1.1-16

 

*   1.1-4  Saudação de abertura, composta de remetente,  destinatário e bênção.

 

*   1.1  servo de Deus. Alguém que pertence e que serve a Deus (Rm 1.1; Fp 1.1).

 

apóstolo de Jesus Cristo.  Alguém enviado como um representante oficial de Cristo (1Tm 1.1, nota).

 

a fé...  a piedade.  Os objetivos do apostolado de Paulo.

 

eleitos de Deus.  Aqueles a quem Deus escolheu para crer em Cristo (2Tm 2.10).

 

*  1.2  na esperança da vida eterna.  As bênçãos asseguradas por Cristo (1Tm 1.1,16, nota; 2Tm 1.1).

 

que não pode mentir.  Uma afirmação da perfeita confiabilidade de Deus (Nm 23.19).

 

prometeu antes dos tempos eternos.  Uma afirmação do caráter eterno do decreto divino da redenção por meio de Cristo (2Tm 1.9).

 

*  1.3  Deus, nosso Salvador.  Como autor da aliança da graça, Deus é Salvador (2.10; 3.4; 1Tm 1.1; 2.3; 4.10).

 

*  1.4  verdadeiro filho.  Lit., "filho legítimo" (1Tm 1.2). Provavelmente indicando que Tito foi um dos convertidos de Paulo.

Graça e paz.  Ver nota em 1Tm 1.2.

Cristo Jesus, nosso Salvador.  Como mediador da aliança da graça, Cristo é Salvador (2.13; 3.6; 2Tm 1.10). Ao longo desta carta, Paulo usa o título "Salvador"  para Deus e para Cristo (v. 3, nota), indistintamente. Dessa maneira ele demonstra sua fé na divindade de Cristo (2.13).

 

*  1.5-9  Paulo se dirige ao corpo da carta.  Seu propósito é instruir a Tito sobre como este deverá agir em Creta na qualidade de representante de Paulo  (Introdução: Data e Ocasião).  Começa pela abordagem da organização eclesiástica.

 

*  1.5  pusesses em ordem as coisas restantes.  Como deixa claro a segunda parte do versículo, a organização das igrejas recém-formadas havia ficado por completar.

 

presbíteros.  Um grupo de pessoas encarregadas do cuidado geral de uma igreja local (At 14.23; 20.17; 1Tm 5.17). O v. 7 esclarece que Paulo usou, de forma intercambiável, o termo “presbítero” e "bispo" (“bispo” significa supervisor, v. 7, referência lateral).  Paulo discute as qualificações dos bispos em termos semelhantes em 1Tm 3.2-7, porém, com algumas diferenças. Ele não tenciona apresentar nenhuma dessas listas como se fosse completa.  Seu propósito é simplesmente indicar  as qualidades pessoais daqueles que haveriam de servir como líderes eclesiásticos.

 

*  1.6  marido de uma só mulher.   Refere-se, provavelmente, à fidelidade conjugal (1Tm 3.2, nota).

 

*  1.7  o bispo.  Isto é, um supervisor (ver referência lateral). A mudança casual  de "presbítero" para "bispo" mostra que Paulo entende os dois termos como designação do mesmo ofício: "presbítero" sugerindo o caráter (maturidade espiritual) e "bispo" sugerindo o encargo (At 20.17,28).

cobiçoso de torpe ganância.  Ninguém deveria almejar a liderança eclesiástica  visando ganho de dinheiro (v. 11; 1Tm 6.5,10).  Por outro lado, Paulo efetivamente apoia o conceito de remuneração para certos líderes eclesiásticos (1Tm 5.17).

 

*  1.8  sóbrio.  Ou sensato. Uma ênfase relevante nesta carta (2.2,4-6,12).

 

*  1.9  apegado à palavra fiel, que é segundo a doutrina.  Como em suas cartas a Timóteo, Paulo está preocupado com que a sã doutrina que é segundo o evangelho seja transmitida e exista o comprometimento para com a mesma (1Tm 1.10, nota).

