* 1.1 Provérbios. A palavra hebraica correspondente a
"provérbios" tem uma série de significados, mas usualmente é aplicada
a um aforismo ou máxima, dentro de um contexto de sabedoria. O prólogo (1.1-7)
aplica-se ao livro inteiro e à variedade de ditos de sabedoria que ele contém,
todas elas classificadas genericamente como "provérbios".
Salomão. Embora Salomão tenha escrito muitos
provérbios (1Rs 4.32), as palavras de outros sábios que não eram de Salomão
estão aparentemente incluídas sob esse título (p.ex., Agur, 30.1; e Lemuel,
31.1). Até mesmo nos materiais atribuídos a Salomão, algo que não foi de uma
autoria direta pode ter sido incluído. As raízes das tradições proverbiais na
experiência popular tornam improvável que Salomão tenha sido o originador
exclusivo de todos os provérbios que ele deixou registrados por escrito
(Introdução: Autor).
* 1.2-4 Temos aqui uma referência explícita
ao propósito que há por detrás desta coletânea, a qual sugere alguma espécie de
uso educacional que estava sendo feito de tal material, embora não seja forte a
evidência a favor da existência de escolas de sabedoria em Israel.
* 1.2 a sabedoria. O propósito
do livro de Provérbios é guiar o leitor à sabedoria, um vocábulo com muitas
nuances. Está relacionado ao intelecto e ao controle do comportamento humano.
Essa é uma maneira de pensar sobre a realidade que capacita alguém a seguir o
que é bom na vida. Através da sabedoria, Deus revela quais são os valores da
vida e como podem ser alcançados.
o ensino. Esta
palavra sugere a disciplina moral e intelectual. Com freqüência indica o
aprendizado da sabedoria.
palavras de inteligência. Ou seja,
discernimento, a capacidade de ler entre as linhas e fazer distinções corretas.
* 1.3 a justiça, o juízo, e a
eqüidade. Esses termos podem ser usados em contextos religiosos e
éticos, bem como nos negócios temporais. Às vezes, a sabedoria bíblica parece
envolver-se em questões deste mundo, mas sempre o faz dentro do arcabouço do
desígnio divino para a ordem criada.
* 1.4 prudência. Ou seja, a
perspicácia.
aos simples. Essas
palavras têm como paralelo, no mesmo versículo, "aos jovens".
Refere-se a algum jovem sem tutores e inexperiente, e não àqueles destituídos
de capacidades intelectuais. A sabedoria é uma questão de piedade prática.
bom siso. Essa palavra sugere tomar decisões corretas
com entendimento.
* 1.5 cresça em prudência. A
sabedoria estava institucionalizada na cultura antiga na qual os sábios
convocavam as pessoas para aumentar a sabedoria deles. Sucessivas gerações
deveriam aprender das gerações anteriores (v. 8). Note a típica estrutura
paralela deste versículo na qual frases quase sinônimas são reunidas.
habilidade. A palavra
hebraica, usada somente nos livros de Provérbios e de Jó, significa guiar,
orientar ou dirigir. Ela torna clara a importância dos corretos pensamentos e a
experiência na tomada de decisões.
* 1.6 Esses diferentes termos podem
ser usados como sinônimos, como em Hc 2.6, mas é provável que aqui sejam formas
distintas de ditos de sabedoria, tendo como característica comum um enigma que
desafia o intelecto (1.1, nota).
parábolas. As
parábolas de Jesus são um tanto diferentes daquilo que se vê no livro de
Provérbios, embora exibam a influência da literatura de sabedoria. Temos aqui,
provavelmente, um amplo mas identificável tipo de literatura de sabedoria. A
palavra é usada para a indicação do enigma de Sansão (Jz 14.12-19), de uma
alegoria (Ez 17.2) e das declarações usadas para testar a Salomão (1Rs 10.1).
* 1.7 O temor do SENHOR. Essa idéia
é o princípio controlador de Provérbios, e é uma antiga e decisiva contribuição
israelita para a inquirição humana pelo conhecimento e pelo entendimento. O
temor do Senhor é a única base do verdadeiro conhecimento. Esse
"temor" não consiste em um terror desconfiado de Deus, mas antes, é o
respeito e a adoração reverentes como resposta de fé ao Deus que se revela como
Criador, Salvador e Juiz.
Embora
o relacionamento pactual de Israel com Deus receba pouca atenção em Provérbios,
é significativo o uso do nome divino associado mais de perto com a aliança, o
SENHOR (no hebraico, Yahweh, Êx 3.15; 6.3 e notas). Isso indica que a
aliança redentora de Deus com seu povo e a revelação especial que a acompanha
são fundamentais para a verdadeira sabedoria. No livro de Deuteronômio,
"temor do Senhor" significa viver segundo as estipulações da aliança,
em grata resposta à graça remidora de Deus (Dt 6.2,24). Mais tarde, o templo
erigido por Salomão tornou-se a expressão visível do relacionamento pactual de
Israel com o Senhor, o que, novamente, é descrito como o "temor do
Senhor" (1Rs 8.40,43). Há um elo importante através de Salomão e do templo
entre a sabedoria e a teologia da aliança, encontrada em outras partes no
Antigo Testamento.
é o princípio do saber. Ver também
2.4-6; 9.10; 15.33; Jó 28.28; Sl 111.10. O hebraico aponta ou para o ponto
inicial do conhecimento, ou para o seu princípio básico e normativo. Esta
última possibilidade está em foco aqui. Enquanto que, em sua graça comum, Deus
capacita os incrédulos a saberem muito sobre o mundo, somente o temor do Senhor
capacita o indivíduo a saber o que alguma coisa significa, em última análise.
Dependendo desse entendimento, a sabedoria persegue a tarefa de refletir na
experiência humana. Ver "A Sabedoria e a Vontade de Deus", em Dn
2.20.
* 1.8,9 A forma de instrução da literatura de
sabedoria, no antigo Oriente Médio, tipicamente começa com uma chamada para que
se preste atenção. Pai e mãe estavam ambos envolvidos na instrução do lar.
* 1.8 o ensino. Ver a nota
em 3.1.
* 1.9 diadema de graça... colares. Essas
metáforas retratam o efeito da sabedoria para embelezar a vida do indivíduo.
* 1.10-19 Esses versículos compõem outra
unidade na forma da instrução. É possível que essa forma tenha sido um instrumento
de ensino na educação mais formal, aquela efetuada fora do lar, no qual os
sábios ensinavam os seus alunos. As cláusulas condicionais, ou frases com um
"se" (vs. 10, 11), indicam as situações às quais se aplicam essa
sabedoria. A ordem do v. 15 é apoiada pelas razões dadas nos vs. 16-19.
* 1.12 o abismo. O reino da morte é descrito
aqui como pronto para tragar as suas vítimas. Em outros lugares, esse termo
poético denota uma dimensão onde a corrupção é o pai, e o verme é a mãe (Jó
17.13,14), um domínio dotado de portas (Is 38.10). Trata-se da terra de onde
não há retorno (Jó 7.9), do silêncio (Sl 94.17), das trevas (Sl 143.3) e do
esquecimento (Sl 88.11,12). Ver 9.18, nota; Is 14.9-11, nota).
* 1.13 bens preciosos. O livro de
Provérbios não proíbe e nem desencoraja as riquezas — somente o uso do mal para
obtê-las. Entretanto, a riqueza final é a própria sabedoria (2.4; 3.13-16; Jó
28.12-19).
* 1.15 Filho meu. Depois de
uma extensa oração condicional (vs. 10-14), é repetida a conclamação que
reforça a ordem de se evitar más pessoas.
* 1.16 Este
versículo é quase idêntico a Is 59.7, sendo parcialmente citado em Rm 3.15.
* 1.17 debalde... ave. Esta
declaração é introduzida para fortalecer as razões do conselho do autor. O seu
significado aparente é que até uma ave evitará uma armadilha, uma vez que tome
conhecimento dela. Aqueles que estão sendo tentados deveriam fazer a mesma
coisa.
* 1.19 Tal
insensatez é contrária à verdadeira ordem do mundo que, embora caído, continua
sob o governo soberano de Deus. Essa expressão de inevitável retribuição está
alicerçada sobre a ordem observável das causas e conseqüências. Aparentes
interrupções desse padrão levaram outros escritores bíblicos a voltar a sua
atenção para os problemas dos ímpios prósperos e para os sofrimentos dos justos
(Jó; Sl 73).
* 1.20 A
sabedoria é retratada como se fosse um pregador ao ar-livre, similar ao
conclamador de Is 55. Personificada como se fosse uma mulher, a sabedoria
convida os símplices a se arrependerem de sua insensatez e a buscarem a
sabedoria, antes que se torne tarde demais. Personificações da sabedoria também
podem ser encontradas em 3.14-18; 8.1-36 e 9.1-12.
* 1.21 portas. O portão da cidade era o
fórum público de conselho e julgamento (Dt 22.15; 25.7; Rt 4.1,11; 2Sm 19.8).
Esse é o local apropriado para a figura da sabedoria chamar as pessoas a dar
atenção aos seus conselhos.
* 1.22 ó néscios. Ver a
referência bíblica; também o v. 4 e nota. Houve um certo desenvolvimento no
pensamento. Em questão não está meramente a obtenção de mais discernimento, mas
uma escolha deliberada entre dois caminhos. A sabedoria e a insensatez, a
retidão e a iniqüidade, aparecem em constante oposição em Provérbios como as
duas únicas opções na vida (cf. Mt 7.24-27).
escarnecedores. O
significado preciso dessa palavra, usada principalmente em Provérbios, é
difícil de determinar. O escarnecedor, ou zombador, é uma pessoa que resiste à
disciplina dos sábios (9.7,8; 13.1; 14.6; 21.11).
loucos. Pessoas
embotadas, a quem não se pode ensinar.
o conhecimento. Ver 1.7.
Na literatura de sabedoria, o "conhecimento" é, com freqüência, um
sinônimo para a sabedoria.
* 1.23 o meu espírito. O livro de
Provérbios reconhece a sabedoria tanto como uma dádiva divina quanto como uma
tarefa humana. O primeiro desses aspectos é visto em 1.7, onde o temor do
Senhor cresce da graça de Deus na redenção. A redenção envolve uma renovação da
mente, bem como a regeneração da alma (Rm 12.1,2; 1Cr 1.18—2.6).
* 1.24 vós recusastes. A rejeição
ao evangelho da sabedoria tem seus paralelos na rejeição da graça de Deus, por
parte de Israel.
* 1.25 o meu conselho. Aqui a
sabedoria fala com toda a autoridade. Sendo o conselho de Deus, seu conselho e
orientação não estão abertos a debate (2.6; 8.14).
* 1.28 eu não responderei. A
verdadeira sabedoria é um aspecto da graça salvadora de Deus, e pode-se chegar
a um ponto sem retorno, para aqueles que a rejeitem. Essa verdade reforça a
urgência da mensagem. Ninguém pode esperar o favor de Deus ao mesmo tempo em
que despreza as dádivas que ele oferece (Dt 1.45; 1Sm 28.6; Sl 18.41).
* 1.29 o conhecimento. Essa
palavra é um sinônimo para a sabedoria, e é explicada aqui pela frase paralela
que a acompanha, "o temor do Senhor". A sabedoria desce do alto (Tg
3.17), como uma dádiva divina na revelação redentora. Isso é verdade mesmo que
ela deva ser desejada e que devamos nos esforçar para obtê-la (2.4-6; Hb 5.7,8;
Tg 1.5).
* 1.31 fruto. A relação entre feitos e
resultados é observável na relação natural entre causa e efeito. A figura aqui
não é de prazer após uma refeição completa, mas o desgosto por ter comido
muito.
* 1.32 desvio. Indiferença ou negligência
voluntária.
aos loucos a sua impressão de
bem-estar. Temos aqui uma alusão à ignorante auto-satisfação dos que se
não deixam ensinar voluntariamente, que não vêem necessidade de aprender
qualquer coisa da parte de alguém.
* 1.33 Este
versículo faz contraste direto com o v. 32. A sabedoria traz vida e segurança.
Rejeitar a sabedoria é rejeitar tudo quanto promove a vida.
* 2.1-22 Embora à
esta instrução faltem os imperativos usuais, a sua força enfática é indicada
pelo material abordado — a sabedoria que livra da morte. Os resultados para
quem aceita a sabedoria são o conhecimento de Deus e as bênçãos da vida (vs. 5,
9, 21). Esses dois aspectos da sabedoria — o dom divino e a tarefa humana — são
vistos claramente (p.ex., vs. 4 e 6).
* 2.2 O teu coração. A base da
razão e da vontade. A moderna distinção popular entre conhecimento do coração e
conhecimento da mente não tem aplicação aqui. O contraste usual do Antigo
Testamento é entre a conformidade formal ou externa, à qual falta um verdadeiro
assentimento da vontade, e a disposição, o consentimento de todo o coração.
* 2.3 se clamares... alçares a tua
voz. Em contraste com a falta de resposta ao convite da
sabedoria, em 1.20-23.
* 2.4 tesouros escondidos. Note a
figura similar, usada por Jesus, em Mt 13.44.
* 2.5 então, entenderás o temor do
SENHOR. Em 1.7, o temor do Senhor é o princípio do saber, e aqui é o
alvo. Não há nenhuma discrepância, visto que o saber é tanto uma dádiva quanto
é uma tarefa. Deus dá conhecimento de si mesmo na revelação redentora.
Começando nesse ponto, a pessoa sábia assume a tarefa de aprender mais
sabedoria e de conhecer a Deus, sempre movendo-se na direção do alvo de
conhecer mais ao Senhor, de modo mais perfeito, sendo moldado à imagem de seu
Filho.
* 2.6 o SENHOR dá a sabedoria. Sem
importar o quanto estejamos engajados na tarefa de buscar pelo saber, através
de nossa experiência humana no mundo, a fonte de toda a verdade é Deus. Ele
deve prover a sabedoria necessária para a devida interpretação da realidade
(3.5).
da sua boca. Embora
suas ênfases sejam diferentes, tanto Deuteronômio como Provérbios reconhecem
que o alicerce subjacente do conhecimento é a Palavra de Deus (Dt 8.3). Antes
mesmo do pecado ter entrado no mundo, Adão e Eva precisaram da Palavra de Deus
a fim de conhecerem-se a si mesmos e o seu relacionamento para com a criação
(Gn 1.28-30).
* 2.7 O caráter de Deus, que os sábios chegam a
conhecer (v. 5), é a base da moralidade. Padrões de integridade e justiça são
expressões da sabedoria.
* 2.8 seus santos. Estes, são
as pessoas que mostram que possuem o temor do Senhor, imitando o seu amor
pactual.
* 2.9 todas as boas veredas. A
literatura de sabedoria é importante em nossa compreensão da orientação de Deus
em nossas vidas. Aponta para a tarefa de obtermos sabedoria, para que possamos
tomar decisões responsáveis e coerentes com nosso estado de pacto como povo de
Deus (1Pe 2.9).
* 2.11 O bom siso. Ou,
"preparado".
* 2.12 Um correto
discernimento moral nos salvará daqueles que desprezam a sabedoria.
que diz coisas perversas. Palavras
rebeldes que transtornam a verdade.
* 2.16 da mulher adúltera. O
adultério é um desvio radical da ordem divina quanto aos relacionamentos
humanos (5.1-23; 6.20-29; 7.1-27). O termo hebraico significa uma mulher
"estrangeira" ou "estranha". Neste contexto, indica uma
mulher estranha ao relacionamento marital apropriado, uma prostituta ou
adúltera.
* 2.17 o amigo da sua mocidade. Ou seja, o
seu marido.
aliança do seu Deus. Se essa
"mulher adúltera" não é israelita (v. 16, nota), então
"aliança" pode ser a cerimônia de casamento testemunhada por algum
deus estrangeiro. Mais provavelmente, porém, a mulher em pauta é uma israelita
que transgride os requisitos da aliança do Sinai, particularmente o mandamento
contra o adultério (Êx 20.14).
* 2.18 para a morte. Na
literatura de sabedoria, "vida" não é mera existência, mas uma
maneira caracterizada pelas verdadeiras relações que se conformam ao desígnio
de Deus. A "morte" é não somente o fim da vida física, mas uma
descida irreversível para a desordem da perversidade moral (cf. 5.23, onde
"morrer" é paralelo a "perdido, cambaleia").
* 2.19 todos... não voltarão. Essa nota
de conclusão esclarece quão sério é quebrar os padrões que não são meros
costumes sociais, mas ordenanças da criação divina.
* 2.20-22 A promessa
de terras era uma parte básica do pacto que Deus estabelecera com Abraão,
Moisés e o povo (Gn 13.15 e nota; Êx 20.12; Dt 1.8; 26.1-9). Essas promessas
prefiguram a promessa da vida eterna (Hb 11.16). O aspecto condicional do pacto
é refletido aqui (Gn 17.2, nota) — os retos e os sábios herdam a terra, mas os
ímpios são removidos (Dt 28).
* 3.1-12 Estes
versículos provavelmente formam uma única unidade de instrução, com o típico
tratamento de "filho meu", repetido no v. 11. A unidade contém os
imperativos comuns (vs. 1, 3, 5-7, 9, 11), e as orações motivadoras (vs. 2, 4,
8, 10). O versículo doze explica o propósito da disciplina do Senhor, encorajando
os sábios a seguirem o preceito do v. 11.
* 3.1 meus ensinos. A palavra
hebraica para "lei" (torah), tem o sentido básico de
"instrução", e, na tradição judaica, designa o Pentateuco. A
instrução da sabedoria, apesar de não ser confundida com os preceitos da lei
mosaica, é, por igual modo, autoritativa.
meus mandamentos. Esse
vocábulo também se acha na lei. Conforme é típico nas frases paralelas da
poesia hebraica, a segunda metade do versículo repete a idéia da primeira
metade, clareando-a ou expandindo-a. Essencialmente, este versículo significa
memorizar os mandamentos, para então pô-los em prática.
* 3.2 eles aumentarão os teus dias.
A expectação normal é que a sabedoria conduzirá a uma longa e próspera
vida, que é a bênção de Deus (Êx 20.12).
paz. No
hebraico, shalom. Este termo denota bem-estar geral, a harmonia de
relações, a integridade e a saúde (v. 8). No Antigo Testamento, as bênçãos de
Deus são vistas primariamente em termos desta vida presente. Não era fácil
reconciliar essa perspectiva com o sofrimentos dos justos ou a prosperidade dos
ímpios. A revelação que estava por vir com Cristo, e, especialmente, a sua
ressurreição da morte, ainda estava longe, no futuro.
* 3.3 a benignidade e a fidelidade.
Essa frase, no hebraico, indica claramente que a sabedoria está avançando
dentro da estrutura do pacto. A instrução (v. 1) é um ensino prático para a
vida, baseado no caráter de Deus, revelado em sua Palavra.
ata-as... pescoço. Esta
metáfora indica que a sabedoria embelezará a vida do indivíduo.
escreve-as... teu coração. O sentido é
o mesmo que se vê no v. 1. Faz essas virtudes parte de ti mesmo,
entesourando-as na memória e então conformando a elas a tua vontade.
* 3.5 Confia no SENHOR. Depende
inteiramente da Palavra de Deus e de suas promessas, reveladas através do sábio
(2.6; 16.20). Ver a nota em 1.7.
não te estribes no teu...
entendimento. O contraste é entre a percepção da realidade que se submete à
Palavra revelada de Deus como a autoridade para toda a verdade, e uma percepção
que supõe que as conjecturas humanas se revestem dessa autoridade.
* 3.6 Reconhece-o. Essa é a
expressão prática da mente que se submete a Deus e o reconhece.
ele endireitará as tuas veredas. O Senhor
te guiará ao alvo final da vida. Deus dá sabedoria, e, com ela, a tarefa de se
tomar sábias decisões; estes são os dois aspectos da orientação dada pelo
ensino da sabedoria. Não há qualquer indício de orientação que ultrapasse o
dever de tomar decisões. Mas as decisões humanas não prevalecem diante da
proteção da providência divina (Gn 50.20,21; Sl 103.14).
* 3.7 sábio aos teus próprios
olhos. Essa frase denuncia a idéia de que a mente humana, com seu
intelecto e razão, é independentemente capaz de atingir uma verdadeira
compreensão da realidade, sem precisar da revelação de Deus.
* 3.8 A verdadeira sabedoria afirma a vida das
maneiras mais práticas.
* 3.9,10 Honrar a
Deus com o uso correto das coisas materiais exprime gratidão pelo seu favor e
reconhece que ele controla a ordem natural e os seus processos.
* 3.9 com as primícias. A primeira
porção da colheita anual era dada aos sacerdotes (Lv 23.10; Nm 18.12,13).
* 3.11 a disciplina. Embora a
instrução de Deus requeira o castigo, essa correção não tem o propósito de
prejudicar ou deixar os filhos de Deus irados. Mas visto que o castigo envolve
sofrimento, há a necessidade de um encorajamento específico para não rebelar-se
contra o castigo.
* 3.12 Hb 12.3-11 explica que a correção de Deus é
melhor que a de um pai terreno; como comparação, ver Lc 11.11-13. O castigo não
é um conteúdo principal do ensino paternal de Deus; a instrução de Provérbios é
designada para as pessoas que querem ouvi-la (2.3-5; 4.5-9; 8.11,17).
