* 1.1-6 Zacarias estabelece o palco para o
registro escrito das visões noturnas de 1.7—6.8.
* 1.1 No oitavo mês do segundo ano
de Dario. Entre os meses de outubro/novembro de 520 a.C. Compare as datas
em Ag 1.1,15, para ver como esses dois profetas — Zacarias e Ageu — ministraram
ao mesmo tempo. Zacarias começou o seu ministério dois meses depois que os
judeus que tinham regressado da Babilônia começaram a reconstruir o templo de
Jerusalém.
Zacarias, filho de Berequias. Ver
Introdução: Data e Ocasião. O nome desse profeta significa "o SENHOR
relembra".
* 1.2 O SENHOR se irou em extremo. Os
versículos 2 a 6 servem de prefácio às oito visões noturnas de 1.7—6.8. Esta
seção mostra que embora o povo de Israel tenha reagido bem à convocação de Ageu
para reconstruir o templo, o coração deles ainda estava distante de Deus. O
Senhor continuava extremamente irado contra eles.
* 1.3 o SENHOR dos Exércitos. Um
título divino muito usado pelos profetas pós-exílicos, ou seja, Zacarias, Ageu
e Malaquias. Há nesse título certas conotações militares (Deus como líder dos
exércitos de Israel, 1Sm. 17.45), mas também traz luz sobre o reinado soberano
de Deus diante de toda a criação.
Tornai-vos para mim, e eu me
tornarei para vós outros. O arrependimento envolve um volver total para longe do
pecado, para dirigir-se para Deus. Deus então abençoaria o seu povo com a sua
presença (1.16; 2.11).
* 1.4 os primeiros profetas. Ou
seja, os profetas pré-exílicos (p. ex., Isaías, Jeremias, etc.).
nem me atenderam. Seus pais haviam
demonstrado obstinação e rebelião (2Rs 17.13-15). Em conseqüência, as maldições
do pacto (Dt 28.15-68) caíram sobre eles, por causa de sua desobediência.
diz o SENHOR.
Essa expressão hebraica indica uma declaração que dá aos profetas
discernimento quanto ao plano e à vontade de Deus (Sl 110.1).
* 1.6 aos profetas, meus servos. Ver
a nota em Is 20.3.
se arrependeram. Ver Ne
9.1—10.27.
fez tenção. A palavra
hebraica aqui traduzida por "tenção" sugere que a punição divina dos
antepassados pré-exílicos dos judeus aconteceu de acordo com um plano
divino.
* 1.7-17 Esses onze versículos registram a
primeira das oito visões que Zacarias teve no decurso de uma noite (v. 8). As
visões estão organizadas de modo que a primeira e a última (6.1-8) correspondem
uma à outra na linguagem figurada dos cavalos e dos carros. A primeira
enfatiza a lealdade de Deus ao seu povo; ele seria o reconstrutor de Jerusalém,
e o protetor deles contra as forças do mundo exterior. A visão convoca o povo
de Deus a olhar para além de suas atuais circunstâncias, bem como a colocar sua
confiança nas promessas de Deus.
* 1.8 cavalo vermelho... vermelhos,
baios e brancos. A significação dessas cores é incerta.
* 1.9 Respondeu-me o anjo que
falava comigo. Esse anjo intérprete (1.19; 2.3; 3.1 e 4.1) deve ser
distinguido do "Anjo do Senhor" (v. 12, nota; 3.1). Ver a nota
teológica "Anjos", índice.
* 1.11 eis que toda a terra está,
agora, repousada. As nações da terra, seguras em si mesmas, faziam
contraste com o estado judeu, que se debatia sob o governo persa. Contudo, Deus
assegurou ao seu povo de que essas nações orgulhosas e auto-suficientes
experimentariam o julgamento divino (cf. as palavras de Obadias sobre a falsa
segurança de Edom; Ob 3, 4 e 8).
* 1.12 o anjo do SENHOR. Ver as
notas em Gn 16.7. Muitos estudiosos, embora não todos, identificam esse
"anjo" com o "homem montado em um cavalo vermelho" (v. 8).
setenta anos. Temos aqui
uma referência à profecia de Jr 25.11,12, onde foi anunciado o exílio
babilônico.
* 1.13 palavras
boas, palavras consoladoras. Palavras que refletiam o amor de Deus pelo seu
povo e reafirmavam a resolução de Deus de não abandonar o seu povo (Hb 13.5).
* 1.14 estou zelando por Jerusalém. Ver a
referência lateral. Esta é a primeira expressão acerca do tema do zelo de Deus
no livro de Zacarias (8.2). O zeloso amor de Deus por seu povo escolhido
levou-o a agir em favor deles. Um tema semelhante é expresso em Sf 3.9-20.
* 1.15 E, com grande indignação, estou
irado contra as nações. Note o contraste com o v. 2, onde a ira passada de
Deus com o seu próprio povo foi expressa. Aqui o amor de Deus por aqueles que
lhe pertenciam (v. 14, acima) o leva a protegê-los e a julgar as nações que
tinham perseguido o seu povo além de todas as medidas cabíveis.
* 1.17 o SENHOR ainda... escolherá
a Jerusalém. Um tema comum nas visões de Zacarias (2.12 e 3.2). A escolha
de Deus do seu povo distingue Israel das nações pagãs. O resultado de sua
escolha é que eles recebiam a prosperidade ("minhas cidades ainda transbordarão
de bens").
* 1.18-21 A segunda visão enfoca a atenção
sobre os quatro chifres. O "chifre" era um símbolo de poder e orgulho
no antigo Oriente Próximo (Sl 75.4,5). Esta visão é um contraste à primeira:
Sião seria reconstruída e as nações seriam destruídas. A identificação dos
quatro chifres poderia ser a mesma que a das profecias de Daniel (Dn 2.36-45;
7.17-28), e, assim sendo, corresponderiam ou à Babilônia, à Média-Pérsia, à
Grécia e a Roma, ou então à Assíria, Babilônia, Egito e Pérsia (10.10,11). Além
disso, esses chifres também poderiam ter uma significação maior do que isso,
referindo-se aos "quatro pontos da terra" (Ap 20.8).
* 1.21 para derribar os chifres das
nações. Os quatro ferreiros surgiram em cena a fim de derrubar o poder das
nações. Isso simboliza o julgamento das nações contra as nações que
perseguiram o povo de Deus, o cumprimento da promessa que Deus fez a Abraão, de
que ele amaldiçoaria àqueles que amaldiçoassem os descendentes de Abraão (Gn
12.3).
* 2.1-5 A terceira visão de Zacarias descreve um
homem com uma linha de medir. Essa visão salienta a proteção divina conferida
ao povo de Deus mediante a sua presença pessoal (v. 5 e notas). É provável que
as muralhas de Jerusalém ainda não tivessem sido reerguidas e que a cidade
estivesse sujeita a ataques por bandos de assaltantes.
