*          11.1-10           Mui objetivamente, Paulo pergunta se Deus tinha rejeitado o seu povo. O próprio apóstolo serve de evidência de que Deus não rejeitara seu povo de maneira completa e final, pois neles depositara o seu amor. Assim como um remanescente crente podia ser encontrado em Israel, nos dias de Elias, assim também continua a haver um remanescente formado pela graça de Deus. Pela graça, os eleitos obtiveram a salvação que buscavam. E os demais judeus foram endurecidos.

 

*          11.1     terá Deus... rejeitado o seu povo? O verbo "rejeitar" transmite o senso de empurrar para longe de si mesmo. A forma da pergunta, em grego, antecipa uma resposta negativa.

 

eu também sou israelita. Ver Fp 3.5,6. A linhagem impecável de Paulo é retroagida até Abraão, o grande patriarca, mas também a Benjamim, o único filho de Jacó que nasceu em Israel. A tribo de Benjamim era a tribo em cujo território se achava Jerusalém, e também era a tribo de Saul, o primeiro rei do reino unido de Israel.

 

*          11.2     a quem de antemão conheceu. Paulo deixa entendido que o amor e a escolha especial e graciosa deles, torna inconcebível que Deus os tenha finalmente rejeitado como um povo, embora eles o tivessem ainda recentemente rejeitado, quando rejeitaram o Cristo.

 

*          11.5     remanescente segundo a eleição da graça. Nos tempos de Elias houve uma apostasia geral do povo de Israel, e, no entanto, a presença de um remanescente de fiéis indicava que Deus não havia plena e finalmente rejeitado o seu povo. Os pensamentos de Paulo acerca do remanescente estão arraigados sobre o ensino de Isaías, pois o nome de seu filho, Sear-Jasube, significa "um-resto-volverá" (Is 7.3 e referência lateral: cf. 9.27; Is 1.9; 6.13; 10.20-22; 11.11-16).

 

*          11.6     E se é pela graça, já não é pelas obras. Uma vez mais, o caminho da graça divina é contrastado com as obras da lei (3.20,27,28; 4.2,6; 9.12,32).

 

*          11.8-10           As passagens citadas (Dt 29.4; Is 29.10 e Sl 69.22,23) descrevem um padrão bíblico de atividade divina no endurecimento judicial dos corações — padrão esse que Paulo vê repetido em seus próprios dias.

 

*          11.11-24         A rejeição do povo judeu nem é total e nem é final. Tal como a rejeição de Cristo, entre os judeus, levou à aceitação do evangelho entre os gentios, assim Deus também pretende usar os gentios para provocar os judeus a invejarem as bênçãos dos gentios, levando-os à salvação e a riquezas correspondentemente maiores.

 

*          11.11   tropeçaram para que caíssem. Uma vez mais, a forma da pergunta de Paulo antecipa (e recebe) uma resposta negativa. A rejeição de Cristo, por parte dos judeus, não é irreversível. Paulo via um padrão e um propósito divinos por detrás da incredulidade da qual os judeus se fizeram culpados. O padrão de seu pensamento, no v. 11, portanto, é como segue: (a) A transgressão dos judeus levou à justificação dos gentios; (b) a salvação dos gentios levará os judeus a invejá-los; (c) a inveja dos judeus os atrairá à mesma salvação que têm os gentios.

 

*          11.12   sua plenitude. No contexto do argumento paulino, "plenitude" pode significar somente o recebimento deles de Cristo e sua restauração a Deus. A questão mais difícil é se o termo "plenitude" aponta para uma plena restauração do remanescente ou para a restauração do número completo da nação, em algum sentido. O segundo sentido parece adaptar-se melhor à direção geral da passagem (vs. 25-32).

 

*          11.13   Dirijo-me a vós outros que sois gentios. A razão pela qual Paulo destaca os gentios na igreja de Roma torna-se claro nos vs. 17-24.

 

eu sou apóstolo dos gentios. Paulo nos provê aqui um discernimento ímpar em seu pensamento sobre o seu próprio ministério entre os gentios. Esse ministério também tinha o seu próprio povo judeu em vista, em termos de 9.19 e 11.11 (At 9.15; Ef 3.1 e Gl 2.8).

 

*          11.15   senão vida dentre os mortos. Esta frase pode simplesmente denotar bênção sem precedentes. Embora o fraseado seja levemente diferente do uso normal de Paulo ("ressurreição dos mortos", 1.4; cf. 1Co 15.12,13,21,42), alguns estudiosos tomam essa frase como uma referência à ressurreição geral do último dia, compreendendo a conversão dos judeus como um evento do fim dos tempos, um precursor imediato da ressurreição final.

 

*          11.16   igualmente o será a sua totalidade. Paulo aplica aqui espiritualmente o princípio de que as primícias servem de garantia da colheita final (cf. Nm 15.17-21).

 

*          11.17   oliveira brava, foste enxertado em meio deles. Ver Jr 11.16; Os 14.6 quanto a Israel como uma oliveira. Ramos de oliveira brava parecem ter sido enxertados em oliveiras cultivadas, dando-lhes uma nova vitalidade. As palavras de Paulo, entretanto, intencionalmente ultrapassam os limites da horticultura estrita. Os gentios foram enxertados no povo de Deus, de uma maneira "contrária à natureza" (v. 24).

 

*          11.18   não te glories. Visto que a salvação dos gentios deve-se inteiramente à graça divina, eles não tinham causa alguma de jactância, desprezando os crentes judeus. Essa arrogância gentílica, em relação aos judeus, simplesmente refletiria o mesmo orgulho espiritual que provocara o endurecimento de coração dos judeus (2.17).

