*          1.1                   Oséias introduziu a sua profecia chamando-se de mensageiro de Deus. Seu nome provavelmente significa "ele [Deus] salvou".

 

Uzias... Jeroboão. Foram citados pelos nomes quatro dos reis de Judá, Uzias (também chamado Azarias, 792—740 a.C.), Jotão (750—735 a.C.), Acaz (735—715 a.C.) e Ezequias (715—686 a.C.), mas o único rei do norte a ser citado foi Jeroboão II (cerca de 793—753 a.C.). Talvez o escritor sacro pensasse que os reis do norte que reinaram entre Jeroboão II e a queda do reino do norte, de Israel, em 722 a.C. (quatro deles foram assassinos) não eram dignos de ser mencionados.

 

*          1.2                   uma mulher de prostituições. Ver Introdução: Dificuldades de Interpretação. Quanto ao tema da infidelidade conjugal e pactual, ver Introdução: Características e Temas.

 

a terra se prostituiu. A esposa e os filhos de Oséias, juntamente com todos os habitantes da terra, são considerados infiéis.

 

*          1.3                   Gômer. O nome dela não tem qualquer significação simbólica, diferentemente dos nomes de seus filhos.

 

lhe. Esse pronome oblíquo é omitido nos vs. 6 e 8, mas a sua ausência não subentende necessariamente que Oséias não era o pai desses filhos também, visto que o objeto indireto pode estar implícito.

 

*          1.4       Jezreel. Lit., "Deus semeia" ou "Deus planta". Esse é o nome de um vale belo e fértil, entre as cadeias montanhosas de Samaria e Galiléia (local da vitória de Gideão sobre o midianitas; Jz 6.33) bem como de uma cidade no extremo sul do vale, onde Jeú subiu ao poder através da violência (1Rs 21.1; 2Rs 9 e 10). Esse vale tornou-se o lugar de julgamento, em 733 a.C. (2Rs 15.29). Essa punição através de uma derrota militar sugere o tema da quebra da aliança visto que reflete as maldições registradas em Lv 26.17; Dt 28.25,49-57. Contudo, Jezreel também aparece como sinal de bênção e fertilidade em Os 2.22.

 

casa de Jeú. Jeroboão II era da casa de Jeú, uma dinastia estabelecida através da matança em Jezreel (2Rs 9.14-37; cf. 1Rs 19.16,17), que terminou com o assassinato de Zacarias (2Rs 15.8-10).

 

*          1.5                   o arco de Israel. A força militar de Israel, simbolizada pelo arco (Gn 49.24; 1Sm 2.4; Ez 39.3), foi quebrada pelo exército assírio sob o comando de Tiglate-Pileser III, que conquistou os territórios do norte de Israel.

 

*          1.6                   Desfavorecida. Lit., "ela não recebeu compaixão". O nome da criança significa a retirada iminente da compaixão que Deus havia demonstrado para com Israel, a despeito de sua infidelidade à aliança.

 

*          1.7                   me compadecerei. Uma referência ao livramento miraculoso de Jerusalém das mãos da Assíria, em 701 a.C. (Is 37.14,33-38; 2Rs 19.32-37).

 

*          1.9                   Não-Meu-Povo. Esse era o nome do terceiro filho, assinalando o ponto alto do castigo divino, quando Deus cancela a antiga fórmula da aliança (Êx 6.7; Lv 26.12; Dt 26.17-19) e declarou que a aliança não está mais em vigor (v. 10, notas).

 

nem eu serei vosso Deus. Lit., "não sou o EU SOU para vós", uma referência ao nome de Deus, usado em Êx 3.14.

 

*          1.10—2.1        As profecias crescentemente severas de juízo simbolizadas nos nomes dos três filhos de Oséias são agora dramaticamente invertidas.

 

*          1.10                 a areia do mar. Uma clara referência à antiga promessa patriarcal de inúmeros descendentes (Gn 22.17; 32.12; cf. Gn 13.16; 15.5; 26.24 e 28.14).

 

Vós não sois meu povo. A promessa da restauração a essa gente foi cumprida pelo menos em parte quando os remanescentes do norte juntaram-se ao sul durante o reinado de Ezequias (2Cr 30.11,18) e depois do exílio (1Cr 9.3; Ed 8.35). O Novo Testamento aplica essa promessa à Igreja, o verdadeiro Israel, composta tanto por judeus quanto por gentios (Rm 9.24-26; 1Pe 2.9,10). Para os apóstolos, o remanescente do Israel étnico era, evidentemente, um modelo para o remanescente das nações: o que se aplicava àqueles, aplica-se também a estes.

 

filhos do Deus vivo. Essa expressão ímpar sugere o tipo de relacionamento íntimo que Deus deseja ter com Israel, onde Deus deseja dar vida (por contraste com relacionamento sem vida que Israel tinha com Baal). Em Isaías 40.18-20; 44.9-20; 46.5-11, os ídolos sem vida são contrastados com o Deus vivo. Esse relacionamento vivo é atualmente provido em Jesus Cristo (Mt 16.16; Rm 9.26).

 

*          1.11                 uma só cabeça. Isso revela quão completa é a reconciliação entre ambos os reinos e o Senhor. Em última análise, essa reunião tem lugar em Cristo, o filho de Davi (Mt 1.23; 2.6,15).

 

subirão da terra. A restauração de Israel começou com o retorno do exílio na Babilônia. A frase também pode referir-se à ressurreição dentre os mortos (Sl 71.20; Is 43.6).

 

o dia de Jezreel. Ver nota em 1.4.

 

*          2.1                   vosso irmão... vossa irmã.  Os países irmãos hostis, Israel e Judá, se reconciliarão plenamente, e as horrendas acusações contidas nos nomes (Não-Meu-Povo) e (Desfavorecida) serão revertidas.

 

*          2.2                   Repreendei. Deus apresentou uma causa contra Israel onde os filhos devem acusar sua própria mãe.

 

para que ela afaste. O arrependimento e a reconciliação são os alvos finais do julgamento divino (vs. 9-23).

 

*          2.3                   a deixe despida. Se o arrependimento não tivesse lugar, a esposa infiel (Gômer/Israel) será desmascarada publicamente (v. 10) e deixada despida, castigos tradicionais para uma adúltera (Ez 16.37-39; Na 3.5-7), embora menos severos do que a pena de morte (Dt 22.22).

 

*          2.4       filhos de prostituições. O amor e a misericórdia de Deus (1.6) também seriam retirados dos filhos, os quais, como a sua mãe, foram acusados de promiscuidade.

 

*          2.5                   sua mãe se prostituiu. A mãe infiel (Israel) tinha confiado na religião de fertilidade dos cananeus, e não no Senhor (v. 8) para prover as necessidades da vida.

 

*          2.7                   Ela irá em seguimento... buscá-los-á. A iniciativa ativa da mulher, a qual representava todo o Israel, é aqui salientada.

 

meu primeiro marido. O período inicial de intimidade é aqui relembrada com saudades (cf. 11.1-4).

 

*          2.8                   o trigo, e o vinho... a prata e o ouro. Essas eram as dádivas agrícolas e comerciais do Senhor (Dt 7.13; 11.14; 28.1-12) mas estavam sendo atribuídas a Baal. Em textos descobertos na antiga cidade do norte da Síria, Ugarite, Baal é visto como o deus da tempestada e era adorado como o provedor da chuva e fertilidade.

 

*          2.9-13             Portanto. Embora não fosse punida com a morte (v. 3, nota; cf. Ez 16.37-40), a amante infiel e esquecida foi severamente castigada através de uma série de reversões dramáticas, mediante as quais as dádivas de Deus foram sendo retiradas; colheitas fracassadas, exposição aos elementos e o fim das festividades.

 

*          2.9                   reterei. O original hebraico indica uma ação forte, inevitável.

 

*          2.11                 sábados. O termo hebraico correspondente, shabbat, é derivado do verbo que significa "parar" ou "cessar", perfazendo um jogo de palavras sarcástico.

 

solenidades. Essas solenidades tinham-se tornado ocasiões para o sincretismo religioso, onde era misturado o culto ao Senhor e a Baal. Ver Introdução: Data e Ocasião.

 

*          2.12                 a paga que me deram os meus amantes. O salário da prostituta, que, na realidade, eram dádivas do Senhor (v. 8), seria destruído.

 

*          2.13                 jóias. Nas deusas do paganismo, as jóias enfatizavam as áreas eróticas do corpo.

 

seus amantes. Nos vs. 7,10,12 esses amantes provavelmente são sinônimos de Baalins. A essência da acusação contra Israel era que a nação se tinha esquecido do Senhor, a quem ela deveria ter amado (cf. 4.6; 13.4-6). Ver a nota teológica "Sincretismo e Idolatria", índice.

