* 5.1 temos paz. Ver a
referência lateral. Numerosos manuscritos apóiam a tradução "tenhamos
paz". Mas o fluxo da lógica paulina dá sustentação à primeira dessas
possíveis traduções. O fato que "acabamos agora de receber a
reconciliação" (v. 11), subentende que já desfrutamos de paz com Deus. Uma
vez estabelecida essa paz, agora temos acesso à presença de Deus. O muro de
separação foi removido. Essa paz não é uma trégua guardada, sujeita a nova
eclosão de guerra. Antes, trata-se de uma paz permanente.
* 5.2 na esperança. No Novo
Testamento, a esperança é a certeza de que receberemos algo que ainda não está
sendo plenamente experimentado, o que é inteiramente diferente da incerteza, do
pensamento desejoso. Que essa esperança não será frustrada é garantido aqui e
agora pelo amor de Deus que o Espírito Santo derrama nos corações dos crentes
(vs. 4,5).
* 5.4 experiência. Ver a
referência lateral. Essa experiência confirma a nossa confiança de que a glória
pela qual esperamos uma dia nos pertencerá (8.17-25).
* 5.6 Cristo... morreu. A natureza
desse amor derramado (v. 5) é visto na cruz. Ali Deus agiu "no devido
tempo" (ver a referência lateral), tanto no sentido que a morte de Cristo
teve lugar de acordo com o tempo de Deus (Jo 17.1; At 2.23; Gl 4.4), como
também porque essa bênção nos veio no momento de nossa mais profunda
necessidade. Esse é o ponto tocado por Paulo quando ele diz: "quando nós
ainda éramos fracos" (v. 6), "sendo nós ainda pecadores" (v.8) e
"quando inimigos" (v. 10).
* 5.8-11 Tal
como o trecho de 8.1-4,32, esta passagem ilumina o propósito especial e a
eficácia que Paulo atribui regularmente à morte de Cristo. Em outras palavras,
Cristo morreu especificamente "por nós" (v. 8), os quais agora cremos
e estamos justificados mediante a nossa fé, pois a sua morte realmente obteve
para nós a "reconciliação" que "acabamos agora de receber"
(v. 11). Ver a "Redenção Definida", em Jo 10.10.
* 5.9 muito mais agora. Paulo
argumentou do maior para o menor. Se Deus operou por nós a obra da
reconciliação, ao custo do sofrimento e da morte de seu Filho, ele não negará a
salvação final que é "através dele" e "pelo seu sangue", na
qualidade de Mediador assunto ao céu. Guardar para a salvação final aqueles que
já foram justificados é simplesmente Deus seguindo avante o Seu propósito
inicial de amá-los. A expressão mais decisiva e mais cara desse propósito de
amor foi a morte reconciliadora e real de Cristo, que garantiu a justificação e
a glorificação daqueles por quem ele morreu (8.32).
* 5.10 fomos reconciliados. Somente
Paulo no Novo Testamento descreve como reconciliação a obra de Cristo que leva
sobre si o pecado (11.15; 2Co 5.18-20; Ef 2.16; Cl 1.20,22), embora a idéia já
se faça presente no Antigo Testamento, especialmente no livro de Oséias. A
alienação de Deus com respeito a nós chegou ao fim mediante a remoção da causa
da alienação (nosso pecado, culpa e condenação) através da morte de Cristo (cf.
2Co 5.21). Nesse sentido, a reconciliação é objetiva (2Co 5.18,19). Todavia,
ela precisa ser “recebida” (v.11; cf. 2Co 5.20), pela rejeição da nossa própria
alienação e hostilidade, a saber, mediante o arrependimento e a fé em Cristo.
* 5.12-21 A palavra "portanto", usada
no começo do v. 12, indica que aquilo que se segue está ligado, na mente de
Paulo, com o que precedeu, pelo que a comparação e o contraste que ele traça
entre Adão e Cristo, é sua elaboração teológica do que já havia sido dito.
Paulo salienta a idéia de "um só homem" por toda esta passagem (vs.
