1
- 31:31
1 Introdução. Uso dos provérbios 1-7
1:1 Provérbios de Salomão, filho de Davi, o
rei de Israel.
1:2 Para aprender a sabedoria e o ensino; para
entender as palavras de inteligência;
1:3 para obter o ensino do bom proceder, a
justiça, o juízo e a eqüidade;
1:4 para dar aos simples prudência e aos
jovens, conhecimento e bom siso.
1:5 Ouça o sábio e cresça em prudência; e o
instruído adquira habilidade
1:6 para entender provérbios e parábolas, as
palavras e enigmas dos sábios.
1:7 O temor do SENHOR é o princípio do saber,
mas os loucos desprezam a sabedoria e o ensino.
8-19 Contra as seduções dos pecadores
8-9.28 Primeira coleção
1:8 Filho meu, ouve o ensino de teu pai e não deixes
a instrução de tua mãe.
1:9 Porque serão diadema de graça para a tua
cabeça e colares, para o teu pescoço.
1:10 Filho meu, se os pecadores querem
seduzir-te, não o consintas.
1:11 Se disserem: Vem conosco, embosquemo-nos
para derramar sangue, espreitemos, ainda que sem motivo, os inocentes;
1:12 traguemo-los vivos, como o abismo, e
inteiros, como os que descem à cova;
1:13 acharemos toda sorte de bens preciosos;
encheremos de despojos a nossa casa;
1:14 lança a tua sorte entre nós; teremos
todos uma só bolsa.
1:15 Filho meu, não te ponhas a caminho com
eles; guarda das suas veredas os pés;
1:16 porque os seus pés correm para o mal e se
apressam a derramar sangue.
1:17 Pois debalde se estende a rede à vista de
qualquer ave.
1:18 Estes se emboscam contra o seu próprio
sangue e a sua própria vida espreitam.
1:19 Tal é a sorte de todo ganancioso; e este
espírito de ganância tira a vida de quem o possui.
20-33 Clama a Sabedoria
1:20 Grita na rua a Sabedoria, nas praças,
levanta a voz;
1:21 do alto dos muros clama, à entrada das
portas e nas cidades profere as suas palavras:
1:22 Até quando, ó néscios, amareis a
necedade? E vós, escarnecedores, desejareis o escárnio? E vós, loucos,
aborrecereis o conhecimento?
1:23 Atentai para a minha repreensão; eis que
derramarei copiosamente para vós outros o meu espírito e vos farei saber as
minhas palavras.
1:24 Mas, porque clamei, e vós recusastes;
porque estendi a mão, e não houve quem atendesse;
1:25 antes, rejeitastes todo o meu conselho e
não quisestes a minha repreensão;
1:26 também eu me rirei na vossa desventura,
e, em vindo o vosso terror, eu zombarei,
1:27 em vindo o vosso terror como a
tempestade, em vindo a vossa perdição como o redemoinho, quando vos chegar o
aperto e a angústia.
1:28 Então, me invocarão, mas eu não
responderei; procurar-me-ão, porém não me hão de achar.
1:29 Porquanto aborreceram o conhecimento e
não preferiram o temor do SENHOR;
1:30 não quiseram o meu conselho e desprezaram
toda a minha repreensão.
1:31 Portanto, comerão do fruto do seu
procedimento e dos seus próprios conselhos se fartarão.
1:32 Os néscios são mortos por seu desvio, e
aos loucos a sua impressão de bem-estar os leva à perdição.
1:33 Mas o que me der ouvidos habitará seguro,
tranqüilo e sem temor do mal.
2 A excelência da sabedoria 1-22
2:1 Filho meu, se aceitares as minhas palavras
e esconderes contigo os meus mandamentos,
2:2 para fazeres atento à sabedoria o teu
ouvido e para inclinares o coração ao entendimento,
2:3 e, se clamares por inteligência, e por
entendimento alçares a voz,
2:4 se buscares a sabedoria como a prata e
como a tesouros escondidos a procurares,
2:5 então, entenderás o temor do SENHOR e
acharás o conhecimento de Deus.
2:6 Porque o SENHOR dá a sabedoria, e da sua
boca vem a inteligência e o entendimento.
2:7 Ele reserva a verdadeira sabedoria para os
retos; é escudo para os que caminham na sinceridade,
2:8 guarda as veredas do juízo e conserva o
caminho dos seus santos.
2:9 Então, entenderás justiça, juízo e
eqüidade, todas as boas veredas.
2:10 Porquanto a sabedoria entrará no teu
coração, e o conhecimento será agradável à tua alma.
2:11 O bom siso te guardará, e a inteligência
te conservará;
2:12 para te livrar do caminho do mal e do
homem que diz coisas perversas;
2:13 dos que deixam as veredas da retidão,
para andarem pelos caminhos das trevas;
2:14 que se alegram de fazer o mal, folgam com
as perversidades dos maus,
2:15 seguem veredas tortuosas e se desviam nos
seus caminhos;
2:16 para te livrar da mulher adúltera, da
estrangeira, que lisonjeia com palavras,
2:17 a qual deixa o amigo da sua mocidade e se
esquece da aliança do seu Deus;
2:18 porque a sua casa se inclina para a
morte, e as suas veredas, para o reino das sombras da morte;
2:19 todos os que se dirigem a essa mulher não
voltarão e não atinarão com as veredas da vida.
2:20 Assim, andarás pelo caminho dos homens de
bem e guardarás as veredas dos justos.
2:21 Porque os retos habitarão a terra, e os
íntegros permanecerão nela.
2:22 Mas os perversos serão eliminados da
terra, e os aleivosos serão dela desarraigados.
3 Exortação a Sabedoria a obedecer o Senhor 1-35
3:1 Filho meu, não te esqueças dos meus
ensinos, e o teu coração guarde os meus mandamentos;
3:2 porque eles aumentarão os teus dias e te
acrescentarão anos de vida e paz.
3:3 Não te desamparem a benignidade e a
fidelidade; ata-as ao pescoço; escreve-as na tábua do teu coração
3:4 e acharás graça e boa compreensão diante
de Deus e dos homens.
3:5 Confia no SENHOR de todo o teu coração e
não te estribes no teu próprio entendimento.
3:6 Reconhece-o em todos os teus caminhos, e
ele endireitará as tuas veredas.
3:7 Não sejas sábio aos teus próprios olhos;
teme ao SENHOR e aparta-te do mal;
3:8 será isto saúde para o teu corpo e
refrigério, para os teus ossos.
3:9 Honra ao SENHOR com os teus bens e com as
primícias de toda a tua renda;
3:10 e se encherão fartamente os teus
celeiros, e transbordarão de vinho os teus lagares.
3:11 Filho meu, não rejeites a disciplina do
SENHOR, nem te enfades da sua repreensão.
3:12 Porque o SENHOR repreende a quem ama,
assim como o pai, ao filho a quem quer bem.
3:13 Feliz o homem que acha sabedoria, e o
homem que adquire conhecimento;
3:14 porque melhor é o lucro que ela dá do que
o da prata, e melhor a sua renda do que o ouro mais fino.
3:15 Mais preciosa é do que pérolas, e tudo o
que podes desejar não é comparável a ela.
3:16 O alongar-se da vida está na sua mão
direita, na sua esquerda, riquezas e honra.
3:17 Os seus caminhos são caminhos deliciosos,
e todas as suas veredas, paz.
3:18 É árvore de vida para os que a alcançam,
e felizes são todos os que a retêm.
3:19 O SENHOR com sabedoria fundou a terra,
com inteligência estabeleceu os céus.
3:20 Pelo seu conhecimento os abismos se
rompem, e as nuvens destilam orvalho.
3:21 Filho meu, não se apartem estas coisas
dos teus olhos; guarda a verdadeira sabedoria e o bom siso;
3:22 porque serão vida para a tua alma e
adorno ao teu pescoço.
3:23 Então, andarás seguro no teu caminho, e
não tropeçará o teu pé.
3:24 Quando te deitares, não temerás;
deitar-te-ás, e o teu sono será suave.
3:25 Não temas o pavor repentino, nem a
arremetida dos perversos, quando vier.
3:26 Porque o SENHOR será a tua segurança e
guardará os teus pés de serem presos.
3:27 Não te furtes a fazer o bem a quem de
direito, estando na tua mão o poder de fazê-lo.
3:28 Não digas ao teu próximo: Vai e volta
amanhã; então, to darei, se o tens agora contigo.
3:29 Não maquines o mal contra o teu próximo,
pois habita junto de ti confiadamente.
3:30 Jamais pleiteies com alguém sem razão, se
te não houver feito mal.
3:31 Não tenhas inveja do homem violento, nem
sigas nenhum de seus caminhos;
3:32 porque o SENHOR abomina o perverso, mas
aos retos trata com intimidade.
3:33 A maldição do SENHOR habita na casa do
perverso, porém a morada dos justos ele abençoa.
3:34 Certamente, ele escarnece dos
escarnecedores, mas dá graça aos humildes.
3:35 Os sábios herdarão honra, mas os loucos
tomam sobre si a ignomínia.
4 Exortação paternal 1-27
4:1 Ouvi, filhos, a instrução do pai e estai
atentos para conhecerdes o entendimento;
4:2 porque vos dou boa doutrina; não deixeis o
meu ensino.
4:3 Quando eu era filho em companhia de meu
pai, tenro e único diante de minha mãe,
4:4 então, ele me ensinava e me dizia: Retenha
o teu coração as minhas palavras; guarda os meus mandamentos e vive;
4:5 adquire a sabedoria, adquire o
entendimento e não te esqueças das palavras da minha boca, nem delas te
apartes.
4:6 Não desampares a sabedoria, e ela te
guardará; ama-a, e ela te protegerá.
4:7 O princípio da sabedoria é: Adquire a
sabedoria; sim, com tudo o que possuis, adquire o entendimento.
4:8 Estima-a, e ela te exaltará; se a
abraçares, ela te honrará;
4:9 dará à tua cabeça um diadema de graça e
uma coroa de glória te entregará.
4:10 Ouve, filho meu, e aceita as minhas
palavras, e se te multiplicarão os anos de vida.
4:11 No caminho da sabedoria, te ensinei e
pelas veredas da retidão te fiz andar.
4:12 Em andando por elas, não se embaraçarão
os teus passos; se correres, não tropeçarás.
4:13 Retém a instrução e não a largues;
guarda-a, porque ela é a tua vida.
4:14 Não entres na vereda dos perversos, nem
sigas pelo caminho dos maus.
4:15 Evita-o; não passes por ele; desvia-te
dele e passa de largo;
4:16 pois não dormem, se não fizerem mal, e
foge deles o sono, se não fizerem tropeçar alguém;
4:17 porque comem o pão da impiedade e bebem o
vinho das violências.
4:18 Mas a vereda dos justos é como a luz da
aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito.
4:19 O caminho dos perversos é como a
escuridão; nem sabem eles em que tropeçam.
4:20 Filho meu, atenta para as minhas
palavras; aos meus ensinamentos inclina os ouvidos.
4:21 Não os deixes apartar-se dos teus olhos;
guarda-os no mais íntimo do teu coração.
4:22 Porque são vida para quem os acha e
saúde, para o seu corpo.
4:23 Sobre tudo o que se deve guardar, guarda
o coração, porque dele procedem as fontes da vida.
4:24 Desvia de ti a falsidade da boca e afasta
de ti a perversidade dos lábios.
4:25 Os teus olhos olhem direito, e as tuas
pálpebras, diretamente diante de ti.
4:26 Pondera a vereda de teus pés, e todos os
teus caminhos sejam retos.
4:27 Não declines nem para a direita nem para
a esquerda; retira o teu pé do mal.