* 3.13-20 Esta seção é composta mais como um
hino de louvor à sabedoria do que como uma parte de instrução (cf. Sl 1). Mas
ver 8.32-36 quanto a uma conclusão prática.
* 3.13 Feliz. Esse vocábulo não
significa meramente um sentimento subjetivo. Encontra-se quase exclusivamente
nos Salmos e na literatura de sabedoria, descrevendo a vida que desfruta da
graça e do favor de Deus.
* 3.14,15 Jó 28
descreve a sabedoria como um tesouro. Salmos 19.10 refere-se especificamente à
lei revelada.
* 3.16,17 Ver o v. 2 e notas.
* 3.18 árvore de vida.
Provavelmente não temos aqui uma alusão específica à árvore da vida, em Gn 2.9,
embora o autor sem dúvida conhecesse sobre ela. A árvore florescente era uma
figura comum na literatura da época para indicar bênçãos contínuas. A metáfora
é usada novamente em 11.30; 13.12; 15.4. Mais importante é o tema da
"vida", em Provérbios. "Vida", na Bíblia, está
essencialmente ligada ao nosso relacionamento com Deus. A interrupção do
relacionamento apropriado com Deus, a fonte da vida, conduz à morte (Gn 2.17).
A sabedoria está ligada aos devidos relacionamentos com Deus, com outras
pessoas e com a natureza.
* 3.19,20 Sabedoria, compreensão e
conhecimento pertencem a Deus e encontram expressão no ato da criação
(8.22-31). O escritor apontou para os propósitos e os desígnios da criação. A
ordem da criação não foi totalmente destruída pelo pecado, e a teologia da
criação é um aspecto importante da literatura de sabedoria.
* 3.21-26 Essa coletânea de declarações está
centralizada sobre o tema da orientação acerca do caminho da vida.
* 3.21 Ver a nota em 1.4.
* 3.22 Ver as notas nos vs. 2 e 3.
* 3.23 Uma vez mais, a orientação é vista em
termos de tomar decisões sábias.
* 3.24 Parte da
sabedoria é evitar as situações que nos ameaçam a vida, e não recusando-se a
enfrentar os perigos quando os mesmos se fazem necessários, mas buscando
relacionamentos corretos e uma existência disciplinada.
* 3.27-35 Esta seção
começa com uma série de mandamentos sobre certos abusos nos relacionamentos
humanos (vs. 27-31). Esses são seguidos por frases que explicam o interesse
direto do Senhor na moralidade desses preceitos (vs. 32-35).
* 3.32 As pessoas
desonestas estão alienadas de Deus, mas aquelas que são retas desfrutam de
intimidade com o Senhor.
* 3.33 Aqui o
típico contraste proverbial entre os justos e os iníquos (cf. 10.2,3,6,7,11,16)
está relacionado com as bênçãos e as maldições de Deus. Isso é um paralelo com
a teologia do pacto do livro de Deuteronômio, onde a fidelidade é recompensada
com as bênçãos de Deus (Dt 11.26-29; 28.1-19).
* 4.1-27 Este
capítulo normalmente se divide em três declarações de instrução, cada qual
começando com as palavras dirigidas usualmente por um pai a seu filho (vs. 1,
10, 20). A primeira declaração vê a sabedoria como a mais preciosa aquisição
(vs. 1-9), a segunda como a vereda para a verdadeira vida (vs. 10-19), e a
terceira como o caminho para a retidão (vs. 20-27). Não há referência direta à
religião.
As
tradições de sabedoria são compartilhadas por pessoas de diferentes culturas e
religiões. Ver as notas em 22.17—24.22. Salomão discutia a sabedoria com
pessoas provenientes de outras nações (1Rs 4.29-34; 10.1-7), mostrando como
certas características da sabedoria eram compartilhadas, sem importar
fronteiras nacionais e religiosas. Em Israel, o discernimento da sabedoria
empírica era usado dentro da estrutura do relacionamento do pacto e não podem
ser separadas de revelação especial (1.7 e notas).
* 4.2 doutrina. Ou
"ensinamento". Os termos hebraicos correspondentes enfatizam a atividade
de receptividade do aprendiz.
* 4.3,4 Os sábios
continuam a tradição de sabedoria passando às gerações seguintes a sabedoria
que aprenderam de seus pais. Idade e experiência não são autoridades absolutas,
mas são fatores importantes e devem ser tidas em alto grau (Lv 19.32).
* 4.4 e vive. Ver as
notas sobre 2.18 e 3.2.
* 4.6 Note a
estrutura paralela deste versículo, onde a segunda linha diz quase a mesma
coisa que a primeira, no entanto, com algum desenvolvimento do pensamento.
"Não desampares" torna-se a injunção positiva de "amar". A
sabedoria é muito mais do que um acúmulo de fatos. Envolve confiança e
comprometimento.
* 4.7 O princípio da sabedoria é. Conforme
está traduzido, este versículo quer dizer: "A sabedoria é de magna
importância; não a negligencies". Um outro sentido possível é este:
"A sabedoria é o primeiro interesse" para o aprendiz. A sabedoria
está pronta, e aquele que quiser aprendê-la deve começar imediatamente.
com tudo o que possuis. Jesus usou
uma declaração similar sobre como alguém deveria buscar o reino de Deus (Mt
13.45,46).
* 4.9 Ver a nota em 1.9.
* 4.10 Ver a nota
em 3.2.
* 4.11 A metáfora
da vida como um caminho ou vereda é comum na sabedoria israelita.
* 4.13 porque ela é a tua vida. A vida não
pode existir sem a sabedoria. No Novo Testamento, Cristo é chamado de nossa
sabedoria (1Co 1.30) e de nossa vida (Cl 3.4).
* 4.14 na
vereda dos perversos. Tipicamente, a sabedoria contrasta caminhos e idéias em
oposição (especialmente nos provérbios concisos dos caps. 10-22). Esse
artifício de ensino acentua a vereda da sabedoria opondo vários de seus
aspectos com a vereda da insensatez e do mal. Aqui estão contrastados os vs.
11-13 com os vs. 14-17, e o v. 18 com o v. 19.
* 4.16 não dormem. O mal se
assemelha a um tóxico qualquer. Aqueles que são adeptos dele descobrem que, sem
a sua dose diária, eles se tornam incapazes de dormir.
* 4.17 comem... bebem. A
iniqüidade e a violência tornam-se seu alimento diário.
* 4.18,19 Estes
versículos usam a figura de uma luz que vai crescendo de intensidade para
caracterizar a justiça, e uma escuridão impenetrável para a maldade (Jo 8.12;
Ef 5.8-13).
* 4.20-27 Esta
instrução contrasta os dois caminhos da sabedoria e da insensatez, mesmo sem
usar esses vocábulos. A ênfase recai sobre a concentração mental e sobre a
atenção ao ensino da sabedoria, que conduz à vida.
* 4.21 coração. Ou a mente (2.2, nota).
* 4.22 saúde. Integridade e saúde que
incluem o corpo físico (3.8).
* 4.23 dele procedem as fontes da vida. Nossos
pensamentos, por sua vez, amoldam a maneira de falarmos e de vivermos. Ver Mt
12.35; Mc 7.21; Rm 2.29.
* 4.25-27 A
sabedoria capacita o indivíduo a manter-se dentro da vereda da vida, sem
desviar-se para o lamaçal.
* 5.1-23 Esta
passagem deve ser considerada como uma única unidade. Embora os vs. 15-23
concebivelmente são uma composição distinta, o tema é um desenvolvimento lógico
do que vem antes. A sabedoria aconselha-nos a evitar a adúltera, destruidora de
vidas, e encontrar satisfação sexual e emocional dentro da fidelidade aos laços
do matrimônio.
* 5.1-6 Estes
versículos descrevem o caráter da adúltera sedutora. À superfície ela pode
parecer toda doçura e luz, mas no profundo de seu ser ela emana o odor da
morte.
* 5.2 os teus lábios guardem o
conhecimento. O sentido pode ser que a pessoa deve aprender a manter um
discreto silêncio, sempre que isso for necessário, ou possivelmente, que a
pessoa deve ter algo de substância a ser dito (Ml 2.7).
* 5.3 Em
contraste com o v. 2, a sedutora começa a sua com palavras de encanto
enganador. Cf. a doçura do verdadeiro amor, em Ct 4.11.
* 5.4 o fim. A frase
fala do resultado final para a vítima da sedução.
amargoso como o absinto. Uma planta
especialmente amargosa para o paladar, o absinto é usado como uma metáfora para
a experiência da aflição (Dt 29.18).
espada de dois gumes. A
suavidade das palavras da adúltera engana (v. 3), e o ludíbrio só conduz à
injúria.
* 5.5 morte. Não está
em pauta somente uma morte prematura, produzida pela vida dissoluta. Neste
contexto, "morte" é tudo quanto não promove a "vida",
conforme ela é definida por Deus.
inferno. Lugar dos
mortos (no hebraico, sheol). A vida desordenada leva à morte física.
Quanto ao "sheol", ver Is 14.9-11, nota.
* 5.6 anda errante nos seus
caminhos. A censura moral aqui é inseparável da idéia da sabedoria que
a insensatez e a iniquidade envolvem a rejeição da ordem e plano de Deus para
as coisas.
* 5.7-14 Estes
versos providenciam uma descrição mais detalhada do fruto da imoralidade e o
seu exato preço.
* 5.8 Afasta o teu caminho... e não te
aproximes. Os sábios farão uma escolha consciente para evitar qualquer
contato com a imoralidade, mantendo-se fora do caminho da tentação.
* 5.9-11 Aqueles
que tolamente se engajam na imoralidade pagam um elevado preço por ela.
* 5.9 a cruéis. Talvez o
ultrajado marido da adúltera (6.34,35).
* 5.10 Este
versículo refere-se, literalmente, ao elevado custo de manter uma amante (uma
"estranha"). Ou a advertência pode ser que a imoralidade arrebata de
sua vítima as riquezas e a força (ver a referência lateral).
* 5.11 Tal
dissipação leva o indivíduo a lamentar-se quando ele reflete no desperdício e
na futilidade da vida que ele tem vivido.
* 5.12,13 A
imoralidade sexual é o epítome do caminho da insensatez, que rejeita a
disciplina da instrução sábia.
* 5.14 assembléia. Está aqui
em pauta ou a desgraça pública ou o castigo pela comunidade do pacto.
* 5.15 Bebe a água da cisterna. O contexto
sugere que temos aqui uma metáfora das relações maritais entre marido e mulher.
* 5.16 as tuas fontes... os ribeiros. O quadro
sugere o desperdício de uma vida promíscua.
* 5.18 o teu manancial. Outra
metáfora para a esposa, talvez indicando que ela tem tido muitos filhos.
a mulher da tua mocidade. A esposa
que tomaste quando ainda eras jovem.
* 5.19 A
linguagem poética deste versículo parece-se com a linguagem dos Cantares de
Salomão. O quadro de um gracioso animal de rara beleza enfatiza o prazer físico
como parte integral das relações maritais. Ver Ct 1.2,3; 4.1-7.
* 5.21-23 Até este ponto, as advertências
contra o adultério não têm tido qualquer ligação com a lei de Deus. Exortações
semelhantes podem ser encontradas em outras tradições de sabedoria. Agora o
escritor explica que as conseqüências naturais da insensatez, especialmente da
insensatez sexual, são punições ordenadas por Deus.
* 5.21 ele considera. Ou então,
"toma nota de". Nossa conduta está sob um escrutínio constante. O
texto não ensina que todo pecado é visitado com uma penalidade imediata.
Preferivelmente, Deus supervisiona a ordem criada de tal modo que os pecadores
são apanhados em sua própria insensatez (vs. 22 e 23).
* 5.23 Ele morrerá. Ver a nota
no v. 5 e em 2.18.
* 6.1 se te empenhaste ao estranho. Tal acordo
para garantir o débito de outrem não é sábio, pois envolve questões que
ultrapassam o controle do fiador (11.15; 17.18; 22.26).
* 6.2 estás enredado. Emprestar
dinheiro é uma coisa, mas prover segurança por outrem é caminhar para dentro de
uma armadilha feita pelo próprio indivíduo.
* 6.3 caíste nas mãos. Ao aceitar
a responsabilidade pela dívida alheia, você permite que outro passe a controlar
a sua vida.
prostra-te. Esse não é
o momento para o orgulho.
* 6.4 não dês sono. Deve haver
um esforço sem descanso para ter o contrato anulado.
* 6.5 O quadro de criaturas caçadas e apanhadas
em armadilhas aumenta o senso de urgência.
* 6.6-11 Estes
versículos são uma lição objetiva baseada na diligência da formiga. A suposição
subjacente é não somente que o universo é ordeiro, mas que também há pontos de
analogia entre o humilde mundo dos insetos e os seres humanos. Os provérbios de
Salomão, baseados na natureza, podem ter traçado outras analogias semelhantes
(1Rs 4.33).
* 6.6 a formiga. Ver 30.25.
A diligência da formiga dá a aparência de uma atividade prudente.
ó preguiçoso. Esse termo
sugere uma pessoa ociosa cuja inatividade expressa uma atitude de insensatez
(10.26; 13.4; 15.19; 19.24; 20.4 e 26.16).
* 6.10,11 Este dito
proverbial tem sido ligado à declaração anterior (vs. 6-9) a fim de prover uma
aplicação para ele. O mesmo dito é mais adiante vinculado a uma lição objetiva
diferente (24.33,34).
* 6.11 a tua pobreza.
Provérbios adverte contra atitudes e comportamentos que produzem a pobreza. A
preguiça é uma das causas da pobreza (10.4,5; 19.15; 20.13). Se a diligência e
a atividade são normalmente associadas à prosperidade (12.11; 13.4; 14.23), não
pode ser dito que toda pobreza é o resultado da insensatez (14.31; 17.5;
19.1,17,22; 21.12; 22.22; 28.3,11).
como um ladrão... como um homem
armado. A comparação não é tanto como um gatuno que chega à noite,
mas com um assaltante que domina a sua vítima.
* 6.12-15
A forma sugere uma declaração proverbial que foi expandida para ser
aplicada a uma situação específica. Uma seqüência de frases descritivas é adicionada
ao pensamento principal, ou seja, que a pessoa sem valor desperta a discórdia.
* 6.12 O homem de Belial. Uma frase
de origem e significado incertos. Provavelmente indica uma pessoa vil e sem
valor, dotada de um elemento de malevolência ativa.
* 6.13 acena... arranha... faz sinais. A pessoa
ímpia não fala de modo claro e aberto, mas faz sugestões veladas e sinais que
semeiam as sementes da desconfiança e da dissensão.
* 6.15
Com a passagem do tempo, essas pessoas se destróem a si mesmas. O Antigo
Testamento revela que, finalmente, Deus castigará o ímpio (24.19,20) e
recompensará o justo (23.17,18; 24.15,16), mas não apresenta uma doutrina
plenamente desenvolvida de punição no pós-vida. A prosperidade dos ímpios serve
de um problema contínuo (Sl 37.7; 73.3-14). O Novo Testamento, por sua vez,
indica claramente que o justo julgamento de Deus cairá sobre os ímpios, ou
nesta vida ou na próxima (Lc 16.23,24; Ap 14.10-12; 20.15).
* 6.16-19
Estes versículos são os primeiros dentre as declarações numéricas de
Provérbios (cf. 30.15-31). A forma dessas afirmações sugere uma espécie de
enigma com uma resposta provida, não para se desconsiderar a pergunta, mas para
convidar respostas adicionais mais apropriadas. A literatura de sabedoria com
frequência alista coisas juntas que são percebidas como tendo algo em comum.
Relações são estabelecidas de maneiras surpreendentes, e o processo de
discernir relações ordeiras no universo aumenta a sabedoria. Esta unidade é
bastante distinta da unidade anterior (vs. 12-15), mas provavelmente foi
colocada após ela visando o desenvolvimento do tema. Enquanto o v. 15 exprime a
perspectiva de uma retribuição natural não-especificada, a presente afirmação
subentende que o Senhor é quem julga (5.21-23, nota).
* 6.16 Seis... a sétima. O uso de
números sucessivos era um comum artifício da poesia hebraica (Jó 5.19; Am 1.3).
* 6.20-35
Outra advertência contra o adultério (caps. 5; 7; 30.20). A forma desta
seção é, essencialmente, aquela da instrução, embora com considerável variação.
Alguns elaborados quadros verbais são usados para aumentar o tom de urgência
das advertências (vs. 23, 26, 27, 28, 30 e 31). Os vs. 21 e 23 dependem de Dt
6.8 e Sl 119.105, que se referem à lei mosaica. A lei provê uma clara estrutura
para a revelação, mostrando a Israel a resposta apropriada ao relacionamento do
pacto de Deus com essa nação. A sabedoria opera dentro dessa estrutura para
descrever os limites da responsabilidade humana. A lei condena o adultério e
prescreve uma penalidade para o mesmo (Êx 20.14; Lv 20.10). A sabedoria
compartilha dessa oposição ao adultério — os sábios eram todos homens do pacto
— e adiciona suas advertências para com o desastre inevitável que tal loucura
traz.
* 6.20
Ver 1.8.
o mandamento. Ver a nota
em 3.1.
* 6.21 Ver 3.3 e
Dt 6.6,8.
* 6.22 Ver as
notas em 3.23,24; cf. Dt 6.7. A sabedoria é abrangente em seus efeitos sobre a
vida do indivíduo.
isso te guiará. Ver as
notas em 1.5; 2.9 e 3.6.
* 6.23 No Sl
119.105 a mesma metáfora é aplicada à lei como tal. A pessoa sábia aceita a lei
revelada, e, dependendo da mesma, examina a natureza e as experiências da vida.
Dessa maneira, a sabedoria, suplementa a lei de sua própria perspectiva.
* 6.24 Ver as notas
em 2.16 e 5.3.
* 6.25 Não cobices. O desejo
cobiçoso do coração é o começo da progressão da insensatez. A conexão entre o
desejo e o ato não é tão severamente colocada como em Mt 5.28, mas faz-se
presente.
* 6.26 um pedaço de pão. Embora
unir-se com prostitutas seja um ato autodestrutivo, o adultério ainda é pior. É
não somente uma violação do casamento, mas é um ataque direto contra o mesmo.
* 6.27-29 As vívidas
e transparentes metáforas enfatizam a loucura do adultério.
* 6.29 não ficará sem castigo. A
sabedoria em Provérbios enfatiza os resultados já esperados da insensatez, mas
também, de vez em quando, vai além da cadeia natural de causa e efeito, até o
propósito e o julgamento abrangentes de Deus.
* 6.30-33
A pessoa impulsionada pela fome para roubar, ainda assim está sujeita à
lei, embora as pessoas possam compreender tal necessidade. Em contraste com
isso, o adultério não conta com esse fator atenuante e atrai uma total
desgraça. A lei requeria a restauração de quatro vezes mais para o furto;
"sete vezes tanto" exagera isso para efeito de ênfase (Êx 22.1).
*
6.34,35 O ciúme do marido ofendido conduz à fúria e a uma vingança
sem misericórdia, que nenhum oferecimento de compensação poderá evitar. As
forças que impulsionam as relações humanas estão, com freqüência, no centro do
pensamento da sabedoria.
* 7.1-27 Este
capítulo compõe-se de três partes, possivelmente independentes, ligadas pelo
tema comum do adultério. A primeira (vs. 1-5) e a terceira partes (vs. 24-27)
estão sob a forma de instruções, e ambas avisam sobre o envolvimento com a
adúltera. A seção do meio (vs. 6-23) aparece como uma narrativa dramática que
funciona como um reforço imaginativo da instrução.
* 7.1 os meus mandamentos. Ver a nota
em 3.1.
* 7.2 e vive. Ver as notas
em 2.18 e 3.2.
como a menina dos teus olhos. Lit.,
"o homenzinho de teu olho", uma referência à pupila, onde a imagem do
observador é refletida. A pupila admite a entrada da luz no olho, e deve ser
protegida de todo dano (cf. Dt 32.10; Sl 17.8; Zc 2.8).
* 7.3 Ver 3.3 e notas. Os modos de proceder
esboçados nos vs. 1-3 são um aspecto do método usado pela sabedoria. As
tradições são transmitidas a fim de moldar a vida e o caráter.
* 7.4 minha irmã... teu parente. Alguém
devia pensar sobre a sabedoria e o entendimento como parentes chegados.
Provavelmente isso visa a retratar a desejada intimidade com a sabedoria, em
lugar de contrastá-la com a adúltera do v. 5.
* 7.7 simples... carecente de
juízo. Ver a nota em 1.4. O jovem era ingênuo e sem habilidade na
arte de viver. O ensino da sabedoria tem por alvo um tipo assim impressionável
(1.2-4).
* 7.10 A sedução envolve um espetáculo
enganador que atrai a vítima, ao mesmo tempo em que oculta a intenção real.
* 7.14 Sacrifícios pacíficos. O alimento
dessas oferendas religiosas proveram oportunidade para a glutonaria (Lv
7.12-18). Ver 17.1; 21.27.
* 7.15
As palavras são lisonjeadoras, assegurando ao jovem que ele fora
especialmente escolhido para aquele encontro.
* 7.17 Mirra, aloés e cinamomo. Especiarias
aromáticas usadas para perfumar vestes e leitos.
* 7.18 Embriaguemo-nos com as delícias do amor. Essa é a
mais fraudulenta proposição de todas. Sugerir que o sexo casual e ilícito possa
satisfazer profundos anelos por um compromisso mútuo e amoroso é uma mentira
destruidora.