* 2.1 um cordel de medir. Um
implemento que se tornou símbolo da reconstrução, usado por Jeremias, que
retratou uma Jerusalém restaurada (Jr 31.39).
* 2.4 sem muros. Os profetas do
Antigo Testamento concebiam um tempo quando Jerusalém seria o centro da
adoração para as nações (v. 11; 8.20-23; Is 2.1-4), quando então essa cidade
transbordará de gente.
multidão de homens e animais. Ver a nota
no v. 11.
* 2.5 um muro de fogo em redor. Os
profetas retratam o dia da plena restauração como um segundo êxodo, com o
símbolo da colunas de fogo (Is 4.5,6). Da mesma maneira que houve tempo em que
Israel era protegida de seus inimigos pelo próprio Deus, assim também, ele o
guardará novamente de seus opressores.
glória. A presença
de Deus significa mais do que simples proteção; é a fonte originária de todas
as bênçãos para o seu povo. A essência da aliança renovada é esta: "Eu
serei o seu Deus, e eles serão o meu povo" (Jr 31.33).
* 2.6-13 Nesta seção, o profeta fala aos judeus na
Babilônia (vs. 6-9) e na cidade de Jerusalém (vs. 10-13).
* 2.6 vos espalhei. Uma
referência ao julgamento divino de Judá, no exílio, como punição pela
desobediência deles à aliança com o Senhor (Dt 28.36,49,50). O tempo do
julgamento terminou; o tempo da restauração era chegado (v. 7).
* 2.8 na menina do seu olho. Ver
a nota em Dt 32.10
* 2.10 habitarei no meio de ti. Essa
promessa subentende a santificação dos habitantes da terra, por meio do sangue
da aliança eterna (3.9, notas; 8.8, nota; Hb 13.20).
* 2.11 muitas nações. A extensão
da visão transcende a qualquer coisa que os judeus poderiam realizar em seus
dias. A visão focaliza um tempo quando a salvação não se limitaria à nação
judaica, mas pelo contrário, estenderia a graça de Deus a todas as nações. Esse
dia veio na inauguração do reino de Deus por parte de Jesus Cristo.
* 2.12 na terra santa. Uma
expressão usada somente aqui nas Escrituras. Judá será santo porque Deus estará
habitando ali. Zacarias estava visualizando a mais plena realização da promessa
divina feita a Abraão (Gn 12.3; 15.5).
* 2.13 Cale-se. A humanidade
inteira devia reverenciar a Deus por causa da grande salvação anunciada neste
capítulo (Hb 2.20).
ele se levantou. Com o
propósito de julgar. Deus tanto julgará as nações que oprimiram o seu povo como
também proverá um lar seguro para eles.
* 3.1-10 A quarta visão diz respeito ao sumo
sacerdote Josué (Ed 3.2, referência lateral), e trata particularmente com o
problema de um sacerdócio impuro. Começa mostrando a solução divina para o
problema (vs. 4 e 5), e termina mostrando como Deus apagará o pecado de todo o
seu povo (vs. 8 e 9).
* 3.1 Uma cena de
tribunal, semelhante àquela de Jó (Jó 1.6-12). Satanás veio a fim de acusar
Josué de indignidade para o sacerdócio. O termo hebraico satan significa
"adversário" ou "acusador" (referência lateral); aqui,
contudo, pode ser uma descrição, e não um nome próprio.
estava diante. Josué
assume aqui a posição de um sacerdote que ministrava na presença de Deus. A
acusação é uma das principais armas de Satanás contra os crentes. Isso difere
da convicção do Espírito Santo. O Espírito convence do pecado a fim de
impulsionar-nos ao arrependimento e ao recebimento do perdão. O alvo de Satanás
é a destruição, e não a redenção.
* 3.2 tição tirado do fogo. O
fogo é uma metáfora do exílio, do qual o povo de Deus havia sido arrancado.
Amós 4.11 também usa essa expressão para falar sobre o perigo do qual Deus
redime o seu povo.
* 3.3 trajado de vestes sujas. Vemos
aqui a base das acusações de Satanás, ao dizer que Josué era indigno como sumo
sacerdote. Mas se o sumo sacerdote era impuro, quem poderia fazer expiação pelo
pecado? Se ele não pudesse fazer expiação pelo pecado, como poderia o povo de
Israel ser perdoado? A resposta a essa pergunta é apresentada de uma maneira
dupla, abaixo.
* 3.4 Tirai-lhe as vestes sujas. Deus tornou
Josué novamente digno para ser o sumo sacerdote dando-lhes vestes novas.
Dessa maneira, Josué tornou-se um tipo do vindouro Renovo (v. 8), o qual
cumpriria uma função sacerdotal e proveria vestes de justiça para nós, com base
em seu próprio mérito.
* 3.5 um turbante limpo. O
turbante fazia parte das vestimentas do sumo sacerdote. Um novo turbante limpo
completa as vestes restauradas do sumo sacerdote, indicando que Deus tinha
tirado o opróbrio do sacerdócio (Êx 28.36-38).
* 3.8 são homens de presságio. Ver a
referência lateral. Esses homens prefiguravam o Servo vindouro, por serem eles
sacerdotes, e ele atuaria como um sacerdote, fazendo expiação pelo pecado (v.
9, nota).
o meu servo, o Renovo. "Meu
servo" é um título de honra usado incialmente para indicar Moisés (Nm
12.6-8). Esse termo também foi usado como um título em Isaías, algumas
vezes para Israel (Is 41.8; 44.1,2), e algumas vezes (como aqui), para indicar
o Messias, o Servo de Deus que redimiria o seu povo (Is 42.1-7; 52.13).
o Renovo. Temos aqui
um título messiânico que combina os ofícios de sacerdote e rei (6.12, nota; Is
4.2, nota).
* 3.9 a pedra. Possivelmente uma
referência ao Messias. Diversas passagens do Antigo Testamento acerca da pedra
foram interpretadas como messiânicas no Novo Testamento (Sl 118.22; Is 8.14;
28.16; Mt 21.42; 1Pe 2.6-8).
sete olhos. A mistura
de imagens simbólicas é difícil de interpretar, mas esses olhos são símbolos do
Deus onisciente e de seu cuidado vigilante (também usados em 4.10).
tirarei a iniqüidade desta terra. Deus
tiraria o pecado de seu povo através do Renovo. O sistema sacerdotal inteiro do
Antigo Testamento na realidade não tinha por intuito cobrir o pecado, mas
tão-somente prefigurar aquele que, verdadeiramente, trataria do pecado
humano (Hb 10.1-18).
num só dia. O dia da
expiação (Lv 16.30; 23.28) era um lembrete anual do pecado (Hb 9.7-10), mas
Cristo, em um único dia (sexta-feira santa), de uma vez por todas, fez expiação
pelos pecados do povo de Deus (Hb 9.11-14).
