* 1.1 Provérbios.       A palavra hebraica correspondente a "provérbios" tem uma série de significados, mas usualmente é aplicada a um aforismo ou máxima, dentro de um contexto de sabedoria. O prólogo (1.1-7) aplica-se ao livro inteiro e à variedade de ditos de sabedoria que ele contém, todas elas classificadas genericamente como "provérbios".

 

Salomão.       Embora Salomão tenha escrito muitos provérbios (1Rs 4.32), as palavras de outros sábios que não eram de Salomão estão aparentemente incluídas sob esse título (p.ex., Agur, 30.1; e Lemuel, 31.1). Até mesmo nos materiais atribuídos a Salomão, algo que não foi de uma autoria direta pode ter sido incluído. As raízes das tradições proverbiais na experiência popular tornam improvável que Salomão tenha sido o originador exclusivo de todos os provérbios que ele deixou registrados por escrito (Introdução: Autor).

 

* 1.2-4             Temos aqui uma referência explícita ao propósito que há por detrás desta coletânea, a qual sugere alguma espécie de uso educacional que estava sendo feito de tal material, embora não seja forte a evidência a favor da existência de escolas de sabedoria em Israel.

 

*          1.2                   a sabedoria. O propósito do livro de Provérbios é guiar o leitor à sabedoria, um vocábulo com muitas nuances. Está relacionado ao intelecto e ao controle do comportamento humano. Essa é uma maneira de pensar sobre a realidade que capacita alguém a seguir o que é bom na vida. Através da sabedoria, Deus revela quais são os valores da vida e como podem ser alcançados.

 

o ensino. Esta palavra sugere a disciplina moral e intelectual. Com freqüência indica o aprendizado da sabedoria.

 

palavras de inteligência. Ou seja, discernimento, a capacidade de ler entre as linhas e fazer distinções corretas.

 

*          1.3                   a justiça, o juízo, e a eqüidade. Esses termos podem ser usados em contextos religiosos e éticos, bem como nos negócios temporais. Às vezes, a sabedoria bíblica parece envolver-se em questões deste mundo, mas sempre o faz dentro do arcabouço do desígnio divino para a ordem criada.

 

*          1.4                   prudência. Ou seja, a perspicácia.

 

aos simples. Essas palavras têm como paralelo, no mesmo versículo, "aos jovens". Refere-se a algum jovem sem tutores e inexperiente, e não àqueles destituídos de capacidades intelectuais. A sabedoria é uma questão de piedade prática.

 

bom siso.      Essa palavra sugere tomar decisões corretas com entendimento.

 

*          1.5       cresça em prudência. A sabedoria estava institucionalizada na cultura antiga na qual os sábios convocavam as pessoas para aumentar a sabedoria deles. Sucessivas gerações deveriam aprender das gerações anteriores (v. 8). Note a típica estrutura paralela deste versículo na qual frases quase sinônimas são reunidas.

 

habilidade. A palavra hebraica, usada somente nos livros de Provérbios e de Jó, significa guiar, orientar ou dirigir. Ela torna clara a importância dos corretos pensamentos e a experiência na tomada de decisões.

 

*          1.6                   Esses diferentes termos podem ser usados como sinônimos, como em Hc 2.6, mas é provável que aqui sejam formas distintas de ditos de sabedoria, tendo como característica comum um enigma que desafia o intelecto (1.1, nota).

 

parábolas. As parábolas de Jesus são um tanto diferentes daquilo que se vê no livro de Provérbios, embora exibam a influência da literatura de sabedoria. Temos aqui, provavelmente, um amplo mas identificável tipo de literatura de sabedoria. A palavra é usada para a indicação do enigma de Sansão (Jz 14.12-19), de uma alegoria (Ez 17.2) e das declarações usadas para testar a Salomão (1Rs 10.1).

 

*          1.7                   O temor do SENHOR. Essa idéia é o princípio controlador de Provérbios, e é uma antiga e decisiva contribuição israelita para a inquirição humana pelo conhecimento e pelo entendimento. O temor do Senhor é a única base do verdadeiro conhecimento. Esse "temor" não consiste em um terror desconfiado de Deus, mas antes, é o respeito e a adoração reverentes como resposta de fé ao Deus que se revela como Criador, Salvador e Juiz.

            Embora o relacionamento pactual de Israel com Deus receba pouca atenção em Provérbios, é significativo o uso do nome divino associado mais de perto com a aliança, o SENHOR (no hebraico, Yahweh, Êx 3.15; 6.3 e notas). Isso indica que a aliança redentora de Deus com seu povo e a revelação especial que a acompanha são fundamentais para a verdadeira sabedoria. No livro de Deuteronômio, "temor do Senhor" significa viver segundo as estipulações da aliança, em grata resposta à graça remidora de Deus (Dt 6.2,24). Mais tarde, o templo erigido por Salomão tornou-se a expressão visível do relacionamento pactual de Israel com o Senhor, o que, novamente, é descrito como o "temor do Senhor" (1Rs 8.40,43). Há um elo importante através de Salomão e do templo entre a sabedoria e a teologia da aliança, encontrada em outras partes no Antigo Testamento.

 

é o princípio do saber. Ver também 2.4-6; 9.10; 15.33; Jó 28.28; Sl 111.10. O hebraico aponta ou para o ponto inicial do conhecimento, ou para o seu princípio básico e normativo. Esta última possibilidade está em foco aqui. Enquanto que, em sua graça comum, Deus capacita os incrédulos a saberem muito sobre o mundo, somente o temor do Senhor capacita o indivíduo a saber o que alguma coisa significa, em última análise. Dependendo desse entendimento, a sabedoria persegue a tarefa de refletir na experiência humana. Ver "A Sabedoria e a Vontade de Deus", em Dn 2.20.

 

*          1.8,9    A forma de instrução da literatura de sabedoria, no antigo Oriente Médio, tipicamente começa com uma chamada para que se preste atenção. Pai e mãe estavam ambos envolvidos na instrução do lar.

 

*          1.8       o ensino. Ver a nota em 3.1.

 

*          1.9                   diadema de graça... colares. Essas metáforas retratam o efeito da sabedoria para embelezar a vida do indivíduo.

 

*          1.10-19           Esses versículos compõem outra unidade na forma da instrução. É possível que essa forma tenha sido um instrumento de ensino na educação mais formal, aquela efetuada fora do lar, no qual os sábios ensinavam os seus alunos. As cláusulas condicionais, ou frases com um "se" (vs. 10, 11), indicam as situações às quais se aplicam essa sabedoria. A ordem do v. 15 é apoiada pelas razões dadas nos vs. 16-19.

 

*          1.12     o abismo. O reino da morte é descrito aqui como pronto para tragar as suas vítimas. Em outros lugares, esse termo poético denota uma dimensão onde a corrupção é o pai, e o verme é a mãe (Jó 17.13,14), um domínio dotado de portas (Is 38.10). Trata-se da terra de onde não há retorno (Jó 7.9), do silêncio (Sl 94.17), das trevas (Sl 143.3) e do esquecimento (Sl 88.11,12). Ver 9.18, nota; Is 14.9-11, nota).

 

*          1.13     bens preciosos. O livro de Provérbios não proíbe e nem desencoraja as riquezas — somente o uso do mal para obtê-las. Entretanto, a riqueza final é a própria sabedoria (2.4; 3.13-16; Jó 28.12-19).

 

*          1.15     Filho meu. Depois de uma extensa oração condicional (vs. 10-14), é repetida a conclamação que reforça a ordem de se evitar más pessoas.

 

*          1.16 Este versículo é quase idêntico a Is 59.7, sendo parcialmente citado em Rm 3.15.

 

*          1.17     debalde... ave. Esta declaração é introduzida para fortalecer as razões do conselho do autor. O seu significado aparente é que até uma ave evitará uma armadilha, uma vez que tome conhecimento dela. Aqueles que estão sendo tentados deveriam fazer a mesma coisa.

 

*          1.19 Tal insensatez é contrária à verdadeira ordem do mundo que, embora caído, continua sob o governo soberano de Deus. Essa expressão de inevitável retribuição está alicerçada sobre a ordem observável das causas e conseqüências. Aparentes interrupções desse padrão levaram outros escritores bíblicos a voltar a sua atenção para os problemas dos ímpios prósperos e para os sofrimentos dos justos (Jó; Sl 73).

 

*          1.20 A sabedoria é retratada como se fosse um pregador ao ar-livre, similar ao conclamador de Is 55. Personificada como se fosse uma mulher, a sabedoria convida os símplices a se arrependerem de sua insensatez e a buscarem a sabedoria, antes que se torne tarde demais. Personificações da sabedoria também podem ser encontradas em 3.14-18; 8.1-36 e 9.1-12.

 

*          1.21     portas. O portão da cidade era o fórum público de conselho e julgamento (Dt 22.15; 25.7; Rt 4.1,11; 2Sm 19.8). Esse é o local apropriado para a figura da sabedoria chamar as pessoas a dar atenção aos seus conselhos.

 

*          1.22     ó néscios. Ver a referência bíblica; também o v. 4 e nota. Houve um certo desenvolvimento no pensamento. Em questão não está meramente a obtenção de mais discernimento, mas uma escolha deliberada entre dois caminhos. A sabedoria e a insensatez, a retidão e a iniqüidade, aparecem em constante oposição em Provérbios como as duas únicas opções na vida (cf. Mt 7.24-27).

 

escarnecedores. O significado preciso dessa palavra, usada principalmente em Provérbios, é difícil de determinar. O escarnecedor, ou zombador, é uma pessoa que resiste à disciplina dos sábios (9.7,8; 13.1; 14.6; 21.11).

 

loucos. Pessoas embotadas, a quem não se pode ensinar.

 

o conhecimento. Ver 1.7. Na literatura de sabedoria, o "conhecimento" é, com freqüência, um sinônimo para a sabedoria.

 

*          1.23     o meu espírito. O livro de Provérbios reconhece a sabedoria tanto como uma dádiva divina quanto como uma tarefa humana. O primeiro desses aspectos é visto em 1.7, onde o temor do Senhor cresce da graça de Deus na redenção. A redenção envolve uma renovação da mente, bem como a regeneração da alma (Rm 12.1,2; 1Cr 1.18—2.6).

 

*          1.24     vós recusastes. A rejeição ao evangelho da sabedoria tem seus paralelos na rejeição da graça de Deus, por parte de Israel.

 

*          1.25     o meu conselho. Aqui a sabedoria fala com toda a autoridade. Sendo o conselho de Deus, seu conselho e orientação não estão abertos a debate (2.6; 8.14).

 

*          1.28     eu não responderei. A verdadeira sabedoria é um aspecto da graça salvadora de Deus, e pode-se chegar a um ponto sem retorno, para aqueles que a rejeitem. Essa verdade reforça a urgência da mensagem. Ninguém pode esperar o favor de Deus ao mesmo tempo em que despreza as dádivas que ele oferece (Dt 1.45; 1Sm 28.6; Sl 18.41).

 

*          1.29     o conhecimento. Essa palavra é um sinônimo para a sabedoria, e é explicada aqui pela frase paralela que a acompanha, "o temor do Senhor". A sabedoria desce do alto (Tg 3.17), como uma dádiva divina na revelação redentora. Isso é verdade mesmo que ela deva ser desejada e que devamos nos esforçar para obtê-la (2.4-6; Hb 5.7,8; Tg 1.5).

 

*          1.31     fruto. A relação entre feitos e resultados é observável na relação natural entre causa e efeito. A figura aqui não é de prazer após uma refeição completa, mas o desgosto por ter comido muito.

 

*          1.32     desvio. Indiferença ou negligência voluntária.

 

aos loucos a sua impressão de bem-estar. Temos aqui uma alusão à ignorante auto-satisfação dos que se não deixam ensinar voluntariamente, que não vêem necessidade de aprender qualquer coisa da parte de alguém.

 

*          1.33 Este versículo faz contraste direto com o v. 32. A sabedoria traz vida e segurança. Rejeitar a sabedoria é rejeitar tudo quanto promove a vida.

 

*          2.1-22 Embora à esta instrução faltem os imperativos usuais, a sua força enfática é indicada pelo material abordado — a sabedoria que livra da morte. Os resultados para quem aceita a sabedoria são o conhecimento de Deus e as bênçãos da vida (vs. 5, 9, 21). Esses dois aspectos da sabedoria — o dom divino e a tarefa humana — são vistos claramente (p.ex., vs. 4 e 6).

 

*          2.2                   O teu coração. A base da razão e da vontade. A moderna distinção popular entre conhecimento do coração e conhecimento da mente não tem aplicação aqui. O contraste usual do Antigo Testamento é entre a conformidade formal ou externa, à qual falta um verdadeiro assentimento da vontade, e a disposição, o consentimento de todo o coração.

 

*          2.3                   se clamares... alçares a tua voz. Em contraste com a falta de resposta ao convite da sabedoria, em 1.20-23.

 

*          2.4                   tesouros escondidos. Note a figura similar, usada por Jesus, em Mt 13.44.

 

*          2.5                   então, entenderás o temor do SENHOR. Em 1.7, o temor do Senhor é o princípio do saber, e aqui é o alvo. Não há nenhuma discrepância, visto que o saber é tanto uma dádiva quanto é uma tarefa. Deus dá conhecimento de si mesmo na revelação redentora. Começando nesse ponto, a pessoa sábia assume a tarefa de aprender mais sabedoria e de conhecer a Deus, sempre movendo-se na direção do alvo de conhecer mais ao Senhor, de modo mais perfeito, sendo moldado à imagem de seu Filho.

 

*          2.6                   o SENHOR dá a sabedoria. Sem importar o quanto estejamos engajados na tarefa de buscar pelo saber, através de nossa experiência humana no mundo, a fonte de toda a verdade é Deus. Ele deve prover a sabedoria necessária para a devida interpretação da realidade (3.5).

 

da sua boca. Embora suas ênfases sejam diferentes, tanto Deuteronômio como Provérbios reconhecem que o alicerce subjacente do conhecimento é a Palavra de Deus (Dt 8.3). Antes mesmo do pecado ter entrado no mundo, Adão e Eva precisaram da Palavra de Deus a fim de conhecerem-se a si mesmos e o seu relacionamento para com a criação (Gn 1.28-30).

 

*          2.7       O caráter de Deus, que os sábios chegam a conhecer (v. 5), é a base da moralidade. Padrões de integridade e justiça são expressões da sabedoria.

 

*          2.8                   seus santos. Estes, são as pessoas que mostram que possuem o temor do Senhor, imitando o seu amor pactual.

 

*          2.9                   todas as boas veredas. A literatura de sabedoria é importante em nossa compreensão da orientação de Deus em nossas vidas. Aponta para a tarefa de obtermos sabedoria, para que possamos tomar decisões responsáveis e coerentes com nosso estado de pacto como povo de Deus (1Pe 2.9).

 

*          2.11     O bom siso. Ou, "preparado".

 

*          2.12 Um correto discernimento moral nos salvará daqueles que desprezam a sabedoria.

 

que diz coisas perversas. Palavras rebeldes que transtornam a verdade.

 

*          2.16     da mulher adúltera. O adultério é um desvio radical da ordem divina quanto aos relacionamentos humanos (5.1-23; 6.20-29; 7.1-27). O termo hebraico significa uma mulher "estrangeira" ou "estranha". Neste contexto, indica uma mulher estranha ao relacionamento marital apropriado, uma prostituta ou adúltera.

 

*          2.17     o amigo da sua mocidade. Ou seja, o seu marido.

 

aliança do seu Deus. Se essa "mulher adúltera" não é israelita (v. 16, nota), então "aliança" pode ser a cerimônia de casamento testemunhada por algum deus estrangeiro. Mais provavelmente, porém, a mulher em pauta é uma israelita que transgride os requisitos da aliança do Sinai, particularmente o mandamento contra o adultério (Êx 20.14).

 

*          2.18     para a morte. Na literatura de sabedoria, "vida" não é mera existência, mas uma maneira caracterizada pelas verdadeiras relações que se conformam ao desígnio de Deus. A "morte" é não somente o fim da vida física, mas uma descida irreversível para a desordem da perversidade moral (cf. 5.23, onde "morrer" é paralelo a "perdido, cambaleia").

 

*          2.19     todos... não voltarão. Essa nota de conclusão esclarece quão sério é quebrar os padrões que não são meros costumes sociais, mas ordenanças da criação divina.

 

*          2.20-22 A promessa de terras era uma parte básica do pacto que Deus estabelecera com Abraão, Moisés e o povo (Gn 13.15 e nota; Êx 20.12; Dt 1.8; 26.1-9). Essas promessas prefiguram a promessa da vida eterna (Hb 11.16). O aspecto condicional do pacto é refletido aqui (Gn 17.2, nota) — os retos e os sábios herdam a terra, mas os ímpios são removidos (Dt 28).

                                                     

*          3.1-12 Estes versículos provavelmente formam uma única unidade de instrução, com o típico tratamento de "filho meu", repetido no v. 11. A unidade contém os imperativos comuns (vs. 1, 3, 5-7, 9, 11), e as orações motivadoras (vs. 2, 4, 8, 10). O versículo doze explica o propósito da disciplina do Senhor, encorajando os sábios a seguirem o preceito do v. 11.

 

*          3.1                   meus ensinos. A palavra hebraica para "lei" (torah), tem o sentido básico de "instrução", e, na tradição judaica, designa o Pentateuco. A instrução da sabedoria, apesar de não ser confundida com os preceitos da lei mosaica, é, por igual modo, autoritativa.

 

meus mandamentos. Esse vocábulo também se acha na lei. Conforme é típico nas frases paralelas da poesia hebraica, a segunda metade do versículo repete a idéia da primeira metade, clareando-a ou expandindo-a. Essencialmente, este versículo significa memorizar os mandamentos, para então pô-los em prática.

 

*          3.2                   eles aumentarão os teus dias. A expectação normal é que a sabedoria conduzirá a uma longa e próspera vida, que é a bênção de Deus (Êx 20.12).

 

paz. No hebraico, shalom. Este termo denota bem-estar geral, a harmonia de relações, a integridade e a saúde (v. 8). No Antigo Testamento, as bênçãos de Deus são vistas primariamente em termos desta vida presente. Não era fácil reconciliar essa perspectiva com o sofrimentos dos justos ou a prosperidade dos ímpios. A revelação que estava por vir com Cristo, e, especialmente, a sua ressurreição da morte, ainda estava longe, no futuro.

 

*          3.3                   a benignidade e a fidelidade. Essa frase, no hebraico, indica claramente que a sabedoria está avançando dentro da estrutura do pacto. A instrução (v. 1) é um ensino prático para a vida, baseado no caráter de Deus, revelado em sua Palavra.

 

ata-as... pescoço. Esta metáfora indica que a sabedoria embelezará a vida do indivíduo.

 

escreve-as... teu coração. O sentido é o mesmo que se vê no v. 1. Faz essas virtudes parte de ti mesmo, entesourando-as na memória e então conformando a elas a tua vontade.

 

*          3.5                   Confia no SENHOR. Depende inteiramente da Palavra de Deus e de suas promessas, reveladas através do sábio (2.6; 16.20). Ver a nota em 1.7.

 

não te estribes no teu... entendimento. O contraste é entre a percepção da realidade que se submete à Palavra revelada de Deus como a autoridade para toda a verdade, e uma percepção que supõe que as conjecturas humanas se revestem dessa autoridade.

 

*          3.6                   Reconhece-o. Essa é a expressão prática da mente que se submete a Deus e o reconhece.

 

ele endireitará as tuas veredas. O Senhor te guiará ao alvo final da vida. Deus dá sabedoria, e, com ela, a tarefa de se tomar sábias decisões; estes são os dois aspectos da orientação dada pelo ensino da sabedoria. Não há qualquer indício de orientação que ultrapasse o dever de tomar decisões. Mas as decisões humanas não prevalecem diante da proteção da providência divina (Gn 50.20,21; Sl 103.14).

 

*          3.7                   sábio aos teus próprios olhos. Essa frase denuncia a idéia de que a mente humana, com seu intelecto e razão, é independentemente capaz de atingir uma verdadeira compreensão da realidade, sem precisar da revelação de Deus.

 

*          3.8       A verdadeira sabedoria afirma a vida das maneiras mais práticas.

 

*          3.9,10 Honrar a Deus com o uso correto das coisas materiais exprime gratidão pelo seu favor e reconhece que ele controla a ordem natural e os seus processos.

 

*          3.9                   com as primícias. A primeira porção da colheita anual era dada aos sacerdotes (Lv 23.10; Nm 18.12,13).

 

*          3.11     a disciplina. Embora a instrução de Deus requeira o castigo, essa correção não tem o propósito de prejudicar ou deixar os filhos de Deus irados. Mas visto que o castigo envolve sofrimento, há a necessidade de um encorajamento específico para não rebelar-se contra o castigo.

 

*          3.12     Hb 12.3-11 explica que a correção de Deus é melhor que a de um pai terreno; como comparação, ver Lc 11.11-13. O castigo não é um conteúdo principal do ensino paternal de Deus; a instrução de Provérbios é designada para as pessoas que querem ouvi-la (2.3-5; 4.5-9; 8.11,17).

 

*          3.13-20           Esta seção é composta mais como um hino de louvor à sabedoria do que como uma parte de instrução (cf. Sl 1). Mas ver 8.32-36 quanto a uma conclusão prática.