* 7.19,20
A mulher tinha consciência de que aquela relação ilícita envolvia a ambos
em um engano. Eles esperavam inutilmente que poderiam evitar a fúria do marido
ciumento (6.33-35).
* 7.21 O poder
sedutor das palavras é um tema constante (2.16; 5.3; 6.24; 9.16,17). Em
contraposição temos o poder curador das palavras da sabedoria (2.1-6; 3.1,2;
5.1,2; 7.24,25).
* 7.22 Como o boi que vai ao matadouro. O pobre
animal não tem consciência de sua sorte, e permite ser levado ao matadouro.
Como o cervo que corre para a rede. A
incerteza desta linha não obscurece o sentido geral do versículo: o homem
caminha para uma armadilha.
* 7.23 Até que a flecha lhe atravesse o coração. Um
ferimento mortal.
* 7.25 O teu coração. Ver a nota
em 2.2.
não andes perdido nas suas veredas. A receita
do homem sábio é manter seus pensamentos (coração) longe do adultério,
mantendo-se afastado de lugares onde haja tal tentação.
* 7.26,27 Um motivo
de prudência consiste em evitar a carnificina que resulta da insensatez.
* 7.27 a sepultura... morte. Ver 1.12;
2.18; 5.5 e notas.
* 8.1-36
Nos caps. 1—7 o porta-voz da sabedoria é um mestre ou um sábio. Neste
majestoso poema, a sabedoria foi personificada como o mestre supremo que ensina
com base em sua própria autoridade. Essa personificação, mui provavelmente é um
artifício poético para expressar, mais vividamente ainda, a autoridade da
sabedoria. Embora seja prematuro ver a sabedoria personificada (especialmente
nos vs. 22-31) como um retrato direto de um ser divino, não há dúvida que a
revelação de Jesus Cristo como a sabedoria de Deus mostra a importância de uma
sabedoria que é sua própria autoridade absoluta (1Co 1.24,30; Hb 1.1-4; Cl
1.15,16; Jo 1.1-18). O poema progride da consideração da tarefa humana de
aprender a sabedoria (vs. 1-11) para os poderosos efeitos da sabedoria neste
mundo (vs. 12-21), e daí passa à origem divina da sabedoria e seu lugar na
totalidade da criação (vs. 22-31). Um apelo final equipara a sabedoria à vida
(vs. 32-36). Por detrás da sabedoria humana está a sabedoria de Deus, original
e não-criada, pelo qual ele estabeleceu todas as coisas criadas e seus próprios
relacionamentos para com Deus e umas para com as outras. Isso significa que a
sabedoria humana é válida e afirmadora de vida até onde a mesma ocorre dentro
do contexto provido pela divina revelação especial (cap. 4, nota).
* 8.1-3 Ver as
notas em 1.20-33.
* 8.4 ó homens. A palavra
hebraica usualmente aplica-se aos varões, mas pode estender-se a toda a
humanidade. A sabedoria, no papel de um instrutor, dirige-se não a filhos e nem
a alunos, mas a todo o povo. Não existe elite de classes nessa questão do
aprendizado da sabedoria; ela é para todos.
* 8.5 Ver as notas em 1.4,22.
* 8.6 coisas excelentes. Coisas
valiosas ou importantes.
Coisas retas. Fica
subentendido o elemento moral.
* 8.7 a verdade. Esta
palavra denota o que é totalmente digno de confiança. É o oposto de iniqüidade.
Provérbios relaciona a verdade à sabedoria em vários lugares, e aqui a palavra
da sabedoria é descrita de uma maneira que sugere uma origem divina.
* 8.8 São justas. Ver a nota
no v. 18.
* 8.9 A sabedoria é uma realidade
autoconsistente. É preciso nos sintonizarmos com ela a fim de aprendermos dele.
Isso é outra maneira de dizer que toda verdade é verdade de Deus, e que sem o
conhecimento de Deus não podemos conhecer a verdade absoluta. Cf. a sabedoria
de Jesus, em Mt 13.10-16; Lc 11.52.
* 8.10,11
A comparação da sabedoria com os mais desejáveis emblemas das riquezas é
uma maneira de enfatizar o seu valor (2.4; 3.14,15; 8.19-21; Jó 28.17). A
advertência contra o materialismo crasso é óbvia.
* 8.12
Ver 1.4 e nota.
* 8.13 O temor do SENHOR. Ver 1.7;
2.5; 3.7; 9.10 e notas. A sabedoria nos relembra que a busca por uma ética
baseada exclusivamente na experiência é fútil. A educação e a experiência devem
estar edificadas sobre a base da fidelidade e da esperança providas pelas
promessas do pacto de Deus. Os sistemas éticos sem o padrão absoluto do que é
certo, bom e verdadeiro, revelado nas Escrituras, não podem sobreviver (Sl
36.9).
a soberba... eu os aborreço. A sabedoria
ecoa o ódio que Deus tem pelo mal (6.16; Dt 12.31; 16.22; Sl 5.5; Is 61.8; Jr
44.4).
* 8.14 o conselho. Essa
palavra tem o sentido de conselhos derivados da sabedoria e da experiência, e
também planos feitos pela deliberação conjunta em um curso de ação. A mesma
palavra é usada para a mente de Deus a respeito de seus próprios planos e
propósitos (Is 5.19; 19.17; 25.1; 28.29). A sabedoria tem acesso a esse
conselho.
* 8.15,16 A função
apropriada para os governantes humanos é definida pela ordem da criação de
Deus, conforme está revelada na Palavra de Deus (Gn 1.26-28). Um governo sábio
começa pelo temor do Senhor (Dt 17.18-20; 1Rs 3.6-9; 4.29-34). O Messias
governará pela sabedoria perfeita (Is 11.1-3). Ver "Os Cristãos e o
Governo Civil", em Rm 13.1.
* 8.17 Eu amo os que me amam. Essas
afirmativas fazem o contraste com a sabedoria sendo ocultada dos insensatos
(1.28,29). A sabedoria cuida daqueles que lhe pertencem (4.6,8,9).
os que me procuram me acham. Ver
2.4,5; 3.13-15. Isso sugere uma relação entre a sabedoria e a graça divina, que
o leva a aproximar-se de nós (Is 55.6). O próprio Jesus é a revelação final da
sabedoria divina (1Co 1.24,30; Cl 2.2,3), e possivelmente fez alusão a este
versículo em Mt 7.7.
* 8.18
Riquezas e honra. Ver 3.2,16.
O princípio do reinado de Salomão foi um exemplo dos benefícios materiais e
sociais da sabedoria (1Rs 10.1-9).
e justiça. Isso
significa a obediência à lei de Deus, extendendo-se ao cultivo de corretas
relações entre Deus, as pessoas e a criação. Ver Rm 12.18; 1Tm 2.1-4.
* 8.19 Ver a nota
nos vs. 10 e 11.
* 8.22-31 Esta
seção, parecida com um hino, apresenta a sabedoria como a base do projeto do
universo. O enfoque é incomum, mas essa visão sobre a sabedoria não contraria a
teologia do pacto e os atos salvíficos de Deus em Israel. Os sábios também eram
homens do pacto (1.7; 2.20-22 e notas). O método da sabedoria consiste em
enfatizar a teologia bíblica da criação, como base da compreensão de nossas
vidas como o povo remido de Deus.
* 8.22 O Senhor. Temos aqui o nome próprio
de Deus como o Redentor e o Autor do pacto (Êx 3.15 e notas). O pacto da
redenção de Deus com Israel sublinha seu compromisso com a criação, pois as
promessas do pacto culminam em Jesus Cristo — o grande Descendente de Abraão
(Gn 12.7; cf. Gl 3.16) e o Filho de Davi (2Sm 7.16; cf. Lc 1.32) — por meio de
quem a criação destroçada e caída é remida (Rm 8.20-22; 2Co 5.17, nota; Cl
1.15-20; Ap 21.1.).
me possuía. A
sabedoria não é uma quarta pessoa divina, mas é um atributo de Deus, que
recebeu expressão tanto na criação como na redenção. Neste capítulo, a
sabedoria foi personificada para conseguir um efeito poético. Os atributos de
Deus são eternos, pelo que a figura da sabedoria vem desde o
"início".
no início de sua obra. A
sabedoria é o primeiro conselho da vontade de Deus (Ef 1.11), o decreto eterno
que estabelece todas as coisas em seus relacionamentos e determina o curso da
história.
antes de suas obras mais antigas. A
sabedoria existia antes da auto-revelação de Deus, em seu pacto e em seus atos
salvíficos.
* 8.23 A
sabedoria também é anterior à criação do universo.
* 8.24-31 Jó relembra-nos que a sabedoria da
criação, em última análise, pertence exclusivamente a Deus (Jó 38 e 39). O
"mandato cultural", ao atribuir aos seres humanos a tarefa de
compreender a criação e de exercer domínio sobre ela (Gn 1.26-28), é a base do
interesse da sabedoria, ao conhecer a natureza do mundo (1Rs 4.29,33). Isso é
visto dentro da estrutura estabelecida pela revelação especial (as Escrituras)
e no temor do Senhor (1.7, nota; 8.1-36, nota; 9.10).
* 8.24 eu nasci. O sábio plano de Deus
antecede os seus atos. A referência a ter "nascido" sugere que a
sabedoria é, de forma singular, uma filha de Deus, mas isso é apenas um
artifício poético, e não se refere a um novo ser divino.
* 8.27 aí estava eu. A
sabedoria é anterior à criação e participante dela. A criação é a primeira
grande demonstração da sabedoria de Deus.
* 8.28 as fontes do abismo. Ver Gn
7.11; 8.2.
* 8.30 seu arquiteto. A sabedoria
é agora descrita como o agente da criação. Um habilidoso artesanato é um dos
aspectos da sabedoria (cf. Êx 31.3), o que salienta a natureza prática da
sabedoria. Ver 1.2 e nota.
* 8.31 regozijando-me... achando as minhas
delícias. A sabedoria reflete a satisfação expressa na declaração
divina de que a criação era muito boa (Gn 1.31).
* 8.32 felizes. Ver a nota em 3.13. As
bênçãos de Deus sobre a obediência são uma das características da teologia da
Aliança (Dt 28.1-14; ver "A Aliança da Graça de Deus", em Gn 12.1).
Aqui essa palavra descreve as recompensas da sabedoria (3.13-18).
* 8.34 velando dia a dia às minhas portas. O aluno
comparece à casa do mestre, anelante por aprender o que quer que a sabedoria
lhe queira transmitir.
* 8.35 Os
benefícios da sabedoria são equiparados com a própria vida. Ser verdadeiramente
vivo é estar corretamente relacionado com Deus, com outras pessoas bem como com
a ordem criada. Ver as notas em 3.2,18.
favor do SENHOR. Isto é,
aceitação e boa-vontade. O sábio não estava descrevendo uma maneira alternativa
de obter aceitação diferente daquela provida na comunidade do pacto e nos
sacrifícios. Antes, ele descreve as riquezas da comunhão dos crentes com o
Senhor, na qual suas vidas são moldadas pela verdadeira sabedoria (12.2).
* 8.36 Todos os que me aborrecem. Odiar a
sabedoria é odiar a vida, e, portanto, é amar a morte.
* 9.1-18 Esta seção
consiste na disputa de dois convites, um da sabedoria, e o outro da insensatez.
Ambas foram retratadas como mulheres que convidam as pessoas para entrarem em
suas casas. A sabedoria convida os simples para comerem de seu alimento vivificante
(vs. 1-12). Mas a insensatez oferece um alimento que conduz à morte (vs.
13-18).
* 9.1 as suas sete colunas. O sentido
dessas "sete colunas" não é claro. Pode apenas indicar o esplendor
arquitetônico da casa. Entretanto, "sete" com freqüência simboliza a
perfeição ou o estado completo, pelo que aqui pode representar as perfeições da
sabedoria divina.
* 9.2 misturou o seu vinho. É provável
que essa mistura fosse de vinho e especiarias (Ct 8.2).
* 9.3 suas criadas. As servas
da sabedoria são enviadas para recolher qualquer pessoa que ouça o convite dela
para a vida.
desde as alturas da cidade. O convite
é aberto e universal (Is 52.7).
* 9.4 Quem é simples. Ver 1.4, e
nota. Note a disputa da chamada por parte da insensatez, no v. 16.
Aos faltos de senso. Lit.,
"aos que faltam o coração", ou seja, a vontade de pensar e de agir
corretamente.
* 9.5 Vinde, comei. Um banquete
era a ocasião própria a refeição distribuída pela sabedoria. A idéia do
banquete foi usada mais tarde para retratar as bênçãos dos remidos (Is 55.1,2;
Mt 22.1-13; 26.29; Ap 19).
* 9.6 Deixai os insensatos, e
vivei. Ver 1.4,22; 2.19; 3.2,18; 8.35 e notas.
* 9.7-12 Estes
versículos contrastam os sábios com os insensatos, não somente quanto ao ponto
da decisão de entrarem nas casas da sabedoria ou da insensatez, mas também
quanto ao tipo de vida que resulta dessas decisões.
* 9.7 o escarnecedor. O
escarnecedor além da falta de discernimento, toma uma decisão consciente para o
mal.
traz afronta sobre si. O esforço
por corrigir tal pessoa fracassará e poderá ser um tiro pela culatra.
o que censura. Essa frase
paralela é sinônima, quanto ao significado, à primeira parte do versículo.
* 9.8 Aqui a estrutura paralela é antitética
(isto é, as duas partes são postas em contraste).
repreende o sábio. Enquanto
que um insensato é fechado à sabedoria, um sábio alegra-se pela oportunidade de
fechar-se à insensatez. A sabedoria percebe o lado positivo da correção; a
sabedoria não vive na defensiva e nem se ofende facilmente, mas mostra-se
humilde e responsiva.
* 9.9
A sabedoria reconhece um importante princípio da natureza humana: não há
ponto de parada; progredimos na direção de nossa escolha. A sabedoria acumula
mais sabedoria (cf. Mt 13.12).
* 9.10 O temor do SENHOR. Ver 1.7 e
nota: "A Sabedoria e a Vontade de Deus", em Dn 2.20.
Santo. Lit.,
"dos santos". Esta tradução é baseada no paralelo com "o
Senhor", na linha anterior (cf. 30.3, onde a mesma forma plural é usada).
* 9.11 Ver 3.2 e
nota.
* 9.12 Se és sábio, para ti mesmo o és. Em outras
palavras, tu mesmo te beneficiarás (3.13-18; 4.9-13; 8.34,35).
* 9.13-18 A
descrição da insensatez é o oposto direto da descrição da sabedoria, nos vs.
1-6.
* 9.13 apaixonada. Ver
7.11,12.
é ignorante, e não sabe coisa
alguma. O apelo sensual da insensatez contrasta com a sabedoria como
mestra.
* 9.14 nas alturas da cidade. A
insensatez falsifica os atos da sabedoria, a fim de parecer sábia (cf. o v. 3).
* 9.15,16 Os convites insistentes da
insensatez imitam os convites da sabedoria (cf. o v. 4).
* 9.17 As águas roubadas. Qualquer
coisa proibida, especialmente o sexo ilícito (5.3,15; 7.16-18).
o pão comido às ocultas. Por haver
sido furtado ou por ser proibido. Existe uma perversidade na natureza humana
que é despertada pela proibição ou pela lei (Rm 7.7-11).
* 9.18 os mortos. No
hebraico, rephaim, de derivação incerta. Essa palavra é usada por oito
vezes na Bíblia, todas elas na poesia hebraica, referindo-se aos espíritos de
pessoas que partiram.
inferno. No
hebraico, sheol, lit., "a sepultura". Ver 1.12; 5.5; 7.27 e
notas. Em Provérbios, o sheol é o destino apropriado dos tolos, não por
ser um lugar de tormento, conforme o inferno é posteriormente descrito (Ap
14.9-11), mas simplesmente porque aqueles que vão lá perderam a possibilidade
de relacionamento com o Deus vivo. Ver também 2.18 e nota.
* 10.1—22.16
Esta seção consiste, principalmente, em provérbios de uma só sentença.
Não há qualquer evidência de que essa forma de escrita de sabedoria pertença a
um tempo diferente daquele das instruções mais longas dos caps. 1—9. Trata-se
simplesmente de uma forma diferente, que funciona de maneiras diferentes. Os
aforismos são, com freqüência, declarados de forma categórica, sem as
qualificações que lhes poderiam permitir cobrir cada situação concebível.
A
sabedoria de Provérbios pressupõe e edifica-se a revelação especial de Deus na
lei (1.7 e notas). Os sábios hebreus supunham que, dada a inteligência humana e
o dom da sabedoria de Deus, em sua auto-revelação, o povo de Deus aprenderia a
discernir a ordem e os relacionamentos que produzem uma vida significativa e
produtiva. A sabedoria de Provérbios nos oferece o fruto da experiência e da
reflexão, ressaltando a necessidade de pensar e aplicando o conhecimento humano
e a Palavra de Deus a todas as questões da vida, de uma maneira responsável.
* 10.1-32 Como se dá
freqüentemente com a Bíblia, as divisões em capítulos são bastante arbitrárias,
e não servem de ajuda na análise dos textos. As sentenças individuais podem ser
classificadas de acordo com suas estruturas literárias e seus temas. Os caps.
10—15 consistem, principalmente, de contrastes entre conceitos opostos,
conforme é indicado pela conjunção "mas", introduzindo a segunda
linha da maior parte desses provérbios. Esse artifício literário comum usa
contrastar pares como "justo" versus "ímpio", e "sábio"
versus "insensato". Agrupamentos ocasionais de sentenças, de acordo
com o tema e a forma, são evidentes no livro, um método que ajuda na
memorização, mas que não ajuda a interpretação das declarações mais
independentes. Cada sentença tem sua própria aplicação social e alvo especial.
Muito parecidas com as declarações populares de nossas sociedades ocidentais,
algumas dessas declarações tem sido separadas de seus contextos a fim de
proverem normas concisas e práticas para a vida diária.
* 10.1 Provérbios de Salomão. Ver
Introdução: Autor.
* 10.2 A justiça. Ver a nota
em 8.18. Neste capítulo, cerca de metade dos versículos contém um contraste
entre os justos e os ímpios.
livra da morte. Ver 2.18;
3.18 e notas.
* 10.3 não deixa ter fome. Há uma
correlação entre a retidão e a vida, tanto nas promessas do pacto de Deus
quanto na experiência de vida em geral. Entretanto, os sofrimentos dos justos
não estão aqui em vista (cf. 1.19, nota).
* 10.4,5 Ver
6.6-11; 13.4; 15.19; 24.30-34. Um tema de sabedoria que é freqüentemente usado,
a pobreza, por si mesma, não é vergonhosa, embora o seja a pobreza por causa da
preguiça.
* 10.5 filho sábio. Os
relacionamentos e as obrigações familiares são preocupações de primeira ordem
na literatura de sabedoria.
* 10.6 bênçãos. Essas bênçãos, aqui
não-especificadas, deixam a aplicação aberta para um leque de situações, mas,
tal como no v. 22, a bondade do Senhor é experimentada.
* 10.7 A memória. Como a
pessoa justa é lembrada após a sua morte.
* 10.8 aceita os mandamentos. A pessoa
sábia deixa-se ensinar, e dá boa acolhida aos mandamentos da sabedoria (2.1;
3.1, nota).
o insensato de lábios. Os
insensatos não sabem quando devem calar-se e escutar. Não têm a disciplina da
sabedoria, e promovem sua própria ruína.
* 10.9 será conhecido. Quem tentar
perverter a verdade será desmacarado e disciplinado por Deus.
* 10.10
acena com os olhos. Ver 6.13 e nota.
O insensato de lábios. Ver v.8 e
nota. Essa frase não parece se corresponder com a primeira linha, seja como paralelo,
ou como contraste. A Septuaginta (o Antigo Testamento em Grego) diz: "mas
aquele que repreende com firmeza traz a paz."
* 10.11
manancial de vida. A figura é semelhante a "árvore da vida"
(3.18, nota). As palavras dos sábios, tal qual um poço, é uma fonte de vida (Ez
47.1-12; Ap 22.1-3).
* 10.12
O ódio. A palavra sugere a rejeição da boa ordem, realmente a
dissolução (cf. 1Jo 3.15) dos relacionamentos humanos. Tal ódio causa a
fragmentação da sociedade.
o amor. A palavra
sugere buscar o melhor para os outros. O amor é a melhor expressão dos
relacionamentos ordeiros.
cobre. Para
promover a harmonia nos relacionamentos, o amor encobre as questões que
provocam contendas. Esse versículo é aludido em Tg 5.20 e 1Pe 4.8.
* 10.13 Os que são perceptivos revelam o
seu caráter na sabedoria das suas palavras. Os que são faltos de senso só se
envolvem em brigas. O paralelo sugere que conversa tola é a causa dos seus
problemas.
* 10.4
entesouram o conhecimento. A pessoa sábia que não é mais aprendiz, ainda
continuará aprendendo. Somente o tolo alega saber tudo.
a boca do néscio. Note quão
freqüentemente o tolo é retratado como um falador (vs. 6, 8, 13, 18, 19, 31 e
32). A epístola de Tiago, os "Provérbios" do Novo Testamento, também
explora esse tema (Tg 1.26; 3.1-12). Saber quando se deve falar e quando se
deve guardar silêncio é um proeminente tema da sabedoria (11.12, nota: 26.4,5;
Jó 38.2; 42.1-6).
