*          12.1     A doxologia, no fim do capítulo 11, e a natureza da abertura dos versículos do capítulo 12, assinalam um novo estágio na exposição paulina. Doravante, até a conclusão da epístola, ele está preocupado em aplicar o seu ensino.

 

pelas misericórdias de Deus. O amor pelos pobres e necessitados, e o sustento daqueles que não conseguem sustentar-se neste mundo de pecado (cf. Lc 10.36,37). A doutrina da graça, nos capítulos 3-11, leva a uma vida motivada pela gratidão.

 

apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo. Judeus e gentios agora formam um único povo de Deus, em favor de quem o sacrifício final de sangue fora feito (3.25). O sacrifício que resta é o de uma reação agradecida (cf. 6.17). "Corpo" significa pessoa em sua inteireza, como indivíduo que vive em seu corpo físico (6.12,13,19 e 8.13).

 

o vosso culto racional. A adoração que criaturas redimidas oferecem apropriadamente.

 

*          12.2     não vos conformeis... transformai-vos pela renovação da vossa mente. A atitude mental do crente deve ser determinada e remodelada pelo conhecimento do evangelho, mediante o poder do Espírito e pelos interesses da vida por vir (8.5-9; 13.11-14), e não pelas modas passageiras desta época (2Co 4.18; 1Jo 2.17). Somente através dessa renovação santificadora o crente torna-se sensível o bastante para "provar" (discernir) o comportamento que está em consonância com a vontade de Deus em cada situação.

 

*          12.3     pela graça que me foi dada. O ministério de Paulo só existia em razão da graça divina (1.5), tal como os seus dons espirituais (no grego, xarísmata, v. 6). A percepção realista dos próprios dons ("pense com moderação") é algo essencial e envolve o reconhecimento da própria "medida da fé", ou seja, saber até que extensão a fé do indivíduo é apropriada para o exercício de algum dom particular (v. 6). A fé mediante a qual somos justificados é uma questão distinta da fé aqui referida.

 

*          12.4-8             Tal como 1 Co 12, Paulo lança mão da analogia do corpo, com suas várias partes, para ilustrar a natureza da Igreja. Ele salienta sua unidade (v. 5), sua diversidade (v. 6) e a necessidade de reconhecer os próprios dons e fazer uso apropriado dos mesmos (vs. 6-8).

 

*          12.6     tendo... diferentes dons segundo a graça que nos foi dada. Ver "Dons e Ministérios", em Ef 4.7.

 

profecia. Profetizar é falar a palavra de Deus, mas a natureza da profecia, no Novo Testamento, em parte alguma é definida, e é muito debatida. A profecia é reconhecida aqui e em outras passagens do ensino (v. 7; At 13.1; 1Co 12.29; Ef 4.11), talvez por causa do maior senso de urgência e de espontaneidade vinculada a ela (At 13.1-3; 21.10,11).

 

seja segundo a proporção da fé. Alguns intérpretes vêem aqui a "fé" como se fora a própria fé do profeta (cf. vs. 3,6). Outros entendem que "fé" significa o conteúdo de verdade do evangelho como o padrão e a medida de cada declaração profética, testando se a declaração se conforma ao "padrão das sãs palavras" (2Tm 1.13).

 

*          12.7,8              Paulo reconhece a grande variedade e a natureza prática desses dons (no grego, xarísmata), bem como o entrelaçamento dos dotes naturais com os dons espirituais. Mas por toda a parte, torna-se claro que a bênção daqueles que recebem esse ministério da profecia deve ser a consideração por excelência no emprego dos dons espirituais.

 

*          12.9-21           Tal como fez em 1Co 12—13, ao discutir sobre a Igreja como o corpo de Cristo, Paulo salienta a importância do amor. Sua série de rápidas exortações reverbera o ensino de Jesus e é expressa em uma linguagem vívida.

 

*          12.9     sem hipocrisia. Nos dramas clássicos dos gregos, o hypokrites (ator) usava uma máscara que lhe cobria o rosto. O comportamento amoroso dos crentes não deveria ser como quem toma parte em um papel, usando uma máscara, mas antes, que seja uma expressão autêntica de boa-vontade.

 

*          12.10   Amai-vos cordialmente... com amor fraternal. Uma combinação linguística incomum do amor fraternal com o amor do afeto natural. A Igreja é uma família, a "casa de Deus" (1Tm 3.15; cf. 1Tm 5.1,2).

 

*          12.11   Não deve haver hesitação ou preguiça na vida cristã. O crente deveria ser "fervoroso", vivendo em Cristo com entusiasmo e energia.

 

*          12.13   hospitalidade. A hospitalidade para com os crentes visitantes era um aspecto importante da vida cristã primitiva (Hb 13.2; 3Jo 5—8).

 

*          12.14 Ver Lucas 6.27,28.

 

*          12.15   Ver Lucas 6.31. A unidade genuína do corpo de Cristo é evidente especialmente na simpatia entre seus membros, em momentos de grande alegria ou de profunda tristeza.

 

*          12.16   A linguagem usada por Paulo dá a idéia de que os crentes compartilhavam dos mesmos pensamentos uns com os outros, uma outra indicação do papel estratégico da mente na santificação (vs. 1,2). Uma das manifestações disso será a ausência de presunção e de orgulho nas posições seculares (Fp 2.1-8). Os crentes deveriam distinguir-se por sua prontidão em se "associarem aos humildes".

 

não sejais sábios aos vossos próprios olhos. Ver Pv 3.7. Esse é mais um enfoque sobre o âmbito dos pensamentos. A forma que pensamos determina a nossa maneira de viver.

 

*          12.17   O tema unificador dos vs. 17-21 é a maneira como o crente reage diante de um meio ambiente não-cristão.

 

*          12.18   tende paz com todos os homens. O crente é um pacificador por obrigação e por ideal de vida. Nem sempre a harmonia é possível, visto que a verdade tanto divide quanto unifica. A dupla qualificação de Paulo ("se possível" e "quanto depender de vós") reconhece esse fato, mas permanece de pé a nossa obrigação de esforçarmo-nos por manter a paz nas relações pessoais.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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