 

*          3.13     Feliz. Esse vocábulo não significa meramente um sentimento subjetivo. Encontra-se quase exclusivamente nos Salmos e na literatura de sabedoria, descrevendo a vida que desfruta da graça e do favor de Deus.

 

*          3.14,15 Jó 28 descreve a sabedoria como um tesouro. Salmos 19.10 refere-se especificamente à lei revelada.

 

*          3.16,17            Ver o v. 2 e notas.

 

*          3.18     árvore de vida. Provavelmente não temos aqui uma alusão específica à árvore da vida, em Gn 2.9, embora o autor sem dúvida conhecesse sobre ela. A árvore florescente era uma figura comum na literatura da época para indicar bênçãos contínuas. A metáfora é usada novamente em 11.30; 13.12; 15.4. Mais importante é o tema da "vida", em Provérbios. "Vida", na Bíblia, está essencialmente ligada ao nosso relacionamento com Deus. A interrupção do relacionamento apropriado com Deus, a fonte da vida, conduz à morte (Gn 2.17). A sabedoria está ligada aos devidos relacionamentos com Deus, com outras pessoas e com a natureza.

 

*          3.19,20            Sabedoria, compreensão e conhecimento pertencem a Deus e encontram expressão no ato da criação (8.22-31). O escritor apontou para os propósitos e os desígnios da criação. A ordem da criação não foi totalmente destruída pelo pecado, e a teologia da criação é um aspecto importante da literatura de sabedoria.

 

*          3.21-26           Essa coletânea de declarações está centralizada sobre o tema da orientação acerca do caminho da vida.

 

*          3.21     Ver a nota em 1.4.

 

*          3.22     Ver as notas nos vs. 2 e 3.

 

*          3.23     Uma vez mais, a orientação é vista em termos de tomar decisões sábias.

 

*          3.24 Parte da sabedoria é evitar as situações que nos ameaçam a vida, e não recusando-se a enfrentar os perigos quando os mesmos se fazem necessários, mas buscando relacionamentos corretos e uma existência disciplinada.

 

*          3.27-35 Esta seção começa com uma série de mandamentos sobre certos abusos nos relacionamentos humanos (vs. 27-31). Esses são seguidos por frases que explicam o interesse direto do Senhor na moralidade desses preceitos (vs. 32-35).

 

*          3.32 As pessoas desonestas estão alienadas de Deus, mas aquelas que são retas desfrutam de intimidade com o Senhor.

 

*          3.33 Aqui o típico contraste proverbial entre os justos e os iníquos (cf. 10.2,3,6,7,11,16) está relacionado com as bênçãos e as maldições de Deus. Isso é um paralelo com a teologia do pacto do livro de Deuteronômio, onde a fidelidade é recompensada com as bênçãos de Deus (Dt 11.26-29; 28.1-19).

 

*          4.1-27 Este capítulo normalmente se divide em três declarações de instrução, cada qual começando com as palavras dirigidas usualmente por um pai a seu filho (vs. 1, 10, 20). A primeira declaração vê a sabedoria como a mais preciosa aquisição (vs. 1-9), a segunda como a vereda para a verdadeira vida (vs. 10-19), e a terceira como o caminho para a retidão (vs. 20-27). Não há referência direta à religião.

            As tradições de sabedoria são compartilhadas por pessoas de diferentes culturas e religiões. Ver as notas em 22.17—24.22. Salomão discutia a sabedoria com pessoas provenientes de outras nações (1Rs 4.29-34; 10.1-7), mostrando como certas características da sabedoria eram compartilhadas, sem importar fronteiras nacionais e religiosas. Em Israel, o discernimento da sabedoria empírica era usado dentro da estrutura do relacionamento do pacto e não podem ser separadas de revelação especial (1.7 e notas).

 

*          4.2                   doutrina. Ou "ensinamento". Os termos hebraicos correspondentes enfatizam a atividade de receptividade do aprendiz.

 

*          4.3,4 Os sábios continuam a tradição de sabedoria passando às gerações seguintes a sabedoria que aprenderam de seus pais. Idade e experiência não são autoridades absolutas, mas são fatores importantes e devem ser tidas em alto grau (Lv 19.32).

 

*          4.4                   e vive. Ver as notas sobre 2.18 e 3.2.

 

*          4.6 Note a estrutura paralela deste versículo, onde a segunda linha diz quase a mesma coisa que a primeira, no entanto, com algum desenvolvimento do pensamento. "Não desampares" torna-se a injunção positiva de "amar". A sabedoria é muito mais do que um acúmulo de fatos. Envolve confiança e comprometimento.

 

*          4.7                   O princípio da sabedoria é. Conforme está traduzido, este versículo quer dizer: "A sabedoria é de magna importância; não a negligencies". Um outro sentido possível é este: "A sabedoria é o primeiro interesse" para o aprendiz. A sabedoria está pronta, e aquele que quiser aprendê-la deve começar imediatamente.

 

com tudo o que possuis. Jesus usou uma declaração similar sobre como alguém deveria buscar o reino de Deus (Mt 13.45,46).

 

*          4.9       Ver a nota em 1.9.

 

*          4.10 Ver a nota em 3.2.

 

*          4.11 A metáfora da vida como um caminho ou vereda é comum na sabedoria israelita.

 

*          4.13     porque ela é a tua vida. A vida não pode existir sem a sabedoria. No Novo Testamento, Cristo é chamado de nossa sabedoria (1Co 1.30) e de nossa vida (Cl 3.4).

 

*          4.14     na  vereda  dos  perversos. Tipicamente, a  sabedoria contrasta caminhos e idéias em oposição (especialmente nos provérbios concisos dos caps. 10-22). Esse artifício de ensino acentua a vereda da sabedoria opondo vários de seus aspectos com a vereda da insensatez e do mal. Aqui estão contrastados os vs. 11-13 com os vs. 14-17, e o v. 18 com o v. 19.

 

*          4.16     não dormem. O mal se assemelha a um tóxico qualquer. Aqueles que são adeptos dele descobrem que, sem a sua dose diária, eles se tornam incapazes de dormir.

 

*          4.17     comem... bebem. A iniqüidade e a violência tornam-se seu alimento diário.

 

*          4.18,19 Estes versículos usam a figura de uma luz que vai crescendo de intensidade para caracterizar a justiça, e uma escuridão impenetrável para a maldade (Jo 8.12; Ef 5.8-13).

 

*          4.20-27 Esta instrução contrasta os dois caminhos da sabedoria e da insensatez, mesmo sem usar esses vocábulos. A ênfase recai sobre a concentração mental e sobre a atenção ao ensino da sabedoria, que conduz à vida.

 

*          4.21     coração. Ou a mente (2.2, nota).

 

*          4.22     saúde. Integridade e saúde que incluem o corpo físico (3.8).

 

*          4.23     dele procedem as fontes da vida. Nossos pensamentos, por sua vez, amoldam a maneira de falarmos e de vivermos. Ver Mt 12.35; Mc 7.21; Rm 2.29.

 

*          4.25-27 A sabedoria capacita o indivíduo a manter-se dentro da vereda da vida, sem desviar-se para o lamaçal.

 

*          5.1-23 Esta passagem deve ser considerada como uma única unidade. Embora os vs. 15-23 concebivelmente são uma composição distinta, o tema é um desenvolvimento lógico do que vem antes. A sabedoria aconselha-nos a evitar a adúltera, destruidora de vidas, e encontrar satisfação sexual e emocional dentro da fidelidade aos laços do matrimônio.

 

*          5.1-6 Estes versículos descrevem o caráter da adúltera sedutora. À superfície ela pode parecer toda doçura e luz, mas no profundo de seu ser ela emana o odor da morte.

 

*          5.2                   os teus lábios guardem o conhecimento. O sentido pode ser que a pessoa deve aprender a manter um discreto silêncio, sempre que isso for necessário, ou possivelmente, que a pessoa deve ter algo de substância a ser dito (Ml 2.7).

 

*          5.3 Em contraste com o v. 2, a sedutora começa a sua com palavras de encanto enganador. Cf. a doçura do verdadeiro amor, em Ct 4.11.

 

*          5.4                   o fim. A frase fala do resultado final para a vítima da sedução.

 

amargoso como o absinto. Uma planta especialmente amargosa para o paladar, o absinto é usado como uma metáfora para a experiência da aflição (Dt 29.18).

 

espada de dois gumes. A suavidade das palavras da adúltera engana (v. 3), e o ludíbrio só conduz à injúria.

 

*          5.5                   morte. Não está em pauta somente uma morte prematura, produzida pela vida dissoluta. Neste contexto, "morte" é tudo quanto não promove a "vida", conforme ela é definida por Deus.

 

inferno. Lugar dos mortos (no hebraico, sheol). A vida desordenada leva à morte física. Quanto ao "sheol", ver Is 14.9-11, nota.

 

*          5.6                   anda errante nos seus caminhos. A censura moral aqui é inseparável da idéia da sabedoria que a insensatez e a iniquidade envolvem a rejeição da ordem e plano de Deus para as coisas.

 

*          5.7-14              Estes versos providenciam uma descrição mais detalhada do fruto da imoralidade e o seu exato preço.

 

*          5.8       Afasta o teu caminho... e não te aproximes. Os sábios farão uma escolha consciente para evitar qualquer contato com a imoralidade, mantendo-se fora do caminho da tentação.

 

*          5.9-11 Aqueles que tolamente se engajam na imoralidade pagam um elevado preço por ela.

 

*          5.9                   a cruéis. Talvez o ultrajado marido da adúltera (6.34,35).

 

*          5.10 Este versículo refere-se, literalmente, ao elevado custo de manter uma amante (uma "estranha"). Ou a advertência pode ser que a imoralidade arrebata de sua vítima as riquezas e a força (ver a referência lateral).

 

*          5.11 Tal dissipação leva o indivíduo a lamentar-se quando ele reflete no desperdício e na futilidade da vida que ele tem vivido.

 

*          5.12,13 A imoralidade sexual é o epítome do caminho da insensatez, que rejeita a disciplina da instrução sábia.

 

*          5.14     assembléia. Está aqui em pauta ou a desgraça pública ou o castigo pela comunidade do pacto.

 

*          5.15     Bebe a água da cisterna. O contexto sugere que temos aqui uma metáfora das relações maritais entre marido e mulher.

 

*          5.16     as tuas fontes... os ribeiros. O quadro sugere o desperdício de uma vida promíscua.

 

*          5.18     o teu manancial. Outra metáfora para a esposa, talvez indicando que ela tem tido muitos filhos.

 

a mulher da tua mocidade. A esposa que tomaste quando ainda eras jovem.

 

*          5.19 A linguagem poética deste versículo parece-se com a linguagem dos Cantares de Salomão. O quadro de um gracioso animal de rara beleza enfatiza o prazer físico como parte integral das relações maritais. Ver Ct 1.2,3; 4.1-7.

 

*          5.21-23           Até este ponto, as advertências contra o adultério não têm tido qualquer ligação com a lei de Deus. Exortações semelhantes podem ser encontradas em outras tradições de sabedoria. Agora o escritor explica que as conseqüências naturais da insensatez, especialmente da insensatez sexual, são punições ordenadas por Deus.

 

*          5.21     ele considera. Ou então, "toma nota de". Nossa conduta está sob um escrutínio constante. O texto não ensina que todo pecado é visitado com uma penalidade imediata. Preferivelmente, Deus supervisiona a ordem criada de tal modo que os pecadores são apanhados em sua própria insensatez (vs. 22 e 23).

 

*          5.23     Ele morrerá. Ver a nota no v. 5 e em 2.18.

 

*          6.1                   se te empenhaste ao estranho. Tal acordo para garantir o débito de outrem não é sábio, pois envolve questões que ultrapassam o controle do fiador (11.15; 17.18; 22.26).

 

*          6.2                   estás enredado. Emprestar dinheiro é uma coisa, mas prover segurança por outrem é caminhar para dentro de uma armadilha feita pelo próprio indivíduo.

 

*          6.3                   caíste nas mãos. Ao aceitar a responsabilidade pela dívida alheia, você permite que outro passe a controlar a sua vida.

 

prostra-te. Esse não é o momento para o orgulho.

 

*          6.4                   não dês sono. Deve haver um esforço sem descanso para ter o contrato anulado.

 

*          6.5       O quadro de criaturas caçadas e apanhadas em armadilhas aumenta o senso de urgência.

 

*          6.6-11 Estes versículos são uma lição objetiva baseada na diligência da formiga. A suposição subjacente é não somente que o universo é ordeiro, mas que também há pontos de analogia entre o humilde mundo dos insetos e os seres humanos. Os provérbios de Salomão, baseados na natureza, podem ter traçado outras analogias semelhantes (1Rs 4.33).

 

*          6.6                   a formiga. Ver 30.25. A diligência da formiga dá a aparência de uma atividade prudente.

 

ó preguiçoso. Esse termo sugere uma pessoa ociosa cuja inatividade expressa uma atitude de insensatez (10.26; 13.4; 15.19; 19.24; 20.4 e 26.16).

 

*          6.10,11 Este dito proverbial tem sido ligado à declaração anterior (vs. 6-9) a fim de prover uma aplicação para ele. O mesmo dito é mais adiante vinculado a uma lição objetiva diferente (24.33,34).

 

*          6.11     a tua pobreza. Provérbios adverte contra atitudes e comportamentos que produzem a pobreza. A preguiça é uma das causas da pobreza (10.4,5; 19.15; 20.13). Se a diligência e a atividade são normalmente associadas à prosperidade (12.11; 13.4; 14.23), não pode ser dito que toda pobreza é o resultado da insensatez (14.31; 17.5; 19.1,17,22; 21.12; 22.22; 28.3,11).

 

como um ladrão... como um homem armado. A comparação não é tanto como um gatuno que chega à noite, mas com um assaltante que domina a sua vítima.

 

*          6.12-15 A forma sugere uma declaração proverbial que foi expandida para ser aplicada a uma situação específica. Uma seqüência de frases descritivas é adicionada ao pensamento principal, ou seja, que a pessoa sem valor desperta a discórdia.

 

*          6.12     O homem de Belial. Uma frase de origem e significado incertos. Provavelmente indica uma pessoa vil e sem valor, dotada de um elemento de malevolência ativa.

 

*          6.13     acena... arranha... faz sinais. A pessoa ímpia não fala de modo claro e aberto, mas faz sugestões veladas e sinais que semeiam as sementes da desconfiança e da dissensão.

 

*          6.15 Com a passagem do tempo, essas pessoas se destróem a si mesmas. O Antigo Testamento revela que, finalmente, Deus castigará o ímpio (24.19,20) e recompensará o justo (23.17,18; 24.15,16), mas não apresenta uma doutrina plenamente desenvolvida de punição no pós-vida. A prosperidade dos ímpios serve de um problema contínuo (Sl 37.7; 73.3-14). O Novo Testamento, por sua vez, indica claramente que o justo julgamento de Deus cairá sobre os ímpios, ou nesta vida ou na próxima (Lc 16.23,24; Ap 14.10-12; 20.15).

 

*          6.16-19 Estes versículos são os primeiros dentre as declarações numéricas de Provérbios (cf. 30.15-31). A forma dessas afirmações sugere uma espécie de enigma com uma resposta provida, não para se desconsiderar a pergunta, mas para convidar respostas adicionais mais apropriadas. A literatura de sabedoria com frequência alista coisas juntas que são percebidas como tendo algo em comum. Relações são estabelecidas de maneiras surpreendentes, e o processo de discernir relações ordeiras no universo aumenta a sabedoria. Esta unidade é bastante distinta da unidade anterior (vs. 12-15), mas provavelmente foi colocada após ela visando o desenvolvimento do tema. Enquanto o v. 15 exprime a perspectiva de uma retribuição natural não-especificada, a presente afirmação subentende que o Senhor é quem julga (5.21-23, nota).

 

*          6.16     Seis... a sétima. O uso de números sucessivos era um comum artifício da poesia hebraica (Jó 5.19; Am 1.3).

 

*          6.20-35 Outra advertência contra o adultério (caps. 5; 7; 30.20). A forma desta seção é, essencialmente, aquela da instrução, embora com considerável variação. Alguns elaborados quadros verbais são usados para aumentar o tom de urgência das advertências (vs. 23, 26, 27, 28, 30 e 31). Os vs. 21 e 23 dependem de Dt 6.8 e Sl 119.105, que se referem à lei mosaica. A lei provê uma clara estrutura para a revelação, mostrando a Israel a resposta apropriada ao relacionamento do pacto de Deus com essa nação. A sabedoria opera dentro dessa estrutura para descrever os limites da responsabilidade humana. A lei condena o adultério e prescreve uma penalidade para o mesmo (Êx 20.14; Lv 20.10). A sabedoria compartilha dessa oposição ao adultério — os sábios eram todos homens do pacto — e adiciona suas advertências para com o desastre inevitável que tal loucura traz.

 

*          6.20 Ver 1.8.

 

o mandamento. Ver a nota em 3.1.

 

*          6.21 Ver 3.3 e Dt 6.6,8.

 

*          6.22 Ver as notas em 3.23,24; cf. Dt 6.7. A sabedoria é abrangente em seus efeitos sobre a vida do indivíduo.

 

isso te guiará. Ver as notas em 1.5; 2.9 e 3.6.

 

*          6.23 No Sl 119.105 a mesma metáfora é aplicada à lei como tal. A pessoa sábia aceita a lei revelada, e, dependendo da mesma, examina a natureza e as experiências da vida. Dessa maneira, a sabedoria, suplementa a lei de sua própria perspectiva.

 

*          6.24 Ver as notas em 2.16 e 5.3.

 

*          6.25     Não cobices. O desejo cobiçoso do coração é o começo da progressão da insensatez. A conexão entre o desejo e o ato não é tão severamente colocada como em Mt 5.28, mas faz-se presente.

 

*          6.26     um pedaço de pão. Embora unir-se com prostitutas seja um ato autodestrutivo, o adultério ainda é pior. É não somente uma violação do casamento, mas é um ataque direto contra o mesmo.

 

*          6.27-29 As vívidas e transparentes metáforas enfatizam a loucura do adultério.

 

*          6.29     não ficará sem castigo. A sabedoria em Provérbios enfatiza os resultados já esperados da insensatez, mas também, de vez em quando, vai além da cadeia natural de causa e efeito, até o propósito e o julgamento abrangentes de Deus.

 

*          6.30-33 A pessoa impulsionada pela fome para roubar, ainda assim está sujeita à lei, embora as pessoas possam compreender tal necessidade. Em contraste com isso, o adultério não conta com esse fator atenuante e atrai uma total desgraça. A lei requeria a restauração de quatro vezes mais para o furto; "sete vezes tanto" exagera isso para efeito de ênfase (Êx 22.1).

 

*          6.34,35 O ciúme do marido ofendido conduz à fúria e a uma vingança sem misericórdia, que nenhum oferecimento de compensação poderá evitar. As forças que impulsionam as relações humanas estão, com freqüência, no centro do pensamento da sabedoria.

 

*          7.1-27 Este capítulo compõe-se de três partes, possivelmente independentes, ligadas pelo tema comum do adultério. A primeira (vs. 1-5) e a terceira partes (vs. 24-27) estão sob a forma de instruções, e ambas avisam sobre o envolvimento com a adúltera. A seção do meio (vs. 6-23) aparece como uma narrativa dramática que funciona como um reforço imaginativo da instrução.

 

*          7.1                   os meus mandamentos. Ver a nota em 3.1.

 

*          7.2                   e vive. Ver as notas em 2.18 e 3.2.

 

como a menina dos teus olhos. Lit., "o homenzinho de teu olho", uma referência à pupila, onde a imagem do observador é refletida. A pupila admite a entrada da luz no olho, e deve ser protegida de todo dano (cf. Dt 32.10; Sl 17.8; Zc 2.8).

 

*          7.3       Ver 3.3 e notas. Os modos de proceder esboçados nos vs. 1-3 são um aspecto do método usado pela sabedoria. As tradições são transmitidas a fim de moldar a vida e o caráter.

 

*          7.4                   minha irmã... teu parente. Alguém devia pensar sobre a sabedoria e o entendimento como parentes chegados. Provavelmente isso visa a retratar a desejada intimidade com a sabedoria, em lugar de contrastá-la com a adúltera do v. 5.

 

*          7.7                   simples... carecente de juízo. Ver a nota em 1.4. O jovem era ingênuo e sem habilidade na arte de viver. O ensino da sabedoria tem por alvo um tipo assim impressionável (1.2-4).

 

*          7.10     A sedução envolve um espetáculo enganador que atrai a vítima, ao mesmo tempo em que oculta a intenção real.

 

*          7.14     Sacrifícios pacíficos. O alimento dessas oferendas religiosas proveram oportunidade para a glutonaria (Lv 7.12-18). Ver 17.1; 21.27.

 

*          7.15 As palavras são lisonjeadoras, assegurando ao jovem que ele fora especialmente escolhido para aquele encontro.

 

*          7.17     Mirra, aloés e cinamomo. Especiarias aromáticas usadas para perfumar vestes e leitos.

 

*          7.18     Embriaguemo-nos com as delícias do amor. Essa é a mais fraudulenta proposição de todas. Sugerir que o sexo casual e ilícito possa satisfazer profundos anelos por um compromisso mútuo e amoroso é uma mentira destruidora.

 

*          7.19,20 A mulher tinha consciência de que aquela relação ilícita envolvia a ambos em um engano. Eles esperavam inutilmente que poderiam evitar a fúria do marido ciumento (6.33-35).