5 Advertência contra a lascívia 1-23
5:1 Filho meu, atende a minha sabedoria; à
minha inteligência inclina os ouvidos
5:2 para que conserves a discrição, e os teus
lábios guardem o conhecimento;
5:3 porque os lábios da mulher adúltera
destilam favos de mel, e as suas palavras são mais suaves do que o azeite;
5:4 mas o fim dela é amargoso como o absinto,
agudo, como a espada de dois gumes.
5:5 Os seus pés descem à morte; os seus passos
conduzem-na ao inferno.
5:6 Ela não pondera a vereda da vida; anda
errante nos seus caminhos e não o sabe.
5:7 Agora, pois, filho, dá-me ouvidos e não te
desvies das palavras da minha boca.
5:8 Afasta o teu caminho da mulher adúltera e
não te aproximes da porta da sua casa;
5:9 para que não dês a outrem a tua honra, nem
os teus anos, a cruéis;
5:10 para que dos teus bens não se fartem os
estranhos, e o fruto do teu trabalho não entre em casa alheia;
5:11 e gemas no fim de tua vida, quando se
consumirem a tua carne e o teu corpo,
5:12 e digas: Como aborreci o ensino! E
desprezou o meu coração a disciplina!
5:13 E não escutei a voz dos que me ensinavam,
nem a meus mestres inclinei os ouvidos!
5:14 Quase que me achei em todo mal que
sucedeu no meio da assembléia e da congregação.
5:15 Bebe a água da tua própria cisterna e das
correntes do teu poço.
5:16 Derramar-se-iam por fora as tuas fontes,
e, pelas praças, os ribeiros de águas?
5:17 Sejam para ti somente e não para os
estranhos contigo.
5:18 Seja bendito o teu manancial, e alegra-te
com a mulher da tua mocidade,
5:19 corça de amores e gazela graciosa.
Saciem-te os seus seios em todo o tempo; e embriaga-te sempre com as suas
carícias.
5:20 Por que, filho meu, andarias cego pela
estranha e abraçarias o peito de outra?
5:21 Porque os caminhos do homem estão perante
os olhos do SENHOR, e ele considera todas as suas veredas.
5:22 Quanto ao perverso, as suas iniqüidades o
prenderão, e com as cordas do seu pecado será detido.
5:23 Ele morrerá pela falta de disciplina, e,
pela sua muita loucura, perdido, cambaleia.
6 Advertência contra a servir como fiador 1-5
6:1 Filho meu, se ficaste por fiador do teu
companheiro e se te empenhaste ao estranho,
6:2 estás enredado com o que dizem os teus
lábios, estás preso com as palavras da tua boca.
6:3 Agora, pois, faze isto, filho meu, e
livra-te, pois caíste nas mãos do teu companheiro: vai, prostra-te e importuna
o teu companheiro;
6:4 não dês sono aos teus olhos, nem repouso
às tuas pálpebras;
6:5 livra-te, como a gazela, da mão do caçador
e, como a ave, da mão do passarinheiro.
6:6 Vai ter com a formiga, ó preguiçoso,
considera os seus caminhos e sê sábio.
6:7 Não tendo ela chefe, nem oficial, nem
comandante,
6:8 no estio, prepara o seu pão, na sega,
ajunta o seu mantimento.
6:9 Ó preguiçoso, até quando ficarás deitado?
Quando te levantarás do teu sono?
6:10 Um pouco para dormir, um pouco para
tosquenejar, um pouco para encruzar os braços em repouso,
6-11 Advertência contra a preguiça
6:11 assim sobrevirá a tua pobreza como um
ladrão, e a tua necessidade, como um homem armado.
12-19 Advertência contra a maldade
6:12 O homem de Belial, o homem vil, é o que
anda com a perversidade na boca,
6:13 acena com os olhos, arranha com os pés e
faz sinais com os dedos.
6:14 No seu coração há perversidade; todo o
tempo maquina o mal; anda semeando contendas.
6:15 Pelo que a sua destruição virá
repentinamente; subitamente, será quebrantado, sem que haja cura.
6:16 Seis coisas o SENHOR aborrece, e a sétima
a sua alma abomina:
6:17 olhos altivos, língua mentirosa, mãos que
derramam sangue inocente,
6:18 coração que trama projetos iníquos, pés
que se apressam a correr para o mal,
6:19 testemunha falsa que profere mentiras e o
que semeia contendas entre irmãos.
20-35
Advertência contra a mulher adúltera
6:20 Filho meu, guarda o mandamento de teu pai
e não deixes a instrução de tua mãe;
6:21 ata-os perpetuamente ao teu coração,
pendura-os ao pescoço.
6:22 Quando caminhares, isso te guiará; quando
te deitares, te guardará; quando acordares, falará contigo.
6:23 Porque o mandamento é lâmpada, e a
instrução, luz; e as repreensões da disciplina são o caminho da vida;
6:24 para te guardarem da vil mulher e das
lisonjas da mulher alheia.
6:25 Não cobices no teu coração a sua
formosura, nem te deixes prender com as suas olhadelas.
6:26 Por uma prostituta o máximo que se paga é
um pedaço de pão, mas a adúltera anda à caça de vida preciosa.
6:27 Tomará alguém fogo no seio, sem que as
suas vestes se incendeiem?
6:28 Ou andará alguém sobre brasas, sem que se
queimem os seus pés?
6:29 Assim será com o que se chegar à mulher
do seu próximo; não ficará sem castigo todo aquele que a tocar.
6:30 Não é certo que se despreza o ladrão,
quando furta para saciar-se, tendo fome?
6:31 Pois este, quando encontrado, pagará sete
vezes tanto; entregará todos os bens de sua casa.
6:32 O que adultera com uma mulher está fora
de si; só mesmo quem quer arruinar-se é que pratica tal coisa.
6:33 Achará açoites e infâmia, e o seu
opróbrio nunca se apagará.
6:34 Porque o ciúme excita o furor do marido;
e não terá compaixão no dia da vingança.
6:35 Não se contentará com o resgate, nem
aceitará presentes, ainda que sejam muitos.
7 Mais adversidades contra a mulher adúltera 1-27
7:1 Filho meu, guarda as minhas palavras e
conserva dentro de ti os meus mandamentos.
7:2 Guarda os meus mandamentos e vive; e a
minha lei, como a menina dos teus olhos.
7:3 Ata-os aos dedos, escreve-os na tábua do
teu coração.
7:4 Dize à Sabedoria: Tu és minha irmã; e ao
Entendimento chama teu parente;
7:5 para te guardarem da mulher alheia, da
estranha que lisonjeia com palavras.
7:6 Porque da janela da minha casa, por minhas
grades, olhando eu,
7:7 vi entre os simples, descobri entre os
jovens um que era carecente de juízo,
7:8 que ia e vinha pela rua junto à esquina da
mulher estranha e seguia o caminho da sua casa,
7:9 à tarde do dia, no crepúsculo, na
escuridão da noite, nas trevas.
7:10 Eis que a mulher lhe sai ao encontro, com
vestes de prostituta e astuta de coração.
7:11 É apaixonada e inquieta, cujos pés não
param em casa;
7:12 ora está nas ruas, ora, nas praças,
espreitando por todos os cantos.
7:13 Aproximou-se dele, e o beijou, e de cara
impudente lhe diz:
7:14 Sacrifícios pacíficos tinha eu de
oferecer; paguei hoje os meus votos.
7:15 Por isso, saí ao teu encontro, a
buscar-te, e te achei.
7:16 Já cobri de colchas a minha cama, de
linho fino do Egito, de várias cores;
7:17 já perfumei o meu leito com mirra, aloés
e cinamomo.
7:18 Vem, embriaguemo-nos com as delícias do
amor, até pela manhã; gozemos amores.
7:19
Porque o meu marido não está em casa, saiu de viagem para longe.
7:20 Levou consigo um saquitel de dinheiro; só
por volta da lua cheia ele tornará para casa.
7:21 Seduziu-o com as suas muitas palavras,
com as lisonjas dos seus lábios o arrastou.
7:22 E ele num instante a segue, como o boi
que vai ao matadouro; como o cervo que corre para a rede,
7:23 até que a flecha lhe atravesse o coração;
como a ave que se apressa para o laço, sem saber que isto lhe custará a vida.
7:24 Agora, pois, filho, dá-me ouvidos e sê
atento às palavras da minha boca;
7:25 não se desvie o teu coração para os
caminhos dela, e não andes perdido nas suas veredas;
7:26 porque a muitos feriu e derribou; e são
muitos os que por ela foram mortos.
7:27 A sua casa é caminho para a sepultura e
desce para as câmaras da morte.
8
A excelência da Sabedoria 1-21
8:1 Não clama, porventura, a Sabedoria, e o
Entendimento não faz ouvir a sua voz?
8:2 No cimo das alturas, junto ao caminho, nas
encruzilhadas das veredas ela se coloca;
8:3 junto às portas, à entrada da cidade, à
entrada das portas está gritando:
8:4 A vós outros, ó homens, clamo; e a minha
voz se dirige aos filhos dos homens.
8:5 Entendei, ó simples, a prudência; e vós,
néscios, entendei a sabedoria.
8:6 Ouvi, pois falarei coisas excelentes; os
meus lábios proferirão coisas retas.
8:7 Porque a minha boca proclamará a verdade;
os meus lábios abominam a impiedade.
8:8 São justas todas as palavras da minha
boca; não há nelas nenhuma coisa torta, nem perversa.
8:9 Todas são retas para quem as entende e
justas, para os que acham o conhecimento.
8:10 Aceitai o meu ensino, e não a prata, e o
conhecimento, antes do que o ouro escolhido.
8:11 Porque melhor é a sabedoria do que jóias,
e de tudo o que se deseja nada se pode comparar com ela.
8:12 Eu, a Sabedoria, habito com a prudência e
disponho de conhecimentos e de conselhos.
8:13 O temor do SENHOR consiste em aborrecer o
mal; a soberba, a arrogância, o mau caminho e a boca perversa, eu os aborreço.
8:14 Meu é o conselho e a verdadeira
sabedoria, eu sou o Entendimento, minha é a fortaleza.
8:15 Por meu intermédio, reinam os reis, e os
príncipes decretam justiça.
8:16 Por meu intermédio, governam os
príncipes, os nobres e todos os juízes da terra.
8:17 Eu amo os que me amam; os que me procuram
me acham.
8:18 Riquezas e honra estão comigo, bens
duráveis e justiça.
8:19 Melhor é o meu fruto do que o ouro, do
que o ouro refinado; e o meu rendimento, melhor do que a prata escolhida.
8:20 Ando pelo caminho da justiça, no meio das
veredas do juízo,
8:21 para dotar de bens os que me amam e lhes
encher os tesouros.
22-36 A eternidade da Sabedoria
8:22 O SENHOR me possuía no início de sua
obra, antes de suas obras mais antigas.
8:23 Desde a eternidade fui estabelecida,
desde o princípio, antes do começo da terra.
8:24 Antes de haver abismos, eu nasci, e antes
ainda de haver fontes carregadas de águas.
8:25 Antes que os montes fossem firmados,
antes de haver outeiros, eu nasci.
8:26 Ainda ele não tinha feito a terra, nem as
amplidões, nem sequer o princípio do pó do mundo.
8:27 Quando ele preparava os céus, aí estava
eu; quando traçava o horizonte sobre a face do abismo;
8:28 quando firmava as nuvens de cima; quando
estabelecia as fontes do abismo;
8:29 quando fixava ao mar o seu limite, para
que as águas não traspassassem os seus limites; quando compunha os fundamentos
da terra;
8:30 então, eu estava com ele e era seu
arquiteto, dia após dia, eu era as suas delícias, folgando perante ele em todo
o tempo;
8:31 regozijando-me no seu mundo habitável e
achando as minhas delícias com os filhos dos homens.
