

 

no deserto. A pregação de João, no deserto, lembra a Israel, simbolicamente, as suas origens na Aliança celebrada no Êxodo (cf. Jr 2.2). O deserto é o lugar tradicional de encontro entre Deus e seu povo.

 

batismo de arrependimento. A comunidade de Qunran, com a qual João pode ter tido contato em sua juventude, praticava rituais de purificações e batismos. Também os convertidos ao judaísmo eram batizados. A inovação de João foi exigir um único batismo de israelitas que já estavam na comunidade da Aliança. Para ele, o exigir um tal gesto de arrependimento radical é um sinal da chegada da Nova Aliança. Ver nota em Mt 3.6.

 

para remissão de pecados. João, na verdade, não concede perdão de pecados. O perdão definitivo de pecados pertence ao pacto (Jr 31.34) que o Messias inaugurará.

 

*          1.5       toda... todos. Isto é uma hipérbole (recurso literário que exagera), indicando que o povo da Aliança foi a João numa grande multidão, sem dúvida como famílias inteiras (4.1; 6.44 e notas).

 

*          1.6       pêlos de camelo. As vestimentas e o alimento de João o identificam como um tipo clássico de profeta do Antigo Testamento (2Rs 1.8; Zc 13.4).

 

*          1.7       E pregava. A identidade daquele a quem João anuncia e diante de quem ele se sente indigno de ajoelhar-se, é evidente nas profecias do Antigo Testamento já citadas. É o "Senhor" que, "de repente, virá a seu templo... o Anjo da Aliança", tendo sido precedido pelo "meu mensageiro" (Ml 3.1).

 

*          1.8       Espírito Santo. A nova Aliança traz renovação ao povo de Deus (Jr 31.33, 34; Ez 37.14) através do Filho e do Espírito, que o Filho possui em medida plena (Is 42.1; 61.1).

 

*          1.9       Naqueles dias. De acordo com Jo 2.20, um dos primeiros atos de Jesus, que se seguiu ao seu batismo, teve lugar quando a reconstrução do templo estava no seu quadragésimo sexto ano. Posto que Herodes começou a reconstrução, no ano 19 a.C., Jesus foi batizado por volta de 27 d.C.

 

por João foi batizado. Jesus sabe que isto é parte do plano divino, para “cumprir toda justiça" (Mt 3.15), pelo qual, em sua humanidade, ele se identifica plenamente com a condição humana e começa o processo de levar os pecados da humanidade. Ver nota teológica "O Batismo de Jesus", índice.

 

*          1.10     logo. Esta importante palavra (às vezes traduzida "imediatamente")  é característica de Marcos (doze vezes no restante do Novo Testamento e quarenta e duas vezes em Marcos). A palavra sugere, talvez, não rapidez, mas a certeza e a inevitabilidade do soberano plano de Deus, recordando os endireitados (a mesma raiz grega) caminhos divinamente preparados para a vinda de Jesus e seu ministério.

 

 Espírito descendo. A descida do Espírito é um sinal da Messianidade de Jesus (v. 8, nota). No batismo de Jesus, como mais tarde no batismo cristão (Mt 28.19) todas as três pessoas da Trindade estão envolvidas. A iniciativa do Pai, a obra vicária do Filho e glória e o poder capacitador do Espírito estão todos presentes.

 

*          1.11     Tu és o meu Filho amado. O mistério da pessoa de Jesus encontra expressão na divina declaração. Ele, a Segunda Pessoa da Trindade, é, ao mesmo tempo, o representante do crente, o verdadeiro e fiel “filho” de Israel (Êx 4.23), em quem o Pai se compraz e a quem o Pai reconhece como Filho, tanto no sentido pessoal como no sentido oficial (Sl 2.7; Is 42.1). Ver nota no v. 1.

 

*          1.12     o Espírito o impeliu. O verbo grego traduzido por “impelir” é forte e dá a idéia de necessidade divina e escriturística. O Espírito está impelindo Jesus para o “deserto”, exatamente como Israel — chamado “filho” (Êx 4.23) e batizado em Moisés no mar (1Co 10.2, cf. Êx 14.13-31) — foi conduzido pelo Espírito nas colunas de nuvem e fogo (Êx 14.19-20), ao longo do caminho da provação, no deserto.

 

*          1.13     quarenta dias. Possivelmente uma referência simbólica aos quarenta anos da experiência de Israel, no deserto (Dt 1.3, cf. v. 12, nota).

 

feras. Este detalhe dá ênfase ao fato de que o deserto é um lugar de maldição, onde o diabo manda (Mt 12.43, cf. Ef 2.2). Jesus entra neste domínio e amarra o valente (ver nota em 3.23-27). Esta é uma espécie de reconstituição da prova a que Adão foi submetido. Ainda que Adão tenha sido provado num jardim e não tenha sido ameaçado por feras, ele sucumbiu à tentação de Satanás. No deserto, Jesus, o segundo Adão, começa a derrotar Satanás e inicia sua obra de redenção, sendo aprovado no teste de obediência filial.

 

mas os anjos o serviam. Anjos acompanharam Israel no deserto (Êx 14.19; 23.20; 32.34; 33.2). A experiência de Jesus no deserto é um tipo da que o cristão tem no mundo, que é experenciada por causa do domínio de Satanás (Ef 6.12). Ver nota em 10.30.

 

*          1.14     Depois de João... para a Galiléia. Alega-se freqüentemente que a cronologia dos três Evangelhos Sinóticos é irreconciliável com a de João, por três principais razões:

a) a purificação do templo é colocada em diferentes períodos do ministério de Jesus (11.15, nota);

b) nos Evangelhos Sinóticos Jesus vai a Jerusalém só uma vez, na última semana do seu ministério, enquanto no de João ele esteve lá cinco vezes;

c) em João, Jesus tem o seu primeiro ministério na Judéia ao mesmo tempo que João Batista (Jo 3.22-24), enquanto nos Sinóticos Jesus começa o seu ministério na Galiléia. Contudo, ao dizer que um ministério na Galiléia começa só depois que João Batista é preso, Marcos não está negando que houve um ministério anterior na Judéia; esse ministério simplesmente não faz parte de sua narrativa.

 

*          1.15     O tempo está cumprido. Os tempos passados, especialmente os atos de salvação de Deus em favor de seu povo Israel, atingiram seu clímax no atual tempo de salvação, através de Jesus.

 

o reino de Deus está próximo.  O reino de Deus é aquele estado final de acontecimentos onde o supremo reinado de Deus é plenamente reconhecido sobre o universo transformado, e nos corações do seu povo redimido e glorificado. Este reino “está próximo” no sentido de que a vinda de Jesus põe em movimento tudo aquilo que contribui para a sua realização. Deus exige arrependimento e crença como respostas a estas novas. Ver nota no v. 4.

 

*          1.16     mar da Galiléia. É um lago interior de aproximadamente 21 km de comprimento por treze de largura. É conhecido no Novo Testamento como Lago de Genesaré (Lc 5.1) ou Mar de Tiberíades (Jo 6.1).

 

*          1.17     Vinde após mim... pescadores de homens.  Marcos, imediatamente, mostra Jesus chamando discípulos para segui-lo e chamarem outros para ele. Este primeiro ministério referido, na igreja nascente, tem como seu objetivo principal buscar os perdidos. Esta ênfase sobre a evangelização foi bem percebida por Paulo, que disse:  “Ai de mim se não pregar o Evangelho” (1Co 9.16).

 

*          1.19     Tiago... João. Note-se que Jesus não recruta seus apóstolos e “pescadores de homens” dentre os da “intelligentsia” religiosa, mas dentre as pessoas simples, de atividades comuns.

 

*          1.20     empregados. Este pormenor sugere um pequeno e próspero negócio.

 

*          1.22     como quem tem autoridade. O ensino de Jesus é diferente do ensino dos escribas, porque está ligado à sua pessoa (2.10) e à sua interpretação das Escrituras (12.35-40). Seu conteúdo é novo, anunciando a vinda do reino (v. 15) e a derrota de Satanás (v. 27).

 

*          1.24     Que temos nós contigo. Esta expressão distancia a pessoa que fala daquela a quem se dirige. Ocorre em outro lugar no Novo Testamento (Jo 2.4).

 

Nazareno.  Nazaré ficava ao ocidente do Mar da Galiléia e era a cidade natal de Jesus.

 

Santo de Deus. Jesus é descrito deste modo só neste incidente (Lc 4.34). Os demônios tremem na presença da santidade divina.

 

*          1.25     Cala-te. Esta forte expressão dá ênfase ao poder de Jesus para estabelecer o seu reino em face da presença do mal.

 

*          1.29     Tiago e João. Ver v. 19.

 

*          1.30     A sogra de Simão. Pedro era casado (ver também 1Co 9.5), mostrando que o casamento é normal entre os líderes cristãos. Ao mesmo tempo, o celibato permanece como uma possibilidade legítima (Mt 19.12; 1Co 7.7-8, 32).

 

*          1.32     ao cair do sol. Jesus já tinha curado no dia de Sábado (v. 25). Nesta ocasião, o povo esperava ainda o pôr do sol, quando o Sábado terminava, para levar seus doentes a Jesus.

 

*          1.34     muitos demônios. A quantidade de possessão demoníaca, na população judaica da Galiléia (v. 32, nota) é surpreendente, ainda que a influência pagã ou gentílica, na Galiléia, não deva ser esquecida.

 

não lhes permitindo que falassem. Este é o primeiro exemplo daquilo que tem sido chamado o “segredo Messiânico” (v. 43; 3.12; 4.10,11; 5.19; 8.30; 9.9). A revelação de Jesus como o Messias tinha de começar discretamente e avançar por estágios, de modo que o plano de Deus, para a morte de seu servo, não fosse comprometido por qualquer excesso de entusiasmo popular.

 

*          1.35     lugar deserto. Lit., “lugar desabitado”, onde Jesus trava sua luta espiritual (v. 12, cf. v. 3) e que é também, como o antigo Israel, um tipo da presente caminhada cristã (1Co 10.1-11; Hb 13.12-13).

 

*          1.38     para isso é que eu vim. Jesus afirma seu programa de pregação evangelística com firme clareza. Em Lucas (19.10) ele diz: “porque o Filho do homem veio buscar e salvar o perdido”. E assim ele se move, percorrenco a Galiléia várias vezes (v. 39; 6.6; Lc 8.1).

 

*          1.40     um leproso. Sob a lei mosaica, certas doenças de pele tornavam a pessoa cerimonialmente impura, excluindo-a do convívio da sociedade (Lv 13.46).

 

*          1.43     veemente advertência. Ver nota no v. 34. O verbo grego expressa profunda emoção, como no caso de Jesus diante do túmulo de Lázaro (Jo 11.33, 38).

 

*          1.44     servir de testemunho. Jesus respeita a lei mosaica como o grande sumo sacerdote de outra linhagem (Hb 7.11—8.13), mas não está preso e nem limitado por ela. Ainda que tocar um leproso fosse uma violação às leis da pureza ritual (Lv 5.3), Jesus o tocou quando o curou.

 

*          1.45     entrou a propalar muitas coisas. Este não é o tempo para a proclamação desenfreada (v. 34, nota), ainda que devesse chegar o tempo, na história da redenção (depois da ressurreição), quando a pregação aberta seria adequada (Mt 10.27; Lc 12.2-3).

 

*          2.1       casa. Jesus era de Nazaré, cerca de 32 km de distância, e a casa de Simão Pedro (1.29) podia estar servindo como morada em Cafarnaum, uma cidade mais centralmente localizada e com direto acesso ao Mar da Galiléia.

 

*          2.4       descobriram o eirado. As casas tinham o teto plano feito de ramos e barro seco, sustentado por vigas de madeira.

 

*          2.5       os teus pecados estão perdoados. A resposta de Jesus é extraordinária por duas razões: a primeira, é que o homem tinha vindo em busca de cura física, mas Jesus lhe fala a respeito da doença mais profunda do pecado, da qual geralmente a doença física é conseqüência; e a respeito da cura radical do perdão, da qual esta cura física específica era um sinal. Segunda, Jesus reivindica para si o poder de perdoar pecados que, em toda a Bíblia, é atribuído só a Deus (Êx 34.7; Is 1.18). Os mestres da lei, imediatamente, acusaram a Jesus de “blasfêmias”(v. 7; 3.29, nota), no que estariam certos se Jesus fosse um mero homem.

 

*          2.9       Qual é mais fácil. Jesus pede aos escribas que reconsiderem o seu julgamento à luz do seu poder de curar (cf. 5.36; 10.25, 38), poder que, em última análise, é poder divino (Sl 41.1; Jr 3.22; Os 14.4).

 

*          2.10     Filho do homem. Jesus empregou esta frase regularmente para designar-se a si mesmo, associando-se, no seu ministério, com o “Filho do Homem” celestial, de Dn 7.13-14 (v. 28; 8.31; 9.31; 10.33, 45; 13.26).

 

*          2.14     Levi, filho de Alfeu. Na narrativa paralela de Mt 9.9-13 esta pessoa é chamada Mateus. Uma vez que Mateus aparece na lista de apóstolos de Marcos (3.18) — e não há menção de Levi — parece-nos que Levi tinha por sobrenome Mateus e era por esse nome que foi mais conhecido na igreja primitiva.

 

coletoria. As cabinas de coletor ficavam nas estradas, pontes e canais para cobrar tributos e à beira dos lagos para impostos sobre o pescado. Ver nota em Lc 3.12.

 

Ele se levantou. A exigência radical do chamado de Jesus e a incondicional obediência daquele que ouve, são mostradas de maneira relevante ao leitor.

 

*          2.15     estavam juntamente com ele. O contato com os pecadores faria de Jesus também um pecador, uma vez que os regulamentos rabínicos proibiam especificamente uma tal comunhão à mesa. Por outro lado, os “pecadores” veriam nisto um gesto de amizade e aceitação (14.20, nota).

 

pecadores. Um termo de desdém usado pelos fariseus para todos os judeus que não seguiam suas tradições de pureza legal.

 

*          2.16     fariseus. Descendentes teológicos dos Hasidim — um movimento de devoção, cultura, e lealdade à lei de Moisés do segundo século a.C., contra a influência grega pagã. Nos tempos de Jesus, a estrita observância da lei — especialmente a pureza ritual — era regulada por um conjunto de ensinos éticos conhecidos como “a tradição dos anciãos” (7.3), desenvolvidos pelos rabinos como uma aplicação da lei à situações específicas. A dificuldade de conhecimento desta tradição e todas suas muitas interpretações sutis, criaram uma lacuna social e religiosa entre uma elite hipócrita — “os justos” — e a população geral, os “pecadores”.

 

*          2.17     respondeu-lhes... não vim chamar. Notemos a enfática declaração de prioridade da sua missão (cf. 1.38). Nas palavras de Jesus há tanto verdade quanto ironia severa. Os publicanos (coletores de impostos), as prostitutas e outros semelhantes são espiritualmente “doentes”, mas Jesus não pretende que os fariseus pensem em si mesmos como “sãos” (cf. Lc 18.9-14). Jesus põe abaixo as categorias artificiais de toda religião legalista, baseada ha justiça própria. Como o Antigo Testamento (Sl 14.1-3), Jesus ensina que todos são pecadores (7.1-8) e que a justiça é o primeiro e mais importante dom de Deus para os pecadores arrependidos (Sl 51.1-18; Lc 19.9; Rm 3.22).

