* 2.1-22 Embora à
esta instrução faltem os imperativos usuais, a sua força enfática é indicada
pelo material abordado — a sabedoria que livra da morte. Os resultados para
quem aceita a sabedoria são o conhecimento de Deus e as bênçãos da vida (vs. 5,
9, 21). Esses dois aspectos da sabedoria — o dom divino e a tarefa humana — são
vistos claramente (p.ex., vs. 4 e 6).
* 2.2 O teu coração. A base da
razão e da vontade. A moderna distinção popular entre conhecimento do coração e
conhecimento da mente não tem aplicação aqui. O contraste usual do Antigo
Testamento é entre a conformidade formal ou externa, à qual falta um verdadeiro
assentimento da vontade, e a disposição, o consentimento de todo o coração.
* 2.3 se clamares... alçares a tua
voz. Em contraste com a falta de resposta ao convite da
sabedoria, em 1.20-23.
* 2.4 tesouros escondidos. Note a
figura similar, usada por Jesus, em Mt 13.44.
* 2.5 então, entenderás o temor do
SENHOR. Em 1.7, o temor do Senhor é o princípio do saber, e aqui é o
alvo. Não há nenhuma discrepância, visto que o saber é tanto uma dádiva quanto
é uma tarefa. Deus dá conhecimento de si mesmo na revelação redentora.
Começando nesse ponto, a pessoa sábia assume a tarefa de aprender mais
sabedoria e de conhecer a Deus, sempre movendo-se na direção do alvo de
conhecer mais ao Senhor, de modo mais perfeito, sendo moldado à imagem de seu
Filho.
* 2.6 o SENHOR dá a sabedoria. Sem
importar o quanto estejamos engajados na tarefa de buscar pelo saber, através
de nossa experiência humana no mundo, a fonte de toda a verdade é Deus. Ele
deve prover a sabedoria necessária para a devida interpretação da realidade
(3.5).
da sua boca. Embora
suas ênfases sejam diferentes, tanto Deuteronômio como Provérbios reconhecem
que o alicerce subjacente do conhecimento é a Palavra de Deus (Dt 8.3). Antes
mesmo do pecado ter entrado no mundo, Adão e Eva precisaram da Palavra de Deus
a fim de conhecerem-se a si mesmos e o seu relacionamento para com a criação
(Gn 1.28-30).
* 2.7 O caráter de Deus, que os sábios chegam a
conhecer (v. 5), é a base da moralidade. Padrões de integridade e justiça são
expressões da sabedoria.
* 2.8 seus santos. Estes, são
as pessoas que mostram que possuem o temor do Senhor, imitando o seu amor
pactual.
* 2.9 todas as boas veredas. A
literatura de sabedoria é importante em nossa compreensão da orientação de Deus
em nossas vidas. Aponta para a tarefa de obtermos sabedoria, para que possamos
tomar decisões responsáveis e coerentes com nosso estado de pacto como povo de
Deus (1Pe 2.9).
* 2.11 O bom siso. Ou,
"preparado".
* 2.12 Um correto
discernimento moral nos salvará daqueles que desprezam a sabedoria.
que diz coisas perversas. Palavras
rebeldes que transtornam a verdade.
* 2.16 da mulher adúltera. O
adultério é um desvio radical da ordem divina quanto aos relacionamentos
humanos (5.1-23; 6.20-29; 7.1-27). O termo hebraico significa uma mulher
"estrangeira" ou "estranha". Neste contexto, indica uma
mulher estranha ao relacionamento marital apropriado, uma prostituta ou
adúltera.
* 2.17 o amigo da sua mocidade. Ou seja, o
seu marido.
aliança do seu Deus. Se essa
"mulher adúltera" não é israelita (v. 16, nota), então
"aliança" pode ser a cerimônia de casamento testemunhada por algum
deus estrangeiro. Mais provavelmente, porém, a mulher em pauta é uma israelita
que transgride os requisitos da aliança do Sinai, particularmente o mandamento
contra o adultério (Êx 20.14).
* 2.18 para a morte. Na
literatura de sabedoria, "vida" não é mera existência, mas uma
maneira caracterizada pelas verdadeiras relações que se conformam ao desígnio
de Deus. A "morte" é não somente o fim da vida física, mas uma
descida irreversível para a desordem da perversidade moral (cf. 5.23, onde
"morrer" é paralelo a "perdido, cambaleia").
* 2.19 todos... não voltarão. Essa nota
de conclusão esclarece quão sério é quebrar os padrões que não são meros
costumes sociais, mas ordenanças da criação divina.
* 2.20-22 A promessa
de terras era uma parte básica do pacto que Deus estabelecera com Abraão,
Moisés e o povo (Gn 13.15 e nota; Êx 20.12; Dt 1.8; 26.1-9). Essas promessas
prefiguram a promessa da vida eterna (Hb 11.16). O aspecto condicional do pacto
é refletido aqui (Gn 17.2, nota) — os retos e os sábios herdam a terra, mas os
ímpios são removidos (Dt 28).
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sergiovalentin