*          2.1-16             Naquilo que se segue, Paulo volta-se para um representante imaginário de um grupo de pessoas real e identificável. Embora ele tenha mencionado especificamente os judeus tão-somente, no v. 17, provavelmente ele já os tinha em mente. Eles concordam com a declaração paulina sobre a ira de Deus, mas supõem-se a salvo dessa ira (o que explica a severa advertência do apóstolo no v. 5). Mas a natureza dessa presunção, se não em sua forma específica, não se limita aos judeus. Neste contexto, Paulo firma os princípios do julgamento divino que todos os seres humanos terão que enfrentar. Esse julgamento está baseado sobre a verdade (v. 2) e será marcado pela retidão (v. 5). Será de conformidade com as obras de cada um (v. 6), imparcial em sua natureza (v. 11), e executado por meio de Cristo (v. 16). Esse julgamento divino trará uma agonizante ruína a todos os pecadores (vs. 8, 9).

 

*          2.1                   indesculpável. Paulo desmascara aqueles que concordavam com a exposição dele da ira divina sobre o pecado (1.18-32), mas supunham-se imunes a ela.

 

Pois praticas as próprias coisas que condenas. Naquilo em que condenam a outras pessoas, na verdade condenam a si mesmos (v. 3).

 

*          2.2      é segundo a verdade. Um elo com 1.18. O julgamento divino se baseia sobre a realidade da reação ou falta de reação do indivíduo a ele, e não sobre outras considerações.

 

*          2.4                   Ou desprezas. Eles se recusam a reconhecer que a bondade de Deus tem por intenção produzir a tristeza por causa do pecado e o abandono do mesmo. Eles desprezam esse propósito da generosidade divina, e, assim sendo, mostram o seu desdém pelo próprio Deus. Ver "Deus É Amor: Bondade e a Fidelidade", em Sl 136.1.

 

*          2.5                   acumulas contra ti mesmo ira. A presunção religiosa consiste em "dureza" de coração, visto que uma contínua resistência aos propósitos de Deus, na exibição de sua graça, é a recusa de fazer a vontade de Deus, e aumenta o senso de culpa, ao mesmo tempo em que protesta inocência. A ira vai sendo acumulada (ver referência lateral), apontando para uma punição proporcional, no inferno.

 

*          2.6-10              A base do julgamento será aquilo que as pessoas tiverem sido ou feito (v. 6). Paulo não estava negando aqui o que enfatiza em outros lugares: que a salvação é uma dádiva, e não uma recompensa (5.15,17; 6.23). O julgamento divino está baseado sobre cada aspecto do relacionamento pessoal com Deus. Somente aqueles que recebem a graça é que, de fato, aspiram "glória, honra e imortalidade" (v. 7). Há, porém, aqueles que são "facciosos" (v. 8), e não buscam honrar a Deus. Paulo ensina que se a salvação vem pela graça divina, o julgamento será de acordo com as obras de cada um (2Co 5.10). À parte da graça, só será possível um veredito: "ao judeu primeiro, e também ao grego" (v. 10; cf. 1.16).

 

*          2.11     Uma correta posição diante de Deus não tem base em motivos étnicos, e nem quaisquer distinções autogeradas entre a humanidade (9.6-13; Gl 6.15).

 

*          2.12-16           Os judeus estavam prontos para apelar à lei de Moisés, que eles possuíam, mas não os povos gentílicos. Fica implícito que, nessa conexão, Deus mostra "parcialidade" (v. 11). O papel da lei é um dos principais temas da epístola aos Romanos (3.27-31; 4.13-15; 5.13-15; 6.14,15; 7.1-25; 13.8-10). Temos aqui a primeira discussão acerca do papel da lei. Paulo mostrou que aquilo que agrada a Deus não é o conhecimento da lei, mas a obediência à vontade revelada de Deus através da lei. Por conseguinte, "não há acepção de pessoas" (v. 11).

 

*          2.12     todos os que pecaram. Essa categoria inclui a todos, conforme fica claro em 3.19,20,23.