 

*          2.14                 para o deserto. Ali, Israel deverá amar exclusivamente ao Senhor (v. 16; cf. Jr 2.2).

 

e lhe falarei ao coração. Essa é uma expressão idiomática usada alhures para cortejar, falar gentilmente e para persuadir com agrados (Gn 34.3; Jz 19.3; Rt 2.13).

 

*          2.15                 vale de Acor. Lit., "Vale da Tribulação". Essa área ficava localizada perto de Jericó e foi o local do apedrejamento de Acã (Js 7.24-26). Embora associado ao pecado e à morte, esse vale seria transformado em uma "porta de esperança".

 

será ela obsequiosa. Lit., "responderá" ou "reagirá".

 

*          2.16                 Meu marido. A palavra hebraica ba'al pode significar "mestre" ou "marido", além de referir-se à divindade pagã Baal. No futuro, Israel será tão zelosa que eliminará qualquer coisa associada à adoração com Baal, e a própria palavra ba'al, em todos os seus sentidos, será evitada (v. 17).

 

*          2.18                 farei... aliança. Tomando o mesmo tema, em tempos posteriores, Jeremias explicou que essa aliança conferirá um novo coração (Jr 31.31-34).

 

com as bestas-feras. O reino de Deus, no futuro, será seguro e pacífico, livre da ameaça dos animais selvagens (Is 11.6-9) e das invasões (Sl 46.9; Is 2.4; Mq 4.3). Os animais selvagens eram uma ameaça, particularmente depois que exércitos invasores tinham arrasado a terra. Essa linguagem pode ser figurada, indicando uma humanidade transformada, com a resultante paz e segurança que acompanharão a renovação inaugurada por Cristo no seu primeiro advento e completada por ocasião de sua segunda vinda.

 

*          2.19                 Desposar-te-ei. O noivado era o passo final no processo do namoro, e envolvia pagar um preço pela noiva ao seu pai. Aqui as qualidades da justiça, juízo, benignidade, misericórdia e da fidelidade, são uma espécie de preço pago em troca da noiva, garantindo a permanência do relacionamento.

 

justiça. A justiça de Deus é expressa tanto em sua retidão como na salvação que ele concede ao seu povo (Os 10.12 e Am 5.7).

 

juízo. Esse vocábulo pode denotar as decisões legais e os relacionamentos mediante os quais a justiça e a retidão são estabelecidas e restauradas (Os 5.11; 6.5; 10.4; Am 5.15,24; Mq 6.8).

 

benignidade. Ver  nota em Êx 15.13.

 

misericórdias. Esse termo pode referir-se à compaixão, à sensibilidade do coração e ao amor (Os 1.6; Gn 43.14; Dt 13.17; 2Sm 24.14).

 

*          2.20                 fidelidade. Essa qualidade inclui as virtudes da confiabilidade, da veracidade e da constância nos relacionamentos (Sl 88.11; 89.1,2,5,8,24; 92.2 e 98.3) e é sinônima de "verdade", em 4.1. Cristo, mediante sua obediência ativa, proveu essas virtudes pactuais ao seu povo. Pelo Espírito Santo, ele inscreve a sua própria natureza nos corações de seu povo (2Co 3.3).

 

conhecerás. A essência do relalcionamento segundo a nova aliança envolve conhecer intimamente ao Senhor (Jr 31.34). Agora Cristo é o mediador dessa nova aliança e torna obsoleto o antigo relacioinamento pactual (Hb 8.7-13).

 

*          2.21                 serei obsequioso. O Senhor haverá de responder graciosamente aos clamores de Israel, quando este aprender de novo a corresponder aos seus apelos (v. 15, nota).

 

céus. O Senhor demonstrará que ele, e não o deus da tempestade, Baal, é quem controla os ciclos da natureza, mediante os quais a terra torna-se fértil e produz as colheitas que antes eram retidas (v. 9). Ver Introdução: Data e Ocasião.

 

*          2.22                 Jezreel. Ver nota em 1.4.

 

*          2.23                 As promessas de restauração chegam a um clímax quando Jezreel é redimida (v. 22; cf. 1.4,5). A Desfavorecida recebe a revelação do amor de Deus (1.6), e Não-Meu-Povo tornar-se o povo de Deus (1.9).

 

Tu és o meu Deus. Ver Rm 9.23-26 e 1Pe 2.9,10 acerca do cumprimento dessas promessas.

 

*          3.1-5    Oséias relata sua reconciliação com a sua esposa, Gômer, como uma antecipação da reconciliação de Deus com Israel.

 

*          3.1                   ama uma mulher... como o Senhor ama. O pedido aparentemente absurdo de Deus, é modelado segundo o seu leal, protetor e generoso amor pela imerecida nação de Israel.

 

bolos de passas. Esses petiscos, feitos de uvas passas espremidas, estavam associados a ocasiões especiais (2Sm 6.19), e podem ter sido usadas na adoração a Baal como um afrodisíaco (cf. Ct 2.5).

 

*          3.2                   Comprei-a.  Cristo, por semelhante modo, cumpriu esse quadro de amor em ação quando ele redimiu os seus santos do mercado de escravos do pecado.

 

peças (siclos). O pagamento, mais ou menos a metade em prata e a metade em produtos agrícolas, somava cerca de trinta siclos, e isso era, aproximadamente, o preço de um escravo em Êx 21.32. O Novo Testamento ensina que o custo real da redenção foi o sangue de Cristo (1Pe 1.18).

 

*          3.4                   muitos dias. O período de espera até à vinda de Cristo, o grande e último rei da dinastia davídica (v. 5).

 

sem rei... ou ídolos do lar. As instituições fundamentais, políticas e religiosas, de Israel, tanto as legítimas (sacrifícios e estola sacerdotal, Êx 28.31) quanto as ilegítimas (colunas e ídolos do lar, Dt 16.21,22 e Zc 10.2) seriam removidas como castigo.

 

*          3.5                   Tornarão... e buscarão. Muitos israelitas se arrependeram, buscando a intimidade com Deus, no dia de Pentecoste (At 2.38-41).

 

Davi. Essa referência aponta para Jesus Cristo, o Filho de Davi (1.11 e nota; 2Sm 7.12-16; Mt 1.1 e Rm 1.3).

 

nos últimos dias. Ver nota em Mq 4.1.

 

*          4.1-19              Nesse notável exemplo de um processo jurídico profético contra Israel, por violar os termos da aliança, Oséias nos oferece uma visão panorâmica da causa do Senhor contra Israel, e então enfoca as consequências de sua rejeição do conhecimento de Deus.

 

*          4.1                   verdade... conhecimento. Ver notas em 2.19,20.

 

*          4.2                   perjurar... homicídios. Esses pecados constituíam violações do documento fundamental da aliança — o Decálogo (Êx 20.2-17; Dt 5.6-21).

 

*          4.3                   a terra está de luto. O pecado humano resulta em crises dentro da ordem natural que põem em perigo todos os aspectos da vida (Lv 18.28; Is 24.4,5).

 

A Apostasia de Israel e o Casamento de Oséias (3.1)

            Os estágios do relacionamento de Israel com Deus são representados nas profecias de Jeremias e Ezequiel, bem como no relacionamento de Oséias com Gômer.

 

Estágio                          Profetas de Israel          Casamento de Oséias           

Noivado                          Jeremias 2.2                  Oséias 1.2

 

Casamento                     Ezequiel 16.8-14            Oséias 1.3

 

Adultério                         Jeremias 5.7;                   Oséias 3.1

                                       Ezequiel 16.15-34           

 

Separação                      Jeremias 3.8-10;             Oséias 3.3,4

                                        Ezequiel 16.35-52

 

Restauração               Ezequiel 16.53-63             Oséias 3.5

 

 

 

*          4.4-10              A atenção muda para os pecados dos sacerdotes, cuja falta de instruir a nação quanto à lei de Deus, corrompeu Israel (v. 6; Dt 31.9-13 e 33.10).

 

*          4.4                   ninguém contenda. Ou então: "Que ninguém faça acusação". De acordo com a lei mosaica, os sacerdotes tinham por tarefa ajuizar legalmente (Dt 17.9-13). Mas por causa da falta geral de conhecimento e respeito pela lei de Deus em Israel, nos tempos de Oséias, não havia razão para alguém apresentar queixa contra outrem, pois os vereditos não seriam respeitados (o povo era "como aqueles que contendiam com o sacerdote", isto é, não respeitava as decisões e ensinos).

 

*          4.5       e destruirei a tua mãe. Ou seja a nação de Israel (2.2,5; Is 50.1).