 

*          2.18     jejuando. A lei Mosaica exigia só um jejum por ano, no Dia da Expiação (Lv 16.29-31, cf. At 27.9, que o chama de “Dia do Jejum”). Não obstante, como um sinal de contrição e penitência, e associado à oração, o jejum era uma parte da piedade, no Antigo Testamento, desde o tempo dos juízes (Jz 20.26; 1Rs 21.27) e, muitas vezes, tornava-se um ritual vazio (Is 58.3). Os fariseus e seus seguidores, aparentemente, jejuavam duas vezes por semana (Lc 18.12). Uma vez que a mensagem de João Batista centrava-se no arrependimento (Mt 3.11), o jejum era apropriado para os discípulos dele. Jesus, porém, cuja própria mensagem incluía o arrependimento, não insistiu sobre o jejum.

 

*          2.19     Respondeu-lhes Jesus. A razão oferecida por Jesus destaca-o de tudo aquilo que era antes, porque o “noivo”  agora chegou e o “novo” (vs. 21-22) está presente. Ao comparar-se com o “noivo”, Jesus afirma a presença do reino como um tempo de celebração, como as bodas. Jesus come e bebe com publicanos e pecadores, trazendo alegria e salvação a eles (Lc 19.6,9).

 

*          2.20     jejuarão. Para Jesus a presente celebração é provisória (v. 19), pois ele tem que sofrer e morrer, e “lhes será tirado o noivo” (ver At 13.2; 14.13).

 

*          2.21-22           As figuras da veste nova e dos odres velhos dão ênfase novamente à nova situação criada pela vinda do reino e de seu Rei, e procuram mostrar, através desses símbolos da ação insensata, a impropriedade do jejum nesta nova situação.

 

*          2.23     dia de sábado. O problema com o raciocínio legalista de certos fariseus é ilustrado neste incidente. Os discípulos não estavam furtando nem trabalhando no campo (Dt 23.25). Seus acusadores consideraram mesmo o “colher espigas” (para alimentar-se) como ceifa, o que era proibido pela lei no dia de Sábado (Êx 34.21).

 

*          2.25     ele lhes respondeu: Nunca lestes. A pergunta de Jesus sugere uma crítica irônica ao conhecimento que os fariseus tinham das Escrituras (Jo 3.10; 5.39, 47). Jesus não se justifica deixando as Escrituras de lado, mas revela conhecer sua profundidade e sua adequada aplicação às necessidades humanas.

 

Davi. Executando uma missão divina (1Sm 21.5) como ungido do Senhor, Davi comeu o pão consagrado, normalmente reservado aos sacerdotes. Cristo, como Filho de Davi, permite a seus discípulos satisfazerem suas necessidades físicas, de modo a poderem continuar sua missão de redenção, uma obra que é sempre lícita realizar.

 

*          2.26     Abiatar. De acordo com 1Sm 21.1-6, foi Aimeleque, pai de Abiatar, que deu a Davi pão consagrado. Contudo, Abiatar, certamente estava vivo e, talvez, presente quando ocorreu o incidente referido. Portanto, “no tempo do sumo sacerdote Abiatar” é frase rigorosamente certa. Provavelmente Jesus se referiu a Abiatar porque ele era bem conhecido como um dos principais defensores de Davi.

 

*          2.28     senhor... do sábado. Outra vez (cf. v. 10) Jesus declara sua autoridade como Filho do homem que traz bênçãos, esta vez como Mediador da lei do Antigo Testamento referente ao Sábado. Esta reivindicação é feita contra tradições que tinham tornado em peso o quarto mandamento que é estimulador da vida (Êx 20.8-11). Desde que o Sábado foi instituído na criação e não apenas sob Moisés, o senhor do Sábado é também Senhor da criação.

 

*          3.1       ressequida uma das mãos. Esta não era uma doença de vida ou morte, cuja cura era permitida no dia de Sábado, segundo as regras dos fariseus (v. 4, nota). A ação de Jesus pareceria uma provocação deliberada tanto quanto um ato de misericórdia.

 

*          3.2       estavam observando a Jesus.  Os fariseus (v. 6) fizeram da ação de Jesus uma prova, como evidentemente Jesus queria que eles fizessem.

 

*          3.4 É lícito. Jesus antecipa a crítica deles, reiterando o ensino a respeito do Sábado, ensino que ele começou em 2.25-28. Os fariseus sustentavam que só a ajuda essencial ao doente era lícita no Sábado. Jesus mostra que a interpretação deles era contra o espírito do mandamento, que existia para promover o “bem”(2.27). O bem que Jesus faz, trazendo a redenção, é exigido e não proibido, pela lei divina.

 

*          3.6       herodianos. Um grupo político, não religioso, que apoiava a dinastia de Herodes. Apoiavam a aliança com Roma e dependiam dela. Ao colaborarem com os herodianos, os fariseus tinham se afastado para bem longe do ideal do Antigo Testamento para o povo de Deus (cf. Dt 17.15). Para mais informações sobre essa conspiração ver Mc 8.15; 12.13.

 

*          3.8       grande multidão. A frase é repetida duas vezes (vs. 8, 9). O ministério público de Jesus, a despeito da oposição da elite governante, (v. 6), está se tornando um movimento de massa. Jesus é tão pressionado pela multidão que precisa refugiar-se num pequeno barco (v. 9). O povo, de toda parte, vem à Galiléia para ouvir a Jesus.

 

*          3.11     quando o viam. Ainda que as multidões sejam constituídas de judeus (cf. 7.26-29), Jesus está se defrontando constantemente com pessoas possuídas por espíritos malignos. Na presença de Jesus, a verdadeira natureza do combate torna-se evidente (Ef 6.12). Os demônios são desmascarados e revelam a verdadeira identidade de Jesus, o Filho de Deus (1.1; 15.39, notas).

 

*          3.12     advertia severamente. Ver 1.34, 43.

 

*          3.13     os que ele mesmo quis. Marcos dá ênfase ao fato de que a escolha dos apóstolos tem origem no determinado propósito  de Jesus.

 

*          3.14     designou doze. Num tal contexto, a significação do número “doze” dificilmente pode passar despercebida. Jesus estava estabelecendo a constituição do novo Israel (Mt 19.28). Ver “Os Apóstolos”,  em At 1.26.

 

para estarem com ele. Um sinal que aponta para a singularidade dos “doze” é o tempo que eles passam com o Jesus terreno, um tempo de preparação.

 

pregar. Outra vez (1.14, 17) é a prioridade da missão de pregar juntamente com o exorcismo. O tempo de preparação tem um ênfase marcantemente prática.

 

*          3.18     Tadeu. Marcos e Mateus (10.2-4) listam nomes idênticos para os doze. A lista paralela de Lc 6.12-16 (cf. At 1.13) tinha “Judas” ao invés de “Tadeu”. Uma possível explicação desta diferença é que Tadeu pode ter tido um segundo nome, Judas.

 

zelote. Ver nota em Mt 10.4.

 

*          3.19     Iscariotes. Alguns crêem que Judas era um revolucionário político, porque “Iscariotes” pode ter sido uma derivação do Latim sicarius, “assassinos”. Mais provalvelmente, no entanto, a palavra deve ter uma origem semítica — ish, que significa “homem (de)” e Queriote, uma cidade, em Israel, perto de Hebrom (Js 15.25).

 

*          3.21     parentes de Jesus. Alguns intérpretes identificam estes como a família de Jesus; outros propõem companheiros ou amigos. Contudo, o grupo está possivelmente identificado no v. 31, como “seus irmãos e sua mãe”.

 

Está fora de si. A frase expressa uma atitude de descrença para com Jesus da parte daqueles que, humanamente, estavam mais próximos dele.

 

*          3.22     Belzebu. O termo grego beelzeboul, o deus de Ecrom (2Rs 1.2; Mt 10.25, nota). Os fariseus usam esta palavra como um nome para Satanás, e acusam Jesus de expulsar demônios pelo poder de Satanás.

 

*          3.23-27           parábolas. Ver nota em 4.2. Esta parábola ilustra a declaração de Jesus de que o reino já chegou (Mt 12.28), porque um mais forte do que “o valente” está presente e é capaz de amarrar Satanás e livrar o povo de seus domínios.

 

*          3.29     blasfemar contra o Espírito Santo.  Para várias formas de blasfêmias, ver 2.7; Êx 22.28; Lv 24.10-16; Ez 35.12,13; Jo 10.33-36; At 6.11. A blasfêmia imperdoável especificada aqui é o ato de associar, deliberadamente, o poder e a obra de Jesus — que está cheio do Espírito Santo — com a obra de Satanás. Isto é identificar o bem espiritual supremo com o mal espiritual supremo endurecendo o coração de maneira a tornar o arrependimento — e, portanto, o perdão — impossíveis. Ver nota teológica “O Pecado Imperdoável”, índice.

 

*          3.31 mãe... irmãos. Ver v. 21 e nota. Os estudiosos católicos romanos, para quem a virgindade eterna de Maria é um dogma, sustentam que “irmãos” pode referir-se a relacionamentos mais amplos de família, apontando para Gn 13.8; 14.16; Lv 10.4; 1Cr 23.22. Contudo, em Marcos o termo parece ser sempre usado para significar irmãos de sangue dos mesmos pais. Mt 1.25 indica que Maria e José começaram a ter relações conjugais normais, depois do nascimento de Jesus, acrescentando um sentido adicional à designação de Lucas (2.7), onde Jesus é chamado o “primogênito” de Maria.

 

*          3.35     qualquer que fizer a vontade de Deus. A chegada do reino de Deus muda os relacionamentos humanos. Os que se opõem ao seu progresso — quer sejam mães ou irmãos — devem ser deixados; os que estão no reino se tornam nossos amigos mais íntimos, mais próximos e mais queridos que quaisquer outros.

 

*          4.2       parábolas. Ver Mt 13.3, nota.

 

*          4.3-8    semeador a semear. Na Palestina do primeiro século, o semear precedia o arar. Nos caminhos feitos pelos aldeães e nas áreas espinhosas, as sementes eram enterradas pelo arado. Lugares rochosos, cobertos por uma fina camada de terra, só se tornavam visíveis depois de arados.

 

*          4.9       Quem tem ouvidos. Ver também v. 23; Mt 11.15; 13.9, 43; Lc 8.8; 14.35; Ap 2.7, cf. Sl 115.6. Esta frase é uma chamada para ficar atento.

 

*          4.10 Quando Jesus ficou só. Jesus estava só com os seus discípulos, em particular com os Doze (3.14, nota), dando-lhes instruções especiais. Este aspecto do ministério terreno de Jesus está em todos os Evangelhos.

 

*          4.11     mistério... parábolas. Ver referência lateral. O “mistério” se refere à revelação divina especial (Rm 16.25; Ef 1.9; 3.3, 9), a noção do Antigo Testamento, de que o profeta, pelo Espírito, está presente no conselho deliberativo de Deus. Aquilo que ele ouve torna-se sua mensagem autoritativa, divinamente inspirada para o povo (Ex 24.15-18; Dt 33.2; 1Rs 22.19; Is 6.1-13; Jr 23.18; Am 3.7). Tal revelação se cumpre plenamente no evangelho, que Paulo, mais tarde, chamará o “mistério de Cristo” (Ef 3.4; Cl 4.3) ou “o mistério do evangelho” (Ef 6.19). Aqui, o mistério do reino é que o reino vem com Jesus, porque ele é o Rei. Esse “mistério” revelado aos discípulos é contrastado com “parábolas” contadas “aos de fora”.  Para “os de fora”, a parábola é um enigma (contrastar Jo 16.29), obscurecendo o seu entendimento, como as Escrituras tinham profetizado (v. 12, citando Is 6.9-10). Para “os de fora” Jesus permanece um enigma provocativo, como será através de todo seu ministério.

 

*          4.13     todas as parábolas. Esta explicação a respeito da função das parábolas aplica-se a todas as parábolas. Ver nota em Mt 13.13.

 

*          4.14-20           O “mistério” da parábola não é o seu ensino moral a respeito da dureza dos corações humanos. O “mistério” está no paradoxo que a vinda do reino de Deus deve ser comparada com uma frágil semente. O Filho do homem, que exerce toda autoridade na terra (2.11, 27), aparece como Jesus de Nazaré. A vinda do reino não é igualmente visível a cada um, embora seja um reino de poder. Os que estão fora, têm corações não receptivos. Para aqueles que têm ouvidos para ouvir, a parábola revela o “mistério” da redenção encoberto na pessoa e obra do próprio Cristo (1.34, nota).

 

*          4.19     fascinação da riqueza. Cf. Ef 4.22.

 

*          4.22     nada está oculto... senão para ser revelado. Durante o ministério terreno de Cristo coisas estão encobertas; mas virá o dia, da ressurreição em diante, quando tudo será revelado (Mt 10.26, 27; Lc 12.2-3).

 

*          4.24     Com a medida com que tiverdes medido. A futura disseminação do mistério do reino será recompensada na medida direta da fidelidade da pessoa à esta obra.

 

*          4.25     ao que tem se lhe dará. Este princípio é ilustrado nas parábolas dos talentos (Mt 25.14-30) e das minas (Lc 19.11-27).

 

*          4.30-32. A parábola do grão de mostarda é outra vez relacionada com a presente manifestação do reino, na pessoa de Jesus.

 

*          4.32     aves do céu. Em Dn 4.21, a mesma metáfora se refere ao domínio mundial de Nabucodonosor.

 

*          4.33-34           Ver vs. 10-12.

 

*          4.35     a outra margem. De acordo com 3.7, Jesus está na Galiléia. A “outra margem” do lago é a região dos gadarenos, em Decápolis (5.1, nota).

 

*          4.37     grande temporal. O Mar da Galiléia fica a cerca de 213 metros abaixo do nível do mar, tem cerca de vinte e um quilômetros de comprimento por cerca de treze quilômetros de largura. Na sua extremidade meridional (sul) há um vale profundo cercado por rochas escarpadas. O vento, afunilando-se através de colinas que o cercam e através deste vale, pode açoitar o lago, provocando repentinas e violentas tempestades.

 

*          4.38     dormindo. Jesus tinha estado ensinando o dia todo e, sem dúvida, estava exausto. Marcos assim como João (Jo 4.6; 11.35, 38), dá ênfase à plena humanidade de Jesus.

 

*          4.39     Acalma-te, emudece. Lit., “seja amordaçada”. Jesus tem autoridade sobre a terra para perdoar pecados (2.10), é Senhor do Sábado (2.28), tem autoridade no seu ensino (1.22), sobre os demônios (1.27) e agora demonstra sua autoridade sobre a natureza. O ato de acalmar a tempestade parece-se com o seu poder de exorcizar; há a expressão demoníaca de violência (1.26; 5.4, 13); a ordem para a natureza aquietar-se (1.25, nota) e a calma resultante (5.15). Jesus amarra “o valente” (3.23-27) e corrige com seu poder a criação física.

 

*          5.1       à terra dos gerasenos. Gerasa, ficava a uns quarenta e oito quilômetros a sudeste do lago. Gadara estava cerca de dez quilômetros ao sul do lago (Mt 8.28, nota), e ocorre em outros manuscritos gregos. Há também uma aldeia chamada Kersa, à margem oriental, com a mesma espécie de despenhadeiros e sepulcros descritos na história. Jesus entra em Decápolis, uma associação de dez cidades-estado gregas, antecipando a futura missão da igreja aos gentios. O caráter gentílico da população se torna claro, uma vez que os judeus não criavam porcos, porque a lei mosaica os considerava animais imundos.

