* 4.1-17 O quarto capítulo ressalta o
propósito divino por detrás da decisão original de Rute no sentido de seguir a
Noemi e ao Deus de Noemi. As disposições necessárias parecem girar em torno de
uma combinação do casamento por levirato (Dt 25.5-10) e as leis do parente
resgatador (Lv 25). Rute foi tomada como esposa, e bênçãos antigas em favor da
sua fertilidade foram invocadas. A
amargura de Noemi é transformada em alegria, e seu neto viria a ser avô do rei
Davi. Nestes eventos revela-se a
providência oculta do Senhor.
* 4.1 à porta.
A entrada de uma cidade era o local usual para as transações
jurídicas e comerciais.
fulano. Boaz deve
ter sabido o nome do homem. O narrador cita Boaz usando uma palavra
indefinida, talvez para não celebrar na
sua história uma pessoa egoísta.
* 4.2 tomou dez homens. Não há registro de uma exigência
jurídica de um número específico de homens.
A tradição judaica posterior, segunda a qual dez homens formam um quórum
para o culto, talvez se derive desse incidente.
Numa cultura rural, onde o uso da escrita era limitado, era importante
um contrato ser lavrado na presença de várias testemunhas oficiais.
* 4.3 a tem para venda. Essa venda
é um elemento novo e surpreendente, da qual nenhum indício foi dado até agora. Os pormenores da venda não são necessários
para a história sendo, portanto, omitidos.
* 4.5 também a tomarás da mão de Rute. Essa associação entre Rute e Noemi,
dentro das leis dos bens e da família de um parente falecido, é uma aplicação
incomum dessas leis. Mas entender esses pormenores não é essencial para o
propósito da narrativa.
* 4.7 tirava o calçado. Pouca coisa se sabe a respeito do
simbolismo desse costume. Fica claro,
porém, que sua finalidade era confirmar legalmente a transação. Ver Dt 25.9-10
(num contexto diferente) e Am 8.6.
* 4.10 para suscitar o nome deste. O
desaparecimento do nome da pessoa depois da morte era considerado um infortúnio
extremo (1Sm 24.21; 2Sm 14.7).
* 4.11 como a Raquel e como a Lia. Essas são as duas esposas de Jacó
(Israel), que foram as mães (naturalmente ou através das suas servas, Zilpa e
Bila) de todos os filhos de Israel, os cabeças das doze tribos.
Efrata... Belém. Assim como
em 1.1-2, esses nomes de lugares, associados com Davi, recebem destaque especial.
* 4.12 seja... como... Perez. Em tempos muito mais antigos, Judá
se tornara pai de Perez pelo motivo de Onã ter se recusado a cumprir a sua
obrigação de parente chegado (Gn 38.29). Perez tornou-se símbolo de
descendência frutífera. Agora, da mesma maneira, Boaz se torna pai de Obede (v.
21) porque outra pessoa se recusou a cumprir a obrigação do levirato. A
despeito das falhas humanas, a linhagem messiânica foi preservada (Mt 1.3,5,
16).
* 4.14-17 Os louvores das mulheres celebram o
cumprimento do amor pactual de Deus a Noemi. Sua nora, Rute, vale mais para ela
do que sete filhos valeriam (v. 15). Além disso, Noemi tem, com efeito, um
filho na pessoa do seu neto Obede (v. 17). Ele se tornará avô de Davi.
* 4.16 Noemi tomou o menino. Possivelmente isto signifique que houve um
procedimento de adoção formal. Mas seja como for, essa cena final é o final
feliz daquilo que é verdadeiramente “A História de Noemi.” A viúva triste que pensava que tivesse
voltado pobre (1.21) recebeu fartura além das suas expectativas (Sl
126.5,6).
* 4.18-22 A genealogia final (Introdução:
Características e Temas) transfere o enfoque de Noemi novamente para Boaz, e
preenche um propósito maior da narrativa. A genealogia começa a partir de
Perez, alguém que conseguiu “irromper” (Gn 38.29, referência lateral), e de
quem as mulheres ao abençoar Rute se lembravam como o filho vigoroso de Tamar
(v. 12). Assim como Rute, Tamar se tornou uma antepassada de Davi de modo
inesperado. Para os leitores do Novo Testamento, Davi não é o ponto final das
provisões de Deus ao seu povo escolhido, à sua noiva segundo a aliança. Mas,
para o seu próprio tempo, a jornada de Rute havia alcançado seu propósito
divinamente determinado.
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sergiovalentin