* 10.15 a sua cidade forte. A imagem é
a de segurança contra as incertezas da vida.
a pobreza dos pobres é a sua ruína. Os pobres
não têm grande defesa contra os acontecimentos inesperados. Essa circunstância
é observada sem comentários sobre seus acertos e erros (cf. Mt 26.11). Em uma
análise final, porém, os ricos, que confiam em si mesmos (28.11), descobrirão
que sua segurança monetária é ilusória (11.4,28; 18.10,11; 23.4,5). Somente o
Senhor nos serve de defesa segura (3.5,6)
* 10.16 o rendimento. O
resultado ou recompensa da justiça é a vida (3.2,18 e notas; cf. Rm 6.23).
pecado. O
"pecado" ou sua consequência, a punição, se opõem à vida.
* 10.18 A forma
deste versículo difere dos opostos paralelos (paralelismo antitético),
encontrados em grande parte deste capítulo. Novamente, o assunto é um falar
tolo (mentira ou calúnia), e aquele que se ocupa em tal atividade é ou
malicioso ou tolo (v. 14, nota). Tal insensatez não é considerada como coisa
leve, porque essa insensatez importa em pecado real (Êx 20.16).
* 10.20 o coração. Aqui essa palavra aparece
como um paralelo de língua. A mente, a vontade e o caráter interior do ímpio
são fonte de palavras fúteis (Mt 15.18,19).
* 10.21
Ver os vs. 11 e 17. A sabedoria dos justos exerce bons efeitos sobre
outras pessoas; mas os insensatos não podem ao menos sustentar-se a si mesmos.
* 10.22 enriquece. Dentro do contexto do
Antigo Testamento, isso apontaria para as riquezas materiais, um resultado da
sabedoria de Salomão (1Rs 4.22-28; 10.4-13). A riqueza não é um alvo da
sabedoria, mas com freqüência é uma recompensa (v. 2).
* 10.24 Aquilo que teme o perverso. Os ímpios
temem a punição. O significado dessa frase parece ser que o justo julgamento de
Deus é inevitável.
* 10.26 A forma
deste provérbio difere do paralelo de opostos (paralelismo antitético), usual
neste capítulo. A comparação gira em torno do que é comum aos três pares
(paralelismo sinônimo; ver "Introdução à Poesia Hebraica"). A pessoa
preguiçosa é um fator desagradável que causa desgosto ao seu empregador.
* 10.27 O temor do SENHOR. Ver 1.7;
9.10 e notas. A harmonia com Deus, que é aqui reconhecido como vinda através
das provisões do pacto, significa a harmonia com a vida. Tal como no quinto
mandamento, as bênçãos de Deus são vistas em termos de uma vida longa e
frutífera, na Terra Prometida (Êx 20.12; Dt 5.16, nota). Ver 2.20-22; 3.2 e
nota.
* 10.29 Este
provérbio estabelece um princípio básico da teologia da aliança, e não uma
observação sobre a vida humana. Os escritores de sabedoria relembram-nos que a
fonte de todo verdadeiro conhecimento e sabedoria é a auto-revelação de Deus em
suas obras criativa, providencial e salvífica, e, especialmente, nas
Escrituras.
* 10.30 Ver o v.
27. Temos aqui outro provérbio baseado no pacto de Deus com Israel. A
"terra" (ver a referência lateral) é aquela prometida a Israel, e sua
possessão é básica para a vida. A possessão da terra era condicionada à
resposta da fé às promessas do pacto.
* 10.31,32 Ver a nota
no v. 14.
* 10.31
perversidade. Essa
palavra sugere aquele que fala com desonestidade, e busca impedir o são
julgamento de outros.
* 11.1-31 Tal como
no capítulo dez, muitas das declarações deste capítulo contrastam os caminhos
da retidão e de iniqüidade. Outras frases, que não citam explicitamente esses
dois pontos opostos, não obstante compara exemplos específicos dos mesmos.
* 11.1 Balança enganosa. A
honestidade e negócios limpos são básicos à ética do pacto. A referência ao
Senhor indica que estão em vista os relacionamentos do pacto.
* 11.2 soberba... desonra. A
sabedoria reconhece a importância do domínio próprio. A arrogância e o orgulho
são simplesmente reconhecidos por outras pessoas, que se recusarão então a
prestar-lhes honrarias.
com os humildes está a sabedoria. Porquanto a
humildade envolve a avaliação realista do lugar do indivíduo em relação a
outros, promove um senso amplo da verdadeira ordem de coisas.
* 11.3 A integridade. Essa
palavra deriva-se de um termo hebraico que significa "completo". Esse
termo indica retidão e perfeição éticas. A orientação na vida é posta dentro de
sua estrutura ética. Um relacionamento correto com o Senhor conduz a um curso
reto na vida.
pérfidos. Essa
palavra significa "coisa torta" ou "coisa torcida". Esse
estilo de vida destrói a uma pessoa, porque definitivamente não podemos
resistir com sucesso à ordem de Deus.
* 11.4 no dia da ira. Esta declaração
antecipa não meramente a retribuição natural e impessoal na vida, mas também um
Juiz pessoal e sua ira. As riquezas não podem garantir a ninguém proteção
contra a ira de Deus (Lc 12.13-21).
A justiça. Ver a nota
em 8.18.
* 11.5,6 O sentido
é quase idêntico ao do v. 3.
* 11.8 libertado. Uma
referência aparente à intervenção da providência divina. As declarações
proverbiais afirmam o que é geralmente verdade, mas não sem exceções. O
sofrimento dos justos (p.ex., Jó) mostra que apesar de ser perceptível um certo
grau de ordem na experiência humana, tal ordem não é invariável, visto que Deus
é soberano, e segue os seus próprios propósitos eternos. Somente a confiança na
bondade de Deus, mesmo quando esta não se vê de imediato, é direcionada ao problema
do sofredor justo. Ver a nota em 10.1—22.16, e "Introdução à Poesia
Hebraica".
* 11.9 com a boca. Ver
10.13,14,18, e notas.
pelo conhecimento. A sabedoria
e o conhecimento, como o caminho para a vida, capacitam a pessoa a escapar dos
caminhos dos ímpios (vs. 4, 6, 8).
* 11.10 Uma
sociedade viável deve possuir algum conhecimento do certo e do errado, bem como
das recompensas e retribuições. Sem descer a uma vingança vindicativa, há um
regozijo apropriado quando os perpetradores do mal, da corrupção, e da miséria
humana são destruídos.
* 11.11 As
implicações coletivas do comportamento são evidentes: vidas retas fortalecem a
comunidade, ao passo que vidas iníquas a corrompem e derrubam.
* 11.12 Ver a nota
em 10.14. A maledicência e o escárnio facilmente destróem a reputação alheia,
mas não promovem a reputação do maledicente. O indivíduo sábio sabe quando deve
guardar silêncio (vs. 13; 12.23; 13.3; 17.28; 18.2,6-8; Ec 3.7).
* 11.13 Temos aqui
uma variação do v. 12. Este versículo nota que guardar confidências fortalece
os relacionamentos, enquanto que a maledicência de um insensato os destrói
(10.14 e nota).
* 11.14 sábia direção... conselheiros. Ver 15.22;
20.18; 24.6. O conselho ou sábia direção era uma característica do surgimento
de sabedoria na vida política, durante o reinado de Davi (2Sm 15.30 - 17.23).
* 11.15 Ver 6.1 e nota.
* 11.16 Esses
pensamentos paralelos opostos (paralelismo antitético) talvez ensinem que o
desejo de respeito vale mais que meras riquezas (22.1; cf. Ec 7.1).
Alternativamente, o sentido pode ser que a mulher graciosa retém a honra tão
seguramente quanto a mulher cruel adquire riquezas.
* 11.17 bondoso. Esse termo descreve alguém
que se comporta corretamente para com os seus semelhantes. Há um interesse
próprio legítimo expresso em "amar o próximo como a ti mesmo" (Lv
19.18). O que é melhor para os outros também é melhor para nós.
* 11.18 Ver
10.2,16; cf. 1Co 9.6-11. A recompensa pode ser material ou espiritual. O
princípio é o valor duradouro das recompensas da retidão.
* 11.19 Os
caminhos da retidão e do mal, elaborados em detalhes específicos, em muitas
declarações deste capítulo, são aqui afirmados nos termos mais amplos. O
princípio subjacente é explicado em Dt 30.15-20. Neste versículo, a
"justiça" e o "mal" são usados num sentido mais amplo,
incluindo a ordem dada por Deus na existência, que é discernida pela
experiência (8.18, nota).
* 11.20 os perversos. Ou
"tortos", "torcidos" (8.8).
* 11.21 não ficará sem castigo. A
terminologia legal indica que está envolvido o julgamento de Deus, e não apenas
uma retribuição natural. Por semelhante modo, há um ato judicial de Deus
envolvido no escape dos justos desse juízo.
* 11.23 Ver
10.24,25,28-30. O contraste entre os justos e os ímpios é visto nos destinos
deles.
* 11.24-26 Estes
versículos estabelecem o princípio geral de que a pessoa generosa é abençoada,
ao passo que a avareza conduz à ruína (v. 17, nota).
* 11.26 A
generosidade do v. 25 é ilustrada pelo negociante que pensa na comunidade, e
que põe as necessidades alheias acima de seus próprios interesses.
* 11.27 Ver o v.
17 e nota. Aquele que "procura o bem" é ou o benfeitor da sociedade,
que por sua vez recebe aprovação da comunidade, ou aquele que busca a justiça,
que por sua vez recebe a aprovação de Deus (cf. Mt 5.6).
* 11.28 Quem confia nas suas riquezas cairá. Ver o v. 4
e nota. Quando vemos as possessões como aquilo que nos assegura a vida, Deus é
excluído, tal como as corretas relações com o próximo. O resultado é uma vida
de qualidade inferior.
* 11.29 Os
pensamentos paralelos deste versículo não são óbvios, a menos que compreendamos
que a primeira linha significa um uso descuidado das riquezas da família, o que
traz ruína à casa toda. O tolo nada herda (vento), e deverá ser o servo daquele
que gerencia bem as suas finanças.
* 11.30 Fruto... árvore de vida. A metáfora
está curiosamente misturada. O resultado da retidão é a vida. Ver 3.18 e nota;
13.12; 15.4.
o que ganha almas. Lit.,
"toma almas", ou "toma vidas". O significado usual dessa
frase é matar, tirar a vida de outrem. Para acomodar isso, a Septuaginta
(Antigo Testamento traduzido para o grego) traduz a frase por: "Mas as
almas dos desregrados são tiradas antes do tempo". A tradução é incerta.
* 11.31 A forma deste provérbio, ao usar de uma
intensificação ("quanto mais"), é típica de sabedoria (15.11; 17.7;
19.7,10; 21.27).
o justo é punido. Nem mesmo
os justos escapam ao escrutínio do julgamento. A Septuaginta (Antigo Testamento
grego) traduz: "Se o justo é salvo com dificuldade" (conforme a
citação em 1Pe 4.18).
na terra. Ou
"na terra [prometida]". Ver 2.20-22, nota.
quanto mais o perverso. Se os
pecados dos justos são julgados, é óbvio que os pecados dos ímpios também são
julgados. O princípio da responsabilidade humana é clara: até os justos devem
aceitar a responsabilidade por sua insensatez.
* 12.1 Quem ama a disciplina ama o conhecimento. Lit.,
"amar a disciplina é amar o conhecimento". A forma deste provérbio,
tal como em 13.3 e 14.2, agrupa as coisas que se pertencem sem declarar
explicitamente a relação existente entre elas. Essas coisas são então
contrastadas com seus opostos. A pessoa sábia aceita a correção, e, em
conseqüência, fica mais sábia, mas aquela que não aceita críticas não chega a
lugar algum.
* 12.2 o favor. Ver a nota em 8.35.
Senhor. Ver a nota
em 1.7.
* 12.4 Ver a
extensa apreciação da esposa virtuosa, em 31.10-31.
* 12.5 O caráter
de uma pessoa estabelece princípios para as suas ações. Há uma advertência
implícita contra confiar em pessoas com base nas aparências.
* 12.6 Ver 1.11.
Este versículo ressalta o poder das palavras para o bem ou para o mal.
livra homens. Em outras
palavras, elas resgatarão as vítimas dos ímpios.
* 12.7 Ver 10.25
e nota.
* 12.8 entendimento. Um bom senso prático.
A exibição de domínio sobre a vida ganha louvores.
o perverso de coração. A frase
sugere a incapacidade de pensar retamente; mais confusão mental do que mesmo
maldade.
* 12.9 Vários
provérbios que têm essa forma de comparação direta, usando a fórmula do
"melhor... do que" (15.16,17; 16.8,19,32; 17.1,12; 19.1).
o que se estima em pouco. Uma pessoa
sem posição social ou sem reputação.
e faz o seu trabalho. A
Septuaginta (Antigo Testamento grego) traduz essa frase por: "que trabalha
para si mesmo". O sentido da frase é "Melhor uma prosperidade humilde
do que a pobreza ocultada pela pretensão"; ou então: "É melhor
trabalhar sem ser valorizado do que passar fome enquanto se sonha em
riquezas".
* 12.10 Deus leva
em conta o tratamento que damos aos animais (1Rs 4.33). Isso é coerente com a
preocupação pela correta ordem de coisas no mundo.
O justo. Ver a nota
em 8.18.
o coração dos perversos é cruel. A pessoa
iníqua é incapaz de bondade, até com o seu gado.
* 12.11 Uma
variante do v. 9, este versículo contrasta os benefícios do trabalho duro e
honesto com fantasias que nada produzem. Ver 6.6-11; 20.4; 24.30-34; 28.19.
* 12.12 Embora o
hebraico deste versículo seja difícil, o contraste básico — os benefícios da
retidão em contraposição aos efeitos da iniquidade — está claro.
* 12.13 Ver 10.11,14,31.
* 12.14 O
princípio da recompensa, expresso, por exemplo, no v. 21, está enfocado sobre a
fala sábia. Tal linguagem cria bons relacionamentos e mostra cuidado pela ordem
de coisas capaz de fomentar a vida. Suas recompensas são tão tangíveis como
aquelas do labor físico.
* 12.15 O
insensato pensa que sabe mais do que as demais pessoas. A pessoa sábia é
humilde o bastante para aprender da experiência alheia e tem a capacidade de
discernir os bons conselhos (v. 1).
* 12.16
O domínio próprio é uma das características dos sábios. O insensato reage
por demais fortemente e com precipitação, destruindo relacionamentos. A pessoa
sábia deixa o caminho aberto para a reconciliação.
* 12.17 À primeira
vista, este provérbio expressa aquilo que deveria ser óbvio, mas ilustra eficazmente
o inevitável relacionamento entre o caráter e os atos (v. 5, nota).
* 12.18,19 Estes dois
provérbios podem ter sido postos juntamente com o v. 17 porquanto expandem o
mesmo tema. O v. 18 considera os efeitos das palavras em nossos relacionamentos
com outras pessoas, enquanto que o v. 19 considera a força da verdade em
comparação com a fraqueza das mentiras, que inevitavelmente cede terreno (cf. o
v. 13).
* 12.20 fraude. O contraste com a
"alegria" parece requerer que isto significa fraudar-se a si mesmo.
a paz. Essa
palavra (no hebraico, shalom) refere-se à totalidade; trata-se de um
termo que aplica-se mais aos relacionamentos, que propriamente uma referência a
alguma experiência particular de tranqüilidade.
* 12.21 Nenhum agravo. Essa condição
básica dos justos refere-se tanto às calamidades naturais quanto aos
julgamentos de Deus. Ver a nota em 11.8.
* 12.22 O caráter
e as atitudes auto-revelados de Deus provêem um forte motivo para a verdade.
* 12.23
oculta o conhecimento. Não por motivo
de egoísmo mas a fim de que não faça espetáculo de seu conhecimento. A
sabedoria sabe quando é certo manter o silêncio e quando é certo falar (26.4,5;
Ec 3.7; Tg 3.17,18).
proclama a estultícia. O
insensato não somente tem um conceito exagerado de sua própria esperteza (v.
15), mas também não pode resistir demonstrá-la. Tal disposição deixa entrever
sua real insensatez.
* 12.25 O
ministério de encorajamento é mais do que uma palavra superficial (Tg 2.15,16),
mas a palavra falada continua sendo um aspecto importante do cuidado mútuo.
Deus age para conosco mediante feitos interpretados pela sua Palavra.
* 12.27
assará. É difícil dizer se a
tradução devia ser que o homem é preguiçoso demais para assar a sua caça, ou se
ele é preguiçoso demais para apanhá-la, em primeiro lugar. A segunda linha
elogia a diligência sem continuar a metáfora da caça.
* 12.28 a vida. Ver 3.2,18 e notas.
não há morte. No
hebraico "não morte". Ver 2.18 e nota, e também 3.2. As consoantes
hebraicas traduzidas por "não", também podem significar
"para"; em contraste com "a vereda da justiça", que conduz
à vida, temos aqui "há uma vereda que conduz à morte".
* 13.1 A capacidade de aprender da criança ou do
aluno contrasta com a propensão do insensato em zombar e em recusar a correção
(1.8,22 e notas).
* 13.2 fruto da boca. O poder
das palavras é um tema freqüente da sabedoria. Ver 10.11, 13, 19; 12.14 e
notas. As palavras sábias são construtivas, e quem as diz se beneficia
pessoalmente disso.
pérfidos. Essa
palavra sugere os enganadores traiçoeiros, cuja consciência social está
torcida.
* 13.3 O que guarda a boca. Exercendo
controle sobre o que diz, a fim de que aquilo que é dito seja cuidadosamente
considerado quanto a seus efeitos possíveis.
o que muito abre os lábios. Explosões
de palavras, precipitadamente ou maliciosamente, sem preocupar-se com as suas
conseqüências.
* 13.4 O preguiçoso. Ver 6.6-11
e notas. A responsabilidade humana não pode ser evitada. Nem o mundo e nem Deus
tem a obrigação de nos sustentar a vida.
diligentes.
Compreendendo corretamente as recompensas do trabalho honesto, a pessoa
diligente é sustentada.
* 13.5 O justo. Ver a nota em 8.18.
* 13.6 Ver 10.9;
11.3-9.
* 13.7 Uns se dizem. Ou
"fingem ser". Embora seja notada a disparidade das possessões, o
ponto central do provérbio parece ser a similaridade do fingimento. Cada qual
representa mal os fatos sobre si mesmo.
* 13.8 Uma pessoa
rica poderá ser seqüestrada para se obter pagamento de resgate, mas tais
ameaças não dizem respeito aos pobres. Por detrás de cada situação está o
princípio de que a segurança das riquezas pode ser ilusória, enquanto que a
insegurança da pobreza tem suas vantagens.
* 13.9 brilha intensamente. A metáfora
apresenta dois tipos de casas: uma delas é bem iluminada e feliz; a outra é
escura e abandonada. Essas casas simbolizam vidas humanas; uma pessoa prospera
e vive muito tempo, enquanto que a outra tem sua vida cortada precocemente
(10.27, nota).
* 13.11 A
sabedoria do trabalho duro honesto é contrastado com a insensatez do lucro
desonesto.
* 13.12 Uma
experiência humana comum: as expectações frustradas causam uma perda de moral e
um senso de desamparo. Isso não dá a entender que a gratificação instantânea
seja boa, mas antes, que deveríamos nos esforçar honestamente em busca dos
alvos desejáveis da vida.
árvore de vida. Ver 3.18 e
nota.
* 13.13 a palavra. A palavra de sábia
instrução.
o mandamento. Ver 3.1 e
nota. Os efeitos opostos da obediência e da desobediência são temas constantes.
* 13.14 fonte de vida. A mesma
palavra hebraica foi traduzida por "manancial de vida", em 10.11
(10.11, nota).
* 13.15 pérfidos. Ver o v. 2 e nota.
* 13.16 A verdade
contida neste provérbio parece ser óbvia, mas ver 12.17 e nota.
* 13.17 O mau mensageiro. Alguém que
traz uma mensagem enganadora.
mal. Ou
"infortúnio". Tal mensageiro foi o amalequita que, esperando
conquistar o favor de Davi, afirmou falsamente ter matado a Saul, mas foi
executado para sua desgraça (2Sm 1.1-16). As declarações paralelas deste
provérbio sugerem que o mensageiro fiel, talvez por ser um enviado da parte de
alguém, promove o bem-estar de outras pessoas.
* 13.19 Ver o v.
12 e nota. A concretização de um alvo digno traz benefícios à vida do
indivíduo. Os insensatos, porém, não abandonarão o mal para seguirem tais
alvos.
* 13.20
A lição simples é que nos tornamos como aqueles em cuja companhia nos
mantemos.
* 13.21 A
sabedoria dos hebreus, com seu enfoque sobre as lições derivadas da experiência
humana (cap. 4, nota), salienta a relação geral de causa e efeito, entre os
estilos de vida e os seus respectivos resultados. Embora isso possa ser
considerado uma retribuição natural por causa dos padrões observáveis da
experiência humana, há uma suposição subjacente que a ordem que domina o mundo
é uma conseqüência do governo de Deus.