8:32 Agora, pois, filhos, ouvi-me, porque
felizes serão os que guardarem os meus caminhos.
8:33 Ouvi o ensino, sede sábios e não o
rejeiteis.
8:34 Feliz o homem que me dá ouvidos, velando
dia a dia às minhas portas, esperando às ombreiras da minha entrada.
8:35 Porque o que me acha acha a vida e
alcança favor do SENHOR.
8:36 Mas o que peca contra mim violenta a
própria alma. Todos os que me aborrecem amam a morte.
9 O banquete da Sabedoria 1-12
9:1 A Sabedoria edificou a sua casa, lavrou as
suas sete colunas.
9:2 Carneou os seus animais, misturou o seu
vinho e arrumou a sua mesa.
9:3 Já deu ordens às suas criadas e, assim,
convida desde as alturas da cidade:
9:4 Quem é simples, volte-se para aqui. Aos
faltos de senso diz:
9:5 Vinde, comei do meu pão e bebei do vinho
que misturei.
9:6 Deixai os insensatos e vivei; andai pelo
caminho do entendimento.
9:7 O que repreende o escarnecedor traz
afronta sobre si; e o que censura o perverso a si mesmo se injuria.
9:8 Não repreendas o escarnecedor, para que te
não aborreça; repreende o sábio, e ele te amará.
9:9 Dá instrução ao sábio, e ele se fará mais
sábio ainda; ensina ao justo, e ele crescerá em prudência.
9:10 O temor do SENHOR é o princípio da
sabedoria, e o conhecimento do Santo é prudência.
9:11 Porque por mim se multiplicam os teus
dias, e anos de vida se te acrescentarão.
9:12 Se és sábio, para ti mesmo o és; se és
escarnecedor, tu só o suportarás.
13-18 O convite da mulher-loucura
9:13 A loucura é mulher apaixonada, é
ignorante e não sabe coisa alguma.
9:14 Assenta-se à porta de sua casa, nas
alturas da cidade, toma uma cadeira,
9:15 para dizer aos que passam e seguem
direito o seu caminho:
9:16 Quem é simples, volte-se para aqui. E aos
faltos de senso diz:
9:17 As águas roubadas são doces, e o pão
comido às ocultas é agradável.
9:18 Eles, porém, não sabem que ali estão os
mortos, que os seus convidados estão nas profundezas do inferno.
10 O justo em contraste com o perverso 1-32
1-22.16 Segunda coleção: “Palavras de Salomão”
10:1 Provérbios de Salomão. O filho sábio
alegra a seu pai, mas o filho insensato é a tristeza de sua mãe.
10:2 Os tesouros da impiedade de nada
aproveitam, mas a justiça livra da morte.
10:3 O SENHOR não deixa ter fome o justo, mas
rechaça a avidez dos perversos.
10:4 O que trabalha com mão remissa empobrece,
mas a mão dos diligentes vem a enriquecer-se.
10:5 O que ajunta no verão é filho sábio, mas
o que dorme na sega é filho que envergonha.
10:6 Sobre a cabeça do justo há bênçãos, mas
na boca dos perversos mora a violência.
10:7 A memória do justo é abençoada, mas o
nome dos perversos cai em podridão.
10:8 O sábio de coração aceita os mandamentos,
mas o insensato de lábios vem a arruinar-se.
10:9 Quem anda em integridade anda seguro, mas
o que perverte os seus caminhos será conhecido.
10:10 O que acena com os olhos traz desgosto,
e o insensato de lábios vem a arruinar-se.
10:11 A boca do justo é manancial de vida, mas
na boca dos perversos mora a violência.
10:12 O ódio excita contendas, mas o amor
cobre todas as transgressões.
10:13 Nos lábios do prudente, se acha
sabedoria, mas a vara é para as costas do falto de senso.
10:14 Os sábios entesouram o conhecimento, mas
a boca do néscio é uma ruína iminente.
10:15 Os bens do rico são a sua cidade forte;
a pobreza dos pobres é a sua ruína.
10:16 A obra do justo conduz à vida, e o
rendimento do perverso, ao pecado.
10:17 O caminho para a vida é de quem guarda o
ensino, mas o que abandona a repreensão anda errado.
10:18 O que retém o ódio é de lábios falsos, e
o que difama é insensato.
10:19 No muito falar não falta transgressão,
mas o que modera os lábios é prudente.
10:20 Prata escolhida é a língua do justo, mas
o coração dos perversos vale mui pouco.
10:21 Os lábios do justo apascentam a muitos,
mas, por falta de senso, morrem os tolos.
10:22 A bênção do SENHOR enriquece, e, com
ela, ele não traz desgosto.
10:23 Para o insensato, praticar a maldade é
divertimento; para o homem inteligente, o ser sábio.
10:24 Aquilo que teme o perverso, isso lhe
sobrevém, mas o anelo dos justos Deus o cumpre.
10:25 Como passa a tempestade, assim
desaparece o perverso, mas o justo tem perpétuo fundamento.
10:26 Como vinagre para os dentes e fumaça
para os olhos, assim é o preguiçoso para aqueles que o mandam.
10:27 O temor do SENHOR prolonga os dias da
vida, mas os anos dos perversos serão abreviados.
10:28 A esperança dos justos é alegria, mas a
expectação dos perversos perecerá.
10:29 O caminho do SENHOR é fortaleza para os
íntegros, mas ruína aos que praticam a iniqüidade.
10:30 O justo jamais será abalado, mas os
perversos não habitarão a terra.
10:31 A boca do justo produz sabedoria, mas a
língua da perversidade será desarraigada.
10:32 Os lábios do justo sabem o que agrada,
mas a boca dos perversos, somente o mal.
11
Cap. 1-31
11:1 Balança enganosa é abominação para o
SENHOR, mas o peso justo é o seu prazer.
11:2 Em vindo a soberba, sobrevém a desonra,
mas com os humildes está a sabedoria.
11:3 A integridade dos retos os guia; mas, aos
pérfidos, a sua mesma falsidade os destrói.
11:4 As riquezas de nada aproveitam no dia da
ira, mas a justiça livra da morte.
11:5 A justiça do íntegro endireita o seu
caminho, mas pela sua impiedade cai o perverso.
11:6 A justiça dos retos os livrará, mas na
sua maldade os pérfidos serão apanhados.
11:7 Morrendo o homem perverso, morre a sua
esperança, e a expectação da iniqüidade se desvanece.
11:8 O justo é libertado da angústia, e o
perverso a recebe em seu lugar.
11:9 O ímpio, com a boca, destrói o próximo,
mas os justos são libertados pelo conhecimento.
11:10 No bem-estar dos justos exulta a cidade,
e, perecendo os perversos, há júbilo.
11:11 Pela bênção que os retos suscitam, a
cidade se exalta, mas pela boca dos perversos é derribada.
11:12 O que despreza o próximo é falto de
senso, mas o homem prudente, este se cala.
11:13 O mexeriqueiro descobre o segredo, mas o
fiel de espírito o encobre.
11:14 Não havendo sábia direção, cai o povo,
mas na multidão de conselheiros há segurança.
11:15 Quem fica por fiador de outrem sofrerá
males, mas o que foge de o ser estará seguro.
11:16 A mulher graciosa alcança honra, como os
poderosos adquirem riqueza.
11:17 O homem bondoso faz bem a si mesmo, mas
o cruel a si mesmo se fere.
11:18 O perverso recebe um salário ilusório,
mas o que semeia justiça terá recompensa verdadeira.
11:19 Tão certo como a justiça conduz para a
vida, assim o que segue o mal, para a sua morte o faz.
11:20 Abomináveis para o SENHOR são os
perversos de coração, mas os que andam em integridade são o seu prazer.
11:21 O mau, é evidente, não ficará sem
castigo, mas a geração dos justos é livre.
11:22 Como jóia de ouro em focinho de porco,
assim é a mulher formosa que não tem discrição.
11:23 O desejo dos justos tende somente para o
bem, mas a expectação dos perversos redunda em ira.
11:24 A quem dá liberalmente, ainda se lhe
acrescenta mais e mais; ao que retém mais do que é justo, ser-lhe-á em pura
perda.
11:25 A alma generosa prosperará, e quem dá a
beber será dessedentado.
11:26 Ao que retém o trigo, o povo o
amaldiçoa, mas bênção haverá sobre a cabeça do seu vendedor.
11:27 Quem procura o bem alcança favor, mas ao
que corre atrás do mal, este lhe sobrevirá.
11:28 Quem confia nas suas riquezas cairá, mas
os justos reverdecerão como a folhagem.
11:29 O que perturba a sua casa herda o vento,
e o insensato é servo do sábio de coração.
11:30 O fruto do justo é árvore de vida, e o
que ganha almas é sábio.
11:31 Se o justo é punido na terra, quanto
mais o perverso e o pecador!
12 Cap. 1-28
12:1 Quem ama a disciplina ama o conhecimento,
mas o que aborrece a repreensão é estúpido.
12:2 O homem de bem alcança o favor do SENHOR,
mas ao homem de perversos desígnios, ele o condena.
12:3 O homem não se estabelece pela
perversidade, mas a raiz dos justos não será removida.
12:4 A mulher virtuosa é a coroa do seu
marido, mas a que procede vergonhosamente é como podridão nos seus ossos.
12:5 Os pensamentos do justo são retos, mas os
conselhos do perverso, engano.
12:6 As palavras dos perversos são emboscadas
para derramar sangue, mas a boca dos retos livra homens.
12:7 Os perversos serão derribados e já não
são, mas a casa dos justos permanecerá.
12:8 Segundo o seu entendimento, será louvado
o homem, mas o perverso de coração será desprezado.
12:9 Melhor é o que se estima em pouco e faz o
seu trabalho do que o vanglorioso que tem falta de pão.
12:10 O justo atenta para a vida dos seus
animais, mas o coração dos perversos é cruel.
12:11 O que lavra a sua terra será farto de
pão, mas o que corre atrás de coisas vãs é falto de senso.
12:12 O perverso quer viver do que caçam os
maus, mas a raiz dos justos produz o seu fruto.
12:13 Pela transgressão dos lábios o mau se
enlaça, mas o justo sairá da angústia.
12:14 Cada um se farta de bem pelo fruto da
sua boca, e o que as mãos do homem fizerem ser-lhe-á retribuído.
12:15 O caminho do insensato aos seus próprios
olhos parece reto, mas o sábio dá ouvidos aos conselhos.
12:16 A ira do insensato num instante se
conhece, mas o prudente oculta a afronta.
12:17 O que diz a verdade manifesta a justiça,
mas a testemunha falsa, a fraude.
12:18 Alguém há cuja tagarelice é como pontas
de espada, mas a língua dos sábios é medicina.
12:19 O lábio veraz permanece para sempre, mas
a língua mentirosa, apenas um momento.
12:20 Há fraude no coração dos que maquinam
mal, mas alegria têm os que aconselham a paz.
12:21 Nenhum agravo sobrevirá ao justo, mas os
perversos, o mal os apanhará em cheio.
12:22 Os lábios mentirosos são abomináveis ao
SENHOR, mas os que agem fielmente são o seu prazer.
12:23 O homem prudente oculta o conhecimento,
mas o coração dos insensatos proclama a estultícia.
12:24 A mão diligente dominará, mas a remissa
será sujeita a trabalhos forçados.
12:25 A ansiedade no coração do homem o abate,
mas a boa palavra o alegra.
12:26 O justo serve de guia para o seu
companheiro, mas o caminho dos perversos os faz errar.
12:27 O preguiçoso não assará a sua caça, mas
o bem precioso do homem é ser ele diligente.
12:28 Na vereda da justiça, está a vida, e no
caminho da sua carreira não há morte.