 

*          7.21 O poder sedutor das palavras é um tema constante (2.16; 5.3; 6.24; 9.16,17). Em contraposição temos o poder curador das palavras da sabedoria (2.1-6; 3.1,2; 5.1,2; 7.24,25).

 

*          7.22     Como o boi que vai ao matadouro. O pobre animal não tem consciência de sua sorte, e permite ser levado ao matadouro.

 

Como o cervo que corre para a rede. A incerteza desta linha não obscurece o sentido geral do versículo: o homem caminha para uma armadilha.

 

*          7.23     Até que a flecha lhe atravesse o coração. Um ferimento mortal.

 

*          7.25     O teu coração. Ver a nota em 2.2.

 

não andes perdido nas suas veredas. A receita do homem sábio é manter seus pensamentos (coração) longe do adultério, mantendo-se afastado de lugares onde haja tal tentação.

 

*          7.26,27 Um motivo de prudência consiste em evitar a carnificina que resulta da insensatez.

 

*          7.27     a sepultura... morte. Ver 1.12; 2.18; 5.5 e notas.

 

*          8.1-36 Nos caps. 1—7 o porta-voz da sabedoria é um mestre ou um sábio. Neste majestoso poema, a sabedoria foi personificada como o mestre supremo que ensina com base em sua própria autoridade. Essa personificação, mui provavelmente é um artifício poético para expressar, mais vividamente ainda, a autoridade da sabedoria. Embora seja prematuro ver a sabedoria personificada (especialmente nos vs. 22-31) como um retrato direto de um ser divino, não há dúvida que a revelação de Jesus Cristo como a sabedoria de Deus mostra a importância de uma sabedoria que é sua própria autoridade absoluta (1Co 1.24,30; Hb 1.1-4; Cl 1.15,16; Jo 1.1-18). O poema progride da consideração da tarefa humana de aprender a sabedoria (vs. 1-11) para os poderosos efeitos da sabedoria neste mundo (vs. 12-21), e daí passa à origem divina da sabedoria e seu lugar na totalidade da criação (vs. 22-31). Um apelo final equipara a sabedoria à vida (vs. 32-36). Por detrás da sabedoria humana está a sabedoria de Deus, original e não-criada, pelo qual ele estabeleceu todas as coisas criadas e seus próprios relacionamentos para com Deus e umas para com as outras. Isso significa que a sabedoria humana é válida e afirmadora de vida até onde a mesma ocorre dentro do contexto provido pela divina revelação especial (cap. 4, nota).

 

*          8.1-3 Ver as notas em 1.20-33.

 

*          8.4                   ó homens. A palavra hebraica usualmente aplica-se aos varões, mas pode estender-se a toda a humanidade. A sabedoria, no papel de um instrutor, dirige-se não a filhos e nem a alunos, mas a todo o povo. Não existe elite de classes nessa questão do aprendizado da sabedoria; ela é para todos.

 

*          8.5       Ver as notas em 1.4,22.

 

*          8.6                   coisas excelentes. Coisas valiosas ou importantes.

 

Coisas retas. Fica subentendido o elemento moral.

 

*          8.7                   a verdade. Esta palavra denota o que é totalmente digno de confiança. É o oposto de iniqüidade. Provérbios relaciona a verdade à sabedoria em vários lugares, e aqui a palavra da sabedoria é descrita de uma maneira que sugere uma origem divina.

 

*          8.8       São justas. Ver a nota no v. 18.

 

*          8.9       A sabedoria é uma realidade autoconsistente. É preciso nos sintonizarmos com ela a fim de aprendermos dele. Isso é outra maneira de dizer que toda verdade é verdade de Deus, e que sem o conhecimento de Deus não podemos conhecer a verdade absoluta. Cf. a sabedoria de Jesus, em Mt 13.10-16; Lc 11.52.

 

*          8.10,11 A comparação da sabedoria com os mais desejáveis emblemas das riquezas é uma maneira de enfatizar o seu valor (2.4; 3.14,15; 8.19-21; Jó 28.17). A advertência contra o materialismo crasso é óbvia.

 

*          8.12 Ver 1.4 e nota.

 

*          8.13     O temor do SENHOR. Ver 1.7; 2.5; 3.7; 9.10 e notas. A sabedoria nos relembra que a busca por uma ética baseada exclusivamente na experiência é fútil. A educação e a experiência devem estar edificadas sobre a base da fidelidade e da esperança providas pelas promessas do pacto de Deus. Os sistemas éticos sem o padrão absoluto do que é certo, bom e verdadeiro, revelado nas Escrituras, não podem sobreviver (Sl 36.9).

 

a soberba... eu os aborreço. A sabedoria ecoa o ódio que Deus tem pelo mal (6.16; Dt 12.31; 16.22; Sl 5.5; Is 61.8; Jr 44.4).

 

*          8.14     o conselho. Essa palavra tem o sentido de conselhos derivados da sabedoria e da experiência, e também planos feitos pela deliberação conjunta em um curso de ação. A mesma palavra é usada para a mente de Deus a respeito de seus próprios planos e propósitos (Is 5.19; 19.17; 25.1; 28.29). A sabedoria tem acesso a esse conselho.

 

*          8.15,16 A função apropriada para os governantes humanos é definida pela ordem da criação de Deus, conforme está revelada na Palavra de Deus (Gn 1.26-28). Um governo sábio começa pelo temor do Senhor (Dt 17.18-20; 1Rs 3.6-9; 4.29-34). O Messias governará pela sabedoria perfeita (Is 11.1-3). Ver "Os Cristãos e o Governo Civil", em Rm 13.1.

 

*          8.17     Eu amo os que me amam. Essas afirmativas fazem o contraste com a sabedoria sendo ocultada dos insensatos (1.28,29). A sabedoria cuida daqueles que lhe pertencem (4.6,8,9).

 

os que me procuram me acham. Ver 2.4,5; 3.13-15. Isso sugere uma relação entre a sabedoria e a graça divina, que o leva a aproximar-se de nós (Is 55.6). O próprio Jesus é a revelação final da sabedoria divina (1Co 1.24,30; Cl 2.2,3), e possivelmente fez alusão a este versículo em Mt 7.7.

 

*          8.18    Riquezas e honra. Ver 3.2,16. O princípio do reinado de Salomão foi um exemplo dos benefícios materiais e sociais da sabedoria (1Rs 10.1-9).

 

e justiça. Isso significa a obediência à lei de Deus, extendendo-se ao cultivo de corretas relações entre Deus, as pessoas e a criação. Ver Rm 12.18; 1Tm 2.1-4.

 

*          8.19 Ver a nota nos vs. 10 e 11.

 

*          8.22-31 Esta seção, parecida com um hino, apresenta a sabedoria como a base do projeto do universo. O enfoque é incomum, mas essa visão sobre a sabedoria não contraria a teologia do pacto e os atos salvíficos de Deus em Israel. Os sábios também eram homens do pacto (1.7; 2.20-22 e notas). O método da sabedoria consiste em enfatizar a teologia bíblica da criação, como base da compreensão de nossas vidas como o povo remido de Deus.

 

*          8.22     O Senhor. Temos aqui o nome próprio de Deus como o Redentor e o Autor do pacto (Êx 3.15 e notas). O pacto da redenção de Deus com Israel sublinha seu compromisso com a criação, pois as promessas do pacto culminam em Jesus Cristo — o grande Descendente de Abraão (Gn 12.7; cf. Gl 3.16) e o Filho de Davi (2Sm 7.16; cf. Lc 1.32) — por meio de quem a criação destroçada e caída é remida (Rm 8.20-22; 2Co 5.17, nota; Cl 1.15-20; Ap 21.1.).

 

me possuía. A sabedoria não é uma quarta pessoa divina, mas é um atributo de Deus, que recebeu expressão tanto na criação como na redenção. Neste capítulo, a sabedoria foi personificada para conseguir um efeito poético. Os atributos de Deus são eternos, pelo que a figura da sabedoria vem desde o "início".

 

no início de sua obra. A sabedoria é o primeiro conselho da vontade de Deus (Ef 1.11), o decreto eterno que estabelece todas as coisas em seus relacionamentos e determina o curso da história.

 

antes de suas obras mais antigas. A sabedoria existia antes da auto-revelação de Deus, em seu pacto e em seus atos salvíficos.

 

*          8.23 A sabedoria também é anterior à criação do universo.

 

*          8.24-31           Jó relembra-nos que a sabedoria da criação, em última análise, pertence exclusivamente a Deus (Jó 38 e 39). O "mandato cultural", ao atribuir aos seres humanos a tarefa de compreender a criação e de exercer domínio sobre ela (Gn 1.26-28), é a base do interesse da sabedoria, ao conhecer a natureza do mundo (1Rs 4.29,33). Isso é visto dentro da estrutura estabelecida pela revelação especial (as Escrituras) e no temor do Senhor (1.7, nota; 8.1-36, nota; 9.10).

 

*          8.24     eu nasci. O sábio plano de Deus antecede os seus atos. A referência a ter "nascido" sugere que a sabedoria é, de forma singular, uma filha de Deus, mas isso é apenas um artifício poético, e não se refere a um novo ser divino.

 

*          8.27     aí estava eu. A sabedoria é anterior à criação e participante dela. A criação é a primeira grande demonstração da sabedoria de Deus.

 

*          8.28     as fontes do abismo. Ver Gn 7.11; 8.2.

 

*          8.30     seu arquiteto. A sabedoria é agora descrita como o agente da criação. Um habilidoso artesanato é um dos aspectos da sabedoria (cf. Êx 31.3), o que salienta a natureza prática da sabedoria. Ver 1.2 e nota.

 

*          8.31     regozijando-me... achando as minhas delícias. A sabedoria reflete a satisfação expressa na declaração divina de que a criação era muito boa (Gn 1.31).

 

*          8.32     felizes. Ver a nota em 3.13. As bênçãos de Deus sobre a obediência são uma das características da teologia da Aliança (Dt 28.1-14; ver "A Aliança da Graça de Deus", em Gn 12.1). Aqui essa palavra descreve as recompensas da sabedoria (3.13-18).

 

*          8.34     velando dia a dia às minhas portas. O aluno comparece à casa do mestre, anelante por aprender o que quer que a sabedoria lhe queira transmitir.

 

*          8.35 Os benefícios da sabedoria são equiparados com a própria vida. Ser verdadeiramente vivo é estar corretamente relacionado com Deus, com outras pessoas bem como com a ordem criada. Ver as notas em 3.2,18.

 

favor do SENHOR. Isto é, aceitação e boa-vontade. O sábio não estava descrevendo uma maneira alternativa de obter aceitação diferente daquela provida na comunidade do pacto e nos sacrifícios. Antes, ele descreve as riquezas da comunhão dos crentes com o Senhor, na qual suas vidas são moldadas pela verdadeira sabedoria (12.2).

 

*          8.36     Todos os que me aborrecem. Odiar a sabedoria é odiar a vida, e, portanto, é amar a morte.

 

*          9.1-18 Esta seção consiste na disputa de dois convites, um da sabedoria, e o outro da insensatez. Ambas foram retratadas como mulheres que convidam as pessoas para entrarem em suas casas. A sabedoria convida os simples para comerem de seu alimento vivificante (vs. 1-12). Mas a insensatez oferece um alimento que conduz à morte (vs. 13-18).

 

*          9.1                   as suas sete colunas. O sentido dessas "sete colunas" não é claro. Pode apenas indicar o esplendor arquitetônico da casa. Entretanto, "sete" com freqüência simboliza a perfeição ou o estado completo, pelo que aqui pode representar as perfeições da sabedoria divina.

 

*          9.2                   misturou o seu vinho. É provável que essa mistura fosse de vinho e especiarias (Ct 8.2).

 

*          9.3                   suas criadas. As servas da sabedoria são enviadas para recolher qualquer pessoa que ouça o convite dela para a vida.

 

desde as alturas da cidade. O convite é aberto e universal (Is 52.7).

 

*          9.4                   Quem é simples. Ver 1.4, e nota. Note a disputa da chamada por parte da insensatez, no v. 16.

 

Aos faltos de senso. Lit., "aos que faltam o coração", ou seja, a vontade de pensar e de agir corretamente.

 

*          9.5                   Vinde, comei. Um banquete era a ocasião própria a refeição distribuída pela sabedoria. A idéia do banquete foi usada mais tarde para retratar as bênçãos dos remidos (Is 55.1,2; Mt 22.1-13; 26.29; Ap 19).

 

*          9.6                   Deixai os insensatos, e vivei. Ver 1.4,22; 2.19; 3.2,18; 8.35 e notas.

 

*          9.7-12 Estes versículos contrastam os sábios com os insensatos, não somente quanto ao ponto da decisão de entrarem nas casas da sabedoria ou da insensatez, mas também quanto ao tipo de vida que resulta dessas decisões.

 

*          9.7                   o escarnecedor. O escarnecedor além da falta de discernimento, toma uma decisão consciente para o mal.

 

traz afronta sobre si. O esforço por corrigir tal pessoa fracassará e poderá ser um tiro pela culatra.

 

o que censura. Essa frase paralela é sinônima, quanto ao significado, à primeira parte do versículo.

 

*          9.8       Aqui a estrutura paralela é antitética (isto é, as duas partes são postas em contraste).

 

repreende o sábio. Enquanto que um insensato é fechado à sabedoria, um sábio alegra-se pela oportunidade de fechar-se à insensatez. A sabedoria percebe o lado positivo da correção; a sabedoria não vive na defensiva e nem se ofende facilmente, mas mostra-se humilde e responsiva.

 

*          9.9 A sabedoria reconhece um importante princípio da natureza humana: não há ponto de parada; progredimos na direção de nossa escolha. A sabedoria acumula mais sabedoria (cf. Mt 13.12).

 

*          9.10     O temor do SENHOR. Ver 1.7 e nota: "A Sabedoria e a Vontade de Deus", em Dn 2.20.

 

Santo. Lit., "dos santos". Esta tradução é baseada no paralelo com "o Senhor", na linha anterior (cf. 30.3, onde a mesma forma plural é usada).

 

*          9.11 Ver 3.2 e nota.

 

*          9.12     Se és sábio, para ti mesmo o és. Em outras palavras, tu mesmo te beneficiarás (3.13-18; 4.9-13; 8.34,35).

 

*          9.13-18 A descrição da insensatez é o oposto direto da descrição da sabedoria, nos vs. 1-6.

 

*          9.13     apaixonada. Ver 7.11,12.

 

é ignorante, e não sabe coisa alguma. O apelo sensual da insensatez contrasta com a sabedoria como mestra.

 

*          9.14     nas alturas da cidade. A insensatez falsifica os atos da sabedoria, a fim de parecer sábia (cf. o v. 3).

 

*          9.15,16            Os convites insistentes da insensatez imitam os convites da sabedoria (cf. o v. 4).

 

*          9.17     As águas roubadas. Qualquer coisa proibida, especialmente o sexo ilícito (5.3,15; 7.16-18).

 

o pão comido às ocultas. Por haver sido furtado ou por ser proibido. Existe uma perversidade na natureza humana que é despertada pela proibição ou pela lei (Rm 7.7-11).

 

*          9.18     os mortos. No hebraico, rephaim, de derivação incerta. Essa palavra é usada por oito vezes na Bíblia, todas elas na poesia hebraica, referindo-se aos espíritos de pessoas que partiram.

 

inferno. No hebraico, sheol, lit., "a sepultura". Ver 1.12; 5.5; 7.27 e notas. Em Provérbios, o sheol é o destino apropriado dos tolos, não por ser um lugar de tormento, conforme o inferno é posteriormente descrito (Ap 14.9-11), mas simplesmente porque aqueles que vão lá perderam a possibilidade de relacionamento com o Deus vivo. Ver também 2.18 e nota.

 

*          10.1—22.16 Esta seção consiste, principalmente, em provérbios de uma só sentença. Não há qualquer evidência de que essa forma de escrita de sabedoria pertença a um tempo diferente daquele das instruções mais longas dos caps. 1—9. Trata-se simplesmente de uma forma diferente, que funciona de maneiras diferentes. Os aforismos são, com freqüência, declarados de forma categórica, sem as qualificações que lhes poderiam permitir cobrir cada situação concebível.

            A sabedoria de Provérbios pressupõe e edifica-se a revelação especial de Deus na lei (1.7 e notas). Os sábios hebreus supunham que, dada a inteligência humana e o dom da sabedoria de Deus, em sua auto-revelação, o povo de Deus aprenderia a discernir a ordem e os relacionamentos que produzem uma vida significativa e produtiva. A sabedoria de Provérbios nos oferece o fruto da experiência e da reflexão, ressaltando a necessidade de pensar e aplicando o conhecimento humano e a Palavra de Deus a todas as questões da vida, de uma maneira responsável.

 

*          10.1-32 Como se dá freqüentemente com a Bíblia, as divisões em capítulos são bastante arbitrárias, e não servem de ajuda na análise dos textos. As sentenças individuais podem ser classificadas de acordo com suas estruturas literárias e seus temas. Os caps. 10—15 consistem, principalmente, de contrastes entre conceitos opostos, conforme é indicado pela conjunção "mas", introduzindo a segunda linha da maior parte desses provérbios. Esse artifício literário comum usa contrastar pares como "justo" versus "ímpio", e "sábio" versus "insensato". Agrupamentos ocasionais de sentenças, de acordo com o tema e a forma, são evidentes no livro, um método que ajuda na memorização, mas que não ajuda a interpretação das declarações mais independentes. Cada sentença tem sua própria aplicação social e alvo especial. Muito parecidas com as declarações populares de nossas sociedades ocidentais, algumas dessas declarações tem sido separadas de seus contextos a fim de proverem normas concisas e práticas para a vida diária.

 

*          10.1     Provérbios de Salomão. Ver Introdução: Autor.

 

*          10.2     A justiça. Ver a nota em 8.18. Neste capítulo, cerca de metade dos versículos contém um contraste entre os justos e os ímpios.

 

livra da morte. Ver 2.18; 3.18 e notas.

 

*          10.3     não deixa ter fome. Há uma correlação entre a retidão e a vida, tanto nas promessas do pacto de Deus quanto na experiência de vida em geral. Entretanto, os sofrimentos dos justos não estão aqui em vista (cf. 1.19, nota).

 

*          10.4,5 Ver 6.6-11; 13.4; 15.19; 24.30-34. Um tema de sabedoria que é freqüentemente usado, a pobreza, por si mesma, não é vergonhosa, embora o seja a pobreza por causa da preguiça.

 

*          10.5     filho sábio. Os relacionamentos e as obrigações familiares são preocupações de primeira ordem na literatura de sabedoria.

 

*          10.6     bênçãos. Essas bênçãos, aqui não-especificadas, deixam a aplicação aberta para um leque de situações, mas, tal como no v. 22, a bondade do Senhor é experimentada.

 

*          10.7     A memória. Como a pessoa justa é lembrada após a sua morte.

 

*          10.8     aceita os mandamentos. A pessoa sábia deixa-se ensinar, e dá boa acolhida aos mandamentos da sabedoria (2.1; 3.1, nota).

 

o insensato de lábios. Os insensatos não sabem quando devem calar-se e escutar. Não têm a disciplina da sabedoria, e promovem sua própria ruína.

 

*          10.9     será conhecido. Quem tentar perverter a verdade será desmacarado e disciplinado por Deus.

 

*          10.10 acena com os olhos. Ver 6.13 e nota.

 

O insensato de lábios. Ver v.8 e nota. Essa frase não parece se corresponder com a primeira linha, seja como paralelo, ou como contraste. A Septuaginta (o Antigo Testamento em Grego) diz: "mas aquele que repreende com firmeza traz a paz."

 

*          10.11 manancial de vida. A figura é semelhante a "árvore da vida" (3.18, nota). As palavras dos sábios, tal qual um poço, é uma fonte de vida (Ez 47.1-12; Ap 22.1-3).

 

*          10.12 O ódio. A palavra sugere a rejeição da boa ordem, realmente a dissolução (cf. 1Jo 3.15) dos relacionamentos humanos. Tal ódio causa a fragmentação da sociedade.

 

o amor. A palavra sugere buscar o melhor para os outros. O amor é a melhor expressão dos relacionamentos ordeiros.

 

cobre. Para promover a harmonia nos relacionamentos, o amor encobre as questões que provocam contendas. Esse versículo é aludido em Tg 5.20 e 1Pe 4.8.

 

*          10.13   Os que são perceptivos revelam o seu caráter na sabedoria das suas palavras. Os que são faltos de senso só se envolvem em brigas. O paralelo sugere que conversa tola é a causa dos seus problemas.

 

*          10.4 entesouram o conhecimento. A pessoa sábia que não é mais aprendiz, ainda continuará aprendendo. Somente o tolo alega saber tudo.

 

a boca do néscio. Note quão freqüentemente o tolo é retratado como um falador (vs. 6, 8, 13, 18, 19, 31 e 32). A epístola de Tiago, os "Provérbios" do Novo Testamento, também explora esse tema (Tg 1.26; 3.1-12). Saber quando se deve falar e quando se deve guardar silêncio é um proeminente tema da sabedoria (11.12, nota: 26.4,5; Jó 38.2; 42.1-6).

 

*          10.15   a sua cidade forte. A imagem é a de segurança contra as incertezas da vida.