* 3.10 debaixo da vide... da figueira.
Uma expressão de paz e prosperidade (1Rs 4.25; Mq 4.4). Está em vista o
estado final do reino de Deus.
* 4.1-14 A quinta visão descreve um
candelabro de ouro e duas oliveiras. O principal problema enfocado nessas
visões é como se completaria a reconstrução do templo. A resposta de Deus é que
Josué e Zorobabel eram seres humanos apenas finitos e limitados. O poder para
completar a tarefa viria da parte do próprio Deus.
* 4.2 candelabro todo de ouro. Esse
candelabro provavelmente foi usado para lembrar o povo de Israel do candelabro
do tabernáculo e do templo (Êx 25.31), embora o formato do mesmo fosse
diferente. O candelabro também pode ter simbolizado a responsabilidade da
comunidade dos judeus pós-exílio de que deviam ser uma "luz para os
gentios" (Is 42.6; 49.6).
sete lâmpadas e sete tubos. Os números
que aparecem neste versículo são um tanto confusos, mas o mais provável é que
houvesse sete lâmpadas sobre a haste, com um depósito para levar o azeite que
alimentaria as lâmpadas. Sete tubos saídos do depósito alimentavam as lâmpadas,
enquanto que o próprio depósito era alimentado pelas oliveiras (v. 12).
* 4.3 duas oliveiras. Ver o v.
14 e nota.
* 4.4 que é isto? A atenção de
Zacarias fixou-se sobre as duas oliveiras, e não sobre o candelabro. Aqui a sua
pergunta não recebe resposta imediata, mas é respondida no v. 14.
* 4.6 Este é o
versículo-chave para se compreender essa visão.
Zorobabel. Embora esta
visão inclua Josué como uma das oliveiras, o enfoque recai sobre Zorobabel,
como é evidente pela repetição de seu nome nos vs. 6, 7, 9 e 10.
Não por força nem por poder. Ou seja, a
força militar ou qualquer outra forma de poder (à parte de Deus). Ao povo de
Deus foi repetidamente recomendado que não dependesse do poder militar nem dos
pactos com potências estrangeiras para cumprir seu chamamento (Is 31.1-3; Sl
20.7-9).
mas pelo meu Espírito. O Espírito
de Deus é retratado com freqüência, nos escritos dos profetas, como aquele que
capacita os servos de Deus a cumprirem a sua obra e vencerem os obstáculos. Até
mesmo a vinda do Servo do Senhor, o Messias, é descrita nesses termos (Is 11.2;
42.1; 61.1).
* 4.7 a pedra de remate. A
última e mais importante pedra, que, ao que se presume, seria cerimonialmente
posta em seu lugar, no templo terminado.
Haja graça e graça para ela. O templo
seria completado em meio a clamores que solicitam que o favor divino repouse sobre
o mesmo. A frase foi repetida para efeito de ênfase (Is 40.1, nota).
* 4.10 o dia dos humildes começos. Seria
fácil a um judeu desencorajar-se, face aos parcos resultados e ao pequeno
progresso. Encontramos o povo de Judá desencorajado diante do lançamento dos
alicerces do segundo templo (Ed 3.10-12), como também diante da reconstrução do
templo, nos dias de Ageu (520 a.C.; Ag 2.3). A questão que se destaca neste
versículo relembra-nos a não julgarmos a obra de Deus pelos padrões humanos.
olhos do SENHOR. Ver a nota
em 3.9.
* 4.14 ungidos. Ver a referência
lateral. Esses dois ungidos são Zorobabel e Josué. Como líderes escolhidos por
Deus, lhes seria suprido o Espírito Santo com a intensidade necessária para
terminarem o templo. Juntos, eles prefiguram o Messias, em quem estão unidos,
em uma única Pessoa, os ofícios de sacerdote e rei (bem como de profeta) (6.12,
nota). A visão completa ensina-nos tanto que Deus é a fonte originária da força
para se fazer o que ele próprio determina como também é aquele que concede o
seu Santo Espírito ao seu povo escolhido, para a obra que ele os tiver
chamado.
Senhor de toda a terra. Deus é
soberano sobre todos os negócios dos homens (Is 40.15,23,24). Por semelhante
modo, o título "Senhor Todo-poderoso" demonstra que todos os poderes
que há no cosmos estão à sua disposição (1.3, nota).
* 5.1-4 A sexta visão diz respeito ao rolo
voante. Ensina que o Senhor que ama e restaura o seu povo também é justo e
punirá a iniqüidade. Esta visão e aquela que se segue são advertências, mas
também são encorajamentos de que Deus cuidará do problema do pecado na terra.
* 5.2 vinte côvados... e dez. Um grande
rolo aberto, para que todos pudessem lê-lo. Conforme o contexto deixa
entendido, as palavras que há no rolo eram as palavras da lei. Suas dimensões
grandes eram apropriadas para a sua tarefa de percorrer toda a terra para lidar
com todos os pecados (v. 3).
* 5.3 maldição. A maldição
que está contida na lei (Dt 28.15-68). Tal como se vê em Ageu 1.1-11, o profeta
destacou o fato que a obediência do povo de Deus lhes atrai bênçãos, enquanto
que a desobediência lhes atrai maldições.
qualquer que furtar... jurar
falsamente. Provavelmente, a maldição não era endereçada somente a esses
dois pecados, mas esses pecados representam da iniqüidade da nação inteira. O
juramento falso viola o terceiro mandamento, que se acha na primeira tábua da
lei (os deveres de uma pessoa para com Deus). O furto viola o oitavo
mandamento, encontrado na segunda tábua da lei (os deveres de uma pessoa para
com o próximo). Os Dez Mandamentos sumariam a inteira lei moral e são uma
revelação do caráter do próprio Deus.
* 5.4 e consumirá. A palavra de
Deus realizará seu próprio propósito (Is 55.11). Aqueles que quebram a lei de
Deus certamente sofrerão as conseqüências de seus pecados que essa maldição
impõe. As Escrituras, por muitas vezes, enfatizam a certeza do julgamento (Rm
2.3; 1Ts 5.1-3; Hb 2.3).
* 5.5-11 A sétima visão, da mulher na cesta de
medir, salienta a remoção, por parte de um Deus soberano, da iniqüidade da
terra (v. 11 e nota). A natureza santa de Deus não pode tolerar o pecado no
meio de seu povo.
* 5.6 um efa. Ou: cesta. Ver
a referência lateral. O efa era uma medida para grãos, equivalente a
cerca de 23 litros (Jz 6.19; Rt 2.17). Como é claro, tal medida não conteria
uma pessoa adulta, mas um realismo preciso não é necessariamente uma
característica das visões proféticas (Nm 12.6-8 e notas).
em toda a terra. A
iniqüidade do povo não está limitada a atos específicos de pecado (como alguém
poderia concluir da visão anterior) mas tinha infectado as vidas de todo o povo
de Deus.
