*          10.1     Irmãos. Um apelo feito de todo o coração, à simpatia de seus irmãos cristãos, cuja emotividade jaz em sua recente referência a seus parentes na carne (9.3, referência lateral).

 

para que sejam salvos. A preocupação de Paulo, no capítulo 9, era com a salvação dos judeus, e não meramente com o papel deles na história da redenção.

 

*          10.2     têm zelo por Deus. Paulo fala aqui com base em sua experiência pessoal, tanto quanto à realidade do zelo quanto a seu caráter mental e do coração errados (Fp 3.4-6).

 

*          10.3     desconhecendo a justiça de Deus. Paulo contrasta a retidão divinamente estabelecida com os esforços do indivíduo para estabelecer a sua própria justiça. Ver "Fé e Obras", em Tg 2.24.

 

procurando estabelecer. Linguagem própria da aliança (Gn 6.18; 17.7). Mesmo dentro do contexto da aliança que Deus estabelecera com eles, eles perverteram a graça divina, ao verem essa aliança como que dependente da própria obediência deles à lei.

 

*          10.4     o fim da lei é Cristo. A interpretação aqui seguida é que Cristo é o alvo e o propósito da lei (Gl 3.24). Uma outra interpretação é aquela que diz que, para os crentes, Cristo tornou a lei obsoleta, porquanto eles não mais se esforçam por estabelecer a sua própria retidão por meio da lei.

 

*          10.5     a justiça decorrente da lei. A citação que Paulo faz de Lv 18.5 é posta originalmente no contexto da graça redentora de Deus que requer a obediência a ela por parte do indivíduo (Lv 18.2; cf. Êx 20.1-17); não temos aqui uma declaração sobre a retidão como estabelecida pelo próprio indivíduo.

 

*          10.6-8              O livro de Deuteronômio exibe a salvação não como obtida pelo esforço ativo da humanidade, mas pela graça divina, que atrai os homens a Deus. Em particular, Dt 30 coloca isso no contexto de um retorno antecipado do juízo do exílio (Dt 30.1-6). Paulo vê isso cumprido no novo pacto firmado em Cristo (Jr 31.31-34; cf. 2Co 3.7-18). Dessa forma, Cristo é o fim (o alvo) da lei mosaica. Tentar uma retidão estabelecida pelos esforços do indivíduo é o equivalente a tentar aquilo que somente Deus poderia fazer e fez, na encarnação e ressurreição de Cristo. Fazendo contraste com todos os esforços humanos, Deus trouxe para perto a palavra da salvação, e, com ela, a própria salvação. Ver "A Palavra de Deus: Escrituras como Revelação", em Êx 32.16.

 

*          10.9,10            confessares... creres... se crê... se confessa. No paralelismo do v. 10, Paulo reverte a ordem dos verbos, conforme eles aparecem no v. 9, e, dessa forma, indica que a crença de todo o coração e a confissão com a boca pertencem ambos à justificação ("retidão") e à salvação.

 

*          10.12               não há distinção. Isso é confirmado não somente pela unidade e bondade universal de Deus (v. 12), mas especificamente, uma vez mais, pelo ensino do Antigo Testamento, em Joel 2.32, a declaração profética cumprida com tanta dramaticidade no dia de Pentecoste (At 2.21).

 

*          10.14,15          Uma análise do que está envolvido quando alguém invoca o nome do Senhor, a fim de ser salvo.

 

*          10.14   aquele em quem não creram. Literalmente, "em quem", uma indicação de que para Paulo, o próprio Cristo é o único verdadeiro pregador do evangelho (cf. Ef 2.17; Jo 10.16). O ministério de pregar a Cristo, por conseguinte, reveste-se de grande honra, o que explica sua citação de Is 52.7 (2Co 5.18-20).

 

*          10.18   Por toda a terra se fez ouvir a sua voz. O contexto imediato da citação de Sl 19.4 é a da revelação geral de Deus (Sl 19.1-3). Paulo se utiliza disso para provar, por meio das Escrituras, que Israel tinha ouvido a mensagem de Deus, e isso subentende que sua citação dessa seção do salmo envolve o ensino do salmo todo, que fala tanto de uma revelação geral, na natureza, como de uma revelação especial, em sua Palavra. Esta última revelação tem lugar no contexto da primeira. A lógica subjacente pode ser: Se aqueles que, sem qualquer revelação especial "ouviram" a mensagem da glória divina na criação, quanto mais a ouviram aqueles que receberam a revelação especial.

 

*          10.19-21         A falha dos judeus não pode ser justificada à base de que eles não ouviram a mensagem, ou à base de que não a puderam compreender. Moisés e Isaías contrastaram o próprio povo de Deus com aqueles a quem falta entendimento (Dt 32.21), e também com aqueles que não estavam buscando a Deus, mas que foram trazidos a conhecê-lo (Is 65.1).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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