1-32

 

*          1.1 Paulo. As cartas antigas começavam com a fórmula geral: "A envia saudações a B". Usando o seu nome romano, Paulo preencheu essa fórmula com significações cristãs, tanto quanto à sua própria descrição (vs. 1-6) como no tocante ao estilo de sua saudação (vs. 7 e 8).

 

servo. No grego, alguém totalmente posto à disposição de seu senhor.

 

apóstolo. Um mensageiro oficial do evangelho. Ver 2Co 1.1, nota.

 

o evangelho de Deus. Deus é ao mesmo tempo a origem e o tema da mensagem cristã; o evangelho é a mensagem "de" Deus. Aqui e em outros lugares, o trinitarianismo de Paulo aflora à superfície (1.3,4; 5.1-5; 8.3,4,9-11,16,17; 14.17,18; 15.16,30).

 

*          1.2       foi por Deus, outrora, prometido. O evangelho foi anunciado sob a forma de promessas na pregação biblicamente registrada dos profetas, na qual a apresentação apostólica do evangelho se alicerçou (16.25-27).

 

*          1.3,4    Uma descrição dos dois estágios do ministério do Salvador, e não uma descrição de suas duas naturezas. Embora fosse Filho de Deus, ele "nasceu da descendência de Davi", a fim de compartilhar de nossas fraquezas, mas foi transformado pelo "espírito da santidade", por ocasião de sua ressurreição, e foi conduzido a um novo estágio de sua existência pessoal humana (1Co 15.45; 2Co 13.4).

 

*          1.5,6   Paulo via Cristo como o autor de sua salvação, e também de sua chamada para ser um evangelista entre os gentios (11.13,14; At 9.15; Ef 3.8).

 

*          1.5                   para a obediência por fé. Literalmente, "obediência de fé", indicando tanto a obediência que flui da fé quanto o fato que a fé implica na submissão obediente ao chamamento divino (16.26).

 

*          1.7                   Roma. Capital do império romano. Não temos um conhecimento indiscutível sobre a fundação da igreja em Roma, embora visitantes judeus de Roma estivessem entre aqueles que ouviram o evangelho pregado no dia de Pentecoste (At 1.10).

 

os amados de Deus... chamados para serdes santos. Os termos usados na saudação mostrarão ser as notas-chaves da própria epístola, como o chamamento divino, o amor, a graça e a paz, que são explicados detalhadamente.

 

*          1.8                   dou graças a meu Deus. A gratidão pela obra graciosa de Deus em outras pessoas foi uma característica constante da vida de Paulo (1Co 11.4; Fp 1.3; Cl 1.3; 1Ts 1.2; 2Ts 1.3; 2Tm 3.1; Fm 4).

 

em todo o mundo. Espalharam-se por todo o império as notícias da presença de cristãos em Roma, a capital.

 

*          1.9                   faço menção de vós. O constante empenho de Paulo à oração refletia o seu devotado serviço e o seu anelo de ser espiritualmente útil. Ele orava em plena submissão à vontade de Deus (vs. 9-12; cf. Ef 1.16; Fp 1.9; Cl 1.9; 1Ts 1.3; 2Ts 1.11; 2Tm 1.3).

 

*          1.11     dom espiritual. Aqui essa expressão, "dom espiritual", não foi usada no sentido funcional de 1Co 12.1. Paulo tinha em mira antes o benefício que flui do exercício de dons funcionais no ministério prestado ao próximo.

 

*          1.12     reciprocamente nos confortemos. O ministério cristão visa ao fortalecimento mútuo do inteiro corpo de Cristo (Ef 4.15,16).

 

*          1.13     me propus ir ter convosco. Não existem registros escritos dessas muitas ocasiões planejadas, mas ver At 19.21; 23.11, quanto ao senso de Paulo de ser impulsionado por Deus na direção de Roma.

 

impedido. Provavelmente por outras responsabilidades regulares. Ver At 16.6,7, quanto a interrupções nos planos de Paulo, causados ou pelo conselho interno do Espírito Santo ou por declarações proféticas.

 

entre os outros gentios. Isso nos sugere que o pensamento de Paulo sobre a Igreja de Roma era composta predominantemente por membros gentílicos.

 

*          1.14                 Pois sou devedor. O planejamento de Paulo (v. 13), e sua expectativa (v. 14) estavam arraigados em forte senso de obrigação. Fora-lhe conferido o evangelho para anunciá-lo entre os gentios (11.13,14; cf. Ef 3.1-8).

 

gregos. O mundo de cultura helenista (os "sábios").

 

bárbaros. Os incultos, os "não-sábios" do mundo antigo.

 

*          1.16     não me envergonho do evangelho. Embora o evangelho pareça loucura para os sábios, Paulo via a sua mensagem como uma demonstração da sabedoria divina (1Co 1.22-25,30), e não se sentia embaraçado diante do caminho divino da salvação. Ver sobre "Salvação", em At 4.12.

 

o poder. O regenerador impacto transformador de vida da palavra do evangelho, através do Espírito Santo, é algo essencial, devido à servidão da humanidade ao pecado e a Satanás, e da debilidade e incapacidade espiritual por causa do pecado (5.6; 8.5-9).

 

de todo aquele que crê. A salvação é imerecida; mas não é universalmente desfrutada; a fé é requerida para que haja salvação.

