*          1.1-5  Esse prefácio avança rapidamente através do fundo histórico necessário (tempo, lugar, e motivo do conflito), armando o palco para as cenas que se seguirão.

 

*          1.1  Nos dias em que...  Essa expressão traduz a fórmula hebraica padronizada para a abertura de um livro histórico.  O período dos juízes em Israel gozava de má fama como tempo de instabilidade e apostasia.

 

fome.  Os eventos no livro de Rute giram em torno da maldição da fome, e da sua correspondente conversão em bênçãos.  A fome era, às vezes, um sinal da desaprovação divina (1Rs 17.1).  Noemi (1.21) reconhece amargamente a mão soberana de Deus nas suas circunstâncias que, de qualquer maneira, os acontecimentos nunca acontecem à parte dos seus decretos.

 

terra de Moabe.  Lit. “campinas de Moabe.” Os moabitas, que tinham parentesco com Israel através de Ló (Gn 19.37), ocuparam partes da Transjordânia central em várias ocasiões.  Embora Deus inicialmente os protegesse dos invasores isaelitas (Dt 2.9), os moabitas foram subjugados por Saul (1Sm 14.47)  e depois, por Davi (2Sm 8.2). Ver também Dt 23.3.  Houve alguns períodos de relacionamentos amistosos, com consideráveis intercâmbios culturais e econômicos, conforme revela o fato de Davi, enquanto era fugitivo,  ter colocado seus pais aos cuidados do rei de Moabe (1Sm 22.3).  A estadia de Elimeleque em Moabe ocorre durante um período desses.

 

*          1.2  Elimeleque.  Embora a história tenha tido seu clímax quando Deus forneceu um herdeiro imediato para o falecido Elimeleque, o drama enfatiza o papel das mulheres na família (4.14, 16) e a relevância passageira de Elimeleque como ancestral remoto de Davi (4.17-22). 

 

Noemi.  Lit. “agradável” (v. 20-21).  A história de Noemi é contada primeiro.

 

*          1.4       mulheres moabitas.  Essa ação não era proibida, embora Dt 23.3-6 proibisse aos descendentes masculinos o acesso ao templo.  A ironia é que um herdeiro, e um ancestral do rei Davi, nasceria de alguma dessas estrangeiras.

 

*          1.5       ficando, assim, a mulher.  Noemi era uma mulher velha e estéril, num país estrangeiro, com duas noras estrangeiras que não tinham filhos.  Parece uma candidata improvável para desempenhar algum papel na história da redenção segundo a aliança com o Senhor.

 

*          1.6, 7  Esses versículos armam o palco para os vs. 8-18.  As mulheres terão que resolver quais fatores determinarão os seus caminhos:  achar um marido e ter filhos, viver no seu próprio país, ficar perto dos parentes, ou finalmente, para Rute, confiar no Senhor como Deus soberano. O amor de Noemi pelas suas noras, e a sua reação diante de experiências amargas nas mãos de Deus, dominam a cena.  A decisão de Rute, e seu voto irrevogável de fidelidade ao povo de Noemi e ao Deus dela, demonstra claramente o impacto que o caráter e fé que Noemi possuia tiveram sobre sua nora.

 

*          1.6  o SENHOR se lembrara do seu povo.  É soada uma nota de esperança.  A história de Rute nunca perde Deus de vista, cujo amor fiel domina toda a História.

 

*          1.9, 10  iremos contigo.  Essa declaração inicial das duas noras ressalta a tensão dramática. 

 

*          1.11  Tenho ainda... filhos.  Noemi, ao falar em criar mais filhos para substituírem os maridos falecidos, só serviu para aumentar seu senso de perda.  A própria idéia talvez se refira à lei do casamento por levirato.  Segundo essa lei, se um homem morresse, deixando uma viúva, o irmão dele tinha a obrigação de casar-se com a viúva, tomando seu lugar e preservando a linhagem da família (Dt 25.5, 6).  Também existia um costume que quando alguém morresse, um parente chegado (ou “resgatador”) tinha o dever de comprar (ou “redimir”) a herança do falecido.  Exatamente como esses costumes funcionaram na história de Rute e Boaz é assunto de contínuos debates (2.20, nota). 

 

*          1.15  seus deuses.  Um elemento novo é introduzido.  Até a essas alturas, podia ter sido pressuposto que as noras tinham se tornado adoradoras do Senhor. Agora fica claro que a escolha de uma pátria é uma escolha em favor do Deus verdadeiro, ou contra ele. No contexto da escolha de Orfa, a coragem e beleza da declaração de Rute (vs. 16-17) fica tanto mais óbvia. 

 

*          1.19-21  Noemi... pobre.  A pergunta das mulheres (v. 19) expressa como ficaram atônitas porque essa mulher, cujas circunstâncias antes refletiam o seu nome  (“agradável”),  tivesse agora caído em tempos tão adversos. Noemi não hesita em dizer que isto veio do Senhor. Não oferece uma razão, e o narrador não sugere nada a respeito da razão dos sofrimentos dela.

 

*          1.22     Rute... a moabita.  Ela não é uma Rute qualquer. Para a história, é crucial que ela seja lembrada como estrangeira (1.4;  2.2, 6, 21;  4.5, 10;  especialmente 2.10).  Além disso, o leitor pode ser levado a pensar na antepassada de Rute, a filha de Ló, e dos começos incestuosos da nação moabita (Gn 19.30-38).  Nos dois casos o problema é não ter filhos, ou a falta de um herdeiro masculino. 

 

sega da cevada.  Calendários antigos, tais como o Calendário de Gézer, do século X a.C., associavam os meses com o ciclo agricultural. A cevada era o primeiro dos cereais a serem colhidos, em abril;  o trigo era o último.  Na tradição posterior, as colheitas de cevada e de trigo vieram a ser identificadas com as festas da Páscoa e do Pentecostes. A ocasião da colheita era num momento de celebração, de se regozijar juntamente diante de Deus, e de se lembrar dos pobres.  O desenvolvimento da narrativa está vinculado a esse esquema.  As mulheres voltam para casa na ocasião da colheita da cevada, um tempo de favor divino, e o início da restauração frutífera para Noemi.

 

*          2.1-23  O capítulo dois apresenta a última personagem principal, Boaz, e o tema principal:  o do parente chegado, ou redentor, que tem certas responsabilidades para com a família e os bens de um parente que morre (2.20, nota). O narrador, sabendo o que está para acontecer, só dá uma leve indicação quando descreve Boaz como “um parente” no v. 1. Somente depois de a bondade natural de Boaz, e o charme natural de Rute, terem exercido o seu efeito, é que Noemi revela a chave à história inteira:  Boaz “é nosso parente chegado” (2.20 com referência lateral).  Mesmo então, nenhuma reivindicação é feita, não há apelo aos costumes.  Os eventos devem esperar o seu devido curso, enquanto Noemi traça planos, Rute serve em silêncio, e Boaz termina a colheita.  Deus, no entanto, já tinha provido a solução mediante a lei (Lv 25).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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