* 13.22 deixa herança. Na vida, a
sabedoria tem efeitos duradouros, especialmente na própria família.
depositada para o justo. As
riquezas do ímpio podem ser-lhe tiradas e entregues a alguém mais merecedor do
que ele (28.8; Jó 27.13-19). Este versículo talvez indique a dissipação
irresponsável das riquezas por causa da insensatez, ou a retribuição divina do
rico ímpio, devido a outros pecados (cf. Tg 5.1-3).
* 13.23 A relação
natural entre a diligência e a suficiência (vs. 4, 11, nota) é quebrada pela
opressão e pela injustiça.
* 13.24 a vara. Embora essa palavra possa
simbolizar qualquer tipo de correção disciplinar, pouca dúvida há de que a
punição corporal era aprovada em algumas situações (10.13; 22.15; 23.13,14;
29.15). Disciplina com amor impede a vara de ser destrutiva (3.11,12 e notas).
* 13.25 Ver os vs.
13, 18, 21, e notas.
* 14.1 A mulher sábia edifica a sua casa. Note os
paralelos verbais com a personificação da sabedoria como se fosse uma mulher
que edifica a sua casa, em 9.1.
* 14.2 na retidão. Sendo um
contraste com "perverso", essa palavra significa "reto",
"honesto".
Teme ao SENHOR. Ver 1.7 e
nota.
* 14.3 Ver 10.13
e nota.
* 14.4 limpo. Não é claro se o hebraico
dá a entender que o celeiro fica "limpo" ou cheio de
"grãos", em resultado de não ser usado. Em ambos os casos, o
benefício menor do celeiro não-usado deve ser avaliado contra o nada que é
produzido quando os bois não estão trabalhando. Gastos devem ser aceitos se
alguma coisa tiver de ser realizada.
* 14.5 Um fato e
uma advertência que enfatizam a consistência do caráter com as ações (12.5, 17
e notas).
* 14.6 O escarnecedor. Ver 1.22 e
nota.
procura a sabedoria. Esse tipo
de pessoa pode reconhecer o valor da sabedoria, mas não se deixa ensinar o
bastante para lograr sucesso.
* 14.8 prudente. Dentro do
contexto da sabedoria, o termo indica alguém que é esperto, que age com real
discernimento de uma maneira que promova a vida. Ver 12.16,23; 13.16 e notas.
enganadora. Talvez por
enganar-se a si mesmo (cf. 12.20 e nota), embora enganar outras pessoas possa
estar envolvido.
* 14.9 zombam do pecado. Isso pode
significar que eles zombam diante da sugestão de apresentar a Deus a oferenda
do sacrifício pela culpa, ou de se fazer restituição à pessoa que foi enganada
(Lv 6.1-7).
há boa vontade. A segunda
linha deste versículo contrasta com a primeira, e o sentido da palavra é a
aceitação da parte de Deus, ou a comunhão restaurada com outras pessoas.
* 14.10 Embora
grande parte da literatura de sabedoria da Bíblia reflita os relacionamentos
entre as pessoas, também existe uma preocupação com aqueles aspectos da vida
que são pessoais e particulares. Certas coisas não podem ser comunicadas, e os
indivíduos devem aprender a saber que coisas são essas.
* 14.12 Ver
2.18,20-22; 3.18 e notas.
parece direito. Essa
declaração subentende que tal caminho não é direito, e que a pessoa em foco é
precipitada, sem discernimento ou ignorante.
* 14.13
Cf. o v. 10 e nota. Uma alegria externa e uma tristeza oculta podem
coexistir. Mas a tristeza pode ser a realidade a ser enfrentada no fim.
* 14.14 O
hebraico, da segunda linha deste versículo, é difícil, mas o contraste básico
entre as recompensas pelo comportamento bom e pelo comportamento mal é
evidente.
* 14.15 O simples. Ver a nota em 1.4. A pessoa
"simples" é destreinada quanto ao uso do julgamento crítico.
o prudente. Ver a
nota no v. 8.
* 14.17 O que presto se ira. Ver v. 29;
16.32; 19.11 e notas.
de maus desígnios. A palavra
hebraica usualmente significa "discreção", uma virtude positiva (1.4;
2.11; 3.21; 5.2; 8.12). Uma linha seguinte de sentido contrário (paralelismo
antitético), que se encontra na maioria dos provérbios deste capítulo,
sugeriria o contrário daquele que se ira com facilidade.
* 14.18 conhecimento. Ver 1.7 e
nota.
* 14.19 Mesmo
nesta vida, as pessoas más algumas vezes são compelidas a respeitar com rancor
as pessoas boas. Mas a justiça de Deus pode ser aqui a intenção da frase,
quando os justos serão finalmente vindicados e os ímpios terão que se inclinar
diante deles, no julgamento final.
* 14.20 Embora
originalmente fosse uma declaração independente acerca de amigos que podem
ajudar em tempos de tribulação (cf. Lc 16.9), sua colocação imediatamente antes
do provérbio do v. 21 lhe dá uma aplicação adicional. Mesmo com a melhor das
intenções, as pessoas ficam cansadas de uma amizade que sempre impõe
exigências. A amizade é fácil quando não impõe obrigações ou traz benefícios.
* 14.21 A lei de
Deus ordena bondade e cuidado pelo próximo como um reflexo do próprio caráter
do Senhor (Lv 19.10-18). Esse princípio adquire ainda maior clareza no Novo
Testamento, que requer que nos tratemos uns aos outros de uma forma que reflita
o tratamento gracioso que recebemos de Deus, através de Cristo (1Jo 4.7-11).
* 14.22 amor e fidelidade. Essa
frase, usada para indicar a amorosa compaixão do Deus da aliança pelo seu povo
(Sl 86.15), é aplicada aqui para o mais profundo amor e lealdade.
* 14.23 Ver 10.4;
12.11; 13.4 e notas.
* 14.24 Conforme o
mesmo se acha, este versículo é similar ao v. 23. A verdade óbvia, na segunda
linha, enfatiza a futilidade da insensatez.
* 14.25 Ver o v.
5. A primeira linha exprime os resultados do testemunho veraz em uma disputa
legal (ver a referência lateral). A segunda linha não exprime o oposto do
pensamento da primeira linha (conforme usualmente se dá no caso de paralelismos
antitéticos), mas simplesmente indica a natureza do testemunho falso, como ele
obscurece a verdade.
* 14.26 No temor do SENHOR. Ver 1.7 e
nota.
* 14.27 fonte de vida. Ver 3.18;
10.11; 11.30; 13.14 e notas.
* 14.29 Ver o v.
17.
* 14.30 O ânimo sereno. Ver a nota
em 2.2. Os antigos reconheciam o elo existente entre a tranqüilidade mental e
espiritual e a saúde física (3.7,8).
* 14.32 ainda morrendo. A
Septuaginta (Antigo Testamento grego) diz "piedade", fazendo um
contraste mais direto com "malícia". O texto hebraico não fala
explicitamente sobre a ressurreição dentre os mortos, mas sugere a confiança de
que Deus vindica os justos (23.18 e nota).
* 14.33 vem a lume. O
significado desta linha é incerto. Ou o insensato exibe aquilo que ele imagina
ser a sua sabedoria, ou mesmo o insensato manifesta um ocasional lampejo de
sabedoria.
* 14.34 exalta. Ou moralmente, ou em
conseqüência de bênçãos materiais divinas (Dt 28.1-14; 1Rs 4.20-28).
* 14.35 A
sabedoria da corte real provê essa advertência contra o insensato incompetente.
* 15.1 O poder
das palavras de edificar ou de destruir relacionamentos é salientado aqui e nos
vs. 2, 4, 7, 14 e 23.
* 15.2
Ver 6.17,24; 10.20,31; 12.17-19.
* 15.3 Os olhos do SENHOR. Ver 2Cr
16.9; Sl 33.13-15. Os sábios, algumas vezes, olhavam para além dos
acontecimentos observáveis e da retribuição natural para lembrarem-se da
realidade da justiça divina. Ver a nota teológica "Deus Vê e Conhece: a
Onisciência Divina", índice.
* 15.4 A língua serena. Ou:
saneadora. Uma língua conciliadora corrige os relacionamentos (v. 2; 12.18).
árvore de vida. Ver 3.18 e
nota.
a perversa. Ver a nota
em 11.3.
quebranta o espírito. Destrói a
moral e a autoestima (Is 65.14, referência lateral).
* 15.5 Ver 1.8;
6.20; 12.15; 13.1,13,18. Deixar-se ensinar com humildade é a marca dos sábios.
* 15.6 grande tesouro. Pode ser
uma riqueza material, ou talvez uma metáfora de própria sabedoria (cf.
8.18-21).
perturbação. Ou
"será destruído", conforme diz a Septuaginta (tradução do Antigo
Testamento grego).
* 15.7 Ver o v. 2
e nota.
* 15.8 Ver Is
1.12-15; Am 5.21-24. O sábio traça aqui a vida religiosa de Israel, ilustrando
a estrutura do pacto, dentro do qual a sabedoria bíblica opera.
* 15.10 a vereda. Isto é, o caminho da
sabedoria divina (2.12-20). A disciplina será necessária para trazer o
indivíduo de volta ao caminho de Deus (v. 5; 12.1).
o que odeia a repreensão, morrerá. Ver 2.18 e
nota.
* 15.11 O além. No hebraico, sheol (1.12,
nota).
o abismo. Ver a
referência lateral. A morte é aqui retratada como uma espécie de encerramento
do indivíduo, da parte do Senhor. O Senhor penetra os segredos do sepulcro; e
quão mais fácil é para ele conhecer as nossas mentes (Sl 139.23,24).
* 15.12 O escarnecedor. Ver a nota
em 1.22.
* 15.13 Ver a nota
em 14.30.
* 15.15 banquete. Uma
metáfora sobre a alegria.
* 15.16 Quanto a
exemplos da forma de comparação "melhor... do que", ver a nota em
12.9. O temor do Senhor rende suas próprias riquezas (v. 6, nota).
tesouro onde há inquietação. Ver 10.2.
As riquezas que não têm origem em uma vida sábia, trazem consigo sementes de
destruição (Mc 10.25).
* 15.17
O contraste indica pobreza e riqueza. A qualidade de relacionamentos
familiares não está ligada às riquezas; a qualidade da hospitalidade está
alicerçada sobre os relacionamentos pessoais, e não sobre o alimento provido.
* 15.18 Ver
14.17,29; 15.1. A disposição das pessoas acalma ou acende uma rixa. Podemos
discordar sem sermos desagradáveis.
* 15.19 Ver
6.6-11; 10.4; 13.4.
retos. A palavra
é aqui usada como o oposto de "preguiçoso". Existe um laço implícito
entre a preguiça e a injustiça, entre a diligência e a virtude.
* 15.23 Os sábios
recebem grande satisfação por serem capazes de dar a palavra apropriada no
tempo certo.
* 15.24 Ver
2.18-22 e notas.
o inferno. Ver a nota
em 1.12.
* 15.25 Um
reconhecimento da retribuição divina final.
a casa dos soberbos. Ver 14.11.
a herança da viúva. Ver a nota
em Dt 19.14. Visto que a opressão sobre as viúvas era algo que realmente
ocorria (p.ex., Is 1.17,23; 10.2), este provérbio deve ser visto como uma
declaração de confiança de que a justiça de Deus finalmente terá cumprimento.
* 15.26 Tal como nos
vs. 8 e 9, manter um correto relacionamento com o Senhor é a definitiva
sabedoria.
* 15.27 ávido... suborno. Essas
linhas paralelas sugerem alguém cujas riquezas foram mal adquiridas. Nossa
insensatez usualmente repercute sobre aqueles que nos são próximos (1.19).
viverá. Ver 2.20-22
e notas.
* 15.28
O sábio e o justo reconhecem a necessidade de pesar cuidadosamente as
questões antes de dar conselhos.
* 15.29 Ver a nota
no v. 8.
* 15.30 O olhar de amigo. A idéia
parece ser que uma pessoa animada e radiante, ou uma bela cena, afetam a mente
do indivíduo da mesma maneira que boas notícias promovem o nosso bem-estar
geral. Ver a nota em 14.30.
* 15.32 menospreza a sua alma. A
insensatez é autodestrutiva.
* 15.33 Ver 1.7;
11.2 e notas.
* 16.1
Ocasionalmente, os sábios nos relembram que faz parte da responsabilidade
humana raciocinar e agir, e que isso não contradiz a soberania de Deus (vs.
2,9).
a resposta... vem do SENHOR. Essa frase
significa ou que Deus nos capacita a dar a resposta certa e efetuar os nossos
planos, ou que a resposta de Deus (sua palavra de decisão) é o poder real que
amolda os acontecimentos (19.21; cf. Fp 2.12,13).
* 16.2 espírito. As pessoas são capazes de
racionalizar quase qualquer tipo de comportamento, quando se esforçam por
justificar-se (12.15; 30.12). O conhecimento de Deus é uma advertência contra
tal auto engano (Hb 4.12; cf. 1Co 4.3-5).
* 16.3 Confia. Em Hebraico:
"Rola". A expressão é incomum. Pode significar que nossos planos
deveriam ser entregues aos cuidados do Senhor (Sl 37.5), ou planejados com a
aplicação consciente dos princípios da Palavra de Deus.
* 16.4 para determinados fins. Lit.,
"para sua resposta". A totalidade da criação, incluindo os ímpios e
seus atos, está sujeita à soberania de Deus e servem a seus propósitos (cf. Rm
9.17-23).
* 16.5 Ver
11.20,21.
* 16.6 Pela misericórdia e pela verdade. Essa
expressão resume a atitude dos sábios para com o Senhor (3.3; 14.22; 20.28). A
declaração é uma reprimenda à religiosidade formal, desacompanhada da
verdadeira fé.
* 16.7 agradável ao SENHOR. Seguir o
caminho de Deus produz efeitos reconciliadores e curadores sobre os
relacionamentos pessoais.
* 16.8 Ver
15.16,17 e notas.
* 16.9 Ver os vs.
1,2 e notas.
* 16.10
decisões autorizadas. A palavra
de um rei era lei, e ele tinha o direito de buscar a orientação do Senhor em
seus julgamentos. Davi falou como um mensageiro de Deus (2Sm 14.17,20), e
Salomão desejou possuir um coração discernidor (1Rs 3.9). O dom da sabedoria
que Deus deu ao rei não o dispensava da responsabilidade de buscar sabedoria e
de agir de acordo com a justiça.
* 16.11 Ver 11.1;
20.10,23; Am 8.5. Por detrás desta afirmativa há a visão da sabedoria de Deus
como aquele que estabelece e mantém a ordem justa que torna a vida
significativa. Quanto à lei contra os pesos falsificados, ver Lv 19.35,36; Dt
25.13-16.
* 16.12-15 A
sabedoria concernente à realeza não reflete somente o ideal de Salomão e de seu
sábio governo, mas também exprime o poder do rei para estabelecer a ordem justa
em seu reino.
* 16.15 a nuvem que traz chuva serôdia. Ver a nota
em Am 4.7,8. O favor do rei pode fazer a vida do indivíduo florescer como as
plantações durante a primavera.
* 16.16 As
comparações que usam a fórmula "melhor... do que" afirmam, sem
qualquer ambigüidade, a superioridade de uma coisa sobre outra, embora sem
dizer o por quê (12.9, nota). Que a sabedoria é melhor do que as riquezas
materiais é um tema comum da sabedoria (3.13-15; 8.10,11,19). Isso não
significa que as riquezas sejam, por si mesmas, indesejáveis (3.9,10; 1Rs
3.10-13; 10.7-9), mas somente que devem ser adquiridas como o fruto da sabedoria.
* 16.18 Ver 11.2 e
nota. Os soberbos são incapazes de aprender e, por isso, dirigem-se para a
destruição.
* 16.19 Ver o v.
16; 15.16 e notas.
* 16.21 a doçura no falar.
"Palavras de mel"; palavras que refletem a aptidão para a
comunicação.
* 16.22 fonte de vida. Ver 10.11 e
nota.
a sua estultícia lhe é castigo. Em outras
palavras, é uma insensatez corrigir os tolos, porque eles não darão ouvidos. O
hebraico também pode significar que a própria insensatez deles torna-se um
castigo apropriado para insensatos.
* 16.23 O coração. Ver a nota em 2.2. A pessoa
sábia fala de uma mente informada pela verdade.
* 16.24 Palavras agradáveis. Ver a nota
no v. 21. Tais palavras têm um valor curativo para os relacionamentos humanos e
para o bem-estar pessoal.
* 16.26 A fome do trabalhador. O mais
básico incentivo contra o ócio é a ameaça da fome (2Ts 3.10-12).
* 16.27 O homem depravado. Ver a
referência lateral; e também a nota em 6.12.
fogo ardente. Esta
metáfora enfatiza o poder destruidor das palavras vindicativas e caluniosas.
* 16.30 Quem fecha os olhos. Ver a nota
em 6.13.
* 16.31 quando se acham. A vida
reta é a vida sábia que promove a longevidade (3.2, nota). Os idosos são
honrados por sua sabedoria, aprendizado e experiência.
* 16.32 Melhor é o longânimo. Tal pessoa
traz calma e bom juízo, em qualquer crise (Tg 1.19,20).
* 16.33 A sorte. Ver a nota em Jn 1.7 e a
nota teológica "Providência", índice .
do SENHOR procede toda decisão. Quando o
lançar sorte era usado devidamente a resposta não era uma questão do acaso, mas
vinha de Deus.
* 17.1 farta de carnes, e contendas. Lit.,
"sacrifícios de contendas" (ver a referência lateral), talvez um
contraste com as ofertas pacíficas ou de comunhão (Dt 27.7). Pode haver
harmonia sem provisões abundantes.
* 17.2
Um privilégio herdado pode ser facilmente perdido para aqueles que,
mediante a diligência, mostram-se dignos de desfrutar do mesmo (11.29).
* 17.3 aos corações prova o SENHOR. As
comparações indicam que o Senhor usa as nossas experiências a fim de nos aprimorar.
Um teste de fogo não vem para nos destruir, mas para nos refinar.
* 17.4 O pecado
não está simplesmente no ouvir, mas no implícito desejo perverso de usar para o
mal aquilo que foi ouvido (cf. 16.27).
* 17.5 Ver 14.21
e nota.
* 17.6 os filhos dos filhos. O desejo
natural de todos os pais ter netos foi intensificado em Israel, onde as bênçãos
plenas da aliança, que jaziam no futuro, seriam possuídas pelos descendentes do
indivíduo (Sl 127.3; 128.1-6).
a glória dos filhos são os pais. Ver Êx 20.12.
Os pais são os guardiães e os professores mais influentes da verdade divina aos
seus filhos.
* 17.7 quanto menos ao príncipe, o lábio
mentiroso. Ver 8.15,16; 16.10,12,13 e notas.
* 17.8 o suborno. O ato de
subornar geralmente se mostra eficaz. Essa observação de um comportamento
humano corrupto é feito sem se passar julgamento moral (cf. o mordomo injusto
de Lc 16.1-9). O suborno é condenado em 15.27. A sabedoria rejeita o
pragmatismo em favor da obediência à lei de Deus.
* 17.10 Um tema
frequente da sabedoria: as pessoas sábias deixam-se ensinar. Em contraste, o
insensato não aprenderá de forma alguma (9.7-9).
* 17.11 O governo
foi instituído por Deus para a preservação da ordem na sociedade (Rm 13.1-5). A
rebeldia convida a retribuição oficial contra a tentativa de destruir a ordem
social.
* 17.16 para comprar a sabedoria. Os
insensatos não podem compensar a falta de sabedoria comprando uma educação.
* 17.18 Ver 6.1-3
e notas.
* 17.19 As linhas
paralelas deste provérbio vinculam o orgulho e as más ações com a luta e a
destruição, dando ao leitor assunto para sua reflexão.
* 17.21
Ver 10.1; 15.20 e 17.25.
* 17.22 Ver 14.30;
15.13,30 e notas.
* 17.23 Ver o v. 8
e nota.
* 17.24 O
contraste é entre a concentração sobre a tarefa do aprendizado da sabedoria e
os devaneios (12.11, nota).
* 17.25 Ver o v.
21 e nota.
* 17.27
Quem retém. Ou seja,
aquele que contém sua fala. Este provérbio contrasta com 16.27,28. Os sábios
sabem como controlar sua língua.
* 17.28 Este
provérbio é uma extensão hipotética do v. 27. Ironicamente, o insensato que tem
a esperteza de manter-se calado pelo menos mostra algum potencial para a
sabedoria.
* 18.1 O hebraico
é difícil. A primeira linha sugere que a pessoa inamistosa (no hebraico,
"alienado") busca somente os seus próprios interesses.
* 18.3 As
conseqüências sociais da insensatez e da perversidade são a perda da honra e da
autoestima.
* 18.4
Águas profundas são as palavras da boca
do homem. O sentido dessa frase é que as palavras de uma pessoa comum
são obscuras, ou que as palavras do sábio são profundas. Se admitirmos o
primeiro sentido, então a segunda linha contrasta tal obscuridade com a clareza
da sabedoria. Se o sábio é que está em pauta, então a segunda linha desenvolve
o tema. A ambigüidade pode até ser deliberada, deixando aberta a aplicação.
* 18.6,7 Ver 6.2;
10.11,14; 13.3; 14.3 e notas.
* 18.7
para a sua alma. Ou
"para a sua vida".
* 18.8 Faz parte
de nossa natureza humana pecaminosa ter um apetite para a maledicência.
* 18.9 Ver
6.9-11.