 

*          4.6                   O meu povo. A nação de Israel perderia seu relacionamento pactual com Deus, por falta de conhecimento da aliança (vs. 8 e 12).

 

conhecimento. O conhecimento de Deus é inseparável da lei de Deus (Introdução: Características e Temas). Os sacerdotes, que eram os responsáveis por ensinar a lei — e seus descendentes — deveriam ser punidos por ignorarem ou se esquecerem da lei (vs. 4-10 nota).

 

*          4.7                   eu mudarei a sua honra. Ou então: "Eles mudarão a sua honra em vergonha" (referência lateral). Em última análise, o Senhor é a glória de Israel (Is 60.19; Jr 2.11). Em Romanos 1.23, Paulo condenou o pecado de trocar a glória de Deus por algo corruptível.

 

vergonha. Estão em foco os ídolos ou os deuses falsos (Dt 32.16,17).

 

*          4.8                   Alimentam-se do pecado do meu povo. Tomado literalmente os sacerdotes que comiam porções dos animais sacrificados pelo pecado, encorajavam o povo a pecar. Assim, os sacerdotes teriam mais o que comer (Lv 6.26). Figuradamente, os sacerdotes ficavam satisfeitos pelos pecados do povo.

 

*          4.9                   como é o povo, assim é o sacerdote. Ninguém seria poupado do julgamento (cf. Is 24.1-3).

 

*          4.10                 Comerão... entregar-se-ão à sensualidade. O alimento não os satisfaria (v. 8), e o sexo ilícito não produziria a multiplicação da população. Pois tinham abandonado o Senhor, a fonte da vida, a fim de praticarem a prostituição (vs. 12,18; 2.4; 6.10; 9.1).

 

*          4.11                 tiram o entendimento. Lit., "tiram o coração (do povo)", isto é, a capacidade de as pessoas julgarem e pensarem com clareza (cf. Pv 31.4,5).

 

*          4.12                 o seu pedaço de madeira. Isso pode referir-se ao poste-ídolo ao lado de um santuário cananeu (Dt 16.21; Jz 6.25-32), de alguma outra divindade (Hc 2.18,19), ou a uma árvore frondosa que os israelitas pensavam que dava oráculos (Jz 9.37).

 

vara. Provavelmente uma vara de adivinhar, ou talvez uma pequena estátua de Astarote.

 

espírito de prostituição. O adultério espiritual deles é causado por um poder inebriante e sedutor que os atraía continuamente ao pecado ("um espírito estonteante", Is 19.14; "espírito de profundo sono", Is 29.10).

 

*          4.14                 Não castigarei. Não que Deus se recusasse a castigar, de modo absoluto, as meretrizes e as adúlteras (visto que o povo inteiro de Israel seria julgado), mas sim, que ele não permitiria que as mulheres que errassem fossem punidas, enquanto que os homens que as procuravam fossem libertos (cf. Gn 38.24-26).

 

*          4.15-19           O tema das profecias jurídicas contra Israel continua aqui, enquanto são apresentadas outras acusações de desobediência à aliança (4.1-19, nota).

 

*          4.15                 Gilgal. Esse importante santuário israelita próximo de Jericó ficava situado do outro lado do rio Jordão, defronte de Baal Peor. Desde a época da conquista, Gilgal foi um importante lugar de adoração (Js 4.19—5.12; 1Sm 10.8; 11.12-15). Mais tarde, na história de Israel, Gilgal passou a associar-se com práticas religiosas perversas e sincretistas (9.15; 12.11; Am 4.4).

 

Bete-Áven. Ver referência lateral. Esse era um apelido de desprezo de Betel ("casa de Deus"), o importante santuário real (Am 4.4; 5.5; 7.13; 1Rs 12.28-33).

 

Vive o SENHOR. Esse juramento ortodoxo (Jz 8.19; Rt 3.13; 1Sm 14.39) foi proibido aqui porque os israelitas estavam mentindo (v. 2), ou porque o mesmo estava sendo abusado, associando o Senhor com a adoração a Baal.         

 

*          4.16                 vaca rebelde. Israel estava se rebelando contra todos os esforços do Senhor para cuidar deles (cf. Jr 31.18).

 

*          4.17                 Efraim. Visto que a tribo de Efraim era, em muito, a mais numerosa das dez tribos do norte, o reino do norte, de Israel era, algumas vezes, chamado de Efraim (Dt 33.17 nota).

 

*          4.19                 vento... asas. Provavelmente um trocadilho com a palavra hebraica que significa "vento" ou "espírito" está aqui em foco. Não somente uma tempestade destrutiva de julgamento divino estava prestes a varrer o povo (Jó 1.19), mas o "espírito de prostituição" (v. 12; 5.4), os estava arrastando à ruína.

 

*          5.1                   sacerdotes... casa de Israel... casa do rei. A sorte do reino do norte, Israel, estava ligada à sorte de seus líderes. Os sacerdotes tinham a responsabilidade de ensinar a lei (4.6), e a casa real era quem administrava a justiça.

 

laço. Os líderes tinham apanhado na armadilha seus súditos.

 

Mispa. Provavelmente temos aqui a Mispa de Benjamim, onde Samuel julgava (1Sm 7.5,6; 10.17-24), e não a Mispa de Gileade (Gn 31.48,49).

 

Tabor. O local de um famoso monte situado na beira nordeste do vale de Jezreel (Jz 4.6). Esses e outros locais do norte tinham-se tornado lugares altos do culto pagão a Baal.

 

*          5.3                   Efraim. Ver nota em 4.17.

 

*          5.4                   espírito de prostituição. Ver nota em 4.12. Eles não têm um verdadeiro "conhecimento de Deus" (4.1,6), e nem podem voltar-se para o Senhor e nem arrepender-se (cf. Jr 13.23).

 

*          5.5                   acusa. Os pecados do povo testificavam contra eles no processo pactual do Senhor, contra o seu povo (cap. 4 e nota).

 

*          5.6                   com os seus rebanhos... à procura. O Senhor não será achado através do oferecimento de seus sacrifícios rituais (4.13; 1Sm 15.21-23; Is 1.11-17; Mq 6.6-8).

 

*          5.7                   filhos bastardos. Como se fora uma esposa e mãe infiel, Israel dava à luz filhos que eram, literal e religiosamente, ilegítimos (4.6,13,14).

 

Lua Nova. As festas de Israel traziam julgamento contra a nação, em vez da bênção do Senhor sobre seus ventres e colheitas, diferente do que eles tinham imaginado que sucederia (cf. Is 1.13,14).

 

*          5.8                   Tocai... Levantai gritos. Essas ordens soam como o grito dos vigias diante do inimigo (Judá) que se aproximava do sul (cf. 8.1). A guerra siro-efraimita descrita em 2Rs 16.5-9 e 2Cr 28.5-21 parece avultar por detrás desse aviso. Ver Introdução: Data e Ocasião.

 

Gibeá... Ramá... Bete-Áven. Essas cidades de Benjamim formavam uma linha reta para o norte, partindo de Jerusalém: Gibeá a cerca de cinco quilômetros; Ramá, a oito quilômetros; e Bete-Áven (Betel) a quase dezoito quilômetros. Em várias ocasiões, em sua história, elas tinham sido reivindicadas por um ou outro dos dois reinos, Israel ou Judá (1Rs 15.16-22).

 

*          5.10                 mudam os marcos. As linhas fronteiriças que dividiam a Terra Prometida eram consideradas sagradas para o Senhor (Dt 19.14; 27.17; Jó 24.2; Pv 22.28; 23.10). Ver nota em Nm 27.1-11.

 

*          5.12                 traça... podridão. Como se fosse uma traça, ou talvez como uma infecção (alguns estudiosos sugerem que a palavra hebraica, aqui traduzida por "traça", na realidade significa "pus"), Deus traria uma decadência desagradável e inexorável sobre a pecaminosa Efraim.

 

*          5.13                 enfermidade... chaga. Em vez de voltar-se para o Senhor, para ele curar suas misérias, infligidas pelo inimigo (cf. Is 1.5-9; Jr 30.12,13), Israel voltou-se para a Assíria. Os registros históricos assírios falam do tributo pago pelos reis de Israel, Menaém e Oséias (cf. 2Rs 15.17-20; 17.3).

 

*          5.14                 serei como um leão. Mesmo contando com a ajuda da Assíria, Israel era como uma presa indefesa diante do poderoso leão, o Senhor (13.7; Am 1.2 e 3.8).

 

*          5.15                 voltarei para o meu lugar. Em sua ira, Deus remove sua presença salvífica dentre o seu povo, até que eles se arrependam verdadeiramente (3.5).