 

a pobreza dos pobres é a sua ruína. Os pobres não têm grande defesa contra os acontecimentos inesperados. Essa circunstância é observada sem comentários sobre seus acertos e erros (cf. Mt 26.11). Em uma análise final, porém, os ricos, que confiam em si mesmos (28.11), descobrirão que sua segurança monetária é ilusória (11.4,28; 18.10,11; 23.4,5). Somente o Senhor nos serve de defesa segura (3.5,6)

 

*          10.16   o rendimento. O resultado ou recompensa da justiça é a vida (3.2,18 e notas; cf. Rm 6.23).

 

pecado. O "pecado" ou sua consequência, a punição, se opõem à vida.

 

*          10.18 A forma deste versículo difere dos opostos paralelos (paralelismo antitético), encontrados em grande parte deste capítulo. Novamente, o assunto é um falar tolo (mentira ou calúnia), e aquele que se ocupa em tal atividade é ou malicioso ou tolo (v. 14, nota). Tal insensatez não é considerada como coisa leve, porque essa insensatez importa em pecado real (Êx 20.16).

 

*          10.20   o coração. Aqui essa palavra aparece como um paralelo de língua. A mente, a vontade e o caráter interior do ímpio são fonte de palavras fúteis (Mt 15.18,19).

 

*          10.21 Ver os vs. 11 e 17. A sabedoria dos justos exerce bons efeitos sobre outras pessoas; mas os insensatos não podem ao menos sustentar-se a si mesmos.

 

*          10.22   enriquece. Dentro do contexto do Antigo Testamento, isso apontaria para as riquezas materiais, um resultado da sabedoria de Salomão (1Rs 4.22-28; 10.4-13). A riqueza não é um alvo da sabedoria, mas com freqüência é uma recompensa (v. 2).

 

*          10.24   Aquilo que teme o perverso. Os ímpios temem a punição. O significado dessa frase parece ser que o justo julgamento de Deus é inevitável.

 

*          10.26 A forma deste provérbio difere do paralelo de opostos (paralelismo antitético), usual neste capítulo. A comparação gira em torno do que é comum aos três pares (paralelismo sinônimo; ver "Introdução à Poesia Hebraica"). A pessoa preguiçosa é um fator desagradável que causa desgosto ao seu empregador.

 

*          10.27   O temor do SENHOR. Ver 1.7; 9.10 e notas. A harmonia com Deus, que é aqui reconhecido como vinda através das provisões do pacto, significa a harmonia com a vida. Tal como no quinto mandamento, as bênçãos de Deus são vistas em termos de uma vida longa e frutífera, na Terra Prometida (Êx 20.12; Dt 5.16, nota). Ver 2.20-22; 3.2 e nota.

 

*          10.29 Este provérbio estabelece um princípio básico da teologia da aliança, e não uma observação sobre a vida humana. Os escritores de sabedoria relembram-nos que a fonte de todo verdadeiro conhecimento e sabedoria é a auto-revelação de Deus em suas obras criativa, providencial e salvífica, e, especialmente, nas Escrituras.

 

*          10.30 Ver o v. 27. Temos aqui outro provérbio baseado no pacto de Deus com Israel. A "terra" (ver a referência lateral) é aquela prometida a Israel, e sua possessão é básica para a vida. A possessão da terra era condicionada à resposta da fé às promessas do pacto.

 

*          10.31,32 Ver a nota no v. 14.

 

*          10.31 perversidade. Essa palavra sugere aquele que fala com desonestidade, e busca impedir o são julgamento de outros.

 

*          11.1-31 Tal como no capítulo dez, muitas das declarações deste capítulo contrastam os caminhos da retidão e de iniqüidade. Outras frases, que não citam explicitamente esses dois pontos opostos, não obstante compara exemplos específicos dos mesmos.

 

*          11.1     Balança enganosa. A honestidade e negócios limpos são básicos à ética do pacto. A referência ao Senhor indica que estão em vista os relacionamentos do pacto.

 

*          11.2     soberba... desonra. A sabedoria reconhece a importância do domínio próprio. A arrogância e o orgulho são simplesmente reconhecidos por outras pessoas, que se recusarão então a prestar-lhes honrarias.

 

com os humildes está a sabedoria. Porquanto a humildade envolve a avaliação realista do lugar do indivíduo em relação a outros, promove um senso amplo da verdadeira ordem de coisas.

 

*          11.3     A integridade. Essa palavra deriva-se de um termo hebraico que significa "completo". Esse termo indica retidão e perfeição éticas. A orientação na vida é posta dentro de sua estrutura ética. Um relacionamento correto com o Senhor conduz a um curso reto na vida.

 

pérfidos. Essa palavra significa "coisa torta" ou "coisa torcida". Esse estilo de vida destrói a uma pessoa, porque definitivamente não podemos resistir com sucesso à ordem de Deus.

 

*          11.4     no dia da ira. Esta declaração antecipa não meramente a retribuição natural e impessoal na vida, mas também um Juiz pessoal e sua ira. As riquezas não podem garantir a ninguém proteção contra a ira de Deus (Lc 12.13-21).

 

A justiça. Ver a nota em 8.18.

 

*          11.5,6 O sentido é quase idêntico ao do v. 3.

 

*          11.8     libertado. Uma referência aparente à intervenção da providência divina. As declarações proverbiais afirmam o que é geralmente verdade, mas não sem exceções. O sofrimento dos justos (p.ex., Jó) mostra que apesar de ser perceptível um certo grau de ordem na experiência humana, tal ordem não é invariável, visto que Deus é soberano, e segue os seus próprios propósitos eternos. Somente a confiança na bondade de Deus, mesmo quando esta não se vê de imediato, é direcionada ao problema do sofredor justo. Ver a nota em 10.1—22.16, e "Introdução à Poesia Hebraica".

 

*          11.9     com a boca. Ver 10.13,14,18, e notas.

 

pelo conhecimento. A sabedoria e o conhecimento, como o caminho para a vida, capacitam a pessoa a escapar dos caminhos dos ímpios (vs. 4, 6, 8).

 

*          11.10 Uma sociedade viável deve possuir algum conhecimento do certo e do errado, bem como das recompensas e retribuições. Sem descer a uma vingança vindicativa, há um regozijo apropriado quando os perpetradores do mal, da corrupção, e da miséria humana são destruídos.

 

*          11.11 As implicações coletivas do comportamento são evidentes: vidas retas fortalecem a comunidade, ao passo que vidas iníquas a corrompem e derrubam.

 

*          11.12 Ver a nota em 10.14. A maledicência e o escárnio facilmente destróem a reputação alheia, mas não promovem a reputação do maledicente. O indivíduo sábio sabe quando deve guardar silêncio (vs. 13; 12.23; 13.3; 17.28; 18.2,6-8; Ec 3.7).

 

*          11.13 Temos aqui uma variação do v. 12. Este versículo nota que guardar confidências fortalece os relacionamentos, enquanto que a maledicência de um insensato os destrói (10.14 e nota).

 

*          11.14   sábia direção... conselheiros. Ver 15.22; 20.18; 24.6. O conselho ou sábia direção era uma característica do surgimento de sabedoria na vida política, durante o reinado de Davi (2Sm 15.30 - 17.23).

 

*          11.15   Ver 6.1 e nota.

 

*          11.16 Esses pensamentos paralelos opostos (paralelismo antitético) talvez ensinem que o desejo de respeito vale mais que meras riquezas (22.1; cf. Ec 7.1). Alternativamente, o sentido pode ser que a mulher graciosa retém a honra tão seguramente quanto a mulher cruel adquire riquezas.

 

*          11.17   bondoso. Esse termo descreve alguém que se comporta corretamente para com os seus semelhantes. Há um interesse próprio legítimo expresso em "amar o próximo como a ti mesmo" (Lv 19.18). O que é melhor para os outros também é melhor para nós.

 

*          11.18 Ver 10.2,16; cf. 1Co 9.6-11. A recompensa pode ser material ou espiritual. O princípio é o valor duradouro das recompensas da retidão.

 

*          11.19 Os caminhos da retidão e do mal, elaborados em detalhes específicos, em muitas declarações deste capítulo, são aqui afirmados nos termos mais amplos. O princípio subjacente é explicado em Dt 30.15-20. Neste versículo, a "justiça" e o "mal" são usados num sentido mais amplo, incluindo a ordem dada por Deus na existência, que é discernida pela experiência (8.18, nota).

 

*          11.20   os perversos. Ou "tortos", "torcidos" (8.8).

 

*          11.21   não ficará sem castigo. A terminologia legal indica que está envolvido o julgamento de Deus, e não apenas uma retribuição natural. Por semelhante modo, há um ato judicial de Deus envolvido no escape dos justos desse juízo.

 

*          11.23 Ver 10.24,25,28-30. O contraste entre os justos e os ímpios é visto nos destinos deles.

 

*          11.24-26 Estes versículos estabelecem o princípio geral de que a pessoa generosa é abençoada, ao passo que a avareza conduz à ruína (v. 17, nota).

 

*          11.26 A generosidade do v. 25 é ilustrada pelo negociante que pensa na comunidade, e que põe as necessidades alheias acima de seus próprios interesses.

 

*          11.27 Ver o v. 17 e nota. Aquele que "procura o bem" é ou o benfeitor da sociedade, que por sua vez recebe aprovação da comunidade, ou aquele que busca a justiça, que por sua vez recebe a aprovação de Deus (cf. Mt 5.6).

 

*          11.28   Quem confia nas suas riquezas cairá. Ver o v. 4 e nota. Quando vemos as possessões como aquilo que nos assegura a vida, Deus é excluído, tal como as corretas relações com o próximo. O resultado é uma vida de qualidade inferior.

 

*          11.29 Os pensamentos paralelos deste versículo não são óbvios, a menos que compreendamos que a primeira linha significa um uso descuidado das riquezas da família, o que traz ruína à casa toda. O tolo nada herda (vento), e deverá ser o servo daquele que gerencia bem as suas finanças.

 

*          11.30   Fruto... árvore de vida. A metáfora está curiosamente misturada. O resultado da retidão é a vida. Ver 3.18 e nota; 13.12; 15.4.

 

o que ganha almas. Lit., "toma almas", ou "toma vidas". O significado usual dessa frase é matar, tirar a vida de outrem. Para acomodar isso, a Septuaginta (Antigo Testamento traduzido para o grego) traduz a frase por: "Mas as almas dos desregrados são tiradas antes do tempo". A tradução é incerta.

 

*          11.31   A forma deste provérbio, ao usar de uma intensificação ("quanto mais"), é típica de sabedoria (15.11; 17.7; 19.7,10; 21.27).

 

o justo é punido. Nem mesmo os justos escapam ao escrutínio do julgamento. A Septuaginta (Antigo Testamento grego) traduz: "Se o justo é salvo com dificuldade" (conforme a citação em 1Pe 4.18).

 

na terra. Ou "na terra [prometida]". Ver 2.20-22, nota.

 

quanto mais o perverso. Se os pecados dos justos são julgados, é óbvio que os pecados dos ímpios também são julgados. O princípio da responsabilidade humana é clara: até os justos devem aceitar a responsabilidade por sua insensatez.

 

*          12.1     Quem ama a disciplina ama o conhecimento. Lit., "amar a disciplina é amar o conhecimento". A forma deste provérbio, tal como em 13.3 e 14.2, agrupa as coisas que se pertencem sem declarar explicitamente a relação existente entre elas. Essas coisas são então contrastadas com seus opostos. A pessoa sábia aceita a correção, e, em conseqüência, fica mais sábia, mas aquela que não aceita críticas não chega a lugar algum.

 

*          12.2     o favor. Ver a nota em 8.35.

 

Senhor. Ver a nota em 1.7.

 

*          12.4 Ver a extensa apreciação da esposa virtuosa, em 31.10-31.

 

*          12.5 O caráter de uma pessoa estabelece princípios para as suas ações. Há uma advertência implícita contra confiar em pessoas com base nas aparências.

 

*          12.6 Ver 1.11. Este versículo ressalta o poder das palavras para o bem ou para o mal.

 

livra homens. Em outras palavras, elas resgatarão as vítimas dos ímpios.

 

*          12.7 Ver 10.25 e nota.

 

*          12.8     entendimento. Um bom senso prático. A exibição de domínio sobre a vida ganha louvores.

 

o perverso de coração. A frase sugere a incapacidade de pensar retamente; mais confusão mental do que mesmo maldade.

 

*          12.9 Vários provérbios que têm essa forma de comparação direta, usando a fórmula do "melhor... do que" (15.16,17; 16.8,19,32; 17.1,12; 19.1).

 

o que se estima em pouco. Uma pessoa sem posição social ou sem reputação.

 

e faz o seu trabalho. A Septuaginta (Antigo Testamento grego) traduz essa frase por: "que trabalha para si mesmo". O sentido da frase é "Melhor uma prosperidade humilde do que a pobreza ocultada pela pretensão"; ou então: "É melhor trabalhar sem ser valorizado do que passar fome enquanto se sonha em riquezas".

 

*          12.10 Deus leva em conta o tratamento que damos aos animais (1Rs 4.33). Isso é coerente com a preocupação pela correta ordem de coisas no mundo.

 

O justo. Ver a nota em 8.18.

 

o coração dos perversos é cruel. A pessoa iníqua é incapaz de bondade, até com o seu gado.

 

*          12.11 Uma variante do v. 9, este versículo contrasta os benefícios do trabalho duro e honesto com fantasias que nada produzem. Ver 6.6-11; 20.4; 24.30-34; 28.19.

 

*          12.12 Embora o hebraico deste versículo seja difícil, o contraste básico — os benefícios da retidão em contraposição aos efeitos da iniquidade — está claro.

 

*          12.13 Ver 10.11,14,31.

 

*          12.14 O princípio da recompensa, expresso, por exemplo, no v. 21, está enfocado sobre a fala sábia. Tal linguagem cria bons relacionamentos e mostra cuidado pela ordem de coisas capaz de fomentar a vida. Suas recompensas são tão tangíveis como aquelas do labor físico.

 

*          12.15 O insensato pensa que sabe mais do que as demais pessoas. A pessoa sábia é humilde o bastante para aprender da experiência alheia e tem a capacidade de discernir os bons conselhos (v. 1).

 

*          12.16 O domínio próprio é uma das características dos sábios. O insensato reage por demais fortemente e com precipitação, destruindo relacionamentos. A pessoa sábia deixa o caminho aberto para a reconciliação.

 

*          12.17 À primeira vista, este provérbio expressa aquilo que deveria ser óbvio, mas ilustra eficazmente o inevitável relacionamento entre o caráter e os atos (v. 5, nota).

 

*          12.18,19 Estes dois provérbios podem ter sido postos juntamente com o v. 17 porquanto expandem o mesmo tema. O v. 18 considera os efeitos das palavras em nossos relacionamentos com outras pessoas, enquanto que o v. 19 considera a força da verdade em comparação com a fraqueza das mentiras, que inevitavelmente cede terreno (cf. o v. 13).

 

*          12.20   fraude. O contraste com a "alegria" parece requerer que isto significa fraudar-se a si mesmo.

 

a paz. Essa palavra (no hebraico, shalom) refere-se à totalidade; trata-se de um termo que aplica-se mais aos relacionamentos, que propriamente uma referência a alguma experiência particular de tranqüilidade.

 

*          12.21   Nenhum agravo. Essa condição básica dos justos refere-se tanto às calamidades naturais quanto aos julgamentos de Deus. Ver a nota em 11.8.

 

*          12.22 O caráter e as atitudes auto-revelados de Deus provêem um forte motivo para a verdade.

 

*          12.23 oculta o conhecimento. Não por motivo de egoísmo mas a fim de que não faça espetáculo de seu conhecimento. A sabedoria sabe quando é certo manter o silêncio e quando é certo falar (26.4,5; Ec 3.7; Tg 3.17,18).

 

proclama a estultícia. O insensato não somente tem um conceito exagerado de sua própria esperteza (v. 15), mas também não pode resistir demonstrá-la. Tal disposição deixa entrever sua real insensatez.

 

*          12.25 O ministério de encorajamento é mais do que uma palavra superficial (Tg 2.15,16), mas a palavra falada continua sendo um aspecto importante do cuidado mútuo. Deus age para conosco mediante feitos interpretados pela sua Palavra.

 

*          12.27 assará. É difícil dizer se a tradução devia ser que o homem é preguiçoso demais para assar a sua caça, ou se ele é preguiçoso demais para apanhá-la, em primeiro lugar. A segunda linha elogia a diligência sem continuar a metáfora da caça.

 

*          12.28   a vida. Ver 3.2,18 e notas.

 

não há morte. No hebraico "não morte". Ver 2.18 e nota, e também 3.2. As consoantes hebraicas traduzidas por "não", também podem significar "para"; em contraste com "a vereda da justiça", que conduz à vida, temos aqui "há uma vereda que conduz à morte".

 

*          13.1     A capacidade de aprender da criança ou do aluno contrasta com a propensão do insensato em zombar e em recusar a correção (1.8,22 e notas).

 

*          13.2     fruto da boca. O poder das palavras é um tema freqüente da sabedoria. Ver 10.11, 13, 19; 12.14 e notas. As palavras sábias são construtivas, e quem as diz se beneficia pessoalmente disso.

 

pérfidos. Essa palavra sugere os enganadores traiçoeiros, cuja consciência social está torcida.

 

*          13.3     O que guarda a boca. Exercendo controle sobre o que diz, a fim de que aquilo que é dito seja cuidadosamente considerado quanto a seus efeitos possíveis.

 

o que muito abre os lábios. Explosões de palavras, precipitadamente ou maliciosamente, sem preocupar-se com as suas conseqüências.

 

*          13.4     O preguiçoso. Ver 6.6-11 e notas. A responsabilidade humana não pode ser evitada. Nem o mundo e nem Deus tem a obrigação de nos sustentar a vida.

 

diligentes. Compreendendo corretamente as recompensas do trabalho honesto, a pessoa diligente é sustentada.

 

*          13.5     O justo. Ver a nota em 8.18.

 

*          13.6 Ver 10.9; 11.3-9.

 

*          13.7     Uns se dizem. Ou "fingem ser". Embora seja notada a disparidade das possessões, o ponto central do provérbio parece ser a similaridade do fingimento. Cada qual representa mal os fatos sobre si mesmo.

 

*          13.8 Uma pessoa rica poderá ser seqüestrada para se obter pagamento de resgate, mas tais ameaças não dizem respeito aos pobres. Por detrás de cada situação está o princípio de que a segurança das riquezas pode ser ilusória, enquanto que a insegurança da pobreza tem suas vantagens.

 

*          13.9     brilha intensamente. A metáfora apresenta dois tipos de casas: uma delas é bem iluminada e feliz; a outra é escura e abandonada. Essas casas simbolizam vidas humanas; uma pessoa prospera e vive muito tempo, enquanto que a outra tem sua vida cortada precocemente (10.27, nota).

 

*          13.11 A sabedoria do trabalho duro honesto é contrastado com a insensatez do lucro desonesto.

 

*          13.12 Uma experiência humana comum: as expectações frustradas causam uma perda de moral e um senso de desamparo. Isso não dá a entender que a gratificação instantânea seja boa, mas antes, que deveríamos nos esforçar honestamente em busca dos alvos desejáveis da vida.

 

árvore de vida. Ver 3.18 e nota.

 

*          13.13   a palavra. A palavra de sábia instrução.

 

o mandamento. Ver 3.1 e nota. Os efeitos opostos da obediência e da desobediência são temas constantes.

 

*          13.14   fonte de vida. A mesma palavra hebraica foi traduzida por "manancial de vida", em 10.11 (10.11, nota).

 

*          13.15   pérfidos. Ver o v. 2 e nota.

 

*          13.16 A verdade contida neste provérbio parece ser óbvia, mas ver 12.17 e nota.

 

*          13.17   O mau mensageiro. Alguém que traz uma mensagem enganadora.

 

mal. Ou "infortúnio". Tal mensageiro foi o amalequita que, esperando conquistar o favor de Davi, afirmou falsamente ter matado a Saul, mas foi executado para sua desgraça (2Sm 1.1-16). As declarações paralelas deste provérbio sugerem que o mensageiro fiel, talvez por ser um enviado da parte de alguém, promove o bem-estar de outras pessoas.

 

*          13.19 Ver o v. 12 e nota. A concretização de um alvo digno traz benefícios à vida do indivíduo. Os insensatos, porém, não abandonarão o mal para seguirem tais alvos.

 

*          13.20 A lição simples é que nos tornamos como aqueles em cuja companhia nos mantemos.

 

*          13.21 A sabedoria dos hebreus, com seu enfoque sobre as lições derivadas da experiência humana (cap. 4, nota), salienta a relação geral de causa e efeito, entre os estilos de vida e os seus respectivos resultados. Embora isso possa ser considerado uma retribuição natural por causa dos padrões observáveis da experiência humana, há uma suposição subjacente que a ordem que domina o mundo é uma conseqüência do governo de Deus.

 

*          13.22   deixa herança. Na vida, a sabedoria tem efeitos duradouros, especialmente na própria família.

 

depositada para o justo. As riquezas do ímpio podem ser-lhe tiradas e entregues a alguém mais merecedor do que ele (28.8; Jó 27.13-19). Este versículo talvez indique a dissipação irresponsável das riquezas por causa da insensatez, ou a retribuição divina do rico ímpio, devido a outros pecados (cf. Tg 5.1-3).