* 5.7 uma mulher. A iniqüidade
é aqui personificada por uma mulher, talvez porque a palavra hebraica para
"iniqüidade" é gramaticalmente feminina, ou então porque a idolatria
de Israel com freqüência era caracterizada pelos profetas como sendo uma
prostituição (Ez 16.25; Os 2.2).
* 5.9 duas mulheres; havia vento em
suas asas. Estas eram agentes de Deus para remover a iniqüidade da terra. A
fidelidade de Deus à aliança remove o pecado de seu povo para longe deles (Sl
103.11,12; Mq 7.19).
* 5.11 Sinear. Essa antiga palavra
para Babilônia possivelmente é usada para evocar a torre de Babel como símbolo
de oposição a Deus (Gn 11.2). Sinear, e não Jerusalém, é o lugar apropriado
para a iniqüidade, visto que Jerusalém era a habitação do Santo de Israel
(2.10-13 e 8.3).
* 6.1-8 A última visão, que enfoca os quatro carros,
relembra os quatro chifres da primeira visão (v. 1, nota; cf. 1.7-17). Os
quatro carros simbolizam os "quatro ventos do céu" (v. 5), mas além
disso, a ordem e a cor dos cavalos podem não ter qualquer significação
especial. O escritor do livro do Apocalipse usa um simbolismo similar em sua
descrição dos quatro cavaleiros (Ap 6.1-60).
* 6.1 montes... de bronze. Provavelmente,
os montes simbolizem o portão do céu, embora alguns estudiosos sugiram que o
bronze reflita as colunas de bronze do templo (1Rs 7.13-22). Na primeira visão,
os cavaleiros saem da presença de Deus (1.10). Aqui os carros são emissários do
julgamento divino, que emergem dentre os montes de bronze.
* 6.5 os quatro ventos do
céu. A palavra hebraica para "ventos" também pode significar
"espírito". Zacarias pode ter-se aproveitado intencionalmente dessa
ambigüidade para dizer que assim como os ventos cobrem a terra, assim também os
anjos de Deus cobrem a terra com a presença de Deus (cf. o v. 8, nota).
o Senhor de toda a terra. O Deus
soberano ordena a seus exércitos celestiais fazerem a sua vontade (4.14, nota).
* 6.7 forcejando por andar
avante, para percorrerem a terra. Os cavalos que forcejavam retratam a
prontidão do julgamento de Deus.
* 6.8 terra do Norte. O "norte",
neste caso, representa os inimigos de Israel, visto que a geografia da
Palestina exigia que qualquer um que atacasse vindo do oriente, incluindo os
persas, tivessem que vir necessariamente do norte.
fazem repousar o meu Espírito. Se a terra
do norte fosse julgada por Deus, então todas as outras terras estariam
seguramente sob o seu julgamento, e a sua proteção ao seu povo era completa.
Seu Espírito, por conseguinte, poderia descansar.
* 6.9-15 Esta seção é um apêndice adicionado às
visões, oferecendo comentários adicionais referentes à quarta e à quinta
visões. Ela reúne especialmente os ofícios usualmente separados de sacerdote e
de rei em um única Pessoa — o Messias (v.13).
* 6.12 Renovo. Um título
messiânico, cuja importância explica sua ocorrência aqui e em 3.8. Quem usou o
termo pela primeira vez foi Isaías, para denotar o Messias (Is 4.2). Em
seguida, Jeremias desenvolveu esse título para indicar o descendente de Davi
que governaria no trono de Davi (Jr 23.5,6; 33.15,16). Zacarias reúne os
ofícios real e sacerdotal nesse título. Os primeiros intérpretes judeus viam
nesse título uma compreensão messiânica. Tudo isso mostra a preparação, no
Antigo Testamento, para a verdade de que Cristo é o nosso Sumo Sacerdote (Hb
4.14; 7.24; 9.11), bem como o nosso Rei
(Hb 1.8; Mt 22.41-46). Ele é o nosso Salvador e o nosso Senhor.
* 6.13 Ele mesmo edificará o templo do
SENHOR. O Messias, em sua função real, edificará o templo. Isso serviria
para encorajar os judeus dos dias de Zacarias, mas seu cumprimento pode ser
encontrado em Jesus, que prometeu edificar a sua Igreja como um templo (Jo
2.19-21; 1Co 3.16,17; Ef 2.19-21).
* 6.15 Aqueles que estão longe
virão. Essas são as nações que se reunirão em torno da tarefa de
reconstruir o templo. Isso reflete o ensinamento de Ageu de que as nações
trarão suas riquezas ao templo (Ag 2.7, nota). Visto que a Igreja de Cristo é o
templo da presente dispensação, os gentios edificarão o templo edificando a
Igreja, o corpo vivo de Cristo sobre a terra (1Pe 2.5).
* 7.1-14 Este capítulo trata de uma pergunta feita
pelos residentes da terra de Israel acerca de continuar a jejuar. A pergunta
que fizeram mostra a falta de entendimento deles quanto à questão real da
obediência. Zacarias responde que obedecer é melhor do que sacrificar (cf. 1Sm
15.22).
* 7.1 quarto ano... dia
quarto... nono mês. A data foi 7 de dezembro de 518 a.C., pouco mais do que
dois anos depois das visões dos capítulos 1-6 deste livro.
* 7.2 enviados... para suplicarem o
favor do SENHOR. Chegou uma delegação de Betel para inquirir se deveriam
continuar a jejuar, lamentando pela destruição do templo. De acordo com 2Rs
25.8-15, o templo foi destruído no quinto mês (586 a.C.). A indagação foi
respondida pelo profeta em 8.18,19. O cap. 7 de Zacarias mostra-nos que a
comunidade israelita restaurada em Jerusalém, externamente era religiosa, mas
faltava-lhe os frutos da verdadeira religião. Uma religiosidade verdadeira
deveria resultar em boas ações (Tg 1.26,27). Ver as notas nos vs. 9 e 10.
* 7.5 no sétimo mês. O jejum
que lamentou pelo assassinato de Gedalias, governador de Judá, que fora nomeado
pelos babilônios (2Rs 25.26, nota).
setenta anos. Tinham-se
passado sessenta e oito anos desde a destruição do templo de Jerusalém.
Zacarias falava aqui usando números redondos.
acaso, foi para mim que jejuastes. A pergunta
enfática de Zacarias indicava a hipocrisia do jejum deles; pelo contrário, os
jejuns deles eram motivados pelo egoísmo e não pelo desejo de agradar a Deus.
* 7.7 o Sul. Ver a nota em Gn
12.9.