 

*          5.2       veio dos sepulcros. Este homem endemoninhado estava afastado do seu contato humano normal, separado de sua aldeia e de sua família (v. 19).

 

*          5.3       nem... alguém podia prendê-lo. Violência e força física incomum, que o levam a uma lenta auto-destruição (v. 5; 9.22), parece freqüentemente caracterizar o endemoninhado (v. 13; 1.26; 9.18, 20, 22,26), porém, ante a força espiritual de Jesus, os demônios se acovardam e fogem.

 

*          5.7       Que tenho eu contigo. Ver 1.24.

 

*          5.9       Qual é o teu nome. Entendia-se que chamar pelo nome era ganhar poder sobre eles. Os demônios já tinham identificado a Jesus (v. 7, cf. 1.24-34), mas, por meio desta pergunta, Jesus revela o seu poder superior.

 

Legião. Jesus força o demônio a se desmascarar. Ele não é apenas um, mas muitos. Uma legião romana compunha-se de seis mil homens.

 

*          5.10     E rogou-lhe. O demônio acovarda-se diante de Jesus, mesmo invocando o nome de Deus como uma forma de proteção (v. 7), e reconhece que Jesus tem poder absoluto sobre ele.

 

*          5.13     Jesus o permitiu. Jesus permite que os demônios entrassem nos porcos que, então, se precipitam despenhadeiro abaixo. Este exorcismo é uma demonstração dramática do poder de Jesus sobre o mal (vs. 14, 16) e da presença do reino em seu ministério (Lc 11.20). Ver “Demônios”, em Dt 32.17.

 

*          5.15     assentado. Em comparação com o seu violento comportamento anterior, e com a recente destruição dos porcos, o homem “sentado e vestido e em seu são juízo” expressa com eloqüência a paz e a restauração vivificante, que provêem do poder de Jesus (4.39; 9.26, 27).

 

*          5.19     Vai para a tua casa. Este homem se torna o primeiro missionário gentio. Jesus, usualmente, exige silêncio (1.34, nota), porém, neste caso ele permite a preparação para futura missão da Igreja a começar. Jesus, posteriormente, ordenará silêncio com relação a outra cura realizada em Decápolis, mas não obtém resultado (7.31-37).

 

*          5.22     principais da sinagoga. Ainda que fosse um leigo, as responsabilidades de um chefe eram social e religiosamente importantes, incluindo não só a conservação do edifício, mas, também, a condução própria do serviço e a escolha das leituras da Torah.

 

*          5.25     uma hemorragia. A condição da mulher era não só fisicamente debilitante, mas também a desqualificava não só para o casamento (Lv 20.18), mas também para a vida religiosa em geral (Lv 15.25-33).

 

*          5.29     logo. Ver 1.10, nota.

 

*          5.30     Quem me tocou nas vestes. Um toque de fé é sentido por Jesus, mesmo no meio de uma multidão numerosa, onde muitos o tenham tocado. A frase “que dele saíra poder” ocorre somente aqui.

 

*          5.32     olhava ao redor. Para uma mulher que tinha sido uma rejeitada social por muitos anos, a cura só se completa quando Jesus a identifica publicamente, elogiando sua fé, declarando a todos que ela está curada (v.34) e purificada.

 

*          5.37     Pedro... Tiago e João. Jesus construiu ao redor dele uma hierarquia de intimidade. Há numerosos discípulos (4.10), dos quais doze são designados apóstolos (3.13-19) e dentre os doze, alguns (Pedro, Tiago e João e, às vezes, André) desfrutam da mais plena intimidade de Jesus, mais notavelmente na Transfiguração (9.2-13) e no Getsêmane (14.32-33).

 

*          5.38     pranteavam. Nas culturas do Oriente Médio, prantear era uma expressão habitual de luto e às vezes apelava-se para pranteadores profissionais.

 

*          5.40     mandando sair a todos. Jesus não está interessado num grande espetáculo de cura. Ao invés disso ele está preocupado com o sofrimento da menina, com a fé dos pais dela e com o objetivo último de sua missão (v. 43).

 

*          5.41     Talitá cumi. O aramaico era a língua popular falada na Palestina. Marcos dá a tradução para outros termos aramaicos (3.17; 7.11, 34; 10.46; 14.36), de modo a tornar sua narrativa mais clara para os que não tinham familiaridade com essa língua.

 

*          5.43     ordenou-lhes expressamente. Ver notas no v. 19 e 1.34.

 

*          6.1       foi para a sua terra. Nazaré, cerca de trinta e dois quilômetros a sudoeste de Cafarnaum e do Mar da Galiléia.

 

seus discípulos. Os Doze (v. 7).

 

*          6.2       sábado. Ainda que fosse o senhor do Sábado (2.28), Jesus observa semanalmente o culto sabático (1.21; 3.1; Lc 4.16-30).

 

se maravilhavam. Ver 1.22; 7.37; 10.26; 11.18.

 

*          6.3       carpinteiro. Poderia também significar “pedreiro”. O trabalho de Jesus, antes de seu ministério, pode explicar o emprego de metáforas sobre construções, especialmente ao descrever seu próprio ministério essencial (14.58, 15.29; Mt 7.24; 16.18; 21.33; Lc 12.18; 17.28). A observação concernente ao trabalho manual, provavelmente, não é depreciativa como tal, pois esperava-se que todos os Rabis tivessem uma ocupação. Paulo fora educado como um Rabi e fazia tendas ou toldos (At 18.3; 22.3; 26.5; Fp 3.5, 6). A acusação é que Jesus (que ensina “sabedoria”, no v. 2), é um operário comum, sem credenciais religiosas ou acadêmicas.

 

filho de Maria. Ver 3.31.

 

*          6.4       na sua casa. Jesus não só é rejeitado pelo povo da cidade e pelo mais amplo círculo de parentes ali, como também por sua própria família (3.31).

 

*          6.7       os doze. Tendo já sido designados para estarem com Jesus (3.14, nota), e tendo já recebido instruções especiais concernentes ao mistério da pessoa e do papel de Cristo (4.10-11, notas), aos Doze agora é permitido compartilhar do ministério e da autoridade de Jesus.

 

enviá-los. O verbo “enviar” tem a mesma raiz do substantivo “apóstolo” e ressalta os laços com Jesus, como representantes pessoais dele (3.14, nota).

 

dois a dois. O princípio bíblico de que o testemunho deveria ser firmado por, pelo menos, duas testemunhas (Nm 35.30; Dt 17.6; 19.15; Mt 18.16; Jo 8.17; 2Co 13.1; 1Tm 5.19; Hb 10.28), foi também aplicado na atividade missionária da igreja primitiva, nos ministérios de Pedro e João (At 3.1; 4.1), de Paulo e Barnabé (At 13.2) e de Paulo e Silas (At 15.40).

 

*          6.8       nem pão. Mt 10.10 dá a razão “porque digno é o trabalhador do seu alimento”.

 

*          6.11     sacudi o pó dos pés. Os judeus rigorosos sacudiam o pó de seus pés depois de atravessarem territórios pagãos. A recusa do evangelho convida à mesma reação.

 

*          6.14     aos ouvidos do rei Herodes. Herodes Antipas, filho de Herodes, o Grande, era tetrarca (governador de um estado dependente) da Galiléia e Peréia.

 

*          6.15     um dos profetas. Especulação a respeito da identidade de Jesus conduzirá às narrativas da multiplicação de pães e peixes (vs. 30-44; 8.1-9) e da caminhada sobre a água (vs. 47-52), que apontam para a divindade pessoal de Jesus. Porém, primeiro Marcos relata as circunstâncias da morte de João Batista, com quem Herodes e outros tinham identificado Jesus.

 

*          6.17     mulher de seu irmão Filipe. Herodias era filha de Aristóbulo, um dos filhos de Herodes, o Grande. Outros filhos de Herodes, o Grande, incluíam Herodes Antipas e Herodes Filipe (filhos de diferentes esposas). Depois de casar-se com seu meio-tio Herodes Filipe, Herodias o deixou para manter uma relação adúltera com o irmão dele, Herodes Antipas. Tal era o comportamento moral licencioso da dinastia de Herodes, contra o qual João Batista pregava (cf. Lv 18.16,20).

 

*          6.31     à parte. Estar sozinhos com Jesus — que então os instruía no mistério do reino (4.10-11) — era parte da preparação deles para o futuro ministério (4.34; 9.2, 28; 13.3, cf. Jo 13.1; 16.29).

 

*          6.34     e compadeceu-se deles. Jesus faz aquilo que Deus prometeu fazer em Ez 34.11,14: “Eis que eu mesmo procurarei as minhas ovelhas e as buscarei... Apascenta-las-ei de bons pastos”. Jesus age como o Pastor do povo de Deus, do mesmo modo que Moisés (Nm 27.15-17; Sl 77.20), como Davi (Sl 78.70-72) e como Deus mesmo (Sl 23.1; 74.1; 78.52,53; 80.1; Ez 34.15).

 

ovelhas que não têm pastor. O antigo Israel, abandonado pelos líderes infiéis, era também descrito deste modo (Jr 50.6; Ez 34.1-10).

 

*          6.40     em grupos de cem em cem, e de cinqüenta em cinqüenta. Este detalhe relembra como Moisés organizava o antigo Israel no deserto (Êx 18.21).

 

*          6.42     Todos comeram e se fartaram. Esta história da multiplicação de pães e peixes recorda a provisão miraculosa do maná no deserto, sob Moisés (Êx 16.1-36, especialmente v. 16). Jesus é o novo Moisés, trazendo o novo concerto.

 

*          6.43     e ainda recolheram. Outra referência à provisão do maná, quando nada era para ser deixado até à manhã do dia seguinte (Êx 16.19).

 

doze  cestos cheios. O número lembra as doze tribos do antigo Israel e sugere o importante papel que os Doze desempenhariam na constituição do Novo Israel (3.14, nota).

 

*          6.44     cinco mil homens. Marcos não usa a palavra grega que significa “seres humanos”, mas um termo que distingue os homens das mulheres, talvez com a idéia de “chefe de família” (Mt 14.21 acrescenta “além de mulheres e crianças”). A multidão pode ter sido de quinze a vinte mil pessoas.

 

*          6.48     quarta vigília. Uma vez que os romanos dividiam a noite em quatro períodos, a quarta vigília seria das três da madrugada até à aurora.

 

*          6.49     um fantasma. A palavra grega traduzida aqui por “fantasma” é usada no Novo Testamento só aqui e em Mt 14.26. Tem a conotação de imaginação supersticiosa.

 

*          6.50     Sou eu. A frase grega (lit., “eu sou”) é igual ao termo da Septuaginta (tradução grega do Antigo Testamento), que traduz o nome divino “Eu sou” revelado a Moisés (Ex 3.14; Dt 32.39; Is 41.4; 43.10, 13, 25; 45.18; 52.6; Os 13.4; Jl 2.27). Esta narrativa tem todas as marcas comuns das teofanias bíblicas (vários modos da visível auto-revelação divina), incluindo o pavor humano, a identificação divina e as palavras de confiança.

 

*          6.53     Genesaré. Uma aldeia à margem ocidental do Mar da Galiléia (Lc 5.1).

 

*          6.56     sua veste. Ver nota em 5.30.

 

*          7.1       fariseus. Ver nota em 2.16.

 

escribas. Eram mestres da lei, a maioria deles era constituída de fariseus.

 

*          7.2       impuras. Os discípulos não tinham se lavado conforme mandava a “Tradição dos Anciãos” (vs. 3,4) e, por isso, foram considerados cerimonialmente impuros. Jesus crítica estas expansões tradicionais da lei cerimonial elaboradas pelos escribas e fariseus, porque eles estenderam suas tradições a ponto de permitir a própria transgressão da lei moral (vs. 9-13). A cruz de Jesus levará, finalmente, ao fim da lei cerimonial.

 

*          7.3       tradição dos anciãos. Os fariseus acreditavam que, além das palavras escritas da lei, Moisés recebeu instruções para a sua interpretação e aplicação. Esta lei oral era transmitida pela palavra falada de mestre para mestre. Ao argumentar com eles, Jesus apela consistentemente para as Escrituras, procurando sempre voltar ao seu verdadeiro sentido (vs. 6-8).

 

lavar. Por suas tradições os fariseus estenderam as injunções bíblicas da purificação sacerdotal, no momento do sacrifício no templo (Êx 30.19; 40.12), ao comer do pão por todos os judeus.

 

*          7.5       Por que não andam os teus discípulos. Os fariseus e os escribas não estão genuinamente interessados na prática da refeição dos discípulos de Jesus, mas na razão por que Jesus, como Mestre deles, não exige que eles observem “a tradição dos anciãos”, de modo geral.

 

*          7.6       Isaías. O objetivo de Jesus é trazer o povo de volta à conformidade com as Escrituras.

 

*          7.8       Negligenciando o mandamento de Deus. O verbo “negligenciar” pode significar também “cancelar” ou, “abandonar”. Jesus não é um antinomiano. Como o salmista, ele se consumia por desejar incessantemente a lei de Deus (Sl 119.20), que ele cumpre, protege (Mt 5.17-20) e defende. Ele não é nem mesmo contra a tradição, mas é contra aquilo que nela anula as Escrituras.

 

*          7.11     Corbã. Uma palavra hebraica e aramaica (que Marcos traduz para os leitores gentios), e que significa alguma coisa dedicada a um propósito religioso. Por um simples voto, para reservar suas posses como dádiva para Deus, uma pessoa poderia fugir à responsabilidade de sustentar seus pais.

 

*          7.20     O que sai do homem. Jesus está fazendo uma generalização a respeito do modo constante e natural pelo qual se expressa a natureza humana decaída, e sua lista de vícios (vs. 21-22) visa trazer ao homem auto-conhecimento da sua própria imundície interior (cf. Rm 1.24-32; 2.17-24).

 

contamina. Jesus vai à essência do problema — a imundície do coração, da qual a impureza cerimonial é realmente um símbolo.

 

*          7.24     Tiro. Jesus se dirige ao norte, a uma região marcadamente gentílica (cf. Mt 11.21-22), à vizinhança de Tiro, uma antiga cidade portuária da Fenícia (no Líbano moderno).

 

*          7.26     grega. Ela era de origem siro-fenícia, mas falava grego.

 

*          7.27     primeiro. Mesmo em território gentílico, Jesus mantém a prioridade temporal de Israel (“os filhos”) no plano divino da salvação, como Paulo fará posteriormente (Rm 1.16; 2.10; cf. At 1.8; 13.46-47).

 

cachorrinhos. O termo, certamente, é pejorativo (Mt 7.6; Fp 3.2; Ap 22.15) ainda que a palavra grega inclua a nuance de “filhotes de cães” de estimação. Deve ser visto como exemplo da vívida figura do convívio à mesa dada por Jesus, para explicar o plano da salvação, especialmente para dizer que “a salvação vem dos judeus” (Jo 4.22). A mulher entende isto deste modo, como indica a sua resposta.

 

*          7.31     Decápolis. Ver nota em 5.1. Jesus permanece em território gentílico, indo primeiro ao norte, para Sidom e, depois, ao sudeste para Decápolis.

