* 1.1 Título do
livro. Ver Introdução. Autor; Data e Ocasião.
* 1.2-14 O hino
introdutório (vs. 2-8), que em hebraico forma um poema acróstico incompleto,
descreve de maneira entusiástica o Senhor como o Juiz universal com poder para
realizar a sua vontade.
* 1.2,
3 O caráter do Senhor forma a chave para o que vem a seguir.
* 1.2
zeloso. Este atributo refere-se à reação movida pelo seu zelo contra
qualquer transgressão à sua santidade ou qualquer tentativa de dividir a sua
glória. Seu zelo requer lealdade absoluta e revela-se como ira contra a
rejeição de si ou de seu senhorio.
vingador... vingador... toma
vingança. Fiel à sua natureza, o Juiz universal não deixa nenhum
pecado impune e penaliza cada uma das faltas dos ímpios. A tripla repetição da
palavra hebraica para “vingança” enfatiza grandemente uma retribuição inescapável
e apropriada.
adversários... inimigos. Esta
terminologia é típica dos salmos e de narrações de guerras santas.
* 1.3
tardio em irar-se. Uma confissão bem conhecida da paciência de Deus com
os pecadores (Êx 34.6, “longânimo”; Jn 4.2).
grande em poder... jamais inocenta
o culpado. A paciência de Deus nunca implica que ele seja fraco ou que
ele tolere o mal (Gn 18.25).
* 1.3-6 O profeta
oferece um retrato poético do poder do Senhor manifestado em seu controle da
natureza na criação e em outras ocasiões em que houve intervenção em favor do
seu povo (Sl 18.7-15; Êx 14.21, 22; Mt 8.26). O israelita piedoso reconhecia a
obra do Senhor na natureza. Mas a ela não deve ser confundida com Deus ou
adorada como Deus; ela é o anfiteatro da revelação.
* 1.4
Ele repreende. Estas palavras retratam vividamente o poder de Deus em
sujeitar as forças da natureza, tanto durante a criação quanto durante a
travessia do Mar Vermelho (Êx 14).
mar... rios. Usados
aqui como paralelos poéticos (Is 50.2; Sl 74.12-15). A abundante vegetação do
fértil “Basã,” “Carmelo,” e “Líbano” murcha quando o vento quente do deserto,
enviado pelo Senhor, sopra sobre ela.
1.5 A
percepção da aproximação do Senhor enche a terra e suas criaturas de terror.
Toda criação parece sentir-se ameaçada pelo caos, até mesmo as coisas
aparentemente permanentes (“os montes... a terra”) tremem e desaparecem.
* 1.6 As
questões retóricas enfatizam a impossibilidade de se resistir à ira de Deus.
Essa ira é comparada ao fogo (Dt 4.24; Hb 12.29).
* 1.7
bom. O termo denota a benevolência do Senhor como sendo a fonte
de todo verdadeiro bem-estar e prosperidade do ser humano, e é,
particularmente, uma confissão de sua bênção e bondade provenientes da Aliança
(Sl 73.1). O povo do Senhor experimenta seu grandioso poder como santo amor.
Quando o socorro se faz necessário, Deus é uma fortaleza inexpugnável (Sl 46).
* 1.8
inundação... trevas. Figuras marcantes do severo julgamento.
* 1.9-14 A queda
dos ímpios, representados por Nínive, culmina no consolo do povo de Deus, Judá.
* 1.9
pensais vós contra. Todas as estratégias assírias se revelarão fúteis.
Sua luta e seus planos são agora contra o Senhor, que decidiu destruí-los, e o
fará de uma vez por todas.
* 1.11
um que maquina o mal. Talvez uma referência a Asurbanipal (Introdução: Data
e Ocasião).
vil. Ver
referência lateral. A palavra sugere algo demoníaco.
* 1.12-14 Uma
confortante mensagem divina assegura ao povo de Deus de que a queda da Assíria
implica no fim de sua humilhação.
* 1.12
Assim diz o SENHOR. Uma fórmula bem conhecida da mensagem profética.
