*
1.1-4
Saudação de abertura, composta de remetente, destinatário e bênção.
Os primeiros pronunciamentos de Paulo em suas epístolas
revelam o seu ponto de vista e a sua atitude.
*
1.1 servo de Deus.
Alguém que pertence e que serve a Deus (Rm 1.1; Fp 1.1).
1.
Servo de Deus está à frente, mas ao seu lado está a
autoridade do apostolado. Em Romanos, em II Timóteo e aqui, o apóstolo declara
dois aspectos do seu cargo ao mesmo tempo (Rm. 1:1, 5; II Tm. 1:1-3). Em outras
passagens ele usa um ou outro. Aos filipenses ele foi um servo; aos gálatas e
coríntios, que precisavam de repreensão e instrução autoritária, ele foi um
apóstolo. Para Tito, que precisava especialmente de ser investido da autoridade
de Paulo diante dos cretenses, ele é as duas coisas, servo de Deus e
apóstolo de Jesus Cristo. A fé que é dos eleitos de Deus é o corpo da
verdade revelada e a promessa que o povo de Deus tem acalentado através dos
séculos. Conhecimento. A idéia é paralela à fé que acabou de ser mencionada;
ambas as idéias são governadas pelo segundo. Ambas, a fé e o
conhecimento, tem a sua base em uma mensagem real que pode ser conhecida e
crida. Verdade traz a implicação de "fiel revelação de Deus",
pois Jesus disse, "Eu sou . . . a verdade". Isto é, segundo a
piedade; uma palavra muitas vezes encontrada nas Epístolas Pastorais (I Tm.
3:16, coment.).
apóstolo de Jesus Cristo. Alguém enviado como um representante oficial
de Cristo (1Tm 1.1, nota).
a fé...
a piedade.
Os objetivos do apostolado de Paulo.
eleitos de Deus. Aqueles a quem Deus
escolheu para crer em Cristo (2Tm 2.10).
*
1.2 na esperança da vida eterna. As bênçãos asseguradas por Cristo (1Tm
1.1,16, nota; 2Tm 1.1).
Esperança
está em conexão do serviço e apostolado de Paulo; ele foi
um apóstolo da esperança, a esperança da vida eterna, a qual Deus...
prometeu antes dos tempos eternos, a nosso Salvador Jesus Cristo (II Tm.
1:9), para nos ser entregue mediante a mensagem.
que não pode mentir. Uma afirmação da perfeita confiabilidade de
Deus (Nm 23.19).
prometeu antes dos tempos eternos. Uma afirmação do caráter eterno do decreto
divino da redenção por meio de Cristo (2Tm 1.9).
*
1.3 Deus, nosso Salvador. Como autor da aliança da graça, Deus é
Salvador (2.10; 3.4; 1Tm 1.1; 2.3; 4.10).
Em tempos devidos. Cons.
I Tm. 2:6. Os eternos propósitos começaram a ser desfrutados pela história
deste mundo através da pregação (a mensagem, coisa pregada).
Mandato. Cons. I Tm. 1:1. Paulo foi um apóstolo por mandamento; por mandamento
ele recebeu sua mensagem. Palavra é equivalente à promessa do
versículo anterior. A idéia é que Deus cumpriu Sua promessa; Ele cumpriu a Sua
palavra no Evangelho. Salvador é a grande palavra de amplo significado
para Libertador; ambos, Deus e Cristo, foram assim chamados.
*
1.4 verdadeiro filho. Lit., "filho legítimo" (1Tm 1.2).
Provavelmente indicando que Tito foi um dos convertidos de Paulo.
Filho. Um
termo afetivo usado por Paulo falando de Timóteo, Tito e Onésimo. A fé comum
era partilhada por Paulo, Tito e todos os cristãos. O apóstolo pode estar
usando a analogia da herança: a fé é um patrimônio ou um fideicomisso que
pertence a todos; Tito está sendo encarregado de administrá-lo. Misericórdia
só foi acrescentada nas Epístolas Pastorais (veja I Tm. 1:2, coment.). Da
parte de rege ambos, Deus e Senhor: juntos constituem a única fonte divina
de todas as bênçãos. A E.R.A, omite corretamente Senhor: Cristo Jesus
nosso Salvador.
Graça e paz. Ver nota em 1Tm 1.2.
Cristo Jesus, nosso Salvador. Como mediador da aliança da graça, Cristo é
Salvador (2.13; 3.6; 2Tm 1.10). Ao longo desta carta, Paulo usa o título
"Salvador" para Deus e para
Cristo (v. 3, nota), indistintamente. Dessa maneira ele demonstra sua fé na
divindade de Cristo (2.13).
*
1.5-9 Paulo
se dirige ao corpo da carta. Seu
propósito é instruir a Tito sobre como este deverá agir em Creta na qualidade
de representante de Paulo (Introdução:
Data e Ocasião). Começa pela abordagem
da organização eclesiástica.
*
1.5 pusesses em ordem as coisas
restantes. Como
deixa claro a segunda parte do versículo, a organização das igrejas
recém-formadas havia ficado por completar.