 

*          7.33     pôs-lhe os dedos nos ouvidos. Estas atitudes físicas acompanham o milagre da cura, mas não são a causa dela.

 

*          7.34     Efatá. Uma palavra aramaica que Marcos traduz para os leitores de língua grega.

 

*          7.35     e falava desembaraçadamente. Para uma pessoa surda, o expressar-se claramente em linguagem falada só pode ser aprendido, normalmente, depois de um período de tempo.

 

*          7.36     que a ninguém o dissessem. Com relação à ordem de sigilo dada por Jesus, ver notas em 1.34 e 5.19.

 

*          8.1-10             Uma segunda multiplicação miraculosa de pães. Jesus depois indica o profundo significado teológico desses dois milagres (8.18-21).

 

*          8.2       Tenho compaixão. Posto que esta multiplicação aconteceu provavelmente em Decápolis (7.31), é evidente que Jesus estende sua compaixão das ovelhas perdidas da casa de Israel (6.34) aos gentios, quando cura a filha da mulher siro-fenícia (7.24-30) e quando realiza seu ministério em território gentio (7.31-37). Por suas ações Jesus anuncia a futura missão mundial da igreja.

 

*          8.4       neste deserto. Ver nota em 1.4. A pergunta dos discípulos, diante do que Jesus já tinha feito anteriormente — em circunstâncias semelhantes — justifica a repreensão dada por Jesus nos vs. 17-18.

 

*          8.10     Dalmanuta. Presumivelmente à margem ocidental do Mar da Galiléia, embora sua localização exata não seja conhecida.

 

*          8.11     fariseus. Ver nota em 2.16.

 

sinal do céu. Jesus não realiza sinais a pedido, especialmente àqueles que estão “tentando-o” (cf. 1.13; Mt 4.1-11). Os fariseus queriam um sinal para confirmar que Jesus era um Messias político, como eles estavam esperando (v. 15, nota).

 

*          8.14     senão um só. Este detalhe da narrativa liga esta passagem aos dois milagres das multiplicações de pães.

 

*          8.15     fermento dos fariseus... de Herodes. Jesus emprega o assunto cotidiano do pão, como uma metáfora (Lc 12.1, nota). Aquilo que parece um pedido inocente e legítimo de um sinal (quanto ao desejo de Herodes por milagres ver Lc 23.8), é, na verdade, uma rejeição do seu ministério e de todos os seus sinais anteriores. Jesus está advertindo seus discípulos contra concepções superficiais de seu papel, e os está preparando para o seu ensino com relação ao verdadeiro sentido de sua vinda e de sua cruz (vs. 27, 31). Tal ensino permaneceu incompreensível para muitos judeus (1Co 1.22, 23).

 

*          8.17     o não terdes pão. Os pensamentos dos discípulos são ainda dominados por preocupações de ordem material, preocupações que os deixam cegos para a verdadeira vocação de seu Mestre e abertos para serem tentados pelo “fermento”  dos fariseus.

 

*          8.21     Não compreendeis ainda. Aqui, o papel de Jesus no ensino e no treinamento dos Doze está implícito na narrativa (3.14, nota). Sua pergunta a eles é uma censura por deixarem de perceber que o Senhor — que providenciou alimento miraculosamente para cinco mil e para quatro mil homens e suas famílias — é capaz de cuidar das necessidades físicas de doze pessoas. Na verdade, eles deviam saber que Jesus é digno de sua fé total, em tudo aquilo que lhes revelará nos dias futuros.

 

*          8.22     Betsaida. Uma cidade pesqueira à margem norte do Mar da Galiléia e terra natal de Filipe, André e Pedro.

 

*          8.23     saliva aos olhos. Ver nota em 7.33.

 

*          8.24     como árvores... andando. A restauração da visão, neste caso, é gradual.

 

*          8.26     Não entres na aldeia. Jesus tinha levado o cego para fora da cidade (v. 23), assim é plausível que a mensagem deste milagre fosse dirigida a Seus discípulos. Eles devem entender que Jesus está curando gradualmente sua cegueira espiritual. Enquanto no v. 21, eles ainda não tinham entendido quem é Jesus, eles também, como o homem cego (v. 25), estão quase para ver “claramente” o mistério de sua pessoa (vs. 27-30).

 

*          8.27     Cesaréia de Filipe. Uma cidade ao sopé do monte Hermon e próxima da nascente do rio Jordão. Herodes, o Grande, construiu ali um templo de mármore a Cesar Augusto e seu filho Filipe mudou o nome da cidade de Paneas para Cesaréia. Para distingui-la de outra Cesaréia — o bem conhecido porto mediterrâneo — ela foi conhecida como Cesaréia de Filipe.

 

*          8.29     Mas vós, quem dizeis que eu sou. Outra vez é enfatizada a preeminência dos Doze, na revelação da pessoa de Jesus (v. 21; 3.14). Jesus desconsidera aquilo que o povo diz (v. 27), mas retém como verdade divinamente revelada a confissão dos Doze (Mt 16.16, 17 e notas).

 

Tu és o Cristo. Lit. “o Ungido” (1Sm 2.10; Mt 1.1 e notas). Esta é a primeira vez, na narrativa de Marcos, que o nome “Cristo” aparece (aparece também no título do seu Evangelho, 1.1). A confissão de Pedro (como aquele que fala pelos Doze) junto com a Transfiguração que se segue (9.2-13) são o ponto alto na revelação da pessoa de Jesus e uma reviravolta no seu ministério terreno. De agora em diante, o seu ensino se concentrará sobre sua morte iminente, e ele logo começará sua viagem para Jerusalém.

 

*          8.30     a ninguém dissessem. Ver notas em 1.34; 5.19, cf. 9.9. Estranhamente, neste ponto alto da revelação vem a ordem para conservá-la em sigilo. Mas, olhando para trás, a razão fica clara. Jesus não permite que noções políticas de sua obra Messiânica comprometam sua verdadeira vocação de Messias Sofredor, cuja obra essencialmente moral e espiritual da redenção será total.

 

*          8.31—10.52. Esta seção conta minuciosamente a convergência do ministério terreno de Jesus em direção ao seu clímax (8.29, nota). Contém três predições da morte e ressurreição de Jesus (8.31; 9.31; 10.33-34); relata o começo de sua viagem a Jerusalém e dá ensino substancial sobre a verdadeira messianidade e discipulado.

 

*          8.31     necessário. Por trás desta palavra está todo o peso das profecias bíblicas e da necessidade divinamente ordenada (9.31; Lc 22.37; 24.7, 26, 44). As predições de Jesus concernentes à sua morte e ressurreição procedem de seu modo de entender as Escrituras do Antigo Testamento.

 

Filho do homem. Ver nota em 2.10.

 

sofresse muitas coisas. A predição do Messias Sofredor vem particularmente de Is 52.13—53.12. Ver também Zc 9.9; 12.10; 13.7; e todo o Antigo Testamento sobre o tema geral do justo sofredor.

 

anciãos. Membros leigos do Sinédrio, a corte que governava os negócios judeus. A corte era composta dos anciãos, principais sacerdotes e mestres da lei (os escribas).

 

principais sacerdotes. Jesus prediz que as ricas famílias do sumo sacerdócio, que eram aliadas dos saduceus, se envolverão na sua morte.

 

depois de três dias. Ver Os 6.2. Esta é também expressão convencional de um curto período.

 

ressuscitasse. Ver Is 52.13; 53.10; cf. Sl 110.1; Dn 13.14.

 

*          8.32     expunha claramente. Em contraste com o seu ensino público através das parábolas (4.10-11), os Doze recebem privativamente plena instrução (cf. Jo 16.25, 29). O claro ensino particular de Jesus se tornará a base da pregação pública de seus discípulos, depois da Páscoa (At 2.29; 4.13, 29, 31; 28.31).

 

Pedro... começou a reprová-lo. Quando o próprio Pedro, líder entre os Doze, falha em aceitar que o Messias precisa sofrer, pode-se apreciar a sabedoria do segredo de Jesus com relação ao seu ofício messiânico. Note-se a observação de Paulo que, para muitos, “a palavra da cruz é loucura” (1Co 1.18, cf. Gl 3.13).

 

*          8.33     Arreda, Satanás. Satanás agora está operando até mesmo entre os próprios discípulos de Jesus, não somente em Judas, mas também em Pedro, cuja intervenção teria anulado o plano da redenção e realizado o objetivo de Satanás.

 

*          8.34     tome a sua cruz.  Prisioneiros condenados eram geralmente obrigados a carregar o madeiro de sua cruz até o lugar de execução (cf. 15.21).

 

*          8.37     em troca de sua alma. A mesma palavra grega é traduzida aqui por “alma” e, no v. 35, por “vida”.  Nenhum valor monetário ou material pode ser pago por isto (Sl 49.7-9, ao qual Jesus talvez se refira).

 

*          8.38     na glória de seu Pai. Ainda que no presente tempo de humilhação o “Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça” (Mt 8.20), um dia ele será revelado com esplendor divino como o Filho de Deus (12.6-11; 14.62, cf. Dn 7.13).

 

*          9.1       com poder o reino de Deus. Ver referência lateral. A vinda do reino “com poder” parecia estar associada com a ressurreição de Jesus, desde que será testemunhada por alguns “dos que aqui se encontram” e é também descrita como uma “vinda com poder” (Rm 1.4). A transfiguração, que se segue a esta expressão, é um cumprimento intermediário e imediato das palavras de Jesus, uma vez que antecipa a manifestação do poder da ressurreição e da glória divina. Ver nota em Mt 16.28.

 

*          9.2       Seis dias depois. Em Êx 24.16, “seis dias” é também o período de preparação para receber a revelação e testemunhar uma visão da glória divina (uma teofania; 6.50, nota).

 

Pedro, Tiago e João. Estes três podem representar os Doze, exatamente como Pedro sozinho pode (8.29; Mt 16.18; At 2.14).

 

a um alto monte. Ambos Moisés (no Sinai, Êx 24) e Elias (em Horebe, 1Rs 19), foi dada a visão da presença teofânica de Deus no alto da montanha.

 

transfigurado. Lit., “mudou de forma”. Este verbo grego é usado por Paulo para descrever a presente obra do Espírito na vida interior do crente (Rm 12.2; 2Co 3.18). Aquela obra será completada quando este mesmo Espírito der “vida a vossos corpos mortais”, como quando ele ressuscitou Jesus dentre os mortos (Rm 8.11), e como aqui, na momentânea glorificação de Jesus. Ver nota teológica “A Transfiguração de Jesus”, índice.

 

*          9.4       Elias com Moisés. A transfiguração liga a antiga Aliança à nova, ligando diretamente Moisés e Elias, representantes da Lei e dos Profetas, com Jesus e seus apóstolos, mensageiros da completa redenção.

 

*          9.5       façamos três tendas. Pedro, talvez, deseje capturar e prolongar a glória, de modo a evitar o sofrimento do qual Jesus já tinha falado (8.31-33).

 

*          9.7       Este é o meu Filho amado. A declaração celestial é um ponto alto da divina revelação concernente à identidade de Jesus. Exatamente como Deus tinha se revelado na teofania do Sinai, como “o SENHOR Deus compassivo, clemente e longânimo e grande em misericórdia e fidelidade” (Êx 34.6), assim, agora, ele se revela como quem  fala através do seu amado Filho (Jo 1.17; 3.16; Hb 1.2).

 

a ele ouvi. Esta frase representa uma repreensão a Pedro bem como uma declaração concernente à autoridade do Filho, como revelador e profeta da nova aliança. Estas palavras ecoam Dt 18.15, e identificam Jesus, como o grande profeta semelhante a Moisés.

 

*          9.9       ordenou-lhes... que não divulgassem. Ver nota em 1.34 e 8.30.

 

até ao dia em que o Filho do homem ressuscitasse dentre os mortos. O testemunho público e aberto à glória de Jesus é para ser reservado para depois da plena realização da redenção.

 

*          9.10     que seria o ressuscitar dentre os mortos. A confusão dos discípulos surge da expectação judaica, de uma ressurreição geral, nos últimos dias, mas não de uma ressurreição individual, no meio da história.

 

*          9.12     Elias, vindo primeiro. Ainda que João Batista não seja Elias pessoalmente ressuscitado dentre os mortos (6.14-16, cf. Jo 1.21), Jesus ensina que Elias foi, em verdade, o tipo no Antigo Testamento que prefigurava o ministério de João Batista (cf. Lc 1.17).

 

*          9.13     e fizeram com ele. Exatamente como Elias sofreu nas mãos de Acabe e Jezabel (1Rs 19.1-10), assim João Batista sofreria nas mãos de Herodes e Herodias (6.18, nota). Se João, que restaurou todas as coisas por chamar o povo ao arrependimento e à piedade foi posto à morte, deveria ser surpresa (v.12) se o Filho do homem sofresse a mesma sorte?

 

*          9.17     possesso de um espírito mudo. A possessão demoníaca é claramente distinta de uma doença comum (7.31-37), ainda que em ambos os casos a pessoa não possa falar. Compare 1.24, 25; 5.2-15.

 

*          9.19     Ó geração incrédula. A impaciência de Jesus com a falta de fé dos discípulos e a frustração com a cena geral de descrença e incapacidade, quando ele retorna do monte da Transfiguração, é uma reminiscência da descida de Moisés do Monte Sinai, ao encontrar descrença e infidelidade no arraial dos israelitas (Êx 32).

 

*          9.25     a multidão concorria. A situação é ainda volátil. O cego entusiasmo da multidão coloca Jesus num dilema: quer ministrar compassivamente ao sofrimento do povo, sem comprometer o plano global da redenção.

 

eu te ordeno. O poder espiritual de Jesus leva o demônio a gritar (v. 26). Ver “Demônios”, em Dt 32.17.

 

*          9.28     em particular. Ver nota em 8.32.

 

*          9.31     ensinava os seus discípulos. Freqüentemente, Jesus dá prioridade ao treino dos Doze. Jesus repete, visando dar ênfase e por causa da lição ainda não aprendida, aquilo que ele tinha ensinado anteriormente em 8.31.

 

*          9.33     em casa. Ver nota em 2.1.

 

*          9.34     qual era o maior. Dada a importância de honra naquela sociedade, uma tal preocupação desempenhava um significativo papel na mente do povo (cf. 10.35-45). Jesus está introduzindo uma revolução neste modo de pensar, sem destruir a noção de hierarquia funcional. Ver nota em 5.37.

 

*          9.35     chamou os doze. Outra vez, os Doze são chamados à parte (3.14), e a posição de liderança deles é explicitamente reconhecida.

 

Se alguém quer ser o primeiro. Jesus não está atacando a posição de liderança, mas está mostrando o modo de essa liderança ser exercida (isto é, como “último e servo de todos”). Este princípio é exemplificado pelo próprio Jesus, que “não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (10.45). A maneira abnegada de Jesus cumprir o seu papel Messiânico, que é o primeiro e mais importante no reino, oferece o padrão para seus discípulos em todos aqueles papéis secundários, que eles podem desempenhar no reino de Deus.

 

*          9.36     uma criança. Lit. “infante”. A dignidade concedida por Deus a todo ser humano é exemplificada pela criança. Este mais fraco dos seres humanos deve ser servido do mesmo modo, como são servidos os maiores (9.35, nota).