13 Cap. 1-25
13:1 O filho sábio ouve a instrução do pai,
mas o escarnecedor não atende à repreensão.
13:2 Do fruto da boca o homem comerá o bem,
mas o desejo dos pérfidos é a violência.
13:3 O que guarda a boca conserva a sua alma,
mas o que muito abre os lábios a si mesmo se arruína.
13:4 O preguiçoso deseja e nada tem, mas a
alma dos diligentes se farta.
13:5 O justo aborrece a palavra de mentira,
mas o perverso faz vergonha e se desonra.
13:6 A justiça guarda ao que anda em
integridade, mas a malícia subverte ao pecador.
13:7 Uns se dizem ricos sem terem nada; outros
se dizem pobres, sendo mui ricos.
13:8 Com as suas riquezas se resgata o homem,
mas ao pobre não ocorre ameaça.
13:9 A luz dos justos brilha intensamente, mas
a lâmpada dos perversos se apagará.
13:10 Da soberba só resulta a contenda, mas
com os que se aconselham se acha a sabedoria.
13:11 Os bens que facilmente se ganham, esses
diminuem, mas o que ajunta à força do trabalho terá aumento.
13:12 A esperança que se adia faz adoecer o
coração, mas o desejo cumprido é árvore de vida.
13:13 O que despreza a palavra a ela se
apenhora, mas o que teme o mandamento será galardoado.
13:14 O ensino do sábio é fonte de vida, para
que se evitem os laços da morte.
13:15 A boa inteligência consegue favor, mas o
caminho dos pérfidos é intransitável.
13:16 Todo prudente procede com conhecimento,
mas o insensato espraia a sua loucura.
13:17 O mau mensageiro se precipita no mal,
mas o embaixador fiel é medicina.
13:18 Pobreza e afronta sobrevêm ao que
rejeita a instrução, mas o que guarda a repreensão será honrado.
13:19 O desejo que se cumpre agrada a alma,
mas apartar-se do mal é abominável para os insensatos.
13:20 Quem anda com os sábios será sábio, mas
o companheiro dos insensatos se tornará mau.
13:21 A desventura persegue os pecadores, mas
os justos serão galardoados com o bem.
13:22 O homem de bem deixa herança aos filhos
de seus filhos, mas a riqueza do pecador é depositada para o justo.
13:23 A terra virgem dos pobres dá mantimento
em abundância, mas a falta de justiça o dissipa.
13:24 O que retém a vara aborrece a seu filho,
mas o que o ama, cedo, o disciplina.
13:25 O justo tem o bastante para satisfazer o
seu apetite, mas o estômago dos perversos passa fome.
14 Cap. 1-35
14:1 A mulher sábia edifica a sua casa, mas a
insensata, com as próprias mãos, a derriba.
14:2 O que anda na retidão teme ao SENHOR, mas
o que anda em caminhos tortuosos, esse o despreza.
14:3 Está na boca do insensato a vara para a
sua própria soberba, mas os lábios do prudente o preservarão.
14:4 Não havendo bois, o celeiro fica limpo,
mas pela força do boi há abundância de colheitas.
14:5 A testemunha verdadeira não mente, mas a
falsa se desboca em mentiras.
14:6 O escarnecedor procura a sabedoria e não
a encontra, mas para o prudente o conhecimento é fácil.
14:7 Foge da presença do homem insensato,
porque nele não divisarás lábios de conhecimento.
14:8 A sabedoria do prudente é entender o seu
próprio caminho, mas a estultícia dos insensatos é enganadora.
14:9 Os loucos zombam do pecado, mas entre os
retos há boa vontade.
14:10 O coração conhece a sua própria
amargura, e da sua alegria não participará o estranho.
14:11 A casa dos perversos será destruída, mas
a tenda dos retos florescerá.
14:12 Há caminho que ao homem parece direito,
mas ao cabo dá em caminhos de morte.
14:13 Até no riso tem dor o coração, e o fim
da alegria é tristeza.
14:14 O infiel de coração dos seus próprios
caminhos se farta, como do seu próprio proceder, o homem de bem.
14:15 O simples dá crédito a toda palavra, mas
o prudente atenta para os seus passos.
14:16 O sábio é cauteloso e desvia-se do mal,
mas o insensato encoleriza-se e dá-se por seguro.
14:17 O que presto se ira faz loucuras, e o
homem de maus desígnios é odiado.
14:18 Os simples herdam a estultícia, mas os
prudentes se coroam de conhecimento.
14:19 Os maus inclinam-se perante a face dos
bons, e os perversos, junto às portas do justo.
14:20 O pobre é odiado até do vizinho, mas o
rico tem muitos amigos.
14:21 O que despreza ao seu vizinho peca, mas
o que se compadece dos pobres é feliz.
14:22 Acaso, não erram os que maquinam o mal?
Mas amor e fidelidade haverá para os que planejam o bem.
14:23 Em todo trabalho há proveito; meras
palavras, porém, levam à penúria.
14:24 Aos sábios a riqueza é coroa, mas a
estultícia dos insensatos não passa de estultícia.
14:25 A testemunha verdadeira livra almas, mas
o que se desboca em mentiras é enganador.
14:26 No temor do SENHOR, tem o homem forte
amparo, e isso é refúgio para os seus filhos.
14:27 O temor do SENHOR é fonte de vida para
evitar os laços da morte.
14:28 Na multidão do povo, está a glória do
rei, mas, na falta de povo, a ruína do príncipe.
14:29 O longânimo é grande em entendimento,
mas o de ânimo precipitado exalta a loucura.
14:30 O ânimo sereno é a vida do corpo, mas a
inveja é a podridão dos ossos.
14:31 O que oprime ao pobre insulta aquele que
o criou, mas a este honra o que se compadece do necessitado.
14:32 Pela sua malícia é derribado o perverso,
mas o justo, ainda morrendo, tem esperança.
14:33 No coração do prudente, repousa a
sabedoria, mas o que há no interior dos insensatos vem a lume.
14:34 A justiça exalta as nações, mas o pecado
é o opróbrio dos povos.
14:35 O servo prudente goza do favor do rei,
mas o que procede indignamente é objeto do seu furor.
15 Cap. 1-33
15:1 A resposta branda desvia o furor, mas a
palavra dura suscita a ira.
15:2 A língua dos sábios adorna o
conhecimento, mas a boca dos insensatos derrama a estultícia.
15:3 Os olhos do SENHOR estão em todo lugar,
contemplando os maus e os bons.
15:4 A língua serena é árvore de vida, mas a
perversa quebranta o espírito.
15:5 O insensato despreza a instrução de seu
pai, mas o que atende à repreensão consegue a prudência.
15:6 Na casa do justo há grande tesouro, mas
na renda dos perversos há perturbação.
15:7 A língua dos sábios derrama o
conhecimento, mas o coração dos insensatos não procede assim.
15:8 O sacrifício dos perversos é abominável
ao SENHOR, mas a oração dos retos é o seu contentamento.
15:9 O caminho do perverso é abominação ao
SENHOR, mas este ama o que segue a justiça.
15:10 Disciplina rigorosa há para o que deixa
a vereda, e o que odeia a repreensão morrerá.
15:11 O além e o abismo estão descobertos
perante o SENHOR; quanto mais o coração dos filhos dos homens!
15:12 O escarnecedor não ama àquele que o
repreende, nem se chegará para os sábios.
15:13 O coração alegre aformoseia o rosto, mas
com a tristeza do coração o espírito se abate.
15:14 O coração sábio procura o conhecimento,
mas a boca dos insensatos se apascenta de estultícia.
15:15 Todos os dias do aflito são maus, mas a
alegria do coração é banquete contínuo.
15:16 Melhor é o pouco, havendo o temor do
SENHOR, do que grande tesouro onde há inquietação.
15:17 Melhor é um prato de hortaliças onde há
amor do que o boi cevado e, com ele, o ódio.
15:18 O homem iracundo suscita contendas, mas
o longânimo apazigua a luta.
15:19 O caminho do preguiçoso é como que
cercado de espinhos, mas a vereda dos retos é plana.
15:20 O filho sábio alegra a seu pai, mas o
homem insensato despreza a sua mãe.
15:21 A estultícia é alegria para o que carece
de entendimento, mas o homem sábio anda retamente.
15:22 Onde não há conselho fracassam os
projetos, mas com os muitos conselheiros há bom êxito.
15:23 O homem se alegra em dar resposta
adequada, e a palavra, a seu tempo, quão boa é!
15:24 Para o sábio há o caminho da vida que o
leva para cima, a fim de evitar o inferno, embaixo.
15:25 O SENHOR deita por terra a casa dos
soberbos; contudo, mantém a herança da viúva.
15:26 Abomináveis são para o SENHOR os
desígnios do mau, mas as palavras bondosas lhe são aprazíveis.
15:27 O que é ávido por lucro desonesto
transtorna a sua casa, mas o que odeia o suborno, esse viverá.
15:28 O coração do justo medita o que há de
responder, mas a boca dos perversos transborda maldades.
15:29 O SENHOR está longe dos perversos, mas
atende à oração dos justos.
15:30 O olhar de amigo alegra ao coração; as
boas-novas fortalecem até os ossos.
15:31 Os ouvidos que atendem à repreensão
salutar no meio dos sábios têm a sua morada.
15:32 O que rejeita a disciplina menospreza a
sua alma, porém o que atende à repreensão adquire entendimento.
15:33 O temor do SENHOR é a instrução da
sabedoria, e a humildade precede a honra.
16 Cap. 1-33
16:1 O coração do homem pode fazer planos, mas
a resposta certa dos lábios vem do SENHOR.
16:2 Todos os caminhos do homem são puros aos
seus olhos, mas o SENHOR pesa o espírito.
16:3 Confia ao SENHOR as tuas obras, e os teus
desígnios serão estabelecidos.
16:4 O SENHOR fez todas as coisas para
determinados fins e até o perverso, para o dia da calamidade.
16:5 Abominável é ao SENHOR todo arrogante de
coração; é evidente que não ficará impune.
16:6 Pela misericórdia e pela verdade, se
expia a culpa; e pelo temor do SENHOR os homens evitam o mal.
16:7 Sendo o caminho dos homens agradável ao
SENHOR, este reconcilia com eles os seus inimigos.
16:8 Melhor é o pouco, havendo justiça, do que
grandes rendimentos com injustiça.
16:9 O coração do homem traça o seu caminho,
mas o SENHOR lhe dirige os passos.
16:10 Nos lábios do rei se acham decisões
autorizadas; no julgar não transgrida, pois, a sua boca.
16:11 Peso e balança justos pertencem ao
SENHOR; obra sua são todos os pesos da bolsa.
16:12 A prática da impiedade é abominável para
os reis, porque com justiça se estabelece o trono.
16:13 Os lábios justos são o contentamento do
rei, e ele ama o que fala coisas retas.
16:14 O furor do rei são uns mensageiros de
morte, mas o homem sábio o apazigua.
16:15 O semblante alegre do rei significa
vida, e a sua benevolência é como a nuvem que traz chuva serôdia.
16:16 Quanto melhor é adquirir a sabedoria do
que o ouro! E mais excelente, adquirir a prudência do que a prata!
16:17 O caminho dos retos é desviar-se do mal;
o que guarda o seu caminho preserva a sua alma.
16:18 A soberba precede a ruína, e a altivez
do espírito, a queda.
16:19 Melhor é ser humilde de espírito com os
humildes do que repartir o despojo com os soberbos.
16:20 O que atenta para o ensino acha o bem, e
o que confia no SENHOR, esse é feliz.
16:21 O sábio de coração é chamado prudente, e
a doçura no falar aumenta o saber.
16:22 O entendimento, para aqueles que o
possuem, é fonte de vida; mas, para o insensato, a sua estultícia lhe é
castigo.