 

primeiro do judeu. Ao mesmo tempo em que isso era uma verdade em termos da história da redenção (2.9,10; Jo 4.22; cf. Mc 7.24-30), também era o padrão do alcance missionários de Paulo. Assim sendo, ao visitar as cidades do mundo romano, ele começava expondo as Escrituras nas sinagogas, sempre que isso lhe era possível, quando então ele pregava o Cristo como o cumprimento das promessas do Antigo Testamento (At 9.20; 13.5,14; 14.1; 17.1,17; 18.4,19,26; 19.8). Mas por toda esta epístola aos Romanos, Paulo teve o cuidado de não negar a validade dos privilégios dados por Deus ao seu próprio povo (3.11,12; 9.4,5).

 

*          1.17     a justiça de Deus. Essa é a frase-chave da epístola aos Romanos (3.21; 5.19; 10.3), regularmente explicada na epístola como "justiça... através (ou da) da fé" (3.22; 9.30; 10.6). A justiça de Deus é demonstrada na retidão de Cristo que é imputada ou considerada por Deus como pertencente aos crentes. Essa imputação da retidão aos pecadores que crêem é plenamente coerente com a retidão pessoal de Deus. Na qualidade de juiz justo e reto (2.5-16), Deus justifica ou declara reto, por meio da morte de seu Filho, aqueles pecadores que confiam em Cristo com verdadeira fé (3.21-26; 5.10). A leitura deste versículo, por parte de Lutero, exerceu um decisivo impacto em sua compreensão sobre a justificação.

 

de fé em fé. Paulo acentua o fato de que o Evangelho em cada ponto da sua influência, reclama a necessidade da fé, não das obras.

 

como está escrito. O trecho de Hc 2.4 provê a base bíblica para e o sumário do que se segue, indicando que o modo de vida pela fé já era conhecido no Antigo Testamento.

 

viverá. A vida em contraste com a morte espiritual, e a vida no sentido de uma contínua comunhão com Deus. Do princípio ao fim, viver piedosamente significa confiar em Deus e depender de sua graça.

 

*          1.18     A ira de Deus. A divina e justa retribuição do Juiz e a sua reação pessoal, provocada pelo mal moral.

 

se revela. O julgamento divino não se limita ao futuro; seu antagonismo contra o pecado já se manifesta no mundo. Seus efeitos são visíveis desde agora.

 

impiedade e perversão. A ordem das palavras pode ser significativa — visto que a decadência moral segue-se à rebelião teológica. Ou Paulo poderia estar usando juntos esses dois vocábulos para exprimir uma única idéia, a da impiedade iníqua.

 

que detêm a verdade. Não significa que a verdade seja buscada mas não possa ser achada, mas antes é que, confrontada com a verdade (que é "claramente reconhecida”, v. 20), a humanidade caída busca impedir e obstruir a sua influência, razão pela qual torna-se "indesculpável" (v. 20). A "desculpa" dos homens é um apelo à ignorância.

 

*          1.19     o que de Deus se pode conhecer. Paulo salienta aqui a realidade e a universalidade da revelação divina, que é perpétua ("desde o princípio do mundo", v. 20) e claramente perceptível ("claramente se reconhecem", v. 20). A invisibilidade, a eternidade e o poder são todos expressos em e através da ordem criada (ver "Revelação Geral", em Sl 19.1). O Deus invisível se revela através do meio visível da criação. Essa revelação é manifesta; ela não é obscurecida, mas é claramente visível. Ver nota teológica "Conhecimento e Culpa", índice.

 

*          1.21     tendo conhecimento de Deus. Com estas palavras, Paulo salientou que a humanidade não somente tem a oportunidade de conhecer a Deus por meio da revelação geral, mas também que essa revelação produz um real conhecimento. O pecado da humanidade consiste na recusa do indivíduo de reconhecer o que já se sabe ser verdade. Apesar de reconhecerem a Deus, as pessoas se recusam em honrá-lo ou em mostrarem-se agradecidas a ele. A conseqüência de terem rejeitado a Deus foi que suas mentes e corações se obscureceram. A recusa de honrar a Deus, leva todos os esforços intelectuais à frustração.

 

*          1.22,23            Inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos ... mudaram a glória do Deus incorruptível. A arrogância intelectual, na presença de Deus, exibe um senso de valores invertido; a adoração a Deus é trocada pela devoção a ídolos feitos por homens e que refletem os homens. O indelével instinto para adorar é pervertido mediante a centralização sobre objetos errados (v. 25).

 

*          1.24     Deus entregou tais homens. O julgamento divino envolve a remoção das restrições divinas, tanto sobre os atos pecaminosos como sobre as suas consequências (vs. 26, 28).

 

*          1.26,27            O efeito da perversão da adoração instintiva a Deus é a perversão de outros instintos, que se afastam de suas funções apropriadas. As Escrituras encaram todos os atos homossexuais sob essa luz (Lv 18.22; 21.13). A conseqüência é a degradação do corpo (v. 24), a dominação da concupiscência, a desintegração daquilo que é verdadeiramente "natural" (v. 26), e a escravidão a paixões incontroláveis (v. 27).

 

*          1.27     recebendo, em si mesmos, a merecida punição. Até mesmo em um mundo moralmente caído, e, portanto imprevisível (para a humanidade), a recompensa da colheita está relacionada às sementes implantadas (Gl 6,7,8).

 

*          1.28     por haverem desprezado... o próprio Deus os entregou. O pecado produz o desdém pelos reais valores, e se arrisca a ser deixado por Deus a um espírito de licensiosidade (vs. 29-31).

 

*          1.32     conhecendo eles a sentença de Deus. Paulo via como evidências da culpa e da servidão ao pecado, o fato de que o conhecimento do juízo divino não atua mais como força de restrição, antes, torna-se motivo para mais rebelião ainda, sob a forma de encorajar outros ao pecado. Este texto confirma que parte da revelação de Deus, mediante a natureza, comunica seu caráter moral e um senso de dever moral por parte da humanidade.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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