* 1.1 Sobrescrito. Ver Introdução: Autor;
Data e Ocasião.
Palavra do SENHOR. Esta expressão refere-se à revelação recebida do Senhor e
comunicada através do profeta.
* 1.2-6 O profeta começa com uma proclamação
de julgamento universal (vs. 2, 3), e rapidamente o particulariza contra Judá e
Jerusalém (v. 4). Três pecados específicos são denunciados: a idolatria (v. 4), o sincretismo (v. 5), e a indiferença
religiosa (v. 6).
* 1.3 Consumirei
os homens. Ver Mt
13.41, 42. O julgamento por vir é comparado àquele do dilúvio de Gênesis pelo
uso das expressões “homens e os animais” e “aves dos céus” (cf. Gn 6.7; 7.23).
Esta profecia será consumada no fim da História
(2Pe 3.3-7).
* 1.4 Estenderei
a mão. Esta
expressão refere-se ao poder de Deus empregado contra seus antagonistas (2.13;
Êx 3.20; Dt 4.34; Is 5.25).
resto de Baal. Tudo aquilo que resta da adoração de Baal será destruído.
Esta afirmação pode significar que uma renovação espiritual já estava começando
a acontecer e que a adoração a Baal já estava em declínio.
* 1.5 os que...
adoram o exército do céu. A adoração a Baal e a adoração às estrelas eram pecados que haviam
contribuído para o fim do reino do norte no século VIII a.C. (2Rs 17.16).
Altares aparentemente foram erigidos sobre os telhados das casas (2Rs 23.12; Jr
19.13).
Milcom. Ou, “Moloque”. Referência lateral. A adoração a este deus amonita, que
envolvia a horrível prática do sacrifício infantil, era rigorosamente proibida
(Lv 18.21, nota; 20.2-5; cf. 1Rs 11.5; 2Rs 23.10; Jr 32.35).
* 1.6 seguir ao
SENHOR. Ver 2.3.
* 1.7 Cala-te. Ver Hc 2.20; Zc 2.13; Sl 46.10. O
profeta exige submissão confiante ao Deus soberano da aliança. A ordem para
“calar-se” está normalmente ligada a estar na presença do santo Deus (Hc 2.20;
Zc 2.13).
o Dia do SENHOR. Este termo ocorre freqüentemente nos escritos proféticos do
Antigo Testamento. Pode referir-se a qualquer tempo específico quando o Divino
Guerreiro, o Senhor dos Exércitos, é glorioso na vitória: contra Babilônia
através dos medos (Is 13.1-14.27), contra o Egito através dos babilônios (Ez 30.2-4),
ou contra Israel através da Assíria (Is
10.5, 6, 20, 24). Este dia da vingança do Senhor contra os ímpios é também
descrito como o tempo da libertação de Israel (Is 34.2—35.10), quando o Senhor
decisivamente derrota toda a oposição de Israel (2.2, 9; 3.8-20; Jl 3.14-16).
Este é também o dia do juízo final (Am 5.18-20). Ver notas em Ez 7.7 e Am 5.18.
o SENHOR preparou o sacrifício. O iminente julgamento vindo sobre
Judá é comparado a sacrifícios. A nação é um cordeiro sacrificial (Is 34.6; Jr
46.10; Ez 39.17-19).
santificou os seus convidados. Ou, “consagrou os seus convidados”
(Referência Lateral). Os convidados podem ser as nações que servem como o
instrumento divino de julgamento (Is
10.5-10; Hc 1.6). Também podemos entender que os convidados (o povo da aliança)
são eles mesmos as ofertas de sacrifício. A consagração dos convidados é
necessária para respeitar a santidade do Senhor (Êx 19.10; 24.9-11), e nos
lembra de elementos do ritual da Aliança no Monte Sinai (vs. 15, 16, nota).
* 1.8 oficiais. Os filhos do rei e outros oficiais
reais. Sua falta de compromisso com a aliança é evidenciada pela adoção de
costumes e modo de se vestir estrangeiros, um sinal de deslealdade religiosa.
* 1.9 pedestal. O pedestal de um santuário pagão.