* 1.13
quebrarei o jugo deles... romperei os teus laços. Figuras
poéticas expressivas de emancipação (Jr 2.20; Sl 2.3).
* 1.14
ordem. A palavra enfatiza autoridade e infalibilidade.
teu nome. A completa
extinção e perda de poder e prestígio são reservadas para os assírios.
casa dos teus deuses. O templo e
outros objetos da confiança e orgulho da Assíria serão destruídos.
sepulcro. O termo
representa a destruição final de Nínive, de seu rei, e de seu povo em 612 a.C.
* 1.15-2.13 Esta seção
foi escrita no tempo presente profético. Os eventos que ainda ocorrerão no
futuro são aqui retratados como se já estivessem presentes, e eventos num
futuro ainda mais remoto são retratados como ocorrendo ao mesmo tempo que
aqueles que ocorrem muito antes. Esta profecia intensa de julgamento é uma
“visão” poética (1.1; cf. Nm 12.6-8), e não pretende ser um relato histórico
preciso e detalhado dos eventos que se sucederam posteriormente, em 612 a.C.
* 1.15 Ver Is 52.7. A aproximação do mensageiro de
“boas novas,” cujos pés pisam “nos montes” de Judá, inicia um novo período de
serviço grato ao Senhor. As boas novas são resumidas na significante palavra
“paz” (hebraico shalom), que indica não somente o fim das hostilidades
mas também o retorno às condições normais e abundantes de vida e de bem-estar
geral.
cumpre... votos. Períodos
de tribulação nacional ou opressão estrangeira freqüentemente tornavam difícil
a celebração de importantes festas do templo, se não impossível. Os “votos”
feitos no período prévio de aflição deviam ser cumpridos agora (Sl 116.14,
17-19).
* 2.1 Em nítido
contraste com a convocação de Judá para celebrar está a exortação irônica de
Nínive para se preparar para um ataque.
destruidor. Os
assírios, que destruíram muitas nações, inclusive a Israel, espalhando-os por
sobre a face da terra, irão agora passar por destino semelhante. Em agosto de
612 a.C., as forças combinadas dos medos e dos babilônios destruíram Nínive, e
pouco tempo depois o Império Assírio desmoronou.
* 2.2
glória de Israel. Deus restaurará o povo oprimido à alegria implícita
no nome “Israel.” Jacó recebeu esse novo nome como um sinal de sua maturidade
espiritual e sua disposição em aceitar o destino que Deus escolhera para ele
desde o princípio (Gn 32.27, 28).
* 2.3
dos seus heróis. Provavelmente uma referência ao exército do Senhor (v.
2). Os guerreiros e carros desses valentes cumprem os propósitos divinos. Os
próprios exércitos da Assíria haviam sido anteriormente instrumentos para
realizar os propósitos divinos de julgamento (Is 10.5-7).
vermelhos... escarlata. Esses
termos enfatizam a aparência espantosa desse exército que se aproxima, quer a
cor se refira às suas vestes ou às manchas de sangue sobre eles.
vibram as lanças. Ver
referência lateral. A expressão em hebraico aqui é de difícil compreensão, mas
nos leva à impressão geral de prontidão ávida para a guerra.
* 2.4 Nínive é
uma colméia de furiosos soldados.
ruas.
Possivelmente campos abertos ou planícies fora da cidade; se podemos entender
desta maneira, o versículo fala do exército que se aproxima e seus carros de
guerra.
* 2.5 Isto pode
referir-se ao rei assírio e seus nobres, especialmente os comandantes
militares. Por outro lado, este versículo também descreve os atacantes e seu
frenético cerco de Nínive (a palavra hebraica aqui traduzida por “testudo”
normalmente refere-se a uma estrutura móvel que protege aqueles que cercam a
cidade).
* 2.6
comportas dos rios. A cidade de Nínive estava localizada às margens do
Rio Tigre, e um rio menor fluía pelo meio da cidade. Relatos antigos
conflitantes atribuem a queda de Nínive a uma inundação causada quando o
inimigo redirecionou as represas e as comportas do sistema de água. Contudo, a
descrição de Naum é manifestadamente poética. O termo “comportas” pode
simplesmente referir-se à abertura das cinco comportas (cf. 3.13) em direção ao
Rio Tigre com seus canais e afluentes. A localização do palácio excluía a
possibilidade de colapso por inundação.
palácio. O local
da organização política e militar.