* 18.10 o nome do SENHOR. Na cultura hebraica,
um nome não era mero rótulo, mas usualmente uma expressão do caráter de uma
pessoa. O nome pactual de Deus, "Senhor", está associado a seu
caráter como Salvador de seu povo (Êx 3.13-15; 15.1-3, e notas).
Torre forte. A
segurança dos justos está baseada no caráter de Deus como um Salvador fiel.
* 18.11 Este
versículo forma um claro contraste com o v. 10 (cf. 10.15). A advertência
implícita é contra a confiança somente nas riquezas materiais (Lc 12.13-21).
* 18.13 Os
insensatos vociferam opiniões sobre assuntos que eles não procuraram ouvir com
cuidado. A pessoa deve escutar bem antes de começar a falar.
* 18.14 Ver 14.30
e nota.
* 18.16 Neste
caso, o presente não é, necessariamente, um suborno, mas os efeitos práticos de
um presente são vistos (17.8, nota).
* 18.17 Um
argumento, em uma disputa, pode ser persuasivo até ser desafiado pelo outro
lado. Esta parte da sabedoria prática salienta a importância de chegarmos à
verdade.
* 18.18 Pelo lançar da sorte. Se a
decisão vier de fora, as partes em contenda podem ambas descansar.
* 18.19 O irmão ofendido. O
significado preciso deste versículo é incerto. O seu intuito aparente é que a
reconciliação é difícil.
* 18.20 Do fruto da boca. Ver 12.14;
13.2 e notas.
se satisfaz.
Provavelmente uma metáfora dos resultados construtivos da fala sábia, que
promove relacionamentos transmissores de vida.
* 18.21 O ato de falar pode trazer o bem ou o dano. A
pessoa que gosta de falar deve averiguar quais são seus efeitos.
* 18.22 uma esposa. Fica entendido que ela é
uma boa esposa, como aquela descrita em 31.10-31 (12.4; 19.14 e notas).
a benevolência do SENHOR. Ver a nota
em 8.35.
* 18.23
Este provérbio está baseado sobre uma observação realista da dura
realidade das desigualdades da vida, por causa dos efeitos do pecado.
* 18.24 O homem que tem muitos amigos. O
contraste parece ser entre dois tipos de companhia: aqueles cuja amizade é
superficial e que causa tribulações; e o amigo raro, que é leal como um irmão
(17.17).
* 19.2 Não é bom proceder sem refletir...
precipitado. Ou seja, alguém que se precipita sem um planejamento
apropriado. A sinceridade e a energia, por si mesmas, erram o alvo (Rm 10.2).
* 19.3 Os
pecadores trazem seu próprio infortúnio, mas culpam Deus por isso.
* 19.4 Um fato
comum da vida, dito sem qualquer julgamento moral (vs. 6,7; 18.23), embora a
parcialidade pecaminosa seja óbvia (Tg 2.1-4).
* 19.5 Ver o v.
9. Em uma sociedade bem ordenada, o perjúrio é um crime sério que é severamente
punido (cf. Êx 20.16). A retribuição divina não está em foco aqui, mas antes,
as exigências de uma ordem social normal.
* 19.6,7 Ver o v. 4
e nota.
* 19.8 ama a sua alma. Ou então,
"ama a vida". A sabedoria promove relações que são essenciais para o
bem viver.
* 19.9 Ver o v.
5, e nota.
* 19.10 Ao insensato... a vida regalada. Um
insensato não sabe lidar com a responsabilidade das riquezas. É possível que
este versículo refira-se a um insensato em uma posição de autoridade
administrativa, e não em uma posição de riqueza.
ao escravo dominar os príncipes. Essa
situação é imprópria, não somente porque os oprimidos tornam-se agora os novos
opressores, mas porque é algo incongruente para aqueles que não estão social e
intelectualmente preparados para governar a sociedade. Mas comparar 2Sm 7.8
quanto à exceção.
* 19.11 o torna longânimo. Ver
14.17,29; 16.32 e notas. A disciplina é uma das marcas do homem sábio. Uma
auto-avaliação apropriada impede-o de ofender-se diante de cada pequeno
insulto.
* 19.13 Ver 10.1;
17.21.
as contenções. Ou
"amolações". Relacionamentos mais íntimos têm um potencial para uma
maior destruição.
um gotejar contínuo. Como um
telhado com goteiras, que torna uma casa impossível de habitar quando chove
(27.15).
* 19.14 Este
provérbio não deixa entendido que o Senhor, não esteja exercendo, em última
análise, controle sobre a herança das riquezas. Antes, ele enfatiza que o
resultado da escolha do indivíduo quanto à sua esposa não é tão fácil de
predizer ou controlar. Um casamento feliz é, realmente, motivo para se
agradecer a Deus.
* 19.15 Ver
6.10,11; 10.4 e notas.
* 19.16
o mandamento. Ver a nota
em 3.1.
esse morre. Ver 2.18,
e nota.
* 19.17 O Senhor
recompensa àqueles que demonstram ter compaixão pelos pobres.
* 19.18 Castiga. Ver 3.11 e nota.
esperança. Ou seja,
razão para esperar um resultado desejado.
não te excedas a ponto de matá-lo. Isto é, não
contribuas para a sua morte prematura por falhar em discipliná-lo e corrigi-lo.
* 19.21 Ver 16.1,9
e notas.
* 19.22 misericórdia. Ou
"lealdade".
é preferível ao mentiroso. Um amigo
leal, embora pobre, é melhor do que um amigo traiçoeiro.
* 19.23 O temor do SENHOR. Ver 1.7;
2.5 e notas. "O temor do Senhor", neste passo bíblico, provavelmente
sirva de sinônimo da sabedoria da qual o Senhor é o sábio Autor (Tg 3.17).
conduz à vida. Ver 3.18 e
nota.
ficará satisfeito. Ou então,
"dormirá seguro", sob os cuidados do Senhor.
* 19.24 Este
provérbio é um comentário humorístico sobre o preguiçoso (6.6, nota). O quadro
de uma pessoa preguiçosa demais para alimentar-se, reflete a situação de
6.10,11. Esse tal nem ao menos tem a vontade da autopreservação.
* 19.25 escarnecedor. Ver a nota
em 9.7.
o simples aprenderá a prudência. Ver 1.4 e
nota. O zombador merece ser castigado, e a mente capaz de ser ensinada do
simples observa as instruções recebidas e aprende, e assim é impedido de cair
em insensatez semelhante.
* 19.26 O significado deste versículo é claro,
especialmente quando visto contra o pano-de-fundo do propósito divino para os
relacionamentos familiares (17.6; Êx 20.12).
* 19.28 de Belial. Ver a referência lateral;
nota em 6.12.
* 19.29 Ver o v.
25; 10.13; 14.3. Mesmo que o castigo não detenha os tais, é merecido.
* 20.1 escarnecedor. O vinho
zomba da pessoa que cai sob seu encanto, ou mais provavelmente, torna o
indivíduo um escarnecedor (9.7, nota).
não é sábio. Ou é uma
insensatez ficar embriagado, ou a pessoa intoxicada não pode agir sabiamente.
* 20.2 Ver 16.14.
* 20.3
Ver 15.18; 17.14.
* 20.4 Ver
6.6-11.
* 20.5
sabe descobri-los. Se as "águas profundas" referem-se a alguma
verdade profundamente escondida "no coração", então a pessoa sábia é
vista como alguém que é capaz de extrair tal sabedoria para a superfície, e
dar-lhe expressão (18.4, e nota).
* 20.6 Muitos
professam ter tal benignidade (ver a referência lateral), mas poucos a praticam
em seu relacionamento com outras pessoas.
* 20.7 Ver 13.22
e nota; 14.11.
O justo. Ver 8.18
e nota.
* 20.8 Ver o v.
26. Um rei sábio pode discernir entre o trigo e a palha, entre o bem e o mal.
* 20.9 Ver 16.2 e
nota. A resposta a esta pergunta deve ser simplesmente, "ninguém"
(1Jo 1.8).
* 20.10 Ver 11.1 e
nota.
* 20.11
criança. A palavra hebraica correspondente cobre um grande leque de
idades, desde a infância até ao início da vida adulta.
* 20.12 Dois dos
principais meios de se obter conhecimento são dados por Deus, e, portanto, são
dignos de confiança. Pode haver aqui uma advertência implícita contra o uso
errado dos mesmos.
* 20.13
Ver 6.6-11; 10.4; 19.15 e notas.
* 20.14 Um
comentário humorístico sobre os costumes do mercado, onde a barganha é um bem
estabelecido ritual social.
* 20.15 Ver
3.13-15; 8.10,11; 16.16. As riquezas materiais não são condenadas, mas a
sabedoria aparece como mais desejável do que elas.
* 20.16
Tome-se a roupa. A roupa é a garantia tomada para que se faça um
empréstimo (Dt 24.6, nota). Este versículo provavelmente é uma advertência para
ser cuidadoso com dinheiro em negócios com pessoas que se arriscam ou que não
são dignas de confiança.
* 20.17
o pão. Essa é uma metáfora para as
riquezas materiais, as quais, quando buscadas desonestamente, não satisfazem.
* 20.18 Calcule-se
o custo e nada se deixe ao mero acaso (1.5; 15.22; cf. Lc 14.28-32).
* 20.20 apagar-se-lhe-á a lâmpada. Ver 13.9 e
nota. A morte sobrevirá, ou por meio da sociedade que executará a lei, ou pela
retribuição divina, ou ainda pelas conseqüências indiretas de tal enorme
pecado.
* 20.21
A posse antecipada de uma herança. Ou seja,
prematuramente, antes de se obter a sabedoria para se lidar com ela, ou através
de meios errados.
* 20.22 Essa
orientação é paralela ao princípio ensinado em Dt 32.35 e Rm 12.19, advertindo
contra tomar-se a lei nas próprias mãos e solapando a ordem da sociedade. O
livramento não é nacional (Dt 32.35,36), mas, sim, individual, possivelmente
por meio de devidos processos legais, mas tendo em última análise o próprio
Senhor como sua fonte.
* 20.23 Ver o v.
10 e nota.
* 20.24 Ver 16.1,9
e notas; 19.21. Tais passagens indicam as limitações do conhecimento obtido por
meio da observação. Somente os propósitos soberanos de Deus são exatos.
* 20.25
É santo. Ou seja,
dedicado a Deus. Um voto precipitado que não pode ser honrado é pior do que não
fazer voto nenhum (Ec 5.4-7).
* 20.26 Ver o v. 8
e nota. Um rei sábio tem a capacidade de discernir.
* 20.27 a lâmpada do SENHOR. Uma
metáfora para o olho perscrutador de Deus, que conhece nossos pensamentos mais
íntimos (cf. o v. 24).
* 20.28 Amor e fidelidade. Essas
virtudes podem referir-se à atitude do rei para com os seus súditos, o que
estabelece uma sociedade estável e um trono seguro (3.3; 14.22 e notas).
Entretanto, é provável que a frase tenha sido usada aqui para falar sobre o
pacto de Deus com a dinastia de Davi (2Sm 7.11-15).
* 20.29 Ver 16.31
e nota. Enquanto que a força física diminui com a idade, a sabedoria deveria
aumentar.
* 20.30 O castigo
corporal tem utilidade para sondar a consciência, mas é preciso a sabedoria
para se saber quando e como devemos aplicá-lo.
* 21.1 o coração do rei... Senhor. Possivelmente
uma referência à soberania de Deus, até mesmo sobre os reis pagãos, que cumprem
a sua vontade mesmo quando não querem fazê-lo (p.ex., Ciro, em Is 45.1), ou ao
rei de Israel que, à semelhança de Salomão, recebeu uma bênção especial sob a
forma da sabedoria de Deus (16.10 e nota). Ver "Deus Reina: a Soberania
Divina", em Dn 4.34.
* 21.3 Ver o v.
27. Os temas proféticos tais como esse (1Sm 15.22; Is 1.11-17) raramente são
encontrados na literatura de sabedoria (15.8, nota).
* 21.4 Olhar altivo. Ver 6.17.
Essa expressão descreve o orgulho e a arrogância, similar ao "coração
orgulhoso".
* 21.5 No v. 25 e
em 19.15, a pobreza é resultado da preguiça. Aqui ela resulta de ações
precipitadas e sem sabedoria.
* 21.6 O hebraico
é difícil (ver referência lateral). O significado deste provérbio provavelmente
é similar ao de 20.17 (nota).
* 21.7 os arrebata. Ou seja,
os "prenderá na armadilha". Ver 1.17,19 e notas; 12.13.
* 21.8 reto. Ver a nota em 14.2.
* 21.9 no canto do eirado.
Provavelmente a referência é a um pequeno sótão construído sobre o teto plano
comum nas casas.
a mulher rixosa. Ver o v.
19; 19.13 e nota. Essa esposa é o oposto da mulher prudente de 19.14.
* 21.10
o mal. Aquilo que é destrutivo nos
relacionamentos humanos.
* 21.12 O Justo. O hebraico pode ser
traduzido por "a pessoa justa", mas faz mais sentido traduzi-lo como
uma referência a Deus. A retribuição divina é então afirmada com base na
justiça de Deus, em vez de ser afirmada com base na observação humana.
* 21.14 Ver 17.8;
18.16 e notas.
* 21.15 A
manutenção da verdadeira ordem (justiça) estabelece o bem-estar daqueles que
vivem de acordo com ela. Mas aqueles que transgridem essa boa ordem são
condenados. Os sábios discernem essa ordem divina, providencial, que, embora
maculada pelo pecado, é até certo ponto mantida no mundo. Deus preserva essa
ordem e é nossa tarefa perceber essa sua ordem para vivermos de acordo com a
mesma. Em seu centro estão a Palavra de Deus e a nossa fiel obediência à ela.
Essa obediência é o que se entende pelo "temor do Senhor".
* 21.16 Este
provérbio contrasta os caminhos da vida e da morte (2.18; 3.18 e notas).
Abandonar a sabedoria é abandonar a própria vida, e terminar entre os mortos.
* 21.17
o vinho e o azeite. Essas
palavras aqui sugerem extravagância, especialmente nos banquetes.
* 21.18 Ver 11.8 e
nota. Um resgate é uma quantia paga para a soltura de alguém. Entretanto, este
provérbio não depende desse sentido específico, mas indica, em termos gerais ao
juízo final, quando os justos serão vindicados e os ímpios serão derrotados.
* 21.19 Ver 19.13;
21.9 e notas.
* 21.21
Aqueles que cultivam relacionamentos corretos e a lealdade, encontram
benefícios duradouros na vida (v. 16 e nota).
* 21.22 Ver 16.32
e nota. A força não é páreo para a sabedoria. Uma figura semelhante é aplicada
à batalha espiritual, em 2Co 10.4.
* 21.23
Ver 13.3; 15.23; 18.13 e notas.
* 21.24
zombador. Ver 9.7 e
nota; 19.25.
* 21.25
desejando. Esse
desejo não o vincula ao mundo real, onde o trabalho traria as suas recompensas
(13.4; 19.24 e notas).
* 21.26 Este
provérbio parece ser uma continuação do v. 25. Se não, trata-se de um contraste
entre a ganância e a abnegação.
* 21.27 Ver o v.
3; 15.8 e notas.
* 21.28 Ver 14.25;
19.5,9 e notas.
* 21.29 mostra dureza no seu rosto. O homem
perverso apela para a rispidez em suas negociações com outras pessoas.
considera o seu caminho. Indica que
a pessoa reta importa-se em viver segundo a verdade e suas conseqüências.
* 21.30 Os limites
da compreensão humana devem ser reconhecidos à luz da sabedoria e da soberania
de Deus. O temor do Senhor (1.7, nota) coloca-nos em contato com a sabedoria
revelada de Deus. Mas Deus é sábio além daquilo que ele nos revela, e essa
sabedoria não-revelada não pode ser compreendida por nós.
* 21.31 Este
versículo aceita como certo que as pessoas farão preparativos apropriados para
atingir os seus alvos, ao mesmo tempo em que reconhecerão que o resultado
depende de Deus.
* 22.1 o bom nome. Uma boa
reputação é uma das conseqüências sociais da sabedoria.
do que as muitas riquezas. As riquezas
não são desencorajadas, mas postas em uma correta perspectiva (16.16, nota).
* 22.2 se encontram. A despeito
das desigualdades desta vida, tanto os ricos como os pobres estão debaixo de
Deus como seu Criador e Juiz.
* 22.3 O prudente... os simples. Ver 1.4 e
nota.
* 22.4 da humildade e o temor do SENHOR. Ver 1.7;
15.33 e notas.
riquezas e honra e vida. Uma vida
governada pela sabedoria tende à prosperidade. Os sábios de Israel salientavam
que um correto relacionamento com o Senhor é a sabedoria final que estimula a
vida (3.2,18; 8.18 e notas).
* 22.5 Espinhos e laços. Essas são
metáforas para os infortúnios da vida que se derivam de um transtorno da
verdadeira ordem doadora da vida (cf. 15.19).
o que guarda a sua alma. Isto é,
estabelecendo a sua vida sobre a sabedoria de Deus.
* 22.6 Ensina a criança. A expressão
hebraica inclui a idéia de inauguração, ou iniciar a vida de uma criança em um
caminho específico. Esse caminho é o caminho da sabedoria (1.22, nota). A verdadeira
sabedoria mantém-se por ter a humildade para continuar a aprender no caminho.
Ver "A Família Cristã", em Ef 5.22.
* 22.7 Uma
simples observação da realidade presente: neste mundo, as riquezas materiais
representam poder (10.15 e nota).
* 22.8 A insensatez
transgride a ordem divina, provocando as punições da tristeza e da dissolução
(Os 8.7; Gl 6.7-9).
* 22.9 O generoso. Aquele que
se inclina favoravelmente para com os necessitados. Nosso próprio bem- estar
está ligado ao bem-estar de outras pessoas, de tal modo que aquilo que fazemos
para o benefício delas também nos beneficia (19.17).
* 22.10 o escarnecedor. Ver 9.7 e
nota. A harmonia social não pode existir se há alguém que procura acirrar os
desentendimentos.
* 22.11 o rei. Ver 8.15,16; 14.35;
16.12,13; 20.26 e notas.
* 22.12 Os olhos do SENHOR. Ver 15.3;
20.8,27 e notas. O Senhor é o guardião da verdade.
* 22.13 o preguiçoso. Ver 6.6 e
nota. Com humor e ironia o provérbio zomba das desculpas do preguiçoso a fim de
evitar o trabalho.
* 22.14
Ver 5.3-5; 6.24; 7.5,14-21. Aqui a queda do insensato é atribuída à ira
de Deus.
* 22.15 A estultícia está ligada ao coração da
criança. A propensão inata da natureza humana caída pende para a
insensatez.
a vara da disciplina. A vara
pode aplicar-se a uma larga gama de medidas disciplinares, incluindo o castigo
corporal (13.24; 29.15). A disciplina é uma tarefa educacional da sabedoria,
sendo algo necessário até que a criança aprenda a autodisciplinar-se.
* 22.16 O hebraico
aqui é de difícil tradução. Conforme o texto é aqui traduzido, tanto a opressão
contra os pobres quanto o comprar favores dos ricos, leva o indivíduo à
pobreza.
* 22.17—24.22 Esta seção
é uma coletânea de afirmações sábias principalmente sob a forma de instruções
(Introdução: Características e Temas). Há evidências de que a primeira parte
(22.17—23.11) aproveitou-se da sabedoria egípcia de Amenemope (cf. 4.1-27,
nota). Nesse caso, esses discernimentos foram conscientemente apropriados como
admoestações que ajudam a pessoa a satisfazer as obrigações do pacto de
"confiar... no Senhor" (22.19). O autor dos Provérbios, tal como os
historiadores da Bíblia, não foi impedido, em princípio, de usar os materiais
existentes no processo da escrita daquilo que Deus inspirou.
* 22.17-21 Esta seção
introdutória exorta o ouvinte a dar atenção e ouvir, e também indica alguns dos
benefícios desse aprendizado.
* 22.17 aplica o teu coração. Pensar com
cuidado (2.2 e nota).
* 22.18 aplicares todos aos teus lábios. As
declarações interiorizadas estão prontas para serem usadas.
* 22.19 Essa
declaração exprime o ponto-de-vista bíblico da sabedoria (3.5, nota).
* 22.20
excelentes coisas. Ou,
"trinta declarações". Esta última tradução é preferível, visto que a
seção de 22.17—24.22 divide-se em trinta partes, que é formalmente semelhante à
disposição de trinta capítulos de Amenemope (22.17—24.22, nota).
* 22.22,23 Uma breve
instrução que lança luz sobre a ameaça da retribuição divina. O Senhor é
retratado aqui como o advogado legal dos pobres (Sl 9.18, nota).
* 22.24,25 O perigo
das amizades destituídas de sabedoria é desmascarado em 1.10-19; 12.26.
* 22.24 o iracundo. Essa pessoa perde
facilmente o autocontrole (14.17; 15.18 e notas).
* 22.26,27 Ver 6.1-5
e notas.
* 22.28 Ver 15.25
e notas. Em 23.10,11 é dado o mandamento contra o contexto no qual é dada a
determinação divina de defender os oprimidos.
* 22.29 um homem perito. No
hebraico, "que é rápido". Essa velocidade no trabalho vem de
habilidades bem aprendidas, e não por tomar atalhos.
Perante reis será posto. Essas
palavras são uma exortação indireta na direção da excelência que, como no caso
das escolas egípcias dos sábios, era o caminho da promoção para um serviço mais
elevado (22.17—24.22, nota).