16:23 O coração do sábio é mestre de sua boca
e aumenta a persuasão nos seus lábios.
16:24 Palavras agradáveis são como favo de
mel: doces para a alma e medicina para o corpo.
16:25 Há caminho que parece direito ao homem,
mas afinal são caminhos de morte.
16:26 A fome do trabalhador o faz trabalhar,
porque a sua boca a isso o incita.
16:27 O homem depravado cava o mal, e nos seus
lábios há como que fogo ardente.
16:28 O homem perverso espalha contendas, e o
difamador separa os maiores amigos.
16:29 O homem violento alicia o seu
companheiro e guia-o por um caminho que não é bom.
16:30 Quem fecha os olhos imagina o mal, e,
quando morde os lábios, o executa.
16:31 Coroa de honra são as cãs, quando se
acham no caminho da justiça.
16:32 Melhor é o longânimo do que o herói da
guerra, e o que domina o seu espírito, do que o que toma uma cidade.
16:33 A sorte se lança no regaço, mas do
SENHOR procede toda decisão.
17 Cap. 1-28
17:1 Melhor é um bocado seco e tranqüilidade
do que a casa farta de carnes e contendas.
17:2 O escravo prudente dominará sobre o filho
que causa vergonha e, entre os irmãos, terá parte na herança.
17:3 O crisol prova a prata, e o forno, o
ouro; mas aos corações prova o SENHOR.
17:4 O malfazejo atenta para o lábio iníquo; o
mentiroso inclina os ouvidos para a língua maligna.
17:5 O que escarnece do pobre insulta ao que o
criou; o que se alegra da calamidade não ficará impune.
17:6 Coroa dos velhos são os filhos dos
filhos; e a glória dos filhos são os pais.
17:7 Ao insensato não convém a palavra
excelente; quanto menos ao príncipe, o lábio mentiroso!
17:8 Pedra mágica é o suborno aos olhos de
quem o dá, e para onde quer que se volte terá seu proveito.
17:9 O que encobre a transgressão adquire
amor, mas o que traz o assunto à baila separa os maiores amigos.
17:10 Mais fundo entra a repreensão no
prudente do que cem açoites no insensato.
17:11 O rebelde não busca senão o mal; por
isso, mensageiro cruel se enviará contra ele.
17:12 Melhor é encontrar-se uma ursa roubada
dos filhos do que o insensato na sua estultícia.
17:13 Quanto àquele que paga o bem com o mal,
não se apartará o mal da sua casa.
17:14 Como o abrir-se da represa, assim é o
começo da contenda; desiste, pois, antes que haja rixas.
17:15
O que justifica o perverso e o que condena o justo abomináveis são para o
SENHOR, tanto um como o outro.
17:16 De que serviria o dinheiro na mão do
insensato para comprar a sabedoria, visto que não tem entendimento?
17:17 Em todo tempo ama o amigo, e na angústia
se faz o irmão.
17:18 O homem falto de entendimento
compromete-se, ficando por fiador do seu próximo.
17:19 O que ama a contenda ama o pecado; o que
faz alta a sua porta facilita a própria queda.
17:20 O perverso de coração jamais achará o
bem; e o que tem a língua dobre vem a cair no mal.
17:21 O filho estulto é tristeza para o pai, e
o pai do insensato não se alegra.
17:22 O coração alegre é bom remédio, mas o
espírito abatido faz secar os ossos.
17:23 O perverso aceita suborno secretamente,
para perverter as veredas da justiça.
17:24 A sabedoria é o alvo do inteligente, mas
os olhos do insensato vagam pelas extremidades da terra.
17:25 O filho insensato é tristeza para o pai
e amargura para quem o deu à luz.
17:26 Não é bom punir ao justo; é contra todo
direito ferir ao príncipe.
17:27 Quem retém as palavras possui o
conhecimento, e o sereno de espírito é homem de inteligência.
17:28 Até o estulto, quando se cala, é tido
por sábio, e o que cerra os lábios, por sábio.
18 Cap. 1-24
18:1 O solitário busca o seu próprio interesse
e insurge-se contra a verdadeira sabedoria.
18:2 O insensato não tem prazer no
entendimento, senão em externar o seu interior.
18:3 Vindo a perversidade, vem também o
desprezo; e, com a ignomínia, a vergonha.
18:4 Águas profundas são as palavras da boca
do homem, e a fonte da sabedoria, ribeiros transbordantes.
18:5 Não é bom ser parcial com o perverso,
para torcer o direito contra os justos.
18:6 Os lábios do insensato entram na
contenda, e por açoites brada a sua boca.
18:7 A boca do insensato é a sua própria
destruição, e os seus lábios, um laço para a sua alma.
18:8 As palavras do maldizente são doces
bocados que descem para o mais interior do ventre.
18:9 Quem é negligente na sua obra já é irmão
do desperdiçador.
18:10 Torre forte é o nome do SENHOR, à qual o
justo se acolhe e está seguro.
18:11 Os bens do rico lhe são cidade forte e,
segundo imagina, uma alta muralha.
18:12 Antes da ruína, gaba-se o coração do
homem, e diante da honra vai a humildade.
18:13 Responder antes de ouvir é estultícia e
vergonha.
18:14 O espírito firme sustém o homem na sua
doença, mas o espírito abatido, quem o pode suportar?
18:15 O coração do sábio adquire o
conhecimento, e o ouvido dos sábios procura o saber.
18:16 O presente que o homem faz alarga-lhe o
caminho e leva-o perante os grandes.
18:17 O que começa o pleito parece justo, até
que vem o outro e o examina.
18:18 Pelo lançar da sorte, cessam os pleitos,
e se decide a causa entre os poderosos.
18:19 O irmão ofendido resiste mais que uma
fortaleza; suas contendas são ferrolhos de um castelo.
18:20 Do fruto da boca o coração se farta, do
que produzem os lábios se satisfaz.
18:21 A morte e a vida estão no poder da
língua; o que bem a utiliza come do seu fruto.
18:22 O que acha uma esposa acha o bem e
alcançou a benevolência do SENHOR.
18:23 O pobre fala com súplicas, porém o rico
responde com durezas.
18:24 O homem que tem muitos amigos sai
perdendo; mas há amigo mais chegado do que um irmão.
19 Cap. 1-29
19:1 Melhor é o pobre que anda na sua
integridade do que o perverso de lábios e tolo.
19:2 Não é bom proceder sem refletir, e peca
quem é precipitado.
19:3 A estultícia do homem perverte o seu
caminho, mas é contra o SENHOR que o seu coração se ira.
19:4 As riquezas multiplicam os amigos; mas,
ao pobre, o seu próprio amigo o deixa.
19:5 A falsa testemunha não fica impune, e o
que profere mentiras não escapa.
19:6 Ao generoso, muitos o adulam, e todos são
amigos do que dá presentes.
19:7 Se os irmãos do pobre o aborrecem, quanto
mais se afastarão dele os seus amigos! Corre após eles com súplicas, mas não os
alcança.
19:8 O que adquire entendimento ama a sua
alma; o que conserva a inteligência acha o bem.
19:9 A falsa testemunha não fica impune, e o
que profere mentiras perece.
19:10 Ao insensato não convém a vida regalada,
quanto menos ao escravo dominar os príncipes!
19:11 A discrição do homem o torna longânimo,
e sua glória é perdoar as injúrias.
19:12 Como o bramido do leão, assim é a
indignação do rei; mas seu favor é como o orvalho sobre a erva.
19:13 O filho insensato é a desgraça do pai, e
um gotejar contínuo, as contenções da esposa.
19:14 A casa e os bens vêm como herança dos
pais; mas do SENHOR, a esposa prudente.
19:15 A preguiça faz cair em profundo sono, e
o ocioso vem a padecer fome.
19:16 O que guarda o mandamento guarda a sua
alma; mas o que despreza os seus caminhos, esse morre.
19:17 Quem se compadece do pobre ao SENHOR
empresta, e este lhe paga o seu benefício.
19:18 Castiga a teu filho, enquanto há
esperança, mas não te excedas a ponto de matá-lo.
19:19 Homem de grande ira tem de sofrer o
dano; porque, se tu o livrares, virás ainda a fazê-lo de novo.
19:20 Ouve o conselho e recebe a instrução,
para que sejas sábio nos teus dias por vir.
19:21 Muitos propósitos há no coração do
homem, mas o desígnio do SENHOR permanecerá.
19:22 O que torna agradável o homem é a sua
misericórdia; o pobre é preferível ao mentiroso.
19:23 O temor do SENHOR conduz à vida; aquele
que o tem ficará satisfeito, e mal nenhum o visitará.
19:24 O preguiçoso mete a mão no prato e não
quer ter o trabalho de a levar à boca.
19:25 Quando ferires ao escarnecedor, o
simples aprenderá a prudência; repreende ao sábio, e crescerá em conhecimento.
19:26 O que maltrata a seu pai ou manda embora
a sua mãe filho é que envergonha e desonra.
19:27 Filho meu, se deixas de ouvir a
instrução, desviar-te-ás das palavras do conhecimento.
19:28 A testemunha de Belial escarnece da
justiça, e a boca dos perversos devora a iniqüidade.
19:29 Preparados estão os juízos para os
escarnecedores e os açoites, para as costas dos insensatos.
20 Cap. 1-30
20:1 O vinho é escarnecedor, e a bebida forte,
alvoroçadora; todo aquele que por eles é vencido não é sábio.
20:2 Como o bramido do leão, é o terror do
rei; o que lhe provoca a ira peca contra a sua própria vida.
20:3 Honroso é para o homem o desviar-se de
contendas, mas todo insensato se mete em rixas.
20:4 O preguiçoso não lavra por causa do inverno,
pelo que, na sega, procura e nada encontra.
20:5 Como águas profundas, são os propósitos
do coração do homem, mas o homem de inteligência sabe descobri-los.
20:6 Muitos proclamam a sua própria
benignidade; mas o homem fidedigno, quem o achará?
20:7 O justo anda na sua integridade; felizes
lhe são os filhos depois dele.
20:8 Assentando-se o rei no trono do juízo,
com os seus olhos dissipa todo mal.
20:9 Quem pode dizer: Purifiquei o meu
coração, limpo estou do meu pecado?
20:10 Dois pesos e duas medidas, uns e outras
são abomináveis ao SENHOR.
20:11 Até a criança se dá a conhecer pelas
suas ações, se o que faz é puro e reto.
20:12 O ouvido que ouve e o olho que vê, o
SENHOR os fez, tanto um como o outro.
20:13 Não ames o sono, para que não
empobreças; abre os olhos e te fartarás do teu próprio pão.
20:14 Nada vale, nada vale, diz o comprador,
mas, indo-se, então, se gaba.
20:15 Há ouro e abundância de pérolas, mas os
lábios instruídos são jóia preciosa.
20:16 Tome-se a roupa àquele que fica fiador
por outrem; e, por penhor, àquele que se obriga por estrangeiros.
20:17 Suave é ao homem o pão ganho por fraude,
mas, depois, a sua boca se encherá de pedrinhas de areia.
20:18 Os planos mediante os conselhos têm bom
êxito; faze a guerra com prudência.
20:19 O mexeriqueiro revela o segredo;
portanto, não te metas com quem muito abre os lábios.
20:20 A quem amaldiçoa a seu pai ou a sua mãe,
apagar-se-lhe-á a lâmpada nas mais densas trevas.
20:21 A posse antecipada de uma herança no fim
não será abençoada.
20:22 Não digas: Vingar-me-ei do mal; espera
pelo SENHOR, e ele te livrará.
20:23 Dois pesos são coisa abominável ao
SENHOR, e balança enganosa não é boa.
20:24 Os passos do homem são dirigidos pelo
SENHOR; como, pois, poderá o homem entender o seu caminho?
