O Livro de SOFONIAS

 

Autor 

A linhagem de Sofonias remonta a quatro gerações, o que é bastante singular na literatura profética. Isso pode significar que o Ezequias (715-686 a.C.) mencionado na quarta geração seja o conhecido rei de Judá. O nome Sofonias, que significa “Yahweh [o Senhor] esconde”, é usado por um sacerdote contemporâneo de Jeremias (21.1; 29.25) e por outras pessoas do Antigo Testamento (Zc 6.10,14). Embora em diversos pontos o profeta utilize um vocabulário sacerdotal (1.4-5, 7-9; 3.4,18), não há evidências conclusivas que indiquem ter sido Sofonias oficialmente ligado ao templo.

           

Data e Ocasião         

Sofonias profetizou no reino do sul de Judá, durante o reinado de Josias (640-609 a.C.). Contudo, há algumas dúvidas quanto a seu ministério profético ter sido realizado em período anterior ou posterior à grande reforma do culto nacional realizada por Josias em 621 a.C. As denúncias de Sofonias contra o contínuo sincretismo do culto (mesclando a idolatria dos povos circunvizinhos com a adoração a Deus) e contra a adoração a Baal, apontam para uma data anterior à reforma de Josias. Tudo o que se pode afirmar com certeza é que Nínive ainda não havia sido destruída (2.13-15); conseqüentemente, a mensagem do profeta foi proferida antes de sua destruição em 612 a.C. Sofonias pode ter sido contemporâneo de Jeremias, cujo chamado se deu no décimo terceiro ano de Josias (627 a.C.). Se o seu ministério data do período inicial do reinado de Josias, ele cooperou na realização das reformas de Josias, uma vez que os pecados atacados por ele (1.4-6) foram os mesmos a serem abolidos pela reforma de Josias (2Rs 23.4; 2Cr 34.1-7).

 

Características e Temas     

O ponto central da mensagem de Sofonias é o dia do Senhor, em que um inimigo estrangeiro, a espada do castigo do Senhor (2.12; Is 10.5), infligiria grande destruição sobre Jerusalém (1.4,10,11; 2.1). Este inimigo foi diversas vezes identificado como os citas, os assírios ou os babilônios, dependendo da datação do livro. Sofonias trata desse assunto de maneira extensiva. O dia está próximo (1.7) e será um dia em que a ira e a indignação do Senhor soberano de Israel serão dirigidas contra os infiéis (1.15,18: 2.2,3). Será um dia de escuridão e negrume (1.15). Tão resoluto está o Senhor em arrancar o mal pela raiz que realizará uma busca completa para certificar-se de que todos os ímpios serão encontrados e destruídos (1.12). Nesse dia todo orgulho será vencido (3.11), e os humildes da terra (o remanescente) serão salvos (3.12,17). Os gentios também abraçarão a fé no Deus vivo e verdadeiro e invocarão o nome do Senhor (3.9; Jl 2.32).

            Um tema menos óbvio, mas que é mencionado em todo o livro de Sofonias é o reconhecimento por parte do profeta da importância da aliança do Senhor com seu povo. Embora Sofonias nunca use a palavra “aliança”, algumas passagens retomam detalhes de encontros e previsões anteriores a aliança. Certamente os lamentos contra Judá refletem a ira do Senhor contra aqueles que negligenciam as obrigações da aliança.

            Como muitos dos outros livros proféticos, Sofonias se inicia com uma mensagem de ameaça universal (1.2,3) e termina com um oráculo de salvação, em que tanto as nações (3.9) quanto o remanescente revitalizado de Israel (3.12,13) será conduzidos para um relacionamento salvífico com o Senhor (3.19,20). Sofonias considera o castigo como um agente transformador do mundo, reunindo as obras de todos os povos, tanto boas quanto más, sob seu julgamento divino. A natureza restauradora da ira de Deus é indicada pela mudança de tom de suas ameaças em 1.2,3 (“consumirei todas as coisas”) para a esperança expressa em 3.14-17. A terminologia do profeta indica ainda, o conhecimento das mensagens de seus predecessores (cf 1.7 e Hc 2.20; Sf 1.14 e Jl 1.15; Sf 1.7 e Is 34.6).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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