* 7.9 Executai juízo verdadeiro. Zacarias
convidou o povo a fazer o que seus pais tinham feito. Uma justiça autêntica
significava aplicar a palavra de Deus aos problemas, tanto os de natureza
pessoal quanto os de natureza social, confrontando a comunidade restaurada.
Eles deviam libertar os oprimidos e punir os opressores.
* 7.10 a viúva, nem o órfão, nem o
estrangeiro, nem o pobre. Esses quatro grupos podiam ser facilmente
explorados. Deus, entretanto, os ama (Êx 22.21; Dt 10.18), e ordenou provisões
para que fossem cuidados (Dt 24.17-22). Deus também proferiu maldições contra
aqueles que os exploram (Dt 27.19). Injustiças feitas contra esses grupos são
mencionados em Sl 94.6 e Is 10.1,2.
intente... o mal. O problema
externo que consiste em maltratar a outros deriva-se do ódio interior e da
desconsideração pelo próximo (Mt 5.21,22).
* 7.13 eu não os ouvi. O
julgamento divino, que consistiu no exílio babilônico, foi aplicado em
proporção à desobediência dos filhos de Israel. Os profetas enfatizaram
repetidamente que atos formais de adoração são anulados pela desobediência. Ver
especialmente 1Sm 15.22 e Is 1.13-15.
* 7.14 da terra desejável fizeram uma
desolação. A desobediência dos antepassados dos israelitas atraiu o
julgamento divino. Zacarias queria que o povo de Israel compreendesse que uma
desobediência contínua seria penalizada pelo julgamento divino.
* 8.1-23 Este capítulo é um quadro final do
reino de Deus, quando Deus der a seu povo sua bênção final e mais completa.
Similar ao retrato de Isaias sobre o futuro (Is 65.17; 66.5-24), este capítulo
fornecia aos judeus pós-exílicos a esperança de que o Senhor continuava
resoluto a abençoá-los. Desde a vinda de Cristo ao mundo, o princípio dessas
bênçãos pode ser vista, mas a plena realização delas espera pelo novo
céu e pela nova terra (Ap 21.1).
* 8.2 Tenho grandes zelos de Sião. Ver a
referência lateral. O zelo de Deus, ou seu ciúme pelo seu povo (por eles, não
deles) nasce do amor segundo a aliança e da dedicação dele a eles (1.14), o
que, por sua vez, requer a lealdade de todo o coração deles a ele.
* 8.3 cidade fiel. A palavra
hebraica aqui traduzida por "fiel" tem o sentido de "fiel à lei
de Deus". Uma fiel observância da lei de Deus raramente foi um fato real
durante a história de Israel, mesmo nos dias de Zacarias. Mas o profeta previu
um tempo quando o povo de Deus refletirá o seu caráter em seu trato uns com os
outros (vs. 16,17). Ver também Êx 34.6,7.
monte santo. O monte
Sião será santo porque a presença de Deus habitará ali de uma maneira toda
especial. Os profetas reiteradamente enfatizaram o dia da salvação como um dia
da renovação da presença de Deus (2.5,11).
* 8.4,5 Temos aqui um quadro das bênçãos divinas
segundo a aliança nas quais a bênção divina de uma longa vida (Êx 20.12) e a
alegria das crianças a brincar reflete um estado de shalom, de bem-estar
total.
* 8.6 maravilhoso. O vocábulo
hebraico aqui traduzido por "maravilhoso" denota algo que ultrapassa
as forças e a compreensão humanas, tipicamente quando se refere a uma ação
divina. Quanto a outros exemplos dessa ênfase, ver Gn 18.14
("difícil") e Jz 13.18.
restante. Aqueles que
se mostrassem fiéis a Deus, em meio à desobediência. Paulo se refere ao
"remanescente segundo a eleição da graça", em Rm 11.5. Os eleitos de
Deus são preservados por ele para o servir fielmente. Ver as notas em Is 1.9 e
Mq 2.12.
* 8.7 salvarei o meu povo...
Ocidente. A renovação da aliança entre Deus e o seu povo envolverá a
restauração de terras estrangeiras. Ver Dt 30.1-5; Jr 30.8-11.
* 8.8
eles serão o meu povo,
e eu serei o seu Deus. Esse relacionamento pessoal é a essência da aliança
de Deus com Abraão e seus descendentes (Gn 17.7 e nota), bem como a essência da
Nova Aliança (Jr 31.33). Essa é, igualmente, a origem de todas as demais
bênçãos da aliança.
* 8.12 sementeira... os céus. As
bênçãos da renovação final da parte de Deus foram expressas sob a forma de
termos agrícolas apropriados à promessa da aliança acerca da terra. Visto que a
antiga vida de Israel em sua terra era uma prefiguração da vida do Novo Israel
em Cristo (Gn 13.15, nota), hoje em dia os cristãos regenerados experimentam as
bênçãos da renovação da aliança com Deus por intermédio de Jesus (Mt 26.28; 1Co
11.25) e esperam a total renovação das bênçãos da aliança de Deus, no novo céu
e nova terra (Ap 21.1—22.5).
* 8.15 pensei. Ver a nota em 1.6.
* 8.16,17 O povo de Israel é aqui
convocado a ordenar as suas vidas em consonância com o padrões éticos de Deus.
O piedoso comportamento aqui descrito contrasta com a impiedade que
caracterizou grande parte da História de Israel; a verdade e a retidão reinarão
durante essa era final de bênçãos (Am 5.24).
* 8.19 Este versículo relaciona-se
à indagação feita em Zc 7.3 e à resposta dada à mesma. Os jejuns mencionados
relembravam vários aspectos da destruição de Jerusalém.
quarto mês. Esse jejum
relembrava a queda das muralhas de Jerusalém, o começo do fim da cidade (2Rs
25.3,4). Ver as notas em 7.2,5.
décimo. Nabucodonosor
iniciou seu cerco de Jerusalém no décimo mês (2Rs 25.1; Jr 39.1-10).
* 8.20-23 Estes quatro versículos retratam
uma grande peregrinação, feita pelas nações gentílicas a Jerusalém, implicando
na extensão da salvação de Deus para fora das fronteiras de Israel (14.16-20;
Is 2.1-4; Mq 4.1-3; Ml 1.5).
* 8.22 poderosas nações. Ver Is
2.2-4; Mq 4.3.
* 8.23 dez homens, de todas as
línguas. A ênfase recai aqui no grande número (v. 22, "muitos
povos") de povos gentílicos que virão adorar o verdadeiro Deus. Apocalipse
5.9 refere-se aos remidos "de toda tribo, língua, povo e nação". A
salvação, pois, incluirá almas de pessoas de todas as nações, não no sentido
que cada indivíduo da raça humana será salvo, e, sim, que os filhos de Deus
foram escolhidos dentre todas as línguas e de todos os grupos étnicos do mundo.