 

*          6.1-3    Esse cântico de arrependimento corresponde com a linguagem figurada de 5.11-14, mas parece superficial em seu tom (v. 4).

 

*          6.1                   Vinde. Os sacerdotes podem estar sendo citados aqui, mas ou menos como Israel foi citada em 2.7.

 

tornemos. A chamada para se voltarem para o Senhor é uma das mensagens centrais do livro de Oséias (2.7; 3.5; 5.4,15). O verdadeiro arrependimento e conversão trazem reconciliação que inclui a cura das feridas (cf. Dt 32.39).

 

*          6.2                   dois dias... terceiro. Isso pode simplesmente denotar um curto período de tempo. Alguns, que vêem essas palavras como uma predição da ressurreição de Cristo, compreendem também que Paulo aludiu a este versículo em 1Co 15.4.

 

viveremos diante dele. Ver Sl 16.11.

 

*          6.3                   prossigamos em conhecer ao SENHOR. Tal como a chamada para se tornarem ao Senhor (v. 1), o convite a adquirirem o verdadeiro conhecimento do Senhor é crucial na mensagem de Oséias (2.8,20; 4.1,6; 5.4 e 6.6). Ver Introdução: Características e Temas.

 

como a alva... como a chuva. Essas símiles comparam a natureza fidedigna de Deus como os eventos periódicos da natureza.

 

*          6.4                   a nuvem da manhã... o orvalho da madrugada. Continuando a usar imagens extraídas da natureza, Deus lamenta a qualidade temporária e transitória do amor pactual de Israel e de Judá, em contraste com a sua própria fidelidade (v. 3).

 

*          6.5                   luz. Como a luz do sol, que se ergue no horizonte para espantar as trevas, a justiça de Deus coerente e inevitavelmente se espalha (cf. Sl 37.6), desmascarando os pecados daqueles que quebraram a aliança.

 

*          6.6                   mais do que holocaustos. A fidelidade ou lealdade, e não meros ritos, eram requeridas da parte do povo em relação pactual com Deus (Mq 6.6-8, notas).

 

*          6.7-10              Esses versículos catalogam vários crimes associados a lugares específicos que se tinham tornado infames nos dias de Oséias. Embora os detalhes estejam atualmente perdidos, o registro serve para acusar a nação inteira (v. 10).

 

*          6.7                   como Adão. Ver referência lateral. Várias interpretações possíveis desta referência têm sido propostas: (a) O primeiro homem, Adão (Gn 3); (b) Um lugar identificado com o antigo lugar chamado Tell ed-Damiyeh, no rio Jordão (Js 3.16), paralelo a Gileade e Siquém (vs. 8 e 9); e (c) a humanidade. Visto que os elementos de uma aliança estavam presentes no relacionamento entre Deus e Adão, a doutrina da aliança de Deus com Adão não depende da interpretação deste texto. Ver nota em Gn 3.

 

*          6.8                   Gileade. Essa era uma região montanhosa no norte da Transjordânia, mas essa palavra pode referir-se à cidade de Ramote-Gileade.

 

que praticam a injustiça. Essa noção é usada com freqüência no livro dos Salmos, para indicar os inimigos dos justos e do Senhor.

 

manchada de sangue. Essas palavras podem aludir aos cinquenta homens de Gileade envolvidos no assassinato de Pecaías (2Rs 15.25).

 

*          6.9                   Siquém. Um importante centro religioso e político, Siquém ficava situado entre o monte Gerizim e o monte Ebal (Dt 27.4,12-14; Js 8.30; 20.7,24.1; Jz 9.6; 1Rs 12.1).

 

*          6.10                 coisa horrenda. Essa frase indica um pecado de natureza religiosa, ou seja, o envolvimento de sacerdotes ou profetas em transgressão grosseira (Jr 5.30,31; 18.13-15; 23.14).

 

prostituição. Uma figura de linguagem comum que fala em infidelidade religiosa (referência lateral; 7.4 e nota).

 

*          6.11                 ceifado. Temos aqui uma metáfora relativa ao julgamento por Deus (Jr 51.33; Jl 3.13 e Mt 13.39-43).

 

*          7.1                   Efraim... Samaria. Ambos esses termos se referem ao reino do norte, Israel, do qual Samaria era a capital (4.17, nota).

 

*          7.2                   Não dizem no seu coração. Eles enganaram até a si mesmos (cf. Gl 6.7).

 

*          7.3                   rei... príncipes. Os líderes reais deveriam ter provido liderança moral, mas, em lugar disso, saboreavam o mal e a traição daqueles que estavam ao seu redor (2Rs 15.8-30).

 

*          7.4                   adúlteros. Eles deixaram o Senhor, a quem estavam ligados pela aliança, e se uniram a outros deuses e a outros aliados estrangeiros (2.4; 4.12-14; Jr 9.2; 23.10-14). Ver Introdução: Características e Temas.

 

*          semelhantes ao forno. As metáforas de um forno, de um padeiro, e de um fogo, apresentam um quadro verbal gráfico da auto-propagação da paixão, traição e iniquidade que infestava a vida política de Israel durante os seus últimos dias, e levou a uma série de violentos assassinatos de seus reis (2Rs 15.8-30). O assassinato de Peca por Oséias (2Rs 15.30) pode ter sido a ocasião dessas observações nos vs. 4-7.

 

*          7.5                   dia da festa do nosso rei. Uma celebração real tornou-se a ocasião para uma bebedeira, que, por sua vez, foi o estímulo para a iniquidade (1Rs 16.9,10; Pv 31.4,5; Am 6.6).

 

*          7.6                   prepararam. Os que planejavam contra o rei, talvez os sacerdotes (6.9).

 

*          7.7                   juízes... reis. Em meio ao desassossego, eles viram quatro reis serem assassinados, no espaço de vinte anos (2Rs 15.8-30). Nenhum desses líderes invocaram a Deus.

 

*          7.8                   se mistura com os povos. Uma referência às alianças que Israel fazia, mutavelmente, com o Egito, com a Filístia, com a Síria e com a Assíria.

 

um pão que não foi virado. Nesta figura simbólica sarcástica da ridícula política nacional, Israel é comparado a um pão meio assado, visto ela ter-se recusado a voltar-se para o Senhor.

 

*          7.9                   lhe comem a força. Eles empobreceram Efraim cobrando tributo.

 

ele não o sabe. Essa repetida frase salienta a ignorância de Israel a respeito de quão politicamente fraca e esgotada a nação tinha-se tornado. A falta de conhecimento de Deus, neste caso, foi seguido pela falta de conhecimento de si própria.

 

*          7.10                 soberba. A cegueira de Israel é atribuída à arrogância teimosa que testificava contra ela (5.5). Voltar-se para o Senhor era a única esperança de Israel (2.7; 3.5; 5.4; 6.1; Am 4.6-12).

 

*          7.11                 pomba enganada. A pomba era considerada uma ave sem inteligência e fácil de apanhar.

 

Egito... a Assíria. Como se fosse uma pomba, Israel voejava de uma nação para outra, em busca de segurança e proteção: Menaém submeteu-se à Assíria e pagou um pesado tributo (2Rs 15.17-20); Peca formou uma coligação com Damasco da Síria contra a Assíria (2Rs 15.29,37; 16.5); e Oséias mudou sua lealdade da Assíria para o Egito (2Rs 17.3,4).

 

*          7.12                 minha rede. A rede de julgamento divino apanharia Israel que voejava.

 

*          7.13                 remiria. Esse termo, extraído da lei comercial, que significa "resgatar" (Lv 27.27-31), também é aplicado ao livramento de Israel da escravidão (13.14; Êx 15.13; Dt 7.8; 9.26 e Mq 6.4).

 

mentiras. Essa declaração pode referir-se a idéias falsas sobre o Senhor, que tinham sido assimiladas pela religião de Israel, a palavras de arrependimento sem sinceridade (6.1-3), ou mais geralmente, a promessas quebradas da aliança.

 

*          7.14                 de coração. Uma reação positiva responsável e leal, conforme é sugerido por uma expressão semelhante usada em um tratado assírio contemporâneo.

 

dão uivos nas suas camas. Essa frase pode significar que eles clamaram a seus deuses sobre os leitos de prostituição no culto da fertilidade. Se "ajuntam" for substituído por "se retalham" (ver referência lateral), essa auto-mutilação era ainda outro apelo a deuses pagãos (Dt 14.1; 1Rs 18.26-29).

 

*          7.16                 arco enganoso. Ver Sl 78.57.

 

insolência da sua língua. Era dirigida contra Deus e contra os seus profetas (6.5).

 

Egito. Os egípcios, dentro em breve, zombariam da queda daqueles que só intermitentemente solicitavam a sua ajuda.