12,15-17 e 19), e isso indica que ele encarava tanto Adão como Cristo como
indivíduos históricos. No caso de Adão, ele enfoca a atenção sobre a sua
"ofensa" (vs. 16, 18 e a referência lateral), mediante a qual todos
os homens "se tornam pecadores" (v. 19). Eles mostraram-se solidários
com Adão, que foi o representante deles diante de Deus, e isso os constituiu
pecadores, quando Adão pecou.
* 5.12 assim como... entrou o pecado no mundo. Paulo
começa a fazer aqui uma comparação que não foi concluída senão nos vs. 18-21. A
comparação foi interrompida mediante uma meditação que continua até o v. 17.
como por um só homem. A morte
não é natural para a humanidade, mas resulta diretamente do pecado (Gn 2.17).
porque todos pecaram. O reino
universal da morte é a consequência do pecado. Paulo não explicou como toda a
humanidade se viu envolvida com Adão em seu pecado, mas simplesmente asseverou
o fato. Todos os homens pecaram no pecado de Adão. Ver "Pecado Original e
Depravação Total", em Sl 51.11.
* 5.14 reinou a morte. Todos os
seres humanos estiveram sujeitos à morte, antes que fosse concedida a lei de
Moisés.
o qual prefigurava aquele que havia
de vir. Adão, o primeiro homem, foi o cabeça divinamente nomeado da
humanidade inteira, e o pecado dele fez todos aqueles a quem ele representava
perderem a retidão ("todos os homens", vs. 12 e 18;
"muitos", vs. 15 e 19). Por semelhante modo, Deus fez de Cristo o
cabeça representante de uma nova humanidade, a fim de que, mediante a sua
obediência diante da morte, pudesse obter a justificação deles. Inerente a esse
ensino é a idéia de que a restauração provida na salvação deve seguir o padrão,
e reverter o conteúdo da constituição original da humanidade diante de Deus
(1Co 15.45-49; Hb 2.14-18).
* 5.15 não é assim o dom gratuito como a ofensa. Ver a
referência lateral. Paulo exprimiu aqui o contraste entre Cristo e Adão, nos
vs. 15-17. Não somente os atos entre eles são antitéticos, mas a graça da obra
de Cristo é vista como maior do que o pecado, o julgamento e a condenação de
Adão, quanto à maneira como a realização de Cristo trouxe justificação, retidão
e vida a almas arruinadas ("muito mais", vs. 15 e 17).
* 5.16 o julgamento derivou de uma só ofensa. Ver
"A Queda", em Gn 3.14.
* 5.18,19 Paulo retorna ao principal impacto
de sua analogia, a saber, que há um paralelo entre Adão e Cristo, visto que a
condenação e a justificação são frutos diretos de suas ações. Com base nos atos
de "um só", "muitos" são constituídos ou pecadores ou
justos. Adão é o cabeça representante bem como a raiz física de todos, pois
todos pecaram e caíram quando ele pecou. Em contraste, mediante a
"obediência de um só", aqueles que são representados por Cristo,
foram feitos "justos" em Cristo (ver "A Humilde Obediência de
Cristo", em Jo 5.29). Cristo é o Cabeça representante deles, bem como a
raiz espiritual da nova humanidade, pois mediante a sua ressurreição, eles receberam
tanto o novo nascimento quanto uma vívida esperança (1Pe 1.3; Ef 2.1-7).
* 5.20 Sobreveio a lei. A lei foi
dada como um elemento adicional (pós-queda) no trato de Deus com o seu povo, a
fim de que "avultasse a ofensa". Enquanto o pecado estava no mundo
antes que a lei fosse dada (v. 13), a lei revela o pecado em seu caráter
específico como transgressão, o ultrapassar de um conjunto de regras
padronizadas. Tais declínios "abundam", porquanto as demandas da lei
despertam desejos contrários nos corações dos pecadores (7.5,8). Mas em face
desse aumento do pecado, "superabundou a graça", não somente mantendo
o mesmo passo com a ofensa, mas até ultrapassando-a, na grande salvação
realizada por meio de Cristo.
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sergiovalentin