Para a possível ordem dos acontecimentos
mencionados, veja 3:12. Paulo deixou Tito em Creta e talvez seguisse para
Nicópolis, em Épiro, perto da Dalmácia (II Tm. 4:10), onde mais tarde Tito o
encontrou, e ambos foram para a Dalmácia. As coisas restantes dá a
entender as coisas que ficaram por fazer. Em cada cidade sugere uma
evangelização extensa mas rápida da ilha, deixando a questão da organização
para mais tarde. Presbíteros ou anciãos aqui são os anciãos que
ensinam ou os pastores, a julgar pelo contexto. Esta missão em Creta não
conferia a Tito poder ditatorial para nomear ministros. Antes, como Paulo e
Barnabé ordenaram anciãos (Atos 14:23) que foram escolhidos pelo povo, assina
também Tito devia fazer, tendo em mente as devidas qualificações. Paulo dá três
qualificações generalizadas (v. 6), uma lista de qualificações negativas (v. 7)
e outra de positivas (vs. 8, 9). Toda a seção está em íntimo paralelo com I Tm.
3:2-4.
presbíteros. Um grupo de pessoas encarregadas do cuidado
geral de uma igreja local (At 14.23; 20.17; 1Tm 5.17). O v. 7 esclarece que
Paulo usou, de forma intercambiável, o termo “presbítero” e "bispo"
(“bispo” significa supervisor, v. 7, referência lateral). Paulo discute as qualificações dos bispos em
termos semelhantes em 1Tm 3.2-7, porém, com algumas diferenças. Ele não tenciona
apresentar nenhuma dessas listas como se fosse completa. Seu propósito é simplesmente indicar as qualidades pessoais daqueles que haveriam
de servir como líderes eclesiásticos.
*
1.6 marido de uma só mulher. Refere-se, provavelmente, à fidelidade
conjugal (1Tm 3.2, nota).
*
1.7 o bispo. Isto é, um supervisor (ver referência
lateral). A mudança casual de
"presbítero" para "bispo" mostra que Paulo entende os dois
termos como designação do mesmo ofício: "presbítero" sugerindo o
caráter (maturidade espiritual) e "bispo" sugerindo o encargo (At 20.17,28).
cobiçoso de torpe ganância. Ninguém deveria almejar a liderança
eclesiástica visando ganho de dinheiro
(v. 11; 1Tm 6.5,10). Por outro lado,
Paulo efetivamente apoia o conceito de remuneração para certos líderes
eclesiásticos (1Tm 5.17).
*
1.8 sóbrio. Ou sensato. Uma ênfase relevante nesta carta
(2.2,4-6,12).
*
1.9 apegado à palavra fiel, que é
segundo a doutrina. Como em suas cartas a Timóteo, Paulo está
preocupado com que a sã doutrina que é segundo o evangelho seja transmitida e
exista o comprometimento para com a mesma (1Tm 1.10, nota).
exortar... convencer os que contradizem. Duas atribuições do presbítero que, em função
dos falsos mestres em Creta, são de especial relevância: o ensino da sã
doutrina e a refutação da que é falsa. Ver
"Pastores e Cuidado Pastoral" em 1Pe 5.2.
A E.R.A. é a preferível pela escolha nas
palavras e na ordem: apegado à palavra fiel, que é segundo a doutrina, de
modo que tenha poder, assim para exortar pelo reto ensino,
1.10-16 A afirmação de Paulo sobre a necessidade de
refutar o falso ensino leva-o a comentar a respeito dos falsos mestres e
indicar como Tito deve tratar com eles.
1.10 os
da circuncisão.
Refere-se a pessoas oriundas de uma estrita perspectiva judaico-cristã
(At 15.1,5; Gl 6.12,13). Ver Introdução:
Dificuldades de Interpretação.
1.11 pervertendo casas inteiras. Uma possível referência à atividade de falsos
mestres nas igrejas locais que funcionavam em casas. Dai, a necessidade de melhor organização (v.
5).
ensinando o que não devem.
O ensino deles não era segundo a "sã doutrina" (v. 9).
torpe ganância. Ver nota no v. 7.
*
1.12 um seu profeta. Paulo cita Epimênides, um poeta e reformador
religioso do século VI a.C., natural de Cnossos em Creta, conhecido por suas
predições e sabedoria. Paulo não está
colocando Epimênides no mesmo nível dos profetas do Antigo Testamento; ele
simplesmente recorre para a estima que Epimênides desfrutava no mundo antigo.
*
1.13 repreende-os... para que
sejam.
Refere-se aos falsos mestres (2Tm 2.25,26) e, provavelmente também aos
seus seguidores.
*
1.14 fábulas judaicas.
Talvez uma referência às lendas do
gênero sobre personagens do Antigo
Testamento que são encontradas em muitos dos escritos apócrifos judaicos (1Tm
1.4; 4.7; 2Tm 4.4).
mandamentos. Relacionados, provavelmente, àquelas
interpretações peculiares da lei judaica que caracterizam os falsos
mestres (3.9; 1Tm 1.7; 4.3).
*
1.15 Todas as coisas são puras
para os puros.
Os falsos mestres, aparentemente, proibiram o uso de certas coisas (1Tm
4.3, nota). Ver a resposta de Paulo em 1Tm 4.3-5.
*
1.16 o negam. O Novo Testamento ensina que a ausência de
ações condizentes com a vida transformada leva a pessoa a duvidar da fé em
Cristo (Mt 7.16-20; Tg 2.14-16; 1Jo 3.17).
por suas obras. Paulo não condena apenas a doutrina dos
falsos mestres mas também as suas ações (2Tm 3.2-5). Tanto a sã doutrina como
ações condizentes com uma vida
transformada são necessárias aos cristãos.
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sergiovalentin