* 23.1-3 Os
versículos à nossa frente contêm uma advertência, possivelmente dirigida a um
diplomata, contra a perturbação exagerada nos prazeres da mesa, em companhia de
algum governante.
* 23.1 para aquele que está diante de ti. O sentido
da frase é: "Não permitas que o banquete te excite com a gula"; ou
então: "Mantem-te atento quanto ao grande governante, e não quanto à
comida".
* 23.3 são comidas enganadoras. A
glutonaria pode solapar as relações humanas, e todas as suas vantagens.
* 23.4,5 Não vale a
pena arruinar a própria saúde em troca de riquezas que têm o hábito de
desaparecerem como uma ilusão.
* 23.6 do invejoso. O sentido
é incerto; mas o contexto sugere uma pessoa cuja hospitalidade não é sincera,
talvez por motivos ocultos.
* 23.8 Vomitarás. Uma
metáfora que indica o relacionamento estragado e o sentimento de desgosto
diante da falta de sinceridade do hospedeiro.
* 23.9
Esta breve instrução repete o significado de provérbios como o de 9.7,
que indicam que o insensato não pode ser ensinado (cf. Mt 7.6).
* 23.10,11 Ver 22.28
e nota.
* 23.11 o seu Vingador. Na antiga
sociedade de Israel, o redentor (no hebraico, goel) ajudava outro membro
da família, que sofria de grande necessidade (Rt 2.20 e nota). O termo é aplicado
com freqüência a Deus, em seu ato salvífico em favor de seu povo (p.ex., Jó
19.25; Sl 19.14; Is 41.14; 43.14; 44.24), conforme é aplicado aqui.
* 23.13,14 Ver 13.24;
19.18; 22.6,15 e notas.
* 23.13 não morrerá. O sentido
é que tal castigo corporal não haverá de prejudicar indevidamente a criança, ou
então que a disciplina evitará que a criança morra (o significado do v. 14).
* 23.14 do inferno. Ver 9.18, nota.
* 23.17,18 Essa
instrução reflete o relacionamento da aliança de Israel e as promessas de Deus
(1.7, nota). Ultrapassa as preocupações práticas e imediatas da sabedoria para
com a revelação que sustenta o justo sofredor. Ver as notas em 1.19; 11.8.
* 23.17 temor do SENHOR. Ver 1.7 e
nota.
* 23.18 bom futuro... a tua esperança. A palavra
"futuro" (literal) pode ser uma referência a uma esperança da vida e
de vindicação, após a morte. Mais provavelmente, entretanto, refere-se a uma
vida longa e plena.
* 23.19-21 Más
companhias, alcoolismo e glutonaria são exemplos de uma vida insensata, que
facilmente pode tomar conta de um homem.
* 23.22-25 Instruções
dadas a crianças quanto a corretos relacionamentos familiares. Esses princípios
são derivados do quinto mandamento (Êx 20.12), e são testificados pelas
observações discernidoras dos sábios quanto a relacionamentos humanos
harmônicos e alegres.
* 23.26-28 Uma
advertência contra mulheres imorais (2.16-19; 5.1-20).
* 23.26 Dá-me... o teu coração. Ou seja,
presta atenção (2.2, nota). Os mestres da sabedoria requerem uma atenção fixa e
a confiança em seus ensinos.
* 23.27 cova profunda. A figura é
de uma cova para prender animais.
a alheia. Lit.,
"a mulher estrangeira", um termo usado para indicar pessoas imorais
ou adúlteras (2.16, nota).
poço estreito. É
impossível de escapar (Jr 38.6).
* 23.28 os infiéis. Lit.,
"traiçoeiros", indicando a infidelidade conjugal.
* 23.29-35 Os perigos
do alcoolismo são apresentados sob a forma de um enigma. Os efeitos são vistos objetivamente
(v. 29) e subjetivamente (vs. 33-35). Os valores da sabedoria bíblica são
justamente os contrários: domínio próprio, percepção clara da realidade, e
relacionamentos positivos.
* 23.30 bebida misturada. Ver 9.2 e
nota.
* 23.31
olhes para o vinho, quando se torna
vermelho. As ocasiões em que o vinho parece especialmente desejável
requerem cautela em seu uso.
* 23.32 morderá como a cobra. A ressaca,
que é uma conseqüência natural do alcoolismo, é como uma picada de serpente.
* 23.33 coisas esquisitas... perversidades. Essas
palavras sugerem alucinações e pensamentos confusos.
* 23.34 no meio do mar... no alto do mastro. Duas
metáforas náuticas que exprimem a sensação de tonteira que o alcoolismo produz.
* 23.35 e não me doeu. Amortecido pela
bebida, o beberrão nem percebe os ferimentos que recebe.
tornarei a beber. O
alcoólatra anela por mais a despeito da angústia que sente.
* 24.1,2 Ver o v. 19.
* 24.2 o seu coração maquina violência. Existem
pessoas deliberadamente más que usam todo o seu intelecto e determinação para
prejudicar o próximo.
* 24.3,4 sabedoria... inteligência... conhecimento. Essas três
palavras são usadas como sinônimos da percepção e dos cuidados com os corretos
relacionamentos. A verdadeira sabedoria aplica-se ao profissional hábil nas
construções (tal como em Êx 36.1), aos relacionamentos humanos e à obtenção
legítima da prosperidade material.
* 24.3 edifica-se a casa.
"Casa" refere-se literalmente a uma casa na qual devemos viver, ou é
uma metáfora para indicar a família, ou
mesmo uma dinastia (2Sm 7.11,12).
* 24.4 bens. Ou as riquezas materiais
(p.ex., as riquezas de Salomão), ou metaforicamente, a beleza de bons
relacionamentos familiares.
* 24.5,6 Ver 11.14;
21.22 e notas.
* 24.7 alta demais. É
inalcançável para os insensatos, por não se deixarem ensinar.
no juízo. Ou seja, no
portão da cidade, o lugar tradicional para conselho ou julgamento.
* 24.8 mestre de intrigas lhe chamarão. Em uma
sociedade bem ordenada, os valores sociais atuam beneficamente para suprimir o
mal. Aqui aquele que planeja intrigas sai envergonhado.
* 24.9 Os desígnios do insensato são pecado. Ver v.2 e
nota. A insensatez não é falta de intelecto, mas a rebelião ativa contra a
verdade e a ordem que se deriva dele.
é abominável aos homens. Ver v.8 e
nota.
* 24.10 A força moral do indivíduo é vista somente quando ele é
verdadeiramente testado.
* 24.11,12 É melhor tratar destes dois versos
juntos. Ninguém pode usar a desculpa de ignorância para evitar a
responsabilidade ao outro em necessidade.
* 24.12 aquele que pesa os corações. A prestação de contas de alguém a
Deus é ressaltada. Aqui é considerado o eterno mais do que as conseqüências
meramente sociais na falha em ajudar os outros.
* 24.13 saboreia o mel. Esta referência ao mel não é meramente uma metáfora.
Boa comida, uma parte da vida próspera, é um interesse de sabedoria (25.16; Ec
9.7,8; Ct 5.1).
* 24.14 sabe que assim é a sabedoria. A sabedoria sustenta nossa vida
interior como o mel sustenta o corpo.
bom fruto. Isto é, esperança
para o futuro (ver referência lateral; também 23.18 e nota).
* 24.15,16 A idéia é que Deus não permite ao injusto prosperar
permanentemente. Por outro lado, o justo pode sofrer muitas adversidades, até
que Deus, por fim, venha a vindicá-los.
* 24.17 não te alegres. Por si
mesmo, este versículo faria perfeito sentido, ao subentender que a compaixão
não deveria ser negada inteiramente a qualquer outro ser humano. Apesar do
motivo citado no v. 18 parecer inicialmente ser vindicativo ensina que quando
não demonstramos bondade para com um nosso inimigo, merecemos a ira de Deus
mais do que o nosso inimigo.
* 24.19 aflijas. Lit., "ficar
quente", ou seja, ficar agitado ou vexado.
nem tenhas inveja. Ver o v.
1.
* 24.20
não terá bom futuro. Ou seja,
"esperança futura" (v. 14; 23.18 e nota).
* 24.21 Teme ao Senhor. Ver 1.7 e
nota.
e ao rei. Na
sociedade israelita, baseada na aliança, o rei tornava-se o exemplar de
sabedoria e o agente do governo de Deus (cf. Dt 17.14-20 e notas).
* 24.22 a ruína que virá daqueles dois. Isto é, a
justa retribuição de Deus e do rei.
* 24.23-25 A justiça é essencial. Uma sociedade
bem ordenada, é aquela na qual a justiça é feita e é vista ser feita. Isso
complementa as normas dadas nos vs. 21,22.
* 24.26 Como beijo nos lábios. Esta
comparação com a mais íntima expressão de amizade, ilumina o valor de uma
resposta justa e certa (cf. 27.6).
* 24.27 edifica a tua casa. Ou a
estrutura física, ou a família (v. 3, nota). Ambas essas coisas requerem uma
firme base econômica, como aquela que é provida pelos produtos da colheita,
antes que possam ser feitas.
* 24.28,29 Se, conforme parece provável, esses
dois versículos formam um par, há mais em jogo do que a necessidade de se
evitar dar falso testemunho (6.16,19). A vingança nasce da ira e do calor da
paixão. A perda do controle, descrito no v. 29, é o contrário do domínio
próprio exigido pela sabedoria bíblica.
* 24.30-34 Ver 6.6-11
e notas.
* 25.1 provérbios de Salomão. Ver
Introdução: Autor; nota em 1.1.
Ezequias. Ele foi
rei de Judá no tempo da destruição do reino do norte de Israel. Ezequias
executou reformas rigorosas quanto às práticas religiosas corruptas de Judá.
Esta introdução de uma nova seção do livro de Provérbios mostra que Ezequias
não somente promoveu um retorno à lei de Moisés, mas também encorajou o
movimento de sabedoria através da atividade literária.
transcreveram. O
desenvolvimento de uma classe escribal em Israel foi ditado pelas necessidades
religiosas e administrativas da nação. A palavra hebraica aqui usada indica
transmissão e pode significar submeter a tradição oral à forma escrita, ou
então transcrever algo que já estava escrito.
* 25.2 Desde a
criação já se pode ver que a sabedoria de Deus ultrapassa todo o conhecimento
humano (Sl 92.5; 147.5; Is 40.12-17; Rm 1.20). O rei, na qualidade de servo de
Deus, fazia inquirições investigando quanto às questões que diziam respeito ao
seu governo, e ele deve ser admirado por seu sucesso ao descobrir o que ele
precisa saber (16.12-15; 20.8,26; 25.3,5 e notas).
* 25.3 insondável. O mesmo
verbo usado no versículo dois foi usado aqui na forma negativa. O conhecimento
que o rei havia adquirido através de esforços e das decisões reais baseados
sobre esses esforços são reflexões do governo de Deus, alicerçado na sua
sabedoria. Entende-se que o rei governava mediante a nomeação de Deus (cf. Rm
13.4).
* 25.4,5 Sem importar quão hábil seja o artífice, ele
precisa ter um bom material com o qual trabalhar. Por semelhante modo, o rei
precisa de uma sociedade expurgada de maus elementos, se ele tiver de
estabelecer um governo justo. A boa ordem na sociedade não pode simplesmente
ser ordenada do trono.
* 25.6,7 A
sabedoria da corte real observa um protocolo não-declarado. Ela repreende a
vaidade pessoal e o interesse próprio que se exacerba e leva à humilhação. É
melhor começarmos humildes e então sermos exaltados. Jesus adaptou essa
instrução para falar de nosso lugar no reino de Deus (Lc 14.7-11).
* 25.8 a litigar. (Ver referência lateral).
Esse princípio pode aplicar-se mais amplamente à necessidade de prudência no
falar que reflite no caráter de outras pessoas.
* 25.9
não descubras o segredo de outrem. Não
envolvas outros em uma disputa.
* 25.10 e não se te apegue a tua infâmia. A traição
da confiança levará a uma reputação de deslealdade.
* 25.11 Lit.,
"maçãs de ouro em salvas de prata, uma palavra aptamente dita". Esse
tipo de comparação proverbial simplesmente coloca duas coisas ou mais lado a
lado (cf. v. 18), deixando que o leitor solucione a natureza da comparação. A
importância das palavras bem escolhidas, um tema de sabedoria comum, é
iluminada por sua comparação com objetos de arte que são obras-primas.
* 25.12 Uma
comparação semelhante de idéias acha-se no v.11. Duas peças de joalheria são
postas juntas como paralelo a uma boa relação entre a reprimenda do mestre
sábio e um aluno receptivo. A comparação implícita diz que ou uma reprimenda é
tão valiosa como finas jóias de ouro, ou que uma reprimenda sábia e um ouvido
receptivo andam juntas, como jóias que se complementam.
* 25.13 Como o frescor de neve. O quadro
não vê uma nevasca sem razão, que seria desastrosa para a colheita, e, sim, um
refrigério (cf. o v. 25).
* 25.14 Os
habitantes da Palestina com freqüência tinham a experiência de nuvens que
prometiam chuvas, mas que se mostravam secas (Jd 12). Tal provérbio pode ser
aplicado hoje em dia àqueles que buscam exercer poder e influência, quer
política quer pessoal, fazendo promessas que não são cumpridas.
* 25.15 A longanimidade. Ou seja,
mostrando-se lento em irar-se e não reagindo às provocações.
esmaga ossos. Mediante
uma diplomacia gentil, uma forte resistência é quebrada.
* 25.16,17 O que mui
provavelmente eram declarações distintas foi aqui aglutinado para reforçar a
mensagem que elas têm em comum: Deves saber quando parar; o mel é bom para
qualquer pessoa, mas em exagero adoece a pessoa; a amizade entre vizinhos é
boa, mas uma familiaridade excessiva pode abusar da privacidade alheia. Os
relacionamentos precisam ser sabiamente definidos.
* 25.18 O falso
testemunho pertence ao mesmo grupo que as armas de guerra, porquanto são todos
instrumentos letais, usados para assaltar o bem-estar de outrem.
* 25.20 vinagre sobre feridas. Uma outra
tradução possível é "vinagre sobre a soda" (um agente purificador
como a soda para cozer). Da mesma maneira que tirar a capa de alguém ou
derramar vinagre sobre feridas causa dor, assim também o faz a frivolidade na
presença da tristeza (Sl 137.3,4; Rm 12.15).
* 25.22 amontoarás brasas vivas sobre a sua cabeça. O
significado dessa metáfora deve ser determinado por seu contexto (ver o v. 21).
O apóstolo Paulo (Rm 12.2) usa-a aqui como uma figura para vencer o mal com o
bem. Sl 140.10 usa também essa frase como uma descrição do castigo. O sentido
mais provável é a penitência através de um doloroso senso de vergonha. Alguns
associam essa figura com um rito penitencial egípcio no qual brasas eram
transportadas na cabeça para mostrar contrição. Mas este provérbio comenta
sobre a recompensa divina: "O Senhor te retribuirá". Ver a nota em 1.7.
À
parte Êx 23.4,5, Israel raramente foi ordenado se mostrar bondoso para com seus
inimigos. Provavelmente isso se dava por causa do significado dos adversários
como aqueles que não somente se opunham ao reino de Deus, mas também ameaçavam
a sobrevivência de Israel como o povo messiânico. Jesus desenvolveu as
implicações do evangelho para o tratamento dos inimigos pessoais, em Mt
5.43-48.
* 25.23 Note a
inevitável relação de causa e efeito expressa em ambas as linhas.
* 25.24 Ver 21.9 e
nota.
* 25.25 Quanto à
forma deste provérbio, ver a nota no v. 11.
* 25.26 o justo. Ver a nota em 8.18.
* 25.28 Esta
comparação (ver o v. 11, nota) ilustra a vulnerabilidade da pessoa que perde o
domínio próprio.
* 26.1 A
comparação é explícita ("como... assim"). A boa ordem perceptível da
natureza deve ter como um paralelo a estima da sociedade quanto ao caráter
humano.
* 26.2
A forma é a mesma que no primeiro versículo. As maldições não têm o poder
de afligir aquele que é inocente. Tal maldição só tem significado como
expressão da retribuição divina.
* 26.4,5
Considerados juntamente, estes versículos ilustram o ponto de que nenhum
provérbio tem por intuito cobrir todas as situações possíveis. A aparente
contradição nos dois provérbios indica que os provérbios devem ser devidamente
aplicados. Uma situação requer que evitemos jogar o jogo dos insensatos dando
uma resposta, enquanto que a outra situação exige que desmascaremos a
insensatez a fim de que o insensato não seja considerado um sábio.
* 26.6 o dano sofre. Enviar um
insensato para dar um recado é pedir por problemas.
* 26.7
Uma declaração de sabedoria dita por um insensato é tão incompatível com
seu caráter que a mesma perde a sua força.
* 26.8 Não
reconhecer o valor de uma jóia ilustra quão absurdo é honrar um indivíduo
insensato.
* 26.9 Como galho de espinhos... assim é o
provérbio. Esta afirmação aparentemente refere-se a um espinho que
espeta a mão de uma pessoa por demais embriagada para senti-lo. Ou o insensato
é por demais símplice para perceber o significado do provérbio, ou então como o
espinho fere a mão do embriagado, assim também os insensatos usam o provérbio
para seu próprio dano.
* 26.11 Os
insensatos não aprendem com os seus erros, mas antes retornam, como um cão
volta ao seu vômito, a fim de repeti-los.
* 26.12 Existem
graus de insensatez, e o maior de todos acha-se nos insensatos que se julgam
sábios. Um exemplo extremo é visto na sabedoria do mundo que considera uma
insensatez a sabedoria de Deus (1Co 1.18 - 2.5).
* 26.13-16
Quatro provérbios refletem a preguiça que opera contra a existência
humana bem ordenada e contra a própria vida. Ver 6.6-11; 24.30-34 e notas.
* 26.13 Ver 22.13
e nota.
* 26.14 Da mesma
maneira que uma porta gira em suas dobradiças, assim também os preguiçosos
giram incansavelmente em suas camas.
* 26.16 sete homens. Neste
caso, o número exato, embora com freqüência simbolize algo completo, não é
importante; serve somente para iluminar quão iludido anda o insensato.
* 26.17
A sabedoria inclui saber quando não devemos interferir nas disputas
alheias.
* 26.18,19 O elemento
em comum é o potencial para a destruição: tanto de propriedades quanto de
pessoas (v. 18), e também de relacionamentos pessoais (v. 19).
* 26.20 maldizente. Um maledicente, um produtor
de murmurações maliciosas, que tem pouco interesse pela verdade.
* 26.21 o homem contencioso. Tais
pessoas não se sentem felizes a menos que vivam solapando ativamente os
relacionamentos pessoais.
* 26.22 Ver 18.8 e
nota.
* 26.23 Embora o
texto hebraico seja difícil, o sentido aparente é o mesmo dos vs. 24-26; uma camada
de verniz agradável pode ocultar uma natureza contrária por baixo.
* 26.25,26 A pessoa
do v. 24 deve ser evitada. Com o tempo, as pessoas perceberão a verdade por
detrás do engano (5.14 e nota).
* 26.27 Os
criadores de problemas com freqüência entram em dificuldades eles mesmos (cf.
Gl 6.7). O tema da retribuição provavelmente deve ser vinculado aos vs. 23-26.
Aqui a ênfase não recai sobre o julgamento divino direto, mas sobre a natureza
providencialmente autodestrutiva da insensatez, que tem por alvo a destruição
de outras pessoas.
* 26.28 O ódio é a
quebra final das relações humanas (1Jo 3.15). A fala humana tem um enorme
potencial para o mal, e seu mau uso não pode ser desculpado com facilidade (Tg
3.5-10).
* 27.1 Embora a
sabedoria se preocupe em apegar-se à vida, as pessoas não exercem controle
completo sobre o seu futuro. Os insensatos pensam que têm esse domínio, mas não
levam em conta a vontade soberana de Deus (21.30, nota: Lc 12.19,20).
* 27.2 A
sabedoria é humilde (cf. 1Co 13.4,5).
* 27.3,4 Duas
comparações destacam a natureza destrutiva da insensatez.
* 27.5 a repreensão franca. Uma
palavra salutar cujo alvo é a correção, visando o bem do indivíduo.
o amor encoberto. Esse amor,
embora genuíno, sente falta da força moral para arriscar dar uma reprimenda.
* 27.6 as feridas feitas pelo que ama. O
significado é similar à "repreensão franca", no v.5.
* 27.7 Ver
25.16,17,27 e notas. O sentido deste provérbio não está limitado à comida, mas
aplica-se a qualquer coisa pelo que tenhamos apetite.
* 27.8 A vadiagem
fere tanto o vadio quanto àqueles com quem ele se relaciona. Os seres humanos
carecem de relacionamentos pessoais.
* 27.10
O alvo desta instrução parece ser que o indivíduo deveria desenvolver
relacionamentos além de sua família imediata, pois os parentes algumas vezes se
indispõem ou são incapazes de sair em nosso socorro.
* 27.11 Os pais são vindicados perante outros por seu
sucesso em transmitir sabedoria a seus filhos (10.1).
* 27.12
prudente... simples. Ver 1.4; 12.16 e notas.
* 27.13
Ver 20.16 e nota.
* 27.14 A referência mais provável é a protestos
falsos e impróprios de amizade que disfarçam alguma má intenção
(26.18,19,24-26).