Provavelmente uma prática religiosa palestina estava sendo imitada (1Sm 5.5).
* 1.11 povo. Ou, “os mercadores”. Gritos de
angústia surgem de todas as partes da cidade, retratando a extensão do mal e do
julgamento. A classe mercante mais rica é particularizada por suas práticas
comerciais gananciosas e corruptas (Am 8.4-6).
* 1.12
esquadrinharei. Não
há escapatória do exame divino (Sl 139; Am 9.1-4).
apegados à borra do vinho. Ver a referência lateral. O profeta pinta o quadro do
processo de fabricação do vinho. Assim como o sedimento do vinho, que se
deposita no fundo e engrossa se não for mexido, os cidadãos de Jerusalém se
tornaram acomodados (confirmados) em sua indiferença para com Deus. Por causa
de sua total complacência para com Deus, eles o consideram como moralmente
indiferente ao bem ou mal.
* 1.14-18 Sofonias oferece mais detalhes do
dia do Senhor, montando o palco para sua intensa súplica por arrependimento em
2.1-3.
* 1.15, 16 O dia do Senhor é apresentado com
figuras assustadoras lembrando-os da teofania que acompanhou o estabelecimento
da Aliança Mosaica no Monte Sinai (Êx 19.16), os termos que Judá tem violado.
Alguns sugerem que “o dia do Senhor” aqui pode ser entendido como o dia da sua
aliança, quando o Senhor estabelece sua aliança ou impõem suas leis.
* 1.17 eles
andarão como cegos.
Uma das maldições da aliança vistas em Dt 28.28, 29.
pecaram. A razão para o julgamento do Senhor sobre Judá é exposta em termos
gerais. Ver nota em 3.1-5.
* 1.18 nem a sua
prata nem o seu ouro.
Ver Sl 49.6-9; Pv 11.4; Mt 16.26; Lc 12.13-21.
zelo. Ver Êx 20.5; 34.14; Dt 4.24. O zelo de Deus pressupõe seu amor pactual.
Ele redimiu um povo para torná-los seu “tesouro especial” (Êx 19.5). O amor
pactual de Deus requer a lealdade absoluta do seu povo.
* 2.1-3 Como representantes do Senhor em
levar o povo a obedecer a aliança, os profetas freqüentemente advertiam o povo
de Deus (Is 1.16-20; 55.1-6; Os 2.4, 5; 4.15; Am 4.12; 5.5, 6; Mq 6.8).
* 2.1
Concentra-te. Eles
são convocados a se reunir a fim de ouvir (cf. Is 34.1; Jr 4.5; Jl 2.15, 16;
3.11). A convocação para ouvir essas severas advertências é em si um ato da
graça divina, pois as advertências visam causar arrependimento.
* 2.3 Buscai o
SENHOR. Ver 1.6 e Is
55.6, 7. Essa busca do Senhor é mais adiante definida como “buscar a justiça,
buscar a humildade.” Um modelo semelhante fica evidente em Amós, onde o profeta
ordena “buscai ao Senhor” e depois “buscai o bem e não o mal” (Am 5.6, 14).
porventura, lograreis esconder-vos. As palavras aqui são um teste e
expressam, por um lado, a sua esperança de que os “mansos” restantes (v. 3)
acharão refúgio da ira do Senhor (cf. Is 55.7), e, por outro, a sua falta de
esperança de que a “nação que não tem pudor” (v. 1) irá se arrepender. Cf. Amós
5.15.
* 2.4-15 Esta seção consiste de quatro
profecias de julgamento dirigidas contra as nações estrangeiras. Essas
mensagens pretendiam assegurar ao próprio povo de Deus de que seus propósitos
soberanos se estendiam sobre os inimigos deles (1.5, 6) e que estas nações
também eram moralmente responsáveis por suas ações (Am 1.3-2.3; Mq 1.2).
* 2.5 Ai. A mesma palavra de condenação
pronunciada posteriormente sobre Jerusalém (3.1). Ela geralmente introduz uma
profecia de julgamento.