 

*          13.23 A relação natural entre a diligência e a suficiência (vs. 4, 11, nota) é quebrada pela opressão e pela injustiça.

 

*          13.24   a vara. Embora essa palavra possa simbolizar qualquer tipo de correção disciplinar, pouca dúvida há de que a punição corporal era aprovada em algumas situações (10.13; 22.15; 23.13,14; 29.15). Disciplina com amor impede a vara de ser destrutiva (3.11,12 e notas).

 

*          13.25 Ver os vs. 13, 18, 21, e notas.

 

*          14.1     A mulher sábia edifica a sua casa. Note os paralelos verbais com a personificação da sabedoria como se fosse uma mulher que edifica a sua casa, em 9.1.

 

*          14.2     na retidão. Sendo um contraste com "perverso", essa palavra significa "reto", "honesto".

 

Teme ao SENHOR. Ver 1.7 e nota.

 

*          14.3 Ver 10.13 e nota.

 

*          14.4     limpo. Não é claro se o hebraico dá a entender que o celeiro fica "limpo" ou cheio de "grãos", em resultado de não ser usado. Em ambos os casos, o benefício menor do celeiro não-usado deve ser avaliado contra o nada que é produzido quando os bois não estão trabalhando. Gastos devem ser aceitos se alguma coisa tiver de ser realizada.

 

*          14.5 Um fato e uma advertência que enfatizam a consistência do caráter com as ações (12.5, 17 e notas).

 

*          14.6     O escarnecedor. Ver 1.22 e nota.

 

procura a sabedoria. Esse tipo de pessoa pode reconhecer o valor da sabedoria, mas não se deixa ensinar o bastante para lograr sucesso.

 

*          14.8     prudente. Dentro do contexto da sabedoria, o termo indica alguém que é esperto, que age com real discernimento de uma maneira que promova a vida. Ver 12.16,23; 13.16 e notas.

 

enganadora. Talvez por enganar-se a si mesmo (cf. 12.20 e nota), embora enganar outras pessoas possa estar envolvido.

 

*          14.9     zombam do pecado. Isso pode significar que eles zombam diante da sugestão de apresentar a Deus a oferenda do sacrifício pela culpa, ou de se fazer restituição à pessoa que foi enganada (Lv 6.1-7).

 

há boa vontade. A segunda linha deste versículo contrasta com a primeira, e o sentido da palavra é a aceitação da parte de Deus, ou a comunhão restaurada com outras pessoas.

 

*          14.10 Embora grande parte da literatura de sabedoria da Bíblia reflita os relacionamentos entre as pessoas, também existe uma preocupação com aqueles aspectos da vida que são pessoais e particulares. Certas coisas não podem ser comunicadas, e os indivíduos devem aprender a saber que coisas são essas.

 

*          14.12 Ver 2.18,20-22; 3.18 e notas.

 

parece direito. Essa declaração subentende que tal caminho não é direito, e que a pessoa em foco é precipitada, sem discernimento ou ignorante.

 

*          14.13 Cf. o v. 10 e nota. Uma alegria externa e uma tristeza oculta podem coexistir. Mas a tristeza pode ser a realidade a ser enfrentada no fim.

 

*          14.14 O hebraico, da segunda linha deste versículo, é difícil, mas o contraste básico entre as recompensas pelo comportamento bom e pelo comportamento mal é evidente.

 

*          14.15   O simples. Ver a nota em 1.4. A pessoa "simples" é destreinada quanto ao uso do julgamento crítico.

 

o prudente. Ver a nota no v. 8.

 

*          14.17   O que presto se ira. Ver v. 29; 16.32; 19.11 e notas.

 

de maus desígnios. A palavra hebraica usualmente significa "discreção", uma virtude positiva (1.4; 2.11; 3.21; 5.2; 8.12). Uma linha seguinte de sentido contrário (paralelismo antitético), que se encontra na maioria dos provérbios deste capítulo, sugeriria o contrário daquele que se ira com facilidade.

 

*          14.18   conhecimento. Ver 1.7 e nota.

 

*          14.19 Mesmo nesta vida, as pessoas más algumas vezes são compelidas a respeitar com rancor as pessoas boas. Mas a justiça de Deus pode ser aqui a intenção da frase, quando os justos serão finalmente vindicados e os ímpios terão que se inclinar diante deles, no julgamento final.

 

*          14.20 Embora originalmente fosse uma declaração independente acerca de amigos que podem ajudar em tempos de tribulação (cf. Lc 16.9), sua colocação imediatamente antes do provérbio do v. 21 lhe dá uma aplicação adicional. Mesmo com a melhor das intenções, as pessoas ficam cansadas de uma amizade que sempre impõe exigências. A amizade é fácil quando não impõe obrigações ou traz benefícios.

 

*          14.21 A lei de Deus ordena bondade e cuidado pelo próximo como um reflexo do próprio caráter do Senhor (Lv 19.10-18). Esse princípio adquire ainda maior clareza no Novo Testamento, que requer que nos tratemos uns aos outros de uma forma que reflita o tratamento gracioso que recebemos de Deus, através de Cristo (1Jo 4.7-11).

 

*          14.22   amor e fidelidade. Essa frase, usada para indicar a amorosa compaixão do Deus da aliança pelo seu povo (Sl 86.15), é aplicada aqui para o mais profundo amor e lealdade.

 

*          14.23 Ver 10.4; 12.11; 13.4 e notas.

 

*          14.24 Conforme o mesmo se acha, este versículo é similar ao v. 23. A verdade óbvia, na segunda linha, enfatiza a futilidade da insensatez.

 

*          14.25 Ver o v. 5. A primeira linha exprime os resultados do testemunho veraz em uma disputa legal (ver a referência lateral). A segunda linha não exprime o oposto do pensamento da primeira linha (conforme usualmente se dá no caso de paralelismos antitéticos), mas simplesmente indica a natureza do testemunho falso, como ele obscurece a verdade.

 

*          14.26   No temor do SENHOR. Ver 1.7 e nota.

 

*          14.27   fonte de vida. Ver 3.18; 10.11; 11.30; 13.14 e notas.

 

*          14.29 Ver o v. 17.

 

*          14.30   O ânimo sereno. Ver a nota em 2.2. Os antigos reconheciam o elo existente entre a tranqüilidade mental e espiritual e a saúde física (3.7,8).

 

*          14.32   ainda morrendo. A Septuaginta (Antigo Testamento grego) diz "piedade", fazendo um contraste mais direto com "malícia". O texto hebraico não fala explicitamente sobre a ressurreição dentre os mortos, mas sugere a confiança de que Deus vindica os justos (23.18 e nota).

 

*          14.33   vem a lume. O significado desta linha é incerto. Ou o insensato exibe aquilo que ele imagina ser a sua sabedoria, ou mesmo o insensato manifesta um ocasional lampejo de sabedoria.

 

*          14.34   exalta. Ou moralmente, ou em conseqüência de bênçãos materiais divinas (Dt 28.1-14; 1Rs 4.20-28).

 

*          14.35 A sabedoria da corte real provê essa advertência contra o insensato incompetente.

 

*          15.1 O poder das palavras de edificar ou de destruir relacionamentos é salientado aqui e nos vs. 2, 4, 7, 14 e 23.

 

*          15.2 Ver 6.17,24; 10.20,31; 12.17-19.

 

*          15.3     Os olhos do SENHOR. Ver 2Cr 16.9; Sl 33.13-15. Os sábios, algumas vezes, olhavam para além dos acontecimentos observáveis e da retribuição natural para lembrarem-se da realidade da justiça divina. Ver a nota teológica "Deus Vê e Conhece: a Onisciência Divina", índice.

 

*          15.4     A língua serena. Ou: saneadora. Uma língua conciliadora corrige os relacionamentos (v. 2; 12.18).

 

árvore de vida. Ver 3.18 e nota.

 

a perversa. Ver a nota em 11.3.

 

quebranta o espírito. Destrói a moral e a autoestima (Is 65.14, referência lateral).

 

*          15.5 Ver 1.8; 6.20; 12.15; 13.1,13,18. Deixar-se ensinar com humildade é a marca dos sábios.

 

*          15.6     grande tesouro. Pode ser uma riqueza material, ou talvez uma metáfora de própria sabedoria (cf. 8.18-21).

 

perturbação. Ou "será destruído", conforme diz a Septuaginta (tradução do Antigo Testamento grego).

 

*          15.7 Ver o v. 2 e nota.

 

*          15.8 Ver Is 1.12-15; Am 5.21-24. O sábio traça aqui a vida religiosa de Israel, ilustrando a estrutura do pacto, dentro do qual a sabedoria bíblica opera.

 

*          15.10   a vereda. Isto é, o caminho da sabedoria divina (2.12-20). A disciplina será necessária para trazer o indivíduo de volta ao caminho de Deus (v. 5; 12.1).

 

o que odeia a repreensão, morrerá. Ver 2.18 e nota.

 

*          15.11   O além. No hebraico, sheol (1.12, nota).

 

o abismo. Ver a referência lateral. A morte é aqui retratada como uma espécie de encerramento do indivíduo, da parte do Senhor. O Senhor penetra os segredos do sepulcro; e quão mais fácil é para ele conhecer as nossas mentes (Sl 139.23,24).

 

*          15.12   O escarnecedor. Ver a nota em 1.22.

 

*          15.13 Ver a nota em 14.30.

 

*          15.15   banquete. Uma metáfora sobre a alegria.

 

*          15.16 Quanto a exemplos da forma de comparação "melhor... do que", ver a nota em 12.9. O temor do Senhor rende suas próprias riquezas (v. 6, nota).

 

tesouro onde há inquietação. Ver 10.2. As riquezas que não têm origem em uma vida sábia, trazem consigo sementes de destruição (Mc 10.25).

 

*          15.17 O contraste indica pobreza e riqueza. A qualidade de relacionamentos familiares não está ligada às riquezas; a qualidade da hospitalidade está alicerçada sobre os relacionamentos pessoais, e não sobre o alimento provido.

 

*          15.18 Ver 14.17,29; 15.1. A disposição das pessoas acalma ou acende uma rixa. Podemos discordar sem sermos desagradáveis.

 

*          15.19 Ver 6.6-11; 10.4; 13.4.

 

retos. A palavra é aqui usada como o oposto de "preguiçoso". Existe um laço implícito entre a preguiça e a injustiça, entre a diligência e a virtude.

 

*          15.23 Os sábios recebem grande satisfação por serem capazes de dar a palavra apropriada no tempo certo.

 

*          15.24 Ver 2.18-22 e notas.

 

o inferno. Ver a nota em 1.12.

 

*          15.25 Um reconhecimento da retribuição divina final.

 

a casa dos soberbos. Ver 14.11.

 

a herança da viúva. Ver a nota em Dt 19.14. Visto que a opressão sobre as viúvas era algo que realmente ocorria (p.ex., Is 1.17,23; 10.2), este provérbio deve ser visto como uma declaração de confiança de que a justiça de Deus finalmente terá cumprimento.

 

*          15.26 Tal como nos vs. 8 e 9, manter um correto relacionamento com o Senhor é a definitiva sabedoria.

 

*          15.27   ávido... suborno. Essas linhas paralelas sugerem alguém cujas riquezas foram mal adquiridas. Nossa insensatez usualmente repercute sobre aqueles que nos são próximos (1.19).

 

viverá. Ver 2.20-22 e notas.

 

*          15.28 O sábio e o justo reconhecem a necessidade de pesar cuidadosamente as questões antes de dar conselhos.

 

*          15.29 Ver a nota no v. 8.

 

*          15.30   O olhar de amigo. A idéia parece ser que uma pessoa animada e radiante, ou uma bela cena, afetam a mente do indivíduo da mesma maneira que boas notícias promovem o nosso bem-estar geral. Ver a nota em 14.30.

 

*          15.32   menospreza a sua alma. A insensatez é autodestrutiva.

 

*          15.33 Ver 1.7; 11.2 e notas.

 

*          16.1 Ocasionalmente, os sábios nos relembram que faz parte da responsabilidade humana raciocinar e agir, e que isso não contradiz a soberania de Deus (vs. 2,9).

 

a resposta... vem do SENHOR. Essa frase significa ou que Deus nos capacita a dar a resposta certa e efetuar os nossos planos, ou que a resposta de Deus (sua palavra de decisão) é o poder real que amolda os acontecimentos (19.21; cf. Fp 2.12,13).

 

*          16.2     espírito. As pessoas são capazes de racionalizar quase qualquer tipo de comportamento, quando se esforçam por justificar-se (12.15; 30.12). O conhecimento de Deus é uma advertência contra tal auto engano (Hb 4.12; cf. 1Co 4.3-5).

 

*          16.3     Confia. Em Hebraico: "Rola". A expressão é incomum. Pode significar que nossos planos deveriam ser entregues aos cuidados do Senhor (Sl 37.5), ou planejados com a aplicação consciente dos princípios da Palavra de Deus.

 

*          16.4     para determinados fins. Lit., "para sua resposta". A totalidade da criação, incluindo os ímpios e seus atos, está sujeita à soberania de Deus e servem a seus propósitos (cf. Rm 9.17-23). 

 

*          16.5 Ver 11.20,21.

 

*          16.6     Pela misericórdia e pela verdade. Essa expressão resume a atitude dos sábios para com o Senhor (3.3; 14.22; 20.28). A declaração é uma reprimenda à religiosidade formal, desacompanhada da verdadeira fé.

 

*          16.7     agradável ao SENHOR. Seguir o caminho de Deus produz efeitos reconciliadores e curadores sobre os relacionamentos pessoais.

 

*          16.8 Ver 15.16,17 e notas.

 

*          16.9 Ver os vs. 1,2 e notas.

 

*          16.10 decisões autorizadas. A palavra de um rei era lei, e ele tinha o direito de buscar a orientação do Senhor em seus julgamentos. Davi falou como um mensageiro de Deus (2Sm 14.17,20), e Salomão desejou possuir um coração discernidor (1Rs 3.9). O dom da sabedoria que Deus deu ao rei não o dispensava da responsabilidade de buscar sabedoria e de agir de acordo com a justiça.

 

*          16.11 Ver 11.1; 20.10,23; Am 8.5. Por detrás desta afirmativa há a visão da sabedoria de Deus como aquele que estabelece e mantém a ordem justa que torna a vida significativa. Quanto à lei contra os pesos falsificados, ver Lv 19.35,36; Dt 25.13-16.

 

*          16.12-15 A sabedoria concernente à realeza não reflete somente o ideal de Salomão e de seu sábio governo, mas também exprime o poder do rei para estabelecer a ordem justa em seu reino.

 

*          16.15   a nuvem que traz chuva serôdia. Ver a nota em Am 4.7,8. O favor do rei pode fazer a vida do indivíduo florescer como as plantações durante a primavera.

 

*          16.16 As comparações que usam a fórmula "melhor... do que" afirmam, sem qualquer ambigüidade, a superioridade de uma coisa sobre outra, embora sem dizer o por quê (12.9, nota). Que a sabedoria é melhor do que as riquezas materiais é um tema comum da sabedoria (3.13-15; 8.10,11,19). Isso não significa que as riquezas sejam, por si mesmas, indesejáveis (3.9,10; 1Rs 3.10-13; 10.7-9), mas somente que devem ser adquiridas como o fruto da sabedoria.

 

*          16.18 Ver 11.2 e nota. Os soberbos são incapazes de aprender e, por isso, dirigem-se para a destruição.

 

*          16.19 Ver o v. 16; 15.16 e notas.

 

*          16.21   a doçura no falar. "Palavras de mel"; palavras que refletem a aptidão para a comunicação.

 

*          16.22   fonte de vida. Ver 10.11 e nota.

 

a sua estultícia lhe é castigo. Em outras palavras, é uma insensatez corrigir os tolos, porque eles não darão ouvidos. O hebraico também pode significar que a própria insensatez deles torna-se um castigo apropriado para insensatos.

 

*          16.23   O coração. Ver a nota em 2.2. A pessoa sábia fala de uma mente informada pela verdade.

 

*          16.24   Palavras agradáveis. Ver a nota no v. 21. Tais palavras têm um valor curativo para os relacionamentos humanos e para o bem-estar pessoal.

 

*          16.26   A fome do trabalhador. O mais básico incentivo contra o ócio é a ameaça da fome (2Ts 3.10-12).

 

*          16.27   O homem depravado. Ver a referência lateral; e também a nota em 6.12.

 

fogo ardente. Esta metáfora enfatiza o poder destruidor das palavras vindicativas e caluniosas.

 

*          16.30   Quem fecha os olhos. Ver a nota em 6.13.

 

*          16.31   quando se acham. A vida reta é a vida sábia que promove a longevidade (3.2, nota). Os idosos são honrados por sua sabedoria, aprendizado e experiência.

 

*          16.32   Melhor é o longânimo. Tal pessoa traz calma e bom juízo, em qualquer crise (Tg 1.19,20).

 

*          16.33   A sorte. Ver a nota em Jn 1.7 e a nota teológica "Providência", índice .

 

do SENHOR procede toda decisão. Quando o lançar sorte era usado devidamente a resposta não era uma questão do acaso, mas vinha de Deus.

 

*          17.1     farta de carnes, e contendas. Lit., "sacrifícios de contendas" (ver a referência lateral), talvez um contraste com as ofertas pacíficas ou de comunhão (Dt 27.7). Pode haver harmonia sem provisões abundantes.

 

*          17.2 Um privilégio herdado pode ser facilmente perdido para aqueles que, mediante a diligência, mostram-se dignos de desfrutar do mesmo (11.29).

 

*          17.3     aos corações prova o SENHOR. As comparações indicam que o Senhor usa as nossas experiências a fim de nos aprimorar. Um teste de fogo não vem para nos destruir, mas para nos refinar.

 

*          17.4 O pecado não está simplesmente no ouvir, mas no implícito desejo perverso de usar para o mal aquilo que foi ouvido (cf. 16.27).

 

*          17.5 Ver 14.21 e nota.

 

*          17.6     os filhos dos filhos. O desejo natural de todos os pais ter netos foi intensificado em Israel, onde as bênçãos plenas da aliança, que jaziam no futuro, seriam possuídas pelos descendentes do indivíduo (Sl 127.3; 128.1-6).

 

a glória dos filhos são os pais. Ver Êx 20.12. Os pais são os guardiães e os professores mais influentes da verdade divina aos seus filhos.

 

*          17.7     quanto menos ao príncipe, o lábio mentiroso. Ver 8.15,16; 16.10,12,13 e notas.

 

*          17.8     o suborno. O ato de subornar geralmente se mostra eficaz. Essa observação de um comportamento humano corrupto é feito sem se passar julgamento moral (cf. o mordomo injusto de Lc 16.1-9). O suborno é condenado em 15.27. A sabedoria rejeita o pragmatismo em favor da obediência à lei de Deus.

 

*          17.10 Um tema frequente da sabedoria: as pessoas sábias deixam-se ensinar. Em contraste, o insensato não aprenderá de forma alguma (9.7-9).

 

*          17.11 O governo foi instituído por Deus para a preservação da ordem na sociedade (Rm 13.1-5). A rebeldia convida a retribuição oficial contra a tentativa de destruir a ordem social.

 

*          17.16   para comprar a sabedoria. Os insensatos não podem compensar a falta de sabedoria comprando uma educação.

 

*          17.18 Ver 6.1-3 e notas.

 

*          17.19 As linhas paralelas deste provérbio vinculam o orgulho e as más ações com a luta e a destruição, dando ao leitor assunto para sua reflexão.

 

*          17.21 Ver 10.1; 15.20 e 17.25.

 

*          17.22 Ver 14.30; 15.13,30 e notas.

 

*          17.23 Ver o v. 8 e nota.

 

*          17.24 O contraste é entre a concentração sobre a tarefa do aprendizado da sabedoria e os devaneios (12.11, nota).

 

*          17.25 Ver o v. 21 e nota.

 

*          17.27 Quem retém. Ou seja, aquele que contém sua fala. Este provérbio contrasta com 16.27,28. Os sábios sabem como controlar sua língua.

 

*          17.28 Este provérbio é uma extensão hipotética do v. 27. Ironicamente, o insensato que tem a esperteza de manter-se calado pelo menos mostra algum potencial para a sabedoria.

 

*          18.1 O hebraico é difícil. A primeira linha sugere que a pessoa inamistosa (no hebraico, "alienado") busca somente os seus próprios interesses.

 

*          18.3 As conseqüências sociais da insensatez e da perversidade são a perda da honra e da autoestima.

 

*          18.4    Águas profundas são as palavras da boca do homem. O sentido dessa frase é que as palavras de uma pessoa comum são obscuras, ou que as palavras do sábio são profundas. Se admitirmos o primeiro sentido, então a segunda linha contrasta tal obscuridade com a clareza da sabedoria. Se o sábio é que está em pauta, então a segunda linha desenvolve o tema. A ambigüidade pode até ser deliberada, deixando aberta a aplicação.

 

*          18.6,7 Ver 6.2; 10.11,14; 13.3; 14.3 e notas.

 

*          18.7    para a sua alma. Ou "para a sua vida".

 

*          18.8 Faz parte de nossa natureza humana pecaminosa ter um apetite para a maledicência.

 

*          18.9 Ver 6.9-11.

 

*          18.10   o nome do SENHOR. Na cultura hebraica, um nome não era mero rótulo, mas usualmente uma expressão do caráter de uma pessoa. O nome pactual de Deus, "Senhor", está associado a seu caráter como Salvador de seu povo (Êx 3.13-15; 15.1-3, e notas).