 

lei. A lei de Moisés, cristalizada nos Dez Mandamentos (Êx 20.1-17; Dt 5.1-22). A lei mosaica já revela a condenação divina contra o pecado, mas a causa do pecado jaz em nossos corações, ou seja, profundamente arraigada em nossa natureza, e não na lei (7.13). O conhecimento da "norma da lei" (v. 15) também reside no coração, porquanto a humanidade foi criada à imagem de Deus (Gn 1.26,27). Visto que Deus julga as pessoas de acordo com padrões que lhes der a conhecer, a defesa baseada na ignorância da legislação mosaica é irrelevante e ilegítima. Não será o grau da revelação recebida, mas a reação diante da própria revelação, sem importar como e quando recebida, que se mostrará crítica "no dia em que Deus julgar" (v. 16).

 

*          2.14     procedem, por natureza, de conformidade com a lei. Nenhum ser humano pode ser justificado com base na sua justiça própria, mas a presença universal de padrões morais (embora com vários graus de clareza), e o senso comum de obrigação diante desses padrões, indicam uma constituição moral universal e o senso de que o indivíduo terá que prestar conta diante de Deus. Isso é evidenciado pelo testemunho prestado pela sua "consciência" (v. 15). Ver "A Consciência e a Lei", em 1Sm 24.7.

 

*          2.16     por meio de Cristo Jesus. Todo julgamento foi deixado aos cuidados Dele (Mt 7.21-23; 25.31-33; Jo 5.22; 2Co 5.10). Esse julgamento será infalível, penetrando nos "pensamentos e intuitos do coração" (Hb 4.12,13); e coisa alguma será ocultada do Juiz. E ninguém poderá dizer que é injusto que seres humanos sejam julgados pelo ser divino, visto que o agente do julgamento será o Cristo encarnado, sendo ele mesmo um homem. Ver o "O Juízo Final", em Mt 25.41.

 

meu evangelho. O evangelho pregado por Paulo. Nesse evangelho, as más novas do julgamento antecedem as boas novas da graça divina.

 

*          2.17-29           Paulo volta-se agora, diretamente, para a reivindicação judaica de privilégios especiais, tratando com maiores detalhes acerca da possessão da lei (vs. 17-24) e da circuncisão (vs. 25-29). Em conexão com a lei, ele imprime força à reivindicação que aparece no v. 1, que os judeus eram culpados dos pecados pelos quais eles condenavam outras pessoas. Em conexão com a circuncisão, o apóstolo argumentou que o sinal, sem a sua realidade, não tem sentido.

 

*          2.17-20           Paulo alistou aqui os privilégios de que os judeus se jactavam, pensando que essas bênçãos lhes davam superioridade sobre outras pessoas.

 

*          2.21-23           As responsabilidades que acompanhavam os privilégios não tinham sido cumpridas. Paulo especifica os mandamentos contra o adultério, o sacrilégio e o furto (Êx 20.4,5,14,15).

 

*          2.25     a circuncisão... valor. O argumento de Paulo, neste segundo capítulo, chega agora ao seu clímax. A condenação resulta do fracasso de obedecer a revelação de qualquer tipo. Os judeus tinham transgredido particularmente a lei mosaica, esvaziando a circuncisão de seu real significado. Paulo reconheceu os privilégios dos judeus (9.4,5), e da circuncisão em particular (3.1,2; 4.11). Mas a circuncisão física era símbolo da santificação e da renovação da vida (v. 25; Dt 30.6). A realidade, e não apenas o sinal, é a questão vital, e pode ser possuída a parte do judaísmo (vs. 26,27).

 

*          2.29     Porém judeu é aquele que. A obra do Espírito, que deriva-se de uma vida centrada em Deus, e não a possessão da "circuncisão... exteriormente" (v. 28), e a "letra" (v. 27), é que torna o indivíduo membro do povo em aliança com Deus. Conforme Paulo demonstrará, a sua conclusão poderia chocar os judeus aos quais ele se dirigia, mas estava alicerçada sobre o ensino do próprio Antigo Testamento (cf. 9.6).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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