* Sl
68 Este salmo reveste-se de uma qualidade enigmática. Alguns
estudiosos têm-no achado tão desconexo que sugerem que temos aqui uma coletânea
de primeiras linhas de outros poemas. No entanto, existem temas e atitudes em
comum neste salmo. Demonstra uma atitude parecida com a de um hino, com
freqüentes alusões de adoração por parte da comunidade. Deus aparece como um
guerreiro, em seu centro. Sua vitória sobre os seus inimigos, conforme é aqui
expresso, tornou-se o pano-de-fundo da vitória de Jesus sobre as forças de
Satanás, durante a ascensão (Ef 4.7-13).
* 68.1 Levanta-se Deus. Ver Nm
10.35. Essas eram as primeiras palavras que Moisés pronunciava a cada dia,
antes que Israel marchasse, durante o período que passou no deserto. Quando ele
falava, a arca da Aliança era levantada para encabeçar o cortejo.
* 68.2 a fumaça... a cera. Essas duas
figuras de linguagem conclamam a Deus a lidar rapidamente com o inimigo.
* 68.4 ao que cavalga sobre as nuvens. A vinda de
Deus com as nuvens é um tema freqüente nas Escrituras (Sl 18.7-15; 104.3; Dn
7.13; Na 1.3).
* 68.5 órfãos... viúvas. Os órfãos e
as viúvas eram particularmente vulneráveis na sociedade antiga. Deus ordenou a
Israel que cuidasse dessas duas classes (Êx 22.22; Dt 10.18; Rt 4.14,15).
* 68.6 o solitário. Visto que a
família era o centro da sociedade israelita, aqueles que viviam fora de sua
estrutura viviam sozinhos e, com freqüência, necessitados.
* 68.7 ao avançares pelo deserto. A
referência é aos quarenta anos vagueando pelo deserto.
* 68.8 o próprio Sinai se abalou. Deus fez a
terra abalar-se no Sinai (Êx 19.18,19).
* 68.9 Copiosa chuva. Uma bênção
essencial em uma terra que não era conhecida por chuvas pesadas. Longas secas
tinham efeitos devastadores (1Rs 17—19).
* 68.11 a falange. Ou "hoste". Essa
palavra é um termo militar.
* 68.12 reparte os despojos. Ver Jz
5.30.
* 68.16 o monte que Deus escolheu para sua habitação? Embora os
montes de Basã sejam fisicamente majestáticos, muito mais imponentes, Sião é
mais importante, porque a sua majestade é espiritual, e não física.
* 68.18 por dádivas. Em Ef 4.8,
Paulo escreveu, "concedeu dons". Em um cortejo triunfal, o vitorioso
recebia e distribuía presentes.
* 68.19 dia a dia, leva o nosso fardo. Deus cuida
de seu povo e está constantemente em contato com nossas necessidades. Esta
passagem pode ser contrastada com Is 46.1-4, onde o profeta denunciou
abertamente a incapacidade dos ídolos de cuidarem de seus adoradores.
* 68.20 o Deus libertador. O Senhor
salva o seu povo das enfermidades e da morte em batalha. Em Jesus Cristo, seu
povo aprende que ele, mediante a sua ressurreição, o livra da morte, r concede
a vida eterna.
* 68.22 De Basã. Provavelmente temos aqui
uma referência à derrota que sofreu Ogue, rei de Basã, no período antes da
conquista da Terra Prometida (Dt 3).
das profundezas do mar. Deus
libertou Israel da morte no mar Vermelho (Êx 14).
* 68.24 o teu cortejo. Depois de
ter sido guiado por Deus, em batalha, o exército de Israel retorna à cidade de
Jerusalém, levando a arca da Aliança (Sl 24). As multidões, em adoração,
acompanhavam o cortejo até o templo.
* 68.29 oriunda do teu templo. O
prestígio de Jerusalém tinha uma única causa espiritual: Deus a escolhera para
aquele tempo como o lugar especial de sua moradia (Dt 12; 2Sm 7; cf. Is
22.1,2).
* 68.30 Reprime. Envolvendo mais do que um
assédio verbal, "reprimir" (lit. "repreender") uma nação é
destruí-la.
a fera dos canaviais. O
crocodilo ou o hipopótamo, ambos símbolos do Egito.
* 68.31 a Etiópia. Um aliado tradicional do Egito
(Na 3.9). A "Etiópia" (ou "Cuxe"), na Bíblia, é a remota
terra ao sul do Egito, incluindo partes dos modernos países da Eritréia, da
Etiópia e do Sudão.
* 68.33 àquele que encima os céus. Tal como
no v. 4, o salmista alude poeticamente aos céus como o carro de combate de
Deus.
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