 

exortar... convencer os que contradizem.  Duas atribuições do presbítero que, em função dos falsos mestres em Creta, são de especial relevância: o ensino da sã doutrina e a refutação da que é falsa.  Ver "Pastores e Cuidado Pastoral" em 1Pe 5.2.

 

 1.10-16  A afirmação de Paulo sobre a necessidade de refutar o falso ensino leva-o a comentar a respeito dos falsos mestres e indicar como Tito deve tratar com eles.

 

 1.10  os da circuncisão.  Refere-se a pessoas oriundas de uma estrita perspectiva judaico-cristã (At 15.1,5; Gl 6.12,13).  Ver Introdução: Dificuldades de Interpretação.

 

  1.11  pervertendo casas inteiras.  Uma possível referência à atividade de falsos mestres nas igrejas locais que funcionavam em casas.  Dai, a necessidade de melhor organização (v. 5).

ensinando o que não devem. O ensino deles não era segundo a "sã doutrina" (v. 9).

torpe ganância.  Ver nota no v. 7.

 

*  1.12  um seu profeta.  Paulo cita Epimênides, um poeta e reformador religioso do século VI a.C., natural de Cnossos em Creta, conhecido por suas predições e sabedoria.  Paulo não está colocando Epimênides no mesmo nível dos profetas do Antigo Testamento; ele simplesmente recorre para a estima que Epimênides desfrutava no mundo antigo.

 

*  1.13  repreende-os... para que sejam.  Refere-se aos falsos mestres (2Tm 2.25,26) e, provavelmente também aos seus seguidores.

 

*  1.14  fábulas judaicas. Talvez uma referência  às lendas do gênero sobre  personagens do Antigo Testamento que são encontradas em muitos dos escritos apócrifos judaicos (1Tm 1.4; 4.7; 2Tm 4.4).

mandamentos.  Relacionados, provavelmente, àquelas interpretações peculiares da lei judaica que caracterizam os falsos mestres  (3.9; 1Tm 1.7; 4.3).

 

*  1.15  Todas as coisas são puras para os puros.  Os falsos mestres, aparentemente, proibiram o uso de certas coisas (1Tm 4.3, nota). Ver a resposta de Paulo em 1Tm 4.3-5.

 

*  1.16  o negam.  O Novo Testamento ensina que a ausência de ações condizentes com a vida transformada leva a pessoa a duvidar da fé em Cristo (Mt 7.16-20; Tg 2.14-16; 1Jo 3.17).

por suas obras.  Paulo não condena apenas a doutrina dos falsos mestres mas também as suas ações (2Tm 3.2-5). Tanto a sã doutrina como ações condizentes  com uma vida transformada são necessárias aos cristãos.

 

 

*  2.1-15  Paulo passa a tratar agora das coisas que Tito, em oposição aos falsos mestres, deve ensinar. E conclui com uma reflexão sobre a graça de Deus.

 

*  2.1  sã doutrina.  Ver nota em 1.9.

 

*  2.2-6  Ver 1Tm 5.1,2.

 

*  2.2  temperantes.  A virtude da temperança domina o conselho de Paulo  nesta seção (vs. 4-6,12; 1.8 e nota).

 

*  2.3  mestras do bem.  Como o próximo versículo sugere, provavelmente no sentido do procedimento delas no lar.

 

*  2.4  instruírem.  Isto é, "conduzi-las à sensatez".  Essa é uma forma verbal do adjetivo traduzido como "temperantes" (v. 2) e "sensatas" (v. 5) através desta seção.  Paulo tem em mente, provavelmente, os problemas que algumas das viúvas mais jovens encontraram em Éfeso (1Tm 5.11-13).