20:25 Laço é para o homem o dizer
precipitadamente: É santo! E só refletir depois de fazer o voto.
20:26 O rei sábio joeira os perversos e faz
passar sobre eles a roda.
20:27 O espírito do homem é a lâmpada do
SENHOR, a qual esquadrinha todo o mais íntimo do corpo.
20:28 Amor e fidelidade preservam o rei, e com
benignidade sustém ele o seu trono.
20:29 O ornato dos jovens é a sua força, e a
beleza dos velhos, as suas cãs.
20:30 Os vergões das feridas purificam do mal,
e os açoites, o mais íntimo do corpo.
21 Cap. 1-31
21:1 Como ribeiros de águas assim é o coração
do rei na mão do SENHOR; este, segundo o seu querer, o inclina.
21:2 Todo caminho do homem é reto aos seus
próprios olhos, mas o SENHOR sonda os corações.
21:3 Exercitar justiça e juízo é mais
aceitável ao SENHOR do que sacrifício.
21:4 Olhar altivo e coração orgulhoso, a
lâmpada dos perversos, são pecado.
21:5 Os planos do diligente tendem à
abundância, mas a pressa excessiva, à pobreza.
21:6 Trabalhar por adquirir tesouro com língua
falsa é vaidade e laço mortal.
21:7 A violência dos perversos os arrebata,
porque recusam praticar a justiça.
21:8 Tortuoso é o caminho do homem carregado
de culpa, mas reto, o proceder do honesto.
21:9 Melhor é morar no canto do eirado do que
junto com a mulher rixosa na mesma casa.
21:10 A alma do perverso deseja o mal; nem o
seu vizinho recebe dele compaixão.
21:11 Quando o escarnecedor é castigado, o
simples se torna sábio; e, quando o sábio é instruído, recebe o conhecimento.
21:12 O Justo considera a casa dos perversos e
os arrasta para o mal.
21:13 O que tapa o ouvido ao clamor do pobre
também clamará e não será ouvido.
21:14 O presente que se dá em segredo abate a
ira, e a dádiva em sigilo, uma forte indignação.
21:15 Praticar a justiça é alegria para o
justo, mas espanto, para os que praticam a iniqüidade.
21:16 O homem que se desvia do caminho do
entendimento na congregação dos mortos repousará.
21:17 Quem ama os prazeres empobrecerá, quem
ama o vinho e o azeite jamais enriquecerá.
21:18 O perverso serve de resgate para o
justo; e, para os retos, o pérfido.
21:19 Melhor é morar numa terra deserta do que
com a mulher rixosa e iracunda.
21:20 Tesouro desejável e azeite há na casa do
sábio, mas o homem insensato os desperdiça.
21:21 O que segue a justiça e a bondade achará
a vida, a justiça e a honra.
21:22 O sábio escala a cidade dos valentes e
derriba a fortaleza em que ela confia.
21:23 O que guarda a boca e a língua guarda a
sua alma das angústias.
21:24 Quanto ao soberbo e presumido, zombador
é seu nome; procede com indignação e arrogância.
21:25 O preguiçoso morre desejando, porque as
suas mãos recusam trabalhar.
21:26 O cobiçoso cobiça todo o dia, mas o
justo dá e nada retém.
21:27 O sacrifício dos perversos já é
abominação; quanto mais oferecendo-o com intenção maligna!
21:28 A testemunha falsa perecerá, mas a
auricular falará sem ser contestada.
21:29 O homem perverso mostra dureza no rosto,
mas o reto considera o seu caminho.
21:30 Não há sabedoria, nem inteligência, nem
mesmo conselho contra o SENHOR.
21:31 O cavalo prepara-se para o dia da
batalha, mas a vitória vem do SENHOR.
22 Cap. 1-16
22:1 Mais vale o bom nome do que as muitas
riquezas; e o ser estimado é melhor do que a prata e o ouro.
22:2 O rico e o pobre se encontram; a um e a
outro faz o SENHOR.
22:3 O prudente vê o mal e esconde-se; mas os
simples passam adiante e sofrem a pena.
22:4 O galardão da humildade e o temor do
SENHOR são riquezas, e honra, e vida.
22:5 Espinhos e laços há no caminho do
perverso; o que guarda a sua alma retira-se para longe deles.
22:6 Ensina a criança no caminho em que deve
andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele.
22:7 O rico domina sobre o pobre, e o que toma
emprestado é servo do que empresta.
22:8 O que semeia a injustiça segará males; e
a vara da sua indignação falhará.
22:9 O generoso será abençoado, porque dá do
seu pão ao pobre.
22:10 Lança fora o escarnecedor, e com ele se
irá a contenda; cessarão as demandas e a ignomínia.
22:11 O que ama a pureza do coração e é grácil
no falar terá por amigo o rei.
22:12 Os olhos do SENHOR conservam aquele que
tem conhecimento, mas as palavras do iníquo ele transtornará.
22:13 Diz o preguiçoso: Um leão está lá fora;
serei morto no meio das ruas.
22:14 Cova profunda é a boca da mulher
estranha; aquele contra quem o SENHOR se irar cairá nela.
22:15 A estultícia está ligada ao coração da
criança, mas a vara da disciplina a afastará dela.
22:16 O que oprime ao pobre para enriquecer a
si ou o que dá ao rico certamente empobrecerá.
17-29 Preceitos e admoestações dos sábios
17-2422 Terceira coleção: “Palavras do sábio”
22:17 Inclina o ouvido, e ouve as palavras dos
sábios, e aplica o coração ao meu conhecimento.
22:18 Porque é coisa agradável os guardares no
teu coração e os aplicares todos aos teus lábios.
22:19 Para que a tua confiança esteja no
SENHOR, quero dar-te hoje a instrução, a ti mesmo.
22:20 Porventura, não te escrevi excelentes
coisas acerca de conselhos e conhecimentos,
22:21 para mostrar-te a certeza das palavras
da verdade, a fim de que possas responder claramente aos que te enviarem?
22:22 Não roubes ao pobre, porque é pobre, nem
oprimas em juízo ao aflito,
22:23 porque o SENHOR defenderá a causa deles
e tirará a vida aos que os despojam.
22:24 Não te associes com o iracundo, nem
andes com o homem colérico,
22:25 para que não aprendas as suas veredas e,
assim, enlaces a tua alma.
22:26 Não estejas entre os que se comprometem
e ficam por fiadores de dívidas,
22:27 pois, se não tens com que pagar, por que
arriscas perder a cama de debaixo de ti?
22:28 Não removas os marcos antigos que puseram
teus pais.
22:29 Vês a um homem perito na sua obra?
Perante reis será posto; não entre a plebe.
23 Cap. 1-35
23:1 Quando te assentares a comer com um
governador, atenta bem para aquele que está diante de ti;
23:2 mete uma faca à tua garganta, se és homem
glutão.
23:3 Não cobices os seus delicados manjares,
porque são comidas enganadoras.
23:4 Não te fatigues para seres rico; não
apliques nisso a tua inteligência.
23:5 Porventura, fitarás os olhos naquilo que
não é nada? Pois, certamente, a riqueza fará para si asas, como a águia que voa
pelos céus.
23:6 Não comas o pão do invejoso, nem cobices
os seus delicados manjares.
23:7 Porque, como imagina em sua alma, assim
ele é; ele te diz: Come e bebe; mas o seu coração não está contigo.
23:8 Vomitarás o bocado que comeste e perderás
as tuas suaves palavras.
23:9 Não fales aos ouvidos do insensato,
porque desprezará a sabedoria das tuas palavras.
23:10 Não removas os marcos antigos, nem
entres nos campos dos órfãos,
23:11 porque o seu Vingador é forte e lhes
pleiteará a causa contra ti.
23:12 Aplica o coração ao ensino e os ouvidos
às palavras do conhecimento.
23:13 Não retires da criança a disciplina,
pois, se a fustigares com a vara, não morrerá.
23:14 Tu a fustigarás com a vara e livrarás a
sua alma do inferno.
23:15 Filho meu, se o teu coração for sábio,
alegrar-se-á também o meu;
23:16 exultará o meu íntimo, quando os teus
lábios falarem coisas retas.
23:17 Não tenha o teu coração inveja dos
pecadores; antes, no temor do SENHOR perseverarás todo dia.
23:18 Porque deveras haverá bom futuro; não
será frustrada a tua esperança.
23:19 Ouve, filho meu, e sê sábio; guia
retamente no caminho o teu coração.
23:20 Não estejas entre os bebedores de vinho
nem entre os comilões de carne.
23:21 Porque o beberrão e o comilão caem em
pobreza; e a sonolência vestirá de trapos o homem.
23:22 Ouve a teu pai, que te gerou, e não
desprezes a tua mãe, quando vier a envelhecer.
23:23 Compra a verdade e não a vendas; compra
a sabedoria, a instrução e o entendimento.
23:24 Grandemente se regozijará o pai do
justo, e quem gerar a um sábio nele se alegrará.
23:25 Alegrem-se teu pai e tua mãe, e
regozije-se a que te deu à luz.
23:26 Dá-me, filho meu, o teu coração, e os
teus olhos se agradem dos meus caminhos.
23:27 Pois cova profunda é a prostituta, poço
estreito, a alheia.
23:28 Ela, como salteador, se põe a espreitar
e multiplica entre os homens os infiéis.
23:29 Para quem são os ais? Para quem, os
pesares? Para quem, as rixas? Para quem, as queixas? Para quem, as feridas sem
causa? E para quem, os olhos vermelhos?
23:30 Para os que se demoram em beber vinho,
para os que andam buscando bebida misturada.
23:31 Não olhes para o vinho, quando se mostra
vermelho, quando resplandece no copo e se escoa suavemente.
23:32 Pois ao cabo morderá como a cobra e
picará como o basilisco.
23:33 Os teus olhos verão coisas esquisitas, e
o teu coração falará perversidades.
23:34 Serás como o que se deita no meio do mar
e como o que se deita no alto do mastro
23:35 e dirás: Espancaram-me, e não me doeu;
bateram-me, e não o senti; quando despertarei? Então, tornarei a beber.
24 Cap. 1-22
24:1 Não tenhas inveja dos homens malignos,
nem queiras estar com eles,
24:2 porque o seu coração maquina violência, e
os seus lábios falam para o mal.
24:3 Com a sabedoria edifica-se a casa, e com
a inteligência ela se firma;
24:4 pelo conhecimento se encherão as câmaras
de toda sorte de bens, preciosos e deleitáveis.
24:5 Mais poder tem o sábio do que o forte, e
o homem de conhecimento, mais do que o robusto.
24:6 Com medidas de prudência farás a guerra;
na multidão de conselheiros está a vitória.
24:7 A sabedoria é alta demais para o
insensato; no juízo, a sua boca não terá palavra.
24:8 Ao que cuida em fazer o mal, mestre de
intrigas lhe chamarão.
24:9 Os desígnios do insensato são pecado, e o
escarnecedor é abominável aos homens.
24:10 Se te mostras fraco no dia da angústia,
a tua força é pequena.
24:11 Livra os que estão sendo levados para a
morte e salva os que cambaleiam indo para serem mortos.
24:12 Se disseres: Não o soubemos, não o
perceberá aquele que pesa os corações? Não o saberá aquele que atenta para a
tua alma? E não pagará ele ao homem segundo as suas obras?
24:13 Filho meu, saboreia o mel, porque é
saudável, e o favo, porque é doce ao teu paladar.
24:14 Então, sabe que assim é a sabedoria para
a tua alma; se a achares, haverá bom futuro, e não será frustrada a tua
esperança.
