* 6.1-14 A insistência de Paulo de que o
aumento do pecado é compensado pelo aumento da graça (5.20), levou à pergunta
que ele agora levanta. Tão grande foi a sua ênfase sobre a liberdade da graça
divina , em face do pecado, que a sua pregação foi acusada de tendências
antinomianas, ou seja, a ignorância dos requisitos éticos da lei (3.8). Agora
ele frisava o ponto de que continuar no pecado envolveria uma contradição da
nova identidade do crente em Cristo. Em face dessa nova identidade (v. 11), os
crentes devem rejeitar a idéia de que a permissão de pecar usurpe autoridade
sobre as suas vidas; pelo contrário, devem entregar sua vida inteira a Deus
(vs. 12,13), na certeza de que, visto estarem sob a graça divina e não sob a
lei, como meio da salvação deles, o pecado não é mais o seu senhor.
* 6.2 De modo nenhum. Uma
expressão freqüentemente usada por Paulo para exprimir um retrocesso
escandaloso (3.31; 6.15; 7.7,13; 9.14; 11.1,11).
nós os que para ele morremos. O ponto
destacado por Paulo é que os crentes foram realmente unidos a Cristo, tanto em
sua morte quanto em sua ressurreição, e que isso alterou de tal modo a condição
deles que continuarem pecando como antes não somente é impróprio, mas também é,
realmente, impossível.
* 6.3,4 O batismo em água, o sinal e o selo da união
inicial com Cristo, é a cerimônia de sepultamento para o "velho
homem" (v. 6), bem como a cerimônia de inauguração para a nova pessoa em
Cristo (v. 4). Como tal, o batismo proclama que aqueles que estão unidos com
Cristo morreram para o pecado. De Rm 5.20 a Rm 8.4, o pecado é apresentado como
a força impulsionadora que produz atos pecaminosos, e que é personificado como
um capataz tirânico, exigindo domínio e que precisa ser resistido. Ver a nota
teológica "Batismo", índice.
* 6.6 foi crucificado com ele o
nosso velho homem. Se o "velho homem" abrange a vida de antes
da conversão, inclui também muito mais, e deveria ser interpretado à luz de
5.12-21, dando a entender tudo quanto éramos em nossa união com Adão. Devemos
pensar que tudo isso foi encravado na cruz, a fim de morrer.
o corpo do pecado. Talvez no
sentido do pecado como uma massa, como um corpo; mas provavelmente o corpo
físico visto como a esfera na qual o pecado reinava (cf. "corpo desta
morte", em 7.24).
seja destruído. A união
com Cristo em sua morte não destrói o nosso corpo como tal, mas põe fim ao
papel do corpo como o instrumento inescapável do pecado, destruindo o reino do
pecado no corpo. Os corpos dos crentes são agora dedicados a Cristo e produzem
fruto santo em seu serviço (6.13,22; 7.4; 12.1). Não somos mais "escravos
do pecado" visto que a vida no corpo, dominada pelo desejo ardente de
pecar, cedeu lugar à vida no corpo dominada pela paixão pela justiça e pela
santidade (v. 18).
* 6.7 está justificado do pecado. Ver a
referência lateral. Aqui a linguagem tem uma nuance adicional de "livrado
do", porquanto Paulo estava discutindo o reinado do pecado, e não
meramente a sua culpa (vs. 17-22). Paulo personificou o pecado como se fosse um
monarca (5.21); como um general que usa várias partes do corpo como armas
("instrumentos, v. 13 e referência lateral); e também como um empregador
que paga salário ao seu empregado (v. 23).
* 6.8 também com ele viveremos. Isso
inclui a idéia da ressurreição, mas também deixa implícita a nossa presente
participação na vida ressurrecta de Cristo, como alguém que está "vivo
para Deus em Cristo Jesus" (v. 11).
* 6.11 considerai-vos mortos. Deve-se
reconhecer que aquilo que foi dito nos vs. 1-10 já era a verdade a respeito do
crente.
* 6.12 Não reine... o pecado. Visto que
o reinado do pecado foi quebrado, todas as tentativas do pecado por recuperar o
domínio podem e devem ser resistidas. O corpo (v. 13), outrora dominado por
desejos pecaminosos, não mais deve ceder diante desses desejos.
* 6.13 oferecei-vos a Deus. Paulo via
o segredo da santificação como a entrega da pessoa por inteiro a Deus, da qual
se segue o oferecimento das várias partes do corpo a ele.
como ressurrectos dentre os mortos. Tudo isso
deve ser feito em consciente conhecimento e como uma expressão deliberada, de
nossa nova identidade em Cristo.
* 6.14 o pecado não terá domínio sobre vós. Temos aqui
uma declaração indicativa, uma promessa, e não um imperativo ou uma exortação.
pois não estais debaixo da lei, e,
sim, da graça. O princípio controlador na vida do crente é o reinado da
graça, que nos livra do reinado do pecado (5.21), e nos transforma segundo a
semelhança de Cristo.
* 6.15-23 O fato de que o crente não está
debaixo da lei, mas debaixo da graça divina poderia parecer que provê licença
para a negligência moral. Mas Paulo nega isso, visto que, sob o reinado da
graça, os crentes tornaram-se escravos de Deus. A liberdade concedida pela
graça, portanto, é a liberdade para obedecer e servir, e não uma permissão para
pecar. Ver "Liberdade e Escravidão da Vontade", em Jr 17.19.
* 6.17 graças a Deus. Ao mesmo
tempo em que Paulo salienta a atividade do indivíduo na conversão ("vos
ofereceis", v. 16: "viestes a obedecer", v. 17), ele atribui,
agradecido, toda a correta reação espiritual à graça de Deus. Se o indivíduo é
ativo na conversão, ele o fez de maneira não-contribuinte e não-meritória, de
tal modo que não ficam comprometidas nem a graça e nem a soberania divinas.
viestes a obedecer de coração à
forma de doutrina a que fostes entregues. Ver a referência lateral. O
oposto à servidão ao pecado é a submissão do novo estilo de vida que é
produzido pela graça. À vista disto aqui estão tanto o próprio evangelho como o
tipo de ensino dado nos capítulos 12—16, talvez tendo o próprio Cristo como
modelo (cf. Ef 4.20,21).
* 6.18 uma vez libertados do pecado. Ver a
"Liberdade Cristã", em Gl 5.7.
* 6.19 Falo como homem, por causa da fraqueza da
vossa carne. A ilustração da escravidão é uma representação inadequada da
vida cristã, especialmente em um contexto romano, porquanto poderia dar a idéia
de uma dura conotação da servidão humana e expressar inadequadamente a verdade
de que o jugo de Cristo é suave (Mt 11.28-30). Não obstante, Paulo retém a
metáfora, talvez acreditando que o perigo maior consiste em deixar de cumprir a
responsabilidade moral pessoal diante do Senhor.
para a escravidão da impureza. A
pecaminosidade não se estaciona, mas entra em decadência e se agrava.
* 6.23 O tríplice contraste do salário, do pecado
e da morte, com o dom, Deus e a vida eterna, leva o argumento de Paulo a um
enfoque memorável.
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sergiovalentin