 

*          9.38     o qual não nos segue. Esta frase não nega que o homem fosse um seguidor de Jesus; ele estava expulsando demônios em nome de Jesus. Provavelmente, a frase signifique que esse homem não reconhecia a autoridade dos Doze. Sem tirar a prerrogativa dos Doze, porém, e percebendo o orgulho e exclusivismo deles (9.35, nota; 10.35-45), Jesus se recusa a condenar aquele de quem os discípulos estão falando. Ao invés disso, ele ensina que o apoio e a comunhão de todos os que defendem sua causa devem ser gratamente reconhecidos.

 

*          9.41     que vos der... em meu nome. Todos os atos de misericórdia, de cuidado e de cura feitos em nome de Jesus (isto é, com o entendimento, ação e propósito de servi-lo) são eternamente reconhecidos como evidência de verdadeiro discipulado.

 

*          9.42     quem fizer tropeçar. “Pequeninos” pode referir-se às crianças (v. 36) ou aos crentes considerados insignificantes (v. 39). Comprometer a fé daqueles de pequena importância para o mundo, por exemplo, através do uso egoísta e inconsiderado de poder (v. 35, nota), exige a mais severa punição (v. 43).

 

*          9.43     corta-a. Esta admoestação deve ser entendida como uma espécie de exagero empregado na linguagem para atingir a um objetivo (cf. vs. 45-47). Jesus está falando das difíceis renúncias de hábitos pecaminosos. Ver nota teológica “Inferno”, índice .

 

*          9.44-46. Ver referência lateral. Os versículos 44 e 46 não aparecem em alguns dos mais antigos manuscritos, mas a frase é encontrada também no v. 48.

 

*          9.49     salgado com fogo. O sal é associado com o sacrifício em Lv 2.13; Ez 43.24. O dito pode significar que, por contraste com o fogo da destruição — de que acabara de falar — os crentes perseverarão através do fogo e serão purificados por ele.

 

*          9.50     Tende sal em vós mesmos. A figura do sal descreve o verdadeiro discipulado. O sal tem a função de preservar. Jesus está falando aos seus discípulos para usar a humildade e o serviço para preservar a paz da igreja, ao invés de dividi-la pelo desejo de ser grande (v. 34).

 

*          10.1     território da Judéia. A província romana da Judéia incluía a maior parte da Palestina Central, e tinha Jerusalém como seu centro. Nesta viagem para a Judéia começa o processo que levará Jesus à sua morte (Lc 9.51).

 

*          10.2     é lícito... repudiar sua mulher. A pergunta é vaga porque Dt 24.1-4 já indica que a resposta depende das circunstâncias. Talvez, os fariseus quisessem levar Jesus a um debate a respeito de Herodes Antipas e sua mulher ilegítima (6.17, nota).

 

*          10.6     desde o princípio. Como de costume, Jesus não argumenta com base na “tradição” (7.3-12, notas), mas busca a intenção das Escrituras e suas reais exigências (ver Mt 5.20-22; 27, 28, 31, 32). Tratando do casamento, Jesus mostra que, no tempo da nova aliança — e a despeito da presença contínua do pecado — as condições de vida anteriores à queda serão novamente realizadas de um modo apropriado (Ver Ef 5.22-33).

 

*          10.8     uma só carne. A ordem da criação deve ser mantida. O casamento monogâmico deve ser aceito e estimado.

 

*          10.11   Quem repudiar. Este é um mandamento básico a respeito da inviolabilidade do casamento. Contudo, Jesus especifica uma só base válida para o divórcio — a infidelidade conjugal (Mt 5.32; 19.9). Paulo parece acrescentar outra razão (1Co 7.12-16).

 

*          10.13   crianças. Lit. “infantes” (9.36, nota). Eram pequenas o suficiente para serem trazidas por seus pais e serem tomadas nos braços por Jesus.

 

*          10.14   não os embaraceis. Jesus está expressando a noção típica de solidariedade da aliança do Antigo Testamento. Estas crianças pertencem ao reino, inicialmente por causa da fé que seus pais possuem, ainda que devam exercer sua fé pessoalmente, tão logo tenham condições. As crianças servem de modelo aos verdadeiros crentes, que sabem que nada têm para trazer e tudo para receber (v. 15).

 

*          10.16   as abençoava. Receber a bênção de Deus significa ser chamado pelo nome de Deus (Gn 48.16; Nm 6.22-27) e ser incluído nas bênçãos da aliança (Gn 22.16-18; Dt 7.13).

 

*          10.17   um homem. Este homem tinha grandes riquezas (v. 22); era um homem de posição (Lc 18.18) e era jovem (Mt 19.22). Ele tinha tudo, mas faltava-lhe a coisa mais importante — a vida eterna.

 

que farei para herdar. Os dois verbos “fazer” e “herdar”, colocados juntos, como a lista de realizações morais e o modo de o jovem entender o que é bom (v. 18, nota) revela o ponto de vista religioso baseado nas obras de justiça.

 

*          10.18   Por que me chamas bom. A resposta de Jesus não significa que ele não se considerasse bom. Seu desejo é mostrar ao homem que “ninguém é bom senão um, que é Deus”, de modo que o homem possa perceber que todas as suas obras não podem fazê-lo bom, e que ele não é capaz de merecer a vida eterna.

 

*          10.21   uma coisa te falta. O amor desse jovem pelas riquezas (v. 22) e a recusa dele em distribui-las e seguir a Jesus, mostram que ele quebrou o maior mandamento de todos: “Amarás, pois, o SENHOR, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força” (Dt 6.5, cf. Mt 22.37). Faltando-lhe a total justiça que Deus exige, ele permanece condenado.

 

*          10.23   Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas. A dificuldade não é porque as riquezas sejam um mal em si mesmas e desqualifiquem aqueles que as possuem, mas é porque os ricos são tentados a depender de suas riquezas e podem ser incapazes de admitir que necessitam de Deus.

 

*          10.25   camelo... fundo de uma agulha. Um excelente exemplo da linguagem proverbial e vívida de Jesus, aqui expressando a idéia de impossibilidade (v. 27). A sugestão de que havia um pequeno portão chamado de “fundo da agulha”, através do qual os camelos podiam passar sem carga, não tem apoio e trivializa a figura usada por Jesus.

 

*          10.26   Então, quem pode ser salvo. Os discípulos entenderam o significado do que Jesus disse. Ninguém pode ser salvo por boas obras.

 

*          10.27   Para os homens é impossível. A salvação vem do Senhor através da soberana iniciativa divina (Sl 3.8; 68.19-20), e não por esforço humano.

 

*          10.28   nós tudo deixamos. Enquanto a salvação não pode ser merecida, ela impõe esta radical condição.

 

*          10.30   o cêntuplo. A frase “já no presente”, com sua contrapartida “e, no mundo porvir”, reflete o ensino dos rabinos a respeito de duas ordens de realidade: a presente era má e a futura era do Messias. A ressurreição de Jesus alterou significativamente esse conceito. No período entre a ressurreição de Jesus e a de todos os crentes, as duas eras existem lado a lado. A velha era está passando e a nova era está presente, mas não em sua plenitude. Daí pode haver tanto o “cêntuplo” de bênçãos quanto as perseguições.

 

*          10.33   o Filho do homem será entregue. Ver nota em 8.31.

 

gentios. O novo elemento nesta terceira predição da Paixão é a menção dos gentios (isto é, os romanos). Os açoites e as zombarias que ele predisse são detalhes de sua morte profetizada nas Escrituras (Sl 22), e eram práticas romanas normais.

 

*          10.35   Tiago e João. Ver 1.19 e 3.17. Em Mt 20.20, é a mãe deles que faz o pedido; assim, aparentemente, toda a família estava envolvida.

 

*          10.37   nos assentemos... à tua direita. O ensino de Jesus sobre grandeza (9.34-35 e notas), ainda tinha de mudar essas atitudes deles.

 

*          10.38   beber o cálice. Um símbolo do Antigo Testamento para expressar sofrimento e ira (Sl 75.8; Is 51.17-22; Jr 25.15; Ez 23.31-34).

 

batismo. Aqui a palavra é uma metáfora para a experiência de ameaça de morte e julgamento, com a esperança de livramento definitivo (Rm 6.3-7; 1Co 10.2; Cl 2.11-13).

 

*          10.40   não me compete concedê-lo. Jesus reconhece áreas onde só o Pai tem autoridade (13.32). A concessão de tais lugares é decidida de acordo com o princípio que Jesus estabeleceu concernente a serviço (9.35).

 

*          10.41   indignaram-se. Talvez os outros se indignaram não pelo fato de João e Tiago terem falhado em pôr em prática o ensino de Jesus (9.35, nota), mas porque queriam os mesmos lugares de proeminência. Jesus deseja eliminar — nos Doze e, por extensão, em todos os seus discípulos — uma tal noção de poder e autoridade.

 

*          10.45   o próprio Filho do homem não veio para ser servido. O que, finalmente, quebrou os corações de pedra dos discípulos de Jesus é o exemplo que ele mesmo dá. Jesus, o Filho do homem, que herdará “domínio, e glória e o reino” (Dn 7.14), veio como um servo, cumprindo a profecia de Is 52.13—53.12.

 

resgate. O preço pago para livrar da sentença o culpado (Êx 21.30), ou os devedores de sua dívida (Êx 30.12, cf. Is 53.10).

 

muitos. Ver Is 53.12. Nos escritos do Qunran (Rolos do Mar Morto) este é um termo para todos os membros da comunidade.

 

*          10.46   Jericó. Cerca de vinte e quatro quilômetros a nordeste de Jerusalém e aproximadamente duzentos e quarenta metros abaixo do nível do mar. Ver nota em Lc 18.35.

 

filho de Timeu. A tradução da palavra “Bartimeu” mostra que Marcos está escrevendo para leitores que não tinham familiaridade com as línguas semíticas (5.31, nota).

 

*          10.47   Filho de Davi. Um título messiânico popular (11.10; 12.35) tirado do Antigo Testamento (Is 11.1-3; Jr 23.5,6; Ez 34.23-24).

 

*          10.49   Chamai-o. Uma das características do ministério público de Jesus é o tempo que ele dedica aos indivíduos que sofrem, no meio das multidões (5.30-34).

 

*          10.51   Mestre. Em aramaico “Rabboni” (ver referência lateral; uma forma aumentada de “Rabi”, título comum para designar um mestre) ressalta o reconhecimento e a submissão à autoridade de Jesus.

 

*          11.1     Quando se aproximaram de Jerusalém. A viagem (10.1, nota) atinge seu destino e começa a chamada Semana da Paixão. A decisão de Jesus de subir a Jerusalém é claramente determinada pelo seu entendimento do Antigo Testamento e suas profecias referentes à sua própria morte (8.31, nota).

 

Betfagé. Palavra hebraica que significa “casa de figos verdes”, é uma pequena aldeia a leste de Jerusalém.

 

Betânia. No hebraico significa “casa de tristeza”, fica a cerca de três ou cinco quilômetros a leste de Jerusalém.

 

monte das Oliveiras. A leste de Jerusalém, cerca de sessenta metros acima da colina do templo, e de onde se tem uma visão espetacular de Jerusalém e, especialmente, do templo. Nos tempos de Jesus, esse monte era coberto de oliveiras. Porém, os romanos — durante o cerco de Jerusalém, no ano 70 d.C. — destruíram essas árvores.

 

*          11.2     achareis. Esse texto dá testemunho do conhecimento sobrenatural de Jesus (cf. Jo 1.48-50).

 

jumentinho. Uma cria de jumenta (Mt 21.2; Jo 12.15). O Antigo Testamento profetizou as ações de Jesus (Zc 9.9) que, neste caso, o identificam claramente com o Messias. Zacarias profetizou a vinda de um rei justo e humilde, trazendo salvação.

 

*          11.8     suas vestes no caminho. Um reconhecimento da dignidade real de Jesus.

 

ramos. Ver Sl 118.27. Este Salmo celebra a procissão do Messias Real.

 

*          11.9     Hosana. Um transliteração grega das palavras aramaicas “Oh! Salva-nos... SENHOR” (Sl 118.25). A multidão está gritando frases deste salmo.

 

*          11.11   saiu para Betânia. Em Mt 21.12-22, Jesus realiza a purificação do templo logo na sua chegada (a Jerusalém) e amaldiçoa a figueira no dia seguinte. Conforme Marcos, Jesus retorna a Betânia à noite e, na manhã do dia seguinte, amaldiçoa a figueira e, então, purifica o templo. Provavelmente, Mateus trata do assunto tematicamente (nenhuma referência ao tempo, para a purificação do templo é especificada em Mt 21.12), enquanto Marcos, que coloca histórias dentro de histórias (5.21-43; 6.7-30), trata do assunto cronologicamente.

 

*          11.13   não era tempo de figos. Ver nota em Mt 21.18-20.

 

*          11.14   Nunca jamais coma alguém fruto de ti. Jesus amaldiçoa esta árvore por causa de sua aparência enganosa, não tendo fruto, exatamente do mesmo modo como ele julgará o templo (vs. 15-17) e predirá sua destruição (13.2). Isto indicaria que a reconstrução do templo, em Jerusalém, não seria mais um alvo da História da Redenção. Jeremias usou os figos como um símbolo do juízo sobre Jerusalém (Jr 24).

 

*          11.15   templo. Isto é, o átrio dos gentios, o átrio mais afastado no complexo das estruturas que cercam o templo propriamente dito. Era a única área em que se permitia a presença dos gentios (cf. v. 17).

 

passou a expulsar. Jo 2.12-22 descreve a purificação do templo como tendo ocorrido no começo do ministério de Jesus, enquanto os três Sinóticos registram uma tendo ocorrido no fim. É provável que Jesus tenha purificado o templo duas vezes. A narrativa de João é cuidadosamente datada (Jo 2.20; Mr 1.9, nota) e as narrativas não são de modo algum idênticas. Em João, Jesus vem com os seus discípulos e suas ações trazem à memória deles o Sl 69.9. Na narrativa dos Sinóticos, Jesus vem em glória messiânica triunfal e justifica suas ações citando Is 56.7 e Jr 7.11. Jesus, sem dúvida, está ciente de que Jeremias amaldiçoou o templo duas vezes (Jr 7.1-14 e 26.2-6).

 

cambistas. Este serviço era necessário porque os impostos e as ofertas do templo tinham de ser pagas em moeda corrente, mas essa prática tinha se tornado tão corrupta, que Jesus a descreveu como “covil de salteadores” (v. 17; Lc 19.45-46, nota). Jesus está também julgando as famílias sumo sacerdotais dos saduceus, que não se harmonizavam com o caráter do Pai, de quem era a casa (cf. 12.18-27).

 

*          11.16   Não permitia que alguém conduzisse. Não somente o átrio tinha se tornado um mercado, mas estava também sendo usado como atalho pelos mercadores de toda espécie. Marcos vê, no gesto de Jesus, a defesa dos direitos dos gentios e, talvez, uma indicação da futura missão aos gentios.

 

*          11.18   principais sacerdotes e escribas. Jesus agiu sob os olhares daqueles que sabia que iriam matá-lo (8.31).

 

se maravilhava de sua doutrina. Ver nota em 1.22.

 

*          11.20   secara desde a raiz. Esta frase indica a completa destruição da figueira (v. 14, nota).

 

*          11.25   alguma coisa contra alguém. Ver Mt 5.23-24.

 

*          11.26   Este versículo não existe em alguns dos mais antigos manuscritos (Ver referência lateral). Um dito semelhante é encontrado em Mt 6.14-15).