24:15 Não te ponhas de emboscada, ó perverso,
contra a habitação do justo, nem assoles o lugar do seu repouso,
24:16 porque sete vezes cairá o justo e se
levantará; mas os perversos são derribados pela calamidade.
24:17 Quando cair o teu inimigo, não te
alegres, e não se regozije o teu coração quando ele tropeçar;
24:18 para que o SENHOR não veja isso, e lhe
desagrade, e desvie dele a sua ira.
24:19 Não te aflijas por causa dos
malfeitores, nem tenhas inveja dos perversos,
24:20 porque o maligno não terá bom futuro, e
a lâmpada dos perversos se apagará.
24:21 Teme ao SENHOR, filho meu, e ao rei e
não te associes com os revoltosos.
24:22 Porque de repente levantará a sua
perdição, e a ruína que virá daqueles dois, quem a conhecerá?
23-34 Quarta coleção: “Provérbios dos sábios”
24:23 São também estes provérbios dos sábios.
Parcialidade no julgar não é bom.
24:24 O que disser ao perverso: Tu és justo;
pelo povo será maldito e detestado pelas nações.
24:25 Mas os que o repreenderem se acharão
bem, e sobre eles virão grandes bênçãos.
24:26 Como beijo nos lábios, é a resposta com
palavras retas.
24:27 Cuida dos teus negócios lá fora, apronta
a lavoura no campo e, depois, edifica a tua casa.
24:28 Não sejas testemunha sem causa contra o
teu próximo, nem o enganes com os teus lábios.
24:29 Não digas: Como ele me fez a mim, assim
lhe farei a ele; pagarei a cada um segundo a sua obra.
24:30 Passei pelo campo do preguiçoso e junto
à vinha do homem falto de entendimento;
24:31 eis que tudo estava cheio de espinhos, a
sua superfície, coberta de urtigas, e o seu muro de pedra, em ruínas.
24:32 Tendo-o visto, considerei; vi e recebi a
instrução.
24:33 Um pouco para dormir, um pouco para
tosquenejar, um pouco para encruzar os braços em repouso,
24:34 assim sobrevirá a tua pobreza como um
ladrão, e a tua necessidade, como um homem armado.
25 Símiles e lições morais 1-28
1-29.27 Quinta coleção: “Provérbios de Salomão”
25:1 São também estes provérbios de Salomão,
os quais transcreveram os homens de Ezequias, rei de Judá.
25:2 A glória de Deus é encobrir as coisas,
mas a glória dos reis é esquadrinhá-las.
25:3 Como a altura dos céus e a profundeza da
terra, assim o coração dos reis é insondável.
25:4 Tira da prata a escória, e sairá vaso
para o ourives;
25:5 tira o perverso da presença do rei, e o
seu trono se firmará na justiça.
25:6 Não te glories na presença do rei, nem te
ponhas no meio dos grandes;
25:7 porque melhor é que te digam: Sobe para
aqui!, do que seres humilhado diante do príncipe. A respeito do que os teus
olhos viram,
25:8 não te apresses a litigar, pois, ao fim,
que farás, quando o teu próximo te puser em apuros?
25:9 Pleiteia a tua causa diretamente com o
teu próximo e não descubras o segredo de outrem;
25:10 para que não te vitupere aquele que te
ouvir, e não se te apegue a tua infâmia.
25:11 Como maçãs de ouro em salvas de prata,
assim é a palavra dita a seu tempo.
25:12 Como pendentes e jóias de ouro puro,
assim é o sábio repreensor para o ouvido atento.
25:13 Como o frescor de neve no tempo da
ceifa, assim é o mensageiro fiel para com os que o enviam, porque refrigera a
alma dos seus senhores.
25:14 Como nuvens e ventos que não trazem
chuva, assim é o homem que se gaba de dádivas que não fez.
25:15 A longanimidade persuade o príncipe, e a
língua branda esmaga ossos.
25:16 Achaste mel? Come apenas o que te basta,
para que não te fartes dele e venhas a vomitá-lo.
25:17 Não sejas freqüente na casa do teu
próximo, para que não se enfade de ti e te aborreça.
25:18 Maça, espada e flecha aguda é o homem
que levanta falso testemunho contra o seu próximo.
25:19 Como dente quebrado e pé sem firmeza,
assim é a confiança no desleal, no tempo da angústia.
25:20 Como quem se despe num dia de frio e
como vinagre sobre feridas, assim é o que entoa canções junto ao coração
aflito.
25:21 Se o que te aborrece tiver fome, dá-lhe
pão para comer; se tiver sede, dá-lhe água para beber,
25:22 porque assim amontoarás brasas vivas
sobre a sua cabeça, e o SENHOR te retribuirá.
25:23 O vento norte traz chuva, e a língua
fingida, o rosto irado.
25:24 Melhor é morar no canto do eirado do que
junto com a mulher rixosa na mesma casa.
25:25 Como água fria para o sedento, tais são
as boas-novas vindas de um país remoto.
25:26 Como fonte que foi turvada e manancial
corrupto, assim é o justo que cede ao perverso.
25:27 Comer muito mel não é bom; assim,
procurar a própria honra não é honra.
25:28 Como cidade derribada, que não tem
muros, assim é o homem que não tem domínio próprio.
26 Cap. 1-28
26:1 Como a neve no verão e como a chuva na
ceifa, assim, a honra não convém ao insensato.
26:2 Como o pássaro que foge, como a andorinha
no seu vôo, assim, a maldição sem causa não se cumpre.
26:3 O açoite é para o cavalo, o freio, para o
jumento, e a vara, para as costas dos insensatos.
26:4 Não respondas ao insensato segundo a sua
estultícia, para que não te faças semelhante a ele.
26:5 Ao insensato responde segundo a sua
estultícia, para que não seja ele sábio aos seus próprios olhos.
26:6 Os pés corta e o dano sofre quem manda
mensagens por intermédio do insensato.
26:7 As pernas do coxo pendem bambas; assim é
o provérbio na boca dos insensatos.
26:8 Como o que atira pedra preciosa num
montão de ruínas, assim é o que dá honra ao insensato.
26:9 Como galho de espinhos na mão do bêbado,
assim é o provérbio na boca dos insensatos.
26:10 Como um flecheiro que a todos fere,
assim é o que assalaria os insensatos e os transgressores.
26:11 Como o cão que torna ao seu vômito,
assim é o insensato que reitera a sua estultícia.
26:12 Tens visto a um homem que é sábio a seus
próprios olhos? Maior esperança há no insensato do que nele.
26:13 Diz o preguiçoso: Um leão está no
caminho; um leão está nas ruas.
26:14 Como a porta se revolve nos seus gonzos,
assim, o preguiçoso, no seu leito.
26:15 O preguiçoso mete a mão no prato e não
quer ter o trabalho de a levar à boca.
26:16 Mais sábio é o preguiçoso a seus
próprios olhos do que sete homens que sabem responder bem.
26:17 Quem se mete em questão alheia é como
aquele que toma pelas orelhas um cão que passa.
26:18 Como o louco que lança fogo, flechas e
morte,
26:19 assim é o homem que engana a seu próximo
e diz: Fiz isso por brincadeira.
26:20 Sem lenha, o fogo se apaga; e, não
havendo maldizente, cessa a contenda.
26:21 Como o carvão é para a brasa, e a lenha,
para o fogo, assim é o homem contencioso para acender rixas.
26:22 As palavras do maldizente são comida
fina, que desce para o mais interior do ventre.
26:23 Como vaso de barro coberto de escórias
de prata, assim são os lábios amorosos e o coração maligno.
26:24 Aquele que aborrece dissimula com os
lábios, mas no íntimo encobre o engano;
26:25 quando te falar suavemente, não te fies
nele, porque sete abominações há no seu coração.
26:26 Ainda que o seu ódio se encobre com
engano, a sua malícia se descobrirá publicamente.
26:27 Quem abre uma cova nela cairá; e a pedra
rolará sobre quem a revolve.
26:28 A língua falsa aborrece a quem feriu, e
a boca lisonjeira é causa de ruína.
27 Cap. 1-27
27:1 Não te glories do dia de amanhã, porque
não sabes o que trará à luz.
27:2 Seja outro o que te louve, e não a tua
boca; o estrangeiro, e não os teus lábios.
27:3 Pesada é a pedra, e a areia é uma carga;
mas a ira do insensato é mais pesada do que uma e outra.
27:4 Cruel é o furor, e impetuosa, a ira, mas
quem pode resistir à inveja?
27:5 Melhor é a repreensão franca do que o
amor encoberto.
27:6 Leais são as feridas feitas pelo que ama,
porém os beijos de quem odeia são enganosos.
27:7 A alma farta pisa o favo de mel, mas à
alma faminta todo amargo é doce.
27:8 Qual ave que vagueia longe do seu ninho,
tal é o homem que anda vagueando longe do seu lar.
27:9 Como o óleo e o perfume alegram o
coração, assim, o amigo encontra doçura no conselho cordial.
27:10 Não abandones o teu amigo, nem o amigo
de teu pai, nem entres na casa de teu irmão no dia da tua adversidade. Mais
vale o vizinho perto do que o irmão longe.
27:11 Sê sábio, filho meu, e alegra o meu
coração, para que eu saiba responder àqueles que me afrontam.
27:12 O prudente vê o mal e esconde-se; mas os
simples passam adiante e sofrem a pena.
27:13 Tome-se a roupa àquele que fica fiador por
outrem; e, por penhor, àquele que se obriga por mulher estranha.
27:14 O que bendiz ao seu vizinho em alta voz,
logo de manhã, por maldição lhe atribuem o que faz.
27:15 O gotejar contínuo no dia de grande
chuva e a mulher rixosa são semelhantes;
27:16 contê-la seria conter o vento, seria
pegar o óleo na mão.
27:17 Como o ferro com o ferro se afia, assim,
o homem, ao seu amigo.
27:18 O que trata da figueira comerá do seu
fruto; e o que cuida do seu senhor será honrado.
27:19 Como na água o rosto corresponde ao
rosto, assim, o coração do homem, ao homem.
27:20 O inferno e o abismo nunca se fartam, e
os olhos do homem nunca se satisfazem.
27:21 Como o crisol prova a prata, e o forno,
o ouro, assim, o homem é provado pelos louvores que recebe.
27:22 Ainda que pises o insensato com mão de
gral entre grãos pilados de cevada, não se vai dele a sua estultícia.
27:23 Procura conhecer o estado das tuas
ovelhas e cuida dos teus rebanhos,
27:24 porque as riquezas não duram para
sempre, nem a coroa, de geração em geração.
27:25 Quando, removido o feno, aparecerem os
renovos e se recolherem as ervas dos montes,
27:26 então, os cordeiros te darão as vestes,
os bodes, o preço do campo,
27:27 e as cabras, leite em abundância para
teu alimento, para alimento da tua casa e para sustento das tuas servas.
28 Provérbios antitéticos 1-28
28:1 Fogem os perversos, sem que ninguém os
persiga; mas o justo é intrépido como o leão.
28:2 Por causa da transgressão da terra,
mudam-se freqüentemente os príncipes, mas por um, sábio e prudente, se faz
estável a sua ordem.
28:3 O homem pobre que oprime os pobres é como
chuva que a tudo arrasta e não deixa trigo.
28:4 Os que desamparam a lei louvam o
perverso, mas os que guardam a lei se indignam contra ele.
28:5 Os homens maus não entendem o que é
justo, mas os que buscam o SENHOR entendem tudo.
28:6 Melhor é o pobre que anda na sua
integridade do que o perverso, nos seus caminhos, ainda que seja rico.
28:7 O que guarda a lei é filho prudente, mas
o companheiro de libertinos envergonha a seu pai.
28:8 O que aumenta os seus bens com juros e
ganância ajunta-os para o que se compadece do pobre.
