O Livro de NAUM
Autor
Naum
significa “conforto”. Seu nome é seguido
da designação “o elcosita”, numa provável referência ao seu local de nascimento
ou de ministério profético. As
tentativas de obter uma identificação mais precisa de Elcós foram infrutíferas.
Algumas propostas incluem localidades junto à antiga Nínive, na Galiléia (o
nome “Cafarnaum” talvez se origine do hebraico correspondente a “cidade de
Naum”), e em Judá. O testemunho do livro indica as proximidades de Judá como a
área da atividade profética de Naum (1.15).
Como em relação à maioria dos livros
proféticos, a pessoa do profeta desaparece por trás da mensagem. Naum tem sido
erroneamente considerado um nacionalista pouco esclarecido que, inspirado por
sentimentos de ódio e vingança, proferiu uma mensagem de condenação contra
Nínive, ao mesmo tempo em que estendeu as promessas de salvação incondicional
ao seu próprio povo, Judá. Mas essa teoria não considera que este livro reflete
a forma literária usual das profecias contra as nações estrangeiras, e deve ser
comparada com proclamações semelhantes em Is 13–23; Jr 46–51; Am 1; 2; e
Obadias.
Como um verdadeiro profeta de
Yahweh, Naum era profundamente consciente de que o Senhor, o incomparável e
todo-poderoso Deus, exerce total domínio sobre este mundo. Como seu predecessor
Isaías, Naum também era um poeta talentoso. Utilizando uma grande riqueza de
linguagem metafórica, o profeta retrata a destruição total de Nínive por um
inimigo anônimo, e então comunica o alívio e a alegria de todos os que sofreram
sob o regime opressivo de um cruel tirano.
Data e Ocasião
A atividade
profética de Naum pode ser datada entre a conquista da cidade de Tebas pelo rei
Assurbanípal, da Assíria, em 663 a.C., a que Naum se refere como um
acontecimento passado (3.8), e a queda de Nínive em 612 a.C., que Naum
profeticamente prevê (3.5-7).
Durante esse período do século VII
a.C., duas grandes crises surgiram no império assírio. Uma constituiu-se na
ameaça dos medos e no avanço dos citas (642-638 a.C.). A outra, ainda maior,
foi a revolta dos babilônios (652-648 a.C.) sob a liderança do irmão mais velho
de Assurbanípal, que foi apoiado pelos elamitas e pelos povos das regiões
montanhosas do Irã. As conseqüências dessa revolta se fizeram sentir em lugares
tão distantes quanto a Palestina e a Síria. Finalmente, a revolta foi reprimida
pelas amargas batalhas que sacudiram todo o império. Parece razoável datar as
atividades proféticas de Naum como anteriores ou sincrônicas a esse tumultuado
período. Uma vez que a destruição de Tebas era relativamente recente na memória
de seu público, uma datação plausível para o ministério de Naum se situa entre
660 e 650 a.C., nos dias do rei Manassés de Judá, um leal vassalo da Síria.
Características e Temas
O livro de
Naum possui título duplo (1.1). Ele é chamado de uma “sentença contra Nínive”
“livro da visão de Naum”. “Sentença” em geral designa uma mensagem divina de
julgamento contra uma nação inimiga (Is 13.1; Ml 1.1, nota). “Visão” se refere
a uma revelação sobrenatural à visão ou audição interior do profeta. Por vezes
o profeta era ordenado a escrever uma determinada mensagem (Is 8.1,2; 30.8) ou
mesmo “todas as palavras” que o Senhor lhe ordenava que dissesse (Jr 36). A
forma escrita fornece, assim, um testemunho adicional à certeza ao cumprimento
desses pronunciamentos divinos. O título duplo da profecia constitui-se em uma
sólida confirmação da autenticidade desse oráculo de morte contra Nínive e a
impossibilidade de escapar ao iminente juízo de Deus sobre o reino assírio.
Este livro, freqüentemente esquecido
e desprezado, nos fornece uma chave importante para o entendimento da história
passada, presente e futura. Os acontecimentos não se sucedem como mero acaso,
mas cada detalhe da história é determinado pela vontade, propósito e poder de
Deus. No hino de abertura (1.2-8) e especialmente em 1.2,3 (o “texto” do sermão
de Naum), tomamos conhecimento de que Deus controla a história de acordo com
sua natureza como Deus da aliança. Por toda parte e individualmente, ele exige
submissão exclusiva. A rejeição de Deus e de suas leis levam não apenas ao
conseqüente caos na sociedade e na natureza, mas inevitavelmente provoca seu
desagrado pessoal, resultando na justa retribuição.
A paciência de Deus nunca deve ser
erroneamente interpretada como fraqueza. O pecado coletivo ou individual não
ficará impune. Deus definitivamente decreta todos os eventos da história. Naum
anunciou a destruição iminente de Nínive como o justo castigo de Deus, e
convidou seu povo a uma alegre celebração desse acontecimento antes mesmo que
ocorresse.
Nínive era uma metrópole pecaminosa,
imperialista e hipócrita, arrogante e inescrupulosa em sua cobiça pelo poder e
pela dominação, que se manifestava em
impiedosas práticas belicosas (3.1-4). Além de seus feitos militares, Nínive
foi condenada por suas práticas comerciais ilícitas e por seu materialismo
insaciável (3.16). Naum proclamou a mensagem de vingança e retribuição divinas
contra essa cidade pecaminosa (1.14; 3.5-7). Nenhum poder terreno que tenha
desafiado as leis de Deus escapará ao seu julgamento.
Entretanto, o castigo não é a
palavra final de Deus. O castigo retributivo de Deus é também redentor na
medida em que estende seus propósitos de amor e suas promessas da aliança ao
seu povo (1.15; 2.2). Ele destrói as forças do mal com o propósito de criar um
mundo novo de liberdade (1.13), paz e conforto duradouro. Ele “conhece os que
nele se refugiam” e os protege (1.7). Aqueles que conhecem a mensagem do “livro
da visão de Naum” compreenderão melhor a necessidade da cruz de Jesus Cristo, o
Filho do Deus ciumento e vingativo. A partir deste livro, eles serão capazes de
proclamar o Cristo glorificado, a quem toda a autoridade foi dada no céu e na
terra (Mt 28.18) e que conduz a história para o Grande Dia, quando entregará
seu reino ao Pai, depois que tiver destruído todos os poderes do mal, para que
“Deus seja tudo em todos” (1Co 15.24-28).
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sergiovalentin