* 6.1-8 Um exemplo clássico da ação
judicial profética, onde o Senhor pleiteia os termos da aliança contra seu povo
desobediente. A mensagem se inicia com uma cena de julgamento na qual o Senhor
é aquele que apresenta a queixa, Miquéias é o seu enviado, os montes são as
testemunhas, e Israel era a acusada (vs. 1 e 2). A fidelidade do próprio Deus à
aliança é então confirmada, quando ele dá a Israel primeiramente a oportunidade
de exprimir quaisquer queixas (v. 3) e então relembra seus poderosos atos de livramento
(vs. 4 e 5). Em seguida, é proclamada a demanda pela retidão segundo a aliança
— uma retidão que consistia não meramente em um ritual vazio, mas em obediência
de todo o coração (vs. 6-8).
* 6.1 Levanta-te, defende a tua
causa. O Senhor ordenou a Miquéias, na qualidade de seu
representante, a acionar a causa de Deus contra o povo de Israel. Miquéias
obedeceu a essa ordem no v. 2.
montes. O Senhor
usou os montes duradouros como testemunhas da aliança mediada por Moisés (Dt
4.26; 30.19 e nota; 31.38 e 32.1).
* 6.4,5 Estes versículos recebem o
arcabouço de referências ao Egito (nação da qual Israel fora libertada) e a
Gilgal (por onde Israel entrou na Terra Prometida; Js 4.19). Foram incluídos
todos os atos salvíficos de Deus durante o período da formação de Israel: a
páscoa e o êxodo, a orientação pela coluna de fogo e de nuvem, a
miraculosa provisão de alimentos e de água, a provisão de líderes capazes
("Moisés, Arão e Miriã") e a vitória sobre os adversários. A
maravilhosa provisão de Deus em favor de seu povo durante esse período
prefiguram as experiências da Igreja com Cristo (Jo 6.33; 1Co 5.7; 10.1-4).
* 6.5 lembra-te. Essa ordem
significava não meramente a lembrança mental dos eventos passados, mas que
esses acontecimentos devem ser meios para torná-los uma realidade no presente.
Mediante a fé, tal conhecimento do passado é aplicado às situações presentes.
* 6.6,7 Mediante uma escala retórica dos
sacrifícios ("bezerros... milhares de carneiros... o meu
primogênito"), Miquéias exibiu o absurdo da dependência de Israel a ritos
vazios e a sacrifícios de animais para merecer o favor divino. Tal dependência
demonstrava uma profunda falta de compreensão quanto à graça divina, pois a
salvação de Israel era algo gratuito, e não merecido (vs. 4 e 5). Além disso,
as obrigações da aliança, por parte de Israel, subentendiam justiça social e
misericórdia, e não somente liturgia (v. 8). Ver também Am 5.21-24.
* 6.8 humildemente.
Ou então, "com prudência".
* 6.9-16 Esta profecia consiste em um
discurso a Jerusalém (v. 9), uma acusação de falsidade nos negócios e naquilo
que é falado (vs. 10-12), e uma sentença judicial que envolvia enfermidades e
ruína (vs. 13-15). O contexto da aliança é evidente quando a punição
reflete as maldições segundo a aliança especificadas na lei mosaica (v. 15; Lv
26.20; Dt 28.40,51).
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sergiovalentin