 

Torre forte. A segurança dos justos está baseada no caráter de Deus como um Salvador fiel.

 

*          18.11 Este versículo forma um claro contraste com o v. 10 (cf. 10.15). A advertência implícita é contra a confiança somente nas riquezas materiais (Lc 12.13-21).

 

*          18.13 Os insensatos vociferam opiniões sobre assuntos que eles não procuraram ouvir com cuidado. A pessoa deve escutar bem antes de começar a falar.

 

*          18.14 Ver 14.30 e nota.

 

*          18.16 Neste caso, o presente não é, necessariamente, um suborno, mas os efeitos práticos de um presente são vistos (17.8, nota).

 

*          18.17 Um argumento, em uma disputa, pode ser persuasivo até ser desafiado pelo outro lado. Esta parte da sabedoria prática salienta a importância de chegarmos à verdade.

 

*          18.18   Pelo lançar da sorte. Se a decisão vier de fora, as partes em contenda podem ambas descansar.

 

*          18.19   O irmão ofendido. O significado preciso deste versículo é incerto. O seu intuito aparente é que a reconciliação é difícil.

 

*          18.20   Do fruto da boca. Ver 12.14; 13.2 e notas.

 

se satisfaz. Provavelmente uma metáfora dos resultados construtivos da fala sábia, que promove relacionamentos transmissores de vida.

 

*          18.21   O ato de falar pode trazer o bem ou o dano. A pessoa que gosta de falar deve averiguar quais são seus efeitos.

 

*          18.22   uma esposa. Fica entendido que ela é uma boa esposa, como aquela descrita em 31.10-31 (12.4; 19.14 e notas).

 

a benevolência do SENHOR. Ver a nota em 8.35.

 

*          18.23 Este provérbio está baseado sobre uma observação realista da dura realidade das desigualdades da vida, por causa dos efeitos do pecado.

 

*          18.24   O homem que tem muitos amigos. O contraste parece ser entre dois tipos de companhia: aqueles cuja amizade é superficial e que causa tribulações; e o amigo raro, que é leal como um irmão (17.17).

 

*          19.2     Não é bom proceder sem refletir... precipitado. Ou seja, alguém que se precipita sem um planejamento apropriado. A sinceridade e a energia, por si mesmas, erram o alvo (Rm 10.2).

 

*          19.3 Os pecadores trazem seu próprio infortúnio, mas culpam Deus por isso.

 

*          19.4 Um fato comum da vida, dito sem qualquer julgamento moral (vs. 6,7; 18.23), embora a parcialidade pecaminosa seja óbvia (Tg 2.1-4).

 

*          19.5 Ver o v. 9. Em uma sociedade bem ordenada, o perjúrio é um crime sério que é severamente punido (cf. Êx 20.16). A retribuição divina não está em foco aqui, mas antes, as exigências de uma ordem social normal.

 

*          19.6,7 Ver o v. 4 e nota.

 

*          19.8     ama a sua alma. Ou então, "ama a vida". A sabedoria promove relações que são essenciais para o bem viver.

 

*          19.9 Ver o v. 5, e nota.

 

*          19.10   Ao insensato... a vida regalada. Um insensato não sabe lidar com a responsabilidade das riquezas. É possível que este versículo refira-se a um insensato em uma posição de autoridade administrativa, e não em uma posição de riqueza.

 

ao escravo dominar os príncipes. Essa situação é imprópria, não somente porque os oprimidos tornam-se agora os novos opressores, mas porque é algo incongruente para aqueles que não estão social e intelectualmente preparados para governar a sociedade. Mas comparar 2Sm 7.8 quanto à exceção.

 

*          19.11   o torna longânimo. Ver 14.17,29; 16.32 e notas. A disciplina é uma das marcas do homem sábio. Uma auto-avaliação apropriada impede-o de ofender-se diante de cada pequeno insulto.

 

*          19.13 Ver 10.1; 17.21.

 

as contenções. Ou "amolações". Relacionamentos mais íntimos têm um potencial para uma maior destruição.

 

um gotejar contínuo. Como um telhado com goteiras, que torna uma casa impossível de habitar quando chove (27.15).

 

*          19.14 Este provérbio não deixa entendido que o Senhor, não esteja exercendo, em última análise, controle sobre a herança das riquezas. Antes, ele enfatiza que o resultado da escolha do indivíduo quanto à sua esposa não é tão fácil de predizer ou controlar. Um casamento feliz é, realmente, motivo para se agradecer a Deus.

 

*          19.15 Ver 6.10,11; 10.4 e notas.

 

*          19.16 o mandamento. Ver a nota em 3.1.

 

esse morre. Ver 2.18, e nota.

 

*          19.17 O Senhor recompensa àqueles que demonstram ter compaixão pelos pobres.

 

*          19.18   Castiga. Ver 3.11 e nota.

 

esperança. Ou seja, razão para esperar um resultado desejado.

 

não te excedas a ponto de matá-lo. Isto é, não contribuas para a sua morte prematura por falhar em discipliná-lo e corrigi-lo.

 

*          19.21 Ver 16.1,9 e notas.

 

*          19.22   misericórdia. Ou "lealdade".

 

é preferível ao mentiroso. Um amigo leal, embora pobre, é melhor do que um amigo traiçoeiro.

 

*          19.23   O temor do SENHOR. Ver 1.7; 2.5 e notas. "O temor do Senhor", neste passo bíblico, provavelmente sirva de sinônimo da sabedoria da qual o Senhor é o sábio Autor (Tg 3.17).

 

conduz à vida. Ver 3.18 e nota.

 

ficará satisfeito. Ou então, "dormirá seguro", sob os cuidados do Senhor.

 

*          19.24 Este provérbio é um comentário humorístico sobre o preguiçoso (6.6, nota). O quadro de uma pessoa preguiçosa demais para alimentar-se, reflete a situação de 6.10,11. Esse tal nem ao menos tem a vontade da autopreservação.

 

*          19.25   escarnecedor. Ver a nota em 9.7.

 

o simples aprenderá a prudência. Ver 1.4 e nota. O zombador merece ser castigado, e a mente capaz de ser ensinada do simples observa as instruções recebidas e aprende, e assim é impedido de cair em insensatez semelhante.

 

*          19.26   O significado deste versículo é claro, especialmente quando visto contra o pano-de-fundo do propósito divino para os relacionamentos familiares (17.6; Êx 20.12).

 

*          19.28   de Belial. Ver a referência lateral; nota em 6.12.

 

*          19.29 Ver o v. 25; 10.13; 14.3. Mesmo que o castigo não detenha os tais, é merecido.

 

*          20.1     escarnecedor. O vinho zomba da pessoa que cai sob seu encanto, ou mais provavelmente, torna o indivíduo um escarnecedor (9.7, nota).

 

não é sábio. Ou é uma insensatez ficar embriagado, ou a pessoa intoxicada não pode agir sabiamente.

 

*          20.2 Ver 16.14.

 

*          20.3 Ver 15.18; 17.14.

 

*          20.4 Ver 6.6-11.

 

*          20.5 sabe descobri-los. Se as "águas profundas" referem-se a alguma verdade profundamente escondida "no coração", então a pessoa sábia é vista como alguém que é capaz de extrair tal sabedoria para a superfície, e dar-lhe expressão (18.4, e nota).

 

*          20.6 Muitos professam ter tal benignidade (ver a referência lateral), mas poucos a praticam em seu relacionamento com outras pessoas.

 

*          20.7 Ver 13.22 e nota; 14.11.

 

O justo. Ver 8.18 e nota.

 

*          20.8 Ver o v. 26. Um rei sábio pode discernir entre o trigo e a palha, entre o bem e o mal.

 

*          20.9 Ver 16.2 e nota. A resposta a esta pergunta deve ser simplesmente, "ninguém" (1Jo 1.8).

 

*          20.10 Ver 11.1 e nota.

 

*          20.11 criança. A palavra hebraica correspondente cobre um grande leque de idades, desde a infância até ao início da vida adulta.

 

*          20.12 Dois dos principais meios de se obter conhecimento são dados por Deus, e, portanto, são dignos de confiança. Pode haver aqui uma advertência implícita contra o uso errado dos mesmos.

 

*          20.13 Ver 6.6-11; 10.4; 19.15 e notas.

 

*          20.14 Um comentário humorístico sobre os costumes do mercado, onde a barganha é um bem estabelecido ritual social.

 

*          20.15 Ver 3.13-15; 8.10,11; 16.16. As riquezas materiais não são condenadas, mas a sabedoria aparece como mais desejável do que elas.

 

*          20.16 Tome-se a roupa. A roupa é a garantia tomada para que se faça um empréstimo (Dt 24.6, nota). Este versículo provavelmente é uma advertência para ser cuidadoso com dinheiro em negócios com pessoas que se arriscam ou que não são dignas de confiança.

 

*          20.17 o pão. Essa é uma metáfora para as riquezas materiais, as quais, quando buscadas desonestamente, não satisfazem.

 

*          20.18 Calcule-se o custo e nada se deixe ao mero acaso (1.5; 15.22; cf. Lc 14.28-32).

 

*          20.20   apagar-se-lhe-á a lâmpada. Ver 13.9 e nota. A morte sobrevirá, ou por meio da sociedade que executará a lei, ou pela retribuição divina, ou ainda pelas conseqüências indiretas de tal enorme pecado.

 

*          20.21 A posse antecipada de uma herança. Ou seja, prematuramente, antes de se obter a sabedoria para se lidar com ela, ou através de meios errados.

 

*          20.22 Essa orientação é paralela ao princípio ensinado em Dt 32.35 e Rm 12.19, advertindo contra tomar-se a lei nas próprias mãos e solapando a ordem da sociedade. O livramento não é nacional (Dt 32.35,36), mas, sim, individual, possivelmente por meio de devidos processos legais, mas tendo em última análise o próprio Senhor como sua fonte.

 

*          20.23 Ver o v. 10 e nota.

 

*          20.24 Ver 16.1,9 e notas; 19.21. Tais passagens indicam as limitações do conhecimento obtido por meio da observação. Somente os propósitos soberanos de Deus são exatos.

 

*          20.25 É santo. Ou seja, dedicado a Deus. Um voto precipitado que não pode ser honrado é pior do que não fazer voto nenhum (Ec 5.4-7).

 

*          20.26 Ver o v. 8 e nota. Um rei sábio tem a capacidade de discernir.

 

*          20.27   a lâmpada do SENHOR. Uma metáfora para o olho perscrutador de Deus, que conhece nossos pensamentos mais íntimos (cf. o v. 24).

 

*          20.28   Amor e fidelidade. Essas virtudes podem referir-se à atitude do rei para com os seus súditos, o que estabelece uma sociedade estável e um trono seguro (3.3; 14.22 e notas). Entretanto, é provável que a frase tenha sido usada aqui para falar sobre o pacto de Deus com a dinastia de Davi (2Sm 7.11-15).

 

*          20.29 Ver 16.31 e nota. Enquanto que a força física diminui com a idade, a sabedoria deveria aumentar.

 

*          20.30 O castigo corporal tem utilidade para sondar a consciência, mas é preciso a sabedoria para se saber quando e como devemos aplicá-lo.

 

*          21.1     o coração do rei... Senhor. Possivelmente uma referência à soberania de Deus, até mesmo sobre os reis pagãos, que cumprem a sua vontade mesmo quando não querem fazê-lo (p.ex., Ciro, em Is 45.1), ou ao rei de Israel que, à semelhança de Salomão, recebeu uma bênção especial sob a forma da sabedoria de Deus (16.10 e nota). Ver "Deus Reina: a Soberania Divina", em Dn 4.34.

 

*          21.3 Ver o v. 27. Os temas proféticos tais como esse (1Sm 15.22; Is 1.11-17) raramente são encontrados na literatura de sabedoria (15.8, nota).

 

*          21.4     Olhar altivo. Ver 6.17. Essa expressão descreve o orgulho e a arrogância, similar ao "coração orgulhoso".

 

*          21.5 No v. 25 e em 19.15, a pobreza é resultado da preguiça. Aqui ela resulta de ações precipitadas e sem sabedoria.

 

*          21.6 O hebraico é difícil (ver referência lateral). O significado deste provérbio provavelmente é similar ao de 20.17 (nota).

 

*          21.7     os arrebata. Ou seja, os "prenderá na armadilha". Ver 1.17,19 e notas; 12.13.

 

*          21.8     reto. Ver a nota em 14.2.

 

*          21.9     no canto do eirado. Provavelmente a referência é a um pequeno sótão construído sobre o teto plano comum nas casas.

 

a mulher rixosa. Ver o v. 19; 19.13 e nota. Essa esposa é o oposto da mulher prudente de 19.14.

 

*          21.10 o mal. Aquilo que é destrutivo nos relacionamentos humanos.

 

*          21.12   O Justo. O hebraico pode ser traduzido por "a pessoa justa", mas faz mais sentido traduzi-lo como uma referência a Deus. A retribuição divina é então afirmada com base na justiça de Deus, em vez de ser afirmada com base na observação humana.

 

*          21.14 Ver 17.8; 18.16 e notas.

 

*          21.15 A manutenção da verdadeira ordem (justiça) estabelece o bem-estar daqueles que vivem de acordo com ela. Mas aqueles que transgridem essa boa ordem são condenados. Os sábios discernem essa ordem divina, providencial, que, embora maculada pelo pecado, é até certo ponto mantida no mundo. Deus preserva essa ordem e é nossa tarefa perceber essa sua ordem para vivermos de acordo com a mesma. Em seu centro estão a Palavra de Deus e a nossa fiel obediência à ela. Essa obediência é o que se entende pelo "temor do Senhor".

 

*          21.16 Este provérbio contrasta os caminhos da vida e da morte (2.18; 3.18 e notas). Abandonar a sabedoria é abandonar a própria vida, e terminar entre os mortos.

 

*          21.17 o vinho e o azeite. Essas palavras aqui sugerem extravagância, especialmente nos banquetes.

 

*          21.18 Ver 11.8 e nota. Um resgate é uma quantia paga para a soltura de alguém. Entretanto, este provérbio não depende desse sentido específico, mas indica, em termos gerais ao juízo final, quando os justos serão vindicados e os ímpios serão derrotados.

 

*          21.19 Ver 19.13; 21.9 e notas.

 

*          21.21 Aqueles que cultivam relacionamentos corretos e a lealdade, encontram benefícios duradouros na vida (v. 16 e nota).

 

*          21.22 Ver 16.32 e nota. A força não é páreo para a sabedoria. Uma figura semelhante é aplicada à batalha espiritual, em 2Co 10.4.

 

*          21.23 Ver 13.3; 15.23; 18.13 e notas.

 

*          21.24 zombador. Ver 9.7 e nota; 19.25.

 

*          21.25 desejando. Esse desejo não o vincula ao mundo real, onde o trabalho traria as suas recompensas (13.4; 19.24 e notas).

 

*          21.26 Este provérbio parece ser uma continuação do v. 25. Se não, trata-se de um contraste entre a ganância e a abnegação.

 

*          21.27 Ver o v. 3; 15.8 e notas.

 

*          21.28 Ver 14.25; 19.5,9 e notas.

 

*          21.29   mostra dureza no seu rosto. O homem perverso apela para a rispidez em suas negociações com outras pessoas.

 

considera o seu caminho. Indica que a pessoa reta importa-se em viver segundo a verdade e suas conseqüências.

 

*          21.30 Os limites da compreensão humana devem ser reconhecidos à luz da sabedoria e da soberania de Deus. O temor do Senhor (1.7, nota) coloca-nos em contato com a sabedoria revelada de Deus. Mas Deus é sábio além daquilo que ele nos revela, e essa sabedoria não-revelada não pode ser compreendida por nós.

 

*          21.31 Este versículo aceita como certo que as pessoas farão preparativos apropriados para atingir os seus alvos, ao mesmo tempo em que reconhecerão que o resultado depende de Deus.

 

*          22.1     o bom nome. Uma boa reputação é uma das conseqüências sociais da sabedoria.

 

do que as muitas riquezas. As riquezas não são desencorajadas, mas postas em uma correta perspectiva (16.16, nota).

 

*          22.2     se encontram. A despeito das desigualdades desta vida, tanto os ricos como os pobres estão debaixo de Deus como seu Criador e Juiz.

 

*          22.3     O prudente... os simples. Ver 1.4 e nota.

 

*          22.4     da humildade e o temor do SENHOR. Ver 1.7; 15.33 e notas.

 

riquezas e honra e vida. Uma vida governada pela sabedoria tende à prosperidade. Os sábios de Israel salientavam que um correto relacionamento com o Senhor é a sabedoria final que estimula a vida (3.2,18; 8.18 e notas).

 

*          22.5     Espinhos e laços. Essas são metáforas para os infortúnios da vida que se derivam de um transtorno da verdadeira ordem doadora da vida (cf. 15.19).

 

o que guarda a sua alma. Isto é, estabelecendo a sua vida sobre a sabedoria de Deus.

 

*          22.6     Ensina a criança. A expressão hebraica inclui a idéia de inauguração, ou iniciar a vida de uma criança em um caminho específico. Esse caminho é o caminho da sabedoria (1.22, nota). A verdadeira sabedoria mantém-se por ter a humildade para continuar a aprender no caminho. Ver "A Família Cristã", em Ef 5.22.

 

*          22.7 Uma simples observação da realidade presente: neste mundo, as riquezas materiais representam poder (10.15 e nota).

 

*          22.8 A insensatez transgride a ordem divina, provocando as punições da tristeza e da dissolução (Os 8.7; Gl 6.7-9).

 

*          22.9     O generoso. Aquele que se inclina favoravelmente para com os necessitados. Nosso próprio bem- estar está ligado ao bem-estar de outras pessoas, de tal modo que aquilo que fazemos para o benefício delas também nos beneficia (19.17).

 

*          22.10   o escarnecedor. Ver 9.7 e nota. A harmonia social não pode existir se há alguém que procura acirrar os desentendimentos.

 

*          22.11   o rei. Ver 8.15,16; 14.35; 16.12,13; 20.26 e notas.

 

*          22.12   Os olhos do SENHOR. Ver 15.3; 20.8,27 e notas. O Senhor é o guardião da verdade.

 

*          22.13   o preguiçoso. Ver 6.6 e nota. Com humor e ironia o provérbio zomba das desculpas do preguiçoso a fim de evitar o trabalho.

 

*          22.14 Ver 5.3-5; 6.24; 7.5,14-21. Aqui a queda do insensato é atribuída à ira de Deus.

 

*          22.15   A estultícia está ligada ao coração da criança. A propensão inata da natureza humana caída pende para a insensatez.

 

a vara da disciplina. A vara pode aplicar-se a uma larga gama de medidas disciplinares, incluindo o castigo corporal (13.24; 29.15). A disciplina é uma tarefa educacional da sabedoria, sendo algo necessário até que a criança aprenda a autodisciplinar-se.

 

*          22.16 O hebraico aqui é de difícil tradução. Conforme o texto é aqui traduzido, tanto a opressão contra os pobres quanto o comprar favores dos ricos, leva o indivíduo à pobreza.

 

*          22.17—24.22 Esta seção é uma coletânea de afirmações sábias principalmente sob a forma de instruções (Introdução: Características e Temas). Há evidências de que a primeira parte (22.17—23.11) aproveitou-se da sabedoria egípcia de Amenemope (cf. 4.1-27, nota). Nesse caso, esses discernimentos foram conscientemente apropriados como admoestações que ajudam a pessoa a satisfazer as obrigações do pacto de "confiar... no Senhor" (22.19). O autor dos Provérbios, tal como os historiadores da Bíblia, não foi impedido, em princípio, de usar os materiais existentes no processo da escrita daquilo que Deus inspirou.

 

*          22.17-21 Esta seção introdutória exorta o ouvinte a dar atenção e ouvir, e também indica alguns dos benefícios desse aprendizado.

 

*          22.17   aplica o teu coração. Pensar com cuidado (2.2 e nota).

 

*          22.18   aplicares todos aos teus lábios. As declarações interiorizadas estão prontas para serem usadas.

 

*          22.19 Essa declaração exprime o ponto-de-vista bíblico da sabedoria (3.5, nota).

 

*          22.20 excelentes coisas. Ou, "trinta declarações". Esta última tradução é preferível, visto que a seção de 22.17—24.22 divide-se em trinta partes, que é formalmente semelhante à disposição de trinta capítulos de Amenemope (22.17—24.22, nota).

 

*          22.22,23 Uma breve instrução que lança luz sobre a ameaça da retribuição divina. O Senhor é retratado aqui como o advogado legal dos pobres (Sl 9.18, nota).

 

*          22.24,25 O perigo das amizades destituídas de sabedoria é desmascarado em 1.10-19; 12.26.

 

*          22.24   o iracundo. Essa pessoa perde facilmente o autocontrole (14.17; 15.18 e notas).

 

*          22.26,27 Ver 6.1-5 e notas.

 

*          22.28 Ver 15.25 e notas. Em 23.10,11 é dado o mandamento contra o contexto no qual é dada a determinação divina de defender os oprimidos.

 

*          22.29   um homem perito. No hebraico, "que é rápido". Essa velocidade no trabalho vem de habilidades bem aprendidas, e não por tomar atalhos.

 

Perante reis será posto. Essas palavras são uma exortação indireta na direção da excelência que, como no caso das escolas egípcias dos sábios, era o caminho da promoção para um serviço mais elevado (22.17—24.22, nota).