Deus está convosco. A grande
força de atração na adoração é a presença de Deus no meio de seu povo (1Co
14.24,25).
* 9.1—11.17 O profeta volve agora a sua atenção
para o futuro do reino de Deus, desenvolvendo o seu tema mediante dois longos
oráculos (caps. 9—11 e 12—14). A primeira profecia da última metade do livro
enfoca a vinda de Deus, o Rei, a fim de julgar os incrédulos. Os versículos de
abertura (9.1-8) retratam Deus como um guerreiro vingador que virá tomar posse
de sua terra, com a destruição de todos os inimigos pagãos que atravessam seu
caminho (cf. Is 9.6, nota). Ele virá do norte para Jerusalém (cf. 9.14-17, onde
Deus é retratado como quem viria do sul para Jerusalém), acontecimento esse que
leva à proclamação de 9.9. Alguns interpretam esse quadro profetizado como uma
invasão, vinda do norte, descrevendo a conquista da Palestina, em 333 a.C., por
parte de Alexandre, o Grande. Essa pode ser uma interpretação correta, mas seu
significado maior diz respeito ao próprio Deus, que voltará à terra a fim de
vingar o seu povo. Ver Introdução: Características e Temas.
* 9.1 sentença pronunciada pelo
Senhor. Essa frase exata é usada por três vezes no Antigo Testamento
(aqui e em Zc 12.1 e Ml 1.1). "Sentença" significa que o profeta
estava sob forte compulsão para entregar a mensagem de Deus.
terra de Hadraque. Conhecida
como Hatarica, nas inscrições cuneiformes assírias, essa é a cidade mais ao
norte citada nos vs. 1-8. A descrição aqui é bastante geral, e não devemos
buscar um cumprimento específico.
Damasco. A capital
da Síria, o país vizinho de Israel, ao norte.
O SENHOR põe os olhos sobre os
homens. Todos os povos estão sob o escrutínio dos olhos do Senhor sob
eles fixados; por semelhante modo, os povos olharão para o Rei Todo-poderoso
quando ele se aproximar com a sua justiça, a fim de julgar a humanidade.
* 9.2 Hamate. Uma cidade
localizada no rio Orontes, ao norte de Damasco.
Tiro e Sidom. Cidades
fenícias do litoral do mar Mediterrâneo. Eram centros comerciais por todo o
período bíblico. A descrição delas como centros "cuja sabedoria é
grande" pode relacionar-se à esperteza nos negócios. O julgamento divino
dessas duas cidades é um tema profético comum (Jr 47.1-7; Ez 28.11-23).
* 9.5 Ascalom... Gaza...
Ecrom. Essas fortes cidades da Filístia não serão capazes de resistir ao
poder do guerreiro que se aproximará, sendo este o próprio Deus. Essas cidades
foram destinadas para o castigo por diversas vezes no Antigo Tstamento (Is
14.28-32; Ez 25.15-17; Am 1.6-8).
* 9.9,10 Esta importante profecia do Antigo
Testamento recebe cumprimento tanto na entrada triunfal de Jesus, em Jerusalém
(Mt 21.1-11; Jo 12.12-16) como durante o seu reinado messiânico (v. 10, nota).
* 9.9 ó filha de Sião. Um
título comumente usado para falar da santa cidade de Deus, Jerusalém, e seus habitantes
(Is 1.8, nota; 62.11 e Sf 3.14).
o teu Rei. A
descendência real de Davi, prometida reiteradamente (2Sm 7.12-14; Sl 132.11; Is
9.7; 11.1-5; Jr 23.5,6; 33.15-22; Ez 34.23,24;37.24,25).
em jumento. Um sinal da
humildade de Cristo. Ver a nota em Mt 21.1-11.
* 9.10
os carros... os cavalos. Implementos
de guerra seriam abolidos duante o reinado pacífico do Rei justo (Is 2.1-4;
11.6-9). O Antigo Testamento com freqüência prediz a paz universal nos tempos
do Rei-Messias (Is 57.19; Mq 4.1-5; cf. Ef 2.12-18).
domínio... de mar a mar. O governo
universal e soberano de Deus é fundamental na religião do Antigo Testamento
(Sl 72.8; 96.3-5; Dn 2.44-47; 7.13,14,27). Cristo é aquele que trará o
dominínio universal do Pai à terra (Mt 12.28; Fp 2.9-11; Ap 19.11-16).
* 9.11 sangue da tua aliança. Uma
referência à provisão da aliança divina para expiar o pecado (Êx 24.8; Mt
26.28).
* 9.13 ó Grécia. Literalmente, diz
aqui o original hebraico, "ó Javã" (Gn 10.2). Essa referência não se
refere necesariamente às guerras dos Macabeus (segundo século a.C.), que
ocorreram durante o período intertestamentário, e nem indica que o autor
sagrado tenha vivido durante aquele período. A Grécia pode ser usada como
símbolo das nações pagãs que guerreavam contra o povo de Deus.
* 9.14 redemoinhos do sul. O Deus
de Israel é agora retratado como quem vinha da região sul do deserto, montado
nas nuvens da tempestade (2Sm 22.8-16; Sl 29). Visto que o monte Sinai foi o
lugar onde ele apareceu quando tirou o seu povo do Egito, o Antigo Testamento,
algumas vezes, retrata Deus como vindo daquela região.
* 9.15 encher-se-ão... ficarão
ensopados. O povo de Deus estaria exultando de santa alegria, por causa
da vitória e da presença de Deus (At 2.13-21; Ef 5.18).
* 9.16 rebanho... pedras de uma coroa.
O povo de Deus repousa em segurança, sob os cuidados divinos (13.7; Ez
34.11-24; 37.24), e se tornará glorioso como um resultado da presença do Senhor
(2Co 3.18).
* 10.1-12 Este capítulo emite uma
reprimenda contra o povo, e, especialmente, contra os líderes de Judá por terem
buscado sabedoria e conselhos da parte dos ídolos (v. 2). A reação de Deus
contra a sua desobediência obstinada é que ele mesmo tornar-se-ia o pastor
deles. O Messias é com freqüência retratado (na pessoa de Davi), como um
Rei-Pastor (Ez 34; Jr 23.1-8).
* 10.1 Pedi ao SENHOR chuva. Ver a
nota em 8.12.
* 10.2 os ídolos... os adivinhos. Os
ídolos são ídolos domésticos (Gn 31.19). As tentativas do ocultismo de predizer
o futuro são proibidas para o povo de Deus (Dt 18.9-14), pois eles devem
derivar sua sabedoria da palavra de Deus (Pv 1.7).
não há pastor. Os líderes
de Israel e de Judá por muitas vezes foram repreendidos por estarem liderando
tão impiamente o povo de Deus (Ez 34.1-10).