 

*          8.1                   trombeta. A chamada urgente (5.8) relata que a Assíria, como uma águia (Dt 28.49,50; Is 10.5,6; Jr 4.13; 48.40; Lm 4.19; Hc 1.8) estava se aproximando rapidamente para administrar o julgamento divino.

 

a Casa do SENHOR. Essa expressão pode referir-se tanto à terra de Israel quanto o templo (9.15).

 

a minha aliança... a minha lei. A rebeldia contra os termos da aliança era equivalente à rebelião contra o próprio Deus (4.6; 6.6,7; 7.13 e 8.12).

 

te conhecemos. Quando o povo de Israel clamava por ajuda, eles alegavam conhecer a Deus, mas seus atos negavam suas palavras (6.1). Ver Introdução: Características e Temas.

 

*          8.3                   Israel rejeitou o bem. Esse termo abrangente descreve todas as bênçãos segundo a aliança de Deus com Israel; e pode até referir-se ao "Bom", isto é, ao próprio Deus (Am 5.14; Mq 6.8).

 

*          8.4                   reis... príncipes. A independência de Israel de Deus, na esfera política, ficava aparente na recusa deles em consultarem a Deus quanto à sua escolha de líderes. Isso os conduziu a uma séria de conspirações e assassinatos violentos (7.3-7; 2Rs 15.8-30). Ver Introdução: Data e Ocasião.

 

ídolos. Ao fabricar ídolos de prata e ouro, Israel expressou sua rejeição teimosa do bem (v. 5; Êx 20.3-6; 34.17; Lv 19.4).

 

*          8.5                   bezerro. Como símbolo de fertilidade e força, o touro era adorado com freqüência no antigo Oriente Próximo. No entanto, o bezerro de ouro de Samaria foi estabelecido como um ídolo que representava o Senhor, por Jeroboão I (1Rs 12.26-30; cf. Êx 32) e é aqui descrito como o objeto de adoração (10.5 nota).

 

*          8.7                   semeiam ventos e segarão tormentas. Essa declaração proverbial enfatiza a terrível relação de causa e efeito entre o pecado e a punição (10.13; Jó 4.8; Pv 11.18; 22.8; Gl 6.7-9).

 

*          8.9                   subiram à Assíria. Provavelmente temos aqui uma referência à submissão do rei Oséias à Assíria em sua tentativa de reter a autoridade que ele havia adquirido depois de haver assassinado a Peca (7.11; 2Rs 15.30; 17.3). Ver Introdução: Data e Ocasião.

 

jumento montês. Usando um trocadilho entre as palavras hebraicas para "jumento montês" e "Efraim", Oséias condenou Efraim (Israel) por ter, teimosamente, rejeitado o convívio com o Senhor.

 

*          8.10                 eu os congregarei. Essa reunião seria para juízo, e não para restauração (Jl 3.2; Sf 3.8).

 

do rei e dos príncipes. Uma referência ao rei da Assíria (Is 10.8).

 

*          8.11                 altares para pecar. Embora tivessem sido erigidos para fazer ali expiação pelo pecado, os altares do norte tornaram-se locais para pecar.

 

*          8.13                 voltarão para o Egito. Deus os ameaça com o cativeiro, aqui simbolizado pela terra onde Israel antes estivera escravizado (9.3; Êx 1.8-14; Dt 28.68).

 

*          8.14                 palácios... cidades fortes. A confiança de Israel de que edificações e fortificações traziam segurança espiritual, política ou militar, era engano.

 

fogo. Ver Am 1.4,7,10,12,14.

 

*          9.1-9    Por causa do julgamento divino contra a sua desobediência à aliança, Israel não desfrutaria do fruto da terra (Dt 28.18), e nem celebraria as festas agrícolas anuais (Dt 16.1-17 e notas).

 

*          9.1                   eiras de cereais. A área plana e aberta, usada para separar a palha do trigo e da cevada, era também um lugar onde Israel se prostituía, entregando-se a atividades sensuais relacionadas à adoração de fertilidade de Baal. Ver Introdução: Data e Ocasião.

 

*          9.2                   lagar. Era usado tanto no fabrico do vinho quanto do azeite.

 

*          9.3                   terra do SENHOR. Também chamada de "casa" do Senhor (8.1; 9.15), a Terra Prometida era propriedade do Senhor, e não de Baal — e nem mesmo de Israel (Lv 25.23 e nota).

 

tornará ao Egito. Ver nota em 8.13.

 

coisa imunda. Outras nações e o alimento que elas produziam eram considerados imundos (Ez 4.13; Am 7.17).

 

*          9.4                   pão de pranteadores. O alimento na casa de enlutados era considerado imundo, por causa do contato com um cadáver (Nm 19.11-22; Dt 26.14).

 

na Casa do SENHOR. Eles não seriam capazes de santificar seu alimento, por meio de sacrifício, enquanto estivessem no exílio.

 

*          9.5                   dia da solenidade... festa do SENHOR. Uma referência provável à colheita anual do outono na Festa dos Tabernáculos (Lv 23.33-43; Dt 16.13-15).

 

*          9.6                   destruição. As invasões assírias.

 

Mênfis os sepultará. Aqui, como símbolo poético do Egito, esta cidade egípcia era conhecida por seus grandes cemitérios, túmulos e pirâmides.

 

preciosidades da sua prata... moradas. As tendas abandonadas e os objetos de prata podem ter sido santuários religiosos e ídolos, ou, em geral, propriedades pessoais.

 

*          9.7                   profeta é um insensato. Em seu pecado, os israelitas consideravam os profetas do Senhor como tolos e faladores vãos.

 

homem de espírito. Usado paralelamente a "profeta", provavelmente essa é outra expressão para "homem de Deus" (1Sm 10.6; 1Rs 18.12; 22.21-28; 2Rs 2.9,16).

 

louco. A palavra hebraica indica alguém que balbuciava sem sentido, um doido (1Sm 21.13-15; 2Rs 9.11; Jr 29.26).

 

*          9.8                   sentinela... laço do passarinheiro. Os profetas mantinham vigilância sobre Israel (5.8; Jr 6.1; Ez 3.17; 33.1-7). Mas aquele que soava o alarme, agora se via caçado como um animal, e objeto de hostilidade.

 

casa do seu Deus. A Terra Prometida (8.1, nota).

 

*          9.9                   Gibeá. Essa cidade tornou-se infame devido à violação em grupo da concubina do levita e à guerra que se seguiu (Jz 19—21). A gravidade dos pecados anteriores de Israel também mostra quão profundamente eles precisam de uma completa renovação de sua natureza.

 

*          9.10                 uvas no deserto. Um achado incomum e delicioso.

 

primícias da figueira. Os primeiros figos que amadurecem nos rebentos do ano anterior não somente são muito tenros, mas também bastante incomuns (cf. Is 28.4). Essas figuras de linguagem salientam quão excepcional e agradável foi o relacionamento pactual inicial do Senhor com Israel.

 

Baal-Peor. Temos aqui uma referência ao adultério sexual e espiritual de Israel no deserto (Nm 25 e notas) — um comportamento que agora era repetido pelos contemporâneos do profeta Oséias.

 

se tornaram abomináveis. Ao passarem a seguir a Baal, o deus da vergonha, os israelitas tornaram-se, eles mesmos, detestáveis.

 

*          9.11                 glória. Pode ser uma referência de seu poder político e militar do reino do norte. Mas o contexto sugere que seja sua numerosa população. A bênção sobre José e Efraim, tornara-os frutíferos (Gn 48.16; 49.22-26).

 

não haverá nascimento. A prática da religião da fertilidade gerou uma maldição na fertilidade, e não uma bênção (Dt 28.18).

 

*          9.14                 Dá-lhes. Oséias respondeu com uma oração, pedindo que fosse retirada a bênção divina da fertilidade (Gn 49.25; Êx 23.26; Dt 28.4,11). O profeta só podia concordar com o justo julgamento divino.

 

*          9.15                 Gilgal. Ver nota em 4.15; cf. 12.11.

 

os lançarei fora de minha casa. Note como isso forma um paralelo com o banimento dos cananeus por Deus (Êx 23.29,30; 33.2; Js 24.18; Jz 6.9). Ver nota em 8.1.

 

*          9.16                 Efraim... fruto. Em hebraico, "Efraim" soa como "fruto", e esse trocadilho ironicamente sublinha a tragédia da falta de fruto de Efraim (Gn 41.52). O nome dessa tribo principal do norte com freqüência era usada para indicar o reino do norte de Israel, por inteiro.

 

*          9.17                 O meu Deus. Diferente daqueles que se tinham desviado de Deus, o profeta permanece fiel à aliança com o Senhor.