* 2.7 O julgamento das nações será acompanhado
pela preservação divina de um remanescente do seu povo (Dt 32.27, nota). Outras
referências em Sofonias aos remanescentes ocorrem no v. 9 e em 3.9-12.
mudará a sorte. Isto é, “fará retornar seus cativos”. Esta expressão
extensamente utilizada refere-se à salvação futura de Israel depois do
julgamento (Dt 30.3; Sl 14.7; Jr 30.3,18; 32.44; Am 9.14). Às vezes ela
refere-se ao retorno físico dos exilados; em outros casos a uma restauração
mais geral da sorte (ex., Jó 42.10).
* 2.9 Sodoma...
Gomorra. Essas
cidades antigas simbolizam o pecado e servem como tipos do juízo final de Deus
sobre os pecadores (Gn 18.20, nota; Is 1.9; Am 4.11; Mt 10.5; 2 Pe 2.6).
* 2.11 todas as
ilhas das nações... o adorarão. Ver 3.9, 10; Sl 72.8-11; Is 56.67.
* 2.12 pela
espada do SENHOR.
Ver Is 10.5.
* 2.13 destruirá
a Assíria. Nínive, a
capital da Assíria, desmoronou diante dos babilônios e medos em 612 a.C. Este
versículo sugere que Sofonias profetizava antes dessa data (Introdução. Data e
Ocasião)
* 2.15 Eu sou... não
há outra além de mim.
Essas palavras de arrogância são usadas de maneira semelhante à aquelas que
unicamente o Senhor soberano poderia usar (Dt 4.39; Is 45.5, 6; 47.10). Essa
auto-deificação encontra sua ruína, e aqueles que se vangloriavam se tornam objetos
de escárnio.
* 3.1-5 As referências aqui aos profetas,
sacerdotes, ao santuário, e à lei indicam que o profeta está dirigindo suas
palavras a Jerusalém. A acusação geral de 1.17 agora se torna específica. Os
pecados de Jerusalém foram particularmente atrozes pois foram cometidos contra
o Deus justo da aliança que havia graciosamente se revelado ao seu povo (v. 5;
Am 2.4, 10-12; 3.2).
* 3.2 Não atende
a ninguém. Lit. “Ela
não escuta voz alguma.” O povo desconsiderava a voz de Deus revelada na lei (Dt
31.9-13), através dos profetas (Jr 7.23-28; Ag 1.12), e através dos sábios (Pv
1.8).
não aceita disciplina. Ver o v. 7. A recusa em receber disciplina leva à morte (Pv
5.23), mas a disposição de recebê-la leva à vida (Pv 6.23; Jr 2.30; 5.3; 7.28;
32.33; 35.13; Sl 50.17).
se aproxima. O verbo hebraico aqui significa “aproximar-se corretamente
de Deus em adoração” (cf. Lv 10.3). A adoração deve vir do coração, não apenas
da boca (cf. Is 29.13; Jo 4.24).
* 3.3, 4 Ver Mq 3.9, 10.
* 3.3
príncipes... no meio dela. Ver nota no v. 5.
leões rugidores. As figuras do leão e do lobo aqui descrevem a natureza
predatória e feroz desses oficiais corruptos do governo, cuja função correta
seria proteger e dar estabilidade à sociedade.
* 3.4 seus profetas...
seus sacerdotes.
Para condenações semelhantes dos líderes de Israel, ver Os 4.5, 6; Is 28.7; Jr
5.31; 6.13; Mq 3.5-8, 11.
* 3.5 no meio
dela. Sofonias
contrasta a presença do justo Senhor dentro de Jerusalém com a presença da
liderança corrupta e injusta dentro dela (v. 3). A essência do compromisso de
Deus com sua aliança é a promessa de sua presença com seu povo (Êx 29.42-46,
nota; Nm 14.14; Is 43.2). Aqui, a presença de Deus traz julgamento (Os 11.9),
mas a mesma expressão em 3.17 significa salvação.
* 3.6-8 O enfoque da atenção desvia-se de
Jerusalém para as nações. O profeta observa o julgamento prévio por Deus das
nações (v. 6), que deveria ter sido uma lição para Jerusalém (v. 7), antes de
se voltar ao julgamento futuro que está por vir (v. 8).
* 3.7 aceitarás a
disciplina. Ver o v.