* 2.7
cidade-rainha. Nínive é personificada como uma mulher, uma rainha, indo para
o exílio. Suas “servas,” as habitantes da cidade, lamentam a sorte de sua
senhora.
* 2.8
açude de águas. Esta figura marcante é muitas vezes utilizada para
retratar a grande população de Nínive e sua prosperidade. Agora ela está
secando.
* 2.10
coração se derrete... rosto... empalidece. A impiedosa devastação
lança terror e cria paralisia entre os
até então poderosos ninivitas.
* 2.11-13 Esta seção
de encerramento é uma canção de escárnio na qual temos um intenso quadro de um
grupo de leões que encontrou a destruição e é empregado aqui para descrever a
iminente reversão no destino de Nínive. Deus é o autor da humilhação e do
desaparecimento de Nínive.
* 2.11
Onde. Esta pergunta retórica enfatiza como a famosa cidade será
reduzida ao esquecimento.
o lugar do pasto dos leõezinhos. Uma figura
adequada para Nínive como o lar dos agressivos e cruéis assírios.
* 2.13 O segredo
real da queda total e final de Nínive é revelado. A confrontação com o poderoso
Deus da Aliança de Israel é fatal para o Império Assírio.
eu estou contra ti. O inverso
das boas novas de salvação, “Estou convosco” (Ex 3.12; Js 1.5; Is 43.2, 5).
embaixadores. As vozes
dos emissários assírios ditando condições e cobrando tributo serão
permanentemente silenciadas da face da terra.
3.1-19 A
expressão de ais que abre este capítulo domina o espírito desses versos até o
último. As várias partes contribuem para sua unidade literária, e juntas
enfatizam a irreversível destruição de Nínive. O profeta não se concentra mais
sobre Israel e Judá apenas, mas coloca o destino de Nínive numa perspectiva
universal.
* 3.1-7 Estas
cenas impressionantes de violência, morte, e destruição confirmam a esperada
destruição da cidade. As acusações contra Nínive (vs. 1-4) e suas faltas (vs.
5-7) são expostas detalhadamente.
* 3.1
cidade sanguinária. A expressão enfatiza a crueldade impiedosa ostentada
abertamente pelos assírios em seus registros oficiais.
mentiras. A
diplomacia enganosa caracterizava suas relações internacionais (Is 36.16, 17).
roubo. Ver 2.12,
13. Negociações amigáveis serviam de pretexto para uma conduta voraz. Em sua
cobiça insaciável, eles buscavam constantemente uma vítima após a outra.
* 3.2,
3 Estes versos poéticos nos trazem um dos quadros mais vívidos de um
cenário de batalha no Antigo Testamento. O ritmo staccato, a economia de
palavras, os detalhes horrendos, tudo contribui para criar um retrato dos
exércitos assírios em ação, reduzindo populações inteiras a uma “massa de
cadáveres” (v. 3).
* 3.4 Com uma
mudança de cena, Nínive é comparada a uma bela e sedutora “meretriz” por cujo
favor, “nações” e “famílias” são sacrificadas. O culto dos deuses, guerra, e
comércio estavam estreitamente entrelaçados. A sedução pelo poder e pompa de
Nínive implicava em apostasia da verdadeira religião e sujeição às suas
“feitiçarias,” um termo que provavelmente indica a totalidade da religião pagã
(Is 47.12, 13).
3.5 A
retribuição pelo Juiz universal é inevitável. Veja 2.13.
levantarei as abas de tua saia. A
humilhação pública pela qual as prostitutas eram punidas.
* 3.6 A figura
da meretriz continua. Ela se tornará num objeto de desprezo e um exemplo para
dissuadir outros de fazer o mesmo.