 

errantes. Tendo-se afastado de Deus (7.13), os israelitas, como Caim, estavam destinados a se tornarem errantes sem descanso (Gn 4.12).

 

*          10.1-8              Nesta seção, diferente das seções anteriores e seguintes, o Senhor não fala, mas fala-se a respeito dele.

 

*          10.1                 abundância do seu fruto... multiplicou os altares. Israel atribuía a seus ídolos o crédito pela sua prosperidade, e devotava mais recursos ao culto pagão sempre quando sua prosperidade aumentava.

 

*          10.2                 O seu coração é falso. A aliança requeria uma devoção de toda a mente ao Senhor (Dt 6.5); as lealdades falsas de Israel atraíam o castigo previsto nas maldições pactuais pronunciadas por Moisés (Dt 29.14-29).

 

*          10.3                 Não temos rei. Se o rei ainda está no trono ou está prestes a ser deposto, ou já tivesse sido deposto, sem a bênção divina ele é inútil.

 

*          10.4                 Jurando. Os compromissos do rei podiam ser alianças como um vassalo da Assíria, mas eram consideradas falsas, porquanto eram ratificadas mediante a invocação de divindades assírias (cf. o v. 6). Mais provavelmente essas obrigações desconsideradas, são aquelas do rei para com o seu povo (ver 2Sm 3.21; 5.3), a principal das quais era manter a justiça.

 

erva venenosa. Ou "alosna", conforme o termo hebraico foi traduzido em Amós 6.12.

 

*          10.5                 Samaria. A capital do reino do norte.

 

bezerro de Bete-Áven. O bezerro e seus sacerdotes (2Rs 23.5; Sf 1.4) provavelmente não representavam alguma divindade estrangeira. Pelo contrário, eles exemplificavam uma forma altamente perversa de adoração ao Senhor em Israel (8.5, nota; 13.2 nota; 1Rs 12.31-33).

 

se lamentará... tremerão. Oséias escarneceu das emoções devotas que o povo manifestava por um ídolo.

 

*          10.8                 altos de Áven. Ver referência lateral e 4.13,14.

 

Cobri-nos!... Caí sobre nós. Essas palavras falam de uma avassaladora devastação vinda do Senhor. O povo de Israel preferia morrer do que enfrentar outros julgamentos da parte de Deus. Esta passagem foi citada por Jesus em Lc 23.30, e foi aludida em Ap 6.16.

 

*          10.9                 Gibeá. Ver nota em 9.9.

 

*          10.10   dupla transgressão. Essas palavras podem referir-se ao pecado passado em Gibeá, bem como ao pecado presente de Israel, ao seu pecado religioso e à sua infidelidade política, ou, simplesmente, às transgressões repetidas e contumazes.

 

*          10.11   Efraim... Judá. Ambos os reinos estão em mira.

 

bezerra domada... gostava de trilhar. Uma figura de linguagem positiva da vocação original de Israel como um animal domado sem mordaça, que debulha os grãos colhidos, livre para comer enquanto trabalha (cf. 11.4; Dt 25.4; Pv 12.10; Jr 50.11). Jesus também oferece um jugo suave para seus discípulos (Mt 11.28-30).

 

formosura do seu pescoço. Isto é, um forte pescoço capaz de suportar trabalhos árduos. Israel não cumpriu  as expectativas do Senhor. O jugo suave das bênçãos pactuais seriam substituídas  por um jugo pesado das maldições pactuais, para ensiná-los a obediência.

 

*          10.12    misericórdia.  Ver nota em Êx 15.13. Semear o que é correto e bom, isto resulta em  uma colheita de bênçãos do Senhor.

 

arai o campo de pousio. Quando uma terra virgem e inativa é arada, particularmente ela produz uma abundante colheita.

 

chova a justiça. Deus é quem dá o crescimento possibilitando a colheita (1Co 3.6,7).

 

*          10.13     Arastes a malícia.  Ao invés de cultivar um frutífero relacionamento com Deus, Israel plantou, ceifou, e comeu malícia e desonestidade (8.7; Gl 6.7-9)

 

porque confiastes... vossos valentes.   A punição que  Deus trará (uma derrota militar)  está diretamente relacionada com os pecados de Israel  de confiar em seu próprio poder militar  e não no Senhor (Jr 9.23,24).

 

*          10.14       Salmã destruiu Bete-Arbel.   O público de Oséias com certeza lembrou-se deste evento agora desconhecido como particularmente brutal. Salmã tem sido identificado diversamente como Salmaneser III da Assíria (859-824 a.C.), Salmaneser V (727-722 a.C.), e Salamanu, um contemporâneo rei moabita. Bete-Arbel é normalmente identificado com o local de Irbid em Gileade.

 

*          10.15        Betel.  Com freqüência, ironicamente chamado Bete-Áven por Oséias (4.15, nota; 5.8; 10.5)

 

*          como passa a alva. O tempo da batalha começar.

 

*          11.1-11     Em uma linguagem ainda mais terna do que a história do filho pródigo (Lc 15.11-32), Deus, o pai amoroso, proclama sua compaixão para com Israel. Apesar da rebelião, a eleição de Deus não pode ser derrotada. Além do juízo, há esperança.

 

*          11.1     amei. A linguagem de amor é usada para descrever tanto o relacionamente de pai e filho quanto o relacionamente pactual entre o trato de um suzerano e um vassalo no antigo oriente próximo (Dt 6.5; 7.8, 13; 10.15; 23.5).

 

e do Egito chamei meu filho.  Aqui e  no v. 4 a referência é feita à libertação divina de Israel da escravidão no Egito (Êx 4.22). Jesus, como o verdadeiro Israel, foi também trazido do Egito de acordo com esta profecia (Mt 2.15).

 

*          11.2     os chamava... da minha presença. Ver referências laterais. O hebraico deste verso é muito difícil de traduzir.  O significado pode ser que os pagãos ou seus deuses, os baalins, tentaram Israel, provocando a nação a afastar-se do Senhor. Alternativamente, estes que eram chamados podem ser os profetas, cujas mensagens foram ignoradas como também Israel que foi atrás de outros deuses.

 

*          11.3    ensinei a andar a Efraim. Provavelmente uma referência ao cuidado amoroso de Deus em guiar Israel pelo deserto até à Terra Prometida.

 

eu os curava.   Deus poupou Israel da enfermidade durante o período formativo no deserto (Êx 15.26)

 

 

*          11.4                 cordas... laços... jugo... dar-lhes de comer. A metáfora aparentemente volta a Israel como um animal de carga (10.11), mas aqui Deus mima a criatura.

 

*          11.5                 Não voltarão para... Egito. A palavra hebraica para "não", aqui usada, parece indicar que Israel não retornaria ao Egito (símbolo da escravidão; 8.13 nota) mas isso parece conflitar com 8.13; 9.3 e 11.11. Alguns interpretam essa frase como uma pergunta retórica ("Não voltarão para a terra do Egito?"), enquanto que outros emendam a palavra hebraica que significa "não", para que signifique "a ele". Entretanto, há uma outra interpretação que é indicada pelo contexto da misericórdia divina nesta passagem (vs. 4 e 8). Israel não retornará ao Egito (isto é, à condição em que se encontravam antes de Deus chamá-los como seu povo da aliança; Dt 4.34), mas seria castigada por seus pecados pela Assíria.

 

Egito... assírio. Ver as notas sobre 8.13; 9.3. Embora merecido, o efeito desse julgamento é moderado no v. 11.

 

*          11.6                 suas cidades. Contando com cidades fortificadas eles estavam confiantes em si mesmos (8.14).

 

ferrolhos. Alguns estudiosos sugerem que essa palavra hebraica de difícil interpretação refere-se a pessoas, especificamente os falsos profetas que supriam o conselho militar mencionado logo adiante, neste versículo.

 

*          11.8                 Como te deixaria. Deus aqui fala diretamente com Israel. O contraste com os vs. 5-7 aumenta o impacto dessa declaração profundamente pessoal de compaixão persistente.

 

Admá... Zeboim. Essas duas cidades da planície, perto da extremidade sul do mar Morto (Gn 10.19; 14.2,8), foram destruídas juntamente com Sodoma e Gomorra (Gn 19.23-25), tornando-se assim exemplos da ira de Deus (Dt 29.23; Jr 49.18).

 

*          11.9                 Santo. A santidade denota a diferença entre Deus e os homens. Os homens buscam vingar-se, mas Deus opera a salvação.

 

*          11.10   Andarão após o SENHOR. A restauração, e não a destruição, é o alvo do julgamento por Deus do seu povo segundo a aliança.

