3.1-19 A
expressão de ais que abre este capítulo domina o espírito desses versos até o
último. As várias partes contribuem para sua unidade literária, e juntas
enfatizam a irreversível destruição de Nínive. O profeta não se concentra mais
sobre Israel e Judá apenas, mas coloca o destino de Nínive numa perspectiva
universal.
* 3.1-7 Estas
cenas impressionantes de violência, morte, e destruição confirmam a esperada
destruição da cidade. As acusações contra Nínive (vs. 1-4) e suas faltas (vs.
5-7) são expostas detalhadamente.
* 3.1
cidade sanguinária. A expressão enfatiza a crueldade impiedosa ostentada
abertamente pelos assírios em seus registros oficiais.
mentiras. A
diplomacia enganosa caracterizava suas relações internacionais (Is 36.16, 17).
roubo. Ver 2.12,
13. Negociações amigáveis serviam de pretexto para uma conduta voraz. Em sua
cobiça insaciável, eles buscavam constantemente uma vítima após a outra.
* 3.2,
3 Estes versos poéticos nos trazem um dos quadros mais vívidos de um
cenário de batalha no Antigo Testamento. O ritmo staccato, a economia de
palavras, os detalhes horrendos, tudo contribui para criar um retrato dos
exércitos assírios em ação, reduzindo populações inteiras a uma “massa de
cadáveres” (v. 3).
* 3.4 Com uma
mudança de cena, Nínive é comparada a uma bela e sedutora “meretriz” por cujo
favor, “nações” e “famílias” são sacrificadas. O culto dos deuses, guerra, e
comércio estavam estreitamente entrelaçados. A sedução pelo poder e pompa de
Nínive implicava em apostasia da verdadeira religião e sujeição às suas
“feitiçarias,” um termo que provavelmente indica a totalidade da religião pagã
(Is 47.12, 13).
3.5 A
retribuição pelo Juiz universal é inevitável. Veja 2.13.
levantarei as abas de tua saia. A
humilhação pública pela qual as prostitutas eram punidas.
* 3.6 A figura
da meretriz continua. Ela se tornará num objeto de desprezo e um exemplo para
dissuadir outros de fazer o mesmo.
* 3.7
Nínive... destruída. A visão é tão terrível que o povo irá retroceder
horrorizado diante dela. Tão espantoso e verdadeiramente merecido será a
desgraça que não se poderá achar ninguém para lamentar ou confortar a nação em
sua ruína.
* 3.8
Nô-Amom. Ver referência lateral. A cidade do deus Amom, melhor
conhecido como Tebas. Esta metrópole antiga e grandiosa da parte superior do
Egito caiu diante dos assírios em 663 a.C. Localizada à beira do Nilo uns 640
km rio acima de Mênfis, pode ter tido fossos e canais como defesa.
Provavelmente existe um elemento figurativo na ênfase de Naum sobre o mar. Nas
Escrituras, um rio ou mar é freqüentemente tido como um emblema de força que
somente Deus pode dominar (Êx 15; Sl 114.3-5; Is 23.3, 4; Mt 8.27).
* 3.9
Pute. Tradicionalmente identificada com Líbia.
* 3.11
embriagada. Aparentemente uma referência figurativa à taça da ira do
Senhor, da qual todos os que o desafiam são forçados a beber (Is 51.17-23).
Nínive em sua angústia tenta se esconder e achar refúgio, mas só o Senhor pode
prover refúgio em tempos de aflição (1.7). Comparado a ele até mesmo os mais
poderosos são fracos e vulneráveis (vs.
12-17).
* 3.12
figueiras. Esta figura enfatiza o fato de que as normalmente
inexpugnáveis fortalezas são agora não somente desejáveis mas também presas
fáceis.
* 3.13 Em face do
exército que se aproxima todas as tropas assírias são como mulheres (i.e., não
treinados para batalha). Todos os obstáculos para retardar o avanço inimigo,
tais como portões e trancas, foram removidas.
* 3.14 Esforços
frenéticos devem ser feitos para “fortificar... fortalezas” e para preparar
para um prolongado período de cerco. Os imperativos aqui são irônicos; vs.
14-17 refletem o humor de uma canção de escárnio.
* 3.15 Até mesmo
os mais árduos esforços para evitar a invasão são inúteis. A cidade e seu povo
sucumbem perante o fogo e a espada.
* 3.16
negociantes. O comércio internacional da Assíria trouxe pessoas e
riquezas para Nínive. Sob pressão externa, o egoísmo desses mercadores se torna
claro. Tendo se agrupado como gafanhotos, eles apanham tudo o que podem e em
seguida desaparecem.
* 3.17
príncipes... chefes. Estes dois termos são raros no hebraico e podem ser
palavras emprestadas da língua assíria. Elas provavelmente representam oficiais
importantes no governo do vasto império. Quando a situação se torna perigosa
eles fogem. Riquezas, poder, e organização falham miseravelmente enquanto a
nação desmorona.
subindo o sol. A
aparência do julgamento pelo Senhor irá dispersar seus inimigos da mesma
maneira que o calor do dia desperta e dispersa os gafanhotos adormecidos (cf.
Sl 84.11; Ml 4.1-3).
* 3.18,
19 O caráter definitivo do julgamento divino sobre o cruel
opressor leva ao regozijo universal. Estes versículos lembram cantos fúnebres e
canções de escárnio daquele período.
* 3.18
pastores. Uma metáfora bem conhecida para líderes indica os
governantes subordinados do rei assírio.
dormem... dormitam. Eufemismos
para morte.
O teu povo... o ajunte. A figura
pastoril é estendida ao povo (ou talvez ao exército) como um rebanho de
ovelhas. Na ausência dos pastores, o povo se dispersou (cf. 1Rs 22.17).
* 3.19 A
“notícia” da “chaga” incurável de Nínive e o seu “ferimento” fatal é recebido
com aplausos gerais. O Deus de Israel, o único a quem pertence a vingança (Dt
32.35; Rm 12.19), finalmente pôs um fim à maldade contínua que havia causado
tamanha injustiça e sofrimento. A visão de Naum teve seu cumprimento inicial em
612 a.C. mas ainda aguarda sua realização final na Segunda Vinda do Senhor
Jesus Cristo.
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sergiovalentin