* 3.7
Nínive... destruída. A visão é tão terrível que o povo irá retroceder
horrorizado diante dela. Tão espantoso e verdadeiramente merecido será a
desgraça que não se poderá achar ninguém para lamentar ou confortar a nação em
sua ruína.
* 3.8
Nô-Amom. Ver referência lateral. A cidade do deus Amom, melhor
conhecido como Tebas. Esta metrópole antiga e grandiosa da parte superior do
Egito caiu diante dos assírios em 663 a.C. Localizada à beira do Nilo uns 640
km rio acima de Mênfis, pode ter tido fossos e canais como defesa.
Provavelmente existe um elemento figurativo na ênfase de Naum sobre o mar. Nas
Escrituras, um rio ou mar é freqüentemente tido como um emblema de força que
somente Deus pode dominar (Êx 15; Sl 114.3-5; Is 23.3, 4; Mt 8.27).
* 3.9
Pute. Tradicionalmente identificada com Líbia.
* 3.11
embriagada. Aparentemente uma referência figurativa à taça da ira do
Senhor, da qual todos os que o desafiam são forçados a beber (Is 51.17-23).
Nínive em sua angústia tenta se esconder e achar refúgio, mas só o Senhor pode
prover refúgio em tempos de aflição (1.7). Comparado a ele até mesmo os mais
poderosos são fracos e vulneráveis (vs.
12-17).
* 3.12
figueiras. Esta figura enfatiza o fato de que as normalmente
inexpugnáveis fortalezas são agora não somente desejáveis mas também presas
fáceis.
* 3.13 Em face do
exército que se aproxima todas as tropas assírias são como mulheres (i.e., não
treinados para batalha). Todos os obstáculos para retardar o avanço inimigo,
tais como portões e trancas, foram removidas.
* 3.14 Esforços
frenéticos devem ser feitos para “fortificar... fortalezas” e para preparar
para um prolongado período de cerco. Os imperativos aqui são irônicos; vs.
14-17 refletem o humor de uma canção de escárnio.
* 3.15 Até mesmo
os mais árduos esforços para evitar a invasão são inúteis. A cidade e seu povo sucumbem
perante o fogo e a espada.
* 3.16
negociantes. O comércio internacional da Assíria trouxe pessoas e
riquezas para Nínive. Sob pressão externa, o egoísmo desses mercadores se torna
claro. Tendo se agrupado como gafanhotos, eles apanham tudo o que podem e em
seguida desaparecem.
* 3.17
príncipes... chefes. Estes dois termos são raros no hebraico e podem ser
palavras emprestadas da língua assíria. Elas provavelmente representam oficiais
importantes no governo do vasto império. Quando a situação se torna perigosa
eles fogem. Riquezas, poder, e organização falham miseravelmente enquanto a
nação desmorona.
subindo o sol. A
aparência do julgamento pelo Senhor irá dispersar seus inimigos da mesma
maneira que o calor do dia desperta e dispersa os gafanhotos adormecidos (cf.
Sl 84.11; Ml 4.1-3).
* 3.18,
19 O caráter definitivo do julgamento divino sobre o cruel
opressor leva ao regozijo universal. Estes versículos lembram cantos fúnebres e
canções de escárnio daquele período.
* 3.18
pastores. Uma metáfora bem conhecida para líderes indica os
governantes subordinados do rei assírio.
dormem... dormitam. Eufemismos
para morte.
O teu povo... o ajunte. A figura
pastoril é estendida ao povo (ou talvez ao exército) como um rebanho de
ovelhas. Na ausência dos pastores, o povo se dispersou (cf. 1Rs 22.17).
* 3.19 A
“notícia” da “chaga” incurável de Nínive e o seu “ferimento” fatal é recebido
com aplausos gerais. O Deus de Israel, o único a quem pertence a vingança (Dt
32.35; Rm 12.19), finalmente pôs um fim à maldade contínua que havia causado
tamanha injustiça e sofrimento. A visão de Naum teve seu cumprimento inicial em
612 a.C. mas ainda aguarda sua realização final na Segunda Vinda do Senhor
Jesus Cristo.
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sergiovalentin