*          Sl 22 Este salmo é bem conhecido por suas muitas citações e alusões no Novo Testamento (Mt 27.35,39,43,46; Jo 19.23,24,28; Hb 2.12). Este salmo, tal como o Salmo 69, expressa os sofrimentos de Cristo, o Filho de Davi, que morreu às mãos de homens perversos.

 

*          22.1     por que me desamparaste. O salmista grita de angústia o "por quê?", próprio de um sofredor reto. Onde está a presença que Deus tinha prometido (Js 1.5)? Esse grito foi, finalmente, dado por Jesus, que conheceu a realidade de um abandono total, o que foi apenas parcial no  caso de Davi. No lugar de Davi e de todo o povo de Deus, Jesus suportou a temível maldição merecida pelo pecado.

 

*          22.3     entronizado entre os louvores. A realeza de Deus existe antes de qualquer aclamação humana, mas o seu reino manifesta-se aos adoradores, ao louvarem-no.

 

*          22.4,5  nossos pais. Davi pensava no tempo em que Abraão foi livrado dos cinco reis (Gn 14), no tempo em que José foi tirado da prisão egípcia (Gn 41), e, principalmente, no tempo em que Moisés e todo o Israel foram libertados da terra do Egito (Êx 1-15).

 

*          22.7     zombam. Os inimigos do salmista ridicularizavam de sua confiança em Deus. Essa experiência é aludida em Mt 27.41-44, tal como Cristo teve que suportar o ridículo dos sacerdotes hipócritas e dos criminosos.

 

*          22.9     quem me fez nascer. O salmista afirmou uma confiança de longa data na capacidade de Deus de salvá-lo. Ele tinha tido confiança em Deus desde quando podia lembrar-se.

 

*          22.12   fortes touros de Basã. Esses touros eram notórios por sua força e por seu tamanho (Am 4.1).

 

*          22.13   como faz o leão. Com freqüência esse animal representava força, ferocidade e violência, tanto na Bíblia como no Oriente Próximo e Médio (Na 2.14; Sf 3.3).

 

*          22.14   meus ossos... meu coração. Ataques externos correspondiam à agonia interior. As figuras simbólicas, usadas por Davi, refletiam o turbilhão interno induzido pela ameaça dos inimigos que o cercavam. Conforme foram cumpridas em Cristo, as palavras proféticas descrevem a agonia do Crucificado.

 

*          22.16   traspassaram-me. O texto hebraico tradicional pode refletir o erro de um copista, pois diz (lit.) "como um leão". A Septuaginta (a antiga tradução do Antigo Testamento para o grego) sugere que o texto correto é mesmo "traspassaram-me".

 

*          22.19-21         Após os lamentos e confissões de confiança chega o clímax, um apelo ao Senhor. Observe que os inimigos são nomeados em sentido inverso: seres humanos, cães, leões e bois.

 

*          22.21   tu me respondes. A certeza de que estava sendo ouvido também se faz presente em outros salmos de lamento (3.4; 28.6; cf. 27.13; 34.4,6; 38.15; 118.5,21).

 

*          22.22   declararei o teu nome. O louvor agradecido do salmista seria oferecido como o pagamento de seus votos (v. 25). Em Hb 2.12, este versículo foi aplicado a Cristo, que liderou o louvor da grande congregação.

 

*          22.24   nem ocultou dele o rosto. Os inimigos de Cristo o desprezaram, mas Deus não o desprezou.

 

*          22.25   cumprirei os meus votos. Menções a votos são comuns nos salmos de lamentação (13.6; 27.6; 35.18; 54.6; 69.30,31; cf. 51.16; 116.13,14). O sofredor prometeu apresentar ações de graças quando sua oração fosse respondida (Lv 7.16; 22.23; Dt 12.6,7).

 

*          22.26   hão de comer e fartar-se. Talvez haja aqui uma referência à refeição sacrifical das oferendas pacíficas do Antigo Testamento, quando o voto era pago e os adoradores eram incluídos.

 

*          22.27   os confins da terra. O escopo dos louvores expandir-se-ia, mostrando a referência profética ao Cristo e à igreja no Novo Testamento.

 

*          22.31   contarão que foi ele quem o fez. Essa vitória final de salvação foi realizada por Cristo (Jo 19.30).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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