 

*          11.11   Deus modera compassivamente o efeito do julgamento proferido no v. 5.

 

do Egito... da Assíria. Novamente, o Egito e a Assíria são apresentados como um par que simboliza o julgamento do povo de Deus por meio do exílio (8.13 nota; 9.3; 11.5).

 

*          11.12—12.14  Esta seção acusa Israel de traição e pronuncia julgamento. Temas repetidos são a traição passada de Israel (artisticamente vinculada a episódios extraídos da vida de Jacó) e a rejeição da palavra do Senhor proferida pelos profetas.

 

*          11.12   cercou. O reino do norte sitiou o Senhor.

 

Judá ainda domina com Deus. O original hebraico é difícil de traduzir. Conforme esta versão, Judá é visto positivamente e contrastado com Efraim (i.é., Israel). Mas alguns traduzem essa frase para falar de Judá como "desobediente contra Deus", tal como sucedia no caso de Efraim.

 

*          12.1                 apascenta. Ver Pv 15.14; Is 44.20.

 

o vento... o vento leste. Essas figuras metafóricas de futilidade (Jó 15.2; Ec 1.14) e de destruição (13.15; Jr 18.17) são aplicadas às alianças de Israel com a Assíria (5.13; 7.11; 8.9; 14.3; 2Rs 17.3) e com o Egito (7.16 nota; 2Rs 17.4). Tais alianças não eram meramente uma política estrangeira deficiente, mas expressões de infidelidade contra o Senhor.

 

mentiras. Exemplos de mentiras incluem a oscilação de Israel entre a Assíria e o Egito (7.11), fazendo este último lançar-se contra a primeira (2Rs 17.3,4).

 

azeite. Presentes eram com freqüência enviados quando pactos eram estabelecidos.

 

*          12.2                 contenda. Ver referência lateral. Tal como em 4.1. o Senhor atuava como queixoso, juiz e advogado de acusação em uma cena de tribunal, acionando uma ação judicial segundo a aliança contra o seu povo. Ele exigia punição (v. 2), mas também reconciliação (v. 6).

 

Jacó. Ou seja, Israel (10.11; cf. Gn 32.28).

 

*          12.3                 pegou. "Pegou", no hebraico, é a raiz da palavra "Jacó" (Gn 25.26), sendo traduzido por "usurpar" Gn 27.36.

 

*          12.4                 lutou com o anjo. A palavra hebraica aqui traduzida por "lutou" é dada como a origem do nome "Israel", em Gn 32.28. Ao buscar tenazmente a bênção divina, Jacó deixou um exemplo positivo para a nação (v. 6).

 

Betel. O lugar onde Deus se revelou a Jacó (Gn 28.12-19; 35.1-15). Ver nota em 4.15.

 

*          12.5                 O SENHOR, o Deus dos Exércitos. Uma doxologia, semelhante às do livro de Amós (Am 4.13; 5.8,9; 9.5,6), relembra aqui a Israel que o Deus da aliança com os patriarcas (o SENHOR) é o Deus dos Exércitos, o comandante dos exércitos de Israel, o soberano sobre toda a criação (Zc 1.3, nota).

 

*          12.6    Converte-te. Tal como fez Jacó, que retornou a Betel para cumprir o seu voto (ver Gn 35.1-15), Israel deve retornar ao Senhor.

 

*          12.7                 Mercador. No hebraico temos a palavra "cananeu", que significava, secundariamente, "mercador" (referência lateral), tão bem conhecidos se tinham tornado os cananeus como mercadores. O mercador Efraim não era apenas desonesto, mas também pagão.

 

*          12.9                 Eu sou o SENHOR teu Deus... Egito. Essa declaração envolve auto-apresentação; introduz uma expressão da divina vontade para o povo da aliança (Êx 20.2; Dt 5.6).

 

tendas... festa. Encontramos aqui uma referência à Festa dos Tabernáculos, quando o povo viveu em tendas em memória dos tempos em que Israel vivia no deserto, depois de deixar o Egito (Lv 23.43). Assim como Israel foi julgada com quarenta anos de perambulações pelo deserto (Nm 14.33), assim também aqui Israel foi ameaçada com o "deserto" do exílio para longe da sua terra.

 

*          12.10   Falei aos profetas. Ninguém podia alegar ignorância como desculpa (6.5 e 12.13).

 

visões. Uma maneira de Deus conceder revelações aos profetas (Nm 12.6; Jó 33.14-16).

 

símiles. Essas "parábolas" (referência lateral) eram figuras de linguagem que transmitiam mensagens divinas (2Sm 12.1-4; Sl 78.2; Is 5.1-7; Ez 17.2-10).

 

*          12.11   Gileade. Essa região, a leste do rio Jordão, na fronteira com Moabe, no sul, e Basã, no norte, era um local de sacrifícios ilegais, derramamento de sangue e idolatria. Essa região foi conquistada pela Assíria, em 734—732 a.C. (2Rs 15.29; Os 6.8).

 

Gilgal. Ver nota em 4.15.

 

montões de pedra nos sulcos. Pedras grandes, atingidas pelo arado do agricultor, eram empilhadas em montões.

 

*          12.12   a terra da Síria. Padã-Arã (Gn 28.2,5).

 

serviu... guardou o gado. Oséias comparou o serviço prestado por Jacó para garantir para si uma esposa de um país estrangeiro com o livramento do povo de Israel, por parte de Deus, do Egito. O mesmo verbo hebraico traduzido por "guardou", no v. 12 é traduzido por "guardado", no v.13.

 

*          12.13   profeta... profeta. O primeiro desses dois profetas referidos era, como está claro, Moisés (Dt 18.15; 34.10-12), e o segundo, mui provavelmente, é o mesmo Moisés. O profeta guardador pode, entretanto, ser um profeta posterior, tal como Samuel (Jr 15.1) ou Elias (1Rs 19.9-18).

 

*          12.14   Efraim... provocou. Uma vez mais, a fidelidade de Deus à aliança (v. 13) é contrastado com a infidelidade de Israel. O Senhor havia sido provocado pela adoração a deuses pagãos (Dt 32.21), mas aqui, ainda há implicações de outras ofensas.

 

sangue... derramado. Esta é uma referência ou ao próprio assassinato (4.2; 5.2; 6.8) ou, conforme aparece em antigos textos jurídicos, qualquer crime capital. Este versículo conclui os processos legais, e é paralelo, quanto à estrutura, ao v. 2, que introduz a seção. A eleição segundo a aliança envolve responsabilidades segundo a aliança.

 

*          13.1                 Aqui começa um aviso do castigo pelos pecados passados (v. 1) e presentes (v. 2).

 

Efraim. Ver nota em 4.17.

 

Baal. Ver 2.7,8,17; 9.10; 11.2.

 

morreu. Por causa de sua idolatria, o reino do norte (Efraim) podia ser considerado morto em delitos e pecados (cf. Ef 2.1).

 

*          13.2                 Imagens de fundição, ídolos... bezerros. O quadro coletivo é de estatuetas de bezerros, feitos de bronze e recobertos de prata (Êx 32.4,8; 34.17; Lv 19.4; Dt 19.16). Os ídolos de bezerros era de origem cananéia e estava vinculado à adoração a Baal, mas os idólatras também o associavam, em suas próprias mentes, com o Senhor (8.5,6; 10.5 e notas).

 

beijam bezerros. Ver referência lateral. Isso era um ato de devoção, adoração ou apaziguamento (1Rs 19.18).

 

*          13.3                 nuvem... orvalho. Ver 6.4.

 

*          13.4                 Ver nota em 12.9.

 

*          Não conhecerás outro deus além de mim. Essa declaração faz contraste com a idolatria referida no v. 2. A afirmação, relembrando a Israel que o relacionamento pactual com Deus é exclusivo, é lançada na linguagem do primeiro mandamento (Êx 20.2,3; Dt 5.6,7), mas com a idéia adicional de "conhecer" a Deus. Outros chamados deuses eram adorados, mas somente o único verdadeiro Deus podia ser "conhecido". Ver Introdução: Características e Temas. Outras ligações com os requisitos pactuais do Decálogo são evidentes na descrição da idolatria de Israel (vs. 1,2), uma clara violação do segundo mandamento (Êx 20.4-6; Dt 5.8-10).

 

*          13.5                 Eu te conheci. Israel aparece aqui em solidariedade coletiva pelo pronome hebraico no singular, "te". Essa forma do pronome enfatiza a natureza pessoal do relacionamento pactual de Deus com o seu povo. Ver Introdução: Características e Temas; Gn 17.7 e nota.

 

deserto. Durante as perambulações difíceis pelo deserto, Deus conhecia e estava preparando o seu povo. Por semelhante modo, Deus usaria o exílio do "deserto" para regenerar Israel (2.14-16).