 

*          23.1-3 Os versículos à nossa frente contêm uma advertência, possivelmente dirigida a um diplomata, contra a perturbação exagerada nos prazeres da mesa, em companhia de algum governante.

 

*          23.1     para aquele que está diante de ti. O sentido da frase é: "Não permitas que o banquete te excite com a gula"; ou então: "Mantem-te atento quanto ao grande governante, e não quanto à comida".

 

*          23.3     são comidas enganadoras. A glutonaria pode solapar as relações humanas, e todas as suas vantagens.

 

*          23.4,5 Não vale a pena arruinar a própria saúde em troca de riquezas que têm o hábito de desaparecerem como uma ilusão.

 

*          23.6     do invejoso. O sentido é incerto; mas o contexto sugere uma pessoa cuja hospitalidade não é sincera, talvez por motivos ocultos.

 

*          23.8     Vomitarás. Uma metáfora que indica o relacionamento estragado e o sentimento de desgosto diante da falta de sinceridade do hospedeiro.

 

*          23.9 Esta breve instrução repete o significado de provérbios como o de 9.7, que indicam que o insensato não pode ser ensinado (cf. Mt 7.6).

 

*          23.10,11 Ver 22.28 e nota.

 

*          23.11   o seu Vingador. Na antiga sociedade de Israel, o redentor (no hebraico, goel) ajudava outro membro da família, que sofria de grande necessidade (Rt 2.20 e nota). O termo é aplicado com freqüência a Deus, em seu ato salvífico em favor de seu povo (p.ex., Jó 19.25; Sl 19.14; Is 41.14; 43.14; 44.24), conforme é aplicado aqui.

 

*          23.13,14 Ver 13.24; 19.18; 22.6,15 e notas.

 

*          23.13   não morrerá. O sentido é que tal castigo corporal não haverá de prejudicar indevidamente a criança, ou então que a disciplina evitará que a criança morra (o significado do v. 14).

 

*          23.14   do inferno. Ver 9.18, nota.

 

*          23.17,18 Essa instrução reflete o relacionamento da aliança de Israel e as promessas de Deus (1.7, nota). Ultrapassa as preocupações práticas e imediatas da sabedoria para com a revelação que sustenta o justo sofredor. Ver as notas em 1.19; 11.8.

 

*          23.17   temor do SENHOR. Ver 1.7 e nota.

 

*          23.18   bom futuro... a tua esperança. A palavra "futuro" (literal) pode ser uma referência a uma esperança da vida e de vindicação, após a morte. Mais provavelmente, entretanto, refere-se a uma vida longa e plena.

 

*          23.19-21 Más companhias, alcoolismo e glutonaria são exemplos de uma vida insensata, que facilmente pode tomar conta de um homem.

 

*          23.22-25 Instruções dadas a crianças quanto a corretos relacionamentos familiares. Esses princípios são derivados do quinto mandamento (Êx 20.12), e são testificados pelas observações discernidoras dos sábios quanto a relacionamentos humanos harmônicos e alegres.

 

*          23.26-28 Uma advertência contra mulheres imorais (2.16-19; 5.1-20).

 

*          23.26   Dá-me... o teu coração. Ou seja, presta atenção (2.2, nota). Os mestres da sabedoria requerem uma atenção fixa e a confiança em seus ensinos.

 

*          23.27   cova profunda. A figura é de uma cova para prender animais.

 

a alheia. Lit., "a mulher estrangeira", um termo usado para indicar pessoas imorais ou adúlteras (2.16, nota).

 

poço estreito. É impossível de escapar (Jr 38.6).

 

*          23.28   os infiéis. Lit., "traiçoeiros", indicando a infidelidade conjugal.

 

*          23.29-35 Os perigos do alcoolismo são apresentados sob a forma de um enigma. Os efeitos são vistos objetivamente (v. 29) e subjetivamente (vs. 33-35). Os valores da sabedoria bíblica são justamente os contrários: domínio próprio, percepção clara da realidade, e relacionamentos positivos.

 

*          23.30   bebida misturada. Ver 9.2 e nota.

 

*          23.31 olhes para o vinho, quando se torna vermelho. As ocasiões em que o vinho parece especialmente desejável requerem cautela em seu uso.

 

*          23.32   morderá como a cobra. A ressaca, que é uma conseqüência natural do alcoolismo, é como uma picada de serpente.

 

*          23.33   coisas esquisitas... perversidades. Essas palavras sugerem alucinações e pensamentos confusos.

 

*          23.34   no meio do mar... no alto do mastro. Duas metáforas náuticas que exprimem a sensação de tonteira que o alcoolismo produz.

 

*          23.35   e não me doeu. Amortecido pela bebida, o beberrão nem percebe os ferimentos que recebe.

 

tornarei a beber. O alcoólatra anela por mais a despeito da angústia que sente.

 

*          24.1,2  Ver o v. 19.

 

*          24.2     o seu coração maquina violência. Existem pessoas deliberadamente más que usam todo o seu intelecto e determinação para prejudicar o próximo.

 

*          24.3,4  sabedoria... inteligência... conhecimento. Essas três palavras são usadas como sinônimos da percepção e dos cuidados com os corretos relacionamentos. A verdadeira sabedoria aplica-se ao profissional hábil nas construções (tal como em Êx 36.1), aos relacionamentos humanos e à obtenção legítima da prosperidade material.

 

*          24.3     edifica-se a casa. "Casa" refere-se literalmente a uma casa na qual devemos viver, ou é uma metáfora para indicar a família,  ou mesmo uma dinastia (2Sm 7.11,12).

 

*          24.4     bens. Ou as riquezas materiais (p.ex., as riquezas de Salomão), ou metaforicamente, a beleza de bons relacionamentos familiares.

 

*          24.5,6 Ver 11.14; 21.22 e notas.

 

*          24.7     alta demais. É inalcançável para os insensatos, por não se deixarem ensinar.

 

no juízo. Ou seja, no portão da cidade, o lugar tradicional para conselho ou julgamento.

 

*          24.8     mestre de intrigas lhe chamarão. Em uma sociedade bem ordenada, os valores sociais atuam beneficamente para suprimir o mal. Aqui aquele que planeja intrigas sai envergonhado.

 

*          24.9     Os desígnios do insensato são pecado. Ver v.2 e nota. A insensatez não é falta de intelecto, mas a rebelião ativa contra a verdade e a ordem que se deriva dele.

 

é abominável aos homens. Ver v.8 e nota.

 

* 24.10 A força moral do indivíduo é vista somente quando ele é verdadeiramente testado.

 

* 24.11,12       É melhor tratar destes dois versos juntos. Ninguém pode usar a desculpa de ignorância para evitar a responsabilidade ao outro em necessidade.

 

* 24.12 aquele que pesa os corações. A prestação de contas de alguém a Deus é ressaltada. Aqui é considerado o eterno mais do que as conseqüências meramente sociais na falha em ajudar os outros.

 

* 24.13 saboreia o mel. Esta referência ao mel não é meramente uma metáfora. Boa comida, uma parte da vida próspera, é um interesse de sabedoria (25.16; Ec 9.7,8; Ct 5.1).

 

* 24.14 sabe que assim é a sabedoria. A sabedoria sustenta nossa vida interior como o mel sustenta o corpo.

 

bom fruto. Isto é, esperança para o futuro (ver referência lateral; também 23.18 e nota).

 

* 24.15,16       A idéia é que Deus não permite ao injusto prosperar permanentemente. Por outro lado, o justo pode sofrer muitas adversidades, até que Deus, por fim, venha a vindicá-los.

 

*          24.17   não te alegres. Por si mesmo, este versículo faria perfeito sentido, ao subentender que a compaixão não deveria ser negada inteiramente a qualquer outro ser humano. Apesar do motivo citado no v. 18 parecer inicialmente ser vindicativo ensina que quando não demonstramos bondade para com um nosso inimigo, merecemos a ira de Deus mais do que o nosso inimigo.

 

*          24.19   aflijas. Lit., "ficar quente", ou seja, ficar agitado ou vexado.

 

nem tenhas inveja. Ver o v. 1.

 

*          24.20 não terá bom futuro. Ou seja, "esperança futura" (v. 14; 23.18 e nota).

 

*          24.21   Teme ao Senhor. Ver 1.7 e nota.

 

e ao rei. Na sociedade israelita, baseada na aliança, o rei tornava-se o exemplar de sabedoria e o agente do governo de Deus (cf. Dt 17.14-20 e notas).

 

*          24.22   a ruína que virá daqueles dois. Isto é, a justa retribuição de Deus e do rei.

 

*          24.23-25         A justiça é essencial. Uma sociedade bem ordenada, é aquela na qual a justiça é feita e é vista ser feita. Isso complementa as normas dadas nos vs. 21,22.

 

*          24.26   Como beijo nos lábios. Esta comparação com a mais íntima expressão de amizade, ilumina o valor de uma resposta justa e certa (cf. 27.6).

 

*          24.27   edifica a tua casa. Ou a estrutura física, ou a família (v. 3, nota). Ambas essas coisas requerem uma firme base econômica, como aquela que é provida pelos produtos da colheita, antes que possam ser feitas.

 

*          24.28,29          Se, conforme parece provável, esses dois versículos formam um par, há mais em jogo do que a necessidade de se evitar dar falso testemunho (6.16,19). A vingança nasce da ira e do calor da paixão. A perda do controle, descrito no v. 29, é o contrário do domínio próprio exigido pela sabedoria bíblica.

 

*          24.30-34 Ver 6.6-11 e notas.

 

*          25.1     provérbios de Salomão. Ver Introdução: Autor; nota em 1.1.

 

Ezequias. Ele foi rei de Judá no tempo da destruição do reino do norte de Israel. Ezequias executou reformas rigorosas quanto às práticas religiosas corruptas de Judá. Esta introdução de uma nova seção do livro de Provérbios mostra que Ezequias não somente promoveu um retorno à lei de Moisés, mas também encorajou o movimento de sabedoria através da atividade literária.

 

transcreveram. O desenvolvimento de uma classe escribal em Israel foi ditado pelas necessidades religiosas e administrativas da nação. A palavra hebraica aqui usada indica transmissão e pode significar submeter a tradição oral à forma escrita, ou então transcrever algo que já estava escrito.

 

*          25.2 Desde a criação já se pode ver que a sabedoria de Deus ultrapassa todo o conhecimento humano (Sl 92.5; 147.5; Is 40.12-17; Rm 1.20). O rei, na qualidade de servo de Deus, fazia inquirições investigando quanto às questões que diziam respeito ao seu governo, e ele deve ser admirado por seu sucesso ao descobrir o que ele precisa saber (16.12-15; 20.8,26; 25.3,5 e notas).

 

*          25.3     insondável. O mesmo verbo usado no versículo dois foi usado aqui na forma negativa. O conhecimento que o rei havia adquirido através de esforços e das decisões reais baseados sobre esses esforços são reflexões do governo de Deus, alicerçado na sua sabedoria. Entende-se que o rei governava mediante a nomeação de Deus (cf. Rm 13.4).

 

*          25.4,5  Sem importar quão hábil seja o artífice, ele precisa ter um bom material com o qual trabalhar. Por semelhante modo, o rei precisa de uma sociedade expurgada de maus elementos, se ele tiver de estabelecer um governo justo. A boa ordem na sociedade não pode simplesmente ser ordenada do trono.

 

*          25.6,7 A sabedoria da corte real observa um protocolo não-declarado. Ela repreende a vaidade pessoal e o interesse próprio que se exacerba e leva à humilhação. É melhor começarmos humildes e então sermos exaltados. Jesus adaptou essa instrução para falar de nosso lugar no reino de Deus (Lc 14.7-11).

 

*          25.8     a litigar. (Ver referência lateral). Esse princípio pode aplicar-se mais amplamente à necessidade de prudência no falar que reflite no caráter de outras pessoas.

 

*          25.9     não descubras o segredo de outrem. Não envolvas outros em uma disputa.

 

*          25.10   e não se te apegue a tua infâmia. A traição da confiança levará a uma reputação de deslealdade.

 

*          25.11 Lit., "maçãs de ouro em salvas de prata, uma palavra aptamente dita". Esse tipo de comparação proverbial simplesmente coloca duas coisas ou mais lado a lado (cf. v. 18), deixando que o leitor solucione a natureza da comparação. A importância das palavras bem escolhidas, um tema de sabedoria comum, é iluminada por sua comparação com objetos de arte que são obras-primas.

 

*          25.12 Uma comparação semelhante de idéias acha-se no v.11. Duas peças de joalheria são postas juntas como paralelo a uma boa relação entre a reprimenda do mestre sábio e um aluno receptivo. A comparação implícita diz que ou uma reprimenda é tão valiosa como finas jóias de ouro, ou que uma reprimenda sábia e um ouvido receptivo andam juntas, como jóias que se complementam.

 

*          25.13   Como o frescor de neve. O quadro não vê uma nevasca sem razão, que seria desastrosa para a colheita, e, sim, um refrigério (cf. o v. 25).

 

*          25.14 Os habitantes da Palestina com freqüência tinham a experiência de nuvens que prometiam chuvas, mas que se mostravam secas (Jd 12). Tal provérbio pode ser aplicado hoje em dia àqueles que buscam exercer poder e influência, quer política quer pessoal, fazendo promessas que não são cumpridas.

 

*          25.15   A longanimidade. Ou seja, mostrando-se lento em irar-se e não reagindo às provocações.

 

esmaga ossos. Mediante uma diplomacia gentil, uma forte resistência é quebrada.

 

*          25.16,17 O que mui provavelmente eram declarações distintas foi aqui aglutinado para reforçar a mensagem que elas têm em comum: Deves saber quando parar; o mel é bom para qualquer pessoa, mas em exagero adoece a pessoa; a amizade entre vizinhos é boa, mas uma familiaridade excessiva pode abusar da privacidade alheia. Os relacionamentos precisam ser sabiamente definidos.

 

*          25.18 O falso testemunho pertence ao mesmo grupo que as armas de guerra, porquanto são todos instrumentos letais, usados para assaltar o bem-estar de outrem.

 

*          25.20   vinagre sobre feridas. Uma outra tradução possível é "vinagre sobre a soda" (um agente purificador como a soda para cozer). Da mesma maneira que tirar a capa de alguém ou derramar vinagre sobre feridas causa dor, assim também o faz a frivolidade na presença da tristeza (Sl 137.3,4; Rm 12.15).

 

* 25.22 amontoarás brasas vivas sobre a sua cabeça. O significado dessa metáfora deve ser determinado por seu contexto (ver o v. 21). O apóstolo Paulo (Rm 12.2) usa-a aqui como uma figura para vencer o mal com o bem. Sl 140.10 usa também essa frase como uma descrição do castigo. O sentido mais provável é a penitência através de um doloroso senso de vergonha. Alguns associam essa figura com um rito penitencial egípcio no qual brasas eram transportadas na cabeça para mostrar contrição. Mas este provérbio comenta sobre a recompensa divina: "O Senhor te retribuirá". Ver a nota em 1.7.

            À parte Êx 23.4,5, Israel raramente foi ordenado se mostrar bondoso para com seus inimigos. Provavelmente isso se dava por causa do significado dos adversários como aqueles que não somente se opunham ao reino de Deus, mas também ameaçavam a sobrevivência de Israel como o povo messiânico. Jesus desenvolveu as implicações do evangelho para o tratamento dos inimigos pessoais, em Mt 5.43-48.

 

*          25.23 Note a inevitável relação de causa e efeito expressa em ambas as linhas.

 

*          25.24 Ver 21.9 e nota.

 

*          25.25 Quanto à forma deste provérbio, ver a nota no v. 11.

 

*          25.26   o justo. Ver a nota em 8.18.

 

*          25.28 Esta comparação (ver o v. 11, nota) ilustra a vulnerabilidade da pessoa que perde o domínio próprio.

 

*          26.1 A comparação é explícita ("como... assim"). A boa ordem perceptível da natureza deve ter como um paralelo a estima da sociedade quanto ao caráter humano.

 

*          26.2 A forma é a mesma que no primeiro versículo. As maldições não têm o poder de afligir aquele que é inocente. Tal maldição só tem significado como expressão da retribuição divina.

 

*          26.4,5 Considerados juntamente, estes versículos ilustram o ponto de que nenhum provérbio tem por intuito cobrir todas as situações possíveis. A aparente contradição nos dois provérbios indica que os provérbios devem ser devidamente aplicados. Uma situação requer que evitemos jogar o jogo dos insensatos dando uma resposta, enquanto que a outra situação exige que desmascaremos a insensatez a fim de que o insensato não seja considerado um sábio.

 

*          26.6     o dano sofre. Enviar um insensato para dar um recado é pedir por problemas.

 

*          26.7 Uma declaração de sabedoria dita por um insensato é tão incompatível com seu caráter que a mesma perde a sua força.

 

*          26.8 Não reconhecer o valor de uma jóia ilustra quão absurdo é honrar um indivíduo insensato.

 

*          26.9     Como galho de espinhos... assim é o provérbio. Esta afirmação aparentemente refere-se a um espinho que espeta a mão de uma pessoa por demais embriagada para senti-lo. Ou o insensato é por demais símplice para perceber o significado do provérbio, ou então como o espinho fere a mão do embriagado, assim também os insensatos usam o provérbio para seu próprio dano.

 

*          26.11 Os insensatos não aprendem com os seus erros, mas antes retornam, como um cão volta ao seu vômito, a fim de repeti-los.

 

*          26.12 Existem graus de insensatez, e o maior de todos acha-se nos insensatos que se julgam sábios. Um exemplo extremo é visto na sabedoria do mundo que considera uma insensatez a sabedoria de Deus (1Co 1.18 - 2.5).

 

*          26.13-16 Quatro provérbios refletem a preguiça que opera contra a existência humana bem ordenada e contra a própria vida. Ver 6.6-11; 24.30-34 e notas.

 

*          26.13 Ver 22.13 e nota.

 

*          26.14 Da mesma maneira que uma porta gira em suas dobradiças, assim também os preguiçosos giram incansavelmente em suas camas.

 

*          26.16 sete homens. Neste caso, o número exato, embora com freqüência simbolize algo completo, não é importante; serve somente para iluminar quão iludido anda o insensato.

 

*          26.17 A sabedoria inclui saber quando não devemos interferir nas disputas alheias.

 

*          26.18,19 O elemento em comum é o potencial para a destruição: tanto de propriedades quanto de pessoas (v. 18), e também de relacionamentos pessoais (v. 19).

 

*          26.20   maldizente. Um maledicente, um produtor de murmurações maliciosas, que tem pouco interesse pela verdade.

 

*          26.21   o homem contencioso. Tais pessoas não se sentem felizes a menos que vivam solapando ativamente os relacionamentos pessoais.

 

*          26.22 Ver 18.8 e nota.

 

*          26.23 Embora o texto hebraico seja difícil, o sentido aparente é o mesmo dos vs. 24-26; uma camada de verniz agradável pode ocultar uma natureza contrária por baixo.

 

*          26.25,26 A pessoa do v. 24 deve ser evitada. Com o tempo, as pessoas perceberão a verdade por detrás do engano (5.14 e nota).

 

*          26.27 Os criadores de problemas com freqüência entram em dificuldades eles mesmos (cf. Gl 6.7). O tema da retribuição provavelmente deve ser vinculado aos vs. 23-26. Aqui a ênfase não recai sobre o julgamento divino direto, mas sobre a natureza providencialmente autodestrutiva da insensatez, que tem por alvo a destruição de outras pessoas.

 

*          26.28 O ódio é a quebra final das relações humanas (1Jo 3.15). A fala humana tem um enorme potencial para o mal, e seu mau uso não pode ser desculpado com facilidade (Tg 3.5-10).

 

*          27.1 Embora a sabedoria se preocupe em apegar-se à vida, as pessoas não exercem controle completo sobre o seu futuro. Os insensatos pensam que têm esse domínio, mas não levam em conta a vontade soberana de Deus (21.30, nota: Lc 12.19,20).

 

*          27.2 A sabedoria é humilde (cf. 1Co 13.4,5).

 

*          27.3,4 Duas comparações destacam a natureza destrutiva da insensatez.

 

*          27.5     a repreensão franca. Uma palavra salutar cujo alvo é a correção, visando o bem do indivíduo.

 

o amor encoberto. Esse amor, embora genuíno, sente falta da força moral para arriscar dar uma reprimenda.

 

*          27.6     as feridas feitas pelo que ama. O significado é similar à "repreensão franca", no v.5.

 

*          27.7 Ver 25.16,17,27 e notas. O sentido deste provérbio não está limitado à comida, mas aplica-se a qualquer coisa pelo que tenhamos apetite.

 

*          27.8 A vadiagem fere tanto o vadio quanto àqueles com quem ele se relaciona. Os seres humanos carecem de relacionamentos pessoais.

 

*          27.10 O alvo desta instrução parece ser que o indivíduo deveria desenvolver relacionamentos além de sua família imediata, pois os parentes algumas vezes se indispõem ou são incapazes de sair em nosso socorro.

 

*          27.11   Os pais são vindicados perante outros por seu sucesso em transmitir sabedoria a seus filhos (10.1).

 

*          27.12 prudente... simples. Ver 1.4; 12.16 e notas.

 

*          27.13 Ver 20.16 e nota.