 

*  2.5  sensatas.  Lit., "sóbrias" (vs. 2, 4, 6, 12; 1.8 e nota).

donas de casa.  Ou "ocupadas no lar".  Compare com o procedimento de algumas das viúvas mais jovens em Éfeso (1Tm 5.13).

sujeitas.  Ver nota em 1Tm 2.11.

para que a palavra de Deus não seja difamada.  A principal preocupação de Paulo nesta seção é que o procedimento dos cristãos reflita  positivamente no evangelho (vs. 8, 10).

 

*  2.7  Torna-te... padrão.  Paulo dá um conselho semelhante a Timóteo (1Tm 4.12, nota).

boas obras.  Um dos temas principais que Paulo desenvolve daqui em diante nesta carta (v. 14; 3.1, 8, 14).

 

*  2.9  servos.  Paulo dá instruções a servos em Ef 6.5-8; Cl 3.22-25 e 1Tm 6.1,2.

 

*  2.10  ornarem... a doutrina de Deus.  Ver nota no v. 5.

 

*  2.11-14  Estes versículos fornecem a base teológica para as instruções práticas dadas nos vs. 2-10.

 

*  2.11  a graça de Deus.  A imerecida compaixão de Deus.

 

se manifestou.  Isto é, em Jesus Cristo (3.4,6; 2Tm 1.10).

 

salvadora.  O propósito de Deus no oferecimento da graça a pecadores é a salvação deles (3.4-7; 2Tm 1.9).

 

a todos os homens.  Tem-se em vista pessoas de todos os tipos independentemente de sexo,  idade ou classe social (vs. 2-10; 1Tm 2.1-6).

 

*  2.13  a bendita esperança e a manifestação da glória.  A segunda vinda de Cristo (1Tm 6.14; 2Tm 4.1,8).  Ver "Esperança" em Hb 6.18.

 

nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus.  Essa é uma das afirmações mais claras no Novo Testamento sobre a divindade de Cristo.

 

*  2.14  o qual a si mesmo se deu por nós.  Isto é, na cruz.  Paulo prossegue apresentando dois aspectos da obra de Cristo.

remir-nos de toda iniqüidade.  O primeiro enfoque de Paulo é sobre o indivíduo: Cristo pagou o preço necessário a fim de libertar as pessoas dos pecados deles (Mt 20.28; Mc 10.45; 1Tm 2.6; 1Pe 1.18,19).

purificar, para si mesmo, um povo exclusivamente seu.  O segundo enfoque de Paulo é sobre a Igreja:  Cristo purifica pessoas dos seus pecados (Hb 9.14; 1Jo 1.7,9) para que, unidas, formem um povo exclusivamente para Deus (Ez 37.23). Ver Ef 5.25-27 sobre a purificação da Igreja por Cristo.

zeloso de boas obras.  Ver nota no v. 7.

 

*  2.15  exorta e repreende.  Um resumo apropriado dos diferentes aspectos da incumbência dada por Paulo a Tito nos vs. 2-10 e 1.10-16.

 

com toda a autoridade.  Isto é, como representante de Paulo.

 

Ninguém te despreze.  Ver v. 8; 1Tm 4.12.

 

*  3.1-8  Depois de haver dado instruções para  grupos específicos, Paulo passa agora a dar um conselho geral a Tito, inserindo aqui e ali reflexões sobre a graça de Deus e encorajando o povo "para toda boa obra" (v. 1).

 

*  3.1  aos que governam, às autoridades.  Sobre a submissão cristã às autoridades governantes, ver Rm 13.1-7; 1Pe 2.13-17; cf. 1Tm 2.2.

 

Toda boa obra.  O tema dessa seção é a prática do bem (v. 8; 2.7, nota).

 

*  3.3  Esse versículo apresenta uma descrição gráfica da depravação humana separada de Cristo (Ef 2.1-3).

 

*  3.4  Quando, porém, se manifestou a benignidade de Deus, nosso Salvador, e o seu amor.  Continuando com o v. 3, a maior preocupação de Paulo aqui é com a experiência  que o pecador tem da graça de Deus e não com a próxima vinda de Cristo  (2Tm 1.10).