 

*          11.27   principais sacerdotes. Ver nota em 11.18.

 

*          11.28   Com que autoridade. As “autoridades” de Jerusalém procuram expor Jesus como um arrogante, sem nenhum status oficial para agir dentro do templo.

 

*          11.30   era do céu. A resposta de Jesus silencia os teólogos profissionais detentores do poder, cortando pela raiz a pretensão de uma tal autoridade “oficial” absoluta. A autoridade profética, por definição, não pode ter uma fonte humana (Gl 1.11-12). Ela é atestada por Deus e exige submissão. Com a resposta de Jesus constata-se uma última pergunta implícita: “Reconheceis e vos submeteis à minha autoridade?”

 

*          12.1     lhes.  Este pronome, aparentemente, se refere aos principais sacerdotes e escribas, uma vez que concorda com a terceira pessoa do plural (“eles”), no v. 12 (os que buscavam um meio de prendê-lo). Esta parábola era também uma provocação (11.18, nota).

 

parábola. Ver notas em 4.2, 11. Ainda que seja incorreto procurar um sentido simbólico e especial para cada detalhe da parábola, o ponto essencial é claro.

 

vinha. A parábola é baseada no “cântico da vinha” (Is 5.1-5), que descreve Israel e sua infidelidade.

 

*          12.2     servo. Freqüentemente, um termo para designar os profetas (Êx 14.31; 2Cr 1.3; Is 20.3; Am 3.7), a quem Jesus vê como os enviados de Deus para chamar Israel à fidelidade e que, com freqüência, eram mortos (Mt 23.37).

 

lavradores. Para aqueles que tinham autoridade “oficial” sobre o povo de Deus, em particular aqueles para quem a parábola foi contada.

 

*          12.6     filho amado. Nos três Evangelhos Sinóticos, o tema de Jesus, como o Filho amado de Deus, é raro (Mc 1.11; 9.7, cf. Mt 16.16), mas está inequivocamente presente.

 

*          12.9     e passará a vinha a outros. Mt 21.43 lê: “Será entregue a um povo que lhe produza os respectivos frutos”, sugerindo tanto a comunidade dos discípulos que estavam em torno de Jesus (Lc 22.29-30) quanto a missão aos gentios (Mt 8.11-12; Rm 9.22-26).

 

*          12.10   A pedra que os construtores rejeitaram. Jesus cita o Sl 118.22-23. Este salmo celebra a vitória que Deus dá a seu Messias, estabelecendo-o em seu trono. Tal é a fé que Jesus tem em seu Pai e nas Escrituras que, em face da morte que ele acaba de predizer para si mesmo (“E, agarrando-o, mataram-no” v.8), ele pode regozijar-se na vitória prometida.

 

*          12.13   fariseus e dos herodianos. A aliança entre os fariseus e os herodianos ressurge (3.6). Esta aliança era possível porque ambos os partidos aceitavam a ocupação romana, aqueles como punição divina, estes por vantagens políticas.

 

*          12.14   tributo a César. Como acréscimo a numerosos direitos alfandegários, impostos, pedágios e outros encargos (2.14, nota), cada província romana era obrigada a pagar o tributo imperial. A mesma soma ou importância era arrecadada (ou extorquida) de todos, ricos e pobres igualmente. Esta tributação era muito impopular entre o povo.

 

*          12.15   Por que me experimentais. A pergunta de seus opositores, aparentemente, era uma tentativa para estigmatizar Jesus como um revolucionário político.

 

denário. Numerosas moedas estavam em circulação na Palestina. Jesus pede um denário romano, que valia o salário de um dia de trabalho e que, de um lado, trazia impressa a efígie de César e, de outro, uma cena que glorificava o seu reino.

 

*          12.17   Dai a César. Jesus aproveita a ocasião para afirmar que o poder político de Roma é legítimo, como ele declara em seu julgamento que esse poder vem de Deus (Jo 19.11). A Igreja Primitiva seguiu este ensino de Jesus (Rm 13.1-7; Cl 1.16; 1Tm 2.1-6; Tt 3.1,2; 1Pe 2.13-17).

 

*          12.18   saduceus. As famílias sumo sacerdotais dos tempos de Jesus eram membros deste grupo. Os saduceus negavam a ressurreição, a existência de anjos e rejeitavam a tradição oral dos fariseus. O nome deles, provavelmente, se deriva de Zadoque, sumo sacerdote de Davi (2Sm 8.17; 1Cr 15.11; 29.22) e escolhido oficial sobre a linha sacerdotal aarônica (1Cr 27.17), a quem foi dado o direito exclusivo para ser sumo sacerdote (Ez 40.46; 43.19).

 

*          12.19   Moisés nos deixou escrito. A história que eles contam a Jesus (vs. 19-23) está baseada na lei do levirato (“parente resgatador”) de Dt 25.5-10, lei que estipula que a linha familiar seja perpetuada pelo parente mais próximo, no caso de morte prematura (Rt 2.20, nota).

 

*          12.24   poder de Deus. Provavelmente, Jesus se refere às obras contínuas de Deus e suas poderosas manifestações futuras (incluindo a ressurreição), através de seu Messias (Lc 22.69; Rm 1.16; 1Co 1.18-24).

 

*          12.25   nem casarão. A ressurreição final é a transformação do universo físico (Rm 8.21; 1Co 15.52-53), e o mandato da criação do casamento e procriação (Gn 1.27, 28; 2.24) não mais será apropriado.

 

*          12.26   no trecho referente à sarça. Ver Êx 3.1-6. O Deus que aparece com poder miraculoso na teofania da sarça ardente, “não é Deus de mortos, e sim de vivos”; é o Deus daqueles que estão unidos a ele pela eterna aliança da graça. O ensino a respeito da ressurreição — Jesus dá a entender — não está limitado a certos textos-provas do Antigo Testamento (p.ex., Jó 19.25-27; Sl 16.9-11; 17.15; 73.24-26; Is 26.19; 53.11; Ez 37.1-14; Dn 12.2; Os 6.2 e 13.14), mas está baseado na pessoa do Deus vivo e doador da vida.

 

*          12.27   Laborais em grande erro. Esta frase forte lembra a acusação condenatória de Jesus contra aqueles cujo pai não é Deus, mas o diabo (Jo 8.42-47).

 

*          12.29   Ouve, ó Israel. Outra vez o debate se trava em torno das Escrituras. Jesus cita Dt 6.4, conhecido como o “Shema” (do hebreu que significa “ouvir”) que é a confissão central da fé monoteísta de Israel.

 

*          12.31   O segundo. Jesus liga Lv 19.18 a Dt 6.4-5, um texto que Tiago chama a “lei régia” (Tg 2.8).

 

*          12.33 holocaustos. O escriba aprova a resposta de Jesus e acrescenta, ele mesmo, uma prova escriturística (1Sm 15.22; Os 6.6).

 

*          12.34   Não estás longe do reino. Compare o jovem rico de 10.21 (“uma coisa te falta”) e Nicodemos (Jo 3.1-21). Em cada caso há a necessidade de um novo nascimento para a vida eterna (que é entrar no reino de Deus), o que só é possível pela morte e ressurreição do Filho do homem (Jo 3.3, 14, 15).

 

*          12.35   templo. Ver nota em 11.15. Além do átrio dos gentios, havia também o átrio das mulheres e o átrio de Israel, que era reservado só para os homens judeus.

 

*          12.36   O próprio Davi. A interpretação de Jesus prende-se à autoria davídica deste salmo.

 

falou, pelo Espírito Santo. Jesus atribui ao salmo de Davi plena inspiração divina, como farão os seus discípulos posteriormente (At 1.16; 4.25).

 

*          12.37   O mesmo Davi chama-lhe Senhor. Jesus mostra que, conquanto o Messias descenda de Davi, sua dignidade real e poder sobrepujam os de Davi, porque Davi se dirige a este Rei, chamando-o de “meu Senhor”(Sl 110.1). Este Rei está singularmente associado com o SENHOR (Sl 110.2). Uma tal interpretação clara e fiel das Escrituras é ouvida “alegremente” (cf. Lc. 24.32).

 

*          12.38   Guardai-vos dos escribas. A superficialidade da doutrina e da exegese dos escribas, a respeito do Messias, leva Jesus a criticar o superficial estilo de vida deles, em geral. Advertência semelhante é encontrada em 8.15.

 

*          12.40   devoram as casas das viúvas. Era considerado impróprio, para qualquer um, receber salário para interpretar as Escrituras. Conseqüentemente, eles aproveitavam e, às vezes, tiravam vantagem da hospitalidade das pessoas, entre as quais as viúvas, eram, especialmente, vulneráveis.

 

longas orações. Ver Mt 6.5-6, onde há uma condenação semelhante da espiritualidade exibicionista e hipócrita.

 

*          12.41   gazofilácio. Os cofres para as ofertas, no templo, eram colocados no átrio das mulheres no templo, que dava acesso a todos.

 

*          12.42   duas pequenas moedas. Esta moeda, de um lepton, era a de menor valor em circulação.

 

quadrante. Moeda romana que valia uma sexagésima quarta parte de um denário (o denário equivalia ao pagamento do salário de um dia de trabalho). Marcos traduz para o grego, para os leitores gentios (5.41, nota).

 

*          13.1-37. Este capítulo é conhecido como o “Pequeno Apocalipse” ou o “Discurso do monte das Oliveiras”. Faz predições em três áreas: a próxima destruição do templo (vs. 1-4); futuras perseguições (vs. 5-25) e a Vinda do Filho do homem (vs. 26-37).

 

*          13.1     Que pedras, que construções. Herodes, o Grande, começou a reconstruir o templo no ano 19 a.C., usando mármore e ouro como materiais de decoração. O átrio exterior media cerca de quatrocentos e cinqüenta e sete metros de comprimento por duzentos e setenta e quatro metros de largura e era cercada por muros de pedras brancas maciças, algumas das quais mediam aproximadamente cinco metros de comprimento por um metro de altura. Em cima destes muros havia magníficos claustros cobertos ou caminhos com forros de madeira ricamente entalhados.

 

*          13.2     Não ficará pedra sobre pedra. Jerusalém foi saqueada e o templo foi queimado e destruído no ano 70 d.C., por Tito, general romano (depois feito imperador). O Arco de Tito, comemorando a sua vitória, ainda existe em Roma.

 

*          13.3     Pedro, Tiago, João e André lhe perguntaram em particular. Marcos nos informa que este ensino é parte da instrução especial dada aos Doze (4.10, 11; 8.29).

 

*          13.4     quando sucederão estas coisas. A pergunta dos discípulos tem em vista a predita destruição do templo. A resposta de Jesus parece incluir tanto este evento específico como o tempo que conduz à Vinda do Filho do homem (v. 26, cf. Mt 24.3). Os eventos em torno da destruição do templo parecem antecipar e tipificar aqueles momentos associados à Segunda Vinda.

 

*          13.6     Muitos virão. No ano 130 d.C. Bar Korba — líder de uma rebelião judaica contra os romanos — reivindicava ser o Messias e era aceito como tal por seus seguidores, e a lista (de supostos messias) tem crescido desde então.

 

Sou eu. Esta expressão é também o nome de Deus (Êx 3.14) e é o título escolhido por Jesus (Jo 8.28, 58).

 

*          13.7     o fim. De acordo com o texto paralelo (Mt 24.3), “o fim” é a “consumação do século”.

 

*          13.8     dores. Ver referência lateral. Os judeus esperavam um período de sofrimento antes da vinda do Messias e o descreviam deste modo, como Paulo faz em Rm 8.22.

 

*          13.9     sinagogas. Os tribunais da sinagoga tinham o direito de ordenar açoites, limitados a quarenta golpes (Dt 25.1-3). Os apóstolos sofreram prisões e açoites (At 4.21; 5.18, 40; 2Co 6.9; 11, 23, 24).

 

*          13.10   pregado a todas as nações. O tempo entre a ressurreição de Cristo e sua Segunda Vinda não é simplesmente um tempo de sofrimento e perseguição, mas um tempo de graça e evangelização por toda terra, em cumprimento da profecia de Is 49.6.

 

*          13.11   com o que haveis de dizer. Esta é uma promessa de assistência especial em tempo de necessidade, mais do que uma referência ao ministério do Espírito entre os Doze, ao estabelecer a sua proclamação de Jesus (Jo 14.25, 26; 15.26, 27; 16.12-15).

 

*          13.13   perseverar até o fim. Ver nota no v. 7. Esta afirmação pode também significar o fim da vida de cada pessoa. Uma tal perseverança é, freqüentemente, associada ao sofrimento (Rm 8.18-25; 12.12; Hb 10.32; 12.2; 1Pe 2.20).

 

será salvo. Esta perseverança não é para merecer a salvação, mas é a prova de que a verdadeira salvação, em certo sentido, já aconteceu (Rm 8.24).

 

*          13.14   o abominável da desolação. Dn 11.31 prediz a vinda do rei do Norte, que profanará o templo. Esta predição foi primeiro cumprida em 168 a.C., quando Antíoco Epifânio edificou um altar pagão e sacrificou um porco no Santo dos Santos. Em 70 d.C., o texto do Antigo Testamento foi definitivamente cumprido, quando Tito, general romano (depois imperador) saqueou o templo.

 

quem lê entenda. Esta frase pode ser uma observação de Marcos (indicando que ele sabia que a destruição do templo já havia ocorrido) ou pode expressar o desejo de Jesus de que seus ouvintes, como leitores do Antigo Testamento, percebessem que ele estava citando Dn 9.25-27 e 11.31 (cf. 2.25; 12.10, 26).

 

fujam para os montes. Quando os romanos, em sua marcha para Jerusalém, no ano 69 d.C. saquearam Qunrã, os membros desta comunidade esconderam seus manuscritos em cavernas, no alto das montanhas, acima do Mar Morto. Eusébio, historiador da igreja, no século quarto, afirma que os cristãos deixaram Jerusalém, naquele tempo, e fundaram a Igreja em Pella, a leste do Jordão, cerca de sessenta e quatro a oitenta quilômetros ao norte de Jerusalém.

 

*          13.19   tribulação como nunca houve. O historiador romano Tácito e o historiador judeu Josefo descrevem a destruição do templo como uma catástrofe de dimensões sobrenaturais, com exércitos aparecendo no céu e uma voz sobrenatural. Segundo Josefo, o sofrimento foi sem paralelo.

 

*          13.20   por causa dos eleitos. O povo de Deus (vs. 22, 27).

 

abreviou. Esta expressão pode referir-se ao período limitado que durou a destruição do templo, ou a um período semelhante antes da Segunda Vinda, ou a ambos os períodos (v. 4, nota).

 

*          13.21   Eis aqui o Cristo. Ver nota no v. 6.

 

*          13.22   sinais e prodígios. Jesus associa estes sinais a manifestações messiânicas, mesmo reconhecendo que tais manifestações são fraudulentas.

 

*          13.24   naqueles dias. Uma vez que que este é um termo técnico do Antigo Testamento para designar os “últimos dias” (Jr 3.16; Jl 3.1; Zc 8.23), Jesus pode estar começando a falar do fim (cf. v. 7). Segundo alguns intérpretes, no v. 26 a referência é à Segunda Vinda.

 

o sol escurecerá. Ainda que esta frase, freqüentemente, se refira ao tempo do julgamento cósmico e final de Deus (Is 13.10; 34.4; Jl 2.10, 31), aqui pode significar outro evento tão grave que, depois dele, o mundo não será mais o mesmo. Pedro interpreta Joel 2.31 em Atos 2.16-21 como uma profecia do derramamento do Espírito, no Pentecostes.