 

*          27.14   A referência mais provável é a protestos falsos e impróprios de amizade que disfarçam alguma má intenção (26.18,19,24-26).

 

*          27.17 Esta declaração provavelmente se refere ao efeito positivo da interação com outros no caráter do indivíduo.

 

*          27.18 Um trabalho diligente e um serviço honesto são recompensados (22.29).

 

*          27.19 Tal como a água reflete nossa aparência externa, assim os pensamentos de nossos "corações" revelam a nossa natureza interior e o nosso caráter.

 

*          27.20   O inferno e o abismo. Ver a nota em 15.11. O paralelo com o abismo, dá a entender que a insaciabilidade dos olhos envolve desejos intermináveis que se tornam destruidores.

 

*          27.21 O sentido é que o louvor público submete a teste o caráter (aqui a resistência do indivíduo à tentação do orgulho), ou que a estima pública geralmente é uma indicação digna de confiança do caráter de alguém (mas cf. Mt 5.11).

 

*          27.22   gral... grãos pilados. Um pilão e um socador, usados para pulverizar coisas. O insensato não pode ser ensinado, mesmo quando se tomam as medidas mais drásticas.

 

*          27.23-27 Os recursos econômicos de uma espécie renovável (rebanhos, colheitas) são preferíveis às riquezas que não podem ser substituídas. Uma atenção cuidadosa à ordem providencial da natureza geralmente assegura uma provisão duradoura para as nossas necessidades. As implicações ecológicas desta passagem tornam-se ainda mais óbvias em um contexto moderno.

 

*          28.1-28 Este capítulo contém uma mais pesada concentração de reflexões teológicas do que os primeiros capítulos das sentenças proverbiais. Algumas vezes isso é explícito, com referências a Deus, à lei e à retidão. Em outras sentenças, isso torna-se mais implícito, como no contraste entre os justos e os ímpios, o que parece aceitar a ordem providencial subjacente e o julgamento de Deus.

 

*          28.2 Embora o hebraico seja difícil aqui, o significado parece ser que a injustiça e a instabilidade política (conforme ocorreu no reino do norte, Israel) andam de mãos dadas, ao passo que uma pessoa sábia ou justa ajuda a manter a ordem social.

 

*          28.3     O homem pobre... os pobres. A mudança de um sinal vocálico no hebraico produz esta leitura: "Um governante que oprime os pobres". Tanto as chuvas excessivas como um govenante maligno podem trazer grande dano.

 

*          28.4     a lei. Provavelmente esteja em foco a lei de Moisés, embora a instrução da sabedoria também possa estar em foco (3.1, nota). Ainda que a literatura de sabedoria por muitas vezes pareça refletir mais a experiência humana na ordem criada do que a revelação de Deus nas Escrituras, os sábios hebreus eram homens de Deus que conheciam a lei e suas exigências (1.7, nota).

 

*          28.5     justo. Esta palavra refere-se ou ao governo moral de Deus sobre o universo, ou a boa ordem de coisas, da qual o governo de Deus é a base.

 

os que buscam o Senhor. Aqueles cuja fé reconhece que o propósito da vida é servir a Deus.

 

entendem tudo. Essa frase não implica em conhecimento total ou em infalibilidade, mas em uma mente renovada que conhece verdadeiramente as coisas, porquanto as conhece conforme são interpretadas pela revelação de Deus, nas Escrituras (1.7, nota).

 

*          28.6     na sua integridade. A integridade no relacionamento de um indivíduo com Deus e com outras pessoas é mais importante do que as riquezas materiais.

 

*          28.7     a lei. Ver o v. 4 e nota.

 

o companheiro dos libertinos envergonha. Ver 23.19-25 e notas.

 

*          28.8     juros e ganância. Em Lv 25.35-38, a graça de Deus estabelece o princípio de ajuda gratuita ao próximo, sem qualquer pensamento quanto ao lucro (Dt 23.19,20).

 

ajunta-os para o que se compadece do pobre. A justiça de Deus não permite que o rico ganancioso retenha suas riquezas (13.22; 22.16; Jó 27.13-19), mas antes, dá essas riquezas àqueles que ajudam generosamente a outros (19.17).

 

*          28.9 Ver 15.8,29.

 

*          28.10   O que desvia os retos para o mau caminho. Parece que a justiça de Deus fica implícita aqui; há um julgamento especial contra aqueles que buscam seduzir o povo de Deus (Mt 5.19; 18.6).

 

*          28.11 Apesar de que as riquezas materiais não se correlacionam necessariamente à injustiça, e nem a pobreza com a sabedoria e a retidão, há, contudo, essa tendência (vs. 6, 8, 20, 22, 25 e 27).

 

sábio aos seus próprios olhos. Ver 26.5,16. Não existem insensatos mais autênticos do que aqueles que vêem sua insensatez como se fosse sabedoria (cf. 1Co 1.18-25).    

 

*          28.12 A justiça conduz à boa ordem social e à felicidade, ao passo que a injustiça destrói e aliena (v. 28 e 29.2).

 

*          28.13 A boa ordem e o bem-estar na vida de alguém estão vinculados a um relacionamento pessoal intenso com Deus. O pecado não-confessado é a definitiva desordem na vida. A confissão e o arrependimento levam à restauração de uma correto relacionamento com Deus, com base na misericórdia (Sl 32.1-4; 1Jo 1.6-9). Todos os demais relacionamentos dependem disso.

 

*          28.14 Feliz. Ver 3.13 e nota.

 

o que endurece o coração. Alguém que opõe sua vontade à vontade do Senhor (Êx 7.3,13).

 

*          28.15 Ver os vs. 3, 16.

 

*          28.16 A tirania é tão contrária à sabedoria que ela demonstra falta de discernimento. A segunda linha subentende que o tirano ganancioso produz a sua própria destruição.

 

*          28.18   O que anda em integridade será salvo. Ver as notas em 1.19; 10.3; 11.8.

 

*          28.20 A fé e a sabedoria podem levar às riquezas, mas dar prioridade às riquezas é um erro sério.

 

*          28.21 Ver 18.5; 24.23,24. Até um pequeno suborno pode ter resultados desastrosos na manutenção da ordem e da justiça na sociedade.

 

*          28.22   Aquele que tem olhos invejosos. Um avarento (23.6, nota e referência lateral).

 

há de vir sobre ele a penúria. O sentido dessas palavras é que ou ao avarento falta a sabedoria para adquirir e manter as riquezas, ou que a justiça de Deus não permitirá que tal pessoa torne-se rica (v. 20).

 

*          28.23 Uma reprimenda necessária em última análise rende um efeito positivo sobre os relacionamentos pessoais (27.5), ao passo que a lisonja somente mina essas relações.

 

*          28.24 Ver 19.26 e nota.

 

não é pecado. Os relacionamentos familiares são o eixo de todos os laços humanos. Saquear os próprios pais descaradamente exibe uma depravação moral que solapa todos os relacionamentos.

 

*          28.25   o que confia no Senhor. Dependência e fé estão incluídas no temor do Senhor (1.7, nota).

 

*          28.26   O que confia no seu próprio coração. Ver 3.5,6 e notas. Confiar em si mesmo é o oposto destrutivo da confiança no Senhor.

 

o que anda em sabedoria. O caminho da sabedoria e o temor do Senhor são correlacionados nos vs. 25 e 26 (1.7, nota).

 

*          28.27 Ver 11.24-26; 14.21; 22.9 e notas.

 

*          28.28 Ver o v. 12 e nota; 29.2.

 

*          29.1     muitas vezes repreendido. Ver 1.30; 5.12; 9.7,8; 10.17; 12.1 e notas.

 

endurece a cerviz. Ou seja, torna-se arrogante e incapaz de ser ensinado (28.14).

 

*          29.3     alegra a seu pai. Ver 10.1; 28.7.

 

desperdiça os bens. O paralelismo dá a entender que tal comportamento é uma desgraça, bem como uma tristeza para o seu pai (6.26).

 

*          29.4 Ver 8.15,16; 20.8,26 e notas.

 

*          29.5 Ver 28.23.

 

*          29.7     Informa-se ... da causa. Lit., "conhece o julgamento". Eles sabem e fazem o que Deus requer em favor dos pobres.

 

*          29.8     escarnecedores. Ver 1.22 e nota.

 

alvoroçam a cidade. Os faltos em sabedoria, por natureza, tendem a solapar a harmonia que há na sociedade.

 

*          29.9 De todas as maneiras possíveis, os sábios deveriam evitar disputar com os insensatos. Os tolos são incapazes de argumentos racionais, e mesmo quando um julgamento correto é dado, não pode ser harmonizado. Ver a nota em 26.4,5.

 

*          29.12 A corrupção na sociedade tende por começar pelas camadas mais altas. O governante desonesto não somente atrai maus oficiais, mas encoraja seus subordinados a se corromperem.

 

*          29.13 dá luz aos olhos de ambos. Deus criou tanto os ricos quanto os pobres (22.2 e nota).

 

*          29.14 Ver o v. 4; 16.12-15 e notas.

 

*          29.15 Ver 13.24; 22.15; 23.13,14 e notas.

 

*          29.16 Este provérbio expressa implicitamente a confiança no estabelecimento final de uma ordem justa, sob o governo de Deus.

 

*          29.17   Corrige. Está em vista não somente o castigo (v. 15), mas também uma instrução ativa e positiva na sabedoria. No contexto pactual da fé da nação de Israel, a disciplina e a instrução vêm da revelação de Deus em sua palavra e em seus atos.

 

*          29.18   profecia. Ou não há a palavra profética (1Sm 3.1), ou não estará havendo habilidade para ouvir a palavra profética (Am 8.11,12).

 

*          29.19 Uma observação das condições na sociedade dos hebreus, e não uma atitude constante de todos os trabalhadores (cf. 18.23 e nota). Estão aqui em foco as aplicações educacionais da sabedoria, com o reconhecimento que nem todas as disposições podem ser mudadas por meio somente de palavras ou da razão.

 

*          29.21   Se alguém anima... ser filho. Naquilo que talvez seja uma melhor tradução, a Septuaginta (Antigo Testamento grego) diz aqui: "No fim ele se entristecerá". Os servos que não são corrigidos e nem disciplinados serão uma fonte de tristeza (v. 19).

 

*          29.22   levanta contendas. Ver 15.18 e nota.

 

*          29.23 Ver 15.33; também 16.18,19 e notas. O pecado do orgulho não permite que o insensato se beneficie da sabedoria de outrem.

 

*          29.24 Este versículo retrata a condição dos cúmplices de um crime. São forçados a ser testemunhas (Lv 5.1), mas se eles testemunharem, incriminam a si mesmo.

 

*          29.26 A sabedoria reconhece a função especial dos governantes de manterem a boa ordem, e serem assim agentes do governo de Deus (21.1, nota). Mas ela também reconhece a fraqueza dos governantes humanos. Aqui o suplicante busca um tratamento especial que envolveria alguma forma de injustiça. A única maneira segura de obter a justiça, é buscá-la da parte do Senhor.

 

*          30.1     Palavras de Agur, filho de Jaque. A identidade desse homem é desconhecida, mas muitos o consideram um estrangeiro. Ver a nota em 22.17 - 24.22; e Introdução: Autor.

 

De Massá. Essa palavra também aparece em 31.1. Isso significaria que tanto Agur quanto Lemuel eram ismaelitas de Massá, que alguns pensam que ficava na Arábia (Gn 25.14).

 

fatiguei-me... estou exausto. Uma tradução alternativa reconheceria dois nomes próprios nestas palavras no hebraico "a Itiel e a Ucal", que seriam nomes de pessoas a quem o provérbio teria sido endereçado.

                                                               

*          30.2,3 Esta declaração não exprime apenas modéstia ou humildade, mas é um reconhecimento do mistério do ser e dos caminhos de Deus, como aqueles que se encontram nos livros de Jó e Eclesiastes. O escritor estava severamente consciente dos limites do conhecimento e da sabedoria humanos. Deus não é um objeto de nossa investigação ou especulação, mas ele é o Criador infinito e pessoal em quem devemos confiar. Pode haver uma nota de ironia na confissão de ignorância aqui, mas o v. 4 indica o verdadeiro sentido.

 

*          30.4 Essas perguntas expressam a convicção de que o conhecimento baseado exclusivamente na observação da criação nunca poderá compreender realmente a Deus. No capítulo 38 do livro de Jó, o mesmo ponto é tratado no decurso da resposta de Deus a Jó.

 

*          30.5,6 Com essas palavras Agur nos oferece seu parecer da Palavra de Deus dentro de estrutura da lei e dos escritos proféticos de Israel. Ele cita Sl 18.30 e ecoa Dt 4.2. O pleno conhecimento de Deus vem através da revelação especial e é recebido por meio da fé (1.7, nota).

 

*          30.5     é pura. Ou seja, é testada e fica desvendado que ela é plenamente digna de confiança.

 

*          30.6     Nada acrescentes às suas palavras. Adicionar algo à palavra de Deus é julgá-la e achá-la falha, de acordo com os padrões humanos. Isso muda a base do conhecimento e da verdade de Deus para nós mesmos. Esse orgulho da criatura é a mola mestra do pecado (Gn 2.9, nota).

 

*          30.7-9 Esta oração reflete o desejo de aprender do tipo de sabedoria que se acha em Provérbios.

 

*          30.8     o pão que me for necessário. O pedido visa uma suficiência que evita ambos os extremos: da pobreza e das riquezas desnecessárias.

 

*          30.9     Quem é o SENHOR? As pessoas que possuem um excesso de possessões materiais em breve se esquecem de sua dependência no Senhor (Dt 8.10-18; Lc 12.16-21).

 

*          30.10 Esta declaração só é superficialmente vinculada ao que antecede ou segue. O ponto do provérbio é que a interferência nas questões domésticas dos outros pode ser como um tiro pela culatra.

 

*          30.12   puros aos próprios olhos. Ver 16.2; 21.2.

 

*          30.15-31 Quanto à forma desses ditos numéricos, ver as notas em 6.16-19.

 

*          30.15   sanguessuga... Dá, Dá. As duas extremidades da sanguessuga são extraordinariamente parecidas, e o animal parece não ter outra função senão a de sugar sangue. As declarações numéricas seguintes compartilham do tema da ganância.

 

*          30.17   Os olhos de quem zomba. Os olhares de desprezo podem ser tão venenosos quanto as palavras. A desonra contra os pais, uma evidência do colapso no relacionamento humano mais básico, merece o pior tipo de maldição.

 

corvos... os arrancarão. Essas palavras retratam a sorte do cadáver que fica insepulto, com atenção especial aos olhares ofensivos.

 

*          30.18,19 Os quatro caminhos não podem ser entendidos, ou porque não deixam vestígios ou porque são tão fáceis, mas misteriosamente, dominados. Alguns estudiosos têm sugerido que a ênfase recai sobre o quarto caminho, as relações sexuais humanas, das quais os outros três caminhos podem ser metáforas.

 

*          30.20   come, e limpa a boca. Essa expressão é uma metáfora para o contato sexual (7.18; 9.17) — para ela, o adultério tornou-se tão natural quanto o ato de comer. Este versículo não faz parte da declaração anterior.

 

*          30.21   estremece a terra. Os quatro itens dos vs. 22 e 23 dificilmente parecem ser capazes de produzir tão terríveis consequências sobre a ordem natural das coisas. Provavelmente temos aqui uma figura de linguagem que aponta para um estado de coisas intolerável.

 

*          30.24-28 Se esta afirmação não fosse além da história natural, ainda assim cumpriria um propósito da sabedoria: a percepção da ordem e como as coisas cooperam juntas. Muitos provérbios exibem um interesse pela natureza como se fosse uma parábola sobre a vida humana (p.ex., 6.6-11). O fato que a sabedoria é atribuída a essas criaturas implica em alguma unidade com a existência humana. As criaturas são sábias por serem capazes de vencer algumas sérias fraquezas inerentes, e assim, podem sobreviver muito bem. Esses dons da sabedoria, a cada qual de acordo com seu tipo, são concedidos pelo Criador de todos.

 

*          30.29-31 A inclusão de um rei com os animais sugere um paralelo humano com a natureza, e a coerência subjacente de toda a criação. A observação da existência de governo e de ordem na sociedade, tanto dos animais quanto dos seres humanos, indica que ambos são produtos do mesmo gênio Criador.

 

*          30.32   põe a mão na boca. Em outras palavras, pára de falar; cessa em teus esquemas e em tuas provocações.

 

*          30.33   o bater do leite... o torcer do nariz... o açular a ira. Lit., "pressionar... pressionar ... pressionar”. A repetição enfatiza o paralelo em cada situação. Neste provérbio temos uma advertência que a provocação conduz à contenda.

 

*          31.1     Palavras do rei Lemuel, de Massá. Ver a nota em 30.1. Lemuel não foi um rei israelita. A natureza desta seção (vs. 1-9) sugere uma origem egípcia, ou, talvez, babilônica. Sua intenção aparente era vocacional, o equipamento do governante para a sua tarefa. A forma é similar às instruções dos capítulos 1—9 (Introdução: Características e Temas). Neste caso, o ensino foi dado por sua mãe (1.8; 4.1,3). Enquanto o pai possa ter sido o principal professor das crianças, mulheres piedosas também assumiam esse papel (cf. 14.1, nota) e em Israel havia mulheres dotadas de notável sabedoria (2Sm 14.2; 20.16).

 

*          31.2     filho dos meus votos? Essa expressão pode referir-se a um voto feito antes do nascimento (cf. 1Sm 1.11).

 

*          31.3     às que destroem os reis. O paralelo indica que talvez a fornicação esteja em vista.

 

*          31.4     Não é próprio dos reis beber vinho. As responsabilidades reais não davam ao rei qualquer lazer para ser gasto com a ingestão de vinho.

 

*          31.6     Dai bebida forte... e vinho. Enquanto que o rei devia evitar o uso de bebidas alcoólicas como meio de escapar das preocupações de seu elevado ofício, elas podiam ser dadas àqueles cujos sofrimentos eram demais para serem suportados.

 

*          31.8,9 A tarefa do rei era sustentar a justiça na sociedade. Em Israel, essa tarefa era vista dentro do contexto da aliança com o Senhor (Dt 17.14-20).

 

*          31.10-31 Esta seção é um poema acróstico que exalta as virtudes de uma esposa que exemplifica os princípios da sabedoria, tanto prática quanto espiritualmente. A sequência das virtudes é governada mais pelas exigências do acróstico (a primeira palavra de cada versículo começava com letras sucessivas do alfabeto hebraico) do que pela lógica. Não obstante, o efeito total é uma descrição coerente de uma mulher embelezada pelas suas virtudes de sabedoria prática e de caridade. O fato que a casa descrita vivia na abundância não diminui a aplicabilidade universal dos princípios da sabedoria feminina.

 

*          31.10   quem a achará? Tal esposa não é um sonho impossível, mas pode ser difícil de encontrar.

 

*          31.11   não haverá falta de ganho. Esse estado de coisas resultada da astúcia da esposa quanto às questões domésticas.

 

*          31.12 Ver 18.22 e notas.

 

*          31.14   como o navio mercante. Conforme indica os vs. 16 e 18, ela se ocupava no comércio.

 

*          31.15   a tarefa. Sob a forma de alimentos ou de deveres.

 

*          31.16 Ela era capaz no mundo dos negócios, e reinvestia os seus ganhos.

 

*          31.18   a sua lâmpada não se apaga. Essas palavras são ou uma metáfora que indica a prosperidade (13.9), ou uma referência à sua diligência em usar as horas da noite para trabalhar.

 

*          31.19   ao fuso. O significado é incerto. O contexto indica a capacidade de fabricar suas próprias linhas.

 

*          31.21   lã escarlate. Se "lã escarlate" é a leitura correta, provavelmente isso indica tecidos de alta qualidade, que são quentes.

 

*          31.22   de linho fino e de púrpura. Como no v.21, estão em pauta artigos de alta qualidade.

 

*          31.23 O que fica implícito é que a habilidade e a diligência da esposa nos negócios domésticos removia, da mente de seu marido, todas as preocupações quanto a isso. Ele estava livre para buscar seu lugar, como ancião respeitável na vida pública.

 

entre os juízes. Ver 1.21 e nota.

 

*          31.25   A força e a dignidade são os seus vestidos. Essas palavras referem-se ou ao caráter da mulher, ou, conforme está mais provavelmente em vista, na segunda linha, à estima conquistada por seus feitos econômicos. Ela não tinha preocupações excessivas quanto ao futuro. Ambas essas interpretações são coerentes com a sabedoria.

 

*          31.28,29 O resultado de sua habilidade e sabedoria era que as relações familiares ficavam solidificadas. Os elogios de seu marido e de seus filhos são a sua grande recompensa.

 

*          31.30,31          que teme ao SENHOR. Até este ponto, o poema concentra a sua atenção sobre a sabedoria prática. Agora é enfatizada a base de toda verdadeira sabedoria. O livro de Provérbios termina conforme começara: a observação da ordem criada pode prover alguma sabedoria e conhecimento de Deus (Rm 1.20-23), mas somente a auto-revelação do Criador capacita-nos a conhecer e a apreciar o sentido de realidade centrado em Deus. A verdadeira sabedoria é vista como a vida vivida em obediência de todo coração à revelação divina em sua Palavra, que é "o temor do Senhor" (1.7 e nota). Essa confiança é o alicerce e a vereda contínua da sabedoria, pois ela nos conduz à perfeição final em Cristo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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