 

*          11.20   Se a observação feita a Paulo, no v. 19, expressa uma verdade formal, a quebra dos ramos judaicos foi um ato de julgamento justo contra a incredulidade, e o enxerto dos gentios é uma questão de graça, e, por conseguinte, de fé. O enxerto dos gentios (v. 19), por conseguinte, não está alicerçado sobre qualquer qualidade superior dos gentios.

 

teme. Um respeito de espírito terno, e não a arrogância, é a reação apropriada diante da graça de Deus.

 

*          11.22   Considerai, pois, a bondade e a severidade de Deus. Ver "O Propósito de Deus: Predestinação e Pré-Conhecimento", em Ml 1.2. Os crentes gentílicos são exortados a levar a sério a revelação do caráter de Deus nesses eventos da providência divina. A bondade de Deus só produz fruto quando o seu povo continua nessa bondade (2.4).

 

*          11.23,24          O fato de Israel ter sido cortado tem por motivo a sua incredulidade, e não porque os gentios estivessem inerentemente melhor qualificados para a vida na oliveira. Ademais, os crentes gentios nunca deveriam esquecer-se de que o evangelho veio primeiramente aos judeus (1.16,17).

 

*          11.25-32         O raciocínio de Paulo, neste passo, tem sido compreendido de três maneiras principais: (a) ele está mostrando como Deus salva todo o seu povo eleito ("todo o Israel", no v. 26, deve ser tomado como basicamente sinônimo de Igreja, ou seja, o Israel espiritual); (b) ele está mostrando como Deus salva a todos os eleitos de Israel, que deverão ser salvos; (c) ele está mostrando como Deus trará, no futuro, a salvação ao povo judeu, tão amplamente divulgada que, num sentido geral óbvio, pode-se dizer que “todo o Israel será salvo” (v.26). Não obstante às dificuldades, alguma forma deste último ponto-de-vista parece ser o mais provável, e isso pelas seguintes razões. Em primeiro lugar, indícios disso parecem ter aparecido já nos vs. 11, 12, 15, 16 e 24. Em segundo lugar, o v. 25 sugere que o fim do endurecimento parcial de Israel está em vista. Terceiro, "Israel", no v. 26, não é naturalmente interpretado como se fosse uma entidade diferente do Israel em mira nos vs. 1-24 e nos vs. 28-31, onde está em foco o Israel nacional (e não o Israel espiritual). Em quarto lugar, "mistério", no v. 25, pareceria impróprio e exagerado se o ensino de Paulo fosse simplesmente que todos os judeus eleitos seriam salvos. Finalmente, esse ponto de vista concorda bem com as citações nos vs. 26 e 27, de Is 59.20,21; 27.9; Jr 31.33,34, que parecem falar de um banimento compreensivo daquele pecado que tem sido a causa da alienação entre Israel e Deus.

 

*          11.25   mistério. Tanto nos escritos de Paulo como no pensamento judaico em geral, um segredo divino é algo que somente agora estava sendo revelado. Alguns intérpretes concluem que aquilo que se segue de imediato constitui o mistério (provavelmente a conversão generalizada dos judeus). Outros pensam que o mistério é o padrão da operação de Deus na inter-relação entre os judeus e os gentios, referida no v. 11.

 

haja entrado. Uma expressão usada raramente nos escritos paulinos, mas comum nos evangelhos para descrever a entrada na vida ou no reino de Deus (p.ex., Mc 9.47).

 

plenitude. O termo "plenitude", aqui usado, parece ter uma conotação numérica específica.

 

*          11.26   todo o Israel. Uma expressão crítica dentro deste ponto do argumento de Paulo, e cujo significado tem sido muito debatido. Poderia significar "todo o Israel (espiritual)", ou seja, todas as pessoas eleitas, tanto judeus como gentios. Alternativamente, poderia significar "todo" Israel no sentido de "todos os judeus destinados a serem salvos através da história". Ou então, conforme foi sugerido acima, poderia apontar para um tempo de conversões em massa entre o povo judeu. Ver 11.25-32, nota, pontos (a), (b) e (c). A exegese de "todo o Israel" dependerá da interpretação e do peso de outros fatores existentes na passagem.

 

Virá de Sião o Libertador. A citação foi extraída de Sl 14.7; Is 27.9 e Is 59.20,21.

 

*          11.29   os dons... são irrevogáveis. Ver "Dons e Ministérios", em Ef 4.7.

 

*          11.30   O argumento de Paulo se encerra de uma maneira paralela à de 3.19-21, salientando o fato de que judeus e gentios estão unidos quanto a duas coisas: a desobediência produzida pelo pecado, e o oferecimento da misericórdia divina a eles. A sabedoria e a soberania da graça de Deus são demonstradas na maneira pela qual os propósitos divinos terão cumprimento: a desobediência dos judeus fez a misericórdia de Deus atingir os gentios; e a misericórdia de Deus para com os gentios levará ao recebimento da misericórdia divina por parte dos judeus. Não há qualquer diferença entre eles — todos (judeus e gentios igualmente) cometeram pecado (3.23), e Deus tem misericórdia de ambos (1.16).

 

*          11.33-36         Tendo exposto os vários pontos que fazem parte de seu argumento, agora Paulo responde de maneira lírica, como um cântico de louvor que atinge alturas correspondentes à profundidade que ele tinha feito soar em 9.2,3. O trato de Deus com judeus e gentios exibe uma interrelação de sua majestade onde sua vontade soberana ("dele"), sua atividade soberana ("por meio dele") e sua glória soberana ("para ele") são ricamente exibidas (v. 36).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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