* 10.3 cavalo de glória. Judá será
forte como um cavalo preparado para a batalha, por causa da ajuda de Deus (v.
6).
* 10.4 a pedra angular... a estaca da
tenda... o arco de guerra. Esses são símbolos do Messias. Jesus pertencia à tribo
de Judá (Hb 7.14), e veio a este mundo em cumprimento da promessa da vinda de
um governante que conquistaria todo outro governante. Ver as notas em Gn 49.10
e Mq 5.2.
* 10.6 eu sou o SENHOR seu Deus. Outra forte
reafirmação do laço de aliança entre Deus e o seu povo. Deus salva o seu povo
por causa de seu eterno compromisso, firmado com eles (8.8, nota; Jr 31.33).
* 10.8 Eu
lhes assobiarei. Da mesma maneira que um pastor assobia para seu rebanho
(Cf. Is 7.18), assim também Deus convocará os seus exilados das terras estrangeiras
(Dt 30.1-10).
como antes se tinham multiplicado. Da mesma
forma que os israelitas se tinham antes multiplicado (Êx 1.7), em cumprimento à
promessa da aliança firmada entre Deus e Abraão (Gn 15.5 e 17.6).
* 10.10-12 O poderoso ato de Deus, ao convocar
os exilados, foi retratado em linguagem que nos faz lembrar da saída de Israel
do Egito (Is 43.16,17).
* 10.12 andarão no seu nome. Seguindo a
orientação e a sabedoria de Deus em tudo quanto faziam (Dt 6.4-9; Mq 4.5).
* 11.1-3 Os estudiosos têm debatido se esta pequena
seção poética pertence ao que a antecede (caps. 9—10, o julgamento das nações)
ou com o que se segue (11.4-17, o julgamento de Deus contra Israel, por causa
de sua rejeição ao Pastor). As metáforas sobre grandes carvalhos, densas
florestas e leões ferozes são tiradas das plantas e dos animais do vale do rio
Jordão. A linguagem é condizente com vários julgamentos espalhados pela
história de Israel, mas o julgamento proeminente será imposto àquelas nações e
àqueles indivíduos que rejeitaram o Bom Pastor, Jesus Cristo (At 4.24-28).
* 11.2 cedros. Essa madeira é, com
freqüência, usada como símbolo do Líbano (1Rs 5.6; Sl 104.16).
Basã. A área
fértil a nordeste do mar Morto (Dt 3.1, nota).
* 11.4-17 É difícil identificarmos os
atores com certeza nesta seção, embora o ensinamento em geral seja claro. O
profeta foi nomeado para ser um bom pastor, mas visto que foi rejeitado ele
abandonou o rebanho (v. 9). Na qualidade de um bom pastor, o profeta foi um tipo
do vindouro Pastor messiânico, Jesus Cristo, o qual veio como o Bom Pastor e
deu a sua vida pelas ovelhas (Jo 10.11-18).
* 11.4 Apascenta as ovelhas. Um
mandato atribuído a Zacarias.
para a matança. O povo de
Israel.
* 11.6 já não terei piedade. Essas
palavras eram apropriadas antes do exílio babilônico (Jr 13.14; 15.5; 21.7); e
ocorrem aqui por causa da contínua rebelião do povo (Mt 21.33-46).
* 11.7 Graça. Ver a referência
lateral. Essa palavra também foi usada para indicar o próprio Deus (Sl 27.4;
90.17). As varas simbolizam a graça que Deus demonstrou para com o seu povo, em
sua aliança (v. 10).
União. Ver a
referência lateral. A unidade da nação dividida (v.14), foi prometida na Nova
Aliança (Jr 30.3; 31.27,31; 33.7).
* 11.8
três pastores. Esses pastores
são difíceis de identificar. Eles talvez simbolizem todos os líderes que deixam
de satisfazer os padrões divinos. Com a passagem do tempo, o Bom Pastor
escolhido por Deus deporá todos os demais governantes (Ap 2.27).
* 11.9 O profeta, como um pastor,
exprime o seu desgosto com a rebelião e a desobediência do rebanho.
* 11.10 aliança... com todos os povos. Temos aqui
a obrigação divinamente imposta sobre as nações de não prejudicarem o povo de
Israel, pertencente a Deus (cf. Ez 34.25; Os 2.18). Com a remoção do favor de
Deus para com Israel, as nações poderiam afligir o rebanho de Deus.
* 11.12 trinta moedas de prata. Aparentemente, esse era o preço de um
escravo (Êx 21.32). As autoridades religiosas de Judá pagaram a Judas
Iscariotes a importância de trinta moedas de prata, para que ele traísse a
Jesus (Mt 26.14-16).
* 11.13 as arrojei ao oleiro, na Casa do SENHOR. Uma profecia que teve
cumprimento quando Judas Iscariotes lançou as trinta moedas de prata no soalho
do templo de Jerusalém (Mt 27.1-10; cf. Jr 19.1-13).
* 11.14 romper a irmandade entre Judá e Israel. Temos aqui a dissolução
da nação que vivia sob a aliança, por terem rejeitado o Bom Pastor.
* 11.15-17 Com a rejeição do Bom Pastor,
líderes indignos tomaram o lugar dele (cf. Ez 34.1-10). A perda do
"braço" e do "olho direito" indica a perda do poder e do
discernimento necessários para a liderança (v. 17). Alguns estudiosos têm
sugerido que esta profecia refere-se aos líderes judeus que lideraram a nação
de Israel em rebeldias desastrosas contra Roma, após a morte de Cristo (66—74,
132—135 a.C.).
* 12.1—14.21 O segundo oráculo da última metade
do livro enfoca o julgamento de Deus sobre as nações, o que atingirá o seu
clímax na salvação de Jerusalém e na celebração da Festa dos Tabernáculos.
* 12.1 Sentença pronunciada pelo
SENHOR. Ver a nota em 9.1.
* 12.2 um cálice de tontear. Uma figura
comum da ira de Deus como um cálice da qual as nações deverão beber (Is 51.17;
Jr 25.15-17,27-29; Ez 23.32-34).
* 12.3 Naquele dia. O dia do
Senhor (14.1). Essa frase ocorre por numerosas vezes nos caps. 12—14, e indica
a plenitude do julgamento do mundo e a salvação final do povo de Deus.
uma pedra pesada. A Jerusalém
terrena dos dias de Zacarias era um tipo da Igreja, a Jerusalém celestial, na
qual atualmente vivemos pela fé (Hb 12.22-24).
* 12.6 braseiro... tocha. Mais
figuras do poder devorador de Judá.
