* 4.1-19 Nesse
notável exemplo de um processo jurídico profético contra Israel, por violar os
termos da aliança, Oséias nos oferece uma visão panorâmica da causa do Senhor
contra Israel, e então enfoca as consequências de sua rejeição do conhecimento
de Deus.
* 4.1 verdade... conhecimento. Ver notas
em 2.19,20.
* 4.2 perjurar... homicídios. Esses
pecados constituíam violações do documento fundamental da aliança — o Decálogo
(Êx 20.2-17; Dt 5.6-21).
* 4.3 a terra está de luto. O pecado
humano resulta em crises dentro da ordem natural que põem em perigo todos os
aspectos da vida (Lv 18.28; Is 24.4,5).
A Apostasia de Israel e o Casamento de Oséias (3.1)
Os estágios
do relacionamento de Israel com Deus são representados nas profecias de
Jeremias e Ezequiel, bem como no relacionamento de Oséias com Gômer.
Estágio Profetas de Israel Casamento de Oséias
Noivado Jeremias 2.2 Oséias 1.2
Casamento Ezequiel 16.8-14 Oséias 1.3
Adultério Jeremias 5.7; Oséias 3.1
Ezequiel 16.15-34
Separação Jeremias 3.8-10; Oséias 3.3,4
Ezequiel 16.35-52
Restauração Ezequiel 16.53-63 Oséias 3.5
* 4.4-10 A
atenção muda para os pecados dos sacerdotes, cuja falta de instruir a nação
quanto à lei de Deus, corrompeu Israel (v. 6; Dt 31.9-13 e 33.10).
* 4.4 ninguém contenda. Ou então:
"Que ninguém faça acusação". De acordo com a lei mosaica, os
sacerdotes tinham por tarefa ajuizar legalmente (Dt 17.9-13). Mas por causa da
falta geral de conhecimento e respeito pela lei de Deus em Israel, nos tempos
de Oséias, não havia razão para alguém apresentar queixa contra outrem, pois os
vereditos não seriam respeitados (o povo era "como aqueles que contendiam
com o sacerdote", isto é, não respeitava as decisões e ensinos).
* 4.5 e destruirei a tua mãe. Ou seja a
nação de Israel (2.2,5; Is 50.1).
* 4.6 O meu povo. A nação de
Israel perderia seu relacionamento pactual com Deus, por falta de conhecimento
da aliança (vs. 8 e 12).
conhecimento. O conhecimento de Deus é
inseparável da lei de Deus (Introdução: Características e Temas). Os
sacerdotes, que eram os responsáveis por ensinar a lei — e seus descendentes —
deveriam ser punidos por ignorarem ou se esquecerem da lei (vs. 4-10 nota).
* 4.7 eu mudarei a sua honra. Ou então:
"Eles mudarão a sua honra em vergonha" (referência lateral). Em
última análise, o Senhor é a glória de Israel (Is 60.19; Jr 2.11). Em Romanos
1.23, Paulo condenou o pecado de trocar a glória de Deus por algo corruptível.
vergonha. Estão em foco os ídolos ou os deuses falsos (Dt
32.16,17).
* 4.8 Alimentam-se do pecado do meu
povo. Tomado literalmente os sacerdotes que comiam porções dos
animais sacrificados pelo pecado, encorajavam o povo a pecar. Assim, os
sacerdotes teriam mais o que comer (Lv 6.26). Figuradamente, os sacerdotes
ficavam satisfeitos pelos pecados do povo.
* 4.9 como é o povo, assim é o
sacerdote. Ninguém seria poupado do julgamento (cf. Is 24.1-3).
* 4.10 Comerão... entregar-se-ão à
sensualidade. O alimento não os satisfaria (v. 8), e o sexo ilícito não
produziria a multiplicação da população. Pois tinham abandonado o Senhor, a
fonte da vida, a fim de praticarem a prostituição (vs. 12,18; 2.4; 6.10; 9.1).
* 4.11 tiram o entendimento. Lit.,
"tiram o coração (do povo)", isto é, a capacidade de as pessoas
julgarem e pensarem com clareza (cf. Pv 31.4,5).
* 4.12 o seu pedaço de madeira. Isso pode
referir-se ao poste-ídolo ao lado de um santuário cananeu (Dt 16.21; Jz
6.25-32), de alguma outra divindade (Hc 2.18,19), ou a uma árvore frondosa que
os israelitas pensavam que dava oráculos (Jz 9.37).
vara. Provavelmente uma vara de adivinhar, ou talvez uma
pequena estátua de Astarote.
espírito de prostituição. O adultério espiritual
deles é causado por um poder inebriante e sedutor que os atraía continuamente
ao pecado ("um espírito estonteante", Is 19.14; "espírito de
profundo sono", Is 29.10).
* 4.14 Não castigarei. Não que
Deus se recusasse a castigar, de modo absoluto, as meretrizes e as adúlteras
(visto que o povo inteiro de Israel seria julgado), mas sim, que ele não
permitiria que as mulheres que errassem fossem punidas, enquanto que os homens
que as procuravam fossem libertos (cf. Gn 38.24-26).
* 4.15-19 O tema das profecias jurídicas contra
Israel continua aqui, enquanto são apresentadas outras acusações de
desobediência à aliança (4.1-19, nota).
* 4.15 Gilgal. Esse
importante santuário israelita próximo de Jericó ficava situado do outro lado
do rio Jordão, defronte de Baal Peor. Desde a época da conquista, Gilgal foi um
importante lugar de adoração (Js 4.19—5.12; 1Sm 10.8; 11.12-15). Mais tarde, na
história de Israel, Gilgal passou a associar-se com práticas religiosas
perversas e sincretistas (9.15; 12.11; Am 4.4).
Bete-Áven. Ver referência lateral. Esse era
um apelido de desprezo de Betel ("casa de Deus"), o importante
santuário real (Am 4.4; 5.5; 7.13; 1Rs 12.28-33).
Vive o SENHOR. Esse juramento ortodoxo (Jz 8.19;
Rt 3.13; 1Sm 14.39) foi proibido aqui porque os israelitas estavam mentindo (v.
2), ou porque o mesmo estava sendo abusado, associando o Senhor com a adoração
a Baal.
* 4.16 vaca rebelde. Israel
estava se rebelando contra todos os esforços do Senhor para cuidar deles (cf.
Jr 31.18).
* 4.17 Efraim. Visto que
a tribo de Efraim era, em muito, a mais numerosa das dez tribos do norte, o
reino do norte, de Israel era, algumas vezes, chamado de Efraim (Dt 33.17
nota).
* 4.19 vento... asas.
Provavelmente um trocadilho com a palavra hebraica que significa
"vento" ou "espírito" está aqui em foco. Não somente uma
tempestade destrutiva de julgamento divino estava prestes a varrer o povo (Jó
1.19), mas o "espírito de prostituição" (v. 12; 5.4), os estava
arrastando à ruína.
-----------------------------------------------------------------------------
sergiovalentin