 

*          13.6                 Este versículo descreve um processo de descida na escala moral e na adoração (Dt 32.10-18; Jr 2).

 

se esqueceram. Esse clímax lamentável faz contraste com os dias anteriores de conhecimento (vs. 4,5 e notas; cf. Dt 8.11-20).

 

*          13.7-9             Esta espantosa comparação de Deus com animais ferozes que devoram o rebanho ecoa as maldições da aliança para a desobediência (Lv 26.21,22; Dt 32.24; Ez 14.21). Essas figuras de linguagem retratam a severidade do julgamento divino (5.14; Pv 17.12; Jr 5.6).

 

*          13.9                 teu socorro. A destruição de Israel é explicada aqui em termos da rebeldia da nação contra seu Ajudador. Não há ajuda como a de Deus (Êx 18.4; Dt 33.26-29; Sl 10.14; 54.5; 115.9-11; 121.2-8; 146.5). Opor-se alguém a Deus é convidar a destruição.

 

*          13.10   Dá-me rei. Quanto ao pedido de Israel pela monarquia, ver 1Sm 8. Pedir um rei significara que eles tinham rejeitado a Deus como seu rei (1Sm 13.9,10). O senso de segurança deles, por terem um rei, era apenas uma ilusão.

 

*          13.11   Dei-te um rei... e to tirei. Embora descreva uma ação passada, o tempo verbal, no hebraico, sugere um processo contínuo de dar e tomar. O rei não é especificado. Talvez tenhamos aqui uma referência aos assassinatos reais dos tempos de Oséias (3.4; 7.7; 8.4; 10.3; cf. 2Rs 15.8-31 e 17.1.6), a um antigo rei como Saul (que estava vivo quando um rei foi pedido pela primeira vez), ou mesmo a todos os reis do norte (todos os vinte que fizeram "o que era mau perante o SENHOR").

 

*          13.12   A fim de que não fossem esquecidas ou diminuídas, as transgressões são figuradamente atadas juntas e então guardadas em um lugar seguro, para retribuição futura (7.2; 9.9; Dt 32.34; Jó 14.17).

 

Efraim. Ver nota em 4.17.

 

*          13.13   O apuro de Israel, que estava esperando uma condenação certeira, foi vividamente comparado com a triste sorte de uma mãe e seu filho, durante um nascimento mal-sucedido (cf. 2Rs 19.3). Esse complexo quadro verbal compara Israel tanto a uma mãe (que enfrentaria a tristeza e certamente a morte) quanto a um bebê (que, teimosamente se recusava a ser trazido à luz em segurança).

 

filho insensato. Israel é aqui retratado como um feto que deixara de posicionar-se favoravelmente no útero de sua mãe, para que houvesse o parto. Essa figura surpreendente relaciona-se ao tema da falta de reconhecer a Deus (Introdução: Características e Temas).

 

*          13.14   Eu os remirei... e os resgatarei. Ver referências laterais. Para alguns intérpretes, o contexto de julgamento, nos vs. 12 e 15, indica que essas duas linhas deveriam ser traduzidas como perguntas retóricas: ("Eu os remirei do poder do inferno? e os resgatarei da morte?") cujas respostas subentendidas seriam "Não!" Com essa interpretação, as duas cláusulas seguintes: ("Ó morte... ó inferno"), convocam as armas da morte para destruir Israel. Entretanto, é melhor ainda considerar este versículo como se prenunciasse o espírito positivo de 14.4-7. Como tal, este versículo é uma das grandes afirmações do Antigo Testamento a respeito do poder de Deus sobre o último inimigo, a morte (cf. 1Co 15.55). Se o antigo Israel, dos dias de Oséias, não se valeu do poder divino sobre a morte, o verdadeiro Israel espiritual (Cristo com a sua Igreja) experimentam esta verdade. O triunfo final de Deus sobre o último inimigo e garantido pela morte e pela ressurreição de Cristo.

 

Meus olhos não vêem em mim arrependimento algum. A palavra hebraica aqui traduzida por "arrependimento" pode ser também entendida como "lamento". Deus não se “arrependerá” (isto é, não mudará a sua mente), em seu intuito de vencer a morte, em favor de seu povo.

 

*          13.15   Ainda que ele viceja.  Esse é Efraim, cujo nome vem da mesma raiz hebraica que significa "vicejar, frutificar" (9.16 nota).

 

leste, vento do SENHOR. Ver 12.1 e nota. Aqui, essa força destrutiva é um símbolo da Assíria, como instrumento do julgamento divino contra Israel (Introdução: Data e Ocasião; Is 10.5,6).

 

*          13.16   Samaria. Capital, bem como a força impulsionadora da rebeldia do reino do norte.

 

cairá... despedaçados... abertas pelo meio. Linguagem figurada que indica destruição (vs. 3, 8, 15), uma estremecedora expressão de dura realidade.

 

*          14.1-3              O profeta fala ao povo, exortando-o ao arrependimento, antes de transmitir a promessa divina de bênção (vs. 4-8).

 

*          14.1                 Volta. Essa exortação temática ao arrependimento (2.7; 3.5; 6.1; 7.10 e 12.6) é agora dirigida àqueles que já tinham caído por causa de seus pecados.

 

*          14.2                 Tende convosco palavras. Palavras de confissão acompanhadas pela obediência agradam a Deus, mas não os sacrifícios insinceros (ver 5.6; 6.6; 8.11-13). Uma linguagem exata de confissão é sugerida nos vs. 2 e 3.

 

os sacrifícios dos nossos lábios. Ou "fruto de nossos lábios" (ver referência lateral). As palavras hebraicas para "novilhos" (aqui traduzida por "sacrifícios") e "fruto" são semelhantes. Ver Pv 12.14; 13.2; Hb 13.15.

 

*          14.3                 A Assíria... cavalos... Deus. A nação de Israel deve desistir de confiar em potências políticas estrangeiras (5.13; 7.11; 12.1), em sua própria capacidade militar (10.13; cf. Sl 33.16,17), e na religião idólatra e sincretista (2.8,13; 3.1; 4.12; 8.5,6; 10.5,6 e 13.2).

 

o órfão alcançará misericórdia. Essas palavras aludem ao tema anterior da perda e da restauração do amor, ilustrado pelo casamento de Oséias e pela sua filha Desfavorecida (1.6; 2.2-4,14-23). Ver Introdução: Características e Temas.

 

*          14.4                 Curarei. A promessa da cura começou a ter cumprimento quanto Israel voltou do exílio na Babilônia, no sexto século. Está tendo muito maior cumprimento em Jesus Cristo e sua Igreja, e será consumada por ocasião de sua Segunda Vinda.

 

infidelidade. A infidelidade característica de Israel (4.10-12; 5.4; 7.4 e 11.7) seria curada pelo grande Médico, cuja ira agora se tinha aplacado.

 

de mim mesmo os amarei. Neste cântico de amor, ouvimos novamente falar do profundo afeto de Deus por seus eleitos. Esse amor desmerecido é aquilo que o Novo Testamento chama de graça (Rm 5.15; Ef 2.5,8).

 

*          14.5-7              Nesta seção, resplandecente com a linguagem do amor, metáforas vívidas, inspiradas pela vida vegetal — um lírio que se abria (Ct 2.1,16), um cedro do Líbano profundamente arraigado, florescente e fragrante (Sl 92.12; 104.16), uma esplêndida oliveira (Sl 52.8; Jr 11.16), uma árvore frondosa que dava sombra (Ct 2.3; Ez 17.22,23), grãos vicejantes (2.8,22), uma vinha luxuriante (10.1; Is 5.1-7) e o fruto da vinha — todas essas coisas pintam uma nação de Israel vigorosa, renomada, estável e próspera, florescendo sob os cuidados de Deus, que é comparado ao orvalho que transmite vida (Dt 33.13).

 

*          14.8                 cipreste verde. Como uma árvore renomada como um símbolo de vida (cf. Gn 3.22; Ap 22.2), Deus daria fruto à infrutífera nação de Efraim (9.16, nota).

 

*          14.9     Quem é sábio. Esse epílogo desafia cada geração a considerar cuidadosamente os caminhos do Senhor apresentados no livro (cf. Sl 1; 18.21; Pv 10.29). As escolhas que Israel estava enfrentando também são apresentadas ao leitor: sabedoria ou insensatez; discipulado ou rebeldia; vida ou morte. Os sábios "escolherão a vida" (Dt 30.19,20).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

-----------------------------------------------------------------------------

www.sergiovalentin.teo.br

[email protected]

LOGO FACE cópia.jpgsergiovalentin