*          Sl 104  É enfatizado aqui o grande ato da criação, refletindo o ensino e o vocabulário de Gn 1. Podem ser observados paralelos entre este cântico e um hino egípcio de Amenhotepe IV (Aquenatom) ao sol. Entretanto, este salmo afirma que somente o Criador, e não qualquer aspecto da criação, tal como o sol, deve ser adorado (como faziam os egípcios).

 

*          104.1   ó minha alma. Ver o comentário sobre Sl 103.1.

 

sobrevestido. Esta seção desenvolve a metáfora da criação como uma veste de Deus. Isso enfatiza a distinção entre o Criador e a criação, e despreza implicitamente a adoração a qualquer aspecto da criação, por mais glorioso que esse aspecto pareça ser (Rm 1.22).

 

*          104.2   coberto de luz. Uma referência ao primeiro dia da criação (Gn 1.3).

 

o céu. O segundo dia da criação (Gn 1.6-8).

 

*          104.3   voas nas asas do vento. Ver 18.9, e nota.

 

*          104.4   labaredas de fogo. Os servos celestes de Deus têm uma aparência que inspira reverente temor. Quanto mais poderoso deve ser Deus, o Criador deles. Este versículo pode conter uma polêmica contra a adoração a Baal, visto que os textos mitológicos dos cananeus descrevem os servos de seu deus como chamas de fogo.

 

*          104.5   para que não vacile. O mundo é estável e bem ordenado, e não caótico. O controle do mundo, por parte de Deus, é um consolo para aqueles que reconhecem isso. Ver "Deus, o Criador", índice.

 

*          104.6   as águas. Deus criou as águas e ordenou que elas ficassem nos rios, nos lagos e nos oceanos. Nas religiões das nações circunvizinhas, o mar era um símbolo de caos e desordem. A teologia panteística desses povos endeusava o mar e o contrastava com os deuses da ordem. A Bíblia também usa esse quadro mental, mas desaprovando a teologia politeísta (Sl 18.4; 46.2,3; 74.13-15; Na 1).

 

*          104.9   para que não tornem. Uma referência à promessa de Deus a Noé, terminado o dilúvio (Gn 9.11).

 

*          104.14 Fazes crescer a relva. Um reflexo sobre o terceiro dia da criação (Gn 1.9-13).

 

*          104.15 o vinho, que alegra o coração. A bondade de Deus é exibida em suas provisões para a vida diária (At 14.17; 1Tm 4.3,4).

 

*          104.19 a lua... o sol. Ver Gn 1.14-19 — o quarto dia da criação.

 

*          104.21 de Deus. Aquilo que parece ser puramente natural — leões buscando sua presa — é um ato da providência divina.

 

*          104.23 Sai o homem. Deus outorgou à sua criação um ritmo maravilhosamente ordenado.

 

*          104.24 Todas com sabedoria. Ver notas em Pv 8.22-31. A resposta divina a Jó (Jó 38—41) contém muitos exemplos da sabedoria de Deus na criação. Ver "A Sabedoria e a Vontade de Deus", índice.

 

*          104.25 o mar... seres sem conta. O quinto dia da criação (Gn 1.20-23).

 

*          104.26 os navios... o monstro marinho. A imaginação do salmista foi arrebatada pelo mar misterioso de Deus. À sua superfície, os navios navegam para cá e para lá vindos de portos distantes, enquanto que sob as suas águas oculta-se o monstro leviatã, aqui um símbolo poético do poder criativo de Deus (Jó 41).

 

*          104.29 Se ocultas o teu rosto. Deus é onipresente: ele está em todos os lugares (Sl 139). Entretanto, em sua ira, Deus retira as bênçãos da sua aliança, e isso é experienciado como a ausência divina.

 

*          104.30 Envias o teu Espírito. Isso alude a Gn 2.4-8, à criação do homem no sexto dia da criação.

 

*          104.32 as montanhas, e elas fumegam. As colinas são símbolo de estabilidade e firmeza (Sl 46.2,3), mas o mero toque de Deus as põe em chamas.

 

*          104.35 Desapareçam da terra os pecadores. O salmista gostaria que fosse removido da terra tudo quanto se opõe à ordem piedosa que ele vinha descrevendo com tanta eloqüência.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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