28:9 O que desvia os ouvidos de ouvir a lei,
até a sua oração será abominável.
28:10 O que desvia os retos para o mau
caminho, ele mesmo cairá na cova que fez, mas os íntegros herdarão o bem.
28:11 O homem rico é sábio aos seus próprios
olhos; mas o pobre que é sábio sabe sondá-lo.
28:12 Quando triunfam os justos, há grande
festividade; quando, porém, sobem os perversos, os homens se escondem.
28:13 O que encobre as suas transgressões
jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia.
28:14 Feliz o homem constante no temor de
Deus; mas o que endurece o coração cairá no mal.
28:15 Como leão que ruge e urso que ataca,
assim é o perverso que domina sobre um povo pobre.
28:16 O príncipe falto de inteligência
multiplica as opressões, mas o que aborrece a avareza viverá muitos anos.
28:17 O homem carregado do sangue de outrem
fugirá até à cova; ninguém o detenha.
28:18 O que anda em integridade será salvo,
mas o perverso em seus caminhos cairá logo.
28:19 O que lavra a sua terra virá a fartar-se
de pão, mas o que se ajunta a vadios se fartará de pobreza.
28:20 O homem fiel será cumulado de bênçãos,
mas o que se apressa a enriquecer não passará sem castigo.
28:21 Parcialidade não é bom, porque até por
um bocado de pão o homem prevaricará.
28:22 Aquele que tem olhos invejosos corre
atrás das riquezas, mas não sabe que há de vir sobre ele a penúria.
28:23 O que repreende ao homem achará, depois,
mais favor do que aquele que lisonjeia com a língua.
28:24 O que rouba a seu pai ou a sua mãe e
diz: Não é pecado, companheiro é do destruidor.
28:25 O cobiçoso levanta contendas, mas o que
confia no SENHOR prosperará.
28:26 O que confia no seu próprio coração é
insensato, mas o que anda em sabedoria será salvo.
28:27 O que dá ao pobre não terá falta, mas o
que dele esconde os olhos será cumulado de maldições.
28:28 Quando sobem os perversos, os homens se
escondem, mas, quando eles perecem, os justos se multiplicam.
29 Cap. 1-27
29:1 O homem que muitas vezes repreendido
endurece a cerviz será quebrantado de repente sem que haja cura.
29:2 Quando se multiplicam os justos, o povo
se alegra, quando, porém, domina o perverso, o povo suspira.
29:3 O homem que ama a sabedoria alegra a seu
pai, mas o companheiro de prostitutas desperdiça os bens.
29:4 O rei justo sustém a terra, mas o amigo
de impostos a transtorna.
29:5 O homem que lisonjeia a seu próximo
arma-lhe uma rede aos passos.
29:6 Na transgressão do homem mau, há laço,
mas o justo canta e se regozija.
29:7 Informa-se o justo da causa dos pobres,
mas o perverso de nada disso quer saber.
29:8 Os homens escarnecedores alvoroçam a
cidade, mas os sábios desviam a ira.
29:9 Se o homem sábio discute com o insensato,
quer este se encolerize, quer se ria, não haverá fim.
29:10 Os sanguinários aborrecem o íntegro, ao
passo que, quanto aos retos, procuram tirar-lhes a vida.
29:11 O insensato expande toda a sua ira, mas
o sábio afinal lha reprime.
29:12 Se o governador dá atenção a palavras
mentirosas, virão a ser perversos todos os seus servos.
29:13 O pobre e o seu opressor se encontram,
mas é o SENHOR quem dá luz aos olhos de ambos.
29:14 O rei que julga os pobres com eqüidade
firmará o seu trono para sempre.
29:15 A vara e a disciplina dão sabedoria, mas
a criança entregue a si mesma vem a envergonhar a sua mãe.
29:16 Quando os perversos se multiplicam,
multiplicam-se as transgressões, mas os justos verão a ruína deles.
29:17 Corrige o teu filho, e te dará descanso,
dará delícias à tua alma.
29:18 Não havendo profecia, o povo se
corrompe; mas o que guarda a lei, esse é feliz.
29:19 O servo não se emendará com palavras,
porque, ainda que entenda, não obedecerá.
29:20 Tens visto um homem precipitado nas suas
palavras? Maior esperança há para o insensato do que para ele.
29:21 Se alguém amimar o escravo desde a
infância, por fim ele quererá ser filho.
29:22 O iracundo levanta contendas, e o
furioso multiplica as transgressões.
29:23
A soberba do homem o abaterá, mas o humilde de espírito obterá honra.
29:24 O que tem parte com o ladrão aborrece a
própria alma; ouve as maldições e nada denuncia.
29:25 Quem teme ao homem arma ciladas, mas o
que confia no SENHOR está seguro.
29:26 Muitos buscam o favor daquele que
governa, mas para o homem a justiça vem do SENHOR.
29:27 Para o justo, o iníquo é abominação, e o
reto no seu caminho é abominação ao perverso.
30 As palavras de Agur. Sexta coleção 1-33
30:1 Palavras de Agur, filho de Jaque, de
Massá. Disse o homem: Fatiguei-me, ó Deus; fatiguei-me, ó Deus, e estou exausto
30:2 porque sou demasiadamente estúpido para
ser homem; não tenho inteligência de homem,
30:3 não aprendi a sabedoria, nem tenho o
conhecimento do Santo.
30:4 Quem subiu ao céu e desceu? Quem encerrou
os ventos nos seus punhos? Quem amarrou as águas na sua roupa? Quem estabeleceu
todas as extremidades da terra? Qual é o seu nome, e qual é o nome de seu
filho, se é que o sabes?
30:5 Toda palavra de Deus é pura; ele é escudo
para os que nele confiam.
30:6 Nada acrescentes às suas palavras, para
que não te repreenda, e sejas achado mentiroso.
30:7 Duas coisas te peço; não mas negues,
antes que eu morra:
30:8 afasta de mim a falsidade e a mentira;
não me dês nem a pobreza nem a riqueza; dá-me o pão que me for necessário;
30:9 para não suceder que, estando eu farto,
te negue e diga: Quem é o SENHOR? Ou que, empobrecido, venha a furtar e profane
o nome de Deus.
30:10 Não calunies o servo diante de seu
senhor, para que aquele te não amaldiçoe e fiques culpado.
30:11 Há daqueles que amaldiçoam a seu pai e
que não bendizem a sua mãe.
30:12 Há daqueles que são puros aos próprios
olhos e que jamais foram lavados da sua imundícia.
30:13 Há daqueles -- quão altivos são os seus
olhos e levantadas as suas pálpebras!
30:14 Há daqueles cujos dentes são espadas, e
cujos queixais são facas, para consumirem na terra os aflitos e os necessitados
entre os homens.
30:15 A sanguessuga tem duas filhas, a saber:
Dá, Dá. Há três coisas que nunca se fartam, sim, quatro que não dizem: Basta!
30:16 Elas são a sepultura, a madre estéril, a
terra, que se não farta de água, e o fogo, que nunca diz: Basta!
30:17 Os olhos de quem zomba do pai ou de quem
despreza a obediência à sua mãe, corvos no ribeiro os arrancarão e pelos
pintãos da águia serão comidos.
30:18 Há três coisas que são maravilhosas
demais para mim, sim, há quatro que não entendo:
30:19 o caminho da águia no céu, o caminho da
cobra na penha, o caminho do navio no meio do mar e o caminho do homem com uma
donzela.
30:20 Tal é o caminho da mulher adúltera:
come, e limpa a boca, e diz: Não cometi maldade.
30:21 Sob três coisas estremece a terra, sim,
sob quatro não pode subsistir:
30:22 sob o servo quando se torna rei; sob o
insensato quando anda farto de pão;
30:23 sob a mulher desdenhada quando se casa;
sob a serva quando se torna herdeira da sua senhora.
30:24 Há quatro coisas mui pequenas na terra
que, porém, são mais sábias que os sábios:
30:25 as formigas, povo sem força; todavia, no
verão preparam a sua comida;
30:26 os arganazes, povo não poderoso;
contudo, fazem a sua casa nas rochas;
30:27 os gafanhotos não têm rei; contudo,
marcham todos em bandos;
30:28 o geco, que se apanha com as mãos;
contudo, está nos palácios dos reis.
30:29 Há três que têm passo elegante, sim,
quatro que andam airosamente:
30:30 O leão, o mais forte entre os animais,
que por ninguém torna atrás;
30:31 o galo, que anda ereto, o bode e o rei,
a quem não se pode resistir.
30:32 Se procedeste insensatamente em te
exaltares ou se maquinaste o mal, põe a mão na boca.
30:33 Porque o bater do leite produz manteiga,
e o torcer do nariz produz sangue, e o açular a ira produz contendas.
31 Conselhos para o rei Lemuel. Sétima coleção 1-9
31:1 Palavras do rei Lemuel, de Massá, as
quais lhe ensinou sua mãe.
31:2 Que te direi, filho meu? Ó filho do meu
ventre? Que te direi, ó filho dos meus votos?
31:3 Não dês às mulheres a tua força, nem os
teus caminhos, às que destroem os reis.
31:4 Não é próprio dos reis, ó Lemuel, não é
próprio dos reis beber vinho, nem dos príncipes desejar bebida forte.
31:5 Para que não bebam, e se esqueçam da lei,
e pervertam o direito de todos os aflitos.
31:6 Dai bebida forte aos que perecem e vinho,
aos amargurados de espírito;
31:7 para que bebam, e se esqueçam da sua pobreza,
e de suas fadigas não se lembrem mais.
31:8 Abre a boca a favor do mudo, pelo direito
de todos os que se acham desamparados.
10-31 Apêndice: “O louvor da mulher virtuosa”
31:9 Abre a boca, julga retamente e faze
justiça aos pobres e aos necessitados.
31:10 Mulher virtuosa, quem a achará? O seu
valor muito excede o de finas jóias.
31:11 O coração do seu marido confia nela, e
não haverá falta de ganho.
31:12 Ela lhe faz bem e não mal, todos os dias
da sua vida.
31:13 Busca lã e linho e de bom grado trabalha
com as mãos.
31:14 É como o navio mercante: de longe traz o
seu pão.
31:15 É ainda noite, e já se levanta, e dá
mantimento à sua casa e a tarefa às suas servas.
31:16 Examina uma propriedade e adquire-a;
planta uma vinha com as rendas do seu trabalho.
31:17 Cinge os lombos de força e fortalece os
braços.
31:18 Ela percebe que o seu ganho é bom; a sua
lâmpada não se apaga de noite.
31:19 Estende as mãos ao fuso, mãos que pegam
na roca.
31:20 Abre a mão ao aflito; e ainda a estende
ao necessitado.
31:21 No tocante à sua casa, não teme a neve,
pois todos andam vestidos de lã escarlate.
31:22 Faz para si cobertas, veste-se de linho
fino e de púrpura.
31:23 Seu marido é estimado entre os juízes, quando
se assenta com os anciãos da terra.
31:24 Ela faz roupas de linho fino, e
vende-as, e dá cintas aos mercadores.
31:25 A força e a dignidade são os seus
vestidos, e, quanto ao dia de amanhã, não tem preocupações.
31:26 Fala com sabedoria, e a instrução da
bondade está na sua língua.
31:27 Atende ao bom andamento da sua casa e
não come o pão da preguiça.
31:28 Levantam-se seus filhos e lhe chamam
ditosa; seu marido a louva, dizendo:
31:29 Muitas mulheres procedem virtuosamente,
mas tu a todas sobrepujas.
31:30 Enganosa é a graça, e vã, a formosura,
mas a mulher que teme ao SENHOR, essa será louvada.
31:31 Dai-lhe do fruto das suas mãos, e de
público a louvarão as suas obras.
-----------------------------------------------------------------------------
sergiovalentin