 

*          13.26   vir nas nuvens. As nuvens, às vezes, significam a presença divina (Êx 19.9; 24.15-18). Se a primeira Vinda do Filho do homem foi caracterizada por sofrimento e humilhação (8.31, nota), sua futura Vinda, no fim, será uma declaração aberta de sua glória divina. Essa Vinda recorda as manifestações visíveis de Deus (teofanias) no Antigo Testamento (Êx 19.16; 34.5; Ez 1.4; 10.3-4), com a diferença que esta manifestação será universal. Porém, os vs. 24-27 podem apontar, não para o aparecimento de Cristo no julgamento universal, mas para o reconhecimento humano que Jesus está reinando no reino de Deus (Dn 7.13), um reconhecimento desencadeado pela queda de Jerusalém (o juízo final de Deus sobre a cidade). Nesse caso, o v. 27 se referiria à disseminação do Evangelho no mundo, que se seguirá àquele evento. Os “anjos” seriam os mensageiros do Evangelho (angelos é a palavra grega para “mensageiro”, quer sejam humanos ou angelicais). Sob este ponto de vista, a primeira referência de Jesus ao fim (sua Segunda Vinda) não ocorre senão no v. 32 (“daquele dia”).

 

*          13.27   dos quatro ventos. Uma forma poética de afirmar a universalidade do novo povo de Deus.

 

*          13.28   figueira. Não parece haver qualquer sentido simbólico específico nesta “figueira” (sentido tal como o ressurgimento da nação de Israel), uma vez que a passagem paralela de Lucas (21.29) acrescenta “e todas as árvores”. Jesus está simplesmente dizendo que exatamente como há sinais daquilo que ocorre no campo natural, assim será no campo espiritual.

 

*          13.30   esta geração. Para o evento da destruição do templo, a frase se refere à geração da época do próprio Jesus.

 

*          13.31   Passará o céu e a terra. Jesus torna suas palavras iguais às palavras das Escrituras, com valor eterno (cf. Mt 5.18). Ver “O Ensino de Jesus”, em Mt 7.28.

 

*          13.32   nem o Filho. Jesus tinha consciência de seu relacionamento único com o Pai, como Filho eterno, contudo, havia uma limitação no seu conhecimento, durante sua encarnação. Aquilo que o Pai não lhe revelou quanto ao futuro, ele não sabia. Nesse sentido, o homem Jesus (o Filho considerado em sua natureza humana) não era onisciente.

 

*          13.35   se à tarde. Ver 6.48, nota.

 

*          14.1     Dali a dois dias. Isto é, no “segundo (ou ‘próximo’) dia”; compare 8.31. Marcos parece colocar a trama dos principais sacerdotes e escritas na quarta feira da semana da Paixão.

 

a Páscoa. A Páscoa era uma das mais importantes das festas judaicas, pois celebrava a libertação do povo da escravidão do Egito, quando o anjo da morte “passou por cima” das casas do povo de Israel (Êx 12.1-30). No tempo de Jesus a Páscoa era celebrada no décimo quinto dia do primeiro mês do calendário judeu (Nisan, que corresponde ao fim de março ou começo de abril). Era observada no último dia antes da primeira lua cheia, depois do equinócio da primavera. Desde aquele dia, quando os cordeiros pascais eram sacrificados e comidos, todo fermento (que simbolizava o pecado) era removido da casa e só pão sem fermento (asmo) devia ser comido, durante sete dias. Esta observância era conhecida como “A Festa dos Pães Asmos” (14.12; Êx 12.15-20), e estava estreitamente associada com a Páscoa.

 

principais sacerdotes. Ver nota em 8.31.

 

escribas. Ver nota em 7.1.

 

*          14.2     Não durante a festa. Sendo uma das festas de peregrinação dos judeus, a Páscoa levava grande número de pessoas a Jerusalém. Josefo calculou que a população de cinqüenta mil pessoas aumentava para três milhões de pessoas. Ainda que esses números sejam considerados enormemente exagerados (duzentos e cinqüenta mil é o número mais provável) havia razão para as autoridades temerem.

 

*          14.3     Betânia. Ver nota em 11.1.

 

reclinado. As pessoas se reclinavam ao invés de sentar-se à mesa (Lc 22.14, nota).

 

Simão, o leproso. Sem dúvida, ele não era mais leproso, pois pode ter sido curado por Jesus. Ele era claramente um importante membro do círculo mais amplo dos discípulos de Jesus, uma vez que Jesus escolheu visitar sua casa nesta ocasião.

 

 

uma mulher. De acordo com João 12.3, esta mulher era Maria, irmã de Lázaro e Marta. João também indica que essa refeição ocorreu “seis dias antes da Páscoa” (Jo 12.1), antes de Jesus ter entrado em Jerusalém. Marcos pode ter colocado aqui a narrativa, para associar esta pré-unção com vistas à sepultura (v. 8, nota) com a trama para matar Jesus (v. 1) e foi subseqüentemente seguido por Mateus (Mt 26.3-13).

 

vaso de alabastro. Alabastro é um tipo de gesso em sua forma pura ou translúcida, encontrado em depósitos de calcário, em cavernas e em saídas de correntes de água. Era usado freqüentemente para se fazer vasos de ungüento e era considerado um item de luxo.

 

nardo puro. Um raro perfume feito da raiz de uma planta que cresce no Himalaia. Seu valor de “trezentos denários”(v. 5) era equivalente aproximadamente ao salário de um ano de trabalho.

 

quebrando o alabastro. Para evitar perdas, uma quantidade adequada, para ser aplicada de uma só vez, era fechada em frascos, que eram quebrados pelo gargalo na hora de usar. De acordo com João 12.3 o frasco continha aproximadamente trezentos e quarenta gramas de perfume.

 

*          14.6     boa ação. Jesus aprova o que outros vêem como desperdício porque, por este gesto, ela mostra o inestimável valor de Jesus, da sua morte (v. 8), e a profunda comunhão que seu sacrifício na cruz estabelecerá. Este gesto recorda a preciosa unção feita sobre Arão, o sumo sacerdote, que o salmista compara com a bênção inestimável da comunhão entre irmãos (Sl 133).

 

*          14.8     ungir-me para a sepultura. Jesus se refere à unção de cadáveres, com especiarias e perfumes, amplamente praticada na Palestina naqueles dias.

 

*          14.10   Judas Iscariotes. Judas ia receber trinta moedas de prata (nem mesmo a metade do valor do perfume) para trair Jesus (v. 11).

 

um dos doze. Ver nota em 3.14.

 

*          14.12   pães asmos. Esta festa simbolizava a remoção do pecado na vida dos crentes israelitas (Êx 12.14-20). A refeição da Páscoa caía no primeiro dia desta festa (v. 1, nota; Êx 12.14-15), o décimo-quarto dia depois do começo do ano judaico (Êx 12.6).

 

sacrifício do cordeiro pascal. Jesus morreu na Páscoa, a festa que celebra o modo como o sangue de um cordeiro protegeu os israelitas do juízo de Deus no Egito. A morte de Jesus mostra a profunda continuidade no plano divino da redenção (cf. 1Co 5.7). Na ordem destas festas é afirmada a prioridade do ato salvífico de Deus (Páscoa e redenção) contra todas as nossas obras de justiça (festa dos “Pães Asmos” e o abandono dos pecados pelos crentes).

 

*          14.13   homem trazendo um cântaro de água. Eram as mulheres que, usualmente, carregavam os cântaros de água. Para o conhecimento de Jesus a respeito do futuro e de eventos distantes,  ver 11.1-2 e Jo 1.48. Jesus podia exercer e exerceu, na terra, seus poderes divinos de conhecimento (13.32, nota).

 

*          14.17   com os doze. Os Evangelhos registram que os que estavam presentes, nesta época do ministério de Jesus, eram os doze, que ele tinha escolhido no começo (cf. 3.14). De acordo com Lucas 22.30, neste tempo Jesus anunciou o futuro ministério deles, como juizes do novo povo de Deus. Eles foram testemunhas da inauguração do novo concerto.

 

*          14.20   um dos doze. A predição de Jesus a respeito da traição procede de seu íntimo conhecimento de Judas e, também, do seu entendimento das Escrituras (v. 21; Sl 41.9).

 

mete comigo a mão no prato. Pão ou carne eram mergulhados numa tigela central cheia de molho. O detalhe dá ênfase à profunda traição pessoal, uma vez que a comunhão à mesa era uma prova de genuína amizade (cf. 2.16).

 

*          14.21   como está escrito. Ver 8.31, nota.

 

*          14.22   enquanto comiam. A refeição sacramental da nova aliança está intrinsecamente relacionada com a antiga e desenvolve-se a partir dela. Notar o paralelismo com Êx 24.9-11). Jesus toma dois elementos da refeição pascal — o pão sem fermento e o vinho — para expressar sua nova obra de redenção. Ver “A Ceia do Senhor”, em 1Co 11.23.

 

*          14.24   meu sangue. Na Páscoa original, o sangue do cordeiro protegeu da morte os israelitas (Êx 12.23-30). A frase “sangue da aliança” vem de Êx 24.8 e recorda que as alianças bíblicas são seladas com sangue (Gn 15.9-21; 17.9-14; Êx 24.4-8).

 

derramado em favor de muitos. Jesus está aludindo a Is 53.12, onde o Servo do Senhor “derramou a sua alma na morte” e “levou sobre si os pecados de muitos”.

 

*          14.25   jamais beberei. Jesus está predizendo aqui a iminência de sua morte.

 

o hei de beber, novo. Jesus está expressando aqui a sua fé em Deus, que não o abandonará na sua morte.

 

*          14.26   Tendo cantado um hino. Esta menção ao cântico é uma referência à liturgia da Páscoa. Jesus e seus discípulos cantaram os Salmos 115 a 118, que era o encerramento tradicional da refeição da Páscoa.

 

*          14.28   para a Galiléia. O anjo, no túmulo, lembra esta promessa e alude à negação por parte de Pedro (16.7).

 

*          14.30   antes que duas vezes cante o galo. Para outros exemplos de conhecimento que Jesus tinha de eventos futuros, ver nota no v. 13. A referência aparentemente específica poderia ser também um modo poético de dizer “antes da aurora”.

 

*          14.33   Pedro, Tiago e João. Ver nota em 5.37.

 

tomado de pavor. Esta expressão é única em Marcos e expressa profundo sofrimento emocional (9.15; 16.5-6).

 

*          14.36   Aba. Uma palavra coloquial aramaica para “pai”,  que expressa o estreito relacionamento de Jesus com Deus, o Pai. Marcos registra a palavra semítica (5.41; 7.34; 11.9; 14.45; 15.22,34).

 

cálice. Ver nota em 10.38.

 

*          14.37   uma hora. A despeito das intenções nobres (14.29,31), Pedro é incapaz de uma hora de verdadeiro discipulado.

 

*          14.38   Vigiai. Esta exortação recorda a advertência de 13.32-37, de vigiar e não cair no sono antes da vinda do Filho do homem. “Tentação” é uma armadilha de Satanás para levar o povo de Deus (neste caso, os Doze) à queda e, se possível, levar ao fracasso o plano de redenção.

 

*          14.43   uma turba. Provavelmente uma força enviada pelo Sinédrio, uma vez que são mencionados três categorias de membros dessa entidade (v. 53; 8.31, nota).

 

*          14.44   beijar. Um sinal de respeito que os discípulos mostravam para com os mestres. Depois de comer do mesmo prato (v. 20, nota), Judas agora finge submissão e respeito.

 

*          14.48   como a um salteador. O termo grego pode significar ou “salteador” ou “insurrecionista”, porém, em vista da acusação feita contra Jesus, em seu julgamento (Lc 23.2), a tradução “insurrecionista” fica melhor.

 

*          14.49   para que se cumpram as Escrituras. Ver nota em 8.31. Em vista do v. 50, a passagem que Jesus tem em mente pode ser Zc 13.7 (ver v. 27).

 

*          14.51   um jovem... lençol. O termo grego traduzido por “lençol” pode também significar “pano de linho”. Alguns intérpretes tem sugerido que neste detalhe enigmático, como na possível menção do pano de linho (um sinal de riqueza), haveria uma referência velada ao próprio Marcos, uma vez que ele era de uma próspera família em Jerusalém (At 12.12).

 

*          14.53—15.15 Esta seção da narrativa refere-se aos julgamentos de Jesus ante os judeus e os romanos. Estes julgamentos foram cheios de erros e irregularidades, pois os princípios de justiça estavam subordinados a propósitos humanos e políticos. O julgamento diante dos judeus teve três fases: uma audiência diante de Anás (registrada só por João 18.12-14, 19-23); um julgamento diante do Sinédrio, presidido por Caifás, na sua casa (14.53-65) e a sessão de madrugada, levada a efeito pelo Sinédrio (15.1). O julgamento romano, foi constituído de três fases igualmente: diante de Pilatos (15.2-5); diante de Herodes Antipas (registrado só em Lc 23.6-12) e diante de Pilatos outra vez (15.6-15).

 

*          14.54   pátio do sumo sacerdote. Normalmente, o Sinédrio se reunia na área do mercado próxima ao templo. Este julgamento teve lugar na residência do sumo sacerdote. Foi irregular quanto ao tempo (à noite) quanto ao lugar, e na sua pressa incomum.

 

*          14.57   testificavam falsamente. Dt 19.15-21 exige que a culpa, para ser estabelecida, seja confirmada pela corroboração de duas ou três testemunhas. O falso testemunho receberia a mesma punição que pesava sobre o acusado. Estes regulamentos não foram observados no caso de Jesus.

 

*          14.58   Eu destruirei este santuário edificado por mãos. Os três Evangelhos Sinóticos não registram este dito de Jesus. Contudo, ele é encontrado na narrativa de João da purificação do templo (Jo 2.19). Isto nos leva a supor a probabilidade de que a purificação do templo, por Jesus, ocorreu duas vezes, e o lapso de três anos ajudaria a explicar a versão deturpada das testemunhas.

 

*          14.61   Cristo. Do grego, significando “o Ungido”. “Messias” é a palavra hebraica com o mesmo sentido (1Sm 2.10, nota)

 

Filho do Deus Bendito. “Bendito” geralmente era usado como um substituto direto para a palavra “Deus”, usado pelos judeus para evitar o risco de tomar o nome de Deus em vão. O título todo significa “Filho de Deus” e, no contexto, indica a realeza da messianidade mais do que a divindade absoluta.

 

*          14.62   Eu Sou. Ver nota em 6.50; 13.6.

 

Filho do homem. Ver nota em 2.10. Jesus modifica o título “Messias”, nos termos da figura divina de Dn 7.

 

nuvens. Ver nota em 13.26.

 

*          14.63   rasgou as suas vestes. Um gesto simbólico que expressa grande tristeza ou horror (Gn 37.29; 2Rs 18.37; 19.1; Ed 9.3; Jr 36.24; Jl 2.13).

 

Que mais necessidade temos de testemunhas. O sumo sacerdote faz todo o Sinédrio testemunhar em favor da acusação de blasfêmia por parte de Jesus.

