A Epístola de Paulo aos Romanos

 

Autor:

            Tanto a abertura da carta (1.1), como os detalhes biográficos registrados nos capítulos 1, 15, e 16 mostram que o livro de Romanos foi escrito pelo apóstolo Paulo. A carta já era citada e listada como sendo de Paulo durante o século dois. Sua autenticidade raramente tem sido disputada, e nunca de maneira convincente.

 

Data e Ocasião:

          Paulo escreveu Romanos pouco antes de sua visita a Jerusalém, feita com as ofertas das congregações gentias (15.25; At 24.17). Várias indicações internas sugerem que durante este tempo Paulo residia em Corinto, incluindo a referência a Febe, membro da igreja em Cencréia, o porto de Corinto (16.1,2), as referências a Gaio como sendo o seu anfitrião (1Co 1.14), e a Erasto (At 19.22; 2Tm 4.20). Foi escrita provavelmente durante os três meses que passou na Grécia, descritos em At 20.2,3. Ainda que não seja possível fixar uma data, sabe-se que Gálio (perante quem Paulo apareceu em At 18.12) era proconsul (normalmente um cargo ocupado por um ano) de Acaia em 52 d.C. Paulo ficou em Corinto “muitos dias” (At 18.18 e referência lateral), provavelmente durante o período de 51-53 d.C. Embarcou então para Éfeso para uma visita rápida, e foi a Cesaréia e provavelmente a Jerusalém assim como a Antioquia (At 18.22). Retornando pela Galácia e pela Frígia (At 18.23) para Éfeso, ele residiu lá durante três anos (At 19.8,10) antes de decidir que iria a Jerusalém via Macedônia e Acaia (At 19.21). A data mais cedo possível para a escrita da carta aos Romanos é então meados do ano 54 d.C.; mas uma data mais avançada proporciona mais tempo para as muitas atividades de Paulo. Sendo assim, a melhor data é entre o fim de 55 d.C. e os primeiros meses de 57 d.C.

          Que a fé dos cristãos romanos era bem conhecida (1.8), e que Paulo tinha desejado visitá-los  já havia um bom tempo (1.13), indica que a fé cristã tinha sido estabelecida na capital do império por um bom tempo. Estes fatos são apoiados pelas palavras do historiador romano Suetônio, que diz que Cláudio já tinha expulsado os judeus (em 49 d.C.) por terem protestado “à incitação de Cresto” (evidentemente uma referência a Cristo). Visitantes de Roma estavam presentes no Dia de Pentecostes (At 2.10,11) e podem ter sido os primeiros a trazerem as boas novas à cidade. Sua importância estratégica, assim como o grande número de judeus que lá vivia teriam trazido a mensagem do evangelho a Roma como se atraída por um íma. Apesar da tradição que se alastra através de Irineu, é certo que a igreja não foi fundada por Pedro ou Paulo. É claro que Paulo nunca tinha visitado a igreja (1.8-13), e a ausência de qualquer referência a Pedro ou aos outros apóstolos indica que a igreja romana não tinha sido alvo do ministério apostólico direto.

          Tanto judeus como gentios eram membros da igreja em Roma, e 1.13 indica a predominância de gentios, como também, possivelmente, a advertência aos cristão gentios para que não fossem orgulhosos (11.13-24). O conflito entre fraco e forte em 14.1—15.13 pode ter surgido num contexto como este. É até possível que as várias igrejas localizadas nas casas, nas quais os cristãos se reuniam, refletiam estas divisões (cf. 16.5, 14, 15).

          Quando escreveu Romanos, Paulo analisava o seu ministério e via que ele se encontrava em um ponto crucial. Ele acreditava que tinha desempenhado a sua função no Leste do Mediterrâneo (15.17-23) e que o tempo era certo para sua jornada ao Oeste para a evangelização da Espanha (15.24). Ele esperava visitar os cristãos romanos no caminho, alcançando a sua velha ambição, e talvez ganhando a sua ajuda como igreja de apoio (15.24).

          Sob esta luz, era essencial que ele apresentasse as suas credenciais apostólicas (note o “meu evangelho” em 2.16 e 16.25), para que eles pudessem reconhecer a autenticidade do seu ministério. Paulo pode também ter pensado que era necessário defender o seu ministério das falsas acusações dos boateiros (3.8).

          Ao escrever Romanos, Paulo também estava profundamente atento ao fato de que a igreja cristã deve ser uma comunhão entre judeus e gentios, juntos em um corpo de Cristo. Isto se revela pela importância que ele dá à oferta gentia à igreja de Jerusalém. Também é evidente por todo o livro de Romanos, no tema da unificação do judeu e do gentio — no pecado por causa de Adão, e na graça através de Jesus. A justiça salvadora do evangelho é uma necessidade dos dois, já que todos pecaram; pode ser recebida pelos dois, já que vem através da graça e pela fé. A operação desta justiça salvadora na história é uma pista para os propósitos finais de Deus para os dois — judeus e gentios; e essa justiça salvadora deve ser expressa na vida dos dois — pessoalmente, comunitariamente, e socialmente — no corpo de Cristo, como o novo povo de Deus. A oportunidade de escrever enquanto em Corinto, o fardo pesado da sua visita a Jerusalém, e os planos para visitar Roma antes de pregar o evangelho nos confins da terra, então conhecida, foram todos fatores que contribuíram para que viesse a escrever esta carta.

 

Características e Temas:

          Romanos é a declaração mais rica, maior, e mais abrangente da parte de Paulo sobre o evangelho. Suas declarações resumidas de verdades imensas são como molas retraídas — quando são liberadas, elas voam pela mente e pelo coração até encherem o horizonte do indivíduo e moldarem a sua vida. João Crisóstomo, o maior pregador do 5º século, pedia que Romanos lhe fosse lido em voz alta uma vez por semana. Agostinho, Lutero, e Wesley, três figuras contribuidoras extremamente importantes à nossa herança cristã, todos vieram à firmeza da fé através do impacto de Romanos em suas vidas. Todos os Reformadores viam Romanos como sendo a chave divina para o entendimento de todas as Escrituras, já que aqui Paulo une todos os grandes temas da Bíblia — pecado, lei, julgamento, destino humano, fé, obras, graça, justificação, santificação, eleição, o plano de salvação, a obra de Cristo e do Espírito, a esperança cristã, a natureza da vida e da igreja, o lugar do judeu e do não-judeu nos propósitos de Deus, a filosofia da igreja e a história do mundo, o significado e a mensagem do Antigo Testamento, os deveres da cidadania cristã, e os princípios de retidão e moralidade pessoal. Romanos nos concede uma perspectiva através da qual a paisagem completa da Bíblia pode ser vista, e a revelação de como as partes se encaixam no todo se torna clara.

O estudo de Romanos é vitalmente necessário para a saúde e entendimento espiritual do cristão.

 

 

 

 

 

 

 

 


 

 

 

 

 


 

 

 

 

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