2.
* 3.9-20 A dramática inversão. O julgamento é
o prelúdio à restauração e à purificação tanto em Israel quanto entre as nações
(vs. 9, 12, 13). Em um hino final de louvor (3.14-20), o profeta canta acerca do
reino futuro do Senhor, sua vitória sobre seus inimigos, e seu amor e presença
no meio do seu povo. A igreja pode cantar agora esta canção em celebração à
vitória de Cristo na cruz (Cl 2.15) e em antecipação de seu triunfo quando
voltar (2Ts 1.5-10).
* 3.9 darei
lábios puros. Ver a
referência lateral. Purificar os lábios pode significar tanto limpá-los do
pecado em geral (Is 6.5) quanto remover os nomes dos deuses estranhos dos
lábios de um adorador (Os 2.17).
aos povos. Os gentios também invocarão o seu nome (Is 52.15; 65.1;
66.18).
para que todos invoquem o nome do SENHOR. Em contraste com os idólatras de
1.5, 6. Ver Gn 4.26; 1Rs 18.24; Jr 10.25; Jl 2.32; At 2.21; Rm 10.12, 13.
* 3.11 exultam na
sua soberba. Ver Is
2.12-18.
* 3.12 modesto e
humilde. Estes se
contrastam com os soberbos e arrogantes do v. 11.
* 3.13 restantes. Ver nota em 2.7.
não cometerão iniqüidade. Os restantes semelhantes a Deus. Palavras idênticas
são usadas com respeito ao Senhor no v. 5. Um objetivo primário da salvação é
estar em conformidade cada vez maior com a imagem de Deus (Mt 5.48; 1Pe 1.15,
16).
nem proferirão mentiras. Em contraste com os idólatras enganadores de 1.9.
serão apascentados, deitar-se-ão. Uma expressão profética comum (Is
49.9; Mq 7.14; Jr 50.19; Ez 34.14) retratando a segurança que resulta da
confiança em Deus e do reconhecimento do seu domínio (v. 15).
não haverá quem os espante. Ver Mq 4.4.
* 3.14 filha de
Sião. Esta
personificação de Jerusalém está baseada na prática entre os profetas de
personificar lugares e objetos em termos de gênero gramatical. A palavra para
“cidade” é feminina, e assim o profeta fala de Sião como “filha.”
* 3.15
sentenças... teu inimigo. A base para o regozijo no v. 14 é justificada: tanto o julgamento contra
o povo de Deus quanto os inimigos que os ameaçavam foram superados. Esta
profecia encontra seu cumprimento final em Jesus Cristo, que satisfez o
julgamento de Deus contra o pecado e derrotou os inimigos de Deus através de
sua morte na cruz (Rm 3.23-25; Cl 2.15, nota).
O Rei de Israel... no meio de ti. Ver João 1.49. A promessa da
habitação de Deus no meio do seu povo aponta mais adiante para Cristo, o Rei de
Israel (Jo 1.49) e a glória encarnada de Deus (Êx 26, nota e Jo 1.14, nota).
* 3.17 Ele se
deleitará em ti com alegria. Este deleite baseia-se no caráter de Deus, que “tem prazer
na misericórdia” (Mq 7.18).
renovar-te-á no seu amor. Ou: acalmar-te-á. A frase pode também ser traduzida
por “estar calmo” ou “descansar.” No
contexto mais amplo Deus foi revelado como o Guerreiro “poderoso para salvar.”
O anterior brado de guerra (1.14) está agora silenciado pela vitória e pelo
relacionamento amoroso entre Deus e o seu povo. A obra purificadora e
transformadora da graça do Senhor cria um povo renovado que reconhece seu
governo e confia em seu nome (v. 12).
* 3.19 um louvor
e um nome. Ver o v.
20. A expressão remonta a Dt 26.18, 19, onde Israel, como povo especial do
Senhor, é privilegiado em representá-lo e em ser o meio tangível pelo qual o
louvor, a honra, e a glória são dadas ao Senhor (cf. Is 43.7; Jr 13.11; 33.9).
Paulo entende ser este o papel da igreja (Tt 2.14). Pedro também (1Pe 2.9-12).