 

*          14.64   blasfêmia. Jesus é condenado não por insurreição, mas porque  reivindicou para si a divindade, a essência de sua mensagem. A punição prescrita para a blasfêmia (insulto à honra do nome de Deus) era a morte por apedrejamento (Lv 24.16), porém, nesta época só um tribunal romano podia ordenar a pena capital. Jesus morreria em conseqüência de uma punição infligida pelos romanos (Jo 18.31, 32, e notas).

 

*          14.65   cuspir nele. Concordando com a acusação do sumo sacerdote, todos os membros do Sinédrio “o condenaram” (v. 64) e alguns manifestaram sua concordância com violência física e pessoal. Cuspir no rosto indicava exclusão do grupo (Nm 12.14-15), como se fosse por impureza ritual. Neste ponto o Sinédrio rompeu decisivamente com o Messias.

 

*          14.67   o Nazareno. Ver nota em 1.24.

 

*          14.70   galileu. Os judeus da Judéia desprezavam os judeus da Galiléia, pois eram considerados cultural e religiosamente inferiores. Os modos e o sotaque de Pedro denunciaram-no, especialmente no pátio de um aristocrata saduceu.

 

*          15.1     Logo pela manhã. Provavelmente ao amanhecer. O propósito da nova reunião era, ao que parece, levantar contra Jesus alguma acusação de natureza civil (cf. Lc 23.2).

 

Pilatos. O Credo Apostólico menciona Pilatos como o representante de Roma que se defrontou com Jesus, neste julgamento. Pilatos foi o governador romano da Judéia de 26 a 36 d.C. Como magistrado, só ele tinha o direito legal de pronunciar sentenças capitais (14.64, nota).

 

*          15.2     rei dos judeus. Este título é ambíguo. No sentido político, os Herodes eram reis, Jesus não. Não obstante, Jesus era rei dos judeus, oferecido a eles como cumprimento de suas esperanças messiânicas.

 

*          15.4     Nada respondes. Aparentemente, Pilatos queria levar Jesus a perceber que, diante da lei, o silêncio significava consentimento.

 

*          15.7     Barrabás. Provavelmente, um insurreicionista, que procurava a derrocada militar de Roma. Mt 27.16 (em alguns manuscritos) dá seu primeiro nome como sendo “Jesus”, que era um nome comum naquela época. A escolha que Pilatos propõe à multidão (v. 9) é involuntariamente irônica: Jesus Barrabás — que queria salvar politicamente a Israel — ou Jesus de Nazaré, o verdadeiro Salvador do mundo.

 

*          15.13   Crucifica-o. De origem persa e adotada pelos romanos, esta forma vergonhosa e cruel de punição capital era aplicada especialmente contra escravos rebeldes e contra insurreicionistas. Cravos de metal eram cravados nos pulsos ou nas mãos (Jo 20.25) e nos calcanhares da vítima, provocando sofrimento atroz. A morte, geralmente, ocorria no decorrer de dias, e resultava dos ferimentos, da fome, da desidratação e do abandono ao relento. Quebrar as pernas do condenado (Jo 19.33) provocava morte rápida por asfixia, uma vez que as pernas não podiam mais sustentar o corpo ajudando a pessoa a respirar. Como Paulo observa, a crucificação de Jesus mostrou-o publicamente sob a maldição de Deus (Gl 3.13, cf. Dt 21.23).

 

*          15.15   açoitar. Segundo o costume romano, o açoite precedia a crucificação.

 

*          15.16   pretório. Originalmente, a palavra designava a sede do comando militar ou quartéis, em geral. Nos Evangelhos, refere-se a uma residência oficial (cf. At 23.35).

 

todo o destacamento. Lit.,  “corte” ou a décima parte de uma legião romana, que seriam então seiscentos homens.

 

*          15.17   Vestiram-no de púrpura. A púrpura era cara e difícil de produzir e, por esta razão, era indício de alta classe (Et 1.6; Pv 31.22; Lc 16.19; Ap 17.4), especialmente da realeza (2Cr 2.7, 14; 3.14; Ct 3.10).

 

coroa de espinhos. Jesus suportou a maldição divina (v. 13, nota) na terra, que produziu espinhos depois do pecado de Adão (Gn 3.17, 18). Os soldados usaram essa coroa para ridicularizar a idéia de que Jesus era um rei.

 

*          15.18   Salve. Esta saudação e homenagem prestadas (v. 19) são zombarias do respeito devido à realeza.

 

*          15.21   Cireneu. Cirene era uma importante cidade na região da Líbia atual. Havia uma grande colonização judaica em Cirene, que remontava a centenas de anos atrás (At 6.9).

 

Alexandre e de Rufo. Os filhos de Simão podiam ter sido membros de uma comunidade cristã, provavelmente em Roma, à qual Marcos escreveu (Rm 16.13).

 

a carregar-lhe a cruz. Usualmente o condenado devia carregar a cruz, que pesava de treze a vinte quilos. Simão, ao tomar a cruz de Jesus, tornou-se um quadro visível do verdadeiro discipulado que Jesus exige (8.34).

 

*          15.22   Lugar da Caveira. Um nome sinistro, provavelmente refere-se à forma da colina onde as execuções eram levadas a cabo.

 

*          15.23   vinho com mirra. Uma primitiva forma de analgésico. Mirra era uma especiaria cara usada como cosmético. Foi oferecida a Jesus por ocasião de seu nascimento, como dádiva para um rei (Mt 2.11) e usada em seu sepultamento por Nicodemos (Jo 19.39-40).

 

*          15.24   repartiram... as vestes dele. Estas eram os espólios reservados ao esquadrão da execução. Este detalhe, aparentemente sem importância, cumpre o Sl 22.18, um salmo que descreve a agonia de uma morte violenta e imerecida (Sl 22.16).

 

*          15.25   hora terceira. Nove horas da manhã.

 

*          15.26   sua acusação. Chamada “titulus”, em Latim, era uma placa levada diante do prisioneiro a caminho da execução, e afixada na cruz sobre sua cabeça.

 

*          15.27   dois ladrões. Ainda que a palavra grega signifique freqüentemente “ladrão”, pode também significar insurrecionista (14.48, nota) ou mais geralmente “criminoso”. Uma vez que o roubo não era punido com crucificação (v. 13, nota), um dos dois últimos significados é preferível aqui.

 

*          15.28   Este versículo está faltando nos mais antigos manuscritos gregos, ainda que conste da vasta maioria dos manuscritos existentes. É possível que os primeiros copistas tenham inserido a citação de Is 53.12, valendo-se da passagem paralela de Lc 22.37.

 

*          15.29   Ver nota em 14.58.

 

*          15.30   descendo. Estas palavras são tanto um insulto como uma tentação diabólica, semelhante àquela que foi proposta a Jesus no começo do seu ministério (Mt 4.2-6). O diabo está procurando ainda subverter a obra da redenção, exatamente no momento de sua consumação, quando Jesus está enfrentando sua maior fraqueza física (14.38).

 

*          15.33   hora sexta. Meio dia.

 

trevas. Isto recorda as trevas no Egito, que se estenderam por três dias, antes da morte dos primogênitos (Êx 10.22). Ver também a profecia de Amós (8.9-10), onde o Senhor promete “entenebrecerei a terra em dia claro”, em um tempo “como luto por filho único”.

 

hora nona. Cerca de três horas da tarde.

 

*          15.34   Eloí... sabactâni. Esse é o primeiro versículo de Sl 22 em Aramaico. Mesmo nas garras da morte, a vida de Jesus é determinada por aquilo que está escrito nas Escrituras.

 

*          15.35   Elias. Alguns entenderam mal a palavra “Eloi”, tomando-a por “Elias” talvez porque, em alguns círculos, acreditava-se que Elias voltaria (6.15; 8.28).

 

*          15.36   vinagre. Diferente do vinho e mirra oferecidos (v. 23), aqui não há o desejo humanitário de abrandar o sofrimento, mas antes a intenção cruel de prolongá-lo, mantendo Jesus vivo, para verem se “Elias” viria ao ser chamado por ele.

 

*          15.37   dando um grande brado. Já havia seis horas que Jesus estava pendurado sobre a cruz (vs. 25, 34). A crucificação podia estender-se por dois ou três dias (v. 13, nota).

 

*          15.38   o véu do santuário rasgou-se em duas partes. A morte de Jesus é o sacrifício final e definitivo pelo pecado (Hb 7.27). A velha dispensação da aliança da graça é levada a um final decisivo. O sumo sacerdote não mais teria necessidade de entrar no Santo dos Santos, atrás do véu, para expiar os pecados do povo (Êx 26.31-33, cf. Hb 9.1-10). Jesus é o novo e eterno Sumo Sacerdote (Hb 8.1) e, também, a perfeita vítima sacrificial (Hb 9.14), que obtém “redenção eterna” para o seu povo (Hb 9.12).

 

*          15.39   centurião. Oficial romano responsável por cem homens. Este centurião, aparentemente, era o responsável pelo destacamento encarregado de executar a sentença contra Jesus. Ele estava bem posicionado para observar a morte de Jesus.

 

Filho de Deus. O grego poderia ser traduzido “um filho de Deus”. Um romano não veria, neste termo, o Messias do Antigo Testamento, nem o eterno Filho da Trindade, mas a idéia helenística de um humano sendo favorecido pelos deuses. Não obstante, a confissão permanece como o propósito e o clímax do Evangelho de Marcos, completado com o conteúdo da mensagem cristã (cf. 1.1).

 

*          15.40   Maria Madalena. Isto é, Maria de Magdala, cidade à margem sudoeste do Mar da Galiléia (cf. 16.9; Lc 8.2).

 

Maria, mãe de Tiago, o menor e de José. Conhecida somente através deste incidente (Cf. Mt 27.56).

 

Salomé. Mãe de Tiago e de João (Mt 27.56, cf. 20.20, 21).

 

*          15.41   muitas outras. Todos os homens tinham fugido, exceto o discípulo amado (Jo 19.26, 35).

 

*          15.42   dia da preparação. O dia anterior ao Sábado (sexta feira, Jo 19.14, nota). O alimento era preparado antes de o sol se por, quando o Sábado começava. José tinha de comprar o linho, tomar as providências para o sepultamento de Jesus e aprontar o túmulo (vs. 43-46) nas três horas que restavam entre a morte de Jesus e o pôr do sol.

 

*          15.43   José de Arimatéia. Talvez, de Ramá, na Judéia, a aproximadamente trinta e dois quilômetros a noroeste de Jerusalém, e cidade do profeta Samuel (1Sm 1.1). Ver nota em Lc 23.50-51.

 

Sinédrio. Ver 8.31, nota.

 

reino de Deus. Ver nota em 1.15. José, sem dúvida, era um fariseu piedoso mas também, um secreto seguidor de Jesus.

 

dirigiu-se resolutamente. Este, aparentemente, é o primeiro ato de fé demonstrado por José, porém, é revelado num momento em que todos os próprios discípulos de Jesus tinham fugido. José coloca-se em conflito com a decisão do Sinédrio, pondo em risco todo o seu futuro.

 

*          15.44   Pilatos admirou-se. A surpresa de Pilatos outra vez confirma o caráter incomum da morte de Jesus (v. 37, nota).

 

*          15.46   túmulo... aberto numa rocha. De acordo com Mt 27.60, o túmulo pertencia a José e à sua família. Um tal lugar de sepultamento familiar consistiria de um vestíbulo primorosamente pintado, de onde uma passagem conduziria a bancos ou prateleiras individuais cavados na rocha, e onde os corpos eram deitados. O túmulo devia ser selado com uma pesada pedra rolada ao longo de um sulco feito na rocha à sua entrada.

 

*          16.1     Passado o sábado. Ao pôr do sol, (6:00 horas da tarde), no fim do sábado, um horário apropriado para comprar especiarias, mas não para visitar túmulos.

 

embalsamá-lo. Ungir com aromas era um modo de demonstrar afeição (14.8, nota) como hoje, no Ocidente, se envia flores.

 

*          16.3     Quem nos removerá a pedra. Elas tinham visto a “pedra... muito grande” (v. 4) que fechava o túmulo (15.46, nota).

 

*          16.5     Entrando no túmulo. Elas entraram no vestíbulo da câmara mortuária, no fim da qual estava o nicho (banco ou prateleira) onde tinham deixado o corpo de Jesus (15.46, nota).

 

um jovem. Mt 28.2 diz que as mulheres encontraram um anjo no túmulo.

 

*          16.6     o Nazareno. Ver nota em 1.24.

 

ele ressuscitou. Se o Evangelho de Marcos alcança o seu clímax na confissão de que Jesus é o Filho de Deus (15.39, nota), um segundo clímax é atingido com a declaração de sua ressurreição, a qual confirma que sua pregação sobre a vinda do reino em poder é verdadeira. Ver notas em 1.15 e 9.1; “A Ressurreição de Jesus”, em Lc 24.2.

 

*          16.7     e a Pedro. Esta expressão faz toda a diferença no enorme papel que Pedro desempenharia na história subseqüente da redenção. Por ela, Marcos indica, quando leva seu Evangelho ao fim (16.9-20, nota), que a obra de Jesus, na preparação dos doze, não se perdeu.

 

ele vai adiante de vós. Ver nota em 14.28.

 

*          16.8     medo. Se os vs. 9-20 não são originais (ver abaixo), então o Evangelho de Marcos termina com esta frase. Esta seria uma conclusão surpreendente para um documento que se propõe ser um “evangelho”, uma “proclamação de boas novas”. Uma consideração oposta é que a palavra traduzida por “medo” significa também “temor reverente”, e este mesmo estado mental é produzido nos discípulos quando viram a transfiguração de Jesus (9.6), um tipo da futura ressurreição. Mas o silêncio inicial das mulheres foi, realmente, desobediência (v. 7).

 

*          16.9-20           Os estudiosos diferem entre si quando consideram se estes versículos eram originalmente parte deste Evangelho. Alguns importantes manuscritos gregos mais antigos não trazem estes versículos; outros manuscritos têm os versículos 9-20 (conhecidos como o “Longo Final”) e, ainda outros, têm um “Breve Final” (aproximadamente o comprimento de um versículo). Uns poucos manuscritos trazem ambos, tanto um Final Breve quanto um Longo Final. Devido a estas diferenças alguns estudiosos crêem que os vs. 9-20 foram acrescentados posteriormente e que não foram escritos por Marcos. Por outro lado, esses versículos são citados por escritores do final do segundo século e são encontrados numa esmagadora maioria de manuscritos gregos do Evangelho de Marcos. Para outros estudiosos estes fatos estabelecem a autenticidade da passagem.

 

*          16.9     Maria Madalena. Ver nota em 15.40.

 

*          16.12   dois deles. Compare Lucas 24.13-35.

 

*          16.15   Ide por todo o mundo. Compare Mt 28.19.

 

*          16.16   batizado. Ver “Batismo Infantil”, em Gn 17.11.

 

*          16.17   sinais. Todas as coisas preditas aqui (exceto beber veneno mortal) são registradas no Novo Testamento, especialmente em Atos. Ver também Rm 15.19 e Hb 2.3-4. Histórias a respeito dos apóstolos sobreviventes, que foram forçados a beber veneno, são encontradas na literatura cristã primitiva, fora da Bíblia.

 

*          16.19   à destra de Deus. Uma posição que simboliza a autoridade que Jesus compartilha com Deus, o Pai (14.62; Fp 2.9, cf. Sl 110.1).

 

*          16.20   confirmando a palavra por meio de sinais. Ver nota no v. 17.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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