*          9.1-5    O próprio Paulo agora explica a rejeição da maioria de seus compatriotas judeus ao evangelho.

 

*          9.1                   testemunhando... a minha própria consciência. Em parte alguma as Escrituras definem a "consciência". Aqui, como em 2.15 e 13.5, Paulo pensa claramente sobre a consciência como um autoconhecimento moral, comunicado pela revelação divina. Paulo estava fazendo um juramento legal, acerca de sua sinceridade.

 

*          9.3                   eu mesmo desejaria ser anátema. Embora Paulo seja o apóstolo dos gentios, ele reverbera os sentimentos de Moisés em face da incredulidade dos judeus (Êx 32.30-32). Eles são seus próprios compatriotas, e Paulo agoniza por eles (v. 2). Estar disposto a sofrer a maldição divina, por eles, é uma fortíssima declaração de amor.

 

*          9.4                   Pertence-lhes a adoção. A incredulidade de Israel é destacada pelas inúmeras bênçãos por eles experimentada. Nesses oito privilégios que Paulo alistou nos vs. 4 e 5, ele confirma sua anterior declaração em 3.1,2.

 

*          9.5                   Cristo... Deus bendito para todo o sempre. O texto corretamente traduz as palavras de Paulo como atribuição direta da deidade a Cristo. Ver "Jesus Cristo, Deus e Homem", em Jo 1.26.

 

*          9.6                   a palavra de Deus. A promessa e o plano de Deus de que seria o Deus da descendência de Abraão (Gn 17.7,8), estão aqui em foco. Na era do Antigo Testamento, a descendência natural não garantia automaticamente a herança da promessa. Deus escolhera quem a herdaria. Esse princípio é evidente nas famílias de Abraão e de Isaque.

 

*          9.11     os gêmeos. O caso de Jacó e Esaú confirma o argumento de três maneiras: (a) Por serem gêmeos e por terem natrurezas tão semelhantes quanto seria possível; (b) porque o propósito de Deus reverteu até a minúscula distinção que existia, levando o irmão mais velho a servir ao mais jovem; (c) porque o propósito de Deus foi declarado antes dos gêmeos terem nascido (e, portanto, não dependia de seus atos). A eleição não se alicerça sobre atos previstos, obras ou fé. Pelo contrário, ela se alicerça sobre a graça predestinadora e soberana de Deus.

 

*          9.13     Amei Jacó, porém me aborreci de Esaú. Esse propósito distintivo de Deus na eleição (v. 11) foi também confirmado pelas palavras de Ml 1.2,3, que explica que o amor de Deus por Israel está arraigado em Sua livre escolha de Jacó, e não de Esaú. "Aborreci de", neste caso, não pode ser reduzido a "amou menos", conforme o contexto de Ml 1.3,4 deixa claro. Antes, deve transmitir o sentido de rejeição e antipatia.

 

*          9.14     Que diremos, pois. Cf. 8.31. Paulo reconhece que a sua declaração prévia não podia ficar sem outro comentário. Poderia o propósito soberano e distinguidor de Deus colocar em jogo o seu atributo de retidão perfeita? A idéia é claramente inconcebível — "De modo nenhum" (6.2,15; 7.7). Paulo explica por quê, ao citar dois textos bíblicos (Êx 33.19; 9.16) nos vs. 15 e 17, de onde ele conclui que Deus é justo ao demonstrar misericórdia para com alguns, ao mesmo tempo em que endurece o coração de outros. Quando Deus usa de misericórdia, isso não aponta para uma pessoa que recebe um galardão adquirido pelos seus próprios esforços, mas é a graça livre e soberana que ele oferece a pessoas moralmente incapazes de qualquer esforço aceitável (1.18—3.20). Deus não deve misericórdia a ninguém, pelo que não há qualquer injustiça quando a misericórdia não é demonstrada. A misericórdia é uma prerrogativa divina; repousa sobre o beneplácito de Deus. Quando Deus "endureceu" o coração de Faraó (v. 18), ele não criou nenhum mal, mas entregou Faraó aos seus maus desejos já existentes, como um ato de julgamento, o que, eventualmente, resultou na manifestação divina de "poder" (v. 22), na destruição do exército de Faraó (Êx 14.17,18,23-28).

 

*          9.17     a Escritura diz a Faraó. Foi Deus quem assim falou a Faraó, pela boca de Moisés (Êx 9.16); mas para o apóstolo Paulo, as palavras das Escrituras e a voz e a autoridade de Deus são uma só coisa.

 

*          9.18     de quem quer. Ver a nota teológica "Eleição e Reprovação", índice.

 

*          9.19     De que se queixa ele ainda. Com que direito Deus pode fazer cair a culpa dos pecados sobre aqueles a quem ele endureceu contra si mesmo? Paulo responde parcialmente em termos da experiência humana (vs. 20,21). É insensato e irreverente alguém questionar a retidão dos caminhos de Deus. Os oleiros têm o direito de fazer o que bem entenderem do barro (Is 64.8). Todos os seres humanos pertencem à "mesma descendência" (cf. vs. 10-13) da humanidade caída em Adão (5.12-14); todos pecam ativamente antes mesmo de Deus endurecê-los no pecado (1.18-28). Que Deus demonstre misericórdia para qualquer um da descendência adâmica, a fim de criar vasos de honra, é a benevolência da graça divina; que outros se tornem vasos menos úteis é uma questão de sua prerrogativa divina, sendo, por si mesma, uma questão de perfeita justiça para com eles.

 

*          9.23     que para glória preparou de antemão. Ver "O Propósito de Deus: Predestinação e Pré-Conhecimento", em Ml 1.2. Paulo não elabora sobre a preparação em vista. A adição das palavras "de antemão", em conexão com os vasos de misericórdia, pode estar apontando para a misericórdia que se originou no beneplácito de Deus desde a eternidade (8.29,30), ao passo que a ira em vista é uma reação direta à impiedade e à injustiça já existentes (cf. 1.18-32). A distinção entre os eleitos e os réprobos não jaz em qualquer coisa neles existente (todos são merecedores da ira divina), mas exclusivamente, depende da vontade de Deus. Dentro desse contexto, entretanto, os que são destinados para a destruição experimentam a ira que é a única retribuição justa e possível contra o pecado.

 

*          9.30     Que diremos, pois. Ver o v. 14. Tendo explicado a incredulidade dos judeus em termos da soberania divina, Paulo agora diagnostica essa incredulidade como devida a um anterior e fatal comprometimento com um falso caminho de retidão. A soberania divina e a culpa da voluntariedade humana eram, para Paulo, dois aspectos da realidade. Mediante a graça e a soberania de Deus, os gentios, que não buscavam a retidão de Deus, agora a tinham recebido, mediante a fé em Cristo, mas Israel, como um povo, tinha deixado de recebê-la, porquanto buscavam a retidão de Deus por meios legais, onde ela não poderia jamais ser encontrada. Cristo tinha sido para os judeus como uma pedra de tropeço (a imagem foi extraída de Is 8.14; 28.16), sobre a qual eles tinham caído (vs. 32,33; 1Pe 2.8).

 

*          9.31     lei de justiça. Mui provavelmente, Paulo tem em mira, uma vez mais, a lei mosaica. O engano no qual os judeus incorriam jazia não no que eles buscavam, mas na maneira como o buscavam ("não decorreu da fé, e, sim, como que das obras", v. 32 e referência lateral).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

-----------------------------------------------------------------------------

www.sergiovalentin.teo.br

[email protected]

LOGO FACE cópia.jpgsergiovalentin