* 12.10 espírito de graças e de súplicas. Isso
descreve o Espírito gracioso de Deus que produz a humildade no povo de Deus. Os
profetas do Antigo Testamento enfatizam que a renovação da aliança de
Deus (Jr 31.31-33) subentende a renovação por meio do seu Espírito (Is 59.21;
Ez 36.26,27; 39.29; Jl 2.28,29).
olharão para aquele a quem
traspassaram. Provavelmente isso significa “olhar para o Messias como a
fonte da salvação”. Muitas passagens do evangelho de João referem-se à
fé mediante o uso do verbo "ver" (Jo 6.40). Aquele que é assim
contemplado pela fé não é outro senão o próprio Deus, que foi traspassado na
pessoa de seu Filho encarnado, o Messias (Jo 1.14 e nota; 19.37).
* 13.1 Naquele dia. Ver a nota
em 12.3.
fonte... para remover o pecado e a
impureza. O quadro de uma fonte purificadora indica a abundância do
perdão (cf. Jr 2.13). Finalmente, encontramos a abundância do perdão em Jesus e
no Espírito Santo (Jo 7.37-39).
* 13.3 mentiras em nome do SENHOR. A
profecia falsa inclui tanto a profecia no nome de um deus falso como a fala
presunçosa, no nome do Senhor (Dt 13; 18.20-22). Os falsos profetas deviam ser
mortos à espada (Dt 13.12-15).
* 13.4 manto de pêlos. Os falsos
profetas negarão ser profetas por temor à punição, recusando-se a vestir as
vestes que, tradicionalmente, representavam um profeta (2Rs 1.8; Mt 3.4).
* 13.6 feridas nas tuas mãos? Provavelmente
ferimentos auto-infligidos durante a adoração idólatra. Vários textos do Antigo
Testamento sugerem que tais práticas eram costumeiras na adoração pagã (Lv
19.28; 21.5; Dt 14.1; 1Rs 18.28). O profeta acusado contende que seus
ferimentos lhe foram infligidos por seus amigos, não sendo resultantes da
adoração idólatra.
* 13.7-9 Esses versículos contemplam o Pastor
escolhido de Deus que sofre às mãos de Deus (v. 7). Desse julgamento emergirá o
verdadeiro povo de Deus (v. 9). Nas páginas do Antigo Testamento não existe
quadro mais claro acerca de Jesus e de sua Igreja sofredora. Ver as notas
abaixo.
* 13.7 fere o pastor. Espantosamente,
Deus feriu seu próprio Pastor escolhido. Jesus é o Pastor ferido e afligido (Mt
26.31-35; Mc 14.27-31; Lc 22.31-340).
as ovelhas. O povo de
Deus sofre juntamente com o seu Pastor (2Co 1.5, nota).
para os pequeninos. A
preposição “para” também pode ser traduzida por “contra”. Provavelmente temos
aqui uma indicação do julgamento de Deus contra as suas ovelhas. Entretanto, pode
indicar também a proteção divina aos "pequeninos", no meio do
sofrimento.
* 13.8 Dois terços... terceira parte. O
julgamento separa os verdadeiros crentes dos falsos. Um tema profético comum é
que o julgamento de Deus distinguirá os orgulhosos dos humildes (Sf 3.11,12),
entre as ovelhas verdadeiras das falsas (Ez 34.17-22).
* 14.1 vem o Dia do SENHOR. Os
profetas do Antigo Testamento proclamavam um "dia do Senhor" quando
haveria julgamento e livramento, sendo ambos apresentados nesta passagem (Introdução
a Sofonias: Características e Temas).
* 14.5 Azal. Como é claro trata-se
de um local próximo de Jerusalém, embora sua localização precisa seja
desconhecida.
santos. Essa
expressão se encontra no Novo Testamento (Jd 14; cf. Mt 25.31). Esses são os
servos escolhidos de Deus, a hoste angelical (talvez também entre eles seres
humanos), vindos a Jerusalém para libertá-la de agressores pagãos. Em dia de
batalha inaugurará a bem-aventurança eterna da presença especial de Deus entre
o seu povo.
* 14.7 um dia... haverá luz. O
próprio Deus será a luz da cidade (Is 60.19,20; Ap 21.25; 22.5). A luz natural,
emitida pelos corpos celestes, terá cessado (v. 6).
* 14.8 de Jerusalém águas vivas. Como
resultado da presença do Senhor, uma corrente refrescante de águas correntes,
trazendo cura àqueles que buscassem refúgio no Senhor. Tal água simboliza as
bênçãos da salvação (Is 55.1-5; Ez 47.1-12; Jo 4.10-14). Os crentes em Jesus
recebem a água viva que somente Jesus pode dar (Jo 7.37-39 e Ap 22.1).
* 14.9 Rei sobre toda a terra. Diante
dessa vitória final, a soberania de Deus sobre todos se manifestará.
um só será o SENHOR, e um só será o
seu nome. Essas palavras claramente se baseiam em Dt 6.4, a confissão
fundamental de Israel (Mc 12.29, nota). Somente nesse dia de vitória será
plenamente compreendido o pleno significado dessa confissão.
* 14.10 Essa extensa descrição geográfica
tem por desígnio salientar que toda a terra do povo de Deus será reivindicada
pelo próprio Deus.
* 14.12 praga. Essa temível praga nos faz
lembrar as pragas que sobrevieram ao Egito (Êx 7—12), bem como as maldições da
aliança proclamadas por Deus contra os israelitas desobedientes (Lv 26.16; Dt
28.22).
* 14.15 assim será a praga. A praga
atingirá até os animais pertencentes aos inimigos pagãos de Deus. Zacarias
estava enfatizando que a destruição dos inimigos de Deus seria
definitiva e completa. Agora mesmo os crentes já desfrutam da vitória mediante
a fé (1Jo 5.4), e esperam pela subjugação final dos inimigos de Deus por Cristo
(1Co 15.24-28).
* 14.16-20 A parte final do livro retrata a
bênção universal que Deus concederá naquele estado final.
* 14.16 Todos os que restarem. Os habitantes das
nações pagãs não serão todos destruídos. Alguns desses habitanteOs se converterão e virão a adorar o Deus vivo e
verdadeiro em Jerusalém (6.15; 8.23 e notas).
a Festa dos Tabernáculos. A adoração
pelos gentios foi expressa em termos dessa festividade porque era uma festa de
alegria e gratidão a Deus por suas bênçãos (Lv 23.33-36, 39-43; Nm 29.12-34; Dt
16.13-15). A festa ocorria durante a colheita do outono, e desta forma podia
simbolizar a reunião dos gentios.
* 14.20 Santo ao SENHOR. Originalmente inscrita
no turbante do sumo sacerdote (Êx 28.36-38) para expressar a idéia de
dedicação, a expressão é agora aplicada a tudo em Jerusalém, desde as sinetas
dos cavalos até às panelas de cozinhar, porquanto a presença de Deus
santificará tudo ao seu redor.
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sergiovalentin