*          8.1-23  Este capítulo é um quadro final do reino de Deus, quando Deus der a seu povo sua bênção final e mais completa. Similar ao retrato de Isaias sobre o futuro (Is 65.17; 66.5-24), este capítulo fornecia aos judeus pós-exílicos a esperança de que o Senhor continuava resoluto a abençoá-los. Desde a vinda de Cristo ao mundo, o princípio dessas bênçãos pode ser vista, mas a plena realização delas espera pelo novo céu e pela nova terra (Ap 21.1).

 

*          8.2                   Tenho grandes zelos de Sião. Ver a referência lateral. O zelo de Deus, ou seu ciúme pelo seu povo (por eles, não deles) nasce do amor segundo a aliança e da dedicação dele a eles (1.14), o que, por sua vez, requer a lealdade de todo o coração deles a ele.

 

*          8.3                   cidade fiel. A palavra hebraica aqui traduzida por "fiel" tem o sentido de "fiel à lei de Deus". Uma fiel observância da lei de Deus raramente foi um fato real durante a história de Israel, mesmo nos dias de Zacarias. Mas o profeta previu um tempo quando o povo de Deus refletirá o seu caráter em seu trato uns com os outros (vs. 16,17). Ver também Êx 34.6,7.

 

monte santo. O monte Sião será santo porque a presença de Deus habitará ali de uma maneira toda especial. Os profetas reiteradamente enfatizaram o dia da salvação como um dia da renovação da presença de Deus (2.5,11).

 

*          8.4,5    Temos aqui um quadro das bênçãos divinas segundo a aliança nas quais a bênção divina de uma longa vida (Êx 20.12) e a alegria das crianças a brincar reflete um estado de shalom, de bem-estar total.

 

*          8.6                   maravilhoso. O vocábulo hebraico aqui traduzido por "maravilhoso" denota algo que ultrapassa as forças e a compreensão humanas, tipicamente quando se refere a uma ação divina. Quanto a outros exemplos dessa ênfase, ver Gn 18.14 ("difícil") e Jz 13.18.

 

restante. Aqueles que se mostrassem fiéis a Deus, em meio à desobediência. Paulo se refere ao "remanescente segundo a eleição da graça", em Rm 11.5. Os eleitos de Deus são preservados por ele para o servir fielmente. Ver as notas em Is 1.9 e Mq 2.12.

 

*          8.7                   salvarei o meu povo... Ocidente. A renovação da aliança entre Deus e o seu povo envolverá a restauração de terras estrangeiras. Ver Dt 30.1-5; Jr 30.8-11.

 

*          8.8                  eles serão o meu povo, e eu serei o seu Deus. Esse relacionamento pessoal é a essência da aliança de Deus com Abraão e seus descendentes (Gn 17.7 e nota), bem como a essência da Nova Aliança (Jr 31.33). Essa é, igualmente, a origem de todas as demais bênçãos da aliança.

 

*          8.12                 sementeira... os céus. As bênçãos da renovação final da parte de Deus foram expressas sob a forma de termos agrícolas apropriados à promessa da aliança acerca da terra. Visto que a antiga vida de Israel em sua terra era uma prefiguração da vida do Novo Israel em Cristo (Gn 13.15, nota), hoje em dia os cristãos regenerados experimentam as bênçãos da renovação da aliança com Deus por intermédio de Jesus (Mt 26.28; 1Co 11.25) e esperam a total renovação das bênçãos da aliança de Deus, no novo céu e nova terra (Ap 21.1—22.5).

 

*          8.15                 pensei. Ver a nota em 1.6.

 

*          8.16,17            O povo de Israel é aqui convocado a ordenar as suas vidas em consonância com o padrões éticos de Deus. O piedoso comportamento aqui descrito contrasta com a impiedade que caracterizou grande parte da História de Israel; a verdade e a retidão reinarão durante essa era final de bênçãos (Am 5.24).

 

*          8.19                 Este versículo relaciona-se à indagação feita em Zc 7.3 e à resposta dada à mesma. Os jejuns mencionados relembravam vários aspectos da destruição de Jerusalém.

 

quarto mês. Esse jejum relembrava a queda das muralhas de Jerusalém, o começo do fim da cidade (2Rs 25.3,4). Ver as notas em 7.2,5.

 

décimo. Nabucodonosor iniciou seu cerco de Jerusalém no décimo mês (2Rs 25.1; Jr 39.1-10).

 

*          8.20-23           Estes quatro versículos retratam uma grande peregrinação, feita pelas nações gentílicas a Jerusalém, implicando na extensão da salvação de Deus para fora das fronteiras de Israel (14.16-20; Is 2.1-4; Mq 4.1-3; Ml 1.5).

 

*          8.22                 poderosas nações. Ver Is 2.2-4; Mq 4.3.

 

*          8.23                 dez homens, de todas as línguas. A ênfase recai aqui no grande número (v. 22, "muitos povos") de povos gentílicos que virão adorar o verdadeiro Deus. Apocalipse 5.9 refere-se aos remidos "de toda tribo, língua, povo e nação". A salvação, pois, incluirá almas de pessoas de todas as nações, não no sentido que cada indivíduo da raça humana será salvo, e, sim, que os filhos de Deus foram escolhidos dentre todas as línguas e de todos os grupos étnicos do mundo.

 

Deus está convosco. A grande força de atração na adoração é a presença de Deus no meio de seu povo (1Co 14.24,25).

 

*          9.1—11.17      O profeta volve agora a sua atenção para o futuro do reino de Deus, desenvolvendo o seu tema mediante dois longos oráculos (caps. 9—11 e 12—14). A primeira profecia da última metade do livro enfoca a vinda de Deus, o Rei, a fim de julgar os incrédulos. Os versículos de abertura (9.1-8) retratam Deus como um guerreiro vingador que virá tomar posse de sua terra, com a destruição de todos os inimigos pagãos que atravessam seu caminho (cf. Is 9.6, nota). Ele virá do norte para Jerusalém (cf. 9.14-17, onde Deus é retratado como quem viria do sul para Jerusalém), acontecimento esse que leva à proclamação de 9.9. Alguns interpretam esse quadro profetizado como uma invasão, vinda do norte, descrevendo a conquista da Palestina, em 333 a.C., por parte de Alexandre, o Grande. Essa pode ser uma interpretação correta, mas seu significado maior diz respeito ao próprio Deus, que voltará à terra a fim de vingar o seu povo. Ver Introdução: Características e Temas. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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