* 27.17 Esta
declaração provavelmente se refere ao efeito positivo da interação com outros
no caráter do indivíduo.
* 27.18 Um
trabalho diligente e um serviço honesto são recompensados (22.29).
* 27.19 Tal como a
água reflete nossa aparência externa, assim os pensamentos de nossos
"corações" revelam a nossa natureza interior e o nosso caráter.
* 27.20 O inferno e o abismo. Ver a nota
em 15.11. O paralelo com o abismo, dá a entender que a insaciabilidade dos
olhos envolve desejos intermináveis que se tornam destruidores.
* 27.21
O sentido é que o louvor público submete a teste o caráter (aqui a
resistência do indivíduo à tentação do orgulho), ou que a estima pública
geralmente é uma indicação digna de confiança do caráter de alguém (mas cf. Mt
5.11).
* 27.22 gral... grãos pilados. Um pilão e
um socador, usados para pulverizar coisas. O insensato não pode ser ensinado,
mesmo quando se tomam as medidas mais drásticas.
* 27.23-27 Os
recursos econômicos de uma espécie renovável (rebanhos, colheitas) são preferíveis
às riquezas que não podem ser substituídas. Uma atenção cuidadosa à ordem
providencial da natureza geralmente assegura uma provisão duradoura para as
nossas necessidades. As implicações ecológicas desta passagem tornam-se ainda
mais óbvias em um contexto moderno.
* 28.1-28 Este
capítulo contém uma mais pesada concentração de reflexões teológicas do que os
primeiros capítulos das sentenças proverbiais. Algumas vezes isso é explícito,
com referências a Deus, à lei e à retidão. Em outras sentenças, isso torna-se
mais implícito, como no contraste entre os justos e os ímpios, o que parece
aceitar a ordem providencial subjacente e o julgamento de Deus.
* 28.2 Embora o
hebraico seja difícil aqui, o significado parece ser que a injustiça e a
instabilidade política (conforme ocorreu no reino do norte, Israel) andam de
mãos dadas, ao passo que uma pessoa sábia ou justa ajuda a manter a ordem
social.
* 28.3 O homem pobre... os pobres. A mudança
de um sinal vocálico no hebraico produz esta leitura: "Um governante que
oprime os pobres". Tanto as chuvas excessivas como um govenante maligno
podem trazer grande dano.
* 28.4 a lei. Provavelmente esteja em
foco a lei de Moisés, embora a instrução da sabedoria também possa estar em
foco (3.1, nota). Ainda que a literatura de sabedoria por muitas vezes pareça
refletir mais a experiência humana na ordem criada do que a revelação de Deus
nas Escrituras, os sábios hebreus eram homens de Deus que conheciam a lei e
suas exigências (1.7, nota).
* 28.5 justo. Esta palavra refere-se ou ao
governo moral de Deus sobre o universo, ou a boa ordem de coisas, da qual o
governo de Deus é a base.
os que buscam o Senhor. Aqueles
cuja fé reconhece que o propósito da vida é servir a Deus.
entendem tudo. Essa
frase não implica em conhecimento total ou em infalibilidade, mas em uma mente
renovada que conhece verdadeiramente as coisas, porquanto as conhece conforme
são interpretadas pela revelação de Deus, nas Escrituras (1.7, nota).
* 28.6 na sua integridade. A
integridade no relacionamento de um indivíduo com Deus e com outras pessoas é
mais importante do que as riquezas materiais.
* 28.7 a lei. Ver o v. 4 e nota.
o companheiro dos libertinos
envergonha. Ver 23.19-25 e notas.
* 28.8 juros e ganância. Em Lv
25.35-38, a graça de Deus estabelece o princípio de ajuda gratuita ao próximo,
sem qualquer pensamento quanto ao lucro (Dt 23.19,20).
ajunta-os para o que se compadece
do pobre. A justiça de Deus não permite que o rico ganancioso retenha
suas riquezas (13.22; 22.16; Jó 27.13-19), mas antes, dá essas riquezas àqueles
que ajudam generosamente a outros (19.17).
* 28.9 Ver
15.8,29.
* 28.10 O que desvia os retos para o mau caminho. Parece que
a justiça de Deus fica implícita aqui; há um julgamento especial contra aqueles
que buscam seduzir o povo de Deus (Mt 5.19; 18.6).
* 28.11
Apesar de que as riquezas materiais não se correlacionam necessariamente
à injustiça, e nem a pobreza com a sabedoria e a retidão, há, contudo, essa
tendência (vs. 6, 8, 20, 22, 25 e 27).
sábio aos seus próprios olhos. Ver
26.5,16. Não existem insensatos mais autênticos do que aqueles que vêem sua
insensatez como se fosse sabedoria (cf. 1Co 1.18-25).
* 28.12 A justiça
conduz à boa ordem social e à felicidade, ao passo que a injustiça destrói e
aliena (v. 28 e 29.2).
* 28.13 A boa
ordem e o bem-estar na vida de alguém estão vinculados a um relacionamento
pessoal intenso com Deus. O pecado não-confessado é a definitiva desordem na
vida. A confissão e o arrependimento levam à restauração de uma correto
relacionamento com Deus, com base na misericórdia (Sl 32.1-4; 1Jo 1.6-9). Todos
os demais relacionamentos dependem disso.
* 28.14 Feliz.
Ver 3.13 e nota.
o que endurece o coração. Alguém que
opõe sua vontade à vontade do Senhor (Êx 7.3,13).
* 28.15 Ver os vs.
3, 16.
* 28.16 A tirania
é tão contrária à sabedoria que ela demonstra falta de discernimento. A segunda
linha subentende que o tirano ganancioso produz a sua própria destruição.
* 28.18 O que anda em integridade será salvo. Ver as
notas em 1.19; 10.3; 11.8.
* 28.20
A fé e a sabedoria podem levar às riquezas, mas dar prioridade às
riquezas é um erro sério.
* 28.21 Ver 18.5;
24.23,24. Até um pequeno suborno pode ter resultados desastrosos na manutenção
da ordem e da justiça na sociedade.
* 28.22 Aquele que tem olhos invejosos. Um
avarento (23.6, nota e referência lateral).
há de vir sobre ele a penúria. O sentido
dessas palavras é que ou ao avarento falta a sabedoria para adquirir e manter
as riquezas, ou que a justiça de Deus não permitirá que tal pessoa torne-se
rica (v. 20).
* 28.23 Uma
reprimenda necessária em última análise rende um efeito positivo sobre os
relacionamentos pessoais (27.5), ao passo que a lisonja somente mina essas
relações.
* 28.24 Ver 19.26
e nota.
não é pecado. Os
relacionamentos familiares são o eixo de todos os laços humanos. Saquear os
próprios pais descaradamente exibe uma depravação moral que solapa todos os
relacionamentos.
* 28.25 o que confia no Senhor.
Dependência e fé estão incluídas no temor do Senhor (1.7, nota).
* 28.26 O que confia no seu próprio coração. Ver 3.5,6
e notas. Confiar em si mesmo é o oposto destrutivo da confiança no Senhor.
o que anda em sabedoria. O caminho
da sabedoria e o temor do Senhor são correlacionados nos vs. 25 e 26 (1.7,
nota).
* 28.27 Ver
11.24-26; 14.21; 22.9 e notas.
* 28.28 Ver o v.
12 e nota; 29.2.
* 29.1 muitas vezes repreendido. Ver 1.30;
5.12; 9.7,8; 10.17; 12.1 e notas.
endurece a cerviz. Ou seja,
torna-se arrogante e incapaz de ser ensinado (28.14).
* 29.3 alegra a seu pai. Ver 10.1;
28.7.
desperdiça os bens. O
paralelismo dá a entender que tal comportamento é uma desgraça, bem como uma
tristeza para o seu pai (6.26).
* 29.4 Ver
8.15,16; 20.8,26 e notas.
* 29.5 Ver 28.23.
* 29.7 Informa-se ... da causa. Lit.,
"conhece o julgamento". Eles sabem e fazem o que Deus requer em favor
dos pobres.
* 29.8 escarnecedores. Ver 1.22 e
nota.
alvoroçam a cidade. Os faltos
em sabedoria, por natureza, tendem a solapar a harmonia que há na sociedade.
* 29.9 De todas as
maneiras possíveis, os sábios deveriam evitar disputar com os insensatos. Os
tolos são incapazes de argumentos racionais, e mesmo quando um julgamento
correto é dado, não pode ser harmonizado. Ver a nota em 26.4,5.
* 29.12 A
corrupção na sociedade tende por começar pelas camadas mais altas. O governante
desonesto não somente atrai maus oficiais, mas encoraja seus subordinados a se
corromperem.
* 29.13
dá luz aos olhos de ambos. Deus criou
tanto os ricos quanto os pobres (22.2 e nota).
* 29.14 Ver o v.
4; 16.12-15 e notas.
* 29.15 Ver 13.24;
22.15; 23.13,14 e notas.
* 29.16 Este
provérbio expressa implicitamente a confiança no estabelecimento final de uma
ordem justa, sob o governo de Deus.
* 29.17 Corrige. Está em vista não somente o
castigo (v. 15), mas também uma instrução ativa e positiva na sabedoria. No
contexto pactual da fé da nação de Israel, a disciplina e a instrução vêm da
revelação de Deus em sua palavra e em seus atos.
* 29.18 profecia. Ou não há a palavra
profética (1Sm 3.1), ou não estará havendo habilidade para ouvir a palavra
profética (Am 8.11,12).
* 29.19 Uma
observação das condições na sociedade dos hebreus, e não uma atitude constante
de todos os trabalhadores (cf. 18.23 e nota). Estão aqui em foco as aplicações
educacionais da sabedoria, com o reconhecimento que nem todas as disposições
podem ser mudadas por meio somente de palavras ou da razão.
* 29.21 Se alguém anima... ser filho. Naquilo
que talvez seja uma melhor tradução, a Septuaginta (Antigo Testamento grego)
diz aqui: "No fim ele se entristecerá". Os servos que não são
corrigidos e nem disciplinados serão uma fonte de tristeza (v. 19).
* 29.22 levanta contendas. Ver 15.18
e nota.
* 29.23 Ver 15.33;
também 16.18,19 e notas. O pecado do orgulho não permite que o insensato se
beneficie da sabedoria de outrem.
* 29.24 Este
versículo retrata a condição dos cúmplices de um crime. São forçados a ser
testemunhas (Lv 5.1), mas se eles testemunharem, incriminam a si mesmo.
* 29.26 A
sabedoria reconhece a função especial dos governantes de manterem a boa ordem,
e serem assim agentes do governo de Deus (21.1, nota). Mas ela também reconhece
a fraqueza dos governantes humanos. Aqui o suplicante busca um tratamento
especial que envolveria alguma forma de injustiça. A única maneira segura de
obter a justiça, é buscá-la da parte do Senhor.
* 30.1 Palavras de Agur, filho de Jaque. A
identidade desse homem é desconhecida, mas muitos o consideram um estrangeiro.
Ver a nota em 22.17 - 24.22; e Introdução: Autor.
De Massá. Essa
palavra também aparece em 31.1. Isso significaria que tanto Agur quanto Lemuel
eram ismaelitas de Massá, que alguns pensam que ficava na Arábia (Gn 25.14).
fatiguei-me... estou exausto. Uma
tradução alternativa reconheceria dois nomes próprios nestas palavras no
hebraico "a Itiel e a Ucal", que seriam nomes de pessoas a quem o
provérbio teria sido endereçado.
* 30.2,3 Esta
declaração não exprime apenas modéstia ou humildade, mas é um reconhecimento do
mistério do ser e dos caminhos de Deus, como aqueles que se encontram nos
livros de Jó e Eclesiastes. O escritor estava severamente consciente dos
limites do conhecimento e da sabedoria humanos. Deus não é um objeto de nossa
investigação ou especulação, mas ele é o Criador infinito e pessoal em quem
devemos confiar. Pode haver uma nota de ironia na confissão de ignorância aqui,
mas o v. 4 indica o verdadeiro sentido.
* 30.4 Essas
perguntas expressam a convicção de que o conhecimento baseado exclusivamente na
observação da criação nunca poderá compreender realmente a Deus. No capítulo 38
do livro de Jó, o mesmo ponto é tratado no decurso da resposta de Deus a Jó.
* 30.5,6 Com essas
palavras Agur nos oferece seu parecer da Palavra de Deus dentro de estrutura da
lei e dos escritos proféticos de Israel. Ele cita Sl 18.30 e ecoa Dt 4.2. O
pleno conhecimento de Deus vem através da revelação especial e é recebido por
meio da fé (1.7, nota).
* 30.5 é pura. Ou seja, é testada e fica
desvendado que ela é plenamente digna de confiança.
* 30.6 Nada acrescentes às suas palavras. Adicionar
algo à palavra de Deus é julgá-la e achá-la falha, de acordo com os padrões
humanos. Isso muda a base do conhecimento e da verdade de Deus para nós mesmos.
Esse orgulho da criatura é a mola mestra do pecado (Gn 2.9, nota).
* 30.7-9 Esta
oração reflete o desejo de aprender do tipo de sabedoria que se acha em
Provérbios.
* 30.8 o pão que me for necessário. O pedido
visa uma suficiência que evita ambos os extremos: da pobreza e das riquezas
desnecessárias.
* 30.9 Quem é o SENHOR? As pessoas
que possuem um excesso de possessões materiais em breve se esquecem de sua
dependência no Senhor (Dt 8.10-18; Lc 12.16-21).
* 30.10 Esta
declaração só é superficialmente vinculada ao que antecede ou segue. O ponto do
provérbio é que a interferência nas questões domésticas dos outros pode ser
como um tiro pela culatra.
* 30.12 puros aos próprios olhos. Ver 16.2;
21.2.
* 30.15-31 Quanto à
forma desses ditos numéricos, ver as notas em 6.16-19.
* 30.15 sanguessuga... Dá, Dá. As duas
extremidades da sanguessuga são extraordinariamente parecidas, e o animal
parece não ter outra função senão a de sugar sangue. As declarações numéricas
seguintes compartilham do tema da ganância.
* 30.17 Os olhos de quem zomba. Os olhares
de desprezo podem ser tão venenosos quanto as palavras. A desonra contra os
pais, uma evidência do colapso no relacionamento humano mais básico, merece o
pior tipo de maldição.
corvos... os arrancarão. Essas
palavras retratam a sorte do cadáver que fica insepulto, com atenção especial
aos olhares ofensivos.
* 30.18,19
Os quatro caminhos não podem ser entendidos, ou porque não deixam
vestígios ou porque são tão fáceis, mas misteriosamente, dominados. Alguns
estudiosos têm sugerido que a ênfase recai sobre o quarto caminho, as relações
sexuais humanas, das quais os outros três caminhos podem ser metáforas.
* 30.20 come, e limpa a boca. Essa
expressão é uma metáfora para o contato sexual (7.18; 9.17) — para ela, o
adultério tornou-se tão natural quanto o ato de comer. Este versículo não faz
parte da declaração anterior.
* 30.21 estremece a terra. Os quatro
itens dos vs. 22 e 23 dificilmente parecem ser capazes de produzir tão
terríveis consequências sobre a ordem natural das coisas. Provavelmente temos
aqui uma figura de linguagem que aponta para um estado de coisas intolerável.
* 30.24-28 Se esta
afirmação não fosse além da história natural, ainda assim cumpriria um
propósito da sabedoria: a percepção da ordem e como as coisas cooperam juntas.
Muitos provérbios exibem um interesse pela natureza como se fosse uma parábola
sobre a vida humana (p.ex., 6.6-11). O fato que a sabedoria é atribuída a essas
criaturas implica em alguma unidade com a existência humana. As criaturas são
sábias por serem capazes de vencer algumas sérias fraquezas inerentes, e assim,
podem sobreviver muito bem. Esses dons da sabedoria, a cada qual de acordo com
seu tipo, são concedidos pelo Criador de todos.
* 30.29-31 A inclusão
de um rei com os animais sugere um paralelo humano com a natureza, e a
coerência subjacente de toda a criação. A observação da existência de governo e
de ordem na sociedade, tanto dos animais quanto dos seres humanos, indica que
ambos são produtos do mesmo gênio Criador.
* 30.32 põe a mão na boca. Em outras
palavras, pára de falar; cessa em teus esquemas e em tuas provocações.
* 30.33 o bater do leite... o torcer do nariz... o
açular a ira. Lit., "pressionar... pressionar ... pressionar”. A
repetição enfatiza o paralelo em cada situação. Neste provérbio temos uma
advertência que a provocação conduz à contenda.
* 31.1 Palavras do rei Lemuel, de Massá. Ver a nota
em 30.1. Lemuel não foi um rei israelita. A natureza desta seção (vs. 1-9)
sugere uma origem egípcia, ou, talvez, babilônica. Sua intenção aparente era
vocacional, o equipamento do governante para a sua tarefa. A forma é similar às
instruções dos capítulos 1—9 (Introdução: Características e Temas). Neste caso,
o ensino foi dado por sua mãe (1.8; 4.1,3). Enquanto o pai possa ter sido o
principal professor das crianças, mulheres piedosas também assumiam esse papel
(cf. 14.1, nota) e em Israel havia mulheres dotadas de notável sabedoria (2Sm
14.2; 20.16).
* 31.2 filho dos meus votos? Essa
expressão pode referir-se a um voto feito antes do nascimento (cf. 1Sm 1.11).
* 31.3 às que destroem os reis. O paralelo
indica que talvez a fornicação esteja em vista.
* 31.4 Não é próprio dos reis beber vinho. As
responsabilidades reais não davam ao rei qualquer lazer para ser gasto com a
ingestão de vinho.
* 31.6 Dai bebida forte... e vinho. Enquanto
que o rei devia evitar o uso de bebidas alcoólicas como meio de escapar das
preocupações de seu elevado ofício, elas podiam ser dadas àqueles cujos
sofrimentos eram demais para serem suportados.
* 31.8,9 A tarefa
do rei era sustentar a justiça na sociedade. Em Israel, essa tarefa era vista
dentro do contexto da aliança com o Senhor (Dt 17.14-20).
* 31.10-31 Esta seção
é um poema acróstico que exalta as virtudes de uma esposa que exemplifica os
princípios da sabedoria, tanto prática quanto espiritualmente. A sequência das
virtudes é governada mais pelas exigências do acróstico (a primeira palavra de
cada versículo começava com letras sucessivas do alfabeto hebraico) do que pela
lógica. Não obstante, o efeito total é uma descrição coerente de uma mulher
embelezada pelas suas virtudes de sabedoria prática e de caridade. O fato que a
casa descrita vivia na abundância não diminui a aplicabilidade universal dos
princípios da sabedoria feminina.
* 31.10 quem a achará? Tal esposa
não é um sonho impossível, mas pode ser difícil de encontrar.
* 31.11 não haverá falta de ganho. Esse
estado de coisas resultada da astúcia da esposa quanto às questões domésticas.
* 31.12 Ver 18.22
e notas.
* 31.14 como o navio mercante. Conforme
indica os vs. 16 e 18, ela se ocupava no comércio.
* 31.15 a tarefa. Sob a forma de alimentos ou
de deveres.
* 31.16 Ela era
capaz no mundo dos negócios, e reinvestia os seus ganhos.
* 31.18 a sua lâmpada não se apaga. Essas
palavras são ou uma metáfora que indica a prosperidade (13.9), ou uma
referência à sua diligência em usar as horas da noite para trabalhar.
* 31.19 ao fuso. O significado é incerto. O
contexto indica a capacidade de fabricar suas próprias linhas.
* 31.21 lã escarlate. Se
"lã escarlate" é a leitura correta, provavelmente isso indica tecidos
de alta qualidade, que são quentes.
* 31.22 de linho fino e de púrpura. Como no
v.21, estão em pauta artigos de alta qualidade.
* 31.23 O que fica
implícito é que a habilidade e a diligência da esposa nos negócios domésticos
removia, da mente de seu marido, todas as preocupações quanto a isso. Ele
estava livre para buscar seu lugar, como ancião respeitável na vida pública.
entre os juízes. Ver 1.21 e
nota.
* 31.25 A força e a dignidade são os seus vestidos. Essas
palavras referem-se ou ao caráter da mulher, ou, conforme está mais
provavelmente em vista, na segunda linha, à estima conquistada por seus feitos
econômicos. Ela não tinha preocupações excessivas quanto ao futuro. Ambas essas
interpretações são coerentes com a sabedoria.
* 31.28,29 O
resultado de sua habilidade e sabedoria era que as relações familiares ficavam
solidificadas. Os elogios de seu marido e de seus filhos são a sua grande
recompensa.
* 31.30,31 que teme ao SENHOR. Até este
ponto, o poema concentra a sua atenção sobre a sabedoria prática. Agora é
enfatizada a base de toda verdadeira sabedoria. O livro de Provérbios termina
conforme começara: a observação da ordem criada pode prover alguma sabedoria e
conhecimento de Deus (Rm 1.20-23), mas somente a auto-revelação do Criador
capacita-nos a conhecer e a apreciar o sentido de realidade centrado em Deus. A
verdadeira sabedoria é vista como a vida vivida em obediência de todo coração à
revelação divina em sua Palavra, que é "o temor do Senhor" (1.7 e
nota). Essa confiança é o alicerce e a vereda contínua da sabedoria, pois ela
nos conduz à perfeição final em Cristo.
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sergiovalentin