 

*  3.5  Não por obras... mas segundo sua misericórdia.  Salvação é pela graça, não por obras (v. 6; Ef 2.8,9; 2Tm 1.9).

ele nos salvou.  Ver 2Tm 1.9.

 

lavar.  Purificação espiritual da qual o batismo é o sinal e selo (1Co 6.11; Ef 5.26).

 

regenerador e renovador.  As duas palavras caracterizam o "lavar". Regeneração é a nova vida que começa quando uma pessoa chega à fé em Cristo (Jo 3.3,5; 1Pe 1.3,23). Renovação está intimamente  relacionada ao novo nascimento; ela envolve a completa  transformação da vida que se inicia quando uma pessoa  é regenerada (Rm 12.2; 2Co 5.17). Ver “Regeneração:   O Novo Nascimento” em Jo 3.3.

 

do Espírito Santo.  O Espírito aplica às pessoas a graça de Deus que é oferecida em Cristo (Jo 3.5, 6). Observe a estrutura trinitária nos vs. 4-6.

 

*  3.7  justificados.  Declarados justos perante Deus.

 

por graça.  Dependendo de nós mesmos (vs.3,4), jamais nos apresentaríamos como justos perante Deus. O tema dos vs. 3-7 é que a justiça vem pela  graça de Deus somente (Rm 3.21-25).

 

herdeiros.  O propósito de Deus ao oferecer a sua graça aos pecadores não é apenas de salvá-los da condenação eterna mas também de torná-los membros da sua família através de adoção e, assim,  herdeiros das suas promessas (Rm 8.17; Gl 3.29; 4.7).

 

*  3.8  Fiel é a palavra.  Ver nota em 1Tm 1.15. A expressão aponta para os vs. 4-7, acima.

 

solícitos na prática de boas obras.  Ver nota no v. 1.

 

*  3.9-11  Para ilustrar as diferenças com as instruções que acabou de dar, Paulo retorna pela última vez ao problema dos falsos mestres.

 

*  3.9  discussões.  Uma característica marcante dos falsos mestres era  seu espírito de contenda (1Tm 1.4; 6.4).

 

sobre a lei.  A lei de Moisés (1.10, nota;  cf. 1Tm 1.7).

 

não tem utilidade.   Ao contrário da prática de boas obras, as quais são “proveitosas” (v. 8).

 

*  3.10  A disciplina eclesiástica deve basear-se em uma série de admoestações  (Mt 18.15-17).

 

homem faccioso.  Os falsos mestres tinham causado divisão nas igrejas (1Tm 6.4,5).

 

*  3.12-15  Paulo encerra a sua carta com instruções pessoais a Tito, saudações finais e uma bênção.

 

*  3.12  Ártemas.  Não é mencionado em nenhuma outra parte do Novo Testamento. Trata-se, aparentemente, de um dos cooperadores de Paulo.

 

Tíquico.  Um cooperador de Paulo, mencionado em At 20.4; Ef  6.21; Cl 4.7; 2Tm 4.12.

 

vir... ao meu encontro.  O ministério de Tito em Creta está chegando ao fim (Introdução: Data e Ocasião).

 

Nicópolis.  Uma cidade na costa oeste da província romana de Épiro (a moderna Albânia).

 

Estou resolvido a passar o inverno ali.  Paulo está provavelmente na Macedônia.

 

*  3.13  Zenas... Apolo. Os prováveis portadores desta carta. Zenas não é mencionado em nenhuma outra parte do Novo Testamento. Aparentemente, é um dos cooperadores de Paulo. Apolo era natural de Alexandria e notável por sua eloqüência (At 18.24-26). Ele é bem conhecido por causa de seu ministério em Corinto (At 18.27-19.1; 1Co 1.12; 3.4-22; 16.12).

 

* 3.14 distinguir-se nas boas obras.  Ver nota em 2.7.

 

*  3.15  todos vós.  Paulo, pelo que se presume, quis que a carta fosse lida para toda a igreja  (